quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lentes de Contato da Vida





Certa mãe, desencarnada, lamentava, nas regiões da Vida Espiritual, junto ao Benfeitor atento:

-Bondoso amigo, o que será agora dos quatros filhos que deixei na Terra?!

  Eles ainda contavam muito comigo.
Os meus filhos não são ruins, mas não têm juízo.
 Quem, doravante, lhes apontará o caminho a ser percorrido?! 
Tenho receio de que venham a se comprometer...

Reconheço que eu os superprotegia, no entanto o que poderia ser feito, se não desejavam estudar e trabalhar?
Era minha obrigação de mãe não permitir que passassem necessidade.
Desde que meu marido saiu de casa, eu procurava fazer de tudo para que não sentissem tanto a falta do pai... 
O problema deles é que eles não enxergam, não veem que estão errados.
Quem poderá agora, em meu lugar, lhes abrir os olhos?
Após consentir que a amargurada mãe externasse toda a sua justificável preocupação, com os quatro filhos maiores que fora compelida a deixar na Terra, o espírito iluminado respondeu:
 - Minha irmã, não se preocupe.
Caso não consigam enxergar com nitidez o caminho, a fim de ampliar-lhes a visão, a Vida cuidará de lhes adaptar aos olhos duas lentes de contato que haverão, com certeza, de corrigir-lhes qualquer estrabismo...

Ante a surpresa materna pelo inusitado da resposta, o Benfeitor concluiu:

- Estamos nos referindo às lentes de contato das lágrimas!
Não há ninguém que, com o concurso delas, não se cure da cegueira causada pela sua própria ignorância e insensatez.
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Ramiro Gama 
 Carlos Baccelli


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