domingo, 3 de fevereiro de 2013

Desperta, tu que dormes!




“Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará.” (Paulo, Efésios, 5:14)
Vivemos um momento extremamente delicado, pois em nenhuma época da humanidade o homem foi tão insistentemente convidado a usufruir a vida material como agora, sem pensar em escrúpulos morais - a lei do “tudo pode”.

Crescem, vorazmente, em nosso âmbito, os apelos ao imediatismo, como se a nossa passagem pelo planeta fosse acontecimento único. Aliás, a criatura humana tem atentado pouco para os reais valores da existência terrena, preferindo seguir seus dias numa indiferença absoluta, em que a preocupação em levar vantagem em tudo tem superado a necessidade do equilíbrio, nascedouro do que é decente, nobre, sublime e belo.

A posse de valores materiais nunca esteve tão em moda. O culto à beleza corporal ganha adeptos quotidianamente. A vontade de se dar bem usando seja qual método for encontra ressonância nos corações e nas mentes desajustadas. O uso promiscuo do sexo é uma realidade inconteste. Caminha, portanto, o homem dormindo para a sua real e inquestionável finalidade: ser feliz.

De forma alguma estamos proibidos de viver confortavelmente, desde que tenhamos adquirido essa comodidade honestamente, de cuidar do nosso corpo, pois que ele é a morada do Espírito imortal, mas, obviamente, um zelo na dose certa, desejando conquistar posições, valores, notoriedade, sempre que para tal não prejudiquemos ninguém, de fazer uso do sexo, mas dentro dos limites do razoável e da dignidade. Aquilo que excede, que ultrapassa as raias do equilíbrio será sempre condenável e deletério, trazendo consigo a romaria de sofrimento, decepções e dores inerentes aos descuidos praticado.

Quando Paulo sugere o despertamento aos efésios, em carta escrita àquele povo, deixou uma valiosa lição à humanidade inteira, para todas as épocas. Vale, portanto, para os tempos atuais. Os dramas e tragédias estampados no meio social em que vivemos bem dizem da premente necessidade de acordarmos para as definitivas finalidades da criatura humana, em todos os quadrantes do Universo; o inadiável esforço para superar limites, saindo da casca dura do egoísmo e do orgulho, para vislumbrar a imperiosa necessidade de conquistar valores espirituais, definitivos, eternos, pois que as realizações e conquistas pertencentes ao corpo são efêmeras, passageiras, quase sempre deixando as marcas do vazio e do tempo perdido.

Vivamos no mundo mas procurando espiritualizar cada ação, cada ato, cada comportamento. O gozo material, a beleza física e a sexualidade têm suas valiosas funções quando exercidos nos padrões do equilíbrio, mas abrem portas enormes para o sofrimento quando passam a ser a prioridade das nossas vidas. Portanto, a mensagem de Paulo, valiosa para os nossos dias, deve ser meditada, refletida, estudada e analisada, para que tenhamos a certeza de que estamos vivendo dignamente, pensando no hoje, sem esquecer, evidentemente, o amanhã, pois mais cedo ou mais tarde seremos convidados a deixar este mundo e nos instalaremos na Pátria Espiritual e lá, pela lei de causa e efeito, seguiremos com os valores que conseguirmos por aqui. Se bons, a alegria nos encherá o coração; se ruins, carregaremos o peso da imprevidência e da irresponsabilidade.

Desperta, tu que dormes! Quer dizer: abre os olhos e vê o que é real e não o ilusório e o fantasioso. 
 
Levanta-te dentre os mortos, isto é, sai da procissão daqueles que nada querem de útil e definitivo. 
 
O Cristo te iluminará, significa dizer: colherás do que plantou. 
 
Jesus sempre trabalhou em favor daqueles que se esforçam para crescer moralmente.

Na vida terrena, muitas vezes podemos muito, mas será preciso perguntar se esse muito nos convém. 
 
Reflitamos.
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Crônicas e Artigos
Ano 1 - N° 14 - 18 de Julho de 2007
WALDENIR APARECIDO CUIN
Votuporanga, São Paulo (Brasil) 
 


 

Diante do Lar


O lar é o centro de nossas atividades no mundo.

Efetivamente, a Terra é a nossa temporária residência na vida e a Humanidade é a nossa verdadeira equipe familiar.

Entretanto, no microcosmo doméstico, tens a lição e a bênção, a escola e a estação de cura.

É por isso que entre as quatro paredes da casa terrestre, encontramos, enquanto na experiência física, os mais obscuros problemas.

Aí dentro, no reduzido espaço de alguns metros, conhecemos o assalto do ciúme, o golpe da maledicência, o fel da incompreensão, a treva da calúnia, o vinagre da crítica, o frio da indiferença e a dor do cansaço, recolhendo, muita vez, pedras e espinhos de mãos queridas que desejaríamos viver osculando com inexcedível ternura.

No acanhado círculo da consanguinidade, surgem para a alma as mais aflitivas sugestões de fracasso e os mais fortes apelos ao desânimo.

Todavia, é também na intimidade desse anel de luta depuradora que surpreendemos abençoadas oportunidades de acrisolamento e ascensão.

Absorvendo-lhe o clima inquietante, à maneira do metal impuro, no cadinho regenerador, nosso espírito em lhe recebendo a lixívia de suor e lágrimas, alcança expressivos degraus de soerguimento, avançado para a Vida Maior.

Não desprezes as dificuldades e as crises que, porventura, te façam da casa um templo de purgação.

Usa a humildade e a paciência, a bondade e a tolerância, no comportamento diário, trabalhando e amando, aprendendo e servindo e o teu flagelado domicílio de hoje ser-te-á amanhã preciosa base, da qual poderás desferir os mais nobres voos de paz e sublimação para a Grande Vitória.
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Emmanuel
Chico Xavier


sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Tua Capacidade



És capaz.

Não sejas como os que não podem ajudar os outros porque "não tem tempo";
 não podem ser felizes porque "tem problemas"; 
não podem ostentar saúde porque "são doentes"; 
não podem melhorar de vida porque "nasceram para ser pobres".

Reage às ideias negativas.

Põe em ti um pensar sempre positivo, sempre esperançoso, sempre livre e aberto, e jamais admitas impedimentos criados por ti mesmo.

Tens amplas condições de ação e resolução. 
Por isso, acredita no que és e organiza-te interiormente.

És pessoa vencedora.

São bem-sucedidas as pessoas que põem ordem em si mesmas.
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Lourival Lopes





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

EMOÇÕES QUE CURAM (QUÍMICA DO BEM)




ESTABILIDADE EMOCIONAL

É importante manter uma atitude positiva perante a vida, procurando sempre ver o lado bom das
coisas. Deve-se reservar alguns momentos para reflexão sobre nossas prioridades, naquilo que queremos
alcançar de fato na vida. Muitas vezes, nos perdemos em detalhes sem importância deixando de lado
coisas realmente relevantes.
Controlar a pressa, a corrida contra o relógio também é importante, além disso, se recomenda que a
pessoa passe a curtir o processo do "ser", do "existir" em si, em vez de só se preocupar com o "fazer“ e o “ter”.
O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência,
aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo).
Viva feliz fazendo as pessoas que convivem com você felizes.


Endorfina - Hormônio do Prazer

Endorfina é um neuro-transmissor produzido na hipófise e liberado para o sangue juntamente com
outros hormônios. Endorfina é produzida depois de uma atividade física e quando fazemos algo que nos da
prazer, regula a emoção e a percepção da dor, ajuda a relaxar e gera a sensação de bem estar. A endorfina
é considerada um analgésico natural, reduzindo o estresse e a ansiedade, aliviando as tensões.
Efeitos da Endorfina no organismo:
· Melhora a memória;
· Melhora o estado de espírito (bom humor);
· Aumenta a resistência;
· Aumenta a disposição física e mental;
· Melhora o nosso sistema imunológico;
· Bloqueia as lesões dos vasos sangüíneos;
· Têm efeito antienvelhecimento;
· Alivia as dores.
O organismo produz Endorfina nas seguintes situações:
· Ao fazer exercícios físicos;
· Ao praticar hábitos saudáveis;
· Ao fazer o que nos dá prazer;
· Quando amamos ao próximo;
· Ao perdoar;
· Ao praticar a paciência;
· Ao dar e receber atenção;
· Ao fazer relaxamento






Serotonina - Hormônio da Paz
Agir com serenidade, sabedoria, calma, indulgência, benevolência, promovem secreção de Serotonina.
…enquanto que agir com ressentimento, raiva, rancor, repressão, resistências, facilitam a secreção de
Cortisol, um hormônio corrosivo para as células, que deteriora a saúde e acelera o envelhecimento.
Condutas positivas geram atitudes de ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação. As condutas
negativas pelo contrário geram atitudes de desânimo, desespero, desolação, afastamento.
Viver emocionalmente de forma positiva, viveremos mais tempo e melhor, porque o “sangue bom”
(muita serotonina e pouco cortisol) é a chave da vida saudável. Viver de forma negativa, pelo contrário,
porque o “sangue ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde, oportuniza as doenças e mais uma vez citando, acelera o envelhecimento.



