domingo, 30 de abril de 2017

ROGATIVAS E RESPOSTAS


Para compreender certas respostas Celestiais às rogativas terrestres, vejamos algumas das respostas humanas aos anseios da natureza.

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Quando a terra desejou melhorar-se para produzir em regime de educação, o lavrador rasgou-lhe o seio para exalta-la feliz.

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Quando a semente anelou servir à mesa, foi arrojada pelo cultivador à cova fria e escura para que se lhe atendesse à generosa destinação.

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Quando a argila desejou brilhar no santuário, em forma de vaso nobre, foi constrangida pelas mãos do oleiro a sofrer a tensão do forno.

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Quando o minério quis elevar-se do serro bruto à bênção da utilidade, foi conduzido pelo artífice ao calor ardente da forja, para que se lhe imprimisse nova feição.

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Quando o animal aspirou a companhia do homem, a fim de respirar-lhe o ambiente doméstico, foi obrigado a esquecer a vida livre, para suportar o açoite e a cangalha, o laço e o ferrão.

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Pelas respostas do homem aos seres e às cousas simples dos reinos inferiores à condição em que ele ainda estagia, podemos observar que as respostas dos anjos às nossas próprias súplicas nem sempre podem ser confortantes e lisonjeiras, no sentido imediatista do mundo, de vez que, sem a dor e sem a renúncia, sem a disciplina e sem o sacrifício, ninguém se habilita à ascensão da sombra para a luz.

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Se te consagras à prece, como recurso de purificação e melhoria, roga, antes de tudo, não a materialização de teus transitórios e quase sempre injustificáveis desejos, mas sim o cumprimento da Vontade do Senhor a teu respeito, porquanto, pelas aflições constringentes e pelos duros aguilhões que hoje te cercam prepararás, no trabalho e na esperança, embora fatigado e suarento, a colheita de paz e felicidade que te coroará o porvir.
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Emmanuel
Chico Xavier 


sábado, 29 de abril de 2017

AÇÃO DE PAZ


A paz é um dos tesouros mais desejados nos dias atuais. Muito se tem investido para se conseguir um pouco desse bem tão precioso.

Mas será que nós, individualmente, temos feito investimentos efetivos visando tal conquista?

O que geralmente ocorre é que temos investido nossos esforços na direção contrária, e de maneira imprópria.

É muito comum desejar a paz e buscá-la por caminhos tortos, que acabam nos distanciando dela ainda mais.

O Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, escreveu, certa feita, uma mensagem que intitulou ação de paz.

Eis o seu conteúdo:

“Aflição condensada é semelhante à bomba de estopim curto, pronta a explodir a qualquer contato esfogueante.

Indispensável saber preservar a tranquilidade própria, de modo a sermos úteis na extinção dessa ou daquela dificuldade.

Decerto que para cooperar no estabelecimento da paz, não nos seria lícito interpretar a calma por inércia.

Paciência é a compreensão que age sem barulho, em apoio da segurança geral.

Refletindo com acerto, recebe a hora de crise sem qualquer idéia de violência, porque a violência sempre induz ao estrangulamento da oportunidade de auxiliar.

Diante de qualquer informação desastrosa, busca revestir-te com a serenidade possível para que não te transformes num problema, pesando no problema que a vida te pede resolver.

Não afogues o pensamento nas nuvens do pessimismo, mentalizando ocorrências infelizes que provavelmente jamais aparecerão.

Evita julgar pessoas e situações em sentido negativo para que o arrependimento não te corroa as forças do espírito.

Se te encontras diante de um caso de agressão, não respondas com outra agressão, a fim de que a intemperança mental não te precipite na vala da delinquência.

Pacifica a própria sensibilidade, para que a razão te oriente os impulsos.

Se conservas o hábito de orar, recorre à prece nos instantes difíceis, mas se não possuis essa bênção, medita suficientemente antes de falar ou de agir.

Os impactos emocionais, em qualquer parte, surgem na estrada de todos; guarda, por isso, a fé em Deus e em ti mesmo, de maneira a que não te afastes da paz interior, a fim de que nas horas sombrias da existência possa a tua paz converter-se em abençoada luz.”

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 As palavras lúcidas de Emmanuel nos sugerem profundas reflexões em torno da nossa ação diária.

Importante que, na busca pela paz não venhamos a ser causadores de desordem e violência.

Criando um ambiente de paz na própria intimidade, poderemos colaborar numa ação efetiva para que a paz reine em nosso lar, primeiramente, e, depois possa se estender mundo afora.

Se uma pessoa estiver permanentemente em ação de paz, o mundo à sua volta se beneficiará com essa atitude.

E se a paz mundial ainda não é realidade em nosso Planeta, façamos paz em nosso mundo íntimo. Essa atitude só depende de uma única decisão: a sua.

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A sua paz interior é capaz de neutralizar o ódio de muitas criaturas.

Se você mantiver acesa a chama da paz em sua intimidade, então podemos acreditar que a paz mundial está bem próxima.

Porque, na verdade, a paz do mundo começa no íntimo de cada um de nós.
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 Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Emmanuel, do livro Urgência, psicografia de Francisco C. Xavier. 
 
 
 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

HOJE E AMANHÃ


Guardas a intenção de confortar o companheiro necessitado ou doente?
 Atende-a, hoje mesmo, compreendendo a oportunidade da tua sementeira de alegria.

Desejas acertar, desesperadamente, alguma conta de tua dignidade ferida? Relega semelhante serviço
para amanhã, porque à noite, com serenidade e oração, renovar-te-á os pensamentos e talvez encontrarás motivos para esquecer todo mal.

Pretendes realizar algum trabalho que signifique cooperação em favor da melhoria do próximo ou de ti mesmo? 
Realiza-o, hoje mesmo, valendo-te dos abençoados recursos que a hora te oferece.

Sentes a necessidade de querelar ou discutir com o vizinho, no propósito de retificar-lhe a conduta? Espera amanhã, porquanto é possível que o teu silêncio fale mais alto, anulando-se a possibilidade de maiores desentendimentos.

Propõe-te a auxiliar alguém, pronunciar alguma palavra de solidariedade e estímulo, desculpar
fraternalmente, oferecer uma nota de amizade ao companheiro de experiência ou escrever uma página
edificante? 
Age rapidamente, hoje mesmo, porque o bem é sublime em qualquer parte e a todo instante, ainda
quando mal interpretado pela ignorância ou pela malícia.

Alimentas o desejo de curar as desarmonias da estrada pela imposição de tua força, assumir atitudes
extremas com os outros, examinar questões que te não dizem respeito o endereçar palavras ásperas, faladas ou escritas, na direção do homem ou da sociedade? 
Aguarda o dia de amanhã, de vez que, comumente, num simples minuto, reformamos nossos conceitos da vida, sob a inspiração da verdadeira piedade.

Atende ao bem com presteza, mas, em todo problema de posição duvidosa, em que a tua própria boa
intenção pode converter-se em mal para o caminho dos outros e para o teu próprio caminho, abstém-te e espera.

Hoje é sempre o dia de fazer o melhor que pudermos.

