quarta-feira, 26 de junho de 2013

Proteção Educativa



No jardim da residência confortável da família Torres, palestravam duas entidades espirituais.

Ezequiel, esclarecido mensageiro e amigo desvelado, viera observar os serviços de Antônio junto àquele núcleo familiar, que os dois haviam tomado sob dupla guarda, em razão dos elos afetivos que os reuniam entre si, desde muitos séculos.

- Como seguem os nossos tutelados? – inquiriu o emissário que vinha de plano superior – compreendem agora a proteção divina? Com que esperança vivo refletindo na situação deles! Sabe você que muito devo a Malvina e a João, em face das minhas duras tarefas no pretérito... Tive a felicidade de adiantar-me na senda evolutiva; no entanto, não me seria possível esquecê-los.

O companheiro ouvia-lhe as expressões sem ocultar a profunda melancolia que lhe transparecia no rosto.

Ezequiel, todavia, dando curso às emoções sublimes do momento, prosseguiu:

- Congreguei meus velhos amigos com os adversários de outra época e espero que, transformados em pais e filhos no cadinho doméstico, possam agora avançar no rumo da paz que excele o humano entendimento. A gratidão não olvida os bens recebidos.

- É o que acontece igualmente entre nós ambos, meu caro – murmurou Antônio, comovido -, não posso apagar da lembrança o débito que me vincula à sua generosidade...

Como se não desejasse receber agradecimentos diretos, Ezequiel modificou a rota da conversação acrescentando:

- Malvina comporta-se bem na luta redentora?

O interpelado mostrou sinais de amargura no semblante abatido e respondeu:

- Não tem sabido enfrentar a facilidade e a abundância. Vive aflita sem causa e insatisfeita sem motivo.

- Com tantos recursos que lhe são conferidos? – interrogou o superior admirado.

- Infelizmente assim é.

- Há alguma enfermidade grave atormentando a família?

Esboçou Antônio significativo gesto e acentuou:

- Segundo sabemos, o corpo ocupado pela doente não pode acomodar-se com a saúde perfeita; mas, no circulo de minhas possibilidades, esforço-me, quanto possível, para que Malvina, João e os filhos estejam equilibrados. Nunca se levantam, cada manhã, sem que eu os assista com elementos fluídicos de medicação, e desse modo, tenho tido o prazer de vê-los, no trabalho comum que edifica sempre.
 
- É, porventura, insuficiente o salário que recebem?

- Quanto a isso – elucidou Antônio -, marcham na Terra em carro confortável e precioso. O chefe da casa dirige um escritório com remuneração excelente. José e Oscar, os dois filhos mais velhos, são altos empregados de uma oficina em Todos os Santos; Hermenegildo e Paulo, os dois menores, trabalham no centro urbano, com vencimento compensador.

- Sofrem alguma perseguição descabida?

- Desfrutam geral estima e, além disso, incumbo-me de auxiliá-los diariamente, conforme suas recomendações, colaborando, indiretamente, na solução de todos os problemas que os interessam de perto.

- Possuem razão séria para desgostos íntimos?

Antônio sorriu e obtemperou:

- Não contam com motivos quaisquer para contrariedades fortes; entretanto, procuram-nos. Vivem nervosos e exasperados. O espírito materno é sempre a fonte de inspiração para o santuário doméstico, e a posição atual de Malvina, nesse sentido, é das mais deploráveis.

Tanto se queixou a nossa amiga que o marido e os filhos andam hoje contagiados do mesmo mal. Afirmam-se desprotegidos, cansados, desiludidos da sorte. Não há ensinamento que os esclareça, alegria que os alente ou remuneração que os satisfaça.

Ezequiel, preocupado, considerou, depois de longa pausa:

- Observarei pessoalmente.

Demandaram o interior, em atitude fraterna.

Era manhã e Dona Malvina, muito distante do governo do lar, mantinha-se em prosa comprida com uma senhora da vizinhança.

- Dona Amélia – comentava, gesticulando -, a senhora está muito enganada quanto à nossa situação. Meu esposo recebe ordenado miserável. Meus filhos não ganham para viver com decência. Já não sei como solucionar os presente enigmas financeiros. Estamos empenhados em armazéns e lojas. Ocasiões aparecem nas quais, francamente, não sei como me comportar.

