quinta-feira, 19 de abril de 2012

Índios reencarnados


Um vizinho procurou Chico.

Eufórico, anunciou:

– Chico, venho comunicar que lá em casa nasceu mais uma criadinha às suas ordens! É uma menina. Dizem que é o espírito de uma índia que reencarnou!

O médium, a sorrir, proclamou:

– Graças a Deus! Finalmente nasceu uma índia!

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Princípio milenar cultivado desde as culturas mais remotas, a reencarnação é um dos pilares da Doutrina Espírita.

Podemos situá-la como um dogma científico, suficientemente demonstrado pela pesquisa em torno do assunto, tanto na área espírita quanto fora dela.

Dentre outras evidências, a reminiscência espontânea, pessoas que recordam existências anteriores, exaustivamente examinada por pesquisadores idôneos, seria suficiente para transformar a reencarnação em princípio universal, um paradigma científico, filosófico e religioso.

Aliás, principalmente como princípio filosófico, se acreditamos num Criador que é um pai de infinito amor, justiça e misericórdia, como ensinava Jesus, forçoso admitir a reencarnação para explicar as aparentes injustiças sociais, envolvendo ricos e pobres, sãos e doentes, bons e maus, atletas e paralíticos, gênios e deficientes mentais...
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Diante de tão grandiosa realidade, que nos dá consciência dos porquês da vida, é preciso apenas o cuidado de não perder o senso crítico, no bom sentido, de exercício da razão, como ensinava Kardec, para não cairmos na fantasia, como ocorre na Índia, por exemplo.

Os indianos adotam a metempsicose, a idéia de que podemos reencarnar como um animal ou vegetal, por castigo, quando nos comprometemos no erro e no vício.

Ideia até interessante, considerando que muita gente, ou quem sabe nós mesmos, está a merecer tal experiência, mas é algo que a Doutrina Espírita situa sem fundamento, já que ninguém retrograda.

Muitos estacionam, acomodam-se, marcam passo, comprometem-se sempre que renunciam ao esforço do Bem, ao aprendizado incessante, e mais cedo ou mais tarde lamentarão o tempo perdido.
Não obstante, por disposição misericordiosa do Senhor, não perdemos os patrimônios culturais, morais e espirituais acumulados. São inalienáveis, favorecendo nossa evolução e tenderão a ampliar-se à medida que a mestra dor venha nos estimular a deixar a inércia.
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Aqui, no Brasil, a velha vaidade humana, em associação com a ignorância, favorece fantasias sobre nosso passado, com as perspectivas de que fomos gente importante no pretérito.

Disso se valem médiuns e guias, nas reuniões mediúnicas voltadas para o imediatismo, para ganhar a confiança de consulentes desavisados, encantados com a revelação de que foram figuras de destaque em ricas sociedades européias, nos círculos da nobreza.

Daí Chico festejar quando alguém lhe disse que reencarnara em seu lar uma índia.

Por falar nisso, amigo leitor, uma pergunta:

Por onde andarão os perto de 5 milhões de índios que viviam em nosso país quando Cabral por aqui aportou?

A população indígena está reduzida a perto de 200 mil.

Se você imagina que reencarnaram entre nós, acertou. Talvez nós mesmos sejamos um deles.

As culturas indígenas são formadas por espíritos em estágios primários de evolução. O simples fato de constituírem culturas mais ou menos estacionárias evidencia esse princípio. Digamos que servem às experiências reencarnatórias de espíritos que vivem uma infância espiritual.

Em face de suas limitações, sempre que se vejam em situação de necessidade ou de risco, tenderão a prevalecer em seu comportamento impulsos de agressividade. Poderão agir no meio civilizado como se estivessem na selva, sem senso moral e sem respeito pela vida humana.

Assim considerando, podemos explicar os problemas de violência que afligem nossa sociedade. Convivemos com espíritos imaturos que, quando reencarnam no seio de classes pobres, revivem o comportamento do selvagem.

Sua presença entre nós situa-se como um carma coletivo, já que lhes subtraímos o habitat natural.

Não vale a truculência policial para eliminá-los, o que apenas agrava a responsabilidade social.

Estão entre nós para serem orientados, ajudados, educados, como um compromisso não apenas do governo, mas de toda a sociedade.

Imperioso que os ajudemos a superar os impulsos da taba para que não sejamos flechados por eles.

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Richard Simonetti

quarta-feira, 18 de abril de 2012

MENSAGEM DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

A mensagem  foi psicografada por Francisco Cândido Xavier dirigida a Pietro Ubaldi, em 17 de agosto de 1951, na residência de Dr. Rômulo Joviano em Pedro Leopoldo, MG.


  


“O Calvário do Mestre não se constituía tão somente de secura e aspereza…

Do monte pedregoso e triste jorravam fontes de água viva que dessedentaram a alma dos séculos.

E as flores que desabrochavam no entendimento do ladrão e na angústia das mulheres de Jerusalém atravessaram o tempo, transformando-se em frutos abençoados de alegria no celeiro das nações.

Colhe as rosas do caminho no espinheiro dos testemunhos…

Entesoura as moedas invisíveis do amor no templo do coração…

Retempera o ânimo varonil, em contato com o rocio divino da gratidão e da bondade!…

Entretanto, não te detenhas. Caminha!….

É necessário ascender.

Indispensável o roteiro da elevação, com o sacrifício pessoal por norma de todos os instantes.

Lembra-te, Ele era sozinho! Sozinho anunciou e sozinho sofreu. Mas erguido, em plena solidão, no madeiro doloroso por devotamento à humanidade, converteu-se em Eterna Ressurreição.

Não temos outra diretriz senão a de sempre:

Descer auxiliando para subir com a exaltação do Senhor.

Dar tudo para receber com abundância.

Nada pedir para nosso Eu exclusivista, a fim de que possamos encontrar o glorioso NÓS da vida imortal.

Ser a concórdia para a separação.

Ser luz para as sombras, fraternidade para a destruição, ternura para o ódio, humildade para o orgulho, bênção para a maldição..

Ama sempre.

É pela graça do amor que o Mestre persiste conosco, os mendigos dos milênios derramando a claridade sublime do perdão celeste onde criamos o inferno do mal e do sofrimento.

Quando o silêncio se fizer mais pesado ao redor de teus passos, aguça os ouvidos e escuta.

A voz Dele ressoará de novo na acústica de tua alma e as grandes palavras, que os séculos não apagaram, voltarão mais nítidas ao círculo de tua esperança, para que as tuas feridas se convertam em rosas e para que o teu cansaço se transubstancie em triunfo.

O rebanho aflito e atormentado clama por refúgio e segurança.

Que será da antiga Jerusalém humana sem o bordão providencial do pastor que espreita os movimentos do céu para a defesa do aprisco?

É necessário que o lume da cruz se reacenda, que o clarão da verdade fulgure novamente, que os rumos da libertação decisiva sejam traçados.

A inteligência sem amor é o gênio infernal que arrasta os povos de agora às correntes escuras e terrificantes do abismo.

O cérebro sublimado não encontra socorro no coração embrutecido.

A cultura transviada da época em que jornadeamos, relegada à aflição ameaça todos os serviços da Boa Nova, em seus mais íntimos fundamentos.

Pavorosas ruínas fumegarão, por certo, sobre os palácios faustosos da humana grandeza, carente de humanidade, e o vento frio da desilusão soprará, de rijo, sobre os castelos mortos da dominação que, desvairada, se exibe sem cogitar dos interesses imperecíveis e supremos do espírito.

É imprescindível a ascensão.

A luz verdadeira procede do mais alto e só aquele que se instala no plano superior ainda mesmo coberto de chagas e roído de vermes, pode, com razão, aclarar a senda redentora que as gerações enganadas esqueceram. Refaz as energias exauridas e volta ao lar de nossa comunhão e de nossos pensamentos.

O trabalhador fiel persevera na luta santificante até o fim.

O farol no oceano irado é sempre uma estrela em solidão. Ilumina a estrada, buscando a lâmpada do Mestre que jamais nos faltou.

