domingo, 11 de outubro de 2026

As dores do viver


Quem passou pela vida em branca nuvem.

E em plácido repouso adormeceu,

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu,

Foi espectro de homem, e não homem,

Só passou pela vida, não viveu.

*
O poeta expressou em poucos versos a grande verdade: a vida não é indolor.

Podemos olhar para quem tenha muito dinheiro, fama, sucesso e pensar que tudo lhe sorri.

No entanto, desconhecemos seus problemas íntimos, perdas que tenha sofrido, as lutas para alcançar o patamar em que se encontra e ali se manter.

As horas de ensaio, a superação de dores físicas ou morais para não cancelar o próximo show.

Sorrisos no palco, dança, canções.

Mas, quando todos se vão, quando acaba a apresentação, quando cessam os aplausos, o que resta?

Recordamos de um orador que, certa feita, nos disse que depois da ovação na oratória, dos tantos autógrafos nos seus livros, quando ele voltava para sua casa, fechada a porta, estava sozinho.

Ele não tinha ninguém.

Ninguém com quem compartilhar o café, o lanche, as impressões de tudo que sentira e vivera naquelas horas.

Não tinha quem lhe pudesse preparar um chá, pôr a mesa, dirigir-lhe uma palavra.

Por vezes, nós nos dizemos cansados da família.

São tantas tarefas, problemas e ruídos quando desejaríamos ter um pouco de sossego.

Contudo, alguém enfrenta a quietude de um apartamento a sós.

Seus amores se foram.

E somente a sombra do silêncio lhe recebe os lamentos da alma, e enxerga as lágrimas que verte.

Viver é um desafio constante: lidar com o inesperado desagradável, o sonho desfeito ou nunca concretizado.

Algumas dores são tão profundas que, como disse alguém, nem as quatrocentas mil palavras da língua portuguesa conseguem expressar.

Mas, afinal, para que serve a dor?

Escreveu um filósofo poeta: para polir a pedra, esculpir o mármore, fundir o vidro, martelar o ferro.

Serve para edificar o templo magnífico, onde se combinam todas as artes para exprimirem o divino.

A dor é um meio de que usa o poder infinito para nos chamar a si e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura.

É o processo pelo qual passa o bloco grosseiro que, para mostrar a perfeição da estátua que oculta em seu interior, sofre os golpes duros do cinzel do escultor ou o vagaroso e persistente trabalho do buril.

Um amigo nos confidenciou que observara que, quando estava passando por sérios problemas, sofrendo duras provações, produzia textos mais belos e profundos.

O homem precisa do sofrimento como o fruto da vinha precisa do lagar para que se possa extrair o suco precioso.

Para que triunfe o espírito, rebentando em sublimidade, para que o poeta ache os acentos imortais, o músico os suaves acordes, o coração precisa do aguilhão do luto e das lágrimas, da ingratidão, das traições da amizade, das angústias.

A dor é uma bênção, diz um benfeitor espiritual, que Deus envia aos Seus eleitos.

Então, não a procuremos, mas, quando ela se apresentar, tiremos dela todo o proveito que pode nos oferecer ao Espírito e ao coração.

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Redação do Momento Espírita, com transcrição dos versos do poema Ilusões da vida, de Francisco Otaviano e com base na parte 3, cap. XXVI e XXVII do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB.
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11 de outubro

O fruto do Espírito é a alegria, portanto, deixe que mais alegria, divertimento e risos façam parte de sua vida.

Para que a vida seja plenamente aproveitada é necessário haver equilíbrio e moderação em tudo.

Você pode gostar do seu trabalho e achar que não precisa mudar, mas, de vez em quando, deve tirar um tempinho e fazer algo completamente diferente para mudar seu ritmo de vida.

Assim você vai descobrir que, ao voltar ao normal, vai estar completamente refrescado e cheio de alegria.

A vida nunca deve ser um fardo.
Você não está aqui para se curvar sob o peso do mundo.

Você está aqui para aproveitar com alegria cada momento da vida e, por você estar vivendo uma vida equilibrada, há um constante doar e receber.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Provas voluntárias. O verdadeiro cilício

Perguntais se é licito ao homem abrandar suas próprias provas. Essa questão eqüivale a esta outra: É lícito, àquele que se afoga, cuidar de salvar-se? Àquele em quem um espinho entrou, retirá-lo? Ao que está doente, chamar o médico? As provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação. Pode dar-se que um homem nasça em posição penosa e difícil, precisamente para se ver obrigado a procurar meios de vencer as dificuldades. O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as conseqüências dos males que lhe não seja possível evitar, em perseverar na luta, em se não desesperar, se não é bem-sucedido; nunca, porém, numa negligência que seria mais preguiça do que virtude.

Essa questão dá lugar naturalmente a outra. Pois, se Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos”, haverá mérito em procurar, alguém, aflições que lhe agravem as provas, por meio de sofrimentos voluntários? A isso responderei muito positivamente: sim, há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício; não, quando os sofrimentos e as privações somente objetivam o bem daquele que a si mesmo as inflige, porque aí só há egoísmo por fanatismo.

Grande distinção cumpre aqui se faça: pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos manda e não lhes aumenteis o volume, já de si por vezes tão pesado; aceitá-las sem queixumes e com fé, eis tudo o que de vós exige ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem objetivo, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir a lei de Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquece-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis, tal a lei. O abuso das melhores coisas tem a sua punição nas inevitáveis conseqüências que acarreta.

Muito diverso é o que ocorre, quando o homem impõe a si próprio sofrimentos para o alívio do seu próximo. Se suportardes o frio e a fome para aquecer e alimentar alguém que precise ser aquecido e alimentado e se o vosso corpo disso se ressente, fazeis um sacrifício que Deus abençoa. Vós que deixais os vossos aposentos perfumados para irdes à mansarda infecta levar a consolação; vós que sujais as mãos delicadas pensando chagas; vós que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que apenas é vosso irmão em Deus; vós, enfim, que despendeis a vossa saúde na prática das boas obras, tendes em tudo isso o vosso cilício, verdadeiro e abençoado cilício, visto que os gozos do mundo não vos secaram o coração, que não adormecestes no seio das volúpias enervantes da riqueza, antes vos constituístes anjos consoladores dos pobres deserdados.

Vós, porém, que vos retirais do mundo, para lhe evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na Terra? Onde a vossa coragem nas provações, uma vez que fugis à luta e desertais do combate? Se quereis um cilício, aplicai-o às vossas almas e não aos vossos corpos; mortificai o vosso Espírito e não a vossa carne; fustigai o vosso orgulho, recebei sem murmurar as humilhações; flagiciai o vosso amor-próprio; enrijai-vos contra a dor da injúria e da calúnia, mais pungente do que a dor física. Aí tendes o verdadeiro cilício cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem e a vossa submissão à vontade de Deus.


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- Um anjo guardião. (Paris, 1863.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 26.)
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Acesse e leia, no link abaixo, uma mensagem do ESE que não esteja disponível neste Blog, visto que, conforme observado, as mensagens tendem a se repetir:


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