- É estranho – clamava a interlocutora -, porquanto sempre supus a sua casa em ótimas condições.

- Eu? Nós? – tornava a protegida de Ezequiel – vivemos atolados em débitos pesados...
Ah! Minha amiga, minha amiga! Enquanto João se esgota, morro aos bocadinhos, entre aflições de toda sorte. Somos muito infelizes!

Lamentações alongaram-se pelas horas a dentro.

E tão logo se despediu a vizinha, outra amiga apareceu, continuando Malvina no mesmo diapasão:

- Andava saudosa de sua palestra, minha boa Teresa! As pessoas atormentadas e sofredoras, assim como eu, necessitam ouvi-la.

- No entanto, Dona Malvina – objetava a amiga bondosa -, o seu aspecto é outro. Creio encontrá-la muito forte e tranquila...

- Eu, minha filha – respondia a senhora Torres, tornando a voz comovedora e mais trêmula -, nunca sofri tanto, quanto agora... Não sei o que será de nós. Tudo está negro em nossos caminhos. No serviço, o esforço de João não é apreciado na devida conta e meus desventurados filhos se esfalfam inutilmente entre exigências indébitas dos administradores e vãs promessas de melhoria. Até onde iremos com as nossas provações amargas? Já não sei orar e tão grandes tem sido os nossos padecimentos que a fé me parece vazia, sem expressão...

Daí a instantes, enquanto Malvina desfiava o longo rosário de lágrimas verbais, entra o marido para o almoço, seguido pelos filhos, com alguns minutos de espaço.

A visitante, atordoada, sem mais delonga despediu-se e a residência dos Torres converteu-se num purgatório de imprecações. O chefe da casa insurgia-se contra os políticos, contra os acionistas da empresa a que se ligara, reclamava quanto ao pão malfeito e condenava o guardanapo mal-posto, fazendo larga ostentação de autoridade, ao passo que os filhos lhe copiavam os gestos, excedendo-se em afirmações leviana ou insensatas.

Dona Malvina, no centro daquele desvairado parlamento doméstico, enxugava os olhos inchados de chorar, proclamando-se a mais infeliz das mulheres.

Por duas horas consecutivas, ali esteve Ezequiel, observando discussões e reclamações.

O grupo não encontrava um minuto sequer para conversar edificando.

Aquela meia dúzia de corações reunidos semelhava-se a um poço de águas envenenadas, expelindo lodo pelas bordas.

Fundamente consternado, o benfeitor dirigiu-se a Antônio, com amarga inflexão: 
 
- É lastimável identificar a atitude de nossos velhos amigos. Infelizmente, não sabem receber o concurso da amizade reconhecida. Não dispõem de suficiente educação para registrarem as manifestações de nossa ternura. A benefício de todos, porém, ficarão a sós, por algumas semanas...

Antes que o mentor concluísse, perguntou Antônio, espantado:

- Que diz? Deixaremos Torres sem assistência? Que será dessa pobre família?

- Não aplicaremos remédio violento – elucidou Ezequiel, convencido -; a proteção aos companheiros na carne é análoga à que se dá às plantas. De quando em quando, é preciso retirar, mudar ou renovar. Malvina, João e os filhos permanecerão sem escoras, durante trinta dias; você virá comigo para descansar, em férias, e verificaremos o proveito de semelhante medida. Creio que nesse pouco tempo fará Malvina intensivo curso de entendimento, serviço, gratidão e prece. Nossa amiga tem recebido até hoje a proteção confortadora, mas, doravante, necessita receber a proteção educativa.

O programa traçado foi cumprido integralmente.

A breve trecho, a casa dos Torres experimentou enorme alteração.

Tão logo se ausentou Antônio, o silencioso amigo oculto, o desespero ali atingiu a culminância.

Os filhos do casal, no dia imediato ao do afastamento dele, se empenharam em luta corporal, no repasto da tarde, e Oscar teve o braço direito quebrado, recorrendo à intervenção médica. No terceiro dia, Hermenegildo foi dispensado do trabalho, por insubordinação. No quarto, José foi conduzido à Santa Casa em vista de inesperada apendicite com supuração. No quinto dia, o chefe da família foi atropelado por automóvel, ao sair do escritório, sendo transportado ao Pronto-Socorro e, no sexto dia, Paulo era trazido para casa, em carro da Assistência Municipal, em razão de queda espetacular no serviço.

Dona Malvina não encontrou mais tempo para se queixar do mundo e da sorte, e, findos os trinta dias do programa, quanto Ezequiel e Antônio lhe penetraram, de novo, o domicílio, encontraram-na em oração, profundamente transformada.
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Irmão X
 Chico Xavier
Do livro: Pontos e Contos

Tua Contribuição


Com certeza não solucionarás todos os problemas do mundo.

Não obstante, podes e deves contribuir para que isto aconteça.

Se não impedes a guerra, tens recursos para evitar as discussões perturbadoras que te alcançam;

se não consegues alimentar a multidão esfaimada, possuis uma côdea de pão para oferecer a alguém;

se não dispões de saúde para brindar aos enfermos, logra socorrer um padecente;

se não solucionas os dramas humanos, concorre para acalmar uma pessoa;

se não tens meios para liderar grupos acelerando mudanças que se devem operar no mundo, modifica-te, interiormente, enobrecendo-te na ação do Bem e da solidariedade.
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Joanna de Ângelis





terça-feira, 25 de junho de 2013

Cuidar da Mente


Reserva momentos para que se refaçam os teus equipamentos mentais.

Da mesma forma que o corpo se desgasta, a mente se cansa e desarmoniza.

A mudança de atividade, o espairecimento, os jogos que distraem, os desportos, a meditação, funcionam como recursos valiosos para o reajuste mental.

Dedica algum tempo à tua renovação interior, examinando o que fazes e como torná-lo mais agradável, ensejando-te equilíbrio e menos fadiga.

A mente é espelho que reflete o estado do espírito, merecendo carinho e desvelo, a fim de funcionar bem e com êxito.
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Joanna de Ângelis







segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fagulha Inocente


O vício, sob qualquer aspecto em que se apresente, pode ser comparado à fagulha inocente capaz de atear incêndios terríveis.

Sê jovial, não leviano.

Cultiva o amor, não a vulgaridade.
Faze-te afável, não perturbado pela emoção. 
Guarda a previdência, não a mesquinhez. 
Detém-te na vigilância, não na obstinação negativa. 
Jesus é, para todos entre nós, o exemplo. 

Na linha de comportamento, é o mediador.

Equilíbrio seja o fiel das tuas aspirações.
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Joanna de Ângelis
 





domingo, 23 de junho de 2013

Álbum Materno





...E nós respigamos alguns tópicos do álbum repleto de fotos, que descansava na penteadeira de Dona Silvéria Lima, ao lermos, enternecidamente, a história do filho que ela própria escrevera.


1941 – Outubro, 16 – Meu filho nasceu, no dia 12. Sinto-me outra. Que alegria! Como
explicar o mistério da maternidade? Meu Deus, meu Deus!... Estou transformada, jubilosa!...

Outubro - 18 – Meu filho recebeu o nome de Maurício. Aos seis dias nascido, parece um
tesouro do Céu em meus braços!...

Outubro – 20
– Recomendei a Jorge trazer hoje um berço de vime, delicado e maior. O menino é belo demais para dormir no leito de madeira que lhe arranjamos. Coisa estranha!...
Jorge, desde que se casou comigo, nada reclamou... Agora, admite que exagero. Considerou que devemos pensar nas crianças menos felizes. Apontou casos de meninos que dormem no esgoto, mas, que temos nós com meninos de esgoto? Caridade!...Caridade é cada um assumir o desempenho das próprias obrigações. Meu marido está ficando sovina. Isso é o que é...

1942 – Novembro, 11 – Mauricinho adoeceu. Sinto-me enlouquecer... Já recorri a seis médicos.

1943 – Dezembro, 15 - O pediatra aconselhou-me deixar a amamentação e mandou que
Mauricinho largue a chupeta. Repetiu instruções, anunciou, solene, que a educação da criança deve começar tão cedo quanto possível. Essa é boa! Eu sou mãe de Mauricinho e Mauricinho é meu filho. Que tem médico de se intrometer? Amamento meu filho e dou-lhe a chupeta, enquanto ele a quiser.

1944 – Março, 13 – Mauricinho, intranquilo, arranhou, de leve, o rosto da ama com as unhas.
Brincadeira de criança bobagem. Jorge porém, agastou-se comigo por não repreende-lo.
Tentou explicar-me a reencarnação. Assegurou que a criança é um Espírito que já viveu em outras existências, quase sempre tomando novo corpo para se redimir de culpas anteriores, e repisou que os pais são responsáveis pela orientação dos filhos, diante de Deus, porque os filhos (palavras do coitado do Jorge) são companheiros de vidas passadas que regressam até nós, aguardando corrigenda e renovação... 
Deu –me vontade de rir na cara dele. Antes do casamento, Jorge já andava enrolado com espíritas... Reencarnação!... Quem acredita nisso? Balela... Chega em momento de nervosismo, a criança chora e será justo espancá-la, simplesmente por essa razão?

1946 – Março, 15
- Jorge admoestou-me com austeridade. Parecia meu avô, querendo puxar-me as orelhas. Declarou que não estou agindo bem. Acusou-me. Tratou-me como se eu fosse irresponsável. Tem-se a impressão de que é inimigo do próprio filho. Queixou-se de mim, alegou que estou deixando Maurício crescer como um pequeno monstro (que palavra horrível!), tão só porque o menino, ontem, despejou querosene no cão do vizinho e ateou fogo... Era um cachorro intratável e imundo. Certamente que não estou satisfeita por haver Maurício procedido assim, mas sou mãe... Meu filho é um anjo e não fez isso
conscientemente. Talvez julgasse que o fogo conseguisse acabar com a sujeira do cão.

1948 – Abril, 9
– Crises de Maurício. Quebrou vidraças e pratos, esperneou na birra e atirou um copo de vidro nos olhos da cozinheira, que ficou levemente machucada, seguindo para o hospital... Jorge queria castigar o menino. Não deixei. Discutimos. Chorei muito. Estou muito infeliz.

1950 – Setembro, 5 – A professora de Maurício veio lastimar-se. Moça neurastênica.
Inventou faltas e mais faltas para incriminar o pobre garoto. Informou que não pode mantê-lo, por mais tempo, junto dos alunos. Mulher atrevida! Pintou meu filho como se fosse o diabo. Ensinei a ela que a porta da rua é serventia da casa. Deixa estar! Ela também será mãe... Que bata nos filhos dela!...

1952 – Maio, 16
– Maurício já foi expulso de três colégios. Perseguido pela má sorte o meu inocentinho!... Jorge afirma-se cansado, desiludido... Já falou até mesmo num internato de correção... Meu Deus, será que meu filho somente encontre amor e refúgio comigo? Tão meigo, tão bom!... Prefiro desquitar-me a permitir que Jorge execute qualquer ideia de punição que, aliás, não consigo compreender... Meu filho será um homem sem complexos, independente, sem restrições... Quero Maurício feliz, feliz!...

1956 – Meu marido quer empregar nosso filho numa casa de móveis. Loucura!... Acredita que Mauricinho precisa trabalhar sob disciplina. Que plano!... Meu filho com patrão... Era o que faltava!... Temos o suficiente para garantir-lhe sossego e liberdade.

1957 – Janeiro, 14
– Jorge está doente. O médico pediu que lhe evitemos dissabores ou choques. Participou-me, discreto, que meu marido tem o coração fatigado, hipertensão.
Desde o ano passado, Jorge tem estado triste, acabrunhado com as calúnias que começam a aparecer contra o nosso filhinho. Amigos-ursos fantasiaram que Maurício, em vez de frequentar o colégio, vive nas ruas, com vagabundos. Chegaram ao desplante de asseverar que meu filho foi visto furtando e, ainda mais... Falaram que ele usa maconha em casas suspeitas. Pobre filho meu!... Sendo filho único, Maurício necessita de ambiente para estudar, e se vem, alta madrugada, para dormir, é porque precisa do auxílio dos colegas, nas várias residências em que se reúnem com os livros.

1958 – Outubro, 6 – Jorge ficou irado, porque exigi dele a compra de um carro para Maurício,
como presente de aniversário. Brigou, xingou, mas cedeu...

1959 – Junho, 15 – Estou desesperada. Jorge foi sepultado ontem. Morreu apaixonado, diante da violência do delegado policial que intimou Mauricinho a provar que não estava vendendo maconha. Amanhã, enviarei um advogado ao Distrito. Se preciso, processarei o chefe truculento... Ninguém arruinará o nome de meu filho que é um santo... Oh! Meu Deus, como sofrem as mães!...

1960 – Agosto, 2
– Duas mulheres, com a intenção de arrancar-me dinheiro. Disseram que
meu filho lhes surrupiou joias. Velhacas e mandrionas. Maurício jamais desceria a semelhante baixeza. Dou-lhe mesada farta. Expulsei as chantagistas e, se voltarem, conhecerão as necessárias consequências.

1961 – Fevereiro, 22
– Nunca pensei que o nosso velho amigo Noel chegasse a isso!...
Culpar meu filho! Sempre a mesma arenga... Maurício na maconha. Maurício no furto! Agora é um dos mais antigos companheiros de meu esposo que vem denunciar meu filho como incurso num suposto crime de estelionato, comunicando-me, numa farsa bem tramada, que Maurício lhe falsificou a letra num cheque, roubando-lhe trezentos contos... Tudo perseguição e mentira. Já ouvi dizes que Noel anda caduco. Usurário caminhando para o hospício. Essa é que é a verdade... Sou mãe!... Não permitirei que meu filho sofra, nunca admiti que ninguém levantasse a voz contra ele... Maurício nasceu livre, é livre, faz o que entende e não é escravo de ninguém. Estou revoltada, revoltada!...

Nesse ponto, terminavam as confidências de Dona Silvéria, cujo corpo estava ali, inerte e ensanguentado, diante de nós, os amigos desencarnados, que fôramos chamados a prestar-lhe assistência. Acabara de ser assassinada pelo próprio filho, obsidiado e sequioso de herança.

Enquanto selecionávamos as últimas notas do álbum singular, Maurício, em saleta contígua, telefonava para a Polícia, depois de haver armado habilmente a tese de suicídio. 
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Irmão X 
Chico Xavier
Obra: Contos Desta e Doutra Vida

sábado, 22 de junho de 2013

Conversa em Caminho



Você tem uma vida para construir: 
é a vida que Deus lhe deu.
Precisamos do auxílio dos outros a fim de seguir adiante, no entanto, cada qual de nós deve caminhar por si mesmo.

Seja você mesmo, evitando disfarces que lhe complicariam a própria existência.
De qualquer modo, a lei de ação e reação funcionará, entregando-nos aquilo que ofertamos de nós.

Sonhe, mas raciocine e raciocine agindo.
Reconheça o seu poder mental de modificar as circunstâncias ou criá-las e use-o com o seu próprio esforço no Bem.

Aceite os outros tais quais são...
... com as qualidades e fraquezas que lhes assinalam a vida para não se perder em queixas injustas.

Não se envergonhe de falhar temporariamente...
entretanto, erga-se para servir com mais segurança, na base da experiência.
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André Luiz
Chico Xavier



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Itens da Irritação


 Enquanto no clima da serenidade, consideremos que a irritação não é recurso de auxílio, sejam quais sejam as circunstâncias.

O primeiro prejuízo que a intemperança mental nos impõe é aquele de afastar-nos a confiança dos outros.

A cólera é sempre sinal de doença ou de fraqueza.

As manifestações de violência podem estabelecer o regime do medo, ao redor de nós, mas não mudam o íntimo das pessoas.

Sempre que nos encolerizamos, complicamos os problemas que nos preocupam, ao invés de resolvê-los.

O azedume que venhamos a exteriorizar é, invariavelmente, a causa de numerosas perturbações para os entes queridos que pretendemos ajudar ou defender.

Caindo em fúria, adiamos comumente o apoio mais substancial daqueles companheiros que se propõem a prestar-nos auxílio.

A cólera é quase sempre a tomada d e ligação para tramas obsessivas, das quais não nos será fácil a liberação precisa.

A aspereza no trato pessoal cria ressentimento, e o ressentimento é sempre fator de enfermidade e desequilíbrio.

Em qualquer assunto, de apaziguamento e aprendizado, trabalho e influência, aquisição ou simpatia, irritar-se contra alguém ou contra alguma cousa será sempre o recesso inevitável de perder.
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Emmanuel
Chico Xavier