domingo, 20 de janeiro de 2013

Pão do amor



Fatores limitantes: 
 
Sou homossexual. Esse foi meu segredo desde criança. Até algum tempo, não ousava mencioná-lo a ninguém. Desde cedo aprendi como lição vital que minha sobrevivência dependia de um bom disfarce. A pressão social levou-me, contudo, a fazer drama de minha própria situação - vivia confuso acerca de mim. Algumas vezes, cheguei a me considerar uma má pessoa, quando não ridícula. A sociedade, de modo geral, é cruel e sarcástica em relação à minha identidade sexual. Aprecio muito a leitura espiritual. Gostaria de me­lhorar-me interiormente trabalhando na Casa Espírita, porém receio ser discriminado. Busco ser feliz, isso será possível?

Expandindo nossos horizontes:


Não se preocupe com o que os outros pensam de você. Busque alimento em sua essência divina; isso é o que verdadeira­mente importa.

Quanto mais você se sentir um espírito imortal, filho de Deus em busca de ascensão evolutiva; quanto mais se sentir uma pessoa digna de ser feliz como outra qualquer, ocupando uma provisória roupagem física na Terra, mais estará perto do autêntico conheci­mento existencial.

Algumas pessoas podem ser comparadas às flores silves­tres. Sua sensibilidade e ternura nem sempre são percebidas, muito menos valorizadas. Mas se essas flores forem colhidas e examinadas com atenção e carinho, é quase certo que serão notadas suas propor­ções e combinações harmônicas e especiais - elas têm uma beleza incomum.

Os que aprenderam a amar realmente olham para além das aparências e das limitações corpóreas e buscam o conhecimento da verdade, o qual muitos nem se preocuparam ainda em procurar.

Há beleza nas flores silvestres que crescem casualmente em meio dos imensos campos de cereais.
Se você ama a verdade, ocupe-se em buscá-la cada vez mais, e não só nas palavras e pensamentos alheios. O que os de­mais acham é unicamente isso: o entendimento deles.

Viver dependendo de como os outros analisam nossa vida é viver em uma insegurança constante.
Gostam de mim? Estimam-me? Então estou feliz. Não gos­tam de mim? Desprezam-me? Nesse caso, tudo vai mal. Depender da inconstância do julgamento alheio é viver em contínuo estado de ânimo heterogêneo.

É possível ser feliz? Obviamente que sim, porém não se esqueça de que quanto mais você se respeitar, mais sua felicidade dependerá de você e menos dos outros, apesar dos murmúrios irônicos e da incompreensão das pessoas.

Não existe bem-estar sem liberdade de pensar e de agir. O Criador não quer escravos, quer filhos livres. Portanto, nossa feli­cidade é o resultado da maneira pela qual vivenciamos aquilo que somos. O importante não é a "etiqueta" que usamos, mas é o que faço "da" vida, "com" a vida e "pela" vida. A felicidade não é simplesmente uma meta a ser alcançada, mas uma consequência: a colheita de nossos atos e atitudes diante da existência.

Se você quer melhorar-se é um bom sintoma. Quem acha que em si não há nada para mudar e se sente perfeito está imaturo espiritualmente. A vida é dinâmica; é mudança ininterrupta. A procura interior é prenúncio de progresso.

Lembre-se de que as mudanças devem ser feitas natural­mente, sem forçá-las; devem representar um ato espontâneo, devem ser desejadas.

Sentindo amor e respeito por si mesmo, sentirá igualmente respeito e amor por quem está a seu lado.

A pior tristeza é viver toda uma existência sem amar. Como seria lamentável, atravessar uma encarnação sem nunca ter falado de seu amor a todos aqueles que você ama!..
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Tudo é efêmero na vida, menos você, alma imortal, pois o acompanhará como consequência: aonde você for e, para sempre, sua consciência amorosa.

O ser humano faz parte dos seres vivos, porém todos são instrumentos transitórios pelos quais a Vida Maior se manifesta.

Tenho a certeza de que você não será discriminado na Casa Espírita, visto que todo cristão compreende que quem mais agra­da ao Senhor não é aquele que dá o pão de trigo, mas aquele que dá o pão do amor.
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Lourdes Catherine
  Francisco do Espírito Santo Neto

Raoul Follereau, o amigo dos leprosos


Raoul Follereau nasceu a 17 de Agosto de 1903, em Nevers, França, numa família de industriais. Jovem jornalista e poeta, anti-nazi e defensor de uma França livre, viu-se perseguido, como tantos outros, pela polícia militar nazi.

Em 1936, tinha então 33 anos, Follereau toma contato com os leprosos durante um safari em África. A partir desse momento, a sua vida mudou. No entanto, não foi fácil começar a manifestar essa amizade pelos leprosos e a curá-los, pois logo surgiu a II Guerra Mundial e teve de se esconder num convento de religiosas em Lyon, onde fazia de jardineiro, embora não soubesse nada de jardinagem.

Um dia, a Madre Maria Eugénia, superiora do convento, visitou uma ilha de leprosos na Costa do Marfim e, impressionada com o que acabava de ver, pensou em construir uma pequena cidade, onde os leprosos pudessem viver e ser curados. Mas era preciso dinheiro. Então Raoul disse à religiosa: «Avance com o projecto, que no dinheiro penso eu».

Decidiu percorrer o mundo inteiro a fazer conferências para sensibilizar as pessoas para o problema da lepra. O sonho das religiosas tornou-se realidade. Em 1953 era inaugurada em Adzopé uma cidade onde os leprosos podiam ser tratados e curados. Quando Raoul se aproximava dos leprosos, estes ficavam inicialmente um pouco desconfiados. Mas depois compreendiam que era apenas o amor dele que o levava junto deles. Então gritavam de alegria: “Pai Raoul”.

Durante as suas viagens, contou sempre com o apoio da sua mulher Madalena, para construir aquilo a que ele chamava “ A civilização do Amor”. Raoul Follereau morreu, em Paris, a 16 de Dezembro de 1977. Dizia muitas vezes:

"Ser feliz é fazer os outros felizes.
O tesouro que eu vos deixo é o bem que não fiz, que teria querido fazer e que vós fareis depois de mim".

No último domingo de Janeiro de cada ano celebra-se o Dia Mundial dos Leprosos, instituído pela ONU em 1954, a pedido de Raoul Follereau. É que a lepra, sendo hoje em dia uma doença curável, nem por isso deixou de ser perigosa já que há largos milhares de doentes que, por falta de recursos materiais e humanos, não têm acesso aos tratamentos necessários.

A extrema pobreza e miséria em que muitos vivem justifica que, por dia, surjam ainda 2.000 novos casos de pessoas infectadas pela doença.

O Mundo - Nossa Escola



O mundo, em todos os seus ângulos, é a Escola de Jesus Cristo, em que fomos situados para aprender.

O educandário, porém, subdivide-se em classes numerosas e a prova é, invariavelmente, o processo de aferição dos aprendizes.

Há quem, na escassez de todos os recursos, é convidado a demonstrar paciência e resignação.

Há quem, de luz acesa no templo da alma, é convocado a clarear o caminho de quem vagueia nas trevas.

Há quem, detendo a graça da consciência tranquila, é visitado pela calúnia ou pela incompreensão a fim de revelar humildade e amor.

Dentro do enorme estabelecimento de ensino existem disciplinas variadas nos mais diversos cursos de erguimento e sublimação da alma imperecível.

Aceitemos a posição em que a Divina Vontade nos localizou na Escola da Vida.

Jesus é o nosso Mestre Infatigável.

E quem hoje aprende a lição do dia, amanhã receberá d´Ele e com Ele nova oportunidade na estrada luminosa da Sublime Ascensão...
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Nina
Chico Xavier




sábado, 19 de janeiro de 2013

Manual das famílias felizes





EFE Reportagens, 05/dez/2007 

- Lar, doce lar? 

Às vezes as relações de convivência estão mais próximas do vinagre que do açúcar e do afeto. Nenhuma família é um recôndito de paz as 24 horas do dia. De fato, nenhum ambiente onde convivam estreitamente dois ou mais seres humanos pode sê-lo, pelas diferentes formas de se encarar a vida.

No entanto, existem algumas formas de se preservar o afeto, a alegria e a satisfação nas relações mais intensas e ao mesmo tempo mais difíceis, mas também gratificantes e enriquecedoras que mantemos em nossa existência: as que temos com nossos parentes mais próximos.

Na família convém não haver "vencedores ou vencidos", porque, segundo um velho provérbio, "a melhor vitória é aquela na qual ganham todos".
 A "chave mágica" para consegui-la tem três pilares: 
harmonia, equilíbrio e comunicação.


- Trate seus parentes como amigos. 



Evite reservar sua parte mais sombria - suas queixas, cansaço, impaciência, maus momentos - para dedicá-la àqueles que mais ama.

As relações familiares, assim como as existentes entre amigos, devem ser cultivadas e regadas com respeito, tolerância, demonstrações de afeto e alegria compartilhada.
No início pode parecer um pouco difícil dizer o quanto se gosta de uma pessoa, com palavras ou por meio de pequenos gestos.


- Desligue a televisão enquanto come. 
 A telinha desempenha uma atração quase hipnótica, que em algumas ocasiões faz com que a vejamos como marionetes, sem nos importar com a programação.

A menos que se trate de um programa interessante, é importante apagá-la e aproveitar esses momentos para brincar com seus filhos e o marido e mostrar ainda mais envolvimento na vida familiar.

Não é melhor aproveitar quando todos estão à mesa para falar e compartilhar experiências ou sobre o que aconteceu ao longo do dia, em vez de todos assistirem à televisão como marionetes?


- Preveja os momentos de irritação e mantenha a calma 


Em vez de deixar-se levar pela ira, pelo ego ferido ou outras justificativas mesquinhas, que te afastam da real importância de um determinado assunto, procure manter-se centrado na solução, com serenidade e firmeza.

Se você percebe que está sendo levado pela impulsividade, pise no freio, respire profundamente e volta a buscar soluções e saídas, em vez de ficar obsessivo com o problema.

Discutir "em família" as diferentes opções para se sair do atoleiro, é um exercício que dá resultados surpreendentes.


- Peça perdão e tente entender 


Em todas as relações próximas e contínuas é fácil "ferir o outro", sem que depois desculpas ou pedidos de perdão bastem. É preciso colocar-se no lugar da outra pessoa para compreendê-la.


- Alguns erros que todos devem evitar:


Recorrer a agressões ou ameaças;
 revirar o passado;
fazer promessas que não podem ser cumpridas;
tentar solucionar a vida dos demais;
falar em vez de ouvir;
dizer as coisas por meio de terceiros;
punir alguém por dizer a verdade;
querer ter sempre a razão.

 Se você evitar esses comportamentos e atitudes, sua vida familiar começará a funcionar com menos conflitos e atritos.
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Por María Jesús Ribas. E F E - REPORTAGENS
Publicado em Yahoo! Notícias
http://br.noticias.yahoo.com/s/071205/48/gjhtbt.html

Na Hora do Perigo




Quando aparece o momento de fracasso, na esfera das boas obras, ouve-se comumente a repetição de afirmativas feitas:

- Eu bem disse...

- Avisei muito...

- Ninguém esperava por essa...

- Se a responsabilidade estivesse em minhas mãos, isso nunca sucederia...

- Foi muita imprevidência...

- Se eu soubesse antes, agiria de outra forma...

Depois de cada frase, alinham-se os comentários. Interpretações deprimentes, versos fesceninas, maldições, boatos.

Convençamo-nos, porém, de que advertências ou queixas tardias não adiantam. Não vale reclamar à frente dos escombros de casa caída. Urge verificar a extensão do desastre e socorrer as vítimas. Suar na remoção dos destroços e rearticular possibilidades. Estabelecer a calma e selecionar o que se faça útil.

Nas crises das boas obras, é preciso atender igualmente a isso. Aprender a recomeçar vezes e vezes. Sofrer e seguir adiante. Contar com dificuldade, censura, impedimento, solidão.

Em se tratando de ti mesmo, não percas tempo, chorando ou lastimando quando é justamente a hora de agir. Perante as complicações inevitáveis, é imperioso te disponhas a colaborar com mais segurança na vitória do bem. Se surge o problema da deserção nas fileiras, abençoa os companheiros que não puderam prosseguir em ação e, tanto quanto seja possível, coloca nos próprios ombros a carga de responsabilidade que te deixaram aos pés. Eles retornarão quando as forças lhe permitirem e saberão agradecer-te o concurso.

Quando às dúvidas prováveis que possas manter em relação às próprias energias para a sustentação dos deveres em marcha, convence-te de que nenhum de nós possui recursos suficiente para executar plenamente as realizações do Evangelho; entretanto, acima de tudo, crê no amor e no poder de Jesus, que te aceitou a cooperação.

Nele encontramos luz na obscuridade e complementação na fraqueza.

Ele te fará superar todos os empeços.

 E se te entregas fielmente à proteção Dele, sem que saibas definir ou sequer imaginar, quando te reconheças em meio de perigos supremos, na onda revolta das tentações e dos problemas, e nada mais esperes senão soçobrar, sentir-lhe-ás a vigorosa mão sobre a tua e aprenderás, por fim, no grande silêncio da alma, que Ele, o Senhor, em teu coração e em tua fé, pode realizar tudo aquilo que te parece impossível.

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Emmanuel
Chico Xavier





sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Merecimento


Não há tanto mérito em que domines essa ou  aquela ciência e sim em que lhe utilizes os recursos a fim de ajudar os companheiros da Humanidade a se desvencilharem da insipiência e da ignorância. 

Não há tanto mérito em tua pureza de coração, mas sim no esforço que desenvolvas em benefício dos irmãos chafurdados no erro, de modo a soerguê-los para a restauração necessária.

Não há tanto mérito em tua fé ardente e sim no trabalho a que te apliques com ela no apoio àqueles que ainda não lhe entesouraram a luz, para que não lhes falte à mesa o pão da esperança.

Não há tanto mérito na posse que detenhas, mas sim no emprego que lhe dês em socorro aos que te cercam ou no auxílio aos sofredores e menos felizes, dos quais te vês defrontado na experiência comum.

Não há tanto mérito em teu nome, por mais nobre seja ele, e sim no uso do prestígio que desfrutes amparando a jornada de quantos te compartilhem o esforço do dia-a-dia.

Virtude sem proveito é brilhante no deserto.

Inteligência sem boas obras é tesouro enterrado.

Fita o sol acalentando a lama da Terra e compreenderás o ensino claro da natureza que nos determina, sabiamente, entender e servir, abençoar e auxiliar.

Em qualquer parte a vida te conhece pelo que és, mas apenas te valoriza pelo que fazes de ti.
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Emmanuel
Chico Xavier






quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Frutos da Delinquência



O delinquente deve sempre ser considerado um Espírito enfermo, padecendo injunções alienantes que o levam ao delito.

Não obstante, cumpre à sociedade o dever de ensejar-lhe a reeducação e o tratamento, quando colhido nas malhas da Lei.

Afastá-lo do convívio social, trabalhando pela sua reabilitação, a fim de que se transforme em cidadão útil, que contribua para o progresso da Humanidade, tanto quanto para a própria evolução moral, é dever impostergável daqueles que pautam a vida pelos códigos de ética e de dignidade.

Evitar-se aplicar no infrator os mesmos processos violentos de que ele usa para alcançar os seus objetivos malsãos, constitui uma atitude de civilidade e cultura superiores.

Impedir-se a usança de técnica da agressividade ou da corrupção, ou os métodos da punição física, da coerção moral, da lavagem cerebral, significa utilização da Justiça que se propõe a soerguer o infeliz, embora implicitamente aplicando-lhe as penalidades que funcionam como terapia retificadora e edificante.

O delinquente nem sempre se origina dos sórdidos guetos e favelas, onde fermenta o caldo de cultura da desagregação da personalidade, locais de fomento ao crime em razão dos fatores sócio-morais e econômicos que constringem e alucinam os que ali se encontram, mas de muitas outras comunidades e lares dignamente constituídos.

Crimes repulsivos e hediondos, agressões revoltantes e homicídios dantescos, furtos e roubos acompanhados de estupros e lamentáveis perversidades, lutas físicas e chantagens impiedosas, lenocínios e viciações toxicômanas apresentam altas e alarmantes taxas de delinquência que oram assolam a Terra e dizimam multidões em desespero...

Diante, no entanto, de delinquentes de tal jaez, tenta o amor fraternal, revidando-lhes a impiedade com a onda positiva de que o amor se faz portador. 
No entanto, se o amor ainda não domina os teus sentimentos, a ponto de facultar-lhe a reação não-agressiva, unge-te de compaixão e a piedade diluirá a violência que te assoma, alcançando o infrator que te fere, apagando as marcas da mágoa que teimará por insculpir no teu íntimo o desejo de desforço.

Não são, porém delinquentes, somente aqueles que se armam de agressividade e, loucos, disseminam o medo, o crime brutal, aparvalhante.

Delinquem, também, os que exploram a ingenuidade dos jovens, arrojando-os nos antros da perdição; 
os que usurpam as parcas moedas do povo, no comércio escorchante de mercadorias de primeira necessidade; 
os profissionais liberais, que anestesiam a dignidade, falseando o juramento que fizeram de prometer servir e honrar o sacerdócio que abraçam, indiferentes, porém, aos problemas dos clientes, protelando suas soluções à custa de largas somas com que constroem sólidas fortunas, apesar de transitórias; 
os que espalham ondas de inquietação, urdindo tramas que aliciam outros partidários de emoção afetada;
 os que traem os afetos que lhes dedicam confiança e respeito; 
os maus administradores, que malversam os valores públicos e deles se utilizam a benefício próprio, dos seus êmulos e pares;
 os que conspiram, à socapa, contra as obras de benemerência e amor;
 e muitos, muitos outros que são arrolados como dignos de bom conceito e que, certamente, não cairão incursos nas legislações humanas, porque disfarçados de homens probos, bem aceitos e acatados...

Eles, todavia, sabem das próprias culpas, que dissimulam com habilidade.

A consciência despertará, por mais se demore em conivência com a má aplicação dos recursos da inteligência e da saúde de que se fazem dotados.

Não lograrão fugir de si mesmos, nem se liberarão dos conflitos que se lhes instalaram na alma.

Resguarda-te do contágio da delinquência, preservando os teus valores morais, mesmo que sejam de pequena monta;
 a tua posição social, embora não tenha realce público; 
a tua situação econômica, apesar de caracterizada pela pobreza;
 as tuas aspirações, mesmo que de pequeno porte, ligando-te em pensamento, ao compromisso do bem, que se irradia do Cristo, que programou para o homem e a Terra, em nome do Pai, a felicidade e a harmonia, através de métodos de dignificação, únicos, aliás, que compensam em profundidade e perenemente.

Os frutos da delinquência são a loucura de largo porte, o sofrimento sem conforto, o suicídio, a morte violenta, nefasta.

Vive, desse modo, as diretrizes do Evangelho e nunca te esqueças que, ao defrontares um delinquente, seja em qual circunstância for, será muito melhor ser-lhe a vítima do que seu algoz, conforme o próprio Mestre nos ensinou com o exemplo na Cruz.
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Joanna de Ângelis

Teu azedume



Não descarregues o teu azedume, conflitos e recalques nos servidores da tua casa, do teu trabalho, da tua esfera social.

Eles já sofrem o suficiente, dispensando a carga de amargura e mal-estar que lhes destinas.

Coloca-te no lugar deles e verás quanto gostarias de receber gentilezas, ter atenuadas as humilhações que passasses, as dores que carpisses...

São teus irmãos carentes.

Se te fazem grosserias e são rudes, educa-os com o silêncio e a bondade.

Eles desconhecem as boas maneiras; necessitando do teu exemplo.

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Joanna de Ângelis
 





quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ao abraçar a vida nobre


Há uma permanente luta íntima, quando o homem se resolve por abraçar a vida nobre.

Quais dois exércitos em fúria, no campo mental, surgem constantes confrontos.

Os guerreiros habituais - o egoísmo, o orgulho, a violência, a ambição tentam superar os novos combatentes - o amor ao próximo, a humildade, a pacificação, a renúncia.

O indivíduo sente-se dividido e angustiado.

Nesse terreno áspero brilha, porém, a luz da inspiração superior que lhe aclara a alma e a estimula a insistir nos propósitos elevados.

Investe na batalha da vida os teus esforços nobres e não desistas.

Cada dia de resistência representa uma vitória até o momento da glória total.
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Joanna de Ângelis






Quanto Mais




Quanto mais tiveres, mais, ser-te-á acrescentado, - disse-nos o Senhor.

*
Para que lhe compreendamos o ensinamento, vejamos a natureza.

Quanto mais repouso na enxada, mais amplo se lhe farão o assédio da ferrugem, conduzindo-a do descanso à plena inutilidade.

Quanto mais estanque o poço, mais envenenadas se lhe farão as águas, passando da inércia à letalidade completa.

Quanto mais abandonado o fruto amadurecido, mais profunda se lhe fará a corrupção, descendo à imprestabilidade.

Eis porque, a Lei estenderá as forças que exteriorizamos, à maneira da lavoura em cujas atividades cada semente produz em regime de multiplicação.

*
Quanto mais egoísmo – mais aviltamento.

Quanto mais repouso indébito – mais preguiça.

Quanto mais vaidade – mais aflição.

Quanto mais ciúme – mais desespero.

Quanto mais delinquência – mais remorso.

Quanto mais erro – mais reajuste.

Quanto mais desequilíbrio – mais sofrimento.

Quanto mais trabalho – mais progresso.

Quanto mais boa vontade – mais simpatia.

Quanto mais humildade – mais bênçãos.

Quanto mais bondade – mais triunfo.

Quanto mais serviço – mais auxílio.

Quanto mais perdão – mais respeito.

Quanto mais amor – mais luz.

*

Examina o que sentes e pensas, o que dizes e fazes, porque a Lei multiplicará sempre os recursos que ofereces à vida, restituindo-te compulsoriamente o bem ou o mal que pratiques, de vez que inferno ou céu, alegria ou dor, felicidade ou obstáculo em nosso caminho, é sempre a Justiça Divina a expressar-se conosco e por nós, conferindo-nos isso ou aquilo, de conformidade com as nossas próprias obras.

***
O lar é o porto de onde a alma se retira para Além do Mundo e quem não transporta no coração o lastro da experiência cristã, dificilmente escapará de surpresas inquietantes e dolorosas.
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Emmanuel
Chico Xavier



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Bilhete Fraterno


“Qualquer que vos der a beber um copo d’água em meu nome,em verdade vos digo que não perderá o seu galardão”.
JESUS, MATEUS, 9:41

Meu amigo, ninguém te pede a santidade de um dia para outro.
Ninguém reclama de tua alma espetáculos de grandeza.
Todos sabemos que a jornada humana é inçada de sombras e aflições criadas por nós mesmos.
Lembra-te, porém, de que o Céu nos pede solidariedade, compreensão, amor...

Planta uma árvore benfeitora, à beira do caminho.
Escreve algumas frases amigas que consolem o irmão infortunado.
Traça pequenina explicação para a ignorância.
Oferece a roupa que se fez inútil agora ao teu corpo ao companheiro necessitado, que segue à retaguarda.
Divide, sem alarde, as sobras de teu pão com o faminto.
Sorri para os infelizes.
Dá uma prece ao agonizante.
Acende a luz de um bom pensamento para aquele que te precedeu na longa viagem da morte.
Estende o braço à criancinha enferma.
Leva um remédio ou uma flor ao doente.
Improvisa um pouco de entusiasmo para os que trabalham contigo.
Emite uma palavra amorosa e consoladora onde a candeia do bem estiver apagada.
Conduze uma xícara de leite ao recém-nascido que o mundo acolheu sem um berço enfeitado.
Concede alguns minutos de palestra reconfortante ao colega abatido.

O rio é um conjunto de gotas preciosas.
A fraternidade é um sol composto de raios divinos, emitidos por nossa capacidade de amar e servir.
Quantos raios libertaste hoje do astro vivo que é teu próprio ser imortal?
Recorda o Divino mestre que teceu lições inesquecíveis, em torno do vintém de uma viúva pobre, de uma semente de mostarda, de uma dracma perdida...
Faze o bem que puderes.
Ninguém espera que apagues sozinho o incêndio da maldade.
Dá o teu copo de água fria.
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Emmanuel
Chico Xavier

Meditação




Filho meu !

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: eu sou AQUELE que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;

QUANDO te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que, em torno, a indiferença recrudesce, acerca-te de mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;

QUANDO se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: eu sou a FORÇA capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;

QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito;

QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: eu sou a PACIÊNCIA, que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis;

QUANDO te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos;

QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à nobreza de teus ideais;

QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;

QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos;

QUANDO a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: eu sou o PERDÃO, que te levanta o ânimo e promove a reabilitação de teu espírito;

QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o cepticismo te avassalar a alma, recorre a mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te habilita para a conquista da Felicidade;

QUANDO já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento de teu semelhante, aproxima-te de mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo;

E QUANDO, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrêla que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda.

Eu sou a dinâmica da vida, e a harmonia da Natureza: chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.
 Estende-me, pois, a tua mão, ó alma filha de minhalma, que eu te conduzirei, numa sequência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do Infinito, sob a luz brilhante da Eternidade. 
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  Emmanuel
 Chico Xavier 
Obra: Paz e libertação 

 




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Permitir-se



Permita-se dizer sim quando tudo pareça dirigir sua vida para a flexibilidade em favor de seu encontro com a felicidade;

Permita-se faltar um dia em seu trabalho em favor de um passeio a pé nas areias de uma praia ou entre árvores de um campo;

Permita-se sair do sério e sorrir a uma criança que você não conheça, buscando entender a inocência, a ingenuidade e a pureza;

Permita-se pedir a Deus um tempo para você e diga-Lhe o quanto você gostaria de senti-lO sem a obrigação de adorá-lO;

Permita-se um dia em que você faça questão de nada receber e ocupe-se em estar o tempo todo doando em favor da Vida;

Permita-se um dia para que você se ocupe integralmente em apenas perdoar tudo que considere gerador de culpa em você e que faz parte de seu passado;

Permita-se amar as pessoas sem exigir retorno de espécie alguma;

Permita-se apaixonar por algo ou alguém, em favor da vontade de viver, sentindo que a vida é motivação e determinação;

Permita-se o direito de negar algo a alguém, sem ferir, aprendendo a ajudar sem sufocar, ou ter de concordar com o outro, em favor de sua felicidade;

Permita-se um dia deixar um vício de lado em favor da liberdade em relação a ele e pela sua integridade e dignidade pessoal;

Permita-se negar a voz interior que teima em insuflar seu orgulho e sua vaidade e que impede seu progresso espiritual;

Permita-se calar seu desejo egoísta e inferior em humilhar alguém, não permitindo que a vontade de poder suplante sua humildade;

Permita-se pelo menos em um dia visitar alguém que se encontre necessitando de ajuda através da palavra amiga e de sua presença serena;

Permita-se um dia não estar para ninguém, desligando seus telefones e realizando um passeio consigo mesmo num lugar que ninguém lhe conheça;

Permita-se conversar com Deus como amigo, sem nada Lhe pedir, agradecer ou mesmo sem querer adorá-lO;

Permita-se ser feliz independente das forças que teimam em contrário.
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Adenáuer Novaes

Vigiando





“...Se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento".
– Paulo (FILIPENSES, 4:8.)

Trabalhemos vigiando.

Aquilo que nos ocupa o pensamento é a substância de que se nos constituirá a própria vida.

Retiremos, dessa forma, o coração de tudo o que não seja material de edificação do Reino Divino, em nós próprios.

Em verdade, muita sugestão criminosa buscará enevoar-nos a mente, muito lodo da estrada procurar-nos-á as mãos na jornada de cada dia e muito detrito do mundo tentará imobiliza-nos os pés.

É a nuvem da incompreensão conturbando-nos o ambiente doméstico...

É a acusação indébita de permeio com a calúnia destruidora...

É a maledicência convidando-nos à mentira e à leviandade...

É o amigo de ontem que se rende às requisições da treva, passando à condição de censor das nossas qualidades ainda em processo de melhoria...

Entretanto, à frente de todos os percalços, não te prendas às teias da perturbação e da sombra.

Em todas as situações e em todos os assuntos, guardemos a alma nos ângulos em que algo surja digno de louvor, fixando o Bem e procurando realiza-lo com todas as energias ao nosso alcance.

Aos mais infelizes, mais amparo.

Aos mais doentes, mais socorro.

E, ocupando o nosso pensamento com os valores autênticos da vida, aprenderemos a sorrir para as dificuldades, quaisquer que sejam, construindo gradativamente, em nós mesmos, o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso Mestre e Senhor.
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Emmanuel
Chico Xavier