domingo, 19 de fevereiro de 2017

TROVAS E CONFETES


 No carnaval...

Era fevereiro. Um bloco carnavalesco avançava pelas ruas da cidade. Cerca de cem integrantes fantasiados cantavam, dançavam, sorriam. O bloco de desencarnados, porém, era muito maior. Aproximadamente quinhentos espíritos acompanhavam o grupo, numa perfeita simbiose.

Em comum entre encarnados e desencarnados, havia o desconhecimento sobre onde acaba a alegria e começa o abuso. Contagiante, o bloco de “vivos” e “mortos” prosseguia.

Um jovem, na casa dos dezesseis anos, observa a folia sentado na sarjeta. Embora nascido em berço de ouro, era desnudo de afeto e subnutrido de educação. Atendendo a ordem de espíritos zombeteiros, um dos integrantes do bloco convida o adolescente a dançar. Oferece-lhe um cigarro recheado com erva alucinógena.

Dança, canta e ri. Não sabe que, mais tarde, seu vício sustentará traficantes, enquanto aproveitadores desencarnados o atirarão em perturbações de consequências imprevisíveis.

Mais adiante, outra jovem assiste a turba. Na véspera, havia sofrido terrível desilusão amorosa, que Ihe destruíra os mais singelos planos de felicidade. Abatida, atira-se ao bloco, numa atitude mais de desespero do que de alegria. Dança, canta e ri. Retorna ao lar e, embriagada e deprimida, põe fim à vida cortando os pulsos.

Num bar de esquina, mais um transeunte se interessa pela algazarra. Depois de alguns goles, atende ao chamado de entidades fanfarronas e junta-se ao bloco. Dança, canta e ri. De volta para casa, encontra a esposa chorando seu abandono. Mantém breve discussão com a companheira para, logo depois, deixar o lar, levado pelo efeito do álcool.

O bloco passa. Todos dançam, cantam e riem. Ninguém sabia, porém, que naquele dia, em menos de uma hora, a cidade ganhara uma suicida, um viciado e um lar destruído.

Do livro 'Vida e Renovação' - Clayton Levy (ditado por Espíritos diversos)

* * *

Amigos, a Doutrina Espírita nada proíbe ou obriga. 
Apenas mostra o caminho, esclarecendo quais são as consequências dos nossos atos, mostrando aos homens o que o mal acarreta, mas respeitando o nosso livre-arbítrio.
O Espiritismo esclarece que o pensamento altera o meio, atrai pensamentos semelhantes.
Aos que gostam do Carnaval, busquem a diversão de forma sadia, sem abusos, tentando manter sempre a integridade psico-espiritual.
Lembremos que a desonestidade, a falsidade, a inveja, o perjúrio, a vingança, a perversidade, o crime, a cólera, o egoísmo, sempre serão nocivos, pois conduzem o homem a grandes sofrimentos, independente da época em que sejam praticados.



No Carnaval, o problema
Não é tanto a festa em si:
O problema é de quem chora
Por causa de quem sorri.
* * *
O povo fala e, de fato,
Nos três dias de folia
É que o homem se revela
Ao tirar a fantasia...
* * *
Quem deseja, sobre a Terra,
Ter uma ideia do Umbral
Não necessita morrer:
Basta ver o Carnaval!
* * *
Exibindo nos salões
Fantasias requintadas,
O folião, quase em transe,
Recorda vidas passadas...
* * *
Na visão que tenho agora
Deste outro lado da vida,
O Carnaval me parece
“Sanatório” na avenida.
* * *
Carnaval!... Posso escutar
Ante o tema que futrico:
Em festa de gente viva
Defunto não mete o bico.
* * *
Arte, beleza, alegria –
Carnaval é isso tudo.
Mas sobre o que é além disso
É melhor que eu fique mudo...
* * *
Serpentinas e confetes
Lançados em profusão
São esperanças e sonhos
Que se desfazem no chão...
* * *
O suor do Carnaval,
Se convertido em bondade,
Daria para secar
O pranto da Humanidade.
* * *
Quando chega o Carnaval,
Eu fico pensando nisto:
Não foi numa festa assim
Que mataram Jesus Cristo?!...
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Eurícledes Formiga
Carlos A. Baccelli



O Espírita e o Carnaval


Muitos espíritas, ingenuamente, julgam que a participação nas festas de Momo, tão do agrado dos brasileiros, não acarreta nenhum mal a nossa integridade psico-espiritual. E de fato, não haveria prejuízo maior, se todos pensassem e brincassem num clima sadio, de legitima confraternização. Infelizmente, porém, a realidade é bem diferente. Vejamos, por exemplo, as conclusões a que chegou um grupo de psicólogos que analisou o carnaval, segundo matéria publicada já há algum tempo no Correio Brasiliense, importante jornal da Capital da República:

“(...) de cada dez casais que caem juntos na folia, sete terminam a noite brigados (cenas de ciúme, intrigas, etc.);
que, desses mesmos dez casais, posteriormente, três se transformam em adultério;

que de cada dez pessoas (homens e mulheres) no carnaval, pelo menos sete se submetem a coisas que abominam no seu dia-a-dia, como o álcool e outras drogas (...).

Concluíram que tudo isto decorre do êxtase atingido na grande festa, quando o símbolo da liberdade, da igualdade, mas também da orgia e da depravação, estimulado pelo álcool leva as pessoas a se comportarem fora de seus padrões normais (...)”.

Um detalhe importante que, provavelmente, eles não sabem, é que no plano invisível a turma do astral inferior também se prepara e vem aos magotes participar dos folguedos carnavalescos.

 Na psicosfera criada por mentes convulsionadas pela orgia, os espíritos das trevas encontram terreno propício para influenciar negativamente, fomentando desvios de conduta, paixões grosseiras, agressões de toda a sorte e, ainda, astuciosas ciladas.

No livro “Nas Fronteiras da Loucura”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, são focalizados vários desses processos obsessivos, sobre pessoas imprevidentes, que pensavam apenas em se divertir no carnaval do Rio.

Mostra também o infatigável trabalho dos espíritos do Bem, a serviço de Jesus, procurando diminuir o índice de desvarios e de desfechos profundamente infelizes.

Só por essa amostra já dá pra ver como é difícil, para qualquer cristão, passar incólume pelos ambientes momescos. Por maior que seja a sua fé, os riscos de contrariedades e aborrecimentos são muito grandes.

 Fiquemos, portanto, com o apóstolo Paulo, que dizia
“tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. (I Cor. 6,12).
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Pedro Fagundes Azevedo




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