sábado, 29 de novembro de 2025

Sobre o uso do Evangelho


 Devemos guardar o Evangelho na cabeça?

Sim, porque precisamos orientar o pensamento para o bem…

 Cabe-nos a obrigação de imprimir o Evangelho nos olhos?

Sim, porque é indispensável permaneça a nossa visão identificada com o ensinamento divino, que transparece de todos os lugares.

Compete-nos conservar o Evangelho nos ouvidos?

Sim, porque é imprescindível registrar a mensagem de bondade que o Alto nos reserva, em todas as particularidades da senda a percorrer.

 É imperioso guardar o Evangelho nas mãos?

Sim, porque nossos braços são os instrumentos com os quais criaremos o mundo de nossas boas obras, na direção do Paraíso.

 Será necessário respeitar o Evangelho com os nossos pés?

Sim, porque a reta diretriz é imperativo comum.

Justo, porém, antes de tudo, é situar o Evangelho no coração, para que o ensino de Jesus aplicado em nós mesmos resplandeça através de nossa mente, de nosso olhar, de nossa audição, de nossas mãos e de nossos pés, a fim de que não sejamos aprendizes fragmentários, subestimando o serviço do Divino Mestre.

É imprescindível trazer a Boa-Nova, em todos os nossos pensamentos e aspirações, potências e atividades, salientando-se, contudo, o impositivo da lição de Jesus, no imo dos nossos sentimentos, para que estejamos ligados, primeiramente, ao Senhor, e não ao nosso “eu”, de vez que, segundo as velhas e sempre jovens palavras da Escritura Celeste, onde guardamos o coração aí se encontrará o tesouro de nossa vida. 

Evangelho no coração será, portanto, a plenitude do Cristo em nós.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Perante Jesus
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29 de novembro

Quais são os seus valores na vida?

Se eles são simplesmente valores materiais, válidos hoje e inúteis amanhã, você vai desperdiçar sua vida se debatendo numa gaiola e não chegando a lugar nenhum.

Mas se você procurar seguir os caminhos do Espírito, você terá que procurar dentro de si mesmo, e isso só poderá ser feito se você se aquietar para trazer à tona os tesouros escondidos lá no fundo.

Você não encontrará esses tesouros no exterior, porque é no seu interior que você armazena tudo que importa nesta vida.

Você é livre para fazer a escolha do que importa.

Ninguém vai tentar influenciá-lo, porque cada alma tem livre-arbítrio.

Depende de você fracassar ou vencer na vida.

A luz está à sua frente: por que não segui-la?

O amor está aí: por que não aceitá-lo?

Nada lhe é recusado quando você procura com todo seu coração, mente, alma e força.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Não julgueis, para não serdes julgados. Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

Não julgueis, a fim de não serdes julgados; — porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-á convosco a mesma medida de que voz tenhais servido para com os outros. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 1 e 2.)

Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, — disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério;

— ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” — Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. — Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” — Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão.

— Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça.

Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram? Ninguém te condenou?” — Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

“Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

O reproche lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, não se tome em sentido absoluto este princípio: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado”, porquanto a letra mata e o espírito vivifica.

Não é possível que Jesus haja proibido se profligue o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, itens 11 a 13.)
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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Infelicidade


Ante o manancial de bênçãos do Espiritismo com Jesus, a verdadeira infelicidade será sempre: receber sem dar;

 reter os bens do mundo sem distribuí-los;

guardar a fé, menosprezando os que sofrem o frio da indiferença;

iluminar a si mesmo, escarnecendo os que ainda jazem na sombra;

exibir humildade, amaldiçoando as vítimas do orgulho;

ornar a própria senda com os mais altos valores culturais, recusando a esmola do alfabeto aos que padecem a chaga da ignorância;

conservar a própria saúde, olvidando os enfermos;

encastelar-se no conforto, esquecendo os que são afrontados pela miséria…

O infortúnio real será ainda: ensinar o bem sem praticá-lo;

conhecer a verdade e consagrar-se ao erro sistemático;

aceitar os princípios da sublimação espiritual, mergulhando-se nas trevas da animalidade e da estagnação nas linhas inferiores do mundo;

 saber o caminho da elevação própria, tentando enganar a si mesmo no fundo despenhadeiro da ilusão;

 matar o tempo destinado a enriquecer-nos de vida…

Há muita felicidade na Terra que não constitui senão trilho descendente para o abismo da aflição…

Muitos riem agora, ostentando falsa alegria na máscara de carne para chorarem amargamente depois…

 Aprendamos a viver para o bem dos outros, a fim de encontrarmos o nosso verdadeiro bem.

