sábado, 15 de agosto de 2020

O lado avesso



 Soubéssemos praticar o espírito de aceitação que nos sugerem os ensinamentos do Cristo e decerto que a nossa vida se desdobraria em degraus de paz e luz, ante os nossos anseios de elevação.

Não é a doença, no mundo, que nos fere tanto.

É o desgosto de não usufruirmos a saúde que vemos nos outros.

 Não é o parente infeliz que mais nos incomoda.

Preocupamo-nos muito mais com a impressão deprimente que esse mesmo familiar suscita naqueles que nos desfrutam a amizade e a convivência.

 Não nos afligimos tanto com a moradia rústica que ocupamos.

Sofremos muito mais, em reconhecendo que não dispomos da residência super-confortável desse ou daquele companheiro.

 Não nos amarguramos tanto com o defeito orgânico que nos assinala.

Lastimamos mais intensamente o fato de não possuirmos o corpo harmonioso da maioria de nossos amigos.

Em verdade, a paciência nos edifica, no entanto, o lado avesso da paciência é que nos aniquila ou perturba o modo de ser. E esse outro lado da abençoada virtude tem o nome de intolerância.
🌼🍃🌼
Emmanuel
Chico Xavier





MENSAGEM DO ESE:

Preces inteligíveis

Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro. 

— Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. 

— Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? 

— Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela. (S. PAULO, 1ª aos Coríntios, cap. XIV, vv. 11, 14, 16 e 17.)

A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer ao que se não compreende, porquanto o que não se compreende não pode tocar o coração. Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de amálgamas de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, preciso se torna que cada palavra desperte uma idéia e, desde que não seja entendida, nenhuma idéia poderá despertar. Será dita como simples fórmula, cuja virtude dependerá do maior ou menor número de vezes que a repitam. Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus vê o que se passa no fundo dos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, itens 16 e 17.)

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Aceitação


A dor é ação necessária ao desenvolvimento da vida.

Fugir dela é escapismo.

Rebelar-se é agravar a própria situação.

Transferi-la para outrem é crueldade.

Ignorá-la é indiferença.

Queixarmo-nos é imaturidade.

Exagerá-la é perturbar o ambiente em que se vive.

Exibi-la, no intuito de provocar a compaixão alheia, é explorar-lhe negativamente os benefícios.

Espalhá-la é ferir aos que nos cercam.

Diante da dor que nos procure, examinemo-la, no íntimo de nossas próprias almas, e, se reconhecemos que ela vem com motivos justos, aceitemo-la com paciência, aproveitando-lhe os ensinos.

E admitindo-a em nós e conosco, [tenhamos suficiente coragem para retificar-nos] retifiquemo-nos em tudo aquilo de que tenhamos necessidade de corrigenda, a fim de que possamos melhorar-nos, para colaborar na construção do Amanhã Melhor.
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Emmanuel
Chico Xavier

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MENSAGEM DO ESE:

Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra sem esperança de cura?

– Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?

Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até à borda do fosso, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar idéias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?

Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.
O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. 

— São Luís. (Paris, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 28.)

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RESTAURAÇÃO


Serviço interrompido
Pode ser retomado.

Erro que se adotou
Encontra corrigenda.

A paz que se perdeu
Surgirá novamente.

Desenganos chegaram?
Que a dor não te perturbe.

Seja qual for o mal,
Volve de novo ao Bem.

Em tudo, vencerás
Se confias em Deus.
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Livro: Espera Servindo
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

FARDO


Não há ninguém sem um fardo para carregar.

O parente difícil, o filho-problema, o amigo inconstante,
o cônjuge irresponsável...

Se há quem nos seja um fardo, é possível que igualmente sejamos um fardo para alguém.

Em todo grupo familiar há sempre um ou outro espírito recalcitrante, ali colocado pelas Leis da Vida para a imprescindível permuta de experiências.

Quem tem mais é chamado a dar a quem tem menos.

A pessoa difícil com a qual convivemos é sempre um examinador às avessas na aferição de nossos reais valores.

Todo fardo carregado com amor pode se transformar em escora, impedindo a queda de quem o sustenta.

Não maldigamos o fardo de nossas penosas obrigações cotidianas, convictos de que é justamente ele o instrumento de nosso aperfeiçoamento.

Ninguém irá a parte alguma abandonando o seu fardo à margem da estrada.

Todo débito, cuja quitação se adia, deverá, mais tarde, ser saldado com juros.

Meditemos nestas palavras inseridas em "O Evangelho Segundo o Espiritismo": "Todos aqueles que carregam o seu fardo e assistem seus irmãos são os meus bem-amados".
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Irmão José/Carlos A. Baccelli
Do livro LIÇÕES DA VIDA, ed. Didier
🌿🌹🌿








MENSAGEM DO ESE:


A nova era (III)

 

Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. A razão disso, encontramo-la na vida desse grande filósofo cristão. Pertence ele à vigorosa falange do Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios. Como vários outros, foi arrancado ao paganismo, ou melhor, à impiedade mais profunda, pelo fulgor da verdade. Quando, entregue aos maiores excessos, sentiu em sua alma aquela singular vibração que o fez voltar a si e compreender que a felicidade estava alhures, que não nos prazeres enervantes e fugitivos; quando, afinal, no seu caminho de Damasco, também lhe foi dado ouvir a santa voz a clamar-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” exclamou: “Meu Deus! Meu Deus! perdoai-me, creio, sou cristão!” E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho. Podem ler-se, nas notáveis confissões que esse eminente espírito deixou, as características e, ao mesmo tempo, proféticas palavras que proferiu, depois da morte de Santa Mônica: Estou convencido de que minha mãe me virá visitar e dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura. Que ensinamento nessas palavras e que retumbante previsão da doutrina porvindoura! Essa a razão por que hoje, vendo chegada a hora de divulgar-se a verdade que ele outrora pressentira, se constituiu seu ardoroso disseminador e, por assim dizer, se multiplica para responder a todos os que o chamam.
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— Erasto, discípulo de S. Paulo. (Paris, 1863.).
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 11.)




quarta-feira, 12 de agosto de 2020

MELANCOLIA DESTRONADA



A alegria deve preponderar ante a melancolia e, se carecer de esforço, a alma não pode medir sacrifícios, pois é solução urgente na conquista da paz.

Quando a vigilância monta guarda no quartel da mente, ficam sem efeito as investidas da tristeza, por não encontrarem ambiente para a sua nefasta proliferação.

 

Destronar a melancolia é dever do cristão, usando todos os meios possíveis no arejamento da lavoura mental, onde o solo requer adubo de qualidades especiais.

 

Não poderemos ter paz sem harmonia no pensamento.

 

A distonia das ideias provoca um mal-estar indizível, como um entorpecimento no sistema nervoso, cujo resultado são os caminhos da velha ciência médica e das casas de repouso, que nem sempre nos dão o alívio que esperamos.

 

E, em muitos casos, esses recursos nos situam em um círculo vicioso de nos sentirmos seguros somente ao lado de psiquiatras e entorpecentes.

 

A alegria espontânea ainda é o melhor remédio para a dissipação das trevas dos sentimentos.

 

O bem-estar nos devolve a esperança e dota o organismo com a predisposição de que um copo de água servirá de medicamento salutar.

 

Eis aí a fé, nos caminhos do amor.

 

O médico do futuro vai aliar seus conhecimentos biológicos, psíquicos, psicológicos e espirituais, para que eles possam ser, na conversação com o enfermo, a coluna, o arsenal de fluidos magnéticos superiores, onde o doente poderá se abastecer, para que sua mente em desequilíbrio retorne, mesmo momentaneamente, a uma certa paz, podendo, assim, iniciar novo trabalho terapêutico, desembaraçando as ideias, colocando-as livres, onde, antes, seus pensamentos eram escravos de fixação hipnótica dos seus impulsos.

 

O clínico poderá limpar a mente do enfermo pela fala, por sugestões e, se possível, imposição das mãos.
Creiam ou não, a ajuda do mundo espiritual se faz onde a necessidade requer sua presença.

 

Deus é bondade que se irradia por onde quer que seja.

 

A medicina, que deve se aprimorar em breves tempos, não haverá de esquecer a psicologia espiritualizada.

 

O médico, ao atender o doente, deve se preparar mentalmente, não manifestando nenhum problema na mente, não deixando transparecer na conversa nenhum desânimo que possa enfraquecer a fé de quem o ouve.

 

A alegria deve ser estampada em sua feição, com alto teor irradiativo, como, e certamente, o amor.

 

O doente geralmente é triste, mas muito, e muito sensível.

 

É fácil para o clínico mudar suas ideias em poucos minutos, inoculando, na sua mente embaraçada e negativa, o despontar do sol da fé e da esperança, abrindo, com isso, um campo positivo, para que os medicamentos possam ser úteis.

 

É proveitoso que o homem de ciência saiba que a alegria é prerrogativa da alma, consubstanciada nas linhas do amor, donde se conclui que fomos feitos com e para a felicidade.

 

É justo que observemos mais o espírito melancólico, porque ele pode estar ferido pelo orgulho, vaidade ou displicência.

 

Pode ter sido injuriado, mal entendido, ou obcecado.

 

São tantas notas mal postas na introvertida música da melancolia, que é bastante conveniente estudá-las uma por uma, para combatê-las com eficiência.

 

Dados os primeiros passos, a saúde está â porta, porque não há enfermidade de – 86 – consciência.

 

Basta dizer que todas as doenças se enraízam no poder mental, demoram-se no corpo, pela demora nos pensamentos.

 

Alguns desdenham da fé, por não saberem o papel importante que ela desempenha na vida de cada ser.
Jesus dava à fé um lugar de destaque em todos os seus conceitos.
Chegou a dizer: A tua fé te curou .
Quem tiver a fé do tamanho de uma semente de mostarda, transportará montanhas de desesperos, de enfermidades, e com o amor se salvará de todas as possíveis inferioridades do caminho evolutivo.
Assim estará destronada toda a tristeza de viver.
Diz um velho aforismo: Tristeza não paga dívida .
E se não paga dívida física, muito menos resgata débitos cármicos, que o passado nos cobra com correção monetária.
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Horizontes da Mente – Miramez

 






MENSAGEM DO ESE:

Destinação da Terra. Causas das misérias humanas

 

Muitos se admiram de que na Terra haja tanta maldade e tantas paixões grosseiras, tantas misérias e enfermidades de toda natureza, e daí concluem que a espécie humana bem triste coisa é. Provém esse juízo do acanhado ponto de vista em que se colocam os que o emitem e que lhes dá uma falsa idéia do conjunto. Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda, mas apenas uma pequena fração da Humanidade. Com efeito, a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros orbes do Universo. Ora, que é a população da Terra, em face da população total desses mundos? Muito menos que a de uma aldeia, em confronto com a de um grande império. A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e a natureza dos que a habitam.

 

Faria dos habitantes de uma grande cidade falsíssima idéia quem os julgasse pela população dos seus quarteirões mais íntimos e sórdidos. Num hospital, ninguém vê senão doentes e estropiados; numa penitenciária, vêem-se reunidas todas as torpezas, todos os vícios; nas regiões insalubres, os habitantes, em sua maioria são pálidos, franzinos e enfermiços. Pois bem: figure-se a Terra como um subúrbio, um hospital, uma penitenciaria, um sítio malsão, e ela é simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as aflições sobrelevam aos gozos, porquanto não se mandam para o hospital os que se acham com saúde, nem para as casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os hospitais e as casas de correção se podem ter por lugares de deleite.

 

Ora, assim como, numa cidade, a população não se encontra toda nos hospitais ou nas prisões, também na Terra não está a Humanidade inteira. E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a Terra, quando está curado de suas enfermidades morais.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, itens 6 e 7.)


terça-feira, 11 de agosto de 2020

UM MAL A MENOS


O discípulo, ingênuo e precipitado, interrogou emocionado o Mestre compassivo:

 

— Que poderei fazer para tornar o mundo melhor? Vejo a Humanidade infeliz, campeando em alucinação expressiva, com esgares de perversidade e sempre agressiva.
Em toda parte medram o ódio, a inveja, a perseguição gratuita. As pessoas digladiam-se encarniçadamente e somente encontro sombras onde esperava descobrir a luz... Que fazer?

 

O Mestre permaneceu em sereno silêncio, enquanto o aprendiz retornava à carga:

 

— Gostaria de extirpar o mal da Terra por definitivo, acabar com a miséria e o sofrimento, mas sinto-me sem recursos.
Que poderei fazer em favor dos infelizes e perversos?

 

Tomado de compaixão pelo desarvorado candidato à transformação do Planeta, redarguiu o sábio:

 

— Mudar as condições da Terra e dos seus habitantes, neste momento, é tarefa impossível. No entanto, se te encontras realmente interessado em contribuir em favor da Humanidade para que seja feliz, adentra-te em ti mesmo, e faze-te gentil, melhor e iluminado, havendo, a partir deste momento, um perverso e ignorante a menos no mundo...

...E continuou meditando.
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Livro: A Busca da Perfeição
Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Eros
EBM Editora





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MENSAGEM DO ESE:
Não vos afadigueis pela posse do ouro

 

Não vos afadigueis por possuir ouro, ou prata, ou qualquer outra moeda em vossos bolsos. — Não prepareis saco para a viagem, nem dois fatos, nem calçados, nem cajados, porquanto aquele que trabalha merece sustentado.

 

Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, procurai saber quem é digno de vos hospedar e ficai na sua casa até que partais de novo. — Entrando na casa, saudai-a assim: Que a paz seja nesta casa. Se a casa for digna disso, a vossa paz virá sobre ela; se não o for, a vossa paz voltará para vós.

 

Quando alguém não vos queira receber, nem escutar, sacudi, ao sairdes dessa casa ou cidade, a poeira dos vossos pés. — Digo-vos, em verdade: no dia do juízo, Sodoma e Gomorra serão tratadas menos rigorosamente do que essa cidade. (S. MATEUS, cap. X, vv. 9 a 15.)