PROBLEMAS BIOLÓGICOS OCASIONADOS POR SENTIMENTOS NEGATIVOS

Sabe-se que a tristeza causa aumento do hormônio adrenocorticotrófico e portanto interfere na suprarenais e aumenta o cortisol. O cortisol inibe o sistema imunitário, então a tristeza inibe a defesa do
organismo.
Atualmente sabe-se que a depressão está relacionada a alterações nos níveis de neurotransmissores
hormonais (principalmente serotonina, acetilcolina, dopamina, epinefrina e norepinefrina), este distúrbio
hormonal leva o indivíduo a ter susceptibilidade para depressão. O depressivo normalmente apresenta
atrofias em certas áreas do cérebro (particularmente no lobo pré-frontal) responsável pelo controle das
emoções e produção de serotonina.
Hoje também já está demonstrado que as pessoas com ressentimentos, melindres, mágoas são
mais vulneráveis a doenças graves, particularmente os tumores cancerosos. O câncer nada mais é que
células que passam a ter defeitos, que se multiplicam, criando um corpo estranho no organismo, um invasor letal. Normalmente, essas células são facilmente eliminadas pelos mecanismos imunológicos, tão logo surgem. Quando o ressentimento se prolonga, esses mecanismos são bloqueados e o câncer evolui.
Apenas porque a pessoa não consegue ter bons sentimentos…

Leia o texto na íntegra:

http://www.slideshare.net/AntonioSSantos/62-emoes-que-curam-quimica-do-bem



Doentes e Doenças



O respeito aos doentes é dever inatacável, mas vale descrever a ligeira experiência para a nossa própria orientação.

Penetramos o nosocômio, acompanhando um assistente espiritual que ingressava na serviço pela primeira vez, e por isso mesmo era, ali, tão adventício em matéria de enfermagem quanto eu próprio.

Atender a quatro irmãos encarnados sofredores, o nosso encargo inicial nas tarefas do magnetismo curativo. Designá-los-emos por números.

Em arejado aposento, abeiramo-nos deles, depois de curta oração.

O amigo número um arfava em constrangedora dispneia, suplicando em voz baixa:

- Valei-me Senhor! ... Ai Jesus! ... Ai Jesus! ... Socorrei-me ! Ó divino salvador! ... curai-me e já não desejarei no mundo outra coisa senão servir-Vos! ...

O segundo implorava, sob as dores abdominais em que se contorcia:

- Ó meu Deus, meu Deus! ... Tende misericórdia de mim! ... Concedei-me a saúde e procurarei exclusivamente a Vossa vontade...

Aproximando-nos do terceiro, que, mal aguentado tremenda cólica renal em recidiva, tartamudeava ao impacto de pesado suor.

- Piedade, Jesus! ... Salvai-me! ... Tenho mulher e quatro filhos ... Salvai-me e prometo ser-vos fiel até a morte! ...

Por fim, clamava o de número quatro, acarretando severa crise de artrite reumatoide;

- Jesus! Jesus! ... Ó Divino Médico! ... Atendei-me! ...

Nosso orientador enterneceu-se. Comovia-se, deverás, ouvir tão carinhosas referencias a Deus, ao Cristo, tantos apelos com inflexão de confiança e ternura.

Sensibilizados, pusemo-nos em ação.

Exímio conhecedor de ondas e fluidos, consertou vísceras, sanou disfunções ali, renovou vísceras, sanou disfunções ali, renovou células mais além e o resultado não se fez esperar. Recuperação quase integral para todos. Entramos em prece, agradecendo ao Senhor a possibilidade de veicular-lhe as bênçãos.

No dia imediato, quando voltamos ao hospital, pela manhã, o quadro era diverso.

Melhorados com segurança, os doentes pela manhã já nem se lembravam do nome de Jesus.

O enfermo de número um se reportava, exasperado, ao irmão que faltara ao compromisso de visitá-lo na véspera:

- Aquele malandro pagará! ... Já estou suficientemente forte para desancá-lo ... Não veio como prometeu, porque me deve dinheiro e naturalmente ficará satisfeito em saber-me esquecido e morto ...

O segundo esbravejava:

- Ora essa! ... por que me vieram perguntar se eu queria orações? Já estou farto de rezar ...

Quero alta hoje! ... Hoje mesmo! ... E se a situação em casa não estiver segundo penso, vai haver barulho grosso!

O terceiro reclamava:

- Quem falou aqui em religião? Não quero saber disso ... Chamem o médico ...

E gritando para a enfermeira que assomara a porta:

- Moça, se minha mulher telefonar, diga que sarei e que não estou ...

O doente de número quatro vociferava para a jovem que trouxera o lanche matinal!

- Saia da minha frente com seu café requentado, antes que eu lhe dê com este bule na cara! ...

Atônitos, diante da mudança havida, recorremos à prece, e o superior espiritual da instituição veio até nós, diligenciando consolar-nos e socorrer-nos.

Após ouvir a exposição do mentor que se responsabilizara pelas bênçãos recebidas, esclareceu, bem humorado:

- Sim, vocês cometeram pequeno engano. Nosso irmãos ainda não se acham habilitados para o retorno à saúde, com o êxito desejável ... Imprescindível baixar a taxa das melhoras efetuadas ...

E sem qualquer delonga, o superior podou energias aqui, diminui recursos ali, interferiu em determinados centros orgânicos mais além, e, com grande surpresa para o nosso grupo socorrista, os irmãos enfermos, com ligeiras alterações para melhoria, foram restituídos ao estado anterior, para que não lhes viesse a ocorrer coisas piores.
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 IRMÃO X 
Chico Xavier 

Escolhas



"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor..." - Jesus (João, 15:10)


Quem observa o mal e o remédio contra o mal, nos campos de provação do mundo, é, naturalmente, induzido a refletir no pensamento livre e nos recursos neutros que nos cercam.

Vejamos alguns deles.

Com a pedra tanto se pode ferir ou injuriar quanto edificar ou esculpir.

A criatura é livre para usar o fogo de maneiras diversas, como sejam: extinguir o frio, afastar as trevas, preparar o próprio alimento, condicionar a matéria, ou destruir através do incêndio.

Da morfina que se extrai, na Terra, o alívio do enfermo, retira-se igualmente a dose de veneno sutil que dilapida as energias orgânicas de quem se compraz no abuso do entorpecente.

Nas mãos do homem o dinheiro é trabalho ou inércia dourada, educação ou desequilíbrio, beneficência ou sovinice, bondade ou violência, prosperidade ou penúria.

A força atômica é suscetível de garantir o brilho do conforto e da indústria tanto quanto é capaz de ser manejada por morticínio e arrasamento.

Assim também acontece com os tesouros do tempo, rigorosamente iguais para todas as criaturas, segundo o critério da Eterna Justiça.
 A hora do chefe e do subordinado, do homem culto e do homem menos culto, da pessoa transitoriamente mais favorecida ou menos favorecida de recursos materiais é matematicamente constituída de sessenta minutos.
 Somar semelhante valor ao Bem ou ao mal, melhorando condições ou agravando problemas em nossa própria vida, será sempre questão de atitude pertinente a nós mesmos.
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Emmanuel
Chico Xavier





quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Filho Renegado

OBSERVAÇÃO DO COMPILADOR:
 Do romance Redenção, ditado pelo Espírito de Victor Hugo e escrito pela médium Zilda Gama, escolhemos uma bela passagem em que o autor espiritual tece comentários a respeito do pai e da mãe.

     "... Lágrimas pungentes deslizaram pelo rosto de Dusmenil. Por momentos, comparou a desigualdade de sentimentos e atitudes dos seres humanos: há pais extremosos que se amofinam,1 se torturam e sucumbem de saudades vendo os filhinhos partirem para o Além, para as mansões serenas, para o Lar do Criador; há monstros que lhes dão o ser e logo após os atiram aos rigores das invernias, sem uma expressão de piedade! E suas mãos não tremem ao escrever uma invocação de morte para uma frágil, indefesa e desventurada criancinha.
     Ele que se expunha às intempéries e borrascas de neve por amor ao filhinho que já não podia beijar, encontrou, quase inanimado e gélido, arrojado à estrada deserta, forrada de gelo, um pequenino ser enjeitado pelos próprios pais...
     Há celerados que, gerando entes misérrimos, não deveriam receber a excelsa denominação de Pais, mas de reprodutores, como os brutos.
     Pai é o protetor da candura, da inocência, da fragilidade infantil e pode sê-lo espiritualmente, como Jesus, que não ligou sua existência a de outro ser pelo consórcio civil, mas vinculou-se a todos os seres deste orbe de acerbas provações, pelos elos da paternidade psíquica; é o representante do Onipotente na Terra. O arrimo das almas que, ainda turbadas com a queda do Espaço, como andorinhas ébrias de luz, buscam o ninho tépido e veludoso do seu amor, dos seus beijos, uma paragem hospitaleira onde possam acolher-se temporariamente sob as asas níveas da ternura dos que as atraíram, como magnetos,2 das alturas consteladas aos pauis3 do sofrimento...
     Negar-lhes o apoio, o carinho, a afeição; recusar-lhes ósculos e afagos e dar-lhes bofetadas e doestos;4 não deter os inexperientes jovens no resvaladouro dos vícios e das paixões; atirá-los às enxovias5 ou aos prostíbulos - é ser monstro e não pai. Para esses infortunados, deveria existir no vocabulário humano, tão fértil em sinônimos, uma outra expressão.
     Renegar um filho é suprema ofensa às leis da Criação; é tornar-se inferior a alguns felinos sedentos de sangue, que devoram a prole ao nascer. Quem assim procede, ofende o Altíssimo e a Humanidade: ao Altíssimo porque cerra a porta do lar ao peregrino que lhe Ele enviou para proteger, educar, amar; à Humanidade porque, em vez de ser útil à coletividade, com a sua desídia,6 com o abandono de criancinhas à mercê da sorte, atira-lhe meretrizes ou bandidos - que são feras bímanas,7 que só têm olhos de milhafre8 para sondar as trevas em que se acobertam para arrancar o ouro alheio; só têm mãos para brandir punhais, navalhas ou bacamartes; boca para proferir obscenidades9  e blasfêmias!
     Se é crime revoltante o que pratica o homem expulsando um filho do lar, imperdoável se torna quando perpetrado pela mulher.
     Ser mãe é ser Níobe - petrificada de dor e colada ao cadáver do filho assassinado.
     Dizer-se Mãe é dizer ternura, carinho, sacrifício, perdão, amparo, amor santificado. Para a verdadeira mãe não há filhos monstruosos, mas desventurados; todos são belos porque vistos através do telescópio encantado do coração, do cristal dos olhos lucificados10 de lágrimas!
     Mãe que repudia o fruto de suas entranhas, faz-se mais ínfima que os irracionais: deixa que o pelicano a supere em carícia, sacrifício, afeto, quando arranca as próprias penas para aveludar o ninho dos filhotinhos!
     Para ser mãe não basta ser fêmea - sim, sobretudo, anjo tutelar dos berços e da candura infantil; fanal das consciências ainda embrionárias, ósculo para enxugar as primeiras lágrimas; mãos para afagar e cerrar os olhos antes de adormecer ou de o levarem ao túmulo; boca para elevar preces ao Criador e hinos para acalentar o gentil romeiro que lhe envia o Céu... ou lhe vem dos báratros11 das paixões tenebrosas, para que lhe aponte os páramos12 azuis, e galgue, com ele, a escada da Redenção.
     Os entezinhos que o Sempiterno confia à mulher são satélites do espírito materno, que ela deve enfeudar13 na Terra e no Espaço, qual o faz Ele às estrelas - prantos divinos, cristalizações de luz, filhas rutilantes que espalhou no Empíreo,14 para acolher os filhos das trevas, redimidos nos calabouços que são os planetas inferiores!
     Ser mãe é ser arcanjo, cujas plumas alvinitentes15 - ocultas no estojo da carne - se expandem sempre junto ao berço dos seus encantos - redutos de todas as felicidades mundanas e divinas, ou à beira dos pequeninos sepulcros - onde soterram todas as venturas, ilusões, esperanças terrenas!
     Ser mãe é refletir a projeção luminosa e protetora do vulto açucenal de Maria de Nazaré - síntese de todas as excelsitudes, amarguras, glórias e martírios do coração materno, acompanhando o celestial Bambino, da gruta de Belém aos cimos do Gólgota, o qual, por isso, das alturas etéreas onde se acha, sorri às mães devotadas, estende-lhes os braços infinitos no amor e na piedade, enxuga-lhes o pranto, muitas vezes, nas dobras resplandecentes do seu manto de névoas douradas, constelado de todas as virtudes!" 
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(Espírito de Victor Hugo - Médium: Zilda Gama - Obra: Redenção, editada pela FEB).  