Avança…. Avancemos…

Cristo em nós, conosco, por nós e em nosso favor é o Cristianismo que precisamos reviver à frente das tempestades, de cujas trevas nascerá o esplendor do Terceiro Milênio.

Certamente, o apostolado é tudo. A tarefa transcende o quadro de nossa compreensão.

Não exijamos esclarecimentos.

Procuremos servir.

Cabe-nos apenas obedecer até que a glória Dele se entronize para sempre na alma flagelada do mundo.

Segue, pois, o amargurado caminho da paixão pelo bem divino, confiando-te ao suor incessante pela vitória final.

O Evangelho é o nosso Código Eterno.

Jesus é o nosso Mestre Imperecível.

Agora é ainda a noite que se rasga em trovões e sombras, amedrontando, vergastando, torturando, destruindo…

Todavia, Cristo reina e amanhã contemplaremos o celeste despertar.”

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 FRANCISCO DE ASSIS

terça-feira, 17 de abril de 2012

"O que acontece no meio"



Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma.

Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início.

Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro.

Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato.

Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais.

Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso.

Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante.

Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa.

Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo.

Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio.

Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.

Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes.

Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos.

Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável.

Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).

Que tocar na dor do outro exige delicadeza.

Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência.

Que não é preciso se estressar tanto em busca do prazer, há outras coisas que também levam ao êxtase: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário.

Que é mais produtivo agir do que reagir.

Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue.

Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais.

Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade.

E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
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  MARTHA MEDEIROS

O Problema da Tentação


O educador, em aula, tentava explicar aos meninos que o móvel das tentações reside em nós mesmos;
contudo, como os aprendizes mostravam muita dificuldade para compreender, ele se fez acompanhar pelos alunos até ao grande pátio do colégio.

Aí chegando, mandou trazer uma bela espiga de milho e perguntou aos rapazes:

- Qual de vocês desejaria devorar esta espiga tal como está?

Os jovens sorriram, zombeteiramente, e um deles exclamou:

- Ora vejam!... quem se animaria à comer milho cru?

O professor então mandou vir a presença deles um dos cavalos que serviam à escola, instalou alguns obstáculos à frente do animal e colocou a espiga ao dispor dele, sobre pequena mesa.

O grande equino saltou, lépido, os impedimentos e avançou, guloso, para o bocado.

O professor benevolente e amigo esclareceu, então, bondosamente, ante os alunos surpreendidos:

- A tentação nos procura, segundo os sentimentos que trazemos no campo íntimo.
 Quando cedemos a alguma fascinação indigna, é que a nossa vontade permanece fraca, diante dos nossos desejos inferiores.
As forças que nos tentam correspondem aos nossos próprios impulsos.
Não podemos imaginar ou querer aquilo que desconhecemos.
 Por esse motivo, necessitamos vigiar o cérebro e o coração, a fim de selecionarmos as sugestões que nos visitam o pensamento.

E, terminando, afirmou:

- As situações boas ou más, fora de nós, são iguais aos propósitos bons ou maus que trazemos conosco.
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Meimei
Chico Xavier






segunda-feira, 16 de abril de 2012

Vida Feliz


Muita gente se compraz na transmissão de comentários infelizes, veiculando ideias e opiniões malsãs, tomando-se estafeta da insensatez.

Permanece discreto diante dos maledicentes e injuriosos, que te testam as resistências, trazendo-te mensagens infames, a fim de levarem a outrem, distorcidas, as tuas palavras.

O silêncio, em tais circunstâncias, é como algodão que abafa e amortece o ruído do mal em desenvolvimento.

Não são teus amigos, aqueles que te trazem o lixo da notícia maldosa.
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Joanna de Ângelis


 




sábado, 14 de abril de 2012

ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. . .



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez
mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem
mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de
dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa
alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam.

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no
dia a dia.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se
dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer
em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem
presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber
uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando
e só depois manda dizer se atende.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar
nele de uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status
social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com
amigo não tem que ter estas frescuras”.

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão
desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura.

É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. . .