quarta-feira, 8 de maio de 2019

NÃO DESPREZES



Em vez de pedires mais, agradece o que tens. 

Muitos lutam com provas bem maiores que as tuas.

Outros tudo dariam para serem quem és.

Se não te falta o pão, do que é que reclamas? 

Se dispões de saúde, o que estás lamentando? 

Não desprezes as bênçãos que usufruís e não vês.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "A Face do Amor") 






MENSAGEM DO ESE:

O mandamento maior

Mas, os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, se reuniram; e um deles, que era doutor da lei, foi propor-lhe esta questão, para o tentar: 

— Mestre, qual o grande mandamento da lei?

 — Jesus lhe respondeu: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. — Esse o maior e o primeiro mandamento. — E aqui está o segundo, que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. — Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (S. MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40.)

Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro” , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: 

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, itens 4 e 5.)





terça-feira, 7 de maio de 2019

AMAR AO PRÓXIMO




Se alguém diz que ama a Deus, mas não ama o seu semelhante, é mentiroso. 

Isso foi escrito pelo Apóstolo João e nos convida a uma profunda reflexão. 

Por que o amor a Deus passa inevitavelmente pelo amor ao próximo? 

Por que não basta amar a Deus no isolamento das criaturas, ou na indiferença ao semelhante? 

Deus, ao nos criar, não nos cria perfeitos, mas oferece as oportunidades e possibilidades de se chegar à perfeição. 

E, por grandiosidade de Sua justiça, essa perfeição se alcança por esforço próprio, por dedicação, e jamais por gratuidade ou dom divino, a escolher uns ou outros como mais ou menos amados por Ele e, consequentemente, com mais ou menos virtudes e dons. 

Quando lemos a biografia de grandes vultos do amor ao próximo, como Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier ou Irmã Dulce, vemos a exemplificação do exercício no amor ao próximo. 

E é natural que questionemos de onde eles retiraram forças para amar incondicional e intensamente, ao longo de toda uma vida?

 Aprenderam a amar ao próximo no exercício do amor a que se propuseram, saindo de si mesmos, indo em direção ao outro, encontrando Deus. 

O amor a Deus não se constrói de forma mística, transcendental ou isoladamente.

 Entendendo isso, Jesus, personificação maior do amor a Deus, nos ensina que toda vez que auxiliarmos, que dermos de comer, que matarmos a sede de nosso irmão, é a Ele mesmo que estaremos fazendo isso. 

Convida-nos Jesus a experimentar o exercício do amor a Deus aprendendo a amar ao próximo. 

Afirma mesmo o Mestre Galileu que o maior mandamento da Lei de Deus é amar ao Pai, seguido do exercício de amar-se para amar ao próximo. Se você busca o entendimento das Leis de Deus, de instaurá-Lo na sua intimidade, um bom início será o de olhar para o próximo, no exercício do amor. 

Sempre temos recursos e meios de auxiliar, de demonstrar o amor na forma do desvelo, do carinho, da solidariedade ou da compaixão. 

Ofereçamos a palavra edificante para incentivar os desvalidos, a presença fraterna para aqueles abandonados na solidão, ouvidos pacientes para um coração aflito com necessidade de desabafar. 

Somos convidados ao exercício do amor ao próximo construído na compreensão frente àquele em desatino, em benevolência para o irmão em desequilíbrio ou indulgência na ação precipitada. 

São pequenos gestos que se fazem exercícios de amor ao próximo, no objetivo de amar a Deus. 

Afinal, como nos alerta o Apóstolo João, se não conseguimos compreender nosso irmão, jamais teremos condições de amar e compreender a Deus. 
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MOMENTO ESPÍRITA 



MENSAGEM DO ESE:

Os trabalhadores da última hora

O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para a sua vinha. — Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, — disse-lhes: Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram. — Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. — Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: Por que permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? — É, disseram eles, que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.
Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. — Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. — Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. — Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, — dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor.
Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. — Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? 
Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos. (S. MATEUS, cap. XX, vv. 1 a 16. Ver também: “Parábola do festim das bodas”, cap. XVIII, nº 1.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 1.)







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segunda-feira, 6 de maio de 2019

NÃO TROPECEMOS




“Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.” – (João, 11:9.)

O conteúdo da interrogativa do Mestre tem vasta significação para os discípulos da atualidade.

“Não há doze horas no dia?”

Conscientemente, cada qual deveria inquirir de si mesmo em que estará aplicando tão grande cabedal de tempo.

Fala-se com ênfase do problema de desempregados na época moderna. Entretanto, qualquer crise nesse sentido não resulta da carência de trabalho e, sim, da ausência de boa-vontade individual.

Um inquérito minucioso nesse particular revelaria a realidade. Muita gente permanece sem atividade por revolta contra o gênero de serviço que lhe é oferecido ou por inconformação, em face dos salários.

Sobrevém, de imediato, o desequilíbrio.

A ociosidade dos trabalhadores provoca a vigilância dos mordomos e as leis transitórias do mundo refletem animosidade e desconfiança.