1= afligem - 2= ímãs - 3= pântanos - 4= injúrias, acusações desonrosas - 5= prisões escuras, úmidas e escuras - 6= preguiça, desleixo, descaso - 7= que têm duas mãos; espécie humana - 8= ave de rapina européia - 9= qualidades de obsceno; que fere o pudor - 10= cheios de luz - 11= abismo, precipício, inferno - 12= firmamento - 13= dar em feudo (propriedade nobre); submeter; entregar-se uma pessoa a outra - 14= morada dos deuses; céu - 15= de brancuras imaculadas.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Resposta de Deus




É como mergulhar em um mar de águas geladas.
Por toda parte o frio, o abandono.
 Ninguém à vista, nada de sorrisos calorosos, mãos amigas, solidariedade.

É assim quando o mundo nos vira as costas, os amigos fogem e nada parece dar certo.

Nesses momentos temos vontade de perguntar:
"Onde estão as pessoas gentis, os bons sentimentos?
Onde se escondeu o amor, que todos louvamos?"

Nos escaninhos da alma então cresce um sentimento infeliz:
 o de que não somos dignos de ser amados.
E queremos tanto ser amados!

Queremos alegrias, carícias, gentilezas e sorrisos.
 Se isso nos falta, resta uma sombra cinzenta, um coração partido.

E é assim que da garganta parte um pedido de socorro, um grito que corta os céus e chega a Deus.
 E que diz, entre soluços:
" Meu Pai, será que podes me ouvir?
Estás aí?
Deixa-me sentir Tua mão por um só instante."

E se a alma está atenta, o coração aberto, a luz abre caminho entre as sombras.
É como o sol surgindo após a chuva, seus raios dissipando nuvens pesadas, seu calor se espalhando pela Terra.
É a resposta de Deus.
Sua voz soa nos nossos ouvidos, sussurrando:
" Sim, meu filho, estou aqui.
Confia, espera, supera, aguarda.
 Estou aqui."

Somente Essa voz Divina tem o poder de restaurar nossa alma, de tornar cálida a água gelada que nos cerca.

Deus é alegria.
Estar unido a Ele é alcançar o permanente contentamento, Sua voz ecoando no coração, consolando, explicando.
É como música feliz que leva para longe as mágoas, restaura a paz e devolve o sorriso.

Por isso, nas horas árduas, quando a solidão se instalar e as lágrimas chegarem, apenas silencie a voz na garganta.
Deixe apenas a alma falar.
 E em vez de queixas, permita que a voz secreta busque Aquele que criou todas as coisas.
 Dirija ao Pai Divino uma oração de reconhecimento e amor.

Algo mais ou menos assim:
"Na caminhada dos dias, nos caminhos do Mundo, na humildade de minha alma, eis-me aqui, meu Amigo, meu Amado.
Faz da minha vida o que for melhor para mim.
Mesmo que meus pés sangrem, mesmo que meus lábios só emitam gemidos, confio em Ti.

Ouvir Tua voz na natureza é como recordar uma canção de infância.
 Violões em notas claras traduzindo brisas e risadas de criança. 
À Tua sombra existe serenidade e paz. 
A paz que sempre busquei.

És minha água, meu sol, o ar mais puro.
Por isso meu único pedido é que me deixes apenas Te amar."

* * *
Deus está em toda parte, e, obviamente, em ti e contigo também.

Procura encontrá-Lo, não somente nas ocorrências ditosas, senão em todos os fatos e lugares.

Reserva-te a satisfação de ser cada dia melhor do que no anterior, de forma que Ele em ti habite e, sentindo-O, conscientemente, facultes que outros também O encontrem.
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Redação do Momento Espírita, com pensamentosfinais do cap. 33 do livro Episódios diários, pelo EspíritoJoanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 14, ed. Fep.
Em 31.01.2010.

Guardai-vos




"Estes, porém, dizem mal do que ignoram; e, naquilo que naturalmen te conhecem, como animais irracionais se corrompem." - (JUDAS, 10.)


Em todos os lugares, encontramos pessoas sempre dispostas ao comentário desairoso e ingrato relativamente ao que não sabem. Almas levianas e inconstantes, não dominam os movimentos da vida, permanecendo subjugadas pela própria inconsciência.

E são essas justamente aquelas que, em suas manifestações instintivas, se portam, no que sabem, como irracionais. Sua ação particular costuma corromper os assuntos mais sagrados, insultar as intenções mais generosas e ridiculizar os feitos mais nobres.

Guardai-vos das atitudes dos murmuradores irresponsáveis.

Concedeu-nos o Cristo a luz do Evangelho, para que nossa análise não esteja fria e obscura.

O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa, no caminho infinito.

Somente os que ajuízam, acerca da ignorância própria, respeitando o domínio das circunstâncias que desconhecem, são capazes de produzir frutos de perfeição com as dádivas de Deus que já possuem.
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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Caminho, verdade e vida 


30 de Janeiro

 

Morre Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi
Líder pacifista indiano
Biografia de Mahatma Gandhi:



Mahatma Gandhi (1869-1948) foi líder pacifista indiano. Principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica. Ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não-violência. Além de sua luta pela independência da índia, também ficou conhecido por seus pensamentos e sua filosofia. Recorria a jejuns, marchas e à desobediência civil, ou seja, estimulava o não pagamento dos impostos e o boicote aos produtos ingleses.



As rivalidades entre hindus e muçulmanos retardaram o processo de independência. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou a lutar pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Só em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia.

Mahatma Gandhi (1869-1948) nasceu em Porbandar na Índia, no dia 2 de outubro. Seu nome verdadeiro era Mohandas Karamchand. Seu pai era um político local. Como era costume Gandhi teve um casamento arranjado aos 13 anos de idade. Foi para Londres estudar Direito e em 1891 voltou ao seu país para exercer a profissão. Dois anos depois, vai para a África do Sul, também colônia britânica, onde inicia um movimento pacifista.


Terminada a primeira guerra mundial, a burguesia na Índia, desenvolveu forte movimento nacionalista, formando o Partido do Congresso Nacional Indiano, tendo como líderes Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nahru. O programa pregava a independência total da Índia, uma confederação democrática, a igualdade política para todas as raças, religiões e classes, as reformas sócio-econômicas e administrativas e a modernização do Estado.


Mahatma Gandhi destacou-se como principal personagem da luta pela independência indiana. Recorria a jejuns, marchas e a desobediência civil, incentivando o não pagamento de impostos e o não consumo de produtos ingleses. Embora usassem a violência na repressão ao movimento nacionalista da Índia, os ingleses evitavam o confronto aberto. Em 1922 uma greve contra o aumento de impostos reúne uma multidão que queima um posto policial e Ganghi é detido e condenado a seis anos de prisão. Em 1924 é libertado e em 1930 lidera a marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros, para protestar contra os impostos sobre o sal.

As rivalidades que existiam entre hindus e muçulmanos, que tinham como representante Mohammed Ali Jinnah e que defendia a criação de um Estado muçulmano, retardaram o processo de independência.


Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi volta à luta pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Por fim em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia, mantendo contudo seus interesses econômicos. As divisões internas levaram o governo a criar duas nações, a União Indiana, governada pelo primeiro ministro Nehru, e o Paquistão, de população muçulmana. A divisão interna gerou violenta migração de hindus e muçulmanos em direção opostas da fronteira, que resultou em sérios conflitos.

Gandhi aceita a divisão do país e atrai o ódio dos nacionalistas. Um ano após conquistar a independência, foi morto a tiros por um hindu rebelde e suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, local sagrado para os hindus.

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DIA MUNDIAL DE COMBATE A HANSENÍASE

Raoul Follereau, o amigo dos leprosos


Raoul Follereau nasceu a 17 de Agosto de 1903, em Nevers, França, numa família de industriais. Jovem jornalista e poeta, anti-nazi e defensor de uma França livre, viu-se perseguido, como tantos outros, pela polícia militar nazi.

Em 1936, tinha então 33 anos, Follereau toma contato com os leprosos durante um safari em África. A partir desse momento, a sua vida mudou. No entanto, não foi fácil começar a manifestar essa amizade pelos leprosos e a curá-los, pois logo surgiu a II Guerra Mundial e teve de se esconder num convento de religiosas em Lyon, onde fazia de jardineiro, embora não soubesse nada de jardinagem.

Um dia, a Madre Maria Eugénia, superiora do convento, visitou uma ilha de leprosos na Costa do Marfim e, impressionada com o que acabava de ver, pensou em construir uma pequena cidade, onde os leprosos pudessem viver e ser curados. Mas era preciso dinheiro. Então Raoul disse à religiosa: «Avance com o projecto, que no dinheiro penso eu».

Decidiu percorrer o mundo inteiro a fazer conferências para sensibilizar as pessoas para o problema da lepra. O sonho das religiosas tornou-se realidade. Em 1953 era inaugurada em Adzopé uma cidade onde os leprosos podiam ser tratados e curados. Quando Raoul se aproximava dos leprosos, estes ficavam inicialmente um pouco desconfiados. Mas depois compreendiam que era apenas o amor dele que o levava junto deles. Então gritavam de alegria: “Pai Raoul”.

Durante as suas viagens, contou sempre com o apoio da sua mulher Madalena, para construir aquilo a que ele chamava “ A civilização do Amor”. Raoul Follereau morreu, em Paris, a 16 de Dezembro de 1977. Dizia muitas vezes:

"Ser feliz é fazer os outros felizes.
O tesouro que eu vos deixo é o bem que não fiz, que teria querido fazer e que vós fareis depois de mim".

No último domingo de Janeiro de cada ano celebra-se o Dia Mundial dos Leprosos, instituído pela ONU em 1954, a pedido de Raoul Follereau. É que a lepra, sendo hoje em dia uma doença curável, nem por isso deixou de ser perigosa já que há largos milhares de doentes que, por falta de recursos materiais e humanos, não têm acesso aos tratamentos necessários.

A extrema pobreza e miséria em que muitos vivem justifica que, por dia, surjam ainda 2.000 novos casos de pessoas infectadas pela doença.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Questões do Cotidiano



"... E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal..." - Jesus. (Mateus, 6:13)


Se fomos injustamente desconsiderados por alguém não será mais razoável deixar esse alguém com a revisão do gesto irrefletido, ao invés de formularmos exigências nas quais viremos, talvez, unicamente a perder a própria tranqilidade?

Se fomos ofendidos por que não nos colocarmos, por suposição, no lugar daquele que nos fere, a fim de enumerar as nossas vantagens e observar, com silencioso respeito, os prejuízos que lhe dilapidam a existência?

Se incompreendidos não será mais aconselhável empregar o tempo trabalhado na execução dos deveres que esposamos, ao invés de fazer barulho para descerrar prematuramente a visão dos outros, às vezes com agravo de nossos problemas?

Se criticados, em razão de erros nos quais tenhamos incorrido, por que não nos resignarmos às próprias deficiências retomando o caminho reto, sem reações e provocações que somente dificultariam a nossa caminhada para a frente?

Se abatidos na provação ou na enfermidade, por que insurgir-nos contra as circunstâncias temporariamente menos felizes a que nos encadeamos, desprezando as oportunidades de elevação em nosso próprio favor?

Em quaisquer lances difíceis do cotidiano adotemos serenidade e tolerância, as duas forças básicas da paciência, porquanto se não prescindimos da fé raciocinada para não cairmos na cegueira do fanatismo, precisamos da paciência, meditação e autoanálise a fim de que não venhamos a tombar nos desvarios da inquietação.
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Emmanuel 
Chico Xavier






segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ação - Bondade



A cobrança da gratidão diminui o valor da dádiva.

O bem não tem preço, pois que, à semelhança do amor, igualmente não tem limite.

Quando se faz algo meritório em favor do próximo, aguardando recompensa, eis que se apaga a qualidade da ação, em favor do interesse pessoal grandemente pernicioso.

O Sol aquece e mantém o planeta sem qualquer exigência.

A chuva abençoa o solo e o preserva rico, em nome do Criador, sustentando os seres, e se repete em períodos ritmados, não pedindo nada.

O ar, que é a razão da vida, existe em tão harmonioso equilíbrio e discrição, que raramente as criaturas se dão conta da sua imprescindibilidade.

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Faze o bem com alegria e, no ato de realiza-lo, fruirás a sua recompensa.

Ajuda a todos com naturalidade, como dever que te impões, a favor de ti mesmo, e te aureolarás de paz.

Se estabeleces qualquer condição para ajudar, desmereces a tua ação, empalidecendo-lhe o valor.

Une-te ao exército anônimo dos heróis e apóstolos da bondade. Ninguém te saberá o nome, no entanto, o pensamento dos beneficiados sintonizará com a tua generosidade, estabelecendo elos de ligação e segurança para a harmonia do mundo.

Os que se destacam na ação comunitária e são aplaudidos, homenageados, sabem que, sem as mãos desconhecidas que os ajudam, coisa alguma poderiam produzir.

Assim, os benfeitores verdadeiros são os da retaguarda e não os que brilham nos veículos da Comunicação.

Aproveita o teu dia e vai semeando auxílios, esparzindo bondade de que esteja rica a tua vida, e provarás o licor da alegria na taça da felicidade de servir.
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 Joanna de Ângelis