 

Naquela época, nada tinham de estranhável essas palavras que Jesus dirigiu a seus apóstolos, quando os mandou, pela primeira vez, anunciar a boa-nova. Estavam de acordo com os costumes patriarcais do Oriente, onde o viajor encontrava sempre acolhida na tenda. Mas, então, os viajantes eram raros. Entre os povos modernos, o desenvolvimento da circulação houve de criar costumes novos. Os dos tempos antigos somente se conservam em países longínquos, onde ainda não penetrou o grande movimento. Se Jesus voltasse hoje, já não poderia dizer a seus aposto-los: “Ponde-vos a caminho sem provisões.”

 

A par do sentido próprio, essas palavras guardam um sentido moral muito profundo. Proferindo-as, ensinava Jesus a seus discípulos que confiassem na Providência. Ao demais, eles, nada tendo, não despertariam a cobiça nos que os recebessem. Era um meio de distinguirem dos egoístas os caridosos. Por isso foi que lhes disse: “Procurai saber quem é digno de vos hospedar” ou: quem é bastante humano para agasalhar o viajante que não tem com que pagar, porquanto esses são dignos de escutar as vossas palavras; pela caridade deles é que os reconhecereis.

 

Quanto aos que não os quisessem receber, nem ouvir, recomendou ele porventura aos apóstolos que os amaldiçoassem, que se lhes impusessem, que usassem de violência e de constrangimento para os converterem? Não; mandou, pura e simplesmente, que se fossem embora, à procura de pessoas de boa vontade.

 

O mesmo diz hoje o Espiritismo a seus adeptos: não violenteis nenhuma consciência; a ninguém forceis para que deixe a sua crença, a fim de adotar a vossa; não anatematizeis os que não pensem como vós; acolhei os que venham ter convosco e deixai tranqüilos os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo. Outrora, o céu era tomado com violência; hoje o é pela brandura.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 9 a 11.)

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DECÁLOGO PARA NÓS



1. Guardaremos nossa consciência fiel a Deus acima de tudo.

2. Tomaremos Jesus por Mestre constante seguindo-Lhe os passos.

3. Não permutaremos valores eternos por futilidades do caminho.

4. Honraremos nossos antepassados com o desempenho de nossas obrigações a fim de que o Senhor nos abençoe.

5. Respeitaremos no corpo o vaso sagrado em que se expressará a Vontade Divina.

6. Não esperaremos pelos outros na execução das boas obras.

7. Não mataremos senão o mal que ainda se enraíza dentro de nós.

8. Distribuiremos a verdade com amor de modo a não ferir.

9. Não cobiçaremos do próximo senão a santidade e o caráter cristão.

10. Procuraremos o bem através de todas as pessoas e circunstâncias de pensamento voltado para Jesus, hoje e sempre.
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EMMANUEL
CHICO XAVIER



segunda-feira, 10 de agosto de 2020

CONTA COM DEUS

Não te queixes. Trabalha.
Não te desculpes. Aceita.

Não te lastimes. Age.
Não provoques. Silencia.

Não acuses. Ampara.
Não te irrites. Desculpa.

Não grites. Pondera e explica.
Não reclames. Coopera.

Não condenes. Socorre.
Não te perturbes. Espera.

Nada exijas dos outros.
Conta sempre com Deus.
🍃🌼🍃
Livro: Algo Mais
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel
IDEAL – Instituto de Divulgação Editora André Luiz
 










MENSAGEM DO ESE:

Perdão das ofensas (II)

 

Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus vos perdoe, porquanto, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tendes de indulgência? Oh! ai daquele que diz: “Nunca perdoarei”, pois pronuncia a sua própria condenação. Quem sabe, aliás, se, descendo ao fundo de vós mesmos, não reconhecereis que fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por uma alfinetada e acaba por uma ruptura, não fostes quem atirou o primeiro golpe, se vos não escapou alguma palavra injuriosa, se não procedestes com toda a moderação necessária? Sem dúvida, o vosso adversário andou mal em se mostrar excessivamente suscetível; razão de mais para serdes indulgentes e para não vos tornardes merecedores da invectiva que lhe lançastes. Admitamos que, em dada circunstância, fostes realmente ofendido: quem dirá que não envenenastes as coisas por meio de represálias e que não fizestes degenerasse em querela grave o que houvera podido cair facilmente no olvido? Se de vós dependia impedir as conseqüências do fato e não as impedistes, sois culpados. Admitamos, finalmente, que de nenhuma censura vos reconheceis merecedores: mostrai-vos dementes e com isso só fareis que o vosso mérito cresça.