Amanhã, invariavelmente é o dia do resultado de nossas próprias ações.
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Agar
Chico Xavier 
 
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

CONFIANÇA DO MESTRE


Todos somos obreiros do progresso.

Todos estamos endereçados à perfeição.

Comumente, porém, declaram-nos incapacitados para quaisquer realizações de natureza espiritual, que demandem elevação, e articulamos respostas negativas, às requisições de serviços; demorando-nos, indefinidamente, em ponto morto.

Importante para nós, todavia, reconhecer que Jesus, a quem proclamamos obedecer, não pensava de modo semelhante.

Disse-nos o Senhor: 
 - “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está nos Céus .
Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres.

Identificareis a árvore pelo fruto.

Buscai e achareis.

Amai os vossos inimigos.

Orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Se alguém vos fere numa face, oferecei também a outra.

Acumulai tesouros nos Céus.

Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei “.


Meditemos nas afirmativas do Cristo a nosso respeito.

Justo ponderar que Ele de ninguém solicitou o impossível. E, se apelou para nós, conclamando-nos a acender a luz da fé viva, procurar a verdade, amealhar conquistas da alma, conservar a consciência tranquila e amar-nos fraternalmente, é que podemos empregar boa vontade e esforço constante, no próprio burilamento a fim de O atendermos.
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Emmanuel 
Chico Xavier 


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Deus virou para um homem que estava muito desanimado e disse-lhe: “Meu filho, tenho uma missão para você. Sabe aquela pedra enorme que está perto da sua casa? Quero que a empurre sem parar, faça chuva ou faça sol não pare de empurrá-la, empurre-a com toda tua força e toda a tua vontade."

E o homem respondeu: “Sim Senhor eu farei o que me pede." E mesmo sem entender, o homem resolveu obedecer. Dia a dia ele pelejava empurrando a pedra com toda a sua força, mas ela não se mexia. E cada noite, retornava para a sua casa aborrecido, sentido que seu esforço era em vão. 

Percebendo o desânimo do homem, o inimigo decidiu entrar em cena colocando pensamentos negativos em sua mente desgastada tentando desanimá-lo para que desistisse da missão que Deus tinha confiado a Ele, e disse: -“Você tem empurrado essa pedra por tanto tempo, e ela ainda não se moveu. Não acha melhor desistir? Deixe essa tarefa para outro.”

Esses pensamentos minavam o seu espírito e davam-lhe a impressão de que era um fracassado. Pensando em desistir, elevou seus pensamentos em oração e disse: - “Senhor, tenho trabalhado duro fazendo exatamente aquilo que o Senhor me mandou, entretanto, após todo esse tempo não consegui mover a pedra nem por um milímetro. O que está errado? Porque tenho falhado?”

O Senhor, em sua infinita misericórdia e conhecendo a aflição que tomava conta daquele coração, respondeu-lhe: - “Meu filho, quando eu lhe disse que tinha uma missão para você, você aceitou, expliquei-lhe que o seu trabalho seria empurrar a pedra todos os dias, e é o que você tem feito. Eu nunca lhe ordenei que a movesse. Porque você pensa que falhou? Olhe para os seus braços, suas mãos e pernas e veja como estão fortes e firmes. Todos esses atributos lhe fazem melhor do que antes, você está mais forte, observe que o seu chamado foi para empurrar a pedra exercitando sua força e confiança na minha Palavra. Você fez exatamente o que lhe pedi e quando chegar a hora, Eu mesmo moverei a pedra."

Às vezes, quando ouvimos uma palavra de Deus, ficamos tentando decifrar o que Ele quer de nós, quando na verdade o que Ele deseja é, apenas, nossa obediência, e fé. Em todos os sentidos, exercite a fé que move montanhas, mas saiba que continua sendo Deus quem as move.

Assim: Quando tudo lhe parecer errado, quando o trabalho te deixar pra baixo, quando as pessoas não agirem conforme você esperava, quando seu dinheiro ficar escasso, apenas “empurre” e confie no Senhor.Então continue “empurrando a pedra”, e com o tempo, Deus revelará quais são os Seus propósitos em sua missão.

As adversidades vêm, mas a ordem é; empurre a pedra, com fé e confiança.

Persevere, continue, Deus moverá a pedra!

Desconhecemos a autoria.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

O óbvio



Certa vez, um amigo abordou o intérprete de “Parnaso de Além Túmulo” e perguntou-lhe:

- Chico, na sua opinião, qual é o homem mais rico?

Como se estivesse a ouvir a voz de Emmanuel nos escaninhos da alma, o médium respondeu:

- Para mim, o homem mais rico é o que tenha menos necessidades.

Arriscando nova pergunta, o companheiro quis saber:

- E o homem mais justo e sábio?

Com a mesma espontaneidade, ele esclareceu:

- O homem mais justo e sábio é o que cumpre com o dever.

- Mas – insistiu o confrade, certamente, interessado em alguma revelação que lhe facilitasse a vida – o que você está me dizendo é o óbvio.

Com o fraterno sorriso de sempre, sem se deter na tarefa de atendimento aos que lhe procuravam a palavra, Chico redarguiu:

- Meu filho, tudo que está no Evangelho é o óbvio.
Não existem segredos nem mistérios para a salvação da alma. Nada mais óbvio que a Verdade!
O nosso problema é justamente este: queremos alcançar Céu, vivendo fora do óbvio na Terra! 
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Carlos Baccelli


terça-feira, 25 de abril de 2017

CRIANÇAS DOENTES




Acalentas nos braços o filhinho robusto que o lar te trouxe e, com razão, te orgulhas dessa pérola viva. Os dedos lembram flores desabrochando, os olhos trazem fulgurações dos astros, os cabelos 
recordam estrigas de luz e a boca assemelha-se a concha nacarada em que os teus beijos de ternura desfalecem de amor.

Guarda-o, de encontro ao peito, por tesouro celeste, mas estende compassivas mãos aos pequeninos enfermos que chegam à Terra, como lírios contundidos pelo granizo do sofrimento.

Para muitos deles, o dia claro ainda vem muito longe...

São aves cegas que não conhecem o próprio ninho, pássaros mutilados, esmolando socorro em recantos sombrios da floresta do mundo... Às vezes, parecem anjos pregados na cruz de um corpo paralítico ou mostram no olhar a profunda tristeza da mente anuviada de densas trevas.

Há quem diga que devem ser exterminados para que os homens não se inquietem; contudo, Deus, que é a Bondade Perfeita, no-los confia hoje, para que a vida, amanhã, se levante mais bela.

Diante, pois, do teu filhinho aquinhoado de reconforto, pensa neles!... São nossos outros filhos do coração, que volvem das existências passadas, mendigando entendimento e carinho, a fim de que se desfaçam dos débitos contraídos consigo mesmos...

Entretanto, não lhes aguardes rogativas de compaixão, de vez que, por agora, sabem tão somente padecer e chorar.

Enternece-te e auxilia-os, quanto possas!...

E, cada vez que lhes ofertes a hora de assistência ou a migalha de serviço, o leito agasalhante ou a lata de leite, a peça de roupa ou a carícia do talco, perceberás que o júbilo do Bem Eterno te envolve a alma no perfume da gratidão e na melodia da bênção.
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Meimei
Chico Xavier  

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mais com Jesus


Desarrazoado exigir de qualquer de nós transformações intempestivas.

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Por mais formosas e edificantes as lições de aperfeiçoamento moral, é forçoso acomodar-nos com o espírito de seqüência, na marcha do tempo, a fim de que nos afaçamos a elas, adaptando-nos gradativamente aos princípios que nos preceituem.

Ser-nos-á, porém, claramente possível melhorar-nos com mais urgência e segurança se adotarmos a prática de permanecer um tanto mais com Jesus, cada dia.
 
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Problemas intricados surgiram, concitando-nos a soluções inadiáveis.

Se estivermos de sentimento interligado um pouco mais com o Cristo, aprenderemos a ceder de nós, sem qualquer empeço, apagando as questões que nos induzam à perturbação e à discórdia.

Apareceram desacatos, impulsionando-nos ao revide.

Se os recebemos, um tanto mais com Jesus, em nossas atitudes e respostas, todas as expressões de desapreço serão dissolvidas nas fontes da compreensão e da tolerância.

Surpreendemos companheiros que se fazem difíceis.

Se lhes acolhemos os obstáculos, conservando as nossas diretrizes e providências, um tanto mais com Jesus, para breve se nos transfiguram em colaboradores valiosos, convertendo-se, por fim, em estandartes vivos de nossas ideias.

Encontramos desencantos nas trilhas da experiência.

Aceitando-os, no entanto, um tanto mais com Jesus em nosso comportamento, para logo se transformam em lições e bênçãos que passamos a agradecer à sabedoria da vida.

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Em casa, no grupo de trabalho, na vida social, na profissão, no ideal ou na via pública, experimentemos sentir, pensar, falar e agir, um tanto mais com o Cristo, e observemos os resultados.

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Pouco a pouco, percebemos que o Senhor não nos pede prodígios de transformação imediata ou espetáculos de grandeza, e sim que nos apliquemos ao bem, de modo a caminhar com Ele, passo a passo, na edificação de nossa própria paz.

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Não te atemorizem programas de reajuste, corrigenda, sublimação ou burilamento.

Ante as normas que nos indiquem elevação para a Vida Superior, recebamo-las respeitosamente, afeiçoando-nos a elas, e, seguindo adiante, na base do dever retamente executado e da consciência tranquila, pratiquemos a regra da ascensão espiritual segura e verdadeira: sempre um tanto menos com os nossos pontos de vista pessoais e, a cada dia que surja, sempre um tanto mais com Jesus.
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Emmanuel
Chico Xavier 

domingo, 23 de abril de 2017

Culto Cristão no Lar



     Você, mãe, não ignora a influência que o ambiente exerce sobre as criaturas, em geral, e sobre a criança, em particular.

A criança, em sua generalidade, nada mais é do que um Espírito necessitado de reparar faltas e falhas do passado e de, pelo desenvolvimento de qualidades positivas, fazer com que, pouco a pouco, desapareçam suas imperfeições e fraquezas.

E o ambiente espiritual em que cada criança se sentir envolvida, muito, por certo, a auxiliará.

Você, que deseja, acima de tudo, o bem de seu filho, há de, certamente, lhe querer proporcionar esse ambiente favorável, porque, realmente, esta é a sua principal missão no Mundo.

Quando Deus nos concede um lar não é apenas para que tenhamos nele conforto e comodidade, apoio material e moral, um escudo de proteção contra os perigos da vida.  Não; é também e, principalmente, para que realizemos, dentro dele, uma obra silenciosa, de dedicação, de renúncia, de amor construtivo, isento de egoísmo e de ciúme, livre de sentimentos que com o amor não se coadunem.

Para que o seu consorte vença as suas provações e vicissitudes na vida, para que seus filhos se preparem também para vencer, para que todos se sintam ao abrigo de influências destrutivas, mister se faz que o seu coração constitua um centro de irradiações de paz, de harmonia, de compreensão, de tolerância, de bondade, de caridade, enfim, de amor cristão.

Faça do lar um núcleo gratificante, um oásis de retemperamento para todos os que nele vivem e para todos os que dele se aproximem.

Cultive o Evangelho no seu coração, na intimidade dos pensamentos e sentimentos.  Imprima-lhe esse cunho de espiritualidade que só as mulheres sabem dar a todas as coisas.  Procure sentir-se sempre mais feliz em dar, do que em receber.  Não exija isto ou aquilo daqueles que a cercam.  Procure, sim, dar alguma coisa de si mesma.  Não exija que as criaturas sejam o que Você imagina ou desejaria que elas fossem. É possível que cada uma delas também deseje que Você seja diferente do que é. Aceite-as tais quais são.  Esforce-se por compreendê-Ias mais do que ser por elas compreendida.

Cada um de nós sempre vive exigindo que os outros nos compreendam, nos desculpem, nos tolerem, nos queiram bem, maigrado os nossos defeitos que, por certo, os hão de incomodar.  Mas qual de nós procura dar aos outros compreensão, tolerância, bem querer, malgrado os defeitos que eles também apresentem?

Não faça juízos temerários nem apressados.  Procure ver tudo com bons olhos, detendo-se na melhor parte, olhos que descubram o bem antes do mal.

Procure sempre explicações simples e naturais, que assim estará mais perto da Verdade e em melhores condições de viver e conviver pacificamente.  Cultive a simplicidade em todas as coisas, principalmente no pensar e no sentir.  Esforce-se por afeiçoar sua vida e seu coração ao Evangelho de Jesus.  Mas veja bem - sua vida, não a vida dos outros.  Ponha todo o empenho em ser, hoje, melhor do que o foi ontem, entendendo os defeitos do próximo como instrumentos para burilar-lhe o espírito e como oportunidades de Você verificar o real aproveitamento dos ensinos do Evangelho.  Seja a prece uma constante nos seus dias e faça do lar um Templo da Religião do Amor, que estará assim colaborando, da maneira mais eficiente, para a instauração do Reino de Deus na face da Terra.
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Por: PASSOS LIRIO
Fonte: Revista Espírita “O Reformador” – FEB – Agosto/2000
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Segundo ano sem a presença física do Professor Wagner de Castro. Gratidão pelos ensinamentos, pelo colo e amizade. Uma oração é a única coisa que podemos fazer neste momento. Até logo, querido Professor!


