quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Não te sintas só



Minha abençoada amiga: Deus nos ampare!

 … E este é o caminho da ressurreição — o caminho que vences, palmo a palmo, centímetro a centímetro, sob a cruz redentora da provação.

 Sentimos, sobre as pedras que forram o chão, a glória solar dos cimos…

  Jesus, de braços abertos, à espera de nosso triunfo espiritual…

  A contemplação da eternidade, por prêmio sublime aos pés sangrentos…

  A paz da comunhão com a luz divina, por céu fulgurante na própria consciência…

  A alegria silenciosa do coração que se uniu para, sempre ao amor e à verdade…

  E nossa alma inquieta suspira por transportar, ao preço da própria renunciação; no ramo desse paraíso de vitória íntima, todos aqueles a quem nós devotamos no campo agreste do mundo…

  Mas o Mestre Divino, o condutor infalível de nossos passos, do alto do próprio madeiro que lhe serviu de trono à imorredoura exaltação, nos reafirma, sem palavras, que a passagem estreita do calvário não admite mais de um coração.

  Cada companheiro terá o seu dia e a sua marcha, para o grande entendimento…

  Os tesouros adquiridos com a experiência e com a dor são intransferíveis.

  Seria necessário que a fonte viva da compreensão deslizasse por todas as criaturas, ao mesmo tempo. E isso, realmente, é impossível. Por essa razão, peço-te, ainda e sempre, coragem e calma.

  É nessa solidão interior, que por vezes experimentas com tanta intensidade, que chegamos a ouvir a voz do Excelso Pastor.

  A felicidade terrestre é como que anestesiante ruído para a consciência. Distrai-nos.  
Desintegra-nos os impulsos da fé. Impõe o adiamento indefinido da nossa viagem para o melhor.   Obriga-nos a esquecer a bênção das horas e, quase sempre, hipnotiza-nos nas sombras da inutilidade.   Contudo, o sofrimento guarda a virtude da visão, despertando-nos para as realidades edificantes da vida.

  Sem dúvida, muitos lhe temem o contato, procurando a fuga de suas renovadoras lições; mas o tempo é o químico milagroso da Eterna Sabedoria, que nos governa os destinos, e, na estrada infinita, que nos cabe percorrer, surge invariavelmente o dia de nossa transformação..

 Louvemos, desse modo, a luta que nos convocou à subida, e confiemos nossos amados ao Senhor.

  Nesse ato de rendição de nossa alma, não reside a desistência de nossos deveres.

  Continuaremos ajudando-os com todos os recursos ao nosso alcance, mas centralizando nossas esperanças no Amor Maior.   Permaneceremos ao lado de quantos foram situados pela Bondade celestial, junto de nosso carinho, mobilizando possibilidades e energias em favor deles, mas prosseguindo, intimamente, em nossa sublime romagem para o Alto, superando temporais de lágrimas e espinheiros de sacrifício, porque, além de tudo o que representa o mundo de nosso “eu”, resplende o devotamento de Jesus — o único sol capaz de reaquecer-nos o Espírito fatigado, revigorando-nos para a definitiva ascensão aos Planos superiores.

  Auxiliemos sem apego. Ensinemos no silêncio.

 Amparemos, na medida de nossas forças, a quantos se acercam de nós; mas aguardemos o socorro do Alto, em se tratando de nossas necessidades.

  Não te prendas na teia da angústia. A única finalidade da aflição é a de deslocar-nos da Terra para o Céu, do débito para o resgate, da sombra para a luz.

 Não temas. Diante de nós, segue aquele Amigo Imortal que, em se entregando ao martírio e à morte, traçou, para nós mesmos, o trilho estreito que nos conduzirá à salvação.

  Aceitemos os instrumentos com que o Escultor da Eternidade se propõe reajustar-nos.

  Pranto, soledade, amargura, incompreensão nos que amamos, sede espiritual, feridas, pesadelos, vigílias dolorosas, tempestades morais e golpes de senda representam o serviço do Divino Buril sobre nós.  À maneira da pedra que obedece, com segurança, das profundezas de nossas imperfeições Jesus retirará, mais tarde, a obra prima do Universo — nossa alma — acrisolada para o esplendor da perfeição.

  Não te sintas sozinha. Somos uma grande família no espaço e no tempo; em busca de nosso lar imperecível — o lar que nos espera, mais além, para a integração com todos os nossos afetos.

  Confiemos em Jesus. Ainda que tudo conspire contra nós, busquemo-lo. Através do próprio sacrifício, aprenderemos, com ele, a estrada real para a verdadeira vitória.

  Continuemos juntas, no santuário do trabalho e da oração e, contando com a tua firmeza de ânimo em todos os lances de nossa jornada para a frente, abraça-te a velha amiga e irmã reconhecida.
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Isabel Cintra 
Chico Xavier





MENSAGEM DO ESE:
Mercadores expulsos do templo

Eles vieram em seguida a Jerusalém, e Jesus, entrando no templo, começou por expulsar dali os que vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos que vendiam pombos: — e não permitiu que alguém transportasse qualquer utensílio pelo templo. — Ao mesmo tempo os instruía, dizendo: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração por todas as nações? Entretanto, fizestes dela um covil de ladrões! — Os príncipes dos sacerdotes, ouvindo isso, procuravam meio de o prenderem, pois o temiam, visto que todo o povo era tomado de admiração pela sua doutrina. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 15 a 18; — S. MATEUS, cap. XXI, vv. 12 e 13.)

Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVI, itens 5 e 6.)



quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

NAS ESTRADAS



“E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.” – Jesus. (Marcos, 4:15.)


Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.


Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa-vontade, aderentes sinceros ao roteiro santificador.


Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens comuns.


Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para que o tesouro não lhes passe despercebido.


A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas circunstâncias.


Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas, os princípios de vida, espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos os corações a oportunidade de acesso à senda do amor.


Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos vulgares de cada dia, num livro, numa particularidade insignificante do trabalho, na prestimosa observação de um amigo.


Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e se já recebeste o princípio celeste, cultiva-o, com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma. O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível.


Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angústia te visitará o espírito, indicando-te novos rumos.
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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier) 



MENSAGEM DO ESE: 
Desigualdade das riquezas

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. 

Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 8.)

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Irmãos em perigo



Os que descobrem pareceres inteligentes e bons conselhos para todas as pessoas, distraídos dos problemas que lhes são próprios.

Os que fazem dez projetos maravilhosos por dia sem concretizar nenhum deles em dez anos.

Os que reconhecem a grandeza das verdades divinas, mas que jamais dispõem de tempo para cultivá-las, em favor da própria iluminação.
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André Luiz
Chico Xavier 



MENSAGEM DO ESE:
A fé humana e a divina

No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.

Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exalçou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião. Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis? 

A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendures que se não chegue a vencer.

O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.

Repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. 

Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 12.)



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

AJUDA-TE A TI MESMO E O CÉU TE AJUDARÁ




É nesta máxima que se resume a grande lição de sabedoria infinita, que todos os homens na Terra deveriam aprender.

Nada, absolutamente nada, pode o homem conseguir, se não houver preparado o caminho. Não se iludam as pessoas a implorar a Deus que lhes proporcione a solução dos seus problemas, nem o esclarecimento às suas indagações, se não moverem, de sua parte, uma parcela mínima de esforço para alcançar a bênção desejada.

Todos os vícios, sejam os mais comuns, que afligem o âmbito material, tais como a bebida, o fumo, a sexualidade descontrolada, o tóxico, ou aqueles que se situam no interior da alma e nem sempre afloram aos olhos dos nossos semelhantes, entre eles a inveja, o orgulho, a vaidade, a mesquinhez, precisam da vontade do viciado em deles se desfazer para que sejam realmente extirpados.

Cada ser humano tem de dar o primeiro passo para a libertação das suas mazelas. Não é que Deus fique indiferente às suas imperfeições. É que o Pai tem plena consciência de que as pessoas, normalmente, valorizam mais aquilo que decorre do seu próprio esforço. O que é dado de forma gratuita, geralmente perde o valor real, não é estimado como verdadeiro e necessário.

Cuidem os meus irmãos de dar o primeiro passo, sempre que se fizer urgente a sua libertação dos grilhões que os apegam a qualquer espécie de vício.

Deus está alerta ao chamado de Seus filhos, como na Terra os serviços de bombeiros ou de pronto-socorro estão em guarda constante para partirem em direção dos que precisam de ajuda.

Cabe a cada um a maior parcela de responsabilidade. É preciso assumí-la a tempo e à hora.
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Livro: Intercâmbio
Alayde de Assunção e Silva, Lucia Maria Secron Pinto, pelo Espírito Luiz Sérgio
Livraria e Editora Recanto



MENSAGEM O ESE:
Motivos de resignação (I)

Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.

Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.

O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela.” Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido? 

Tal o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 12.)

domingo, 9 de dezembro de 2018

FAMÍLIA


Amigos, manifestastes o desejo de que me externasse com respeito ao sagrado instituto da família sobre a Terra e cumprindo um grato dever, cumpre-me declarar-vos que é ainda aí, nesse colégio sagrado da afetividade fraternal, que se educarão as energias para a consecução dos planos grandiosos da humanidade terrena no porvir.

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O instituto do casamento tem sido até agora um instrumento de lutas expiatórias para os espíritos faltosos e delinqüentes diante das leis sociais e Divinas, todavia temos a considerar que talvez vinte por cento das uniões terrestres representam verdadeiros encontros de almas gêmeas na face obscura e triste da Terra e todos os consórcios do futuro serão realizados na pauta dos grandes sentimentos das almas.

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Nessas uniões felizes podereis vislumbrar a ventura dos pares espirituais na Eternidade Radiosa, onde as emoções criadoras da vida se manifestam dentro dos ideais profundos da felicidade e da beleza.

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Ali, não necessitam os espíritos amantes das dolorosas surpresas dos interesses egoísticos e mesquinhos do mundo e é para essa ventura que o planeta terreno terá de caminhar desde agora, realizando-se o grande plano da educação livre dos espíritos encarnados que deverão concentrar os seus esforços e energias na busca das alegrias perfeitas, cujos ecos pode a alma experimentar mesmo na Terra, apesar das suas sombras e das suas lágrimas.

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Nos tempos ominosos da atualidade em que parecera falecer todos os sonhos nobilitantes dos anseios humanos, temos a considerar como fator ponderável o desvio da mulher da sua missão evangelizadora de missionária, de companheira e de mãe, determinando o estado caótico da sociedade moderna.

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A vossa civilização vai-se extinguindo lentamente à míngua de humildade e de amor, porque secaram as fontes sentimentais que fertilizavam o campo abençoado da vida.

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Essas fontes se achavam nos corações femininos aptos a desenvolver o labor portentoso da Tarefa Cristã.

As teorias envenenadas dos tempos atuais, os excessos demagógicos do feminismo preconizaram a mulher em detrimento de todas as iniciativas construtoras da humanidade.

As próprias concepções bélicas do Estado, o progresso das indústrias guerreiras devem suas origens a esse transviamento da companheira do homem.

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As mães poderiam operar os movimentos internacionais em favor da paz, com muito mais proveito que os políticos e sociólogos de todos os matizes.

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Os desastres profundos a que se entrega na atualidade a vossa civilização, rica de evolução científica, mas pobre de amor e de concórdia, poderiam ser afastados em tempo se a mulher ainda quizesse compreender a ferida do mundo enfermo, para pensá-la com o seu carinho.

E é por isso que vemos as concretizações temíveis do pensamento de Spengler, em todos os setores das atividades humanas.

As experiências, porém, que se aproximam em futuro próximo, procederão à tarefa reeducativa da alma feminina, para que o instituto do casamento sobre a Terra represente o caminho da perfeição das almas.

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Nesse capítulo muito poderia eu dizer sobre o divórcio e suas conseqüências no meio ambiente social, estudando as disposições dos códigos de diversos países.

Devo declarar, todavia, que cada alma tem a sua alma gêmea para o transcurso dos evos da Eternidade, mas que não justifico a separação perante as leis humanas, dentro de problemas da elegância e do esnobismo da época.

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Um homem e uma mulher, em organizando o lar, devem pesar, antes de tudo, a gravidade dos deveres que lhes advirão do consórcio do pensamento e do coração.

Ponderadas essas responsabilidades gravíssimas, não justifico o desenlace por questões de hábitos envenenados dos núcleos sociais, acreditando que é mais nobre viver com um desgosto do que se entregar a desgraças por ele.

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O casamento na Terra nem sempre é o perfume na auréola de flores de laranjeira; significa, antes de tudo, muito sacrifício, muito amor e muita renúncia.

Com a educação, todavia, que se levará a efeito futuramente, nesse sentido, o matrimônio deixará de ser o instituto de provas expiatórias para ser a antecâmara da felicidade Celeste que as almas gêmeas experimentam na Plenitude Divina das alegrias da Eternidade.

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Meus votos de venturas a todos os irmãos presentes, Deus vos guarde.
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Emmanuel
Livro: Ação, Vida e Luz
Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos
CEU - Cultura Espírita União 




MENSAGEM DO ESE:
A lei de amor

O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra — amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem. 

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. É então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes.

 — Lázaro. (Paris, 1862.)

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 8.)


sábado, 8 de dezembro de 2018

SOBRE A CRÍTICA



Após a longa reunião da noite, junto de outros confrades, Chico abordou a questão da crítica, respondendo a um dos circunstantes:

— A crítica dos amigos - diz Emmanuel - é a pitada de fermento na massa para que o bolo cresça.

Depois do efeito da frase, aduziu:

— Sempre que criticado, eu vou orar para verificar se é verdade ou não. E quase sempre chego à conclusão de que é verdade: 95% das vezes, eles têm razão, e os 5%...

Concluímos que estes 5% seriam as infundadas.

Depois de significativa pausa, continuou:

— Quando moço, nem sempre eu sabia aceitá-la. Magoava-me, sentia-me aborrecido. Vejamos alguns exemplos: no princípio, entusiasmado com a psicografia, recebia quase todos os espíritos que se aproximavam e queriam se servir de minha faculdade.

Há trinta anos, Nilo Peçanha escreveu, por meu intermédio, uma página sobre o momento político em que vivia o País.

Datilografei-a e enviei-a com carinho à Federação Espírita Brasileira. De volta, pelo correio, recebi uma carta do Presidente da instituição, na época, Dr. Guillon Ribeiro, que também dirigia a revista O Reformador, aconselhando-me a não dispor minha faculdade para assuntos desse gênero; na página nada havia de construtivo. Fiquei aborrecido, mas aceitei a crítica do amigo.

Vendo que o ouvíamos atentamente, prosseguiu:

— Mais tarde, recebi Guerra Junqueiro - as poesias estão no “Parnaso”. Entidade culta, barbas longas, olhos penetrantes; foi para mim motivo de muita alegria.

Deteve-se por uns momentos e encarou-nos novamente:

— Mas vejam vocês: certo dia apareceu em Pedro Leopoldo um senhor muito simpático e respeitável. Ele me trancou num quarto e foi enérgico comigo, expondo sua própria opinião:

— Chico, venho pedir-te para que não mais recebas mensagens desse gênero, seja em prosa ou em versos. O Espiritismo não veio para atacar ninguém, a polêmica nada constrói.

Depois de uma pausa o médium continuou:

— Desapontado, orei. Emmanuel manifestou-se confirmando as palavras do visitante:

— Aquele senhor está com a razão.

Chico tomou outro gole de café e falou:

— Guerra Junqueiro procurou-me novamente para escrever. Então falei franco ao espírito: Atacar os padres não, meu amigo, se você quiser escrever sobre outros assuntos, estou às ordens, mas atacá-los, não.
Ao que ele me respondeu:

— Pois, então, Chico, eu não escrevo. Por enquanto, não mudo de opinião. Não sei escrever sem atacar o clero.

O médium concluiu:

— Vejam vocês como as críticas me serviram. Aquele senhor simpático, que me alertou, nunca mais o vi.
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Do Livro "Inesquecível Chico" - Romeu Grini e Gerson Sestini
Capítulo " SOBRE A CRÍTICA "



MENSAGEM DO ESE:
Simplicidade e pureza de coração

Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus. (S. Mateus, cap. V, v. 8.)
Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse:
“Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. — Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” — E, depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos. (S. MARCOS, cap. X, vv. 13 a 16.)
A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.
Poderia parecer menos justa essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito antigo e que traz, renascendo para a vida corporal, as imperfeições de que se não tenha despojado em suas precedentes existências. Só um Espírito que houvesse chegado à perfeição nos poderia oferecer o tipo da verdadeira pureza. É exata a comparação, porém, do ponto de vista da vida presente, porquanto a criancinha, não havendo podido ainda manifestar nenhuma tendência perversa, nos apresenta a imagem da inocência e da candura. Daí o não dizer Jesus, de modo absoluto, que o reino dos céus é para elas, mas para os que se lhes assemelhem.
Pois que o Espírito da criança já viveu, por que não se mostra, desde o nascimento, tal qual é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de cuidados especiais, que somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da ingenuidade da criança. Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamento, se, em vez da graça ingênua, deparasse nele, sob os traços infantis, um caráter viril e as idéias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado.
Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces. Essa a razão por que, ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas faculdades permanecem em estado latente. É necessário esse estado de transição para que o Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. Renasce para a vida maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida.
A partir do nascimento, suas idéias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as idéias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.
O Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VIII, itens 1 a 4.)



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

SE ESTÁS DE CHEGADA



A compreensão espiritual da Vida não se faz de improviso.

Todos carecemos de tempo para nos habituarmos à claridade mais intensa da luz.

Não queiras obter resultados imediatos pela tua recente adesão aos princípios espíritas.

O equilíbrio psicológico e emocional que procuras é conquista gradativa.

Há momentos de semear e momentos de colher.

Quase todos estamos em fase de nova semeadura.

De início, pois, experimentarás tímidos resultados.

Persevera!

Considera a tua condição de neófito e não cobices, indevidamente, os frutos que colhem agora os que, desde muito, se encontram no amanho da terra.

A gleba que relegaste ao abandono não se torna produtiva de uma hora para outra.

Se te encontras de chegada à seara do Espiritismo, sê bem-vindo, mas não te apresses em obter o que desejas.

Nenhuma gota de suor se derrama, inútil, da fronte do trabalhador digno e honesto.

Serve e farás jus ao teu serviço!
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Irmão José




MENSAGEM DO ESE:
Parábola dos talentos

O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens.

 — Depois de dar cinco talentos a um, dois a outro e um a outro, a cada um segundo a sua capacidade, partiu imediatamente.

 — Então, o que recebeu cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou cinco outros. 

— O que recebera dois ganhou, do mesmo modo, outros tantos. Mas o que recebera um cavou um buraco na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo.

 — Passado longo tempo, o amo daqueles servidores voltou e os chamou a contas.

 — Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão, além desses, mais cinco que ganhei.

 — Respondeu-lhe o amo: Servidor bom e fiel; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. 

— O que recebera dois talentos apresentou-se a seu turno e lhe disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei.

 — O amo lhe respondeu: Bom e fiel servidor; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor.

 — Veio em seguida o que recebeu apenas um talento e disse: Senhor, sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste; — por isso, como te temia, escondi o teu talento na terra; aqui o tens: restituo o que te pertence.

 — O homem, porém, lhe respondeu: Servidor mau e preguiçoso; se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, — devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence.

 — Tirem-lhe, pois, o talento que está com ele e dêem-no ao que tem dez talentos; — porquanto, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens; quanto àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes. 

(S. MATEUS, cap. XXV, vv. 14 a 30.)

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 6.)


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Pai



  É natural que consideres teu problema qual espinho terrível.

  É justo reconheças tua prova por agonia do coração.

  Ergues súplice olhar, no silêncio da prece, e relacionas mecanicamente aqueles que te feriram.

  É como se conversasses intimamente com Deus, apresentando-lhe vasto balanço de amarguras e queixas…

  E o Supremo Senhor cuidará realmente de ti, alentando-te o passo… Entretanto, é preciso não esquecer que ele cuidará igualmente dos outros.


  Lança mais profundo olhar naqueles que te ofenderam, conforme acreditas, e compara as tuas vantagens com as deles.

  Quase sempre, embora se entremostrem adornados de ouro e renome, nas galerias da evidência e da autoridade, são almas credoras de compaixão e de auxílio…   Traíram-te a confiança, contudo, tombaram nas malhas de pavorosos enganos;   humilharam-te impunemente, mas adquiriram remorsos para imenso trecho da vida;   dilaceraram-te os ideais, entretanto, caíram no descrédito de si próprios;   abandonaram-te com inexprimível ingratidão, todavia, desceram à animalidade e à loucura…

  Não é possível que a Luz do Universo apenas te ampare, desprezando-os a eles que se encontram à margem de sofrimento maior.

  Unge-te, assim, de paciência e compreensão para ajudar na Obra Divina, ajudando a ti mesmo.

  Em qualquer apreciação, ao redor de alguém, recorda que o teu Criador é também o Criador dos que estão sendo julgados.

  É por isso que Jesus, em nos ensinando a orar, revelou Deus como sendo o amor de todo amor, afirmando, simples: “Pai nosso, que estás nos céus…”  
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EMMANUEL
CHICO XAVIER 



MENSAGEM DO ESE:
Aquele que se eleva será rebaixado (II)

Então, a mãe dos filhos de Zebedeu se aproximou dele com seus dois filhos e o adorou, dando a entender que lhe queria pedir alguma coisa. — Disse-lhe ele: “Que queres?” “Manda, disse ela, que estes meus dois filhos tenham assento no teu reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda.” — Mas, Jesus respondeu, “Não sabes o que pedes; podeis vós ambos beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos.” — Jesus lhes replicou: “É certo que bebereis o cálice que eu beber; mas, pelo que respeita a vos sentardes à minha direita ou à minha esquerda, não me cabe a mim vo-lo conceder; isso será para aqueles a quem meu Pai o tem preparado.” — Ouvindo isso, os dez outros apóstolos se encheram de indignação contra os dois irmãos. — Jesus, chamando-os para perto de si, lhes disse: “Sabeis que os príncipes das nações as dominam e que os grandes os tratam com império. — Assim não deve ser entre vós; ao contrário, aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servo; — e, aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso escravo; — do mesmo modo que o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos.”