 

Mas, há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem, com referência ao seu adversário: “Eu lhe perdôo”, mas, interiormente, alegram-se com o mal que lhe advém, comentando que ele tem o que merece. Quantos não dizem: “Perdôo” e acrescentam. “mas, não me reconciliarei nunca; não quero tornar a vê-lo em toda a minha vida.” Será esse o perdão, segundo o Evangelho? Não; o perdão verdadeiro, o perdão cristão é aquele que lança um véu sobre o passado; esse o único que vos será levado em conta, visto que Deus não se satisfaz com as aparências. Ele sonda o recesso do coração e os mais secretos pensamentos. Ninguém se lhe impõe por meio de vãs palavras e de simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade. Não olvideis que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras. 
— Paulo, apóstolo. (Lião, 1861.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 15.)

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NÃO QUEIRAS SABER

 



Crendo-te injustiçado pela Vida, não queiras saber o que fizeste no passado.

Não te arrisques a remexer feridas que ainda não cicatrizaram.

Há grande possibilidade de teres sido em vidas anteriores o que, sob o aspecto negativo, não imaginas que foste.

As tuas mãos, com certeza, mais apedrejaram que abençoaram...

Provavelmente, semeaste mais espinhos do que flores...

Se essa, talvez, ao longo dos milênios, esteja sendo a tua mais proveitosa experiência no corpo, podes deduzir como devem ter sido as demais.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Pai, Perdoa-lhes!")

sábado, 8 de agosto de 2020

NÃO TE PERCAS


Não deixes que te percas
Ao longo do caminho.

Por mais alto te eleves,
Sê fiel às origens.

Guarda a simplicidade
Dos teus dias primeiros.

O pássaro que voa
Sempre regressa ao ninho.

A fonte nunca perde
Contato com a nascente.

Árvore sem raiz,
Qualquer vento a derruba.
🌼🌿🌼
Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José
Do livro "PÃO DA ALMA", ed. Didier


 

 

 


MENSAGEM DO ESE:

O egoísmo (II)

 

Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade; mas, para isso, mister fora vos esforçásseis por largar essa couraça que vos cobre os corações, a fim de se tornarem eles mais sensíveis aos sofrimentos alheios. A rigidez mata os bons senti mentos; o Cristo jamais se escusava; não repelia aquele que o buscava, fosse quem fosse: socorria assim a mulher adúltera, como o criminoso; nunca temeu que a sua reputação sofresse por isso. Quando o tomareis por modelo de todas as vossas ações? Se na Terra a caridade reinasse, o mau não imperaria nela; fugiria envergonhado; ocultar-se-ia, visto que em toda parte se acharia deslocado. O mal então desapareceria, ficai bem certos.
Começai vós por dar o exemplo; sede caridosos para com todos indistintamente; esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo. 
 
O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem a caridade não haverá descanso para a sociedade humana. Digo mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, a vida será sempre uma carreira em que vencerá o mais esperto, uma luta de interesses, em que se calcarão aos pés as mais santas afeições, em que nem sequer os sagrados laços da família merecerão respeito. 
 
Pascal. (Sens, 1862.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 12.)

🌿🌼🌿🌼🌿🌼🌿🌼🌿 

 

EFETUANDO AS CONTAS




De quando a quando, põe-te na condição do ofensor.

Com a experiência que possuis, oriunda de outras vidas, não será difícil imaginar-te na delicada situação de quem fere e magoa.

É que, até o seu presente momento evolutivo sobre a Terra, quase todos muito mais ofenderam do que foram ofendidos.

Concluirás, então, que, efetuando as contas, tens muito mais a pagar do que receber.

De que reclamas, pois, se, por mais ofensas recebas, nunca serás ofendido quanto já ofendeste?
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Pai, Perdoa-lhes!")


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Estude a si mesmo



ESTUDE sua própria personalidade.

De nada nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo, de tudo o que está fora de nós, se não conhecermos a nós mesmos.

Estude sua alma, que é seu verdadeiro eu, que se reflete em sua personalidade exterior.

Nosso corpo é a projeção de nossa alma.

Conheça a si mesmo, para viver uma vida consciente e feliz.
🌼🍃🌼
Do livro MINUTOS DE SABEDORIA, de C. Torres Pastorino










MENSAGEM DO ESE:

Os últimos serão os primeiros (II)

Jesus gostava da simplicidade dos símbolos e, na sua linguagem máscula, os obreiros que chegaram na primeira hora são os profetas, Moisés e todos os iniciadores que marcaram as etapas do progresso, as quais continuaram a ser assinaladas através dos séculos pelos apóstolos, pelos mártires, pelos Pais da Igreja, pelos sábios, pelos filósofos e, finalmente, pelos espíritas. Estes, que por último vieram, foram anunciados e preditos desde a aurora do advento do Messias e receberão a mesma recompensa. Que digo? recompensa maior. Últimos chegados, eles aproveitam dos labores intelectuais dos seus predecessores, porque o homem tem de herdar do homem e porque coletivos são os trabalhos humanos: Deus abençoa a solidariedade. Aliás, muitos dentre aqueles revivem hoje, ou reviverão amanhã, para terminarem a obra que começaram outrora. Mais de um patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um propagador da fé cristã se encontram no meio deles, porém, mais esclarecidos, mais adiantados, trabalhando, não já na base e sim na cumeeira do edifício. Receberão, pois, salário proporcionado ao valor da obra.