Nasceu em Franca (SP), em 27 de julho de 1917, tendo aqui vivido cinco anos. Posteriormente, a família Castro mudou-se para Ribeirão Preto e São Paulo, onde Wagner começou a desenhar sozinho. Já adulto, decidiu-se dedicar à pintura, mas freqüentou a escola de Belas Artes somente por dois meses, não se adaptando aos ensinamentos acadêmicos. Em 1939, ao visitar os avós maternos em Passos, Minas Gerais, ficou encantado com a pequena cidade e, em 1944, mudou-se para lá, o que acabou por afastá-lo definitivamente dos ambientes da produção artística moderna.
Em 1953, foi nomeado professor de Desenho, Trabalhos Manuais e Modelagem para lecionar em escolas estaduais de Passos.
Apenas em 1964 fez sua primeira exposição em São Paulo, em uma Galeria de Arte na rua Augusta, quando teve o primeiro contato com Pietro Maria Bardi, que o convidou para expor no MASP. Sua exposição seguinte aconteceu numa galeria de arte de Belo Horizonte, em 1968. A exposição do MASP somente aconteceu depois de uma exposição que fez em Franca, na Pinacoteca Municipal, em 1980. Em 1983, fez exposição na Galeria de Arte do Teatro Nacional de Brasília e, mais recentemente, em Belo Horizonte, no Museu da Pampulha.
Aposentado como professor em 1987, Wagner pode dedicar-se integralmente à pintura. Doou um conjunto de obras de seu acervo particular para o patrimônio municipal de Passos, permitindo a criação pela Prefeitura Municipal, na Casa da Cultura de Passos, do "Espaço Artístico Wagner de Castro", que conta hoje com 57 pinturas a óleo sobre eucatex de grandes proporções.
Diariamente, sempre a passos tranqüilos e suaves, o pintor Wagner cumpre um ritual: das 13 às 17 horas vai para o Espaço Artístico, orientando uma média anual de 10 alunos, encontrando também disposição para executar novos trabalhos.
Faleceu no dia 23 de Abril de 2015. 
 
Fonte: http://www.laboratoriodasartes.com.br/wagner.html

sábado, 22 de abril de 2017

ESPERANÇA E CONFORTO


Sofres, porque se sucedem os dias da tua existência física sem que alcances o patamar da plenitude que almejaste por todo o tempo.

Estabeleceste que assim se daria com a posse e a conquista de recursos variados que apaziguassem as ânsias da mente ambiciosa, bem como as necessidades do sentimento, por meio do coração.

Examinas as conquistas de que dispões e a melancolia, defluente do quase vazio existencial, apresenta-se na condição de indumentária asfixiante das emoções.

Não te podes apartar da tristeza, que sempre te acompanha os passos e balbucia melancólicas mensagens ao teu sentimento.

As pequenas alegrias decorrentes das expectativas tisnam a limpidez do teu sorriso e lágrimas aljofram nas comportas dos olhos, como pequenos fios líquidos de dor, que não cessam de escorrer.

Gostarias, sim, de amar e de ser amado.

Vês o mundo risonho, os parceiros joviais e encantadores, uns em alacridade incomum, outros em festivais de emoções e alguns tristes, distanciados do fenômeno da ilusão, muitos amargurados e cheios de tormentos.

Existe a ebriez do sentimento e a das paixões, mescladas com tormentos que desconheces.

É necessário discernimento para compreender as ocorrências humanas e, por melhor que seja, não logra alcançar a profundeza da realidade. Cada ser é especial, com experiência muito pessoal, diversa de todas as demais existentes, embora a aparência que venha a existir.

Inicialmente, porque nem tudo que se deseja na Terra se consegue alcançar, conforme as aspirações mantidas. Tem-se o que é necessário, mas nunca falta a ambição pelo excesso, especialmente quando não é aplicado em favor do Bem.

Há, também, imensa mole humana que padece escassez de tal natureza, que morrem, muitos de fome e abandono.

Também existem aqueles que se deixam arrastar pelos acontecimentos, como se deles não participassem.

Reflexiona, em tua solidão, que as estradas libertadoras, as que conduzem ao paraíso - as da Úmbria e do Calvário -, somente podem ser percorridas com êxito em solidão. Aqueles que tiveram a coragem de seguir os que as iniciaram, entregaram-se à renúncia e à soledade, não olhando para trás, nem se permitindo os sonhos defluentes das aspirações infantis e dos ricos de ilusórios.

O roteiro solitário é feito sobre espinhos e abrolhos, que a imaginação transforma em pétalas de rosas e tapetes macios.

Anelavas por companhia amorosa e sonhas com sorrisos de júbilos a ti dirigidos.

Mantém a esperança e aguarda, porque tudo é efêmero no mundo, incluindo o corpo, e nada pertence a ninguém, inclusive a roupagem carnal que usa.

Sorri para as dificuldades que te ferem, trabalhando em favor do teu amanhã risonho.

Sim, é provação que carpes, que solicitaste antes do renascimento atual, a fim de dares conta das atividades que deverias abraçar durante a jornada terrestre.

Há muita diversão na Terra, atraente e perturbadora.

Fascinam as cenas do prazer e encantam as paisagens do delírio.

Redescobre a beleza imortal, a realidade legítima que constituem patrimônio da vida.

Mergulha a tua decepção nas águas correntes da esperança de que amando, mesmo sem receberes resposta, enriquecerás as emoções com beleza e cor.

O que a vida te nega hoje é provável que te doe amanhã. Tudo pode acontecer, caso não desistas de perseverar, de agir corretamente.

Continua amável e afetuoso, especialmente em relação a outros infelizes que ignoram a tua aflição e até mesmo te invejam a jornada, que supõem recoberta de facilidades e sorrisos.

Quanto consigas em resistência moral, sorri, escondendo a tua melancolia e solidão nas divinas asas da prece que elevarás a Deus.

Se não possuis o que queres, agradece o que está ao teu alcance.

Milhões de criaturas gostariam de estar em teu lugar, que trocarias pelo que alguns deles são possuidores.

Assim, valoriza a tua dor, abençoando os outros com bondade e ternura, sem que reveles as angústias que te assaltam.

Podes fazer ditosos outros que se escondem nos conflitos, que te invejam porque desconhecem o ferro em brasa que te queima e requeima as aspirações e as emoções.

Caso conseguisses o que almejas, por certo te faltariam outros recursos que te dão beleza e sabedoria.

Vive, pois, os teus dias com paciência e sem expectativas humanas.

Deixa que a paz e o consolo de Jesus te penetrem o coração e aí repousem, contribuindo para a tua tranquilidade.

Descansa da ilusão que decepciona e aceita os acontecimentos que te maceram como sendo respostas de Deus às tuas solicitações.

Estrada acima está o Calvário.

Sê firme e confiante.

Acostumado à dor, tua libertação será gloriosa e plena, porque Jesus te receberá diluindo todo o sofrimento que vens vivenciando.

Alegra-te, portanto, com o teu testemunho silencioso de amor, e cresce no rumo da tua real felicidade.
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Pelo Espírito Joanna de Ângelis  
 Psicografia de Divaldo Pereira Franco 





sexta-feira, 21 de abril de 2017

Domínio da Ira



Tão comuns se te fazem a irritabilidade e o reproche, que estás perdendo o equilíbrio, o discernimento sobre o limite das tuas forças.
Habituas-te à reprimenda e à contrariedade de tal forma, que perdes o controle da emoção, deixando de lado os requisitos da urbanidade e do respeito ao próximo.
Frequentemente deixas-te arrastar pela insidiosa violência, que se te vai instalando no comportamento, passando de um estado de paz ao de guerra por motivo de somenos importância.
Sem te dares conta, perdes o contato do amor e passas a ser temido, por extensão detestado.
A irascibilidade gera doenças graves, responsáveis por distonias físicas e mentais de largo alcance.
Da ira ao ódio o passo é breve, momentâneo, e o recuo difícil.
Tem tento, e faze uma revisão dos teus atos, tornando-te mais comedido e pacificado.
*
Ouve quem te fala, sem ideia preconcebida.
Desarma a emoção, a fim de agires com imparcialidade.
A ideia preconceituosa abre espaço mental à irascibilidade.
É necessário combater com ações mentais contínuas, as reações que te assomam entorpecendo-te a lucidez e fazendo-te um tresvariado.
A reflexão e o reconhecimento dos próprios erros são recursos valiosos para combater a irritação sistemática.
Tem a coragem de reconhecer que erras, que te comprometes, não te voltando contra os outros como efeito normal do teu insucesso.
*
A ira cega, enlouquece.
Provocando uma vasoconstrição violenta no sistema circulatório, leva à apoplexia, ao enfarto, à morte.
*
Um momento de irritação, e fica destruída uma excelente Obra.
O trabalho de um período demorado reduz-se a cinzas, qual ocorre com a faísca de fogo atingindo material de fácil combustão.
A ira separa os indivíduos e fomenta lutas desditosas.
*
Estanca o passo e retrocede na viagem do desequilíbrio.
Recorre à oração.
Evita as pessoas maledicentes, queixosas, venenosas. Elas se te fazem estímulo constante à irritabilidade, ao armamento emocional contra os outros.
*
A tua vida é preciosa, e deves colocar todas as tuas forças a serviço do amor.
Desde que és forte, investe na bondade, na paciência e no perdão, que são degraus de ascensão.
Para baixo é fácil, sem esforço, o processo de queda.
A sublimação, a subida espiritual, são o desafio para os teus valores morais.
Aplica-os com sabedoria e fruirás de paz, aureolado pela simpatia que envolve e felicita a todos.
Ademais, a ira é porta de acesso à obsessão, à interferência perniciosa dos Espíritos maus, enquanto o amor; a doçura e o perdão são liames de ligação com Deus, plenificando o homem.
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Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1990.



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TIRADENTES NO PLANO ESPIRITUAL

TIRADENTES
Mensagem recebida em 21 de abril de 1937


Dos infelizes protagonistas da Inconfidência Mineira, no dia 21 de abril de todos os anos, aqueles que podem excursionar pela Terra volvem às ruínas de Ouro Preto, a fim' de se reunirem entre as velhas paredes da casa humilde do sítio da Cachoeira, trazendo a sua homenagem de amor à personalidade do Tiradentes.
Nessas assembleias espirituais, que os encarnados poderiam considerar como reuniões de sombras, os preitos de amor são mais expressivos e mais sinceros, livres de todos os enganos da História e das hipocrisias convencionais.
Ainda agora, compareci a essa festividade de corações, integrando a caravana de alguns brasileiros desencarnados, que para lá se dirigiu associando-se às comemorações do proto mártir da emancipação do País.
Nunca tive muito contato com as coisas de Minas Gerais, mas a antiga Vila Rica, atualmente elevada à condição de Monumento Nacional, pelas suas relíquias prestigiosas, sempre me impressionou pela sua beleza sugestiva e legendária. Nas suas ruas tortuosas, percebe-se a mesma fisionomia do Brasil dos Vice-Reis. Uma coroa de lendas suaves paira sobre. as suas ladeiras e sobre os seus edifícios seculares, embriagando o espírito do forasteiro com melodias longínquas e perfumes distantes. Na terra empedrada, ainda existem sinais de passos dos antigos conquistadores do ouro dos seus rios e das suas minas e, nas suas igrejas, ainda se ouvem soluços de escravos, misturados com gritos de sonhos mortos, do seu valoroso heroísmo. A velha Vila Rica, com a névoa fria dos seus horizontes, parece viver agora com as suas saudades de cada dia e com as suas recordações de cada noite.
Sem me alongar nos lances descritivos, acerca dos seus tesouros do passado, objeto da observação de jornalistas e escritores de todos os tempos, devo dizer que, na noite de hoje, a casa antiga dos Inconfidentes tem estado cheia das sombras dos mortos. Aí fui encontrar, não segundo o corpo, mas segundo o espírito, as personalidades de Domingos Vidal Barbosa, Freire de Andrada, Mariano Leal, José Joaquim da Maia, Cláudio Manuel, Inácio Alvarenga, Dorotéia de Seixas, Beatriz Francisca Brandão, Toledo Pisa, Luís de Vasconcelos e muitos outros nomes, que participaram dos acontecimentos relativos à malograda conspiração. Mas, de todas as figuras veneráveis ao alcance dos meus olhos, a que me sugeria as grandes afirmações da pátria era, sem dúvida, a do antigo alferes Joaquim José da Silva Xavier, pela sua nobre e serena beleza. Do seu olhar claro e doce, irradiava-se toda uma onda de estranhas revelações, e não foi sem timidez que me acerquei da sua personalidade, provocando a sua palavra.
Falando-lhe a respeito do movimento de emancipação política, do qual havia sido o herói extraordinário, declinei minha qualidade de seu ex-compatriota, filho do Maranhão, que também combatera, no passado, contra o domínio dos estrangeiros.
- "Meu amigo - declarou com bondade -, antes de tudo, devo afirmar que não fui um herói e sim um Espírito em prova, servindo simultaneamente à causa da liberdade da minha terra.
Quanto à Inconfidência de Minas, não foi propriamente um movimento nativista, apesar de ter aí ficado como roteiro luminoso para a independência da pátria.. Hoje, posso perceber que o nosso movimento era um projeto por demais elevado para as forças com que podia contar o Brasil daquela época, reconhecendo como o idealismo eliminou em nosso espírito todas as noções da realidade prática; mas, estávamos embriagados pelas idéias generosas que nos chegavam da Europa, através da educação universitária. E, sobretudo, o exemplo dos Estados Americanos do Norte, que afirmaram os princípios imortais do direito do homem, muito antes do verbo inflamado de Mirabeau, era uma luz incendiando a nossa imaginação.
O Congresso de Filadélfia, que reconheceu todas as doutrinas democráticas, em 1776, afigurou-se-nos uma garantia da concretização dos nossos sonhos. Por intermédio de José Joaquim da Maia procuramos sondar o pensamento de Jefferson, em Paris, a nosso respeito; mas, infelizmente, não percebíamos que a luta, como ainda hoje se verifica no mundo, era de princípios. O fenômeno que se operava no terreno político e social era o desprezo do absolutismo e da tradição, para que o racionalismo dirigisse a Vida dos homens. Fomos os títeres de alguns portugueses liberais, que, na colônia, desejavam adaptar-se ao novo período histórico do Planeta, aproveitando-se dos nossos primeiros surtos de nacionalismo. Não possuíamos um índice forte de brasilidade que nos assegurasse a vitória, e a verdade só me foi intuitivamente revelada quando as autoridades do Rio mandaram prender-me na rua dos Latoeiros."
- E nada tendes a dizer sobre a defecção de alguns dos vossos companheiros? - perguntei.
- "Hoje, de modo algum desejaria avivar minhas amargas lembranças. . . Aliás, não foi apenas Silvério quem nos denunciou perante o Visconde de Barbacena; muitos outros fizeram o mesmo, chegando um deles a se disfarçar como um fantasma, dentro das noites de Vila Rica, avisando quanto à resolução do governo da província, antes que ela fosse tomada publicamente, com o fim de salvaguardar as posições sociais de amigos do Visconde, que haviam simpatizado com a nossa causa. Graças a Deus, todavia, até hoje, sinto-me ditoso por ter subido sozinho os vinte degraus do patíbulo." - E sobre esses fatos dolorosos, não tendes alguma impressão nova a nos transmitir?
E os lábios do Herói da Inconfidência, como se receassem dizer toda a verdade, murmuraram estas frases soltas:
- "Sim. . . a Sala do Oratório e o vozerio dos companheiros desesperados com a sentença de morte... a Praça da Lampadosa, minha veneração pelo Crucifixo do Redentor e o remorso do carrasco. . . a procissão da Irmandade da Misericórdia, os cavaleiros, até o derradeiro impulso da corda fatal, arrastando-me para o abismo da Morte..."
E concluiu:
- "Não tenho coisa alguma a acrescentar às descrições históricas, senão minha profunda repugnância pela hipocrisia das convenções sociais de todos os tempos."
- É verdade - acrescentei -, reza a História que, no instante da vossa morte, um religioso, falou. sobre o tema do Eclesiastes - "Não atraiçoes o teu rei, nem mesmo por pensamentos." E terminando a minha observação com uma pergunta, arrisquei:
- Quanto ao Brasil atual, qual a vossa opinião a respeito?
- "Apenas a de que ainda não foi atingido o alvo dos nossos sonhos. A nação ainda não foi realizada para criar-se uma linha histórica, mantenedora da sua perfeita independência. Todavia, a vitalidade de um povo reside na organização da sua economia e a economia do Brasil está muito longe de ser realizada. A ausência de um interesse comum, em "favor do País, dá causa não mais à derrama dos impostos, mas ao derrame das ambições, onde todos querem mandar, sem saberem dirigir a si próprios." Antes que se fizesse silêncio entre nós, tornei ainda:
- Com relação aos ossos dos inconfidentes, vindos agora da África para o antigo teatro da luta, hoje transformado em Panteão Nacional, são de fato autênticos esqueletos dos apóstolos da liberdade? .
- "Nesse particular - respondeu Tiradentes com uma ponta de ironia -; não devo manifestar os meus pensamentos. Os ossos encontrados tanto podem ser de Gonzaga, como podem pertencer, igualmente, ao mais miserável dos negros de Angola. O orgulho humano e as vaidades patrióticas têm também os seus limites... Aliás, o que se faz necessário é a compreensão dos sentimentos que nos moveram a personalidade, impelindo-nos para o sacrifício e para a morte. ..”
Mas, não pôde terminar. Arrebatado numa' aluvião de abraços amigos e carinhosos, retirou-se o grande patriota que o Brasil hoje festeja, glorificando o seu heroísmo e a sua doce humildade.
Aos meus ouvidos emocionados ecoavam as notas derradeiras da música evocativa e dos fragmentos de orações que rodeavam o monumento do Herói, afigurando-se-me que Vila Rica ressurgira, com os seus coches dourados e os seus fidalgos, num dos dias gloriosos do Triunfo Eucarístico; mas, aos poucos, suas luzes se amorteceram no silêncio da noite, e a velha cidade dos conspiradores entrou a dormir, no tapete glorioso de suas recordações, o sono tranqüilo -dos seus sonhos mortos.
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Fonte: Extraído do livro Crônicas do além túmulo, Francisco C. Xavier/ Humberto de Campos

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Começar de novo



Erros passados, tristezas contraídas, lágrimas choradas, desajustes crônicos!...

Às vezes, acreditas que todas as bênçãos jazem extintas, que todas as portas se mostram cerradas à necessária renovação!...

Esqueces-te, porém, de que a própria sabedoria da vida determina que o dia se refaça cada manhã.

Começar de novo é o processo da Natureza, desde a semente singela ao gigante solar. Se experimentaste o peso do desengano, nada te obriga a permanecer sob a corrente do desencanto.

Reinicia a construção de teus ideais, em bases mais sólidas, e torna ao calor da experiência, a fim de acalentá-los em plenitude de forças novas.

O fracasso visitou-nos em algum tentame de elevação, mas isso não é motivo para desgosto e autopiedade, porquanto, frequentemente, o malogro de nossos anseios significa ordem do Alto para mudança de rumo, e começar de novo é o caminho para o êxito desejado.

Temos sido talvez desatentos, diante dos outros, cultivando indiferença ou ingratidão; no entanto, é perfeitamente possível refazer atitudes e começar de novo a plantação da simpatia, oferecendo bondade e compreensão àqueles que nos cercam.

Teremos perdido afeições que supúnhamos inalteráveis; todavia, não será justo, por isso, que venhamos a cair em desânimo.

O tempo nos permite começar de novo, na procura das nossas afinidades autênticas, aquelas afinidades suscetíveis de insuflar-nos coragem para suportar as provações do caminho e assegurar-nos o contentamento de viver.

Desfaçamos-nos de pensamentos amargos, das cargas de angústia, dos ressentimentos que nos alcancem e das mágoas requentadas no peito!

Descerremos as janelas da alma para que o sol do entendimento nos higienize e reaqueça a casa íntima.

Tudo na vida pode ser começado de novo para que a lei do progresso e do aperfeiçoamento se cumpra em todas as direções.

Efetivamente, em muitas ocasiões, quando desprezamos as oportunidades e tarefas que nos são concedidas na Obra do Senhor, voltamos tarde a fim de revisá-las e reassumi-las, mas nunca tarde demais.
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  CHICO XAVIER 
 EMMANUEL
 
 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ORAI SEMPRE




Filhos, não vos esqueçais de orar sempre.

A oração possibilita ao homem abrandar os próprios sentimentos.

Quem se habitua a orar não se entrega ao desespero e à revolta.

A prece jamais é um monólogo... Pelo recolhimento íntimo na oração, a criatura conversa com o Criador, que não a deixa sem resposta.

Ato de fé solitário, a prece exterioriza a sinceridade do filho que, reconhecendo a própria insignificância, recorre aos préstimos do Pai, que tudo pode.

Jesus orava com frequência.

Sem este contato pessoal com Deus, a crença do homem não passa de uma aparente manifestação de religiosidade.

Os que oram nunca se fragilizam diante das lutas que faceiam.

Orai no silêncio de vossas reflexões; orai com a vossa mente e com o vosso coração.

Buscai forças no Alto para os embates inevitáveis do caminho, repleto de urzes e de pedras.

Orai com as vossas mãos mergulhadas na caridade; que as vossas petições sejam referendadas pelas vossas atitudes no bem dos semelhantes...

A persistência da fé remove obstáculos intransponíveis.

A oração modifica o tônus espiritual de quem, por vezes, não enxerga saída para os impasses da existência.

Quem não ora será sempre uma presa fácil da obsessão e do desequilíbrio oriundo de si mesmo.

Filhos, abençoai as vossas provas! Afagai o madeiro que vos pesa nos ombros e, sob o sol causticante de vossas dificuldades, não vos afasteis do oásis aconchegante da oração.

A prece é o ato de humildade que mais engrandece o espírito!

Sede homens de fé e de oração.