 Almas inúmeras se julgam bem quando apenas se encontram bem mal no exclusivismo a que se afeiçoam e outras tantas se supõem mal dotadas pela existência, encontrando nas dores que as assaltam o acesso à libertação do mal a que se escravizam.

 A felicidade duradoura e justa nasce para nós da felicidade que acendermos no caminho dos outros, e, por isso, compreendendo com o Evangelho que mais vale dar que receber, procuremos distribuir os bens que o Senhor nos empresta, a bem de todos, na certeza de que somente assim conquistaremos, em nosso favor, a felicidade do Sumo Bem.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Perante Jesus
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28 de novembro

Hoje é um novo dia e só depende de você a maneira como ele vai se desenrolar.

Seus primeiros pensamentos ao acordar podem colorir o dia todo.

Podem ser pensamentos felizes e positivos, ou podem ser tristes e negativos.

Não se deixe influenciar pelas condições externas, pela meteorologia, por exemplo.

Pode estar chovendo, mas se o seu coração estiver cheio de amor e gratidão, sua atitude será de sol e céu azul.

Você percebe a enorme responsabilidade que carrega?

A vida é o que você faz dela, portanto, nunca culpe ninguém pela situação em que você se encontra, porque você é o responsável.

Mude sua atitude e você mudará toda a sua visão do mundo que o rodeia.

Adote uma atitude construtiva em relação à vida.

Selecione somente o que houver de melhor e ignore o resto: não dedique sua energia vital ao que é ruim e ele desaparecerá.

Neste dia espere por Mim em quietude e confiança, e saiba que este dia tem as Minhas bênçãos

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

A verdadeira propriedade

O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir.

Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres.

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— Pascal. (Genebra, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 9.)
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Nossas Faltas


É possível que o constrangimento do companheiro tenha surgido do gesto impensado de tua parte.

O gracejo impróprio ou o apontamento inoportuno teria tido efeito de um golpe.
Decerto, não alimentaste a intenção de ferir, mas a desarmonia partiu de bagatela, agigantando-se em conflito de grandes proporções.
De outras vezes, a mente adoece, conturbada.

Teremos ofendido realmente.

A cólera ter-nos-á cegado e cortamos o coração de quem ouve.
Pretendemos aconselhar e cortamos o coração de quem ouve.
Alegando franqueza, envenenamos a língua.

No pretexto de consolar, ampliamos chagas abertas.

E começa para logo a distância e a aversão.

Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.

Chispa de fogo gera incêndio.

Leve alfinetada prepara a infecção.

Humildade é caminho.

Entendimento é remédio.

Perdão é profilaxia.

Muitas vezes, loucura e crime, dispersão e calamidade nascem de pequeninos desajustes acalentados.

Não hesites rogar desculpas, nem vaciles apagar-te a favor da concórdia, com aparente desvantagem particular, porquanto, na maioria dos casos de incompreensão, em que nos imaginamos sofredores e vítimas, os verdadeiros culpados somos nós mesmos.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Justiça Divina
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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O pó das sandálias



Quando o Senhor nos recomendou sacudíssemos o pó das sandálias, ao nos retirarmos dos lugares em que a nossa cooperação fraternal ainda não se mostrasse suscetível de ambientação e reconhecimento, não nos induziu à indiferença, ao relaxamento ou à dureza espiritual.

É que o amor-próprio, quando destrutivo em nossa personalidade, nos compele a resoluções e atitudes negativas que, de nenhum modo, se coadunam com o programa cristão que fomos chamados a desenvolver.

O pó das sandálias é a preocupação doentia de recebermos o incenso das considerações sociais, a tristeza improdutiva, diante da calúnia ou da perversidade, a dilaceração inútil perante a ignorância dos outros, o anseio por resultados das nossas ações mais elogiáveis, no campo imediatista da vida, a revolta contraproducente junto às sombras do mal, a indisciplina, ante as ordenações transitórias do mundo, o desânimo à frente das dificuldades, o desalento entre os obstáculos naturais do caminho, a exigência de compreensão alheia, no capítulo de nossas manifestações pessoais, os melindres da suposta superioridade em que, muitas vezes, nos enganamos no próprio íntimo, a desistência da boa luta ou a deserção perante a dor.

Semelhantes estados espirituais simbolizam o pó das sandálias que nos cabe alijar, sem delonga, nos mínimos desequilíbrios entre a vida e nós outros.

 Esqueçamos tudo o que nos incline ao resvaladouro da inutilidade e marchemos para diante.

Grande é o campo da Terra e até que a ventania e a tempestade possam remover os tropeços de muita paisagem empedrada e escura na gleba do planeta, prossigamos semeando o bem, cultivando-o e defendendo-o, em todos os setores de nossa tarefa, convictos de que a plantação da luz produzirá os resultados da felicidade e da perfeição para a Vida Imortal.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Perante Jesus
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27 de novembro

Tenham amor e confiança um pelo outro, porque amor e confiança numa alma permitem que ela desabroche e se desenvolva para que possa assumir responsabilidades e crescer em força e estatura.

Você não pode esperar que uma criança evolua se tudo for feito por ela.

É preciso ensiná-la a pensar por si mesma e tomar suas próprias decisões sem depender dos pais.

Não é fácil ver entes queridos tomarem decisões erradas, mas, às vezes, não podemos interferir para que eles aprendam certas lições.

Lições podem ser aprendidas da maneira mais fácil, mas nunca são esquecidas quando são aprendidas da maneira mais difícil.

Por isso, nunca seja super protetor; aprenda a soltar as almas que estão sob seus cuidados, não importa quem sejam ou sua idade.

Deixe que elas aprendam a dar conta de suas responsabilidades e, mais importante, apreciem fazer isso, ajudando-se umas às outras a crescer.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

O divórcio

O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrario a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor.

Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?” Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: “no princípio, não foi assim”, isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.

Vai mais longe: especifica o caso em que pode dar-se o repúdio, o de adultério. Ora, não existe adultério onde reina sincera afeição recíproca. É verdade que ele proíbe ao homem desposar a mulher repudiada; mas, cumpre se tenham em vista os costumes e o caráter dos homens daquela época. A lei mosaica, nesse caso, prescrevia a lapidação. Querendo abolir um uso bárbaro, precisou de uma penalidade que o substituísse e a encontrou no opróbrio que adviria da proibição de um segundo casamento. Era, de certo modo, uma lei civil substituída por outra lei civil, mas que, como todas as leis dessa natureza, tinha de passar pela prova do tempo.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXII, item 5.)
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Tempestades em copo d’água


Muitas vezes nos desgastamos por coisas que, examinadas em detalhe, não merecem tanta atenção.

Detemo-nos em pequenos problemas e questões que supervalorizamos.

Um estranho, por exemplo, pode nos dar uma fechada no trânsito.

Ao invés de esquecê-lo e continuarmos em frente, convencemo-nos de que esse motivo é mais do que suficiente para que passemos o dia todo sentindo raiva.

Ficamos repetindo em nossas mentes diversas vezes o ocorrido: remoendo a situação ou narrando para outras pessoas o incidente, em vez de simplesmente esquecê-lo.

Por que não deixar para lá?

Cabe-nos, em verdade, sentir compaixão pelo mau motorista.

Quem sabe o motivo que lhe impõe tanta pressa?

Ou o que justifica sua perturbação?

Podemos manter nosso próprio senso de bem-estar, sem incorporar o problema do outro.

Há muitas outras tempestades como essa.

São exemplos que ocorrem todos os dias em nossas vidas.

Quando precisamos esperar em uma fila, quando ouvimos críticas injustas, ou quando nos vemos obrigados a fazer a parte mais difícil de um trabalho.

Só temos a ganhar quando não nos deixamos levar por esses pequenos aborrecimentos.

Tantas pessoas gastam energia fazendo tempestades em copo d’água, desperdiçando o lado mágico e belo da existência.

Nada mais comum nas atividades terrenas do que o hábito enraizado dos aborrecimentos e das disputas sem sentido.

Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.

Assim como meninos, onde cada gesto se torna um bom motivo para mal-entendidos, com os adultos o mesmo fenômeno ocorre.

Muitos agem como crianças de pavio curto, permitindo que as situações mais banais e corriqueiras causem desequilíbrios descabidos.

Não estamos no mundo para nos submetermos a impulsos irracionais, mas sim para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.

Não devemos nos deixar levar pelo destempero e pela irritação desarticuladora do equilíbrio.

Temos o dever de nos educar porque, na pauta de nossas vidas, há o compromisso de cooperar com Deus, à medida que sejamos maduros o suficiente para isso.

Não há como considerar normal que os aborrecimentos diários nos afetem tanto, só porque algumas almas destemperadas se entreguem a esse costume infeliz.

São ruídos desconcertantes e indesejáveis para aqueles que buscam dar conta dos abençoados compromissos assumidos perante a vida.

São apenas tempestades em copos d’água que, logo adiante, serão facilmente percebidas dessa maneira.

Não há razão para despender tanta energia, tanto tempo com circunstâncias mesquinhas e sem importância.

Sigamos em frente, com lucidez e equilíbrio, sabendo dar valor ao que tem valor.

Observemo-nos mais.

Conheçamo-nos melhor.

Resistamos aos impulsos da fera que ainda habita nossa intimidade.

Mantenhamo-nos em paz, buscando o equilíbrio e a justiça, que tão bem nos exemplificou o Mestre Nazareno.

* * *
Para a superação serena e tranquila das perturbações diárias que nos atingem, sirvamo-nos sempre dos recursos abençoados e eficazes da oração e da vigilância.

Pensemos nisso!

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Redação do Momento Espírita, com base no cap. I, do livro Não faça tempestade em copo d’água, de Richard Carlson, ed. Rocco e no cap. 13, do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O homem inteligente


Em verdade, o homem inteligente não é aquele que apenas calcula, mas sim o que transfunde o próprio raciocínio em emocão para compreender a vida e sublimá-la. 

Podendo senhorear as riquezas do mundo, abstém-se do excesso para viver com simplicidade, sem desrespeitar as necessidades alheias.

 Guardando o conhecimento superior, não se encastela no orgulho, mas aproxima-se do ignorante para auxiliá-lo a instruir-se. 

Dispondo de meios para fazer com que o próximo se lhe escravize ao interesse, trabalha espontâneamente pelo prazer de servir.

 E, entesourando virtudes inatacáveis, não se furta à convivência com as vítimas do mal, agindo, sem escárnio ou condenação, para libertá-las do vício. 

O homem inteligente, segundo o padrão de Jesus, é aquele que, sendo grande, sabe apequenar-se para ajudar aos que caminham em subnível, consagrando-se ao bem dos outros, para que os outros lhe partilhem a ascensão para Deus.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Religião dos Espíritos
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26 de novembro

Existe uma grande necessidade de almas estáveis e responsáveis, que estão sempre no lugar certo na hora certa fazendo o que precisa ser feito.

Existe uma necessidade de almas que vivam de tal maneira que nada as perturbe, porque estão em controle de cada situação e vivem e agem centradas na paz e quietude interior.

Sua segurança está em Mim; portanto, nada as desequilibra.

Elas sabem o que estão fazendo e porque, e têm um real senso de responsabilidade.

Pode-se confiar que elas façam suas tarefas, sejam elas quais forem, e as façam perfeitamente.

Consulte seu coração.

As pessoas podem contar com você?

Você tem um senso de responsabilidade capaz de fazer você completar suas tarefas?

Você está sempre no lugar certo, na hora certa?

É importante que você perceba em que ponto está se omitindo para poder, então, se corrigir.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Destino da Terra e Causa das Misérias Humanas

6 – Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. È necessário considerar que toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população.

7 – Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias.

Ora, da mesma maneira que , numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.

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O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
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PREGUIÇA E CONVERSAS BAIXAS


(...)

Se queres entrar em preparo, começa hoje, agora, e permanece até o fim, sem esmorecer diante dos simples obstáculos que deverão aparecer para o teu próprio bem, servindo de testes às qualidades já afloradas.

Se ainda alimentas o ódio a alguém que, por invigilância, te feriu;

conservas a maledicência destilando magnetismo inferior pela língua;

te esqueceste de perdoar os ofensores que te caluniaram;

gastas o teu maior tempo, doado por Deus, em baixas conversações;

desconheces o valor grandioso da caridade;

não acreditas no amor que nos salva a todos;

desconheces a terapia espiritual do trabalho honesto e abusas do tempo;

tens preguiça de estudar e não gostas de aprender;

não acreditas na oração e criticas os que a praticam;

és avesso à fraternidade e o egoísmo domina os teus atos, convém que nem penses em desdobramento consciente, nem na sua prática.

Fica, por enquanto, nos sonhos, até resolveres despertar e empreender esforços para granjear a tua melhoria.

💐🍃💐
João Nunes Maia, 
pelo Espírito Lancellin
Obra: Iniciação – Viagem Astral
💐🍃💐

terça-feira, 25 de novembro de 2025

O socorro do Alto


Oras e chamas pelo socorro do Alto.

O socorro do Alto, porém, nem sempre te alcança da maneira que desejas.

Antes que obtenha deferimento, cada petição que o homem formula aos Céus é estudada minuciosamente nos tribunais da Divina Justiça.

O doente grave requer imediata intervenção em leito hospitalar ou mesmo inadiável intervenção cirúrgica...

Nem sempre aquilo de que te crês mais necessitado é o de que mais te revelas carente no momento.

Raciocinando por semelhante postura, quantos já não tiveram as suas rogativas atendidas por Deus e nem se deram conta?

Pediste a solução de determinado problema que te angustiava... O problema, que não pôde ser equacionado de pronto, persistiu, mas logo aconteceu que te fez mudar radicalmente em teu modo de vivenciá-lo.

Solicitaste que te visses livre da presença de certa pessoa em tua vida... Muito embora ela continue vinculada a ti, outras pessoas apareceram e se interpuseram no relacionamento enfermiço entre ambos.

Reivindicaste apoio, por exemplo, contra a inclinação ao hábito de beber, que te degrada... No entanto, se não conseguiste ainda a completa isenção da vontade de alcoolizar-te, adoeceste, e a doença adquirida não mais te permite sequer tomar um trago.

A dor, do ponto de vista espiritual, substitui com vantagem certas preocupações que poderiam se fazer causa de dores maiores.

Frustrações e embaraços, desencantos e obstáculos podem ser, para a criatura humana, a incompreensível resposta das preces por ele encaminhadas ao Criador.

Às vezes, no aparente agravamento de uma situação diante da qual o homem se vê sem forças para reagir está a intercessão capaz de operar, sem violência, o prodígio de modificá-lo para melhor.

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Irmão José
psic. Carlos Baccelli
Obra: Não encontramos
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25 de novembro

Não há necessidade de sofrimento na Nova Era.

Para aquelas almas que estão se encaminhando para o novo, o sofrimento não mais existe.

Se você ainda sente que o sofrimento é necessário, você não pertence ao novo, mas está firmemente grudado ao velho.

E lá você permanecerá, atraindo sofrimento para você mesmo, até que, por sua livre vontade, você comece a caminhar e a aceitar que o que passou, passou.

Concentre-se nas maravilhas e alegrias desta vida e aceite o que há de melhor e que é sua herança legítima.

Não é ser como uma avestruz, com medo da vida e não a encarando.

Mas é ver a realidade desta vida gloriosa que é a sua, e, assim fazendo, ajudar para que esta realidade aconteça.

Quanto mais claramente você enxergar tudo isso, mais depressa ela vai acontecer.

Aceite a visão do novo céu e da nova terra, e a tenha sempre em mente, porque não é um sonho inatingível.

É realidade e você é parte dela.

🌷🌵🌷
Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.

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— São Luís. (Paris, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.)
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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Escolha de provas


 Estudando o problema da escolha de provações da Esfera Espiritual para o círculo das experiências humanas, imaginemos um campo de serviço terrestre em que determinado trabalhador é chamado à execução de tarefa específica.

Decerto que, aí dentro, vige a liberdade na razão direta do dever bem cumprido.

O servidor que haja inutilizado deliberadamente as peças do arado que lhe requer devoção e suor gastará tempo em adquirir instrumento análogo com que possa atender à orientação que o dirige.

 O lavrador invigilante que tenha permitido por desleixo a incursão de vermes destruidores na plantação que lhe define o trabalho, não pode esperar a colheita farta antes que se consagre à limpeza e à preservação da leira que a administração lhe confia.

 O cooperador com a infelicidade de envolver-se em processos de crueldade, terá cerceado a sua independência de ação, de vez que será necessário circunscrever-lhe a influência em processo adequado de reajuste.

 Entretanto, se o operário fiel da lavoura satisfaz agora a todos os requisitos das obrigações a que se vê convocado, sem dúvida, plasma, em seu próprio favor, o direito de indicar por si mesmo o novo passo de serviço na direção do futuro, com pleno assentimento da autoridade superior que lhe traça o roteiro de lutas edificantes.

 Assim, além da desencarnação, nem todos desfrutam de improviso a faculdade de escolher o lugar ou a situação em que deva prosseguir no esforço de evolução, porquanto, quase sempre, é imperioso o regresso às sombras da retaguarda para refazer com sofrimento e lágrimas, amargura e sacrifício o ensejo perdido de acesso à luz.

 Se desejas a marcha vitoriosa para lá dos portais de cinza em que se nos renova a visão espiritual, afeiçoa-te, com perseverança e lealdade, ao próprio dever, dele fazendo o pão espiritual, cada dia, porque para alcançar o triunfo e a elevação de amanhã, é indispensável consagrar-lhes a nossa atenção desde hoje.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Nascer e renascer
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24 de novembro

"Por seus frutos eles serão reconhecidos", se eles são a meu favor ou não, se eles são da luz ou das trevas.

Abra seus olhos e você saberá sem sombra de dúvidas. Interiorize-se e seu coração lhe dirá.

Faça a sua própria avaliação e não dê ouvidos ao que vem de fora; porque se você escutar a muitos sussurros e rumores externos, você ficará tão perplexo que não mais saberá o que é e o que não é verdade, e você perderá o seu caminho.

Toda pessoa pode encontrar a verdade em seu interior, mas isso significa que ela tem que se dar um tempo para se interiorizar; tem que pensar por si mesma e encontrar seu próprio caminho, mas muitas pessoas são preguiçosas demais para fazer isso.

Elas acham muito mais fácil escutar e aceitar o que os outros dizem, sem ouvir sua própria voz interior.

Fique quieto e você saberá a verdade, e a verdade o libertará.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Convidar os pobres e os estropiados. Dar sem esperar retribuição

Disse também àquele que o convidara: Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem os vossos amigos, nem os vossos irmãos, nem os vossos parentes, nem os vossos vizinhos que forem ricos, para que em seguida não vos convidem a seu turno e assim retribuam o que de vós receberam. — Quando derdes um festim, convidai para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos. — E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir, pois isso será retribuído na ressurreição dos justos.
Um dos que se achavam à mesa, ouvindo essas palavras, disse-lhe: Feliz do que comer do pão no reino de Deus! (S. LUCAS, cap. XIV, vv. 12 a 15.)

“Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados.” Estas palavras, absurdas, se tomadas ao pé da letra, são sublimes, se lhes buscarmos o espírito. Não é possível que Jesus haja pretendido que, em vez de seus amigos, alguém reúna à sua mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada e, para os homens incapazes de apanhar os delicados matizes do pensamento, precisava servir-se de imagens fortes, que produzissem o efeito de um colorido vivo. O âmago do seu pensamento se revela nesta proposição: “E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir.” Quer dizer que não se deve fazer o bem tendo em vista uma retribuição, mas tão-só pelo prazer de o praticar. Usando de uma comparação vibrante, disse: Convidai para os vossos festins os pobres, pois sabeis que eles nada vos podem retribuir. Por festins deveis entender, não os repastos propriamente ditos, mas a participação na abundância de que desfrutais.

Todavia, aquela advertência também pode ser aplicada em sentido mais literal.

Quantos não convidam para suas mesas apenas os que podem, como eles dizem, fazer-lhes honra, ou, a seu turno, convidá-los! Outros, ao contrário, encontram satisfação em receber os parentes e amigos menos felizes. Ora, quem não os conta entre os seus? Dessa forma, grande serviço, às vezes, se lhes presta, sem que o pareça.

Aqueles, sem irem recrutar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, itens 7 e 8.)
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Jovens Difíceis

Os filhos, antes de serem filhos dos pais terrenos, já eram filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela por todos nós. A carne procede da carne, mas o Espírito não procede do Espírito. Este vem ao plano físico para evoluir. O fato de o Espírito renascer nesta, ou naquela família, obedece a planejamento cuidadoso efetuado no plano espiritual. Ele pode renascer numa determinada família por questões de afinidade, para realização de tarefas em conjunto, mas pode ocorrer também que espíritos inimigos, que prejudicaram ou foram prejudicados no passado, e ainda conservando ódio, desejos de vingança, reencarnem no mesmo lar de suas vítimas, ou algozes do passado, exatamente para tentarem a reconciliação. Para desfazer a inimizade, para acabar com estas desavenças que impedem o progresso espiritual. Pode acontecer, ainda, de um determinado casal aceitar, ou mesmo pedir como tarefa, receber como filhos Espíritos menos evoluídos, portadores de dificuldades diversas, com a finalidade de auxiliá-los na evolução espiritual. Nesses casos, não só a convivência se torna difícil, como também o trabalho da educação, devido a bagagem que o Espírito traz do passado.

A maneira como a criança é recebida no lar, os exemplos, a educação que recebe são fatores importantes para o seu encaminhamento na vida, mas a bagagem que o Espírito traz, o seu grau evolutivo, muito influirá no seu comportamento e desempenho, na atual existência.

Diz Emmanuel:

“Compadece-te dos filhos que pareçam diferentes de ti.
Aceita-os como são e auxilia a cada um deles na integração com o trabalho em que se façam dignos da vida que vieram viver.
Ampara-os sem imposição e sem violência.
Antes de te surgirem à frente por filhos de teu amor, são filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela em nós e por nós.
Ainda mesmo quando evidenciem características inquietantes, abençoa-os e orienta-os, quanto possível, a fim de que se mantenham por esteios vivos de rendimento do bem no Bem Comum”.

E Herculano Pires, sobre o assunto, considera:

“O amparo dos pais não pode ser dado por meio de imposição e autoritarismo, sob pena de deixar de ser amparo para se transformar em tirania.
Se o “conflito de gerações” sempre existiu no mundo, agora se mostra mais violento porque o tempo da tirania está no fim e porque a era de transição em que vivemos acentua nos jovens os anseios do futuro.
Os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los sem exigências.
Esta é também uma hora de aprendizado para os pais.
E só o amor verdadeiro pelos filhos pode socorrê-los”.

Ouvimos, numa palestra, a narração do seguinte fato, contado como verídico:

Um senhor adentra o consultório de um psiquiatra, invade sua sala de consultas, e muito nervoso diz ao médico:

- Dr., estou para dar um fim em minha vida, mas resolvi, como último recurso, lhe pedir ajuda. Meu filho, jovem de 18 anos, se rebelou contra mim e a mãe dele; não nos obedece, não estuda e não trabalha, e, o pior, ultimamente se envolveu com drogas. Está vendendo utensílios de nossa casa para adquirir a droga. O que fazer?


O médico, sem se alarmar, indagou-lhe:

- Há quanto tempo você não conversa com seu filho?

- Há muito tempo, pois ele não dá condições de diálogo, respondeu.

O médico volta a indagar:

- Qual a última vez que você abraçou seu filho?

- Há muito tempo, pois se nem sequer conversamos.

O médico sugeriu:

- Vá para sua casa, abrace seu filho, diga-lhe que o ama, e quer ajudá-lo, apesar de tudo. Se você não conseguir abraçar o filho, vai treinando, abraçando árvores. Nós só gostamos de abraçar aqueles que correspondem ao nosso afeto.
Como o relacionamento com o seu filho não está bom, ele pode não lhe corresponder ao abraço.
Assim, vai treinando, abraçando árvores, que também não correspondem, e quando abraçar seu filho não se desapontará se ele não lhe retribuir.

O consulente achou estranha a orientação, mas resolveu tentar.

Algum tempo depois, encontrou seu filho, em sua casa, na companhia de outro jovem que lhe vendia a droga.

Aquele homem, numa crise de desespero, esforçando-se para não tomar uma atitude violenta, foi ao encontro do filho e o abraçou; aproximou-se do companheiro do filho e o abraçou; sua esposa adentra a sala e ele também a abraça, de sorte que sua esposa, seu filho, e o companheiro deste, perceberam que algo importante estava ocorrendo ali.

Era um esforço muito grande daquele homem, tentando a solução de um problema que parecia insolúvel. E começaram a chorar, emocionados. A situação criada acabou por sensibilizar o jovem, filho do casal, que, dali por diante, procurou mudar de vida.

Herculano Pires tem razão quando acentua que “os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los, sem exigências”.

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JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
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