quarta-feira, 30 de abril de 2014

DRAMA DE PAI


O pensamento agoniado de Paulo Silva nos buscava de longe... 
Antes de nossa desencarnação, conhecêramos nele um menino terno e amigo.

Esperava-nos, na vizinhança, pela manhã, para dar-nos abraço enternecedor.

Agora, tanto tempo escoado, seria um homem maduro.

Sim, ao revê-lo, no limiar dos cinquenta de idade, espantávamo-nos ao identificar-lhe os cabelos brancos, o corpo em terrível abatimento, o olhar embaciado de lágrimas, os gritos de louco...

Que teria ocorrido para motivar-lhe a tragédia?

A resposta vinha em grosso diário paterno, carinhosamente guardado em mesa próxima, do qual respingamos tão somente alguns tópicos mais importantes e que alinhamos aqui, a título de estudo:


18/11/1950 – Sou pai, como sou feliz!...
Recebi meu filho hoje nos braços... Meu filho!... Combinei com minha mulher, concordamos em que terá o meu nome. Será chamado Paulo Junior.

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20/02/1954 – Minha mãe julga que Cecília e eu devemos encomendar mais filhos. Não quero. Conservarei apenas meu Paulinho, meu ídolo. Terá ele tudo o que a vida não me deu...

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05/03/1957 – Que felicidade ver Paulinho na escola! Uma inteligência!... Comprei hoje, em nome dele, duzentas ações de uma companhia respeitável, investimento valioso na indústria.

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18/11/1958 – Aniversário de meu filho. Adquiri para ele uma gleba de vinte mil metros quadrados em Jacarepaguá. Terreno de grande futuro.

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11/05/1960 – Aproveitei a situação de dois amigos que estavam com a corda no pescoço e comprei para meu filho duas casas em ótimo ponto da Tijuca. Negócio de ocasião.

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14/08/1960 – Sonhei com meu pai, morto há vinte anos. Coisa esquisita! Pedia-me pensar nas crianças abandonadas, nos filhos sem ninguém, nos pequenos ao desamparo.
Acrescentava que eu posso e devo amar meu filho, mas sem esquecer que todos somos filhos de Deus e que o mundo está repleto de criaturas necessitadas a suplicarem socorro...
Despertei assustado.
Isso tudo, porém, é bobagem. Os mortos estão mortos. Preciso cuidar de meu filho e de nada mais.

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15/04/1961 – Viva a boa sorte!... Duas viúvas em aperto venderam-me as residências por ninharia. Verdadeiras mansões! Escrituras lavradas em nome de Paulinho. Meu filho será um grande proprietário.

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17/06/1962 – Mais terrenos para meu filho. Duas glebas em Teresópolis.

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19/07/1962 – Adquiri quatrocentas ações, em nome de Paulinho, de indústrias têxteis do interior de Minas Gerais.

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20/01/1963 – Freiras de um asilo vieram pedir-me socorro, em favor de meninos órfãos. Não dei coisa alguma e nem dou. Meu filho não será prejudicado por desfalques de caridade.

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22/02/1964 – Os espíritas que constroem em abrigo para crianças vadias chegaram em comissão, rogando auxílio. Achei-lhes uma graça! Minha resposta foi não, como sempre. Tudo o que me vier às mãos será de Paulinho.

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18/11/1965 – Quinze anos. Bolo e feliz aniversário de meu filho! Adquiri para ele, hoje à tarde, boa fazenda no interior fluminense.

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20/11/1965 – Sonhei novamente com meu pai, dizendo-me para não esquecer do ensinamento evangélico que indica na caridade a força capaz de cobrir as nossas faltas e renovar o nosso destino. Lembro-me perfeitamente das palavras dele, afirmando que é preciso ajudar aos que sofrem na Terra para receber o auxílio dos que moram no Céu.
Tolices!... Acredito que a conversa dos espíritas, anteontem, me influenciou negativamente.

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31/12/1965 – Adquiri mais duas casa para meu filho. Pechincha com que eu não contava.

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04/03/1967 – Paulinho brilhando nos estudos secundários. Que carreira seguirá?
Acima de tudo, quero que seja um homem rico. Não acredito em poder superior ao poder do dinheiro.

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06/04/1967 – Comprei dois carros para o meu filho, um para a cidade, outro para a fazenda. Os quatro automóveis de que dispomos em família já não me pareciam dignos dele.

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18/11/1967 – Novo aniversário de Paulinho. Adquiri quatro apartamentos em nome dele. Quero meu filho cada vez mais rico, sempre mais rico.

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30/01/1968 – A fortuna de meu filho, conforme o balanço último, já ultrapassa de um bilhão de cruzeiros velhos, segundo as anotações de meu contabilista.
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19/04/1968 – Meus tios Arlindo e Antonio pediram-me auxílio, declarando-se em penúria. Neguei. Tenho meu filho para cuidar.

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22/01/1970 – Meu Deus!... Paulinho está no hospital em estado grave!...

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Aqui terminava as anotações. O resto era a provação à frente de nossos olhos.

Paulo Silva que concentrava no filho único imensa fortuna, e que, por isso mesmo, se negava a atender a quaisquer apelos da beneficência ou da cooperação fraternal, profundamente desequilibrado assistia, junto de nós à saída do filho morto, que desencarnara, em plena juventude, vitimado pela hepatite.
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Irmão X
Chico Xavier 
 



 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Moléstia da Alma


Fatores limitantes:


Tenho distúrbios de comportamento, mental e emocional. Há muitos meses, venho tomando ansiolíticos e antidepressivos, mas nada melhora meu estado íntimo. Vivo sentimentos contraditórios: excesso de alegria ou de tristeza, agitação ou apatia, ideias fixas ou dispersivas. Disseram-me que estou obsediado. Sofro constantes crises de medo e de desconfiança sem motivo algum. Considero-me um ser humano bom; nunca fiz mal a ninguém. Por que sofro esse assédio impiedoso? Que fazer para livrar-me da agres­são dessas entidades infelizes?


Expandindo nossos horizontes:

Sei que a fogueira da aflição queima junto a seu peito e você sente estranha aura ao re­dor de sua mente.

Enquanto você não assumir a responsabilidade por tudo o que lhe está acontecendo, não encontrará a verdadeira cura para sua alma. Não se deve criar um mundo de explicações falsas, culpando os espíritos pela infelicidade e desarmonia vivenciadas. Isso é distorcer o real sentido dos acontecimentos. Você não pode culpