domingo, 19 de março de 2017

Com Alegria


Executa com alegria todas as tarefas.

As abelhas fazem mel, colhendo o pólen das flores; os pássaros cantam, entretecendo os ninhos que os acolhem.

Não te queixes da vida.

Tens agora aquilo de que mais necessitas para o teu aprendizado.

Não ambiciones trilhar o caminho alheio.

Em qualquer posição que ocupe, o homem não é poupado da luta.

Os que aparentam tranquilidade talvez estejam chorando por dentro.

Valoriza o teu corpo, os teus familiares, o teu trabalho, a tua experiência evolutiva.

Caso recebesses mais, talvez não soubesses o que fazer com tanto.

Um sorriso sincero opera prodígios.

Não agraves a tua prova com a melancolia.
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Do livro Vigiai e Orai 
psicografia de Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José


sábado, 18 de março de 2017

Hoje é o Dia


Ainda que te encontres inteiramente penhorado à justiça, à face dos débitos em que te resvalaste até ontem, lembra-te de que o Amor infinito do Pai Celestial te concede a bênção do “hoje” para que possas solver e renovar.
*
O penitenciário na grade que o exclui do convívio doméstico pode, por seu comportamento, gerar a compaixão e a simpatia daqueles que o observam, caminhando com mais segurança no retorno à própria libertação.
*
O enfermo algemado ao catre do infortúnio, pelo respeito com que recebe os desígnios divinos, pode amealhar preciosos valores em auxílio e cooperação, em favor da própria tranquilidade.
*
E ambos, o prisioneiro e o doente, no esforço de reconquista, pela nobreza com que recolhem as dores das próprias culpas, estendem a outras almas os benefícios que já entesouram.
*
Recorda assim, que o dia de melhorar é este mesmo em que nos achamos, uns à frente dos outros, respirando o mesmo clima de regeneração e de luta.
*
Nem ontem, nem amanhã, mas agora...
*
Agora é o momento de levantar os caídos e os tristes, e de amparar os que padecem o frio da adversidade e a tortura da expiação...
*
Agora, é o instante de revelar paciência com os que se tresmalham no erro, de cultivar humildade à frente do orgulho e devotamento fraternal diante da insensatez...
*
Ainda que tudo te pareça na atualidade terrestre, sombra e derrota, cadeia e desalento, ergue a Deus o teu coração em forma de prece e roga-lhe forças para fazer luz e confiança onde a treva e o desespero dominam, porque se ontem foi o tempo de nossa morte na queda, hoje é o dia de nossa abençoada ressurreição.
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Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: A verdade responde 







sexta-feira, 17 de março de 2017

Disseram


DISSERAM...
Que não vencerás em teus empreendimentos;

que o teu doente querido está no clima da morte;

que atravessarás longa noite de provações;

que não mais encontrarás o trabalho que mais desejas;

que não te recuperarás de certas perdas sofridas;

que não realizarás os sonhos que acalentas;

que os entes amados distantes de ti nunca mais te voltarão ao convívio;

que o desgaste do corpo físico não mais te permitirá as realizações que tanto almejas;

que, por essa ou aquela falta, andarás sobre a Terra constantemente sobre pedras e espinhos.
Tudo isso disseram...

Entretanto, continua agindo e servindo, orando e esperando, porque as opiniões de Deus são diferentes.
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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Momentos de paz 


quarta-feira, 15 de março de 2017

NO PORTAL DA LUZ



Aspiras à posse do conhecimento espírita evangélico?

Iniciemos o aprendizado pela reforma íntima.

Disse Jesus: “O reino de Deus está dentro de vós”. Descobri-lo e estabelecer as vias de acesso para alcançá-lo depende de nós.

Será justo suplicar o socorro de Deus nas horas de aflição e construir a existência como se Deus não existisse?

Ergamos a fé raciocinada, principiando pela base do dever cumprido, de modo a que não nos falte a paz de consciência.

Em seguida, enxerguemos a nós mesmos.

Se vens da província obscura da negação, procura discernir a verdade, para perceberes a Divina Sabedoria que te rodeia em toda parte e começa a jornada, no rumo da Espiritualidade Maior.

Se procedes do distrito superado de outras crenças que não mais te satisfazem as exigências da alma, busca o entendimento de ti mesmo, de modo a prosseguires na ascensão à Vida Superior.
Jamais aniquilar o tesouro das horas com discussões estéreis.

Se te reconheces com necessidade de mudança espiritual, atingiste nova faixa de madureza para a grande compreensão.

Cada fruto aparece no tempo adequado.

Contempla a vida em torno com a visão mais ampla de que dispões agora e ama cada ser e cada coisa no lugar em que se encontrem e, conquanto lhes ofereças auxílio incessante, age sem a preocupação de alterá-los.

Consagra-te, acima de tudo, à edificação do reino interno. Entretanto, se o anseio de perfeição te aquece com veemência, recorda que Deus nos esperou até hoje o impulso de melhoria e, cooperando com a Providência Divina para o bem de todos os nossos irmãos, é urgente reconhecer que nenhum de nós sabe ou pode amá-los mais do que Deus.
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Emmanuel 
Chico Xavier






terça-feira, 14 de março de 2017

O Tempo


Os anos passam, e só o que se fez fica.

 As oportunidades vão, mas somente as que foram aproveitadas pacificam a alma.

 A energia se esvai, mas tão-somente aquela que foi aplicada para o bem torna o ser mais pleno e com a sensação de dever cumprido.

Tenha o maior critério possível com o uso de seu tempo, de suas energias, das oportunidades que tem em mãos: são mais preciosas do que pode imaginar.

 Faça bom uso deles, enquanto puder desfrutá-los no plano físico.

 Logo logo, a mensageira fatal chegará, e, nesse momento, o instante de sua partida desse mundo, não haverá escapatória para a avaliação implacável de tudo que fez, bem como, principalmente, de tudo que deixou de fazer.

E se acha mórbido ou improfícuo parar para pensar em morte e morrer, distante demais que suponha de sua realidade, existe algo de mais importante ainda sobre essas reflexões:
 são elas que o podem conduzir a uma vida muito mais plena, verdadeiramente satisfatória e tranquila, enquanto a morte não chegar.
.......................
Anacleto
(Texto recebido pelo médium Benjamin Teixeira, em 23 de abril de 2001.)





segunda-feira, 13 de março de 2017

CANSAÇO


Se te sentes cansado, procura refazer-te em contato com a Natureza.

Haure em seus inesgotáveis mananciais as energias de que necessitas.

Não estabeleças, em teu corpo e em tua mente, um circuito fechado de forças que não se renovam.

Descerra-te em espírito, à semelhança da flor, que se abre aos vivificantes raios do sol.

Respira a longos haustos e absorve, por teus poros e narinas, os princípios vitais de que o próprio ar se balsamiza.

Contempla, com o enternecimento que te é possível, o ninho de um pássaro sobre a folhagem.

Faze deslizar a mão sobre a cantante queda d'água que se te derrama aos pés.

Repara nas luzes do entardecer e no cintilar das primeiras estrelas que surgem no firmamento.

Descalça-te e mantém contato direto com o magnetismo da terra.

Acaricia o tronco robusto de uma árvore e procura sentir-lhe o pulsar da Vida.

Deleita-te com o majestoso espetáculo da chuva que cai na floresta.

E, assim, após te refazeres, continua a servir.
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Irmão José
  Carlos.A.Baccelli 
Obra: Dias melhores 


domingo, 12 de março de 2017

SORRISO



Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.
Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.
Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.

Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.

Em casa, é a bênção da paz, na lareira da confiança.

No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.

No mundo, é chamamento de simpatia.

Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.

Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.

Não te roga o desesperado a solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino.
 Implora-te um sorriso de amor, que renove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.

E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.

Não te perturbem as criaturas que se arrojam aos precipícios da violência e do crime. 

Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.

Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre. 

Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus. 
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Meimei
Chico Xavier
Obra: Sentinelas da alma 




sábado, 11 de março de 2017

DAI E DAR-SE-VOS-Á



“Dai e dar-se-vos-á”. Jesus – Lucas, 6:98

A ideia geralmente recolhida no ensinamento do “dai e dar-se-vos-á” é quase tão somente aquela que se reporta à caridade vulgar, às portas do Céu. Materializando algum benefício, sente-se o aprendiz na posição de credor das bênçãos divinas, candidatando-se à auréola de santidade, simplesmente porque haja cumprido algumas obrigações de solidariedade humana.

A afirmativa do Mestre, porém, expressa uma lei clara e precisa, a exteriorizar-se em efeitos tangíveis, cada dia.

Dai simpatia e dar-se-vos-á amizade.

Dai gentileza e dar-se-vos-á carinho.

Dai apreço e dar-se-vos-á respeito.

Dai secura e dar-se-vos-á dureza.

Dai espinhos e dar-se-vos-á espinheiro.

Dai estímulo ao bem e dar-se-vos-á alegria.

Dai entendimento e dar-se-vos-á confiança.

Dai esforço e dar-se-vos-á realização.

Dai cooperação e dar-se-vos-á auxílio.

Dai fraternidade e dar-se-vos-á amor.

Ninguém precisa desencarnar para encontrar a lei da retribuição.

Semelhante princípio funciona invariável em nossos passos habituais.

As horas no tempo são como as vagas no mar.

Fluxo e refluxo.

Ação e reação.

Retornará sempre a nós o que dermos de nós.

Se encontrais algo de anormal em vossa experiência comum, efetuai uma revisão das próprias atitudes.

Se alguma coisa vos contraria e desgosta, observai a vossa contribuição para o mundo e para as criaturas.

Indagamos de nós mesmos: – “que faço”, “como faço”, “por que faço”?

Recordemos que a vida está subordinada a leis que não engaremos.

Plantai e colhereis. Dai e dar-se-vos-á. 
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Emmanuel 
Chico Xavier   
Obra: Cartas do coração 


sexta-feira, 10 de março de 2017

PALAVRAS


“Da mesma boca procede bênção e maldição”. Tiago, 3:10


Nunca, te arrependerás:

De haver ouvido cem frases, pronunciando simplesmente uma ou outra pequenina observação.

De evitar o comentário alusivo ao mal, qualquer que seja.

De calar a explosão da cólera.

De preferir o silêncio nos instantes de irritação.

De renunciar aos palpites levianos nas menores controvérsias.

De não opinar em problemas que te não dizem respeito.

De esquivar-te a promessas que não poderias cumprir.

De meditar muitas horas sem abrir os lábios.

De sorrir somente sobre desilusões e amarguras.

De fugir às reclamações de qualquer natureza.

De estimular o bem sob todos os prismas.

De pronunciar palavras de perdão e bondade.

De explanar sobre o otimismo, a fé e a esperança.

De exaltar a confiança no Céu.

De ensinar o que seria útil, verdadeiro e santificante.

De prestar informações que ajudem os outros.

De exprimir bons pensamentos.

De formular apelos à fraternidade e à concórdia.

De demonstrar benevolência e compreensão.

De fortalecer o trabalho e a educação, a justiça e o dever, a paz e o bem, ainda mesmo com sacrifício do próprio coração.

Examina o sentido, o modo e a direção de tuas palavras, antes de pronunciá-las.

Da mesma boca procede a bênção ou a maldição para o caminho.
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Emmanuel 
Chico Xavier 
Obra: Vinha de luz 

quinta-feira, 9 de março de 2017

DIFICULDADES E PROBLEMAS


Não admita possa alguém construir algo de bom sem dificuldade.

Pense nos problemas que uma simples semente deve encontrar a fim de germinar para servir.

Indique uma pessoa capaz de se manter na onda do êxito sem sofrer obstáculos.

Muitas vezes, é na prestação de algum serviço incômodo que você vai achar os melhores ingredientes para solução de seus problemas.

Não ore por vida fácil.

Roguemos a Deus ombros fortes, não só para carregar o bendito fardo das obrigações que nos competem, como também para sermos mais úteis.