Quanto maior o desafio lançado à vossa crença, mais devereis vos curvar à necessidade de orar.

"Pedi e obtereis" - exortou-nos o Senhor, em suas palavras jamais pronunciadas em vão.
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Espírito: BEZERRA DE MENEZES  
Médium: Carlos A. Baccelli
 


 
 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Simplicidade


Quando o Senhor nos exortou à pureza infantil, como sendo a condição de entrada no Plano Superior, não nos convidava à insipiência ou à incultura.
* * *
Recomendava-nos a simplicidade do coração, que se revela sempre disposto a aprender.
* * *
A rebeldia e a impermeabilidade são, quase sempre, escuras características daqueles que pretendem haver encontrado a última palavra em madureza espiritual.
* * *
Nossos excessos de raciocínio, em muitas ocasiões, não passam de desvarios da nossa mente, dominados por incompreensíveis cristalizações de vaidade ou de orgulho.
* * *
Criamos, em nossa invigilância, certos padrões convencionais de conduta que nos impedem qualquer acesso à verdadeira luz e, dentro deles, dormitamos à maneira de pássaros cativos que encarcerassem as próprias asas em estreitas limitações.
* * *
Contudo, quando entendemos que a vida se renova, todos os dias, e quando percebemos que todos os minutos constituem oportunidades de corrigir e aprender, auxiliar e redimir; entramos na posse da simplicidade real, suscetível de fixar em nosso íntimo, novos painéis de Amor e sabedoria, paz e luz.
* * *
Guardemos o espírito de surpresa, diante do mundo e, à frente da estrada que o Alto nos destinou, convertamos a nossa ligação com o Pai Celeste por laço essencial de nosso coração com a vida e, dessa forma, estejamos convictos de que cada instante será para nós glorioso passo no Conhecimento Superior ou na direção do Céu.
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Emmanuel
Chico Xavier






segunda-feira, 17 de abril de 2017

EU PERDOO





Pai, quando eu for chamado para junto de Ti, quero partir com o coração aliviado de qualquer sentimento menor que possa reter-me ao vale de lágrimas onde me encontro hoje.

Ah, Meu Deus, que nada do que já vivi e ainda vivo seja obstáculo à minha felicidade amanhã!...

Quando eu me for, quero alçar voo como fazem as aves que planam livres por sobre as misérias humanas, e que não pousam no chão senão para buscar o alimento que as mantém fortes nas alturas!...

Quando meus olhos se cerrarem à ilusão da carne, é de minha vontade que eu me distancie do mundo com a leveza das almas experimentadas na forja das provas árduas, sem que o peso dos sentimento menores impeça meu anseio anseio de libertação!

Desejo, Pai, libertar-me, sendo fiel à Tua lei de amor e de perdão!

Eu compreendo que a Terra é a escola onde Tu nos prepara para a angelitude!...

Eu compreendo que o sofrimento é a lição que nos faz avançar para a glória ou estacionar na senda de novas e mais dolorosas provas!...

Eu compreendo que tudo é seleção: os laços, a estrada, os acontecimentos...

De minha atitudes colherei bem ou mal; com minhas decisões talharei o que serei amanhã. Alegrias infinitas ou sofrimentos sem conta nascem unicamente de meus atos, a revelia do que os outros me fazem ou deixam de fazer....

Por isso, Pai, conduz meu pensamento de tal sorte que, quando chegar minha hora, nada do que vivi possa retardar-me o passo ou prender-me outra vez ao sombrio grilhão da dor. De todos os momentos experimentados, que eu carregue comigo apenas aqueles que me proporcionaram coisas úteis e felizes. Que os infortúnios e mágoas do passado não sejam mais peso em meu coração a impedir a realização dos mais ardentes anseio de felicidade e sublimação!...

As lágrimas que me fizeram verter - eu perdoo.
As dores e as decepções - eu perdoo.
As traições e mentiras - eu perdoo.
As calúnias e as intrigas - eu perdoo.
O ódio e a perseguição - eu perdoo.
Os golpes que me feriram - eu perdoo.
Os sonhos destruídos - eu perdoo.
As esperanças mortas - eu perdoo.
O desamor e a antipatia - eu perdoo.
A indiferença e a má vontade - eu perdoo.
A desconsideração dos amados - eu perdoo.
A cólera e os maus tratos - eu perdoo.
A negligência e o esquecimento - eu perdoo.
O mundo, com todo o seu mal - eu perdoo.

A partir de hoje proponho-me a perdoar porque a felicidade real é aquele que nasce do esquecimento de todas as faltas!... No lugar da mágoa e do ressentimento, coloco a compreensão e o entendimento; no lugar da revolta, coloco a fé na Tua Sabedoria e Justiça; no lugar da dor, coloco o esquecimento de mim mesmo; no lugar do pranto coloco a certeza do riso e da esperança porvindoura; no lugar do desejo de vingança, coloco a imagem do Cordeiro imolado e o mais sublime dos perdões...

Só assim, Pai, se um dia eu tiver que retornar à carne, poderei me levantar forte e determinado sobre os meus pés e não obstante todos os sofrimentos que experimentar, serei naturalmente capaz de amar acima de todo desamor, de doar mesmo que despossuído de tudo, de fazer feliz aos que me rodearem, de honrar qualquer tarefa que me concederes, de trabalhar alegremente mesmo que em meio a todos impedimentos, de estender a mão ainda que em mais completa solidão e abandono, de secar lágrimas ainda que aos prantos, de acreditar mesmo que desacreditado, e de transformar tudo em volta pela força de minha vontade, porque só o perdão rasga os véus sombrios do ressentimento e da revolta, frutos infelizes do egoísmo e do orgulho, libertando meu coração no rumo do bem e da paz, do amor verdadeiro e da felicidade eterna!

Assim seja!
(Psicografia Instituto André Luiz, 08.03.2003)


domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa







Como disse Celso Martins, no livro "Em busca do homem novo", baseando-se nas palavras de Paulo de Tarso, em 4 ef. vs. 22/23 :

"Que surja o homem novo a partir do homem velho. 

Que do homem velho, coberto de egoísmo, de orgulho, de vaidade, de preconceito, ou seja, coberto de ignorância e inobservância com relação às leis morais, possa surgir, para ventura de todos nós, o homem novo, gerado sob o influxo revitalizante das palavras e dos exemplos de Jesus Cristo, o grande esquecido por muitos de nós, que se agitam na sociedade tecnológica, na atual civilização dita e havida como cristã.
 Que este homem novo seja um soldado da paz neste mundo em guerras. 
Um lavrador do bem neste planeta de indiferença e insensibilidade. 
Um paladino da justiça neste orbe de injustiças sociais e de tiranias econômicas, políticas e/ou militares. 
Um defensor da verdade num plano onde imperam a mentira e o preconceito tantas vezes em conluios sinistros com as superstições, as crendices e o fanatismo irracional. 
Que este homem novo, anseio de todos nós, seja um operário da caridade, como entendia Jesus: benevolência para com todos, perdão das ofensas, indulgência para com as imperfeições alheias."


PÁSCOA
Páscoa é ser capaz de mudar,
é partilhar a vida na esperança,
é lutar para vencer toda sorte de sofrimento. 

