quinta-feira, 5 de junho de 2014

Com Simplicidade e Afeição


Diante das pessoas profundamente feridas por graves dores morais, mantém-te comedido quanto às palavras de consolação e de esperança.

Não será o excesso verbalista que corrigirá a dor que vem ao teu encontro, na pessoa do teu irmão.

Procura sentir a origem da aflição, auscultando quem te busca, a fim de auxiliares com proveito.

Em certas ocasiões, o silêncio respeitoso e a sincera afeição pelo aflito realizam milagres de renovação.

Noutras circunstâncias, a palavra gentil e o conceito espírita esclarecedor das razões do sofrimento produzem resultados incalculáveis.

Nem a mudez incômoda, nem o barafustar-se por opiniões precipitadas e complexas teorias de difícil assimilação.

Para cada caso um comportamento próprio.

Não intentes resolver, de um momento, problemas que se vêm agravando há muito tempo.

Igualmente, não subestimes o estado angustiante do teu próximo.

Talvez, aquele problema para ti não seja relevante, entretanto, para ele o é.

As dores nem sempre são o que representam intrinsecamente, mas o que lhes atribuem aqueles que as sofrem.

Avalia a intensidade de um padecimento quem lhe sofre a presença.

Atenta para um raciocínio simples "Que eu gostaria que me fizessem, caso me encontrasse em tal conjuntura?"

Age, então, conforme desejarias que o fizessem contigo.

Cada um vê um mesmo problema através de sua ótica pessoal.

O que te é insignificante, para outrem é de gravidade.

Muitas outras coisas, a seu turno, que se te apresentam de importância, já para outras pessoas nada valem.

A vida são as experiências de cada criatura, segundo o seu grau de evolução e os seus interesses.

Faze-te o amigo leal, compreensivo, em todas as circunstâncias, sem preocupar-te muito com o impressionar favoravelmente para os teus pontos de vista aqueles que te chegam em agonia.

Jesus, o Amigo Integral, diante dos aflitos sempre assumia atitude solidária, socorrendo os que já podiam liberar-se da dificuldade, sem abandonar aqueles que, por mais tempo, deveriam continuar a conduzir a própria cruz.

Jamais impôs condições, nunca desconsiderou ninguém.

Quanto possível, age com simplicidade e afeição.
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Joanna de Ângelis
Divaldo Franco







quarta-feira, 4 de junho de 2014

Não Fujas



Quando as sombras da provação se te adensem, ao redor dos passos, permanece firme na confiança em Deus e em ti mesmo, seguindo adiante nas tarefas que abraçaste na seara do bem.


Não existem tribulações infindáveis.


Sobretudo, não te omitas.


Aceita os encargos que as circunstâncias te impõem, buscando cumpri-los com o melhor ao teu alcance.


Não te aflijam dificuldades.


Anota as bênçãos de que dispões.


Conserva-te fiel às próprias obrigações, na certeza de que a Divina Providência te oferecerá os recursos precisos para que qualquer desequilíbrio desapareça.


Desapegue-te de toda ideia do mal.


Abençoa a quanto não raciocinem por teus princípios.


Muitas vezes, os adversários de hoje, se soubermos respeitá-los com sinceridade, estarão possivelmente amanhã na fileira de nossos melhores benfeitores.


Não te lamentes.


O aguaceiro que te incomoda é apoio da natureza para que não te falte o pão indispensável à vida.


Não exijas dos outros qualidades que ainda não possuem.


A árvore nascente aguarda-te a bondade e a tolerância para que te possa ofertar os próprios frutos em tempo certo.


Por mais áspero se te mostrem os obstáculos da estrada, segue adiante.


Se alguém te feriu, desculpa e prossegue à frente.


Não procures na morte provocada o esquecimento que a morte não te pode dar.


Não fujas dos problemas com que a vida te instrui.


A vida, como a fizeres, estará contigo em qualquer parte.


Lembra-te sempre: cada dia nasce de novo amanhecer.
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Emmanuel 
Chico Xavier
 






terça-feira, 3 de junho de 2014

RECEITA DE ALEGRIA


Algumas receitas de alegria para qualquer ocasião:

1 - Apoiar os empreendimentos de auxílio à Humanidade, em particular àqueles que ainda não se encontram acessíveis ao entendimento geral.

2 - Garantir o trabalho das instituições de benemerência.

3 - Diminuir as necessidades materiais dos companheiros em provação ou penúria.

4 - Resolver o problema pecuniário de algum pai de família ou de mães sofredoras largadas em abandono.

5 - Resgatar os compromissos imediatos de algum doente em situação de infortúnio.

6 - Visitar os obsidiados e socorrê-los, principalmente os mais esquecidos.

7 - Oferecer um lanche fraterno ou alguns momentos de felicidade aos irmãos internados em casas de reeducação ou recolhidos a organizações assistenciais.

8 - Atenuar as privações das crianças desprotegidas, quando não pudermos suprimir de todo semelhantes dificuldades.

9 - Distribuir páginas edificantes, favorecendo a esperança e o consolo, o esclarecimento e a compreensão entre as criaturas.

10 - Tanto quanto se nos faça possível, efetuarmos demonstrações de tolerância e humildade, perante aqueles com quem ainda não nos harmonizamos, no caminho da vida, notadamente aqueles que nos sejam menos simpáticos ou que se nos erigem na estrada em motivos de preocupação.

MODO DE USAR: 
Refletir nas bênçãos que recebemos, incessantemente, do Amor Ilimitado do Cristo; 
assumir a iniciativa do Bem; 
agir em silêncio, 
e atender às prestações de serviço, com tanta discrição e naturalidade, que os beneficiários não estejam constrangidos a nos testemunhar o menor agradecimento.

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Albino Teixeira
Chico Xavier







segunda-feira, 2 de junho de 2014

COMPREENSÃO SEMPRE



Para superar aflições e constrangimentos em qualquer circunstância, é preciso, antes de tudo, compreender as pessoas e as situações difíceis que apareçam, capazes de inclinar-nos para a sombra da angústia.

Alcançar o entendimento, no entanto, demanda o exercício da fraternidade constante.

Quando a prova surja à frente, asserena-te e reflete.

Se os empreiteiros da perturbação estivessem conscientizados, quanto às responsabilidades que assumem, fugiriam de qualquer indução ao desequilíbrio.

Se os perseguidores de qualquer procedência conseguissem perceber as dívidas a que se enredam, renunciariam a isso ou aquilo, em favor daqueles aos quais pretendam impor sofrimento ou dominação.

Quando o agressor lança a palavra de injúria, se fosse previamente informado sobre as consequências de semelhante resolução, decerto se recolheria ao silêncio.

Quando o delinquente se dispõe a desferir o golpe destruidor sobre alguém se pudesse prever quanto lhe doerão os resultados da ação infeliz, preferiria haver nascido sem os braços que lhe correspondem à periculosidade e ao furor.

Em qualquer momento de crise, pensa nos irmãos outros que te cercam – tão filhos de Deus quanto nós mesmos – e coopera na paz de todos.

Especialmente em auxílio daqueles que se façam instrumentos de inquietações e de lágrimas, ora sempre e ajusta, quanto possível, as ocorrências que os favoreçam para que não se lhes agrave o peso da culpa.

Diante de todos os episódios constrangedores, silencia, onde não possas auxiliar.

E, perante os problemas de julgamento, onde estejas, usa a compreensão antes de tudo, por presença da caridade, porque o entendimento te suscitará compaixão e compadecendo-te, acertarás.
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Emmanuel 
Chico Xavier




domingo, 1 de junho de 2014

O pior defeito





Quem se desaponta com os outros desconhece a natureza humana e se considera livre de errar.

O homem, ser perfectível, se encontra a considerável distância da perfeição.

Muitos se equivocam por simples impulso: não conseguiram deter-se a tempo.

Feliz de quem, em se enganando, logo volta atrás, reparando a falta.

Um dos piores defeitos da criatura é o de remexer feridas alheias.

Não olhes alguém com superioridade, porque o tenhas surpreendido em queda.

Pela tua condição de inferioridade, a tua empatia com o erro dos semelhantes pode precipitar-te ao chão.

O homem, quase sempre, comete os mesmos deslizes que costuma censurar no próximo.

Se não podes estender a mão a quem caiu, não esnobes.

Quem se sente superior à custa da experiência infeliz de quem quer que seja, se encontra abaixo do nível de quem se transforme em objeto de seu escárnio.
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Irmão José
 Carlos A. Baccelli






sexta-feira, 30 de maio de 2014

Hoje, somente hoje



Que Deus tenha misericórdia de todos nós, pois deixamos tudo para amanhã, agravando nossa situação aqui na Terra.

Estamos sempre deixando para amanhã para perdoar...para pedir perdão...para demonstrar a nossa paciência, a nossa tolerância ...estamos sempre deixando para amanhã.

Mal sabemos que quanto mais nos firmamos nas raízes do orgulho e da nossa vaidade ferida, mas nos afundamos no lamaçal da amargura, da dor e do sofrimento.

Só nos lembramos de Jesus e de seus ensinamentos quando se trata de aconselharmos os outros, quando tudo corre conforme a nossa vontade ou quando estamos dentro de um templo religioso.

Cada momento, cada instante de nossas vidas é a ocasião oportuna de demonstrarmos a nossa fé e aquilo que aprendemos e devemos aplicar no nosso dia a dia.

Confiar em Jesus é seguir os seus ensinamentos verdadeiramente e não proferirmos apenas palavras vazias e sem sentimento.

Meditemos em tudo que nos ocorre, em todas as nossas aflições e descobriremos os culpados...
Nós mesmos. 
Já não podemos mais alegar o desconhecimento e a ignorância das Leis Divinas, por isso, já passou da hora de crescermos e assumirmos a nossa idade espiritual. 
Temos no mínimo dois mil anos. 
Conhecemos Jesus no passado e trazemos seus ensinamentos em nós. 
Precisamos elevar o pensamento ao alto e refletir, pois todo o nosso futuro depende do hoje. 
Plantemos coisas boas para que possamos colher bons frutos. 
Só façamos coisas das quais não tenhamos motivos para nos arrepender depois.
 Deus nos dá muitas oportunidades, mas cada uma que perdemos é uma que se vai...
É como se estivéssemos próximos do final do cumprimento de uma pena num presídio e de repente cometemos outro delito e a pena se estende, atrasando a nossa libertação, e causando mais e mais sofrimento.
 Que a paz de Jesus te envolva e clareie sua mente e seus dias.
 Muita Paz! 
Que Jesus esteja contigo sempre.
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Gotas de Paz




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Se procuras a Paz...




Esqueça as desilusões e as mágoas que porventura te assaltem a mente para que te fixes na certeza de que a vida encerra os gérmens da renovação incessante, em si própria, facultando-nos a conquista da verdadeira felicidade.

Esqueça o lado menos feliz dos companheiros de trabalho e de ideal, a fim de que lhes enxergues tão somente as qualidades enobrecidas e as possibilidades de elevação.

Esqueça as injúrias recebidas, entesourando as bênçãos que te rodeiam.

Esqueça o azedume e a incompreensão dos adversários e esmera-te a conservar os amigos e irmãos que te apoiam as tarefas do dia a dia.

Esqueça os assuntos que provoquem a mentalização dos erros e tragédias da humanidade e rende culto permanente aos feitos edificantes e heroicos em que os homens hajam exaltado a sua natureza divina.

Esqueça os fracassos que já te assediaram a existência e escora-te nas esperanças e realizações com que te diriges para o futuro.

Esqueça as reminiscências amargas e mantém na memoria os acontecimentos felizes que se te erigiram na estrada, alguma vez, por motivos de euforia e plenitude espiritual.

Esqueça as dificuldades que te entravem a marcha e consagra-te ao serviço que já possas criar ou fazer na seara do amor ao próximo.

Se procuras a paz, esqueça todo o mal e dedica-te ao Bem, porquanto somente o bem te descerrará caminho para as bênçãos da Luz.
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Emmanuel
Francisco Cândido Xavier
 



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um Dia




Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente.

Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. 

Amigos que não vias, há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos. 

Perguntarás a vários deles:
 onde estavas que não mais te encontrei? 
Por que te distanciaste de mim? 

Todos te abraçarão, com a alegria a lhes fulgurar nos olhos.

 Fitarás as árvores carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas, lembrando mãos que se tocam afetuosamente.

 Respirarás profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes do novo ambiente em que te virás...

Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.

Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia.

 Ele caminha serenamente a fixá-lo com bondade, com a familiaridade de quem o conhecia.

- "Ah! - pensou o recém-vindo decerto que este amigo me conhece, de longo tempo".

A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do companheiro mais próximo:

- "Quem é este homem que está chegando até nós"?

- "É o Mensageiro da Vida".

Não houve tempo para outras inquirições.

Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe perguntou pelo próprio nome, nada arguiu quanto à família a que pertencera ou à posição que exercera... 

Apenas pousou nele demoradamente os olhos azuis e perguntou-lhe:

-"Amigo, o que fizeste?"
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Emmanuel
Francisco Cândido Xavier

 





 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Fé em Deus




A fé em Deus não te arredará das provas inevitáveis, mas te investirá na força devida para suportá-las;

não te afastará os obstáculos do caminho, entretanto, doar-te-á a significação de cada um deles, para que recebas, em silêncio, a mensagem de que são portadores;

não impedirá o afastamento dos companheiros a que mais te afeiçoas, nos encargos que te marcam a vida, todavia, conceder-te-á energias e recursos para substituí-los, até que surjam outros cooperadores decididos a apoiar-te;

não te livrará da enfermidade de que ainda precises, no entanto, iluminar-te-á o entendimento para que lhe assimiles o recado salutar;

não te retirará dos desenganos e decepções que o mundo te propicie, mas auxiliar-te-á a extrair deles mais luz ao próprio discernimento;

não te desligará do parente difícil, porém, ajudar-te-á a aceitá-lo e compreendê-lo em teu próprio benefício;

não te proibirá as quedas prováveis nas trilhas da existência, no entanto, ensinar-te-á, através da própria dor, onde se encontram as situações que te cabe evitar, em auxílio a ti mesmo;

não te demitirá dos problemas que, porventura, te ameacem a paz, contudo, dar-te-á serenidade para resolvê-los com segurança;

não te buscará nos labirintos de ilusão, nos quais talvez hajas penetrado, impensadamente, entretanto, clarear-te-á o raciocínio para te libertares;

a fé em Deus, por fim, não te mudará os quadros exteriores de luta, mas infundir-te-á paciência a fim de que compreendas em todos eles os degraus de elevação, de que necessitas, para escalar os cimos da vida imperecível.

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Emmanuel 
Chico Xavier 





segunda-feira, 26 de maio de 2014

Saudade de Jesus



Estávamos na residência do Chico.
Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o Centro.
A multidão se comprimia lá na rua em frente, quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões. Foram passando uma a uma em frente ao Chico.
*
Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do País.
*
Algumas diziam:

- Eu só queria tocá-lo...
- Meu maior sonho era conhecê-lo...
- Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão.

Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma ideia de suicídio.

Outros nada diziam, nada pediam, só conseguiam chorar.

Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes.
Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos fiquei pensando:

"Meu Deus, a aura do Chico é tão boa... seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades".

De repente, ele se volta para mim e diz:

- Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar.

Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm?

Perguntou-me e ficou esperando a resposta. Aí, pensei:

Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde).

Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares.

Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez:

"Bem vês que a multidão te comprime".

Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir era só o que queriam as pessoas.
Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago.

E como ele continuava olhando para mim esperando a resposta, animei-me a dizer:
- Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus.

Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia. A multidão continuou desfilando.

Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos.

Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centena de pessoas.
Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar:

- Por que você beija a mão deles?

A humildade de sua resposta continuará emocionando- me sempre:

- Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés.
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Momentos com Chico Xavier
 Adelino da Silveira