O belo dogma da reencarnação eterniza e precisa a filiação espiritual. Chamado a prestar contas do seu mandato terreno, o Espírito se apercebe da continuidade da tarefa interrompida, mas sempre retomada. Ele vê, sente que apanhou, de passagem, o pensamento dos que o precederam. 

Entra de novo na liça, amadurecido pela experiência, para avançar mais. E todos, trabalhadores da primeira e da última hora, com os olhos bem abertos sobre a profunda justiça de Deus, não mais murmuram: adoram.
Tal um dos verdadeiros sentidos desta parábola, que encerra, como todas as de que Jesus se utilizou falando ao povo, o gérmen do futuro e também, sob todas as formas, sob todas as imagens, a revelação da magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no Universo, da solidariedade que liga todos os seres presentes ao passado e ao futuro.

— Henri Heine. (Paris, 1863.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 3.)


🍃🌼🍃🌼🍃🌼🍃🌼


Há momentos muito difíceis, que parecem insuperáveis, enriquecidos de problemas e dores que se prolongam, intermináveis, ignorados pelos mais próximos afetos, mas que Deus sabe.

Muitas vezes te sentirás à borda de precipícios profundos, em desespero, e por todos abandonado. No entanto, não te encontrarás a sós, porque, no teu suplício, Deus sabe o que te acontece.

Injustiçado, e sob o estigma de calúnias destruidoras, quando, experimentando incomum angústia, estás a ponto de desertar da luta, confia mais um pouco, e espera, porque Deus sabe a razão do que te ocorre.

Vitimado por cruel surpresa do destino, que te impossibilita levar adiante os planos bem formulados, não te rebeles, entregando-te à desesperação, porque Deus sabe que assim é melhor para ti.

Crucificado nas traves ocultas de enfermidade pertinaz, cuja causa ninguém detecta, a fim de minimizar-lhe as conseqüências, ora e aguarda ainda um pouco, porque Deus sabe que ela vem para tua felicidade.

Deus sabe tudo!

Basta que te deixes conduzir por Ele, e sintonizado com a Sua misericórdia e sabedoria, busca realizar o melhor, assinalando o teu caminho com as pegadas de luz, características de quem se entregou a Deus e em Deus progride.
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FRANCO, Divaldo Pereira. Filho de Deus. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Benefícios


Ante a causa do bem,

Não temas empecilhos.

Pelo mal faze o bem,

e ajuda sem prender-te.

Poder auxiliar,

É um prêmio que reténs.

Não peças gratidão,

A quem beneficies.

A árvore não come,

Os frutos que produz.

Se já queres servir,

Rende graças a Deus.
🌷🌿🌷
Emmanuel
Chico Xavier






MENSAGEM DO ESE:

Fora da caridade não há salvação

Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam. — Paulo, o apóstolo.
🌿🌷🌿
 (Paris, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, item 10.)

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Fortaleza e Ânimo


Tenha fortaleza e ânimo, para resistir a todos os embates e tempestades do caminho.


Não se iluda: mesmo a estrada do bem está cheia de tropeços e dificuldades…


Continue, porém!


Não dê ouvidos às pedras colocadas pela inveja, pelo ciúme, pela intriga…


Marche de cabeça erguida, confiantemente, e vencerá todos os obstáculos da caminhada.


E, se for ferido, lembre-se de que as cicatrizes serão luzes que marcarão a sua vitória.
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Minutos de Sabedoria

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Contempla mais longe


Porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão. – Jesus. (Lucas, 6:38.)

Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a focas.

Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso, além da caça abundante.

Para o homem de religião sectária, a glória de além-túmulo pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.

Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais que o rodeiam são pequeninos departamentos do Universo.

Transfere a observação para o teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na consciência.

Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.

Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho.

Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.

Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranqüila, em que colocas a própria mente. E, dentro da organização na qual te comprazes, viverás com os gênios que invocas. Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil recursos diferentes de servir.

Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a mesma medida que aplicares à Natureza, obra viva de Deus, a Natureza igualmente te medirá.
🌿🌼🌿
Emmanuel
Chico Xavier



MENSAGEM DO ESE:

Jesus

Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veio cumpri-la, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. Por isso é que se nos depara, nessa lei, o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, base da sua doutrina. Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas, ele, ao contrário, as modificou profundamente, quer na substancia, quer na forma. Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta única prescrição: “Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo”, e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas.

