terça-feira, 16 de maio de 2023

Teu recanto TEMA — Influência individual


 Quando se te fale de paz e felicidade no mundo, reporta-te ao serviço que a vida te confiou.

 Efetivamente, não podes acionar alavancas que determinem tranquilidade e ordem para milhões de pessoas; no entanto, é justo assegures a harmonia de teu recanto. Seja ele uma casa de vastas dimensões, um pequeno apartamento ou apenas um ângulo de quarto estreito, esse é o teu mundo pessoal que povoas mecanicamente com as tuas forças mentais consubstanciadas naquilo que sentes e sonhas.  É razoável coloques nele o que possuas de melhor. A limpeza digna e os pensamentos nobres, os planos de ventura e os anseios de progresso. Aí conviverás com as meditações e as páginas que te levantem o espírito aos Planos mais elevados e pronunciarás as palavras escolhidas do coração para ajudar e abençoar.

Nessa faixa de espaço, recolherás as impressões menos felizes dos outros em torno da vida, de modo a reformulá-las sensatamente com o verbo otimista e edificante de que dispões, aperfeiçoando e abrilhantando as ideias e opiniões que te procurem a convivência.

 Embalsamarás esse lugar pequenino com as vibrações de tuas preces, nelas envolvendo os amigos e adversários, endereçando a cada um deles a tua mensagem de entendimento e concórdia, daí saindo, de sol a sol, a fim de espalhares o melhor de ti mesmo, a benefício dos semelhantes, a começar do reto cumprimento das tuas obrigações.

Toda vez que venhas a escutar comentários alarmantes, acerca das convulsões da Terra ou dos problemas cruciantes da Humanidade, reporta-te ao teu recanto e recomeça nele, cada dia, o serviço do bem.

Todos possuímos situação particular, perante a Providência Divina, tanto quanto possuímos exato lugar à frente do sol.

 Considera a importância da tarefa em tuas mãos para o engrandecimento da vida.  Tudo o que existe de grande e belo, bom e útil, vem originariamente do Criador por intermédio de alguma criatura, em alguma parte.

 Examina o que sentes, pensas e fazes, no lugar em que vives.

Teu recanto — tua presença.

Onde estiveres, estás produzindo algo, diante do próximo e diante de Deus.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Encontro marcado
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16 de maio

Que as palavras que saem de sua boca e as meditações que saem do seu coração sejam sempre aceitáveis para Mim.

É melhor ficar quieto e não dizer nada do que permitir que palavras impensadas sejam ditas, palavras das quais você possa se arrepender depois.

Falar demais pode causar dor e sofrimento, aprenda a controlar sua língua e conte até dez antes de falar.

Palavras impensadas podem ferir num segundo, mas leva muito tempo para uma mágoa cicatrizar.

Quando você aprender a fazer tudo por Mim e pela Minha honra e glória, você não cometerá erros.

Se você observar pacientemente, encontrará em cada alma a faísca divina; você a abanará até que ela vire uma chama, nunca tentando apagá-la com sua crítica, intolerância ou falta de compreensão.

Você entenderá que para Mim todas as almas são iguais.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Parábola do semeador

Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar; — em torno dele logo reuniu-se grande multidão de gente; pelo que entrou numa barca, onde sentou-se, permanecendo na margem todo o povo. — Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim:

Aquele que semeia saiu a semear; — e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram. — Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. — Mas, levantando-se, o sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram. — Outra parte caiu entre espinheiros e estes, crescendo, as abafaram. Outra, finalmente, caiu em terra boa e produziu frutos, dando algumas sementes cem por um, outras sessenta e outras trinta. — Ouça quem tem ouvidos de ouvir. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 1 a 9.)

Escutai, pois, vós outros a parábola do semeador. — Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração. Esse é o que recebeu a semente ao longo do caminho. — Aquele que recebe a semente em meio das pedras é o que escuta a palavra e que a recebe com alegria no primeiro momento. — Mas, não tendo nele raízes, dura apenas algum tempo. Em sobrevindo reveses e perseguições por causa da palavra, tira ele daí motivo de escândalo e de queda. — Aquele que recebe a semente entre espinheiros é o que ouve a palavra; mas, em quem, logo, os cuidados deste século e a ilusão das riquezas abafam aquela palavra e a tornam infrutífera. — Aquele, porém, que recebe a semente em boa terra é o que escuta a palavra, que lhe presta atenção e em quem ela produz frutos, dando cem ou sessenta, ou trinta por um. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 18 a 23.)

A parábola do semeador exprime perfeitamente os matizes existentes na maneira de serem utilizados os ensinos do Evangelho. Quantas pessoas há, com efeito, para as quais não passa ele de letra morta e que, como a semente caída sobre pedregulhos, nenhum fruto dá!

Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas. Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma conseqüência tiram deles, porque neles mais não vêem do que fatos curiosos? Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram? Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios? Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos?

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, itens 5 e 6.)
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Aguarda o Tempo


Aconteceu talvez o que não esperavas.

O lado contra te ironiza.

O sentimento ferido te aborrece.

Entretanto, reflete nas bênçãos que a Divina Providência já te concedeu e procura sorrir.

Não te indisponha com ninguém.

Continua trabalhando e servindo em paz.

Aguarda o tempo, na certeza de que pelas circunstâncias da vida, nas páginas do tempo, é que se manifesta, mais claramente a voz de Deus.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Livro de respostas
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Entender os outros


O autoconhecimento dá à criatura sabedoria suficiente para que saiba julgar a si própria - pré-requisito para poder entender os outros. Por isso, Kardec, o sistematizador dos ensinos espíritas, assevera: "Há infelizmente muita gente que toma a sua própria opinião por medida exclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso. Tudo o que contradiz a sua maneira de ver, as suas ideias, o sistema que inventaram ou adotaram é mau aos seus olhos."

Existem pessoas que fecham por completo a mente à realidade. Outras, bloqueiam parte dela, reduzindo-a ao tamanho que julgam poder controlar.

O autoconhecimento é gradativo e deve ser exercitado ao longo de toda a nossa existência. Muitas vezes, se torna um processo doloroso. Outras, é uma estrada repleta de paz e alegria. Mas, de qualquer forma, ele é indispensável para que se efetive a evolução espiritual.

(...)

Não podemos esconder nem desconsiderar nosso mundo íntimo, tentando fugir da realidade. Antes de tudo, devemos aprender a julgar a nós mesmos, avaliando e percebendo com lucidez a vida fora e dentro de nós. Em verdade, o autoconhecimento e o autojulgamento andam de mãos dadas. Um está conectado com o outro. Não podemos tocar numa unidade interior sem afetarmos o conjunto psicológico. Quando valorizamos em demasia o mundo exterior, não ouvimos nosso mundo interior.

(...)

Se desejamos julgar com exatidão e justeza, emancipemos a alma dos grilhões escuros do "ego", começando assim a adquirir a ciência do autoconhecimento, a fim de apreciar o mérito, determinar o valor e estimar a importância de tudo aquilo que nos chega às mãos.

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Livro: A Imensidão dos Sentidos
Francisco do Espírito Santo Neto, pelo Espírito Hammed
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Antevidência Divina


Observe as lições silenciosas que o seu próprio corpo lhe administra, revelando a Antevidência Divina.

Não siga desacautelado.

Seus pés não se apoiam à terra à feição de simples esteios com vontade própria…

Respeite as faculdades genéticas.

Não é por acaso que os órgãos sexuais apenas funcionam sob a sanção do pensamento…

Coma moderadamente.

Seu estômago não é um só devido à falta de espaço no ventre…

Eduque as manifestações emotivas.

Não é à-toa que o motor de seu coração vive durante a existência inteira vibrando oculto na caixa do peito…

Trabalhe sempre.

Suas mãos não se encontram desfrutando ampla liberdade de ação, na ponta dos braços, por meros enfeites…

Fale com parcimônia.

Sua língua não vive enclausurada no cárcere da boca por ser feia…

Escute atenciosamente.

Seus ouvidos não existem quais janelas incapazes de vedamento por descuido do Construtor Celeste…

Veja mais além.

Seus olhos não estão elevados sobre a face somente por olharem para baixo…

Discirna tudo.

Sua mente não trabalha como torre de comando de todo o corpo tão só para coroar-lhe a estética…

Atenda à consciência.

Se ela não surge visível em seu organismo é para não ter a voz selável…

Lembre-se, o seu corpo assinala a Excelsa Sabedoria e o Amor Ilimitado d’Aquele que é a Inteligência Suprema e a Causa Incriada de Tudo.

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André Luiz
(Psicografia de Waldo Vieira)
Obra: Ideal espírita
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segunda-feira, 15 de maio de 2023

Sabedoria feminina


Na grande capital, mãe e filho sempre oravam juntos à noite.

 Ele era um pai viúvo, com a filha de dezoito primaveras com quem vivia em rixas constantes.

Fosse por excursões, vestidos na moda, visitas ou festas, surgiam as reclamações e críticas paternas.

A jovem não deixava por menos e vinham as discussões amargas. Enquanto o pai se irritava por bagatelas, a avó estava sempre compreensiva e serena.

 Certa feita, o pai exasperado, no momento da prece, indagou da genitora:

— Mãe, como pode você permanecer tranquila, ante os desmandos de sua neta?

 A senhora respondeu sem se perturbar:

— Filho, em minhas orações diárias, entrego nossa menina a Deus.

— E Deus a escuta? volveu o filho mal-humorado.

— Creio que sim.

— Mãe, por que você se mostra assim tão convencida?

 A senhora explicou-se com simplicidade:

— Meu filho, sei que Deus me ouve por três motivos: ele é um Pai que nunca se desespera, como acontece com você; possui, só em nossa cidade, milhares de filhas semelhantes à minha neta naturalmente protegendo a todas; e, por fim, não me consta que Deus, algum dia, haja mostrado a pressa que você tem.

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Joia
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15 de maio

Tenha fé em si mesmo e na sua capacidade de fazer as coisas com a Minha ajuda.

Então tudo que você se propuser a fazer será feito com perfeição e alegria.

A vida é para ser aproveitada e não deve ser carregada como um fardo pesado que faz você se encurvar e arrastar os pés.

Você pode ter grandes responsabilidades, mas não é preciso se curvar sob seu peso.

Quando sua atitude em relação a elas é positiva, você as cumpre com alegria e com a certeza que pode levá-las a cabo sozinho.

Porque EU ESTOU aqui e você pode compartilhar tudo coMigo.

Você nunca está só.

Quanto mais cedo você entender e aceitar isso, mais cedo sua atitude mudará em relação às suas obrigações e mais cedo você será capaz de se ajustar a cada situação e se divertir com ela.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

Da prece pelos mortos e pelos Espíritos sofredores (II)

Há nesse modo de raciocinar – de que Deus não pode mudar suas decisões a pedido das criaturas – uma aplicação falsa do princípio da imutabilidade da lei divina, ou melhor, ignorância da lei, no que concerne à penalidade futura. Essa lei revelam-na hoje os Espíritos do Senhor, quando o homem se tornou suficientemente maduro para compreender o que, na fé, é conforme ou contrário aos atributos divinos.

Segundo o dogma da eternidade
absoluta das penas, não se levam em conta ao culpado os remorsos, nem o arrependimento. É-lhe inútil todo desejo de melhorar-se: está condenado a conservar-se perpetuamente no mal.

Se a sua condenação foi por determinado tempo, a pena cessará, uma vez expirado esse tempo. Mas, quem poderá afirmar que ele então possua melhores sentimentos? Quem poderá dizer que, a exemplo de muitos condenados da Terra, ao sair da prisão, ele não seja tão mau quanto antes? No primeiro caso, seria manter na dor do castigo um homem que volveu ao bem; no segundo, seria agraciar a um que continua culpado. A lei de Deus é mais previdente. Sempre justa, eqüitativa e misericordiosa, não estabelece para a pena, qualquer que esta seja, duração alguma. Ela se resume assim:

“O homem sofre sempre a conseqüência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição.

“A severidade do castigo é proporcionada à gravidade da falta.
“Indeterminada é a duração do castigo, para qualquer falta; fica subordinada ao arrependimento do culpado e ao seu retorno a senda do bem; a pena dura tanto quanto a obstinação no mal; seria perpétua, se perpétua fosse a obstinação; dura pouco, se pronto é o arrependimento.

“Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito.

“O homem é, assim, constantemente, o árbitro de sua própria sorte; pertence-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício; a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem.”

Tal a lei, lei imutável e em conformidade com a bondade e a justiça de Deus.

Assim, o Espírito culpado e infeliz pode sempre salvar-se a si mesmo: a lei de Deus estabelece a condição em que se lhe torna possível fazê-lo. O que as mais das vezes lhe falta é a vontade, a força, a coragem. Se, por nossas preces, lhe inspiramos essa vontade, se o amparamos e animamos; se, pelos nossos conselhos, lhe damos as luzes de que carece, em lugar de pedirmos a Deus que derrogue a sua lei, tornamo-nos instrumentos da execução de outra lei, também sua, a de amor e de caridade, execução em que, desse modo, ele nos permite participar, dando nós mesmos, com isso, uma prova de caridade.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, itens 20 e 21.)
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VOCÊ MESMO


Lembre-se de que você mesmo é:

O melhor secretário de sua tarefa.

O mais eficiente propagandista de seus ideais.

A mais clara demonstração de seus princípios.

O mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros.

Não se esqueça, igualmente, de que:

O maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa.

A nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar.

O arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo.

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André Luiz
Chico Xavier
Obra: Agenda cristã
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Céu com céu


“Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem roubam.” – Jesus. (Mateus, 6:20.)

Em todas as fileiras cristãs se misturam ambiciosos de recompensa que presumem encontrar, nessa declaração de Jesus, positivo recurso de vingança contra todos aqueles que, pelo trabalho e pelo devotamento, receberam maiores possibilidades na Terra.

O que lhes parece confiança em Deus é ódio disfarçado aos semelhantes.

Por não poderem açambarcar os recursos financeiros à frente dos olhos, lançam pensamentos de critica e rebeldia, aguardando o paraíso para a desforra desejada.

Contudo, não será por entregar o corpo ao laboratório da natureza que a personalidade humana encontrará, automaticamente, os planos da Beleza Resplandecente.

Certo, brilham santuários imperecíveis nas esferas sublimadas, mas é imperioso considerar que, nas regiões imediatas à atividade humana, ainda encontramos imensa cópia de traças e ladrões, nas linhas evolutivas que se estendem além do sepulcro.

Quando o Mestre nos recomendou ajuntássemos tesouros no céu, aconselhava-nos a dilatar os valores do bem, na paz do coração. O homem que adquire fé e conhecimento, virtude e iluminação, nos recessos divinos da consciência, possui o roteiro celeste.

Quem aplica os princípios redentores que abraça, acaba conquistando essa carta preciosa; e quem trabalha diariamente na prática do bem, vive amontoando riquezas nos Cimos da Vida.

Ninguém se engane, nesse sentido.

Além da Terra, fulgem bênçãos do Senhor nos Páramos Celestiais, entretanto, é necessário possuir luz para percebê-las.

É da Lei que o Divino se identifique com o que seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração.

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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)
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Basta lembrar


Se estás na fé cristã e esperas tão-somente:

caminhos sem problemas,

paz sem obrigações,

dias de céu sempre azul,

vantagens sem trabalho,

conquistas sem suor,

direitos sem deveres,

apoio sem serviço e vida sem provações,

lembra-te de Jesus.

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EMMANUEL
Chico Xavier
Obra: “Material de Construção”
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domingo, 14 de maio de 2023

Mãe



Um dia, a Mulher solitária e atormentada chegou ao Céu e, rogando-se, em lágrimas, diante do Eterno Pai, suplicou:

- Senhor, estou só! Compadece-te de mim.

Meu companheiro fatigado, cada dia, pede-me repouso e devo velar-lhe o sono!

Quando triunfa no trabalho, absorve-se na atividade mais intensa e, muita vez distraído,
afasta-se do Lar, onde volta somente quando exausto, a fim de refazer-se.
Se sofre, vem a mim, abatido buscando restauração e conforto...

Tu, que deste flores ao arvoredo e que abriste as carícias da fonte, no seio escuro e ressequido do solo, consagras-me, assim, ao isolamento?
Reservaste a Terra inteira ao serviço do homem que se agita, livre e dominador, sobre montes e vales, e concedes a mim apenas o estreito recinto da casa, entre quatro paredes, para meditar e
afligir-me sem consolo?
Se sou a companhia do homem, que se vale de mim para lutar e viver, quem me acompanhará na missão a que me destinas?

O Senhor sorriu, complacente, em seu trono de estrelas fulgurantes e, afagando-lhe a cabeça curvada e trêmula, falou compadecido:

-" Dei o Mundo ao homem, mas confiarei a Vida ao teu coração".

Em seguida colocou-lhe nos braços uma frágil criança.

Desde então, a Mulher fez-se Mãe e passou a viver plenamente feliz.

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Meimei
Chico Xavier 
Obra: Luz no lar
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14 de maio

Procurando com afinco você certamente encontrará o que procura, a unidade coMigo, a Fonte de toda a vida.

Mas você tem que procurar com calma.

Essa unidade não vai acontecer de graça, sem que você deseje Me conhecer; será preciso conhecer a verdade e entender o que ela realmente significa para você.

A profunda experiência espiritual de sabedoria interna só é revelada para as almas desejosas do saber; portanto, não fique brincando com suas experiências espirituais.

Depende de você levá-las a sério e interiorizá-las.

A vida é completamente vazia e fútil até que você comece a vivê-la plenamente, testando para verificar se esta vida espiritual é possível e vantajosa de ser vivida.

Comece agora.

Nada de espiritualidade preguiçosa; que seja uma espiritualidade viva, vibrante e visível para todos.

Deixe que Eu veja você começar a viver agora.

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Abrindo Portas Interiores
Eileen Caddy
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MENSAGEM DO ESE:

A beneficência (II)

Sede bons e caridosos: essa a chave dos céus, chave que tendes em vossas mãos. Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: “Amai-vos uns aos outros.” Não pode a alma elevar-se às altas regiões espirituais, senão pelo devotamento ao próximo; somente nos arroubos da caridade encontra ela ventura e consolação. Sede bons, amparai os vossos irmãos, deixai de lado a horrenda chaga do egoísmo. Cumprido esse dever, abrir-se-vos-á o caminho da felicidade eterna. Ao demais, qual dentre vós ainda não sentiu o coração pulsar de júbilo, de íntima alegria, à narrativa de um ato de bela dedicação, de uma obra verdadeiramente caridosa? Se unicamente buscásseis a volúpia que uma ação boa proporciona, conservar-vos-íeis sempre na senda do progresso espiritual. Não vos faltam os exemplos; rara é apenas a boa-vontade. Notai que a vossa história guarda piedosa lembrança de uma multidão de homens de bem.

Não vos disse Jesus tudo o que concerne às virtudes da caridade e do amor? Por que desprezar os seus ensinamentos divinos? Por que fechar o ouvido às suas divinas palavras, o coração a todos os seus bondosos preceitos? Quisera eu que dispensassem mais interesse, mais fé às leituras evangélicas. Desprezam, porém, esse livro, consideram-no repositório de palavras ocas, uma carta fechada; deixam no esquecimento esse código admirável. Vossos males provêm todos do abandono voluntário a que votais esse resumo das leis divinas. Lede-lhe as páginas cintilantes do devotamento de Jesus, e meditai-as.

Homens fortes, armai-vos; homens fracos, fazei da vossa brandura, da vossa fé, as vossas armas. Sede mais persuasivos, mais constantes na propagação da vossa nova doutrina. Apenas encorajamento é o que vos vimos dar; apenas para vos estimularmos o zelo e as virtudes é que Deus permite nos manifestemos a vós outros. Mas, se cada um o quisesse, bastaria a sua própria vontade e a ajuda de Deus; as manifestações espíritas unicamente se produzem para os de olhos fechados e corações indóceis.

A caridade é a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras. Sem a caridade não há esperar melhor sorte, não há interesse moral que nos guie; sem a caridade não há fé, pois a fé não é mais do que pura luminosidade que torna brilhante uma alma caridosa.

A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a mais pura emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e expulsar esse sentimento todo divino? Qual o filho bastante mau para se rebelar contra essa doce carícia: a caridade?

Não ouso falar do que fiz, porque também os Espíritos têm o pudor de suas obras; considero, porém, a que iniciei como uma das que mais hão de contribuir para o alívio dos vossos semelhantes. Vejo com freqüência os Espíritos a pedirem lhes seja dado, por missão, continuar a minha tarefa. Vejo-os, minhas bondosas e queridas irmãs, no piedoso e divino ministério; vejo-os praticando a virtude que vos recomendo, com todo o júbilo que deriva de uma existência de dedicação e sacrifícios. Imensa dita é a minha, por ver quanto lhes honra o caráter, quão estimada e protegida é a missão que desempenham. Homens de bem, de boa e firme vontade, uni-vos para continuar amplamente a obra de propagação da caridade; no exercício mesmo dessa virtude, encontrareis a vossa recompensa; não há alegria espiritual que ela não proporcione já na vida presente. Sede unidos, amai-vos uns aos outros, segundo os preceitos do Cristo. Assim seja.

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— S. Vicente de Paulo. (Paris, 1858.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 12.)
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Quando Começa uma Vida?


...Desde o exato momento da fecundação

Primeira Semana (07 dias)

Fecundado o óvulo, já nasce para a vida, um homem novo. Único, é irrepetível.

Segunda Semana (14 dias)

Este novo ser já tem todas as características próprias da sua personalidade, só faltando desenvolvê-las. Uma vida começa a receber alimento da mãe.

Entre 3ª e 4ª Semana (14 a 28 dias)

Começam a ter forma: os olhos, a coluna vertebral, o cérebro, os pulmões, o estômago, o fígado e os rins. O coração começa a funcionar.

Quarta Semana (28 dias)

Estão se formando: a cabeça, os braços e as pernas. A coluna vertebral está completa. O coração já está trabalhando!

Quinta Semana (35 dias)

O tórax vai se separando do abdômen. Os olhos já têm retina e cristalino. Os ouvidos começam a formar-se. Aparecem os dedos das mãos e dos pés.

Entre a 6ª e a 8ª Semana (42 a 56 dias)

Todos os órgãos estão completos. A cabeça está desenvolvida e formados o rosto, a boca e a língua. O cérebro está completo. O bebê pode sentir cócegas!

Oitava Semana (56 dias)

Os dedos dos pés e das mãos já estão completos e têm as impressões digitais... as mesmas que figurarão em seus documentos! Os impulsos do cérebro são registrados. Agora, pode agarrar com a mão.

Entre a 11ª e a 12ª Semana (77 a 84 dias)

Todos os sistemas funcionam. Músculos e nervos se sincronizam. Os braços e as pernas se movem. Começam a aparecer as unhas. Já pesa 29 gramas. Tem, somente, três meses e, já, está formado. Sente a dor. Tem apego à vida... Só, lhe falta crescer!

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Luiz Sérgio 
(Do livro “Deixem-me Viver)
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TROVAS DE MÃE

Autora:
Delfine Benigna da Cunha
Chico Xavier
Obra: Luz no Lar




 


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CONFISSÃO MATERNA


Sou trazida a narrar-vos triste episódio de minha derradeira experiência no mundo.

Onde, porém, as palavras que me possam exprimir a desolação?

Ainda assim, amigos espirituais asseveram que devo falar às mães, e obedeço...

A Providência Divina honrou-me o coração, concedendo-me um Lar na Terra, mas, dentro
dele, era eu a irritação em movimento.

Nunca cheguei a examinar minha cegueira de espírito. Em minha inquietação e egoísmo,
dedicava-me a descobrir as faltas alheias. Respirando, entre a maledicência e a desconfiança, notava golpes nos mínimos gestos de amizade espontânea.

O próprio tempo não escapava. Toda temperatura, no curso de cada dia, me encontrava
despejando condenação:

– A chuva ensopa...
– O calor asfixia...
– Vento de peste...
– Melhor que o frio nos mate a todos...

Qualquer bagatela me arrancava blasfêmias:

– Deus não me atende!...
– Não oro mais...
– Porque não morri, na hora do nascimento?
– De todas as mulheres, sou a mais infeliz...

Alimentando a ira por vício, estimava que os outros me acreditassem enferma, sem perceber que me transformava, a pouco e pouco, em fera humana, sob a jaula da pele.

Se meu esposo, leal e amigo, surgia calmo, esbravejava contra ele, acusando-o de inerte; se ponderava quanto a despesas desnecessárias, chamava-lhe, de imediato, unha-de-fome; se me estendia alguma dádiva menos cara, interpretava-lhe a gentileza por sovinice; se me ofertava uma lembrança de preço, queixava-me da mesma forma, gritando-lhe em rosto que ele nunca passara de um mané gastador...

Foi nessa disposição insensata que me ergui, excitada, no dia terrível da provação.

Ás sete da manhã, acordei meu filhinho de oito anos para as lides da escola e escutei-o a choramingar :

– Estou doente, mãezinha, hoje quero ficar com a senhora, não posso sair, tenho dor de cabeça...

Precipitada, frenética, não me contive e bradei:

– Preguiçoso! Trate de levantar-se! Doente com essa cara! Era só o que faltava... Chega o que sofro!...

– Mãezinha, deixe que eu fique! Hoje só...

– Levante-se, levante-se, menino!

Transtornada, sentei-o à força.
Ordenei-lhe que se calçasse, ao que se opor, pedindo, suplicante:

– Mamãe, não me deixe ir!... Hoje só...

Encolerizada, tornei de um dos seus sapatos, colocando-o no pé, com a violência de quem espanca, e ouvi-o clamar em altos gemidos

– Ai! ai, mãezinha!... um espinho, um espinho.

Sujeitei-o, com mais energia, ao calçado, alegando, arbitrária :

– Malandro, não me venha com mentiras! Escola ou surra!...

Nisso, porém, meu filhinho empalideceu e desmaiou... Retirei o sapato e vi que um escorpião, escondido no fundo, lhe descarregara todo o veneno...

Ó Deus de Infinita Bondade, tu que foste imensamente piedoso para confiar um anjo a uma leoa, porque não eliminaste a leoa para que o anjo conseguisse viver?!...

O que se passou, alcança o indescritível.
Apesar de toda a medicação, em breve tempo minha ternura, que a dor desentranhara ao rebentar-me a coração de pedra, apertava simplesmente um cadáver miúdo, de encontro ao peito...

As horas no relógio continuaram as mesmas; entretanto, de minha parte, não mais me reconheci.

“Ai! ai, mãezinha!... um espinho, um espinho!...”
Aquelas palavras gemidas cresceram em minha alma. Jamais o equilíbrio, não mais a esperança. Minha cabeça encaneceu, meu pensamento destrambelhou... Chorei até que meus olhos parassem, alucinados, na noite da loucura; acusei-me, até que o manicômio me asilasse e até que o manicômio me escondesse, piedoso, o agoniado transe da morte!...

Desencarnada, encontrei a mim própria, dementada, atormentada, arrependida, padecente...
Amparada por benditos mensageiros da caridade, tenho recolhido o consolo de vários círculos consagrados à prece.

Dizem que os supostos mortos devem falar às criaturas em aprendizado na Terra, para que as criaturas da Terra lhes aproveitem o aprendizado.

Será talvez por isso que, hoje, algo reanimada para abraçar o trabalho reeducativo que me espera, estou sustentada por benfeitores, entre os vossos ouvidos, não somente para rogar-vos um pensamento de auxilio, mas também para repetir às irmãs, a quem Deus confiou as alegrias do Lar:

– Mães que pisais no mundo, compadecei-vos de vossos filhos!... Corrigi, amando! Ensinai, servindo! À frente de qualquer dificuldade, conservai a paciência e cultivai a oração!...

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Dulce
Chico Xavier 
Obra: Luz no lar
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PRECE A MÃE SANTÍSSIMA

Mãe Santíssima!...

Enquanto as mães do mundo são reverenciadas, deixa te recordemos a pureza incomparável e o exemplo sublime...

Soberana, que recebeste na palha singela o Redentor da Humanidade, sem te rebelares contra as mães felizes, que afagavam espíritos criminosos em palácios de ouro, ensina-nos a entesourar as bênçãos da humanidade.

Lâmpada de ternura, que apagaste o próprio brilho para que a luz do Cristo fulgurasse entre os homens, ajuda-nos a buscar na construção do bem para os outros o apoio de nossa própria felicidade.

Benfeitora, que te desvelaste, incessantemente, pelo Mensageiro da Eterna Sabedoria, sofrendo-lhe as dores e compartilhando-lhe as dificuldades, sem qualquer pretensão de furta-lo aos propósitos de Deus, auxilia-nos a extirpar do sentimento as raízes do egoísmo e da crueldade com que tantas vezes tentamos reter na inconformação e no desespero os corações que mais amamos.

Senhora, que viste na cruz da morte o Filho Divino, acompanhando-lhe a agonia com as lágrimas silenciosas de tua dor, sem qualquer sinal de reclamação contra os poderes do Céu e sem qualquer expressão de revolta contra as criaturas da terra, conduze-nos para a fé que redime e para a renúncia que eleva.

Missionária, salva-nos do erro.

Anjo, estende sobre nós a níveas asas!...

Estrela, clareia-nos a estrada com teu lume...

Mãe querida, agasalha-nos a existência em teu manto constelado de amor!...

E que todas nós, mulheres desencarnadas e encarnadas em serviço na terra, possamos repetir, diante de Deus, cada dia, a tua oração de suprema felicidade:

“- Senhor, eis aqui tua serva, cumpra-se em mim segundo a tua palavra”.

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Anália Franco
Chico Xavier
Livro: Vozes do Grande Além
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Retrato de Mãe


Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;
e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo;
que, sendo moça pensa como uma anciã e, sendo velha , age com as forças todas da juventude;
quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças;
pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e,
rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos;
forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões;
viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome desta mulher se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página:

eles lhes cobrirão de beijos a fronte;
e dirão que um pobre viandante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria Mãe.

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(Tradução de Guilherme de Almeida)
Autor: Don Ramon Angel Jara - Bispo de La Serena -Chile
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ORAÇÃO DAS MÃES


Senhor!

Abriste-me o próprio seio e confiaste-me os filhos do Teu amor.

Não me deixes sozinha na estrada a percorrer.

Nas horas de alegria, dá-me temperança.

Nos dias de sofrimento, se minha força.

Ajuda-me a governar o coração para que meu sentimento não mutile as asas dos anjos tenros que me deste e adoça-me o raciocínio para que a minha devoção afetiva não converta em severidade arrasadora.

Defende-me contra o egoísmo para que a minha ternura não transforme em prisão daqueles que asilaste em meus braços.

Ensina-me a corrigir amando, para que eu não possa trair o mandato de abnegação que depuseste em meu espírito.

Nos minutos difíceis, inclina-me à renúncia com que devo iluminar o trilho daqueles que me cercam.

Senhor auxilia-me a tudo dar sem nada receber.

Mostra-me os horizontes eternos de Tua Graça, para que os desejos da carne não me encarcerem nas sombras.

Pai, sou também Tua filha!

Guia-me nos caminhos escuros, a fim de que saiba conduzir ao infinito Bem os promissores rebentos de Tua Glória.

Senhor, não me desampares!

Quando a Tua Sabedoria exigir o depósito de bênçãos com que me adornaste a estrada por empréstimo sublime, dá-me o necessário desapego para que eu Te restitua as joias vivas do meu coração, com serenidade e alegria, e quando a vida me impuser em Teu nome, o desprendimento e a solidão, reaquece minh'alma ao calor do Teu Caminho Celeste para que eu venere a Tua vontade para sempre.
Assim seja.

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MEIMEI
Chico Xavier 
Obra: À luz da oração 
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As profissões da minha mãe


Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.

Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.

Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.

Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.

Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.

Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.

Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.

Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as idéias desencontradas de minha cabecinha infantil.

Ela me fazia dizer em voz alta as minhas idéias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.

Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.

Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.

Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.

Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.

E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.

Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.

Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.

O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.

Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.

Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.

Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos
recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.

Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.

Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.

Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.

Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.

Como ela conseguia, eu não sei.

Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.

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Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 12, ed. Fep. Em 08.05.2009.
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