Cada coração pode ser um manancial de bênção.
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André Luiz
 Chico Xavier
Obra: Endereços de paz



terça-feira, 7 de março de 2017

Perante a Enfermidade



1. Sustentar inalteráveis a fé e a confiança, sem temor, queixa ou revolta, sempre que enfermidade conhecidas ou inesperadas lhe visitem o corpo ou lhe assediem o lar.
Cada prova tem uma razão de ser.
*
2. Com o necessário discernimento, abster-se do uso exagerado de medicamentos capazes de intoxicar a vida orgânica.
Para o serviço da Cura, todo medicamento exige dosagem.
*
3. Desfazer ideias de temor ante as moléstias contagiosas ou mutilantes, usando a disciplina mental e os recursos da prece.
A força poderosa do pensamento tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.
*
4. Sabendo que todo sofrimento orgânico é uma prova espiritual, dentro das leis cármicas, jamais recear a dor, mas aceita-la e compreendê-la com desassombro e conformação.
A intensidade do sofrimento varia segundo a confiança na Lei Divina.
*
5. Aceitar o auxílio dos missionários e obreiros da medicina terrena, não exigindo proteção e responsabilidade exclusivas dos médicos desencarnados.
A Eterna Sabedoria tudo dispõe em nosso proveito.
*
6. Afirmar-se mentalmente em segurança, acima das enfermidades insidiosas que lhe possam assaltar o organismo, repelindo os pensamentos e as palavras de desespero ou cansaço, na fortaleza de sua fé.
A doença pertinaz leva à purificação mais profunda.
*
7. Aproveitar moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação dos valores alusivos à convicção religiosa.
A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé.
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André Luiz
Waldo Vieira 
Obra: Conduta espírita  

segunda-feira, 6 de março de 2017

Pense Nisso!




Não se pode exercer qualquer atividade sem primeiro aprender o que ela é, qual a sua finalidade, 

quais são as suas regras, quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados. 

Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática. 

Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para 

poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto.

Entretanto, o Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, 

melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de 

suas possibilidades e dificuldades. 

Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos 

outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber 

em obsessões e fascinações.

 Quantos se afastam da verdade porque mentiram a si mesmos e semearam mentiras ao seu redor!

Evite esse desastre moral e espiritual estudando a doutrina na fonte, com o respeito e a humildade 

de quem compreende que está lidando com a mais elevada sabedoria já concedida à espécie 

humana. 

Espiritismo quer dizer SABEDORIA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES. 

É a Ciência do Espírito, que se desdobra em Filosofia e Religião. 

Pense bem nisto: se a Ciência dos homens, a Filosofia dos homens e as religiões feitas pelos 

homens exigem anos de estudo, como se pode querer adquirir a Sabedoria dos Espíritos de uma 

hora para outra?

Não seja vaidoso e não se faça discípulo dos mestres vaidosos que nada sabem e tudo ensinam.

 Leia os livros iniciáticos de Kardec. 

Aprenda passo a passo com o único mestre verdadeiro de Espiritismo que já existiu na Terra, 

aquele ao qual os Espíritos Superiores confiaram a missão de codificar a doutrina esclarecedora. 

Estude atenciosamente esses livros, mesmo que você já se considere espírita.

Desenvolva e aprimore o seu bom-senso, evitando a insensatez. Deus, concedeu bom-senso a nós 

todos, mas nos deixou o trabalho de cultivá-lo.

 Não se julgue sábio por conta própria. 

Chega sempre o momento em que teremos de ver que não sabíamos nada e perdemos a grande 

oportunidade que Deus nos concedeu de encontrar A VERDADE.

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Autor: J. Herculano Pires






domingo, 5 de março de 2017

LOUVORES RECUSADOS


 Conta-se no plano espiritual que Vicente de Paulo oficiava num templo aristocrático da França, em cerimônia de grande gala, à frente de ricos senhores coloniais, capitães do mar, guerreiros condecorados, políticos ociosos e avarentos sórdidos, quando, a certa altura da solenidade, se verificou à frente do altar inesperado louvor público.

Velho corsário abeirou-se da sagrada mesa eucarística e bradou, contrito:

- Senhor, agradeço-te os navios preciosos que colocaste em meu roteiro. Meus negócios estão prósperos, graças a ti, que me designaste boa presa. Não permitas, ó Senhor, que teu servo fiel se perca de miséria. Dar-te-ei valiosos dízimos. Erguerei uma nova igreja em tua honra e tomo os presentes por testemunhas de meu voto espontâneo.

Outro devoto adiantou-se e falou em voz alta:

- Senhor, minh'alma freme de júbilo pela herança que enviaste à minha casa pela morte de meu avô que, em outro tempo, te serviu gloriosamente no campo de batalha. Agora podemos, enfim, descansar sob a tua proteção, olvidando o trabalho e a fadiga.

Seja louvado o teu nome para sempre.

Um cavalheiro maduro, exibindo o rosto caprichosamente enrugado, agradeceu:

- Mestre Divino, trago-te a minha gratidão ardente pela vitória na demanda provincial. Eu sabia que a tua bondade não me desprezaria. Graças ao teu poder, minhas terras foram dilatadas. Construirei por isso um santuário em tua memória bendita, para comemorar o triunfo que me conferiste por justiça.

Adornada senhora tomou posição e exclamou:

- Divino Salvador, meus campos da colônia distante, com o teu auxílio, estão agora produzindo satisfatoriamente. Agradeço os negros sadios e submissos que me mandaste e, em sinal de minha sincera contrição, cederei à tua igreja boa parte dos meus rendimentos.

Um homem antigo, de uniforme agaloado, acercou-se do altar e clamou estentórico:

- A ti, Mestre da Infinita Bondade, o meu regozijo pelas gratificações com que fui aquinhoado. Os meus latifúndios procedem de tua bênção. É verdade que para preservá-los sustentei a luta e alguns miseráveis foram mortos, mas quem senão tu mesmo colocaria a força em minhas mãos para a defesa indispensável? Doravante, não precisarei cogitar do futuro... De minha poltrona calma, farei orações fervorosas, fugindo ao imundo intercâmbio com os pecadores. Para retribuir-te, ó Eterno Redentor, farei edificar, no burgo onde a minha fortuna domina, um templo digno de tua invocação, recordando-te os sacrifícios na cruz! Os agradecimentos continuavam, quando Vicente de Paulo, assombrado, reparou que a imagem do Nazareno adquiria vida e movimento...

Extático, viu-se à frente do próprio Senhor, que desceu do altar florido, em pranto.

O abnegado sacerdote observou que Jesus se afastava a passo rápido; contudo, em se sentindo junto dele, em se, sentindo e perguntou-lhe, igualmente em lágrimas:

- Senhor, por que te afastas de nós?

O Celeste Amigo ergueu para o clérigo a face melancólica e explicou:

- Vicente de Paulo, sinto-me envergonhado de receber o louvor dos poderosos que desprezam os fracos, dos homens válidos que não trabalham, dos felizes que abandonam os infortunados...

O interlocutor sensível nada mais ouviu.

Cérebro turbilhão desmaiou, ali mesmo, diante da assembleia intrigada, sendo imediatamente substituído, e, febril, delirou alguns dias, prisioneiro de visões que ninguém entendeu.

Quando se levantou da incompreendida enfermidade vestiu-se com a túnica da pobreza, trabalhando incessantemente na caridade, até ao fim de seus dias.

Os adoradores do templo, entretanto, continuaram agradecendo os troféus de sangue, ouro e mentira, diante do mesmo altar e afirmaram que Vicente de Paulo havia enlouquecido. 
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Pelo Espírito Irmão X  
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.



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Carta psicografada por Chico Xavier pelo espírito Ricardo Leão, desencarnado aos 18 anos em acidente de carro.

Nome: RICARDO LEÃO DE OLIVEIRA
Idade: 18 anos
Nome do Pai: Antônio Oliveira
Nome da Mãe: Myssia Leão de Oliveira
Data e local de nascimento: 27/11/59, em São Paulo - SP
Data e local do falecimento: 12/11/78, em São Bernardo do Campo - SP
Causa da morte: acidente automobilístico  

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Ricardo Leão de Oliveira nasceu em São Paulo, em 27/11 /59, e faleceu em
12/11/78, na cidade de São Bernardo do Campo, vítima de acidente automobilístico.
Fazia o Tiro de Guerra e trabalhava na Volkswagen do Brasil, como auxiliar de
exportação. Gostava de praticar esportes, ler, escrever, compor músicas. Em novembro
de 1976 ganhou o Festival de Música de Santo André, com música de sua autoria:
“Girassol”. No colégio Santo André, onde estudou, ganhou o concurso de melhor
redação com o tema “A Força dos Gestos”. Era muito comunicativo, fazia amigos com
facilidade, e participava com êxito de tudo o que se propunha fazer. Dizia que só se
realizaria quando tivesse uma filha e escrevesse um livro. No dia anterior ao seu
falecimento, escreveu algumas poesias muito significativas, dizia não conseguir
entender o porquê de estar vivendo, perguntando se seria aquilo mundo dos mortos ou
dos vivos. Parecia saber o que iria acontecer. Deixou desenhadas várias capelas, e uma
carta despedindo-se de um amigo. 

Teve sucesso em tudo o que fez: deixou material para editar um livro de poesias e
oito meses depois do seu desenlace, os pais ficaram sabendo que sua noiva esperava um
filho dele. Nem mesmo Ricardo, quando em vida corpórea, sabia, pois a noiva estava
grávida de dias.
Dona Nyssia prossegue: “com a partida do meu filho fiquei desesperada, sem saber
o que fazer de minha vida, foi quando meu irmão Dorival Castanheira, condoído de meu
estado, aconselhou-me a procurar Chico Xavier, em Uberaba - apesar de ele ser
Católico praticante - afirmando que só o Chico poderia me confortar e esclarecer o
porquê da separação física. No dia 3/2/79, eu, meu marido e minha nora fomos em
busca de algo que pudesse ao menos nos consolar e orientar. No dia 9/2/79, em reunião
pública, recebemos a comunicação do meu filho, deixando-nos emocionados. Quando voltei novamente a Uberaba, eu já estava bem melhor e com a
certeza que meu filho continuava mais vivo do que nunca, pois na mensagem ele diz
coisas que o Chico não poderia saber como o caso do vovô Joaquim, desconhecido de
nós mesmos e confirmado depois de averiguações: havia falecido aos 25 anos de
idade,há 50 anos atrás.Meu filho menciona também a doença do pai. Realmente, meu
marido ficou com problema no coração e só pensavam em morrer. Outro detalhe
importante: veja a Claudinha em meu lugar. Depois fui entender que ele usou o nome da
irmã, para avisar do nascimento da filhinha dele que ninguém sabia. A filha dele está
com 18 meses e chama-se Marina, nome de sua preferência”.
Como poderia sair tudo isso da mente de Chico Xavier? A resposta lhe pertence,
caro leitor, mas podemos adiantar que há Centenas de cartas como esta do jovem
Ricardo Leão de Oliveira, consolando, confortando e mesmo esclarecendo seus
familiares. A lei da reencarnação, quando aceita pelos povos, transformará o mundo e
aí, sim, construiremos a civilização do futuro. 
A mensagem:

“Mãezinha Ny (1), meu pai Antônio (2), abençoem-me.
Querida Cida (3), peço a Deus por sua felicidade.
Ainda estou muito difícil de escrever, mas a minha avó Idalina (4) me trouxe para
dizer alguma coisa que os tranquilize. Estou ainda muito embaraçado com as lágrimas.
Ouço a mamãe com tantos chamados e escuto tantas palavras tristes de meu pai e
de Cláudia (5) que não sei se fiquei doente, depois de perder o corpo.
Que já mudei, não tenho dúvida, mas desejo solicitar-lhes auxílio. Não se morre.
A pessoa larga uma roupa usada e se enfia em outra vestimenta melhor. Isso é o que
me aconteceu, mas à medida que falam o meu nome em pranto, isso é como se a dor me
reatacasse por dentro...
Torno a me sentir batendo contra muros e rolando no ar para cair não sei onde.
Ajudem-me (6).
Vou melhorar rapidamente se me sentir apoiado pela família. Querida Aparecida,
perdoe-me. Tudo aconteceu de relance.
As máquinas estão em nossa cabeça e não nas ruas ou nas estradas 
7). Basta um
pequeno cochilo e a engrenagem desgovernada toma outros rumos.
Pensemos todos em Deus. Quem possui uma fé, vence tudo isso que está nos
acontecendo mais depressa.
Orem por mim, como se estivessem a conversar comigo em casa. A oração assim é
melhor (8), porque nos sentimos de novo num diálogo que realmente auxilia.
De parte de mãezinha, tenho um amigo que me ensinou a chamá-lo por vovô
Joaquim (9) e estou muito agradecido.
Papai, não pense mais em morte (10), compreenda que estou vivo e que vou
cooperar com o senhor de outro modo.
Mamãe, peço-lhe calma e confiança na vida.
Veja a Claudinha em meu lugar (11).
Cida, sempre querida, Deus abençoará a nós dois para que você seja sempre mais
feliz.
Rogo a todos para que se fortaleçam, para que me veja melhor.
Boa noite. Voltarei mais tarde. A morte é a vida em outra moldura. Tenhamos
paciência e confiemos em Deus.
Papai e mamãe, abençoem-me.
Aparecida, lembre-me com seus pensamentos alegres e com minha irmã recebam o
abraço muito de coração do filho agradecido,
Ricardo.” 

Mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública do
dia 9/02/79, no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, MG. 

Esclarecimentos 

1 - Modo carinhoso com que o esposo a chama.
2 - Antônio Leão de Oliveira
3 - Maria Aparecida Gomes da Silva, sua noiva
4 - Idalina Pereira de Souza - avó paterna
5 - Cláudia Leão de Oliveira - sua irmã
6 - O espírito pede para não ser lembrado com desespero, pois o afeta no mundo espiritual.
7 - Frase dita à noiva horas antes do desastre.
8 - Recomenda a maneira correta de nos comunicarmos com nosso entes queridos.
9 - Joaquim Trambusti - irmão da bisavó materna.
10 - Devido doença no coração, o Sr. Antônio andava pensando em morrer.
11 - A mãe não entendeu de início, só compreendendo quando soube da gravidez de sua futura nora.

sábado, 4 de março de 2017

Melhor assim


O amigo que estimavas partiu buscando outros caminhos...
O companheiro de tuas horas foi-se à procura de novas emoções...
O irmão que amavas como a ti mesmo deixou-te por tentadoras experiências...
Creia que, embora sofras, foi melhor assim.
Quem poderá prever o que lhes aguardava no amanhã.
Embora de coração sangrando, não deixes de viver e de continuar desincumbindo-te das responsabilidades que a vida te confiou.
O senhor também passou no mundo sem ninguém; os discípulos mais amados nem mesmo puderam orar com Ele nos instantes que antecederam o Calvário.
Deus se encarregará de, no momento certo, colocar alguém nos teus passos.
Alguém que virá para ficar...
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Irmão José 
Carlos Baccelli
Obra: Fé 

quinta-feira, 2 de março de 2017

DIVINO RECURSO



Trata-se de remédio real do espírito.

Sem ele:

- A paz carece de base;

- O amor não existiria;

- O trabalho cairia em frustração;

- A fé não desabrocha;

- A paciência não surge;

- A união se faria impraticável;

- A solidariedade não funciona;

- A esperança não encontraria razão de ser;

- O lar não subsistiria;

- A civilização se ergueria em bases de crueldade.

Desse recurso todos necessitamos; e de tão alta significação se nos faz no cotidiano que a Sabedoria da Vida não permite se efetue aquisição dele em mercados do mundo, a fim de que esteja ao alcance de todos, já que deve nascer em nós mesmos, no laboratório do coração.

Esse remédio é o perdão recíproco.

E semelhante medicamento se mostra de tal modo importante, nos assuntos de vivência e convivência, que Jesus - o Divino Médico da Alma - prescreve para cada infestação de ofensa que se lhe aplique a virtude não sete vezes, mas, setenta vezes sete vezes.
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  Albino Teixeira 
 Chico Xavier 


quarta-feira, 1 de março de 2017

Posturas Coerentes



“Por que pensais mal nos vossos corações?” - Jesus – Mateus, 9: 4

Uma das maiores dificuldades do homem, em todos os tempos, é a coerência entre o que pensa com o que realiza. Muitas são as criaturas que, observando apenas seus atos exteriores, acreditam-se boas e merecedoras dos apreços e cuidados divinos.

Paulo já falava sobre a angústia provocada por essa dualidade, em uma de suas epístolas, enfatizando a dor que o envolvia, diante dessa situação, quando afirmava: “o que quero, não faço e o que não quero, isso mesmo é o que eu faço”.

Santo Agostinho, em sua “Confissões”, reforçava sobre essas angústias, mostrando o homem que, conhecendo o certo, acaba agindo de maneira voluntariosa, de acordo com os seus instintos e não com a sua razão.

Grande parte da humanidade encontra-se ainda num patamar evolutivo no qual nem existe essa preocupação. Postulam para si o direito à felicidade, mas sem uma preocupação verdadeira com o que seja essa felicidade e com os meios para alcançá-la. Agem próximos aos instintos animalescos, onde os prazeres da mesa e do sexo sobrepõem-se a quaisquer outros, utilizando-se, muitas vezes, da violência, em suas mais diversas formas de expressão, para consegui-los.

Essa parcela dos homens, na realidade, ainda não vive essa dualidade. O grande incômodo com que vivem é o de se depararem com criaturas mais astutas, fortes e violentas, as quais levam os mais fracos a sofrerem o impacto da força e, nestes casos, da dor e da opressão.

Aqueles que já conhecem as verdades evangélicas e as assimilam no campo da razão, encontram-se em outro degrau evolutivo. Nesse grupo encontra-se a grande maioria dos religiosos, os quais convivem com a dualidade do bem e do mal, falando muito do primeiro, mas ainda quedando-se à ação do segundo.

Nesse estágio evolutivo, os qual enfrentamos as reais dores morais, o homem geralmente age em dois importantes pólos: num primeiro, pregam e acreditam na necessidade do bem, mas fragilizados em suas conquistas, caminham na realização de seus pendores inferiores, causando-lhes grande sofrimento, quando mergulham no remorso, vendo-se afogados em suas culpas. Do outro lado, os que inibem as expressões visíveis vinculadas aos seus sentimentos infelizes, mas quando têm a oportunidade de agirem às escondidas, fazem-no; ou vibram numa faixa mental inferior constante, que os mantém em padrões energéticos complicadores, apesar da aparência de superioridade. Estes carreiam também o sofrimento, mas buscam negá-lo, optando por viverem na ilusão. Negam as suas culpas e tomam, muitas vezes, para si, o direito de se julgarem e aos outros, presas de uma aparente grandeza moral. 

O primeiro grupo espelha o publicano que, reconhecendo o pecado e a necessidade do perdão, permanece no lugar da “minha culpa”, agindo da mesma forma anterior. O segundo foi definido por Jesus como “túmulos caiados de branco”, representados pelos sacerdotes e os fariseus, caracterizados pela falsidade dos seus valores e pela hipocrisia de seus atos.

No campo religioso, em todos os tempos, continua a presença desses elementos, constituindo a grande maioria dos profitentes. Certamente, é para essas criaturas que Jesus dirige mais diretamente a pergunta: “Por que pensais mal em vossos corações?”.

A proposta do Evangelho é de reforma e transformação, mas como diz a expressão é de “reforma íntima”. O convite é para que haja uma mudança interior. A questão fundamental é de “essência” e não de “aparência”, mesmo porque as mudanças externas são maquilagens e não resistem às intempéries do tempo. As verdadeiras transformações são de base, de paradigmas, seguidas pela renovação de atitudes.

Se a grande maioria da humanidade, movida apenas pelos seus instintos, provoca enormes calamidades, assustando os demais e causando dores imensas a todos, essa parcela importante dos religiosos, que apregoa o que não faz ou finge atitudes, para as quais descrê dos seus valores, não atua diferentemente. Perturba os que querem modificar-se, que, ao verem as suas atitudes, fazem-se descrentes dos valores morais superiores; paralisa o crescimento da humanidade, como um todo, pela incoerência de suas posturas, além de dar forças ao grupo dos brutos, que se vêem referendados em suas atitudes, e de utilizar-se deles para realizarem aquilo que carrega na profundidade de seu ser, seus verdadeiros interesses e princípios. Sobre esse grupo, Jesus se referiu como os que se postam nas portas dos templos, não entram e nem deixam os demais entrarem.

O chamamento de Jesus é de completa transformação. No entanto, isso não significa uma mudança abrupta e total, mas de um encadeamento de ações coerentes, onde o homem poste-se de acordo com aquilo que já sedimentou em sua alma. Uma luta árdua, pelas tendências do passado milenar, quando nos prendemos aos prazeres imediatistas da vida, mas que, se vivida com a sinceridade necessária, será oportunidade inigualável para um crescimento, com a consequente conquista da Felicidade.
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Roberto Lúcio Vieira de Souza - Revista Delfos