Por estas palavras: “O céu e a Terra não passarão sem que tudo esteja cumprido até o último iota”, quis dizer Jesus ser necessário que a lei de Deus tivesse cumprimento integral, isto é, fosse praticada na Terra inteira, em toda a sua pureza, com todas as suas ampliações e conseqüências. Efetivamente, de que serviria haver sido promulgada aquela lei, se ela devesse constituir privilégio de alguns homens, ou, sequer, de um único povo? Sendo filhos de Deus todos os homens, todos, sem distinção nenhuma, são objeto da mesma solicitude.

Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina. Ele viera ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; viera ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz, os meios de eles se reconciliarem com Deus e de pressentirem esses meios na marcha das coisas por vir, para a realização dos destinos humanos. Entretanto, não disse tudo, limitando-se, respeito a muitos pontos, a lançar o gérmen de verdades que, segundo ele próprio o declarou, ainda não podiam ser compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos implícitos. Para ser apreendido o sentido oculto de algumas palavras suas, mister se fazia que novas idéias e novos conhecimentos lhes trouxessem a chave indispensável, idéias que, porém, não podiam surgir antes que o espírito humano houvesse alcançado um certo grau de madureza. A Ciência tinha de contribuir poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento de tais idéias. Importava, pois, dar à Ciência tempo para progredir.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, itens 3 e 4.)

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O valor de cada um



Narra uma lenda indiana que um homem foi contratado para levar água do córrego à residência do seu amo, todos os dias.

A sua tarefa consistia em encher um grande recipiente com a água cristalina.

Para isso, lhe forneceram dois potes, amarrados com cordas a um pedaço de madeira especial, que ele carregava aos ombros, um de cada lado.

Todas as manhãs, mal rompia o dia, lá estava ele enchendo os potes de barro, caminhando pela estrada e realizando o seu trabalho com muita alegria.

Passados alguns meses, o trabalhador observou que um dos potes rachou. Assim, no trajeto do córrego até a casa do seu senhor, muita água se ia perdendo pelo caminho, de forma que em vez de chegar com dois potes cheios, ele chegava com somente um e meio.

Numa manhã, o servidor foi surpreendido pela fala do pote rachado que lhe perguntou por que ele não o substituía por um novo. Ele estava rachado. Perdia muita água. Não servia mais.

O homem, entusiasmado, lhe respondeu:

De forma nenhuma considero você inutilizado para o trabalho. Você talvez não tenha se dado conta mas vai sempre pendurado do meu lado direito.

O fato de você ir derramando água pelo trajeto, fez-me perceber que a terra daquele lado ficou umedecida, mais verde.

Então, vendo a terra assim tão disposta, arranjei algumas sementes de flores e as semeei. Se você prestar atenção, verificará que do lado direito há um canteiro de flores belas, perfumadas e coloridas.

Graças à sua rachadura, transformei o caminho em um jardim agradável.

Mas o pote voltou à carga.

Contudo, o seu amo está sendo lesionado e não deve estar gostando nada do seu desempenho. Você foi contratado para levar dois potes cheios de água, e chega somente com um e meio.
Novamente, o homem respondeu, feliz:

Ao contrário. Cada dia meu amo mais aprecia o meu trabalho e a minha dedicação. Desde que as flores começaram a surgir, na sua profusão de qualidades e encantos, passei a colher algumas.

Levo-as com cuidado e as deposito no vaso na mesa da sala do meu senhor.

Ele se delicia com o perfume. E já o surpreendi, mais de uma vez, a acariciar as pétalas das flores, encantado.
* * *
À semelhança do pote rachado, alguns de nós nos sentimos inúteis na vida. Parece-nos que não somos importantes a ninguém, que nada de útil ou bom fazemos.

Mas não é verdade. Pensemos em quantas vidas influenciamos com a nossa presença. Pensemos no que, mesmo com nossos poucos recursos, podemos realizar a bem de quem vive à nossa volta.

Quem dispõe de voz, pode usá-la para cantar uma canção e alegrar o dia. Quem dispõe de braços, pode estendê-los na direção do outro e agasalhá-lo nos dias da adversidade, como um colo de mãe protege o filho.

Quem tem pernas saudáveis, pode direcioná-las no caminho da carência e aliviar dores escondidas em casebres, barracos e ruas.