Se os braços estacionam, as oficinas adormecem. Ocorre o mesmo nas esferas de ação espiritual. Quantos aprendizes abandonam seus postos, alegando angústia de tempo? quantos não se transferem para a zona da preguiça, porque aconteceu isso ou aquilo, em pleno desacordo com os princípios superiores que abraça?

E, por bagatelas, grande número de servidores vigorosos procuram a retaguarda cheia de sombras. Mas aquele que conserva acuidade auditiva ainda escuta com proveito a palavra do Senhor:

– Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia não tropeça.”
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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)





Mensagem do ESE:

Sacrifício da própria vida (II)

– Se um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida a um de seus semelhantes, sabendo de antemão que sucumbirá, pode o seu ato ser considerado suicídio? 

Desde que no ato não entre a intenção de buscar a morte, não há suicídio e, sim, apenas, devotamento e abnegação, embora também haja a certeza de que morrera. Mas, quem pode ter essa certeza? Quem poderá dizer que a Providência não reserva um inesperado meio de salvação para o momento mais crítico? Não poderia ela salvar mesmo aquele que se achasse diante da boca de um canhão? Pode muitas vezes dar-se que ela queira levar ao extremo limite a prova da resignação e, nesse caso, uma circunstância inopinada desvia o golpe fatal.

 — São Luís. (Paris, 1860.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 30.)


sexta-feira, 3 de maio de 2019

É o mesmo



“Pois o mesmo Pai vos ama.” – Jesus. (João, 16:27.)

Ninguém despreze os valores da confiança.

Servo algum fuja ao benefício da cooperação. Quem hoje pode dar algo de útil, precisará possivelmente amanhã de alguma colaboração essencial.

Todavia, por enriquecer-se alguém de fraternidade e fé, não olvide a necessidade do desenvolvimento infinito no bem.

Os obreiros sinceros do Evangelho devem operar contra o favoritismo pernicioso.

A lavoura divina não possui privilegiados. Em suas seções numerosas há trabalhadores mais devotados e mais fiéis; contudo, esses não devem ser categorizados à conta de fetiches e, sim, respeitados e imitados por símbolos de lealdade e serviço.

Criar ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração. O mármore é impassível mas o companheiro é nosso próximo de cuja condição ninguém deveria abusar.

Pague cada homem o tributo de esforço próprio à vida.

O Supremo Senhor espera de nós apenas isto, a fim de converter-nos em colaboradores diretos.

O próprio Cristo afirmou que o mesmo Pai que o distingue ama igualmente a Humanidade.

O Deus que inspira o médico é o que ampara o doente.

Não importa que asiáticos e europeus o designem sob nomes diferentes.

Invariavelmente é o mesmo Pai.

Conservemos, pois, a luz da consolação, a bênção do concurso fraterno, a confiança em nossos Maiores e a certeza na proteção deles; contudo, não olvidemos o dever natural de seguir para o Alto, utilizando os próprios pés.
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EMMANUEL

(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)





MENSAGEM DO ESE:

Verdadeira pureza. Mãos não lavadas

Então os escribas e os fariseus, que tinham vindo de Jerusalém, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: “Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos, uma vez que não lavam as mãos quando fazem suas refeições?” 

Jesus lhes respondeu: “Por que violais vós outros o mandamento de Deus, para seguir a vossa tradição? Porque Deus pôs este mandamento: Honrai a vosso pai e a vossa mãe; e este outro: Seja punido de morte aquele que disser a seu pai ou a sua mãe palavras ultrajantes; e vós outros, no entanto, dizeis: Aquele que haja dito a seu pai ou a sua mãe: Toda oferenda que faço a Deus vos é proveitosa, satisfaz à lei, — ainda que depois não honre, nem assista a seu pai ou à sua mãe. Tornam assim inútil o mandamento de Deus, pela vossa tradição. 

Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra de lábios, mas conserva longe de mim o coração; é em vão que me honram ensinando máximas e ordenações humanas.” 
Depois, tendo chamado o povo, disse: “Escutai e compreendei bem isto: — Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. — O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; — porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos-testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. — Essas são as coisas que tornam impuro o homem; o comer sem haver lavado as mãos não é o que o torna impuro.” Então, aproximando-se, disseram-lhe seus discípulos: “Sabeis que, ouvindo o que acabais de dizer, os fariseus se escandalizaram?” — Ele, porém, respondeu: “Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou. — Deixai-os, são cegos que conduzem cegos; se um cego conduz outro, caem ambos no fosso.” (S. Mateus, cap. XV, vv. 1 a 20.)

Enquanto ele falava, um fariseu lhe pediu que fosse jantar em sua companhia. Jesus foi e sentou-se à mesa. — O fariseu entrou então a dizer consigo mesmo: “Por que não lavou ele as mãos antes de jantar?” Disse-lhe, porém, o Senhor: “Vós outros, fariseus, pondes grandes cuidado em limpar o exterior do copo e do prato; entretanto, o interior dos vossos corações está cheio de rapinas e de iniqüidades. Insensatos que sois! aquele que fez o exterior não é o que faz também o interior?” (S. LUCAS, cap. XI, vv. 37 a 40.)

Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração, iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Daí o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.

Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. É a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou. 

O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu princípio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.
Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VIII, itens 8 a 10.)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

CRÔNICA SOBRE CHICO XAVIER À VÉSPERA DE MAIO




Mais uma vez, pego no lápis para escrever alguma coisa sobre Chico Xavier, registrar pela emoção “algo” que possa transmitir aos amigos distantes.

Ele está aqui, no Grupo Espírita da Prece, a um metro de mim...

E eu o observo com atenção, anotando os seus mínimos gestos.

Mão esquerda apoiando a fronte e a destra deslizando celeremente sobre o papel.

Posso ler o título da mensagem que recebe pela psicografia: “Louvor às Mães”, e recordo que estamos às vésperas do mês de maio...

São trovas emolduradas de luz. Cada qual de um poeta, cada trovador com o seu modo peculiar de sustentar o lápis e de escrever.

Chico, o médium, obedece docilmente.

O fenômeno é tão natural, tão sublimado, que, segundo me parece, ele se assemelha mais a uma harpa humana dedilhada por celeste inspiração.

De quando em quando, uma nuvem de suave perfume evola no ar, emanada dele, balsamizando o ambiente.

Todos os que estamos à mesa somos espíritas.

Creio, porém, que não nos apercebemos bem da excelsitude do momento; sim, não atinamos muito bem que estamos sendo testemunhas oculares de um dos acontecimentos mais importantes da história do Espiritismo e, mais que isso, da própria Humanidade.

Chico escreve e muitos estão alheios, como mariposas em torno de um intenso foco de luz...

No fundo, muito esperamos algumas palavras endereçadas a nós de um ente amado que partiu, mas não encaramos com a seriedade necessária e, sobretudo, com consciência o que, inconscientemente, evocamos...

Há um misto de dúvida e esperança, sofrimento e fé, preces e lágrimas no ar...

Uma leve música toca ao fundo, um piano afinadíssimo nas mãos de exímio artista e, novamente, volto os olhos para Chico e convenço-me: ele é um piano e invisível músico dedilha-lhe as teclas.

O compasso do lápis parece acompanhar o compasso da música...

E do Chico escorro o olhar para a multidão, mães e pais, jovens e moçoilas, veneráveis senhoras e algumas crianças de colo... Meu Deus! debaixo de tantos semblantes, diviso muita dor, muita saudade!... Enfermos do corpo e da alma... E ele ali como uma esperança dos Céus materializada na Terra...

Ah, Morte! Que seria de nós se não nos acicatasses, levando-nos a desprezar os prazeres da vida efêmera para buscar Deus na fé? És a nossa sombra e a nossa luz...

Vejo que também tens a tua missão na Terra e que ela, por agora, ainda transcende a nossa humana compreensão.

Mas o lápis que vejo correr está vencendo-te...

O papel à minha frente é um portal de luz aberto entre ti e a vida.

É este homem, cujas mãos são duas estrelas refletindo entre as trevas da descrença o divino clarão da imortalidade, é um apóstolo da Vida, que vai passando semelhante a um meteoro na Terra, deixando rastros de luz...

Este homem que está ainda a escrever não é um corpo, é um imenso coração!

E nós estamos aqui, à sua volta, como um dia as crianças que se assentaram no colo de Jesus para ouvir histórias de um Reino distante...

E, sem que eu saiba explicar exatamente por que, penso no dia em que os olhos que fito agora se fecharem para vida física, e só de pensar já me sinto um pouco órfão.

Certo, a vida não vai parar.

A Natureza será a mesma, eu continuarei...

Mas aqui dentro estará faltando alguém, um sorriso, uma bênção, uma alegria...

E rogo a Deus fortalecê-lo para o meu egoísmo. E creio que muita gente também assim o faz.

Das mãos que continuam a escrever – fontes de consolo e de paz inesgotáveis –, quantas esperanças restauradas, quanto amor semeado...

E ele é um só.

E hoje eu estava melancólico, sabem, dessas melancolias que vêm e ficam com a gente por instantes, mas bastou que ele me falasse duas palavras para que eu entendesse tudo o que ele desejava me dizer e não pôde e... não foi preciso... e eu me rejubilei e o amei mais ainda.

Escrevendo assim, novamente a mesma onda de perfume me inebria e penso que o Amor tem perfume, mas o olfato não sabe defini-lo; só o coração.

Uma senhora se destaca da multidão, aflita. Dependurada ao peito está a fotografia do filho querido que partiu, como se ela quisesse trazê-lo aconchegado sempre ao coração.

É o seu filho que escreveu...

Ela chora e ri, ri e chora...

Todos choramos.

Agora... silêncio. Chico Xavier vai falar e eu, o mundo, precisamos ouvi-lo...
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Livro: Chico Xavier – Mediunidade e Coração
Carlos A. Baccelli
IDEAL – Instituto de Divulgação Editora André Luiz  










 
MENSAGEM DO ESE:

O egoísmo

O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens. 

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! Animou-se a dizer aos judeus: Este homem é justo, por que o quereis crucificar? E, entretanto, deixa que o conduzam ao suplício.

É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão. Cabem-vos a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.

 — Emmanuel. (Paris, 1861.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 11.)