Páscoa é dizer sim ao amor e à vida,
é investir na fraternidade,
é lutar por um mundo melhor,
é vivenciar a solidariedade.

Páscoa é ajudar mais gente a ser gente,
é viver em constante libertação,
é crer na vida que vence à morte.

Páscoa é renascimento, é recomeço,
é uma nova chance para melhorarmos
as coisas que não gostamos em nós. 

Para sermos mais felizes por conhecermos
a nós mesmos mais um pouquinho e vermos
que hoje somos melhores do que fomos ontem.

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Autor desconhecido 

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Páscoa - Passagem
Sede passantes

Este tema da passagem é o tema da Páscoa.
Pessah, em hebraico, quer dizer passagem.
A passagem no rio de uma margem à outra margem, a passagem de um pensamento a outro pensamento, a passagem de um estado de consciência a outro estado de consciência.
A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida.
Somos passageiros.
A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói sua casa sobre uma ponte.
Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio, a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino e fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes, sabendo que estamos de passagem.
É importante lembrar-se do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar o que não foi feito para durar.
A grande páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna, é a abertura do coração humano ao coração divino.
É a passagem da escravidão para a liberdade, passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus do Egito para a terra Prometida. Mas não é preciso temer o Mar Vermelho.
O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações.
Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades, para tocar a terra da liberdade, o espaço da liberdade que existe dentro de nós.
Sede passantes.
Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite para continuarmos nosso caminho a partir do lugar onde algumas vezes paramos.
Observemos o que pára a vida em nós, o que impede o amor e o perdão, onde se localiza o medo dentro de nós.
É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.
Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz, não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.

Boa Passagem!
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Jean-Yves Leloup



sábado, 15 de abril de 2017

O IDEAL DE CADA UM



“Cada qual de nós, seja de onde for, está sempre construindo a vida que deseja.

Existência é a soma de tudo o que fizemos de nós até hoje.

Toda melhoria que realizarmos em nós, é melhoria na estrada que somos chamados a percorrer.

Toda a ideia que você venha a aceitar influenciará seu espírito; escolha os pensamentos do bem para orientar-lhe o caminho e o bem transformará sua vida numa cachoeira de bênçãos.

Se você cometeu algum erro não se detenha para lamentar-se; racione sobre o assunto e retifique a falha havida porque somente assim, a existência lhe converterá o erro em lição.

Muito difícil viver bem se não aprendermos a conviver.

A vida por fora de nós é a imagem daquilo que somos por dentro.

Viver é a lei da natureza, mas a vida pessoal é a obra de cada um.

Toda vez que criticamos a experiência dos outros, estamos apontando em nós mesmos os pontos fracos que precisamos emendar em nossas próprias existências.

Seu ideal é o seu caminho, tanto quanto seu trabalho é você." 
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André Luiz 
Chico Xavier


sexta-feira, 14 de abril de 2017

O significado da cruz para nós espíritas





Nos dois planos da vida não há conquista sem esforço. Assim, para nós, encarnados, a cruz é qualquer dificuldade que nos aprimore o espírito. Seja uma doença, um relacionamento difícil ou qualquer obstáculo que nos faça privilegiar as coisas do espírito. Já para os desencarnados são os vícios não superados, os resgates não realizados, os deveres descumpridos, a culpa, o remorso pelas dificuldades não enfrentadas ou mal sofridas, enquanto militavam no corpo carnal.

Se buscamos, portanto, a nossa redenção, o caminho é único: tomarmos a nossa cruz e seguir o Mestre Jesus. Foi este o ensinamento que Ele nos deixou para alcançarmos a libertação almejada, a paz.

Fomos exortados a nos alegrar quando fôssemos odiados e perseguidos por causa de Jesus, pela nossa fé, porque seríamos compensados no Céu. Significa que devemos suportar com coragem as dificuldades que se nos apresentam em virtude de nossa fé, pois só assim seremos reconhecidos pelo Pai; caso optemos pelas coisas materiais seremos tidos como já recompensados na vida terrena.

Paulo (I, Coríntios, 1:18) nos ensina que Cristo usou o episódio da crucificação entre ladrões, para nos ensinar o caminho da vida eterna que jamais nos levará a Deus sem o aprimoramento e sem a sublimação de nós próprios. Por isso, Ele nos advertiu: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mateus, 16:24).

Fica claro que Jesus não desencarnou na cruz para redimir o pecado dos homens, mas para dar exemplo. A nossa cruz é pessoal e intransferível. Noutra oportunidade ensinou o Mestre que “cada um será recompensado, segundo as suas obras”, logo, todos temos que carregar a nossa própria cruz, ou seja, as nossas dificuldades. Não vamos nos livrar de nossas responsabilidades pelo sacrifício de outros, muito menos de Jesus que veio nos mostrar a Justiça Divina. Por esta Justiça Maior sabemos que a razão de ser de nossa existência é o aperfeiçoamento moral. Não teria sentido, portanto, que Jesus, de repente, abdicasse de seus ensinamentos e nos “perdoasse as faltas”, à custa do Seu sacrifício.

Paulo Alves Godoy em “O Evangelho por Dentro” pondera: “O pecado não se perdoa, não se lava, não se apaga. Ele é resgatado em nossas vidas terrenas, na pauta da lei justa e eqüitativa das vidas sucessivas das reencarnações”.
Mas estejamos atentos, como nos ensina Emmanuel em “Livro da Esperança”, Lição 80, pois Jesus ao conclamar-nos à renúncia de nós mesmos para segui-Lo, espera que tal renúncia não seja uma omissão ou fuga, mas que “demonstre rendimento de valores espirituais, em nosso favor e a benefício daqueles que nos cercam, ensinando-nos o desapego ao bem próprio pelo bem de todos”.

Portanto, as cruzes são todas as realidades terrenas que nos convidam a “esquecer-nos na construção da felicidade geral”. Isto nos causa, muitas vezes, separações difíceis, desilusões, provações familiares, aflições de toda sorte, abandonos, compromissos em nome da harmonia, caminhadas solitárias, lembrando-nos o Calvário do Cristo transportando “o madeiro que a nossa ignorância lhe atribuiu”.

Vinícius, no livro “Em Torno do Mestre”, nos lembra que o interesse próprio e a causa do Cristo são incompatíveis. Sempre haverá necessidade de renúncias, pois sem cruz, ou seja, sem dificuldades e sacrifícios, não há Cristianismo. Se não renunciamos, cedemos ao egoísmo, logo não podemos vacilar. O Enviado de Deus não impôs aos homens a sua autoridade; “conquistou-a na cruz”

Jesus ensinou: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder (renunciar) a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salva-la-á”. Quando entendermos, pois, que a cruz nos redime para o Cristo, teremos, finalmente, salvado as nossas vidas.

A cruz para nós espíritas significa, portanto, o instrumento de realização do que almejamos ou o resgate de nossos débitos para termos paz. Tão logo tenhamos consciência de que o que buscamos é a paz, por igual, descobriremos a cruz que nos levará ao aperfeiçoamento íntimo e à conquista desta grande meta.
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Autoria: Marilene Ferreira Moraes