 (S. MATEUS, capítulo XX, vv. 20 a 28.)

Estas máximas decorrem do princípio de humildade que Jesus não cessa de apresentar como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor e que ele formulou assim: “Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que o reino dos céus lhes pertence.” Ele toma uma criança como tipo da simplicidade de coração e diz: “Será o maior no reino dos céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.

A mesma idéia fundamental se nos depara nesta outra máxima: Seja vosso servidor aquele que quiser tornar-se o maior, e nesta outra: Aquele que se humilhar será exalçado e aquele que se elevar será rebaixado.

Espiritismo sanciona pelo exemplo a teoria, mostrando-nos na posição de grandes no mundo dos Espíritos os que eram pequenos na Terra; e bem pequenos, muitas vezes, os que na Terra eram os maiores e os mais poderosos. E que os primeiros, ao morrerem, levaram consigo aquilo que faz a verdadeira grandeza no céu e que não se perde nunca: as virtudes, ao passo que os outros tiveram de deixar aqui o que lhes constituía a grandeza terrena e que se não leva para a outra vida: a riqueza, os títulos, a glória, a nobreza do nascimento. Nada mais possuindo senão isso, chegam ao outro mundo privados de tudo, como náufragos que tudo perderam, até as próprias roupas. Conservaram apenas o orgulho que mais humilhante lhes torna a nova posição, porquanto vêem colocados acima de si e resplandecentes de glória os que eles na Terra espezinharam.

O Espiritismo aponta-nos outra aplicação do mesmo princípio nas encarnações sucessivas, mediante as quais os que, numa existência, ocuparam as mais elevadas posições, descem, em existência seguinte, às mais ínfimas condições, desde que os tenham dominado o orgulho e a ambição. Não procureis, pois, na Terra, os primeiros lugares, nem vos colocar acima dos outros, se não quiserdes ser obrigados a descer. Buscai, ao contrário, o lugar mais humilde e mais modesto, porquanto Deus saberá dar-vos um mais elevado no céu, se o merecerdes.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, itens 4 e 6.)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

PROVAS DE FOGO




“E o fogo provará qual seja a obra de cada um.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 3:13.)

A indústria mecanizada dos tempos modernos muito se refere às provas de fogo para positivar a resistência de suas obras e, ponderando o feito, recordemos que o Evangelho, igualmente, se reporta a essas provas, há quase vinte séculos, com respeito às aquisições espirituais.

Escrevendo aos Coríntios, Paulo imagina os obreiros humanos construindo sobre o único fundamento, que é Jesus-Cristo, organizando cada qual as próprias realizações, de conformidade com os recursos evolutivos.

Cada discípulo, entretanto, deve edificar o trabalho que lhe é peculiar, convicto de que os tempos de luta o descobrirão aos olhos de todos, para que se efetue reto juízo acerca de sua qualidade.

O aperfeiçoamento do mundo, na feição material, pode fornecer a imagem do que seja a importância dessas aferições de grande vulto. A Terra permanece cheia de fortunas, posições, valores e inteligências que não suportam as provas de fogo; mal se aproximam os movimentos purificadores, descem, precipitadamente, os degraus da miséria, da ruína, da decadência.

No serviço do Cristo, também é justo que o aprendiz aguarde o momento de verificação das próprias possibilidades. O caráter, o amor, a fé, a paciência, a esperança representam conquistas para a vida eterna, realizadas pela criatura, com o auxilio santo do Mestre, mas todos os discípulos devem contar com as experiências necessárias que, no instante oportuno, lhe provarão as qualidades espirituais.
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EMMANUEL 
CHICO XAVIER




Mensagem do ESE: 
O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do bom samaritano.

Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; — reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, — e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; — porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; — estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.
Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? — Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? — E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? — O Rei lhes responderá:
Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.
Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; — porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.
Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? — Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo. E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)
Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? — Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? — Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. — Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás. Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo? 
Jesus, tomando a palavra, lhe diz: Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. — Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. — Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. — Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. — Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. — No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.
Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? — O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. — Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)
Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade:
Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.
No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.
Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, itens 1 a 3.)



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Petição


“Irmãos, orai por nós.” – Paulo. (1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:25.)

Muitas criaturas sorriem ironicamente quando se lhes fala das orações intercessórias.

O homem habituou-se tanto ao automatismo teatral que encontra certa dificuldade no entendimento das mais profundas manifestações de espiritualidade.

A prece intercessória, todavia, prossegue espalhando benefícios com os seus valores inalterados. Não é justo acreditar seja essa oração o incenso bajulatório a derramar-se na presença de um monarca terrestre a fim de obtermos certos favores.

A súplica da intercessão é dos mais belos atos de fraternidade e constitui a emissão de forças benéficas e iluminativas que, partindo do espírito sincero, vão ao objetivo visado por abençoada contribuição de conforto e energia.

Isso não acontece, porém, a pretexto de obséquio, mas em consequência de leis justas. O homem custa a crer na influenciação das ondas invisíveis do pensamento, contudo, o espaço que o cerca está cheio de sons que os seus ouvidos materiais não registram; só admite o auxilio tangível, no entanto, na própria natureza física veem-se árvores venerandas que protegem e conservam ervas e arbustos, a lhes receberem as bênçãos da vida, sem lhes tocarem jamais as raízes e os troncos.

Não olvides os bens da intercessão.

Jesus orou por seus discípulos e seguidores, nas horas supremas.

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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier) 




MENSAGEM DO ESE:
A paciência

A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.

A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.

Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu ele do que qualquer de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado e de vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume tudo. — Um Espírito amigo. (Havre, 1862.)

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 7.)



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

EQUIVOCADA PROCURA



"Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira neste mundo, ele procura com avidez tudo o que pode agitá-lo e perturbá-lo."
 - "O Evangelho Segundo o Espiritismo" - Cap. V, item 23.


Sobre a Terra, todas as coisas exteriores estão sujeitas a constante transformação - nada é definitivo: nem a condição social, nem a saúde, nem a riqueza amoedada...

Tudo, lentamente, rende-se à ação inexorável do tempo, na vertiginosidade das horas... Ao termo de suas opções de vida, ao homem, na maioria das vezes, resta apenas a desilusão em que estruturou a existência.

Em sua equivocada procura da felicidade, eis que ele se consome desnecessariamente, acumulando aflições e desencanto na alma.

Todavia, se buscasse a aprovação da consciência pelo dever nobremente atendido, não experimentaria a frustração com que, quase sempre, atinge o ocaso de seus dias no mundo...

Nem amargaria, em se avizinhando do túmulo, imensa decepção consigo mesmo - decepção que o acompanha nos seus ensombrados caminhos além da morte do corpo.

Não podendo prever quando se lhe verificará a definitiva mudança de plano existencial, o homem deveria viver na Terra como se, a cada dia, estivesse a se despedir...

E, ainda, como se estivesse prestes a inevitável e solitário confronto consigo mesmo, sem subterfúgios de qualquer natureza.

Por mais que se apegue aos bens transitórios que desfruta e administra, a criatura encarnada não se esquivará à luz soberana da Verdade que o induzirá a ver o que fez de si, quando chegar o momento de dizer adeus a tudo quanto se lhe constituía, no mundo, a razão da própria vida.

Somente o homem fortalecido interiormente não teme a Grande Noite!... Com os valores que nada e ninguém lhe poderá usurpar, realizará a Inevitável Travessia com a serenidade das almas, que lograram acender em si o inapagável archote da crença.

Superados os obstáculos que o distanciavam da paz definitiva, que, infelizmente, ainda é uma utopia para o homem na Terra, pisará as dimensões espirituais, experimentando indefinível alegria no coração!... 

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Irmão José (psic. Carlos Baccelli)



MENSAGEM DO ESE:
Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará

Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.
Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? — Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? — Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem? (S. MATEUS, cap. VII, vv. 7 a 11.)
Do ponto de vista terreno, a máxima: Buscai e achareis é análoga a esta outra: Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. É o princípio da lei do trabalho e, por conseguinte, da lei do progresso, porquanto o progresso é filho do trabalho, visto que este põe em ação as forças da inteligência.
Na infância da Humanidade, o homem só aplica a inteligência à cata do alimento, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos. Deus, porém, lhe deu, a mais do que outorgou ao animal, o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, porquanto é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Pelas suas pesquisas, a inteligência se lhe engrandece, o moral se lhe depura. Às necessidades do corpo sucedem as do espírito: depois do alimento material, precisa ele do alimento espiritual. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.
Mas, bem pouca coisa é, imperceptível mesmo, em grande número deles, o progresso que cada um realiza individualmente no curso da vida. Como poderia então progredir a Humanidade, sem a preexistência e a reexistência da alma? Se as almas se fossem todos os dias, para não mais voltarem, a Humanidade se renovaria incessantemente com os elementos primitivos, tendo de fazer tudo, de aprender tudo. Não haveria, nesse caso, razão para que o homem se achasse hoje mais adiantado do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que a cada nascimento todo o trabalho intelectual teria de recomeçar. Ao contrário, voltando com o progresso que já realizou e adquirindo de cada vez alguma coisa a mais, a alma passa gradualmente da barbárie à civilização material e desta à civilização moral. (Vede: cap. IV, nº 17.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 1 e 2.)



domingo, 2 de dezembro de 2018

A QUEM OBEDECES?



“E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem.”
 – Paulo. (Hebreus, 5:9.)

Toda criatura obedece a alguém ou a alguma coisa.

Ninguém permanece sem objetivo.

A própria rebeldia está submetida às forças corretoras da vida.

O homem obedece a toda hora. Entretanto, se ainda não pôde definir a própria submissão por virtude construtiva, é que, não raro, atende, antes de tudo, aos impulsos baixos da natureza, resistindo ao serviço de auto-elevação.

Quase sempre transforma a obediência que o salva em escravidão que o condena. O Senhor estabeleceu as gradações do caminho, instituiu a lei do próprio esforço, na aquisição dos supremos valores da vida, e determinou que o homem lhe aceitasse os desígnios para ser verdadeiramente livre, mas a criatura preferiu atender à sua condição de inferioridade e organizou o cativeiro.

O discípulo necessita examinar atentamente o campo em que desenvolve a própria tarefa.

A quem obedeces? Acaso, atendes, em primeiro lugar, às vaidades humanas ou às opiniões alheias, antes de observares o conselho do Mestre Divino?

É justo refletir sempre, quanto a isso, porque somente quando atendemos, em tudo, aos ensinamentos vivos de Jesus, é que podemos quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna.
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EMMANUEL
CHICO XAVIER 



MENSAGEM DO ESE:
A beneficência (VI)

A mulher rica, venturosa, que não precisa empregar o tempo nos trabalhos de sua casa, não poderá consagrar algumas horas a trabalhos úteis aos seus semelhantes? Compre, com o que lhe sobre dos prazeres, agasalhos para o desgraçado que tirita de frio; confeccione, com suas mãos delicadas, roupas grosseiras, mas quentes; auxilie uma mãe a cobrir o filho que vai nascer. Se por isso seu filho ficar com algumas rendas de menos, o do pobre terá mais com que se aqueça. Trabalhar para os pobres é trabalhar na vinha do Senhor. 

E tu, pobre operária, que não tens supérfluo, mas que, cheia de amor aos teus irmãos, também queres dar do pouco com que contas, dá algumas horas do teu dia, do teu tempo, único tesouro que possuis; faze alguns desses trabalhos elegantes que tentam os felizes; vende o produto dos teus serões e poderás igualmente oferecer aos teus irmãos a tua parte de auxílios. Terás, talvez, algumas fitas de menos; darás, porém, calçado a um que anda descalço.

E vós, mulheres que vos votastes a Deus, trabalhai também na sua obra; mas, que os vossos trabalhos não sejam unicamente para adornar as vossas capelas, para chamar a atenção sobre a vossa habilidade e paciência. Trabalhai, minhas filhas, e que o produto de vossas obras se destine a socorrer os vossos irmãos em Deus. Os pobres são seus filhos bem-amados; trabalhar para eles é glorificá-lo. Sede-lhes a providência que diz: “Aos pássaros do céu dá Deus o alimento.” Mudem-se o ouro e a prata que se tecem nas vossas mãos em roupas e alimentos para os que não os têm. Fazei isto e abençoado será o vosso trabalho. 

Todos vós, que podeis produzir, dai; dai o vosso gênio, dai as vossas inspirações, dai o vosso coração, que Deus vos abençoará. Poetas, literatos, que só pela gente mundana sois lidos!... satisfazei-lhe aos lazeres, mas consagrai o produto de algumas de vossas obras a socorros aos desgraçados. Pintores, escultores, artistas de todos os gêneros!... venha também a vossa inteligência em auxílio dos vossos irmãos; não será por isso menor a vossa glória e alguns sofrimentos haverá de menos. 

Todos vós podeis dar. Qualquer que seja a classe a que pertençais, de alguma coisa dispondes que podeis dividir. Seja o que for que Deus vos haja outorgado, uma parte do que ele vos deu deveis àquele que carece do necessário, porquanto, em seu lugar, muito gostaríeis que outro dividisse convosco. Os vossos tesouros da Terra serão um pouco menores; contudo, os vossos tesouros do céu ficarão acrescidos. Lá colhereis pelo cêntuplo o que houverdes semeado em benefícios neste mundo. – João. (Bordéus, 1861.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 16.)