Quem tem um coração que ama, pode modificar o mundo, começando pelo seu local de trabalho, seu lar, sua rua, sua comunidade.
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Redação do Momento Espírita, com base em conto narrado por Divaldo Pereira Franco, no
IV Simpósio Paranaense de Espiritismo, em 22.8.1999, em Curitiba, Paraná.
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Formatação e pesquisa: MILTER – 04-08-2019 

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Nos momentos graves



Diante de alguma desilusão que te impulsione a perder o incentivo para o trabalho…

Diante da incerteza que te visite, apontando-te as tentações e riscos que te ameacem…

Diante de mudanças imprevistas que te obriguem a pensar e a deliberar, sem a escora de afetos, com os quais já não contas…

Diante da crítica destrutiva que te induza a desistir de cooperar na oficina do bem…

Diante de seres queridos que te deixem a sós, sem comiseração por tua sede e necessidade de companhia…

Diante de palavras impensadas, partidas de pessoas estimáveis que te façam mergulhar no poço da amargura…

Diante do corpo doente e abatido que te lance o pensamento no deserto da tristeza e da insegurança…

Quando a morte reduzir ao silêncio a voz daqueles que se te fazem queridos…

Quando qualquer sofrimento te abale os recessos da própria alma, entrega-te à fé, refugia-te em Deus, pensa em Deus, confia em Deus e espera por Deus, porque, acima de todas as tempestades e quedas, tribulações e desenganos, Deus te sustentará.
🦋🌼🦋
Emmanuel
(Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier. Do livro Confia e Segue – Edição GEEM)



MENSAGEM DO ESE:

A piedade

A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que vos conduz a Deus. Ah! deixai que o vosso coração se enterneça ante o espetáculo das misérias e dos sofrimentos dos vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que lhes derramais nas feridas e, quando, por bondosa simpatia, chegais a lhes proporcionar a esperança e a resignação, que encanto não experimentais! Tem um certo amargor, é certo, esse encanto, porque nasce ao lado da desgraça; mas, não tendo o sabor acre dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio que estes últimos deixam após si. Envolve-o penetrante suavidade que enche de jubilo a alma. A piedade, a piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o olvido de si mesmo e esse olvido, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e tão sublime.

Quando esta doutrina for restabelecida na sua pureza primitiva, quando todos os povos se lhe submeterem, ela tornará feliz a Terra, fazendo que reinem aí a concórdia, a paz e o amor.

O sentimento mais apropriado a fazer que progridais, domando em vós o egoísmo e o orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade! piedade que vos comove até às entranhas à vista dos sofrimentos de vossos irmãos, que vos impele a lhes estender a mão para socorrê-los e vos arranca lágrimas de simpatia. Nunca, portanto, abafeis nos vossos corações essas emoções celestes; não procedais como esses egoístas endurecidos que se afastam dos aflitos, porque o espetáculo de suas misérias lhes perturbaria por instantes a existência álacre. Temei conservar-vos indiferentes, quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade comprada à custa de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do mar Morto, no fundo de cujas águas se escondem a vasa fétida e a corrupção.

Quão longe, no entanto, se acha a piedade de causar o distúrbio e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Sem dúvida, ao contacto da desgraça de outrem, a alma, voltando-se para si mesma, experimenta um confrangimento natural e profundo, que põe em vibração todo o ser e o abala penosamente. Grande, porém, é a compensação, quando chegais a dar coragem e esperança a um irmão infeliz que se enternece ao aperto de uma mão amiga e cujo olhar, úmido, por vezes, de emoção e de reconhecimento, para vós se dirige docemente, antes de se fixar no Céu em agradecimento por lhe ter enviado um consolador, um amparo. A piedade é o melancólico, nas celeste precursor da caridade, primeira das virtudes que a tem por irmã e cujos benefícios ela prepara e enobrece. 
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— Miguel. (Bordéus, 1862)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 17.)

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REENCARNAÇÕES PASSADAS


Não demos excessivo crédito a quem nos venha fazer revelações acerca de passadas existências.

Sobre a Terra, tais revelações muito raramente acontecem e, quando acontecem, elas são diretamente obtidas pelos que, através da reflexão ou de desdobramentos espontâneos, conseguem acessá-las.

Assim mesmo, as referidas revelações são sempre fragmentárias e quase nunca vêm com maiores detalhamentos.

Muitos dos que de nós se aproximam, portando notícias sobre nossas vidas pretéritas, em relação a nós, estão, talvez, a ocultar os seus verdadeiros interesses.

Nisto, não raro, há um interesse de ordem afetiva ou financeira.

Infelizmente, este tem sido um dos modos com que a crença na Reencarnação vem sendo ridicularizada pelos céticos.

A rigor, nenhum espírito fora do corpo tem o poder de saber o que fomos ou fizemos em vida anterior – isto, no mínimo, seria invasão de privacidade.

Ao espírita, basta saber que a sua atual encarnação é a melhor oportunidade de ascensão espiritual que as Leis da Vida já lhe concederam.

Trate, pois, de bem aproveitá-la.
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Livro: Nos Passos de Jesus
Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Laurentino Simões
LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo