sexta-feira, 13 de julho de 2018

DESEJA A CURA?



Se você está em busca da cura de alguma enfermidade, não esqueça que doenças não são apenas conseqüências do ataque de vírus e bactérias, de alguma deficiência genética em sua constituição ou então dos efeitos da poluição atmosférica. No mais das vezes, as enfermidades são indicações de conflitos não resolvidos da alma.

Você não é um corpo. Você é um espírito que veste um corpo. Quando o espírito adoece, o corpo sente o efeito. Trate, sim, dos efeitos de qualquer doença, porém jamais se julgue exonerado de curar a alma adoecida. Tudo o que está em sua mente e em seu coração tem o poder de impregnar cada célula do corpo.

Se você está feliz, as células também estão felizes.

Se você está melancólico, as células também se tornam apáticas. Se você está freqüentemente irritado, as células também se irritam. É por isso, afirmam os médicos espirituais, que toda cura é uma autocura.

Tenha tempo para escutar o templo do seu espírito.

Pare para ouvi-lo, pois assim estará no caminho da cura real; a que não apenas elimina sintomas, mas a que vai à origem da dor. Será justo ponderar, então:

• que a gastrite pode simbolizar nossa postura de "engolir" emoções básicas como medo, raiva e aversão a demonstrar que estamos com dificuldades em digerir determinada situação que atravessamos;

• que a diabetes pode significar falta de doçura, afeto e ternura, condições que tornam a vida agradável;

• que problemas cardíacos podem estar relacionados ao endurecimento do nosso coração;

• que distúrbios hepáticos podem derivar de raiva e explosões de ódio;

• que a artrite pode ter como causa a nossa rigidez mental e o excesso de crítica;

• que a urticária pode ter como raiz a nossa implicância sistemática com o próximo;

• que o câncer pode ter como gênese ressentimentos profundos devorando-nos interiormente.

Diante desses indicativos, será justo reconhecer que perdão, aceitação, alegria e amor são remédios essenciais a qualquer tentativa de prevenção de doenças ou de restabelecimento da saúde.

Se estivéssemos muito doentes, à beira da morte, e houvesse um médico que fosse capaz de nos curar, por certo não nos importaríamos em pagar qualquer soma em dinheiro para consultá-lo, por mais elevada fosse a quantia. Então, por que tanta resistência de nossa parte em utilizar os remédios prescritos por Jesus de Nazaré, à disposição na farmácia do nosso coração, e sem nenhum custo?

Quando enfermos, freqüentemente dirigimos constantes súplicas aos planos celestiais em favor da nossa cura. Esquecemos, porém, que no Evangelho já temos a receita:

"O amor cobre a multidão de pecados" (1 Pedro, 4:8); Doença é um estado de divisão interior; o amor promove a coesão. O egoísmo é a morte; o amor gera a vida.

Sem que tudo isso signifique desconsideração pela medicina terrena, pense que a verdadeira cura está muito além de um simples comprimido. O remédio pode nos curar por fora, todavia só o amor nos cura por dentro.
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JOSÉ CARLOS DE LUCCA




MENSAGEM DO ESE: 
A verdadeira propriedade

O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir. 

Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres. — Pascal. (Genebra, 1860.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 9.)



quinta-feira, 12 de julho de 2018

COMO DEUS NOS EDUCA


Existe, mas não espera que acreditemos em Sua Existência.

Ama-nos, mas não nos concede privilégios.

Escuta-nos as petições, mas não nos atende aos caprichos.

Orienta-nos, mas respeita o nosso livre-arbítrio nas decisões.

Auxilia-nos, mas não nos substitui no esforço a ser feito.

Aponta-nos o caminho, mas não impede que dele nos desviemos.

Quer a nossa alegria, mas não nos evita a tristeza.

Dá-nos a semente, mas nos faz responsáveis pela semeadura.

Ampara-nos, mas, se assim desejamos, não nos impede de cair.

Quer-nos hoje, mas nos aguardará pelo tempo que for preciso.

Sempre fará por nós a parte que Lhe compete, mas não a parte que a nós compete fazer.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Amai-vos uns aos outros")


 
MENSAGEM DO ESE: 
A beneficência (V)

Meus caros amigos, todos os dias ouço entre vós dizerem: “Sou pobre, não posso fazer a caridade”, e todos os dias vejo que faltais com a indulgência aos vossos semelhantes. Nada lhes perdoais e vos arvorais em juizes muitas vezes severos, sem quererdes saber se ficaríeis satisfeitos que do mesmo modo procedessem convosco. Não é também caridade a indulgência? Vós, que apenas podeis fazer a caridade praticando a indulgência, fazei-a assim, mas fazei-a largamente. Pelo que toca à caridade material, vou contar-vos uma história do outro mundo.

Dois homens acabavam de morrer. Dissera Deus: Enquanto esses dois homens viverem, deitar-se-ão em sacos diferentes as boas ações de cada um deles, para que por ocasião de sua morte sejam pesadas. Quando ambos chegaram aos últimos momentos, mandou Deus que lhe trouxessem os dois sacos. Um estava cheio, volumoso, atochado, e nele ressoava o metal que o enchia; o outro era pequenino e tão vazio que se podiam contar as moedas que continha. Este o meu, disse um, reconheço-o; fui rico e dei muito. Este o meu, disse o outro, sempre fui pobre, oh! quase nada tinha para repartir. Mas, oh! surpresa! postos na balança os dois sacos, o mais volumoso se revelou leve, mostrando-se pesado o outro, tanto que fez se elevasse muito o primeiro no prato da balança. Deus, então, disse ao rico: deste muito, é certo, mas deste por ostentação e para que o teu nome figurasse em todos os templos do orgulho e, ao demais, dando, de nada te privaste. Vai para a esquerda e fica satisfeito com o te serem as tuas esmolas, contadas por qualquer coisa. Depois, disse ao pobre: Tu deste pouco, meu amigo; mas, cada uma das moedas que estão nesta balança representa uma privação que te impuseste; não deste esmolas, entretanto, praticaste a caridade, e, o que vale muito mais, fizeste a caridade naturalmente, sem cogitar de que te fosse levada em conta; foste indulgente; não te constituíste juiz do teu semelhante; ao contrário, todas as suas ações lhe relevaste: passa à direita e vai receber a tua recompensa.

 — Um Espírito protetor. (Lião, 1861.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 15.)



quarta-feira, 11 de julho de 2018

NÃO LHE FALTA TEMPO




Não deixe que as horas e os minutos do seu dia passem sem um real proveito de sua parte.

Tempo não aproveitado é tempo que não volta mais.

Aproveitar o tempo será dar importância às coisas que são importantes e pouca ou nenhuma importância às coisas insignificantes.

A maioria dos que reclamam de falta de tempo gasta a maior parte do tempo com fofocas, melindres e queixas infundadas.

É por isso que a experiência demonstra: quando precisar de um favor de alguém, peça a uma pessoa ocupada, pois os desocupados nunca têm tempo.

Em apenas um minuto você pode: fazer uma oração, escrever um bilhete fraterno, dar um telefonema a um amigo em dificuldades, prestar um simples favor, arrumar sua gaveta, admirar uma obra de arte, ler algo que lhe enriqueça a cultura, cumprimentar um amigo pela passagem de aniversário, compor um verso, organizar sua agenda, fazer um elogio à pessoa amada.

Se você dorme oito horas por dia, trabalha durante outras oito horas, gasta mais duas horas deslocando-se de casa para o trabalho, e vice-versa, sobram-lhe, em média, seis horas, que equivalem a trezentos e sessenta minutos para você fazer o que bem entender. Será mesmo que nos falta tanto tempo assim?

O problema nunca será o tempo que temos, mas o que fazemos do tempo que temos. Isso não quer dizer que você não precise de um tempo para descansar, mas até para descansar precisamos saber como aproveitar o tempo. Muitos voltam das férias mais exaustos do que antes.

Uma virtude acompanha fielmente as pessoas que sabem aproveitar o tempo: a disciplina. Ao contrário do que se imagina, a disciplina não leva à escravidão da liberdade. Quem é disciplinado encontra sempre tempo para fazer tudo o que deseja. Já o indisciplinado torna-se escravo das desculpas de não ter feito isso ou aquilo por falta de tempo.

Comece a valorizar o tempo com disciplina na sua mente. E disciplina pede ordem. Ordene seus pensamentos, para não se tornar um desequilibrado. Ordem pede atenção. Se você está no trabalho, toda a sua atenção deve estar voltada para o trabalho. Se estiver em casa, sua atenção deve estar voltada para os familiares.

Não misture estações, pois do contrário você nem fará o seu trabalho corretamente, nem será alguém presente dentro do lar.

JOSÉ CARLOS DE LUCCA





MENSAGEM DO ESE:
Desigualdade das riquezas

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. 

Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 8.)



terça-feira, 10 de julho de 2018

SEM ANSIEDADE




Não deixe que a ansiedade encubra a luz que brilha hoje em seu dia.

Você não conseguirá ser feliz amanhã, porque somente temos condições de viver o agora, e o agora é o único tempo que temos para a felicidade.

O futuro não passa de uma ilusão na nossa cabeça.

Domine os seus pensamentos, pois a mente adora viajar no tempo, e se os pensamentos voarem a toda hora para o depois você não construirá nada de positivo para a vida que você vive neste exato momento.

Se você não dominar os pensamentos, eles dominarão a sua vida. Você é quem controla o que deseja pensar e sentir.

De que adiantará projetar lindos sonhos para o futuro se as suas mãos vivem desocupadas no presente? Você poderá fazer planos para o futuro, ter lindos sonhos, mas não faça disso uma obsessão capaz de impedi-lo de ver a beleza que se esconde em cada momento da vida de agora.

Não anseie por uma vida perfeita no futuro. Não jogue fora o dia de hoje esperando que amanhã você terá tudo o que deseja, que seu emprego será absolutamente maravilhoso, que a vida em família estará na mais perfeita harmonia, que a saúde não sofrerá qualquer abalo, enfim, que tudo será lindo e maravilhoso como num conto de fadas.

Decepção é o nome que damos para os delírios nossa mente que imagina e espera perfeição em tudo e em todos. Muitas das nossas enfermidades são decepções disfarçadas.

A vida é mesmo feita de contrastes. Jamais saberemos o que é alegria sem experimentar a tristeza. Não conheceríamos a saúde sem passar pela enfermidade. Nem sequer imaginaríamos o que é companheirismo sem conhecer a solidão. Nunca valorizaríamos a vida sem a presença da morte.

A felicidade consiste na habilidade de encontrar pedras preciosas perdidas entre cascalhos. O homem feliz é aquele que, a despeito de todos os contrastes e dissabores que enfrenta, sabe se encantar com o que tem e somente se interessa em lidar com o lado melhor das pessoas, sabe extrair de cada experiência o melhor dos aprendizados, enfim, é um caçador de alegrias na florestaa das dificuldades.

A felicidade não é um destino, mas a maneira de viajar na direção dele. De que adianta você tomar o trem da vida e lutar tanto por algo que está no futuro, se na viagem você não foi capaz de ser feliz com as paisagens de cada estação?
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José C.De Lucca 



MENSAGEM DO ESE:
Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras

Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções; pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria. 

Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência onde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que haveis de avaliar a justiça divina pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.

Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais. Freqüentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra. 

É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar, abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar-se acima da matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não seria saturada de amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados?  

Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus. 

Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. 

— Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 21.)



segunda-feira, 9 de julho de 2018

OS AMADOS


“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores.” 
— Paulo. (HEBREUS, capítulo 6, versículo 9.)

Comenta-se com amargura o progresso aparente dos ímpios.

Admira-se o crente da boa posição dos homens que desconhecem o escrúpulo, muita vez altamente colocados na esfera financeira.

Muitos perguntam: “Onde está o Senhor que lhes não viu os processos escusos?” A interrogação, no entanto, evidencia mais ignorância que sensatez. Onde a finalidade do tesouro amoedado do homem perverso? Ainda que experimentasse na Terra inalterável saúde de cem anos, seria compelido a abandonar o patrimônio para recomeçar o aprendizado.

A eternidade confere reduzida importância aos bens exteriores. Aqueles que exclusivamente acumulam vantagens transitórias, fora de sua alma, plenamente esquecidos da esfera interior, são dignos de piedade. Deixarão tudo, quase sempre, ao sabor da irresponsabilidade.

Isso não acontece, porém, com os donos da riqueza espiritual.

Constituindo os amados de Deus, sentem-se identificados com o Pai, em qualquer parte a que sejam conduzidos. Na dificuldade e na tormenta guardam a alegria da herança divina que se lhes entesoura no coração.

Do ímpio, é razoável esperarmos a indiferença, a ambição, a avareza, a preocupação de amontoar irrefletidamente; do ignorante, é natural recebermos perguntas loucas. Entretanto, o apóstolo da gentilidade exclama com razão: “Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores.”
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EMMANUEL 
CHICO XAVIER



MENSAGEM DO ESE:
Os obreiros do Senhor

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: “Graça! graça!” O Senhor, porém, lhes dirá: “Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra.” 

Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.”
— O Espírito de Verdade. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5.)



domingo, 8 de julho de 2018

VOCÊ TEM DEMONSTRADO AMOR?




Não queira viver sem expressar o amor que existe em seu coração. Em cada gesto amoroso que você demonstra, o mundo se torna mais suave, as pessoas se desarmam de seus medos, a violência diminui e a paz floresce.

A felicidade, a saúde, a prosperidade e a harmonia em família dependem do quanto de amor você está disposto a dar. Ninguém retira dividendos de aplicação financeira se nada investiu. Ofereça ódio e irritação, e é isso que você receberá. Dê amor, e o amor retornará a você.

Tanto quanto você gosta de receber manifestações de afeto, procure também ser aquele que demonstra amor. O mundo se encontra com tantos conflitos porque quase todos nós estamos de braços cruzados esperando sermos amados.

Saia da lista dos carentes e omissos e se aliste no exército das pessoas amorosas, pois são elas que salvarão o mundo do caos do egoísmo. Não é a inteligência do homem que resolverá os grandes problemas mundiais, porque a inteligência sem amor tem sido responsável por guerra: fratricidas, preconceitos de toda ordem, massacres racial, e religiosos, crimes e atentados ignóbeis. Mas o amor mesmo vivenciado por poucos, é a viga-mestra que ainda sustenta o mundo.

Você não seria nada sem o amor de Deus. Você teria ido tão longe não fosse o amor dos seus pais. O planeta Terra já teria virado poeira cósmica não fosse a semente de amor plantada por Jesus no coração de cada um de nós.

Então não deixe essa sementinha morrer pela indiferença. Deixe-a crescer no solo do seu coração. Ela é para a sua felicidade. Você não precisará de grandes feitos: ao contrário, quanto mais gestos simples e espontâneos, mais o amor se mostrará presente.

Um elogio aos familiares, um sorriso de alegria ao rever o amigo, um inesperado abraço de carinho no ser amado, um bilhete de esperança ao companheiro em dificuldades, um prato de comida aos que perambulam pelas ruas sem um lar, um olhar de compaixão aos que se desviaram do bem, um olhar de respeito a quem pensa diferente de você.

É muito bom ser amado, porém é muito melhor ser aquele que ama. Quem recebe amor fica em débito com a vida. Quem dá amor já o recebeu no instante de oferecê-lo. O perfume toca primeiramente as mãos que oferecem rosas.

O amor requer generosidade. Não seja mesquinho ao amar, retire o conta-gotas do seu coração e seja como a chuva a molhar a terra em quantidade suficiente para que ela floresça. Que seu amor não seja triste como um velório. Que ele seja alegre como a criança, doce igual ao mel, formoso como as flores de primavera e brilhante como as estrelas.

O amor não é o que está escrito nos livros, é aquilo que praticamos quando fechamos os livros.
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JOSÉ CARLOS DE LUCCA 



MENSAGEM DO ESE:
Injúrias e violências


Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. (S. MATEUS, cap. V, v. 4.)
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Id., v. 9.)
Sabeis que foi dito aos antigos: Não matareis e quem quer que mate merecerá condenação pelo juízo. — Eu, porém, vos digo que quem quer que se puser em cólera contra seu irmão merecerá condenado no juízo; que aquele que disser a seu irmão: Raca, merecerá condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: És louco, merecerá condenado ao fogo do inferno. (Id., vv. 21 e 22.)

Por estas máximas, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei. Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda expressão descortês de que alguém possa usar para com seus semelhantes. Raca, entre os hebreus, era um termo desdenhoso que significava homem que não vale nada, e se pronunciava cuspindo e virando para o lado a cabeça. Vai mesmo mais longe, pois que ameaça com o fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.

Evidente se torna que aqui, como em todas as circunstâncias, a intenção agrava ou atenua a falta; mas, em que pode uma simples palavra revestir-se de tanta gravidade que mereça tão severa reprovação? É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na fraternidade que entretém o ódio e a animosidade; é, enfim, que, depois da humildade para com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.

Mas, que queria Jesus dizer por estas palavras: “Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra”, tendo recomendado aos homens que renunciassem aos bens deste mundo e havendo-lhes prometido os do céu? 

Enquanto aguarda os bens do céu, tem o homem necessidade dos da Terra para viver. Apenas, o que ele lhe recomenda é que não ligue a estes últimos mais importância do que aos primeiros.

Por aquelas palavras quis dizer que até agora os bens da Terra são açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o necessário, ao passo que outros têm o supérfluo. Promete que justiça lhes será feita, assim na Terra como no céu, porque serão chamados filhos de Deus. Quando a Humanidade se submeter à lei de amor e de caridade, deixará de haver egoísmo; o fraco e o pacífico já não serão explorados, nem esmagados pelo forte e pelo violento. Tal a condição da Terra, quando, de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, se houver tornado mundo ditoso, por efeito do afastamento dos maus.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, itens 1 a 5.)



sábado, 7 de julho de 2018

Ganhar



“Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” 
— Jesus. (MARCOS, capítulo 8, versículo 36.)

As criaturas terrestres, de modo geral, ainda não aprenderam a ganhar.

Entretanto, o espírito humano permanece no Planeta em busca de alguma coisa. É indispensável alcançar valores de aperfeiçoamento para a vida eterna.

Recomendou Jesus aos seus tutelados procurassem, insistissem…

Significa isso que o homem se demora na Terra para ganhar na luta enobrecedora.

Toda perturbação, nesse sentido, provém da mente viciada das almas em desvio.

O homem está sempre decidido a conquistar o mundo, mas nunca disposto a conquistar-se para uma esfera mais elevada. Nesse falso conceito, subverte a ordem, nas oportunidades de cada dia. Se Deus lhe concede bastante saúde física, costuma usá-la na aquisição da doença destruidora; se consegue amealhar possibilidades financeiras, tenta açambarcar os interesses alheios.

O Mestre Divino não recomendou que a alma humana deva movimentar-se despida de objetivos e aspirações de ganho; salientou apenas que o homem necessita conhecer o que procura, que espécie de lucros almeja, a que fins se propõe em suas atividades terrestres.

Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimônios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que te não pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal.
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EMMANUEL 
CHICO XAVIER 



MENSAGEM DO ESE: 
A verdadeira propriedade (II)

Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens. Tanto eles não constituem propriedade individual do homem, que Deus freqüentemente anula todas as previsões e a riqueza foge àquele que se julga com os melhores títulos para possuí-la.
Direis, porventura, que isso se compreende no tocante aos bens hereditários, porém, não relativamente aos que são adquiridos pelo trabalho. Sem dúvida alguma, se há riquezas legitimas, são estas últimas, quando honestamente conseguidas, porquanto uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, da sua aquisição, não resulta dano para ninguém. Contas serão pedidas até mesmo de um único ceitil mal ganho, isto é, com prejuízo de outrem. Mas, do fato de um homem dever a si próprio a riqueza que possua, seguir-se-á que, ao morrer, alguma vantagem lhe advenha desse fato? Não são amiúde inúteis as precauções que ele toma para transmiti-la a seus descendentes? Decerto, porquanto, se Deus não quiser que ela lhes vá ter às mãos, nada prevalecerá contra a sua vontade. Poderá o homem usar e abusar de seus haveres durante a vida, sem ter de prestar contas? Não. Permitindo-lhe que a adquirisse, é possível haja Deus tido em vista recompensar-lhe, no curso da existência atual, os esforços, a coragem, a perseverança. Se, porém, ele somente os utilizou na satisfação dos seus sentidos ou do seu orgulho; se tais haveres se lhe tornaram causa de falência, melhor fora não os ter possuído, visto que perde de um lado o que ganhou do outro, anulando o mérito de seu trabalho. Quando deixar a Terra, Deus lhe dirá que já recebeu a sua recompensa.

 — M., Espírito protetor. (Bruxelas, 1861.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 10.)



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Nosso Pai


Quando acordamos para a razão, descobrimos os traços vivos da Bondade de Deus, por toda parte. 


Seu imenso carinho para conosco está no Sol que nos aquece, dando sustento e alegria a todos os seres e a todas as coisas; nas nuvens que fazem a chuva para o contentamento da Natureza; nas águas dos rios e das fontes, que deslizam para o benefício das cidades, dos campos e dos rebanhos; no pão que nos alimenta; na doçura do vento que refresca; na bondade das árvores que nos estendem os galhos dadivosos, em forma de braços ricos de bênçãos; na flor que espalha perfume na atmosfera; na ternura e na segurança de nosso lar; na assistência dos nossos pais, dos nossos irmãos e dos nossos amigos que nos ajudam a vencer as dificuldades do mundo e da vida, e na providência silenciosa, que nos garante a conservação da saúde e da paz espiritual. 


Muitos homens de ciência pretendem definir Deus para nós, mas, quando reparamos na proteção do Todo-Poderoso, dispensada aos nossos caminhos e aos nossos trabalhos na Terra, em todos os instantes da vida, somos obrigados a reconhecer que o mais belo nome que podemos dar ao Supremo Senhor é justamente aquele que Jesus nos ensinou em sua divina oração: “Nosso Pai”. 
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Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier. 
Da obra: Pai Nosso






MENSAGEM DO ESE:
Os obreiros do Senhor

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: “Graça! graça!” O Senhor, porém, lhes dirá: “Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra.” 

Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.” 

— O Espírito de Verdade. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5.)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

LUCROS


E o que tens ajuntado para quem será?” — Jesus. (LUCAS, capítulo 12, versículo 20.)

Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante.

Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga: — Que trouxeste? O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranquila de si mesmo e dos seus.

Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos. 

Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”.
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EMMANUEL
CHICO XAVIER 




MENSAGEM DO ESE: 
A lei de amor

O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra — amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo. 

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem. 

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. É então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. 

— Lázaro. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 8.)



quarta-feira, 4 de julho de 2018

OS TRÊS PILARES DA FELICIDADE


Cuidado para não procurar a felicidade em fontes que só lhe trarão maiores ilusões.

Se você está descontente com sua vida e deseja melhorá-la, procure dar a máxima atenção aos três aspectos essenciais da felicidade: amor, saúde e inteligência.

Faça um balanço em sua vida para saber que nível de importância você tem dado a esses tópicos.

Viver sem amor é a maior miséria que um homem pode experimentar.

A felicidade não se mede por aquilo que temos, mas por aquilo que somos.

O maior patrimônio que podemos ter é o amor em nosso coração.

Nenhum prazer se compara ao êxtase do amor incondicional.

Não espere apenas ser amado, qual ocorre com a maioria das pessoas. Receber amor depende de quanto amor damos, a começar por nós mesmos. Dê fim à carência de amor em sua vida e comece, desde já, a oferecer ao mundo pequenos gestos amorosos.

Cuide de sua saúde, como um dos bens mais preciosos da sua vida. Muitas pessoas estão deixando o planeta antes da hora por causa do desleixo com o corpo. Não custa lembrar que a base da saúde está na harmonia dos pensamentos, na simplicidade à mesa e no equilíbrio dos desejos.

A inteligência desenvolvida abrirá muitas portas em sua vida. Até hoje não se conhece homem algum que tenha se arrependido de estudar. Mas o contingente de pessoas com remorso por não terem se interessado pela cultura é muito grande. Todos os homens são inteligentes, mas é conquista do saber depende do esforço de cada um.

Sempre é tempo de enriquecer a vida desenvolvendo a inteligência. Se já não for mais possível voltar à escola seja você uma espécie de autodidata e que mais nenhum dia da sua vida seja vivido distante de livros, jornais, revistas, cinema, teatro, exposições, enfim, de algo que faça com que você passe a enxergar a vida além das pequenas janelas de sua casa.
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JOSÉ CARLOS DE LUCCA




MENSAGEM DO ESE:
A cólera

O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? — Entregais-vos à cólera.
Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.
Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade.
Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida! 
Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs.

 — Um Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 9.)




terça-feira, 3 de julho de 2018

FLEXIBILIDADE COM OS OUTROS!




Assunto grave e oportuno nas questões da vida interpessoal são as sentenças irredutíveis que costumamos lavrar relativamente aos outros no campo dos julgamentos.

Ainda não desenvolvemos suficiente capacidade para analisar o “outro”, entendido aqui como sendo “o diferente de nós”, de maneira alteritária, isenta das lentes morais que classificam as diferenças como imperfeições e limitações.

Em razão disso, e também por conveniência, basta uma só atitude infeliz de nosso próximo, pela nossa ótica, para decretarmos veredictos éticos, que serão rigorosos adjetivos identificadores da personalidade daquilo que o “outro” é, em nossa concepção.

Um homem não pode ser julgado apenas por uma atitude, por uma faceta de seu temperamento. Ter-se-ia que melhor aquilatar suas razões, seus sentidos pessoais, sua integralidade espiritual para então fazermos melhor avaliação sobre os porquês de suas ações e de seu proceder.

A precipitação e a parcialidade nesse capitulo das relações têm ensejado um “imaginário”, inverossímil — fantasias calcadas em expectativas relativamente àqueles com os quais convivemos.

A influência dos papéis sociais, as tendências do homem integral, a questão da educação infantil, o momento psicológico da criatura, a interferência de desencarnados, os interesses pessoais são apenas alguns dos muitos fatores que devem ser arrolados na “arte de julgar”.

Conveniências, nas quais nos encontramos amordaçados moralmente no atendimento a caprichos ou conceitos pessoais, rezam que decretemos juízos definitivos e imutáveis sobre as pessoas. Uma leve flatulência e já nos sentimos à vontade para expedir juízos. E se a pessoa em questão é alguém que não atende às nossas exigências de entendimento e afinidade, possivelmente daqui a um século ainda sustentaremos as mesmas recriminações, guardando, por conveniência, as mesmas ideias sobre nosso “réu”. Nesse caso, nosso orgulho rebaixa o “outro” ao patamar das próprias lutas pessoais, e a inveja provoca uma miopia impedindo-nos de enxergar as qualidades nele existentes.

Difícil o tema dos relacionamentos, porque além de convivermos com aquilo que os outros pensam que somos, ainda temos que separar aquilo que pensamos que somos, daquilo que realmente somos, deixando claro que nem mesmo nós próprios, em muitos lances, sabemos avaliar com a precisão necessária as causas de nossas ações.

Como então apressar em lavrar acusações sobre o próximo se nem a nós mesmos conhecemos com exatidão?

Devido a esse hábito enfermiço, podemos registrar algumas consequências previsíveis na vida inter-relacional, quais sejam:

- Contínua indisposição de conviver com as “pessoas-alvo” de nossos veredictos depreciativos.

- Incômodos emocionais variados, quando na presença da criatura julgada por nós.

- Tendência à maledicência na manutenção dos decretos por nós lavrados.

Carecemos analisar quais as causas desse automatismo milenar, se desejamos superá-lo o quanto antes. Em alguns casos, o complexo de inferioridade faz-se presente, levando-nos a reduzir o conceito de valor do “outro”, porque assim fruímos a sensação de que somos melhores aquilatados. Outras vezes, deparamo-nos com uma situação de “projeção de auto-repulsão”, recriminando no “outro” o que não aceitamos em nós.

Sem a reencarnação não poderíamos investigar esse episódio comportamental com a merecida sabedoria, analisando a influência de imperfeições que determinaram fracassos conscienciais em vidas anteriores e custaram muita amargura e dor na erraticidade. Planejando o recomeço na carne, priorizamos intensa vigilância sobre esses antigos desvarios morais, nutrindo propósitos renovadores. Retomando a oportunidade na Terra, embalados por esses sonhos de libertação e conscientização, tenderemos a ser severos com tudo que orbita em torno dos traços de caráter que desejamos vencer. Lamentavelmente, tal severidade transferimos também ao nosso próximo, e chegamos mesmo a imputá-la, em alguns casos, como pertinente somente a ele, relegando mais uma vez os deveres corretivos em nós mesmos nas áreas de fragilidade.

Em verdade, são variadas as causas dessa rigidez nos juízos implacáveis.

O importante é que tenhamos maleabilidade sempre na nossa vida interpessoal.

Cada homem tem seus motivos para ser como é ou fazer o que faz, ainda que palmilhando pela perversidade...

Busquemos assim a conquista da compreensão em favor da alteridade. Alteridade essa que não nos eximirá de ajuizar e pensar, mas que nos conduzirá a uma postura de predisposição ao convivio fraternal nas bases da tolerância, do perdão e do entendimento, quanto possível.

Evidentemente, não somos obrigados a ser coniventes com as atitudes do próximo, no entanto, os desafios da convivência apelam para a utilização de relativização nas análises imputadas aos corações de nossa faina diária.

Aprofundemos constantemente o entendimento sobre os motivos que levam o homem a fazer suas escolhas e a tomar suas decisões.

Elastecer a sensibilidade afetiva para galgar essa compreensão da realidade subliminar de cada criatura, penetrar na alma de cada ser, extrair a essência: sem tal exercício, ficaremos na superficialidade, estabelecendo juizos parciais e sem conhecer as raízes das ações humanas, aprisionados a versões unilaterais que podem trazer-nos decepções ao longo da vida ou mesmo na Imortalidade!!!

Prudente será, portanto, que apliquemos sempre a severidade conosco próprios, procurando tirar o véu do personalismo e realizando o auto-encontro com a verdade sobre nós próprios.

Ainda assim será imprescindível a flexibilidade, o auto-perdão, a complacência para com nossas deficiências, porque quando tomamos, também para conosco, a decisão dos juízos imperdoáveis, caminhamos para o outro extremo da questão, alimentando o desamor e a culpa contra a conquista da felicidade pessoal.

Ninguém é no todo exatamente aquilo que dele pensamos ou sentimos.

Perceberemos em cada ser aquilo que constitui, em verdade, o “material da vida” que edificamos em favor do nosso progresso pessoal.

Relações mudam, quando mudamos o foco que temos sobre aqueles de nossa convivência.

Quando mantemos um foco único sobre alguém, devemos nos perguntar: Por que estamos deliberando fixar a mente nesse padrão?

Certamente perceberemos, com tempo e serenidade, a que motivos estamos atendendo; aliás esses são quesitos imprescindíveis para julgamentos mais realistas e proveitosos.

Essa descoberta será de grande valor para nós, por se tratar do divino movimento interior do autoconhecimento, lançando sondas nas regiões incognoscíveis do mundo íntimo em busca do aperfeiçoamento que nos tornará maleáveis e plenos de alteridade com o “outro” diferente, aprendendo a amar sua diferença e com ela sempre acrescer algo no auxílio e construção de uma relação pacífica e promissora.
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Livro: Laços de Afeto – Caminhos do Amor na Convivência
Wanderley Soares de Oliveira, pelo Espírito Ermance Dufaux
Editora Dufaux



MENSAGEM DO ESE:
Sacrifício da própria vida

– Aquele que se acha desgostoso da vida mas que não quer extingui-la por suas próprias mãos, será culpado se procurar a morte num campo de batalha, com o propósito de tornar útil sua morte?
Que o homem se mate ele próprio, ou faça que outrem o mate, seu propósito é sempre cortar o fio da existência: há, por conseguinte, suicídio intencional, se não de fato. É ilusória a idéia de que sua morte servirá para alguma coisa; isso não passa de pretexto para colorir o ato e escusá-lo aos seus próprios olhos. Se ele desejasse seriamente servir ao seu país, cuidaria de viver para defendê-lo; não procuraria morrer, pois que, morto, de nada mais lhe serviria. O verdadeiro devotamento consiste em não temer a morte, quando se trate de ser útil, em afrontar o perigo, em fazer, de antemão e sem pesar, o sacrifício da vida, se for necessário. Mas, buscar a morte com premeditada intenção, expondo-se a um perigo, ainda que para prestar serviço, anula o mérito da ação.

 — São Luís. (Paris, 1860)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 29.)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A GRANDE PERGUNTA


“E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” — Jesus. (LUCAS, capítulo 6, versículo 46.)

Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela morte do corpo, a fim de ouvirem as sublimes palavras do Cristo.

Não se compreende, porém, o motivo de semelhante propósito. O Mestre permanece vivo em seu Evangelho de Amor e Luz.

É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe ouçamos os ensinamentos sublimes e claros.

Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas desejam revelações diretas.

 Teriam mais fé, asseguram displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas manifestações divinas.

 Acreditam-se merecedores de dádivas celestes e acabam considerando que o serviço do Evangelho é grande em demasia para o esforço humano e põem-se à espera de milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente se lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.

Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre Divino em seu verbo imortal.

Ignoram que o serviço deles é aquele a que foram chamados, por mais humildes lhes pareçam as atividades a que se ajustam.

Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou numa choupana, o homem da Terra pode fazer o que lhe ensinou Jesus.

É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria gravar-se de maneira indelével em todos os templos, para que os discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se esqueçam de atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime. 

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EMMANUEL 
CHICO XAVIER




MENSAGEM DO ESE: 
Emprego da riqueza (II)

Quando considero a brevidade da vida, dolorosamente me impressiona a incessante preocupação de que é para vós objeto o bem-estar material, ao passo que tão pouca importância dais ao vosso aperfeiçoamento moral, a que pouco ou nenhum tempo consagrais e que, no entanto, é o que importa para a eternidade. Dir-se-ia, diante da atividade que desenvolveis, tratar-se de uma questão do mais alto interesse para a humanidade, quando não se trata, na maioria dos casos, senão de vos pordes em condições de satisfazer a necessidades exageradas, à vaidade, ou de vos entregardes a excessos. 

Que de penas, de amofinações, de tormentos cada um se impõe; que de noites de insônia, para aumentar haveres muitas vezes mais que suficientes! Por cúmulo de cegueira, freqüentemente se encontram pessoas, escravizadas a penosos trabalhos pelo amor imoderado da riqueza e dos gozos que ela proporciona, a se vangloriarem de viver uma existência dita de sacrifício e de mérito — como se trabalhassem para os outros e não para si mesmas! Insensatos! Credes, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que despendeis movidos pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho, enquanto negligenciais do vosso futuro, bem como dos deveres que a solidariedade fraterna impõe a todos os que gozam das vantagens da vida social? 

Unicamente no vosso corpo haveis pensado; seu bem-estar, seus prazeres foram o objeto exclusivo da vossa solicitude egoística. Por ele, que morre, desprezastes o vosso Espírito, que viverá sempre. Por isso mesmo, esse senhor tão animado e acariciado se tornou o vosso tirano; ele manda sobre o vosso Espírito, que se lhe constituiu escravo. Seria essa a finalidade da existência que Deus vos outorgou? 

— Um Espírito Protetor. (Cracóvia, 1861.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 12.)