Há guardiões espirituais que te apoiam a existência no plano físico e há tutores da alma que
te protegem a vida na Terra mesmo.
Freqüentemente, centralizas a atenção nos poderosos do dia, sem ver os companheiros
anônimos que te ajudam na garantia do pó. Admiras os artistas renomados que dominam
nos cartazes da imprensa e esqueces facilmente os braços humildes que te auxiliam a
plasmar, no santuário da própria alma, as obras primas da esperança e da paciência.
Aplaudes os heróis e tribunos que se agigantam nas praças, todavia, não te recordas
daqueles que te sustentaram a infância, de modo a desfrutares as oportunidades que hoje te
facilitam. Ouves, em êxtase, a biografia de vultos famosos e quase nunca te dispões a
conhecer a grandeza silenciosa de muitos daqueles que te rodeiam, na intimidade
doméstica, invariavelmente dispostos a te estenderem generosidade e carinho.
Homenageia, sim, os que te acenam dos pedestais que conquistaram, merecidamente, à
custa de inteligência e trabalho; contudo, reverencie também aqueles que talvez nada te
falem e que muito fizeram e ainda fazem por ti, muitas vezes ao preço de sacrifícios
pungentes.
São eles pais e mães que te guardaram o berço, professores que te clarearam o
entendimento, amigos que te guiaram a fé e irmãos que te ensinaram a confiar e servir...
Vários deles fazem agora, na retaguarda, acabrunhados e encanecidos, experimentando
agoniada carência de afeto ou sentindo o frio entardecer; alguns prosseguem obscuros e
devotados, no amparo às gerações que retomam a lide terrestre, enquanto outros muitos,
embora enrugados e padecentes, quais cireneus do caminho, carregam as cruzes dos
semelhantes.
Pense nesses anjos desconhecidos que se ocultam na armadura da carne, e, de quando em
quando, unge-lhes o coração de reconhecimento e alegria. Para isso, não desejam
transfigurar-se em fardos nos teus ombros. Quase sempre, esperam de ti, simplesmente,
leve migalha das sobras que atiras pela janela ou uma frase de estímulo, uma prece ou uma
flor.
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Emmanuel
Chico Xavier

MENSAGEM DO ESE:
A fé e a caridade
Disse-vos, não há muito, meus caros filhos, que a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de os tornar felizes. Pudera ter dito que a caridade é impossível sem a fé. Na verdade, impulsos generosos se vos depararão, mesmo entre os que nenhuma religião têm; porém, essa caridade austera, que só com abnegação se pratica, com um constante sacrifício de todo interesse egoístico, somente a fé pode inspirá-la, porquanto só ela dá se possa carregar com coragem e perseverança a cruz da vida terrena.
quando, unge-lhes o coração de reconhecimento e alegria. Para isso, não desejam
transfigurar-se em fardos nos teus ombros. Quase sempre, esperam de ti, simplesmente,
leve migalha das sobras que atiras pela janela ou uma frase de estímulo, uma prece ou uma
flor.
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Emmanuel
Chico Xavier

MENSAGEM DO ESE:
A fé e a caridade
Disse-vos, não há muito, meus caros filhos, que a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de os tornar felizes. Pudera ter dito que a caridade é impossível sem a fé. Na verdade, impulsos generosos se vos depararão, mesmo entre os que nenhuma religião têm; porém, essa caridade austera, que só com abnegação se pratica, com um constante sacrifício de todo interesse egoístico, somente a fé pode inspirá-la, porquanto só ela dá se possa carregar com coragem e perseverança a cruz da vida terrena.
Sim, meus filhos, é inútil que o homem ávido de gozos procure iludir-se sobre o seu destino nesse mundo, pretendendo ser-lhe licito ocupar-se unicamente com a sua felicidade. Sem dúvida, Deus nos criou para sermos felizes na eternidade; entretanto, a vida terrestre tem que servir exclusivamente ao aperfeiçoamento moral, que mais facilmente se adquire com o auxílio dos órgãos físicos e do mundo material. Sem levar em conta as vicissitudes ordinárias da vida, a diversidade dos gostos, dos pendores e das necessidades, é esse também um meio de vos aperfeiçoardes, exercitando-vos na caridade. Com efeito, só a poder de concessões e sacrifícios mútuos podeis conservar a harmonia entre elementos tão diversos.
Tereis, contudo, razão, se afirmardes que a felicidade se acha destinada ao homem nesse mundo, desde que ele a procure, não nos gozos materiais, sim no bem. A história da cristandade fala de mártires que se encaminhavam alegres para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para serdes cristãos, não se vos faz mister nem o holocausto do martírio, nem o sacrifício da vida, mas única e exclusivamente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e vos sustentar a fé. — Espírito protetor. (Cracóvia, 1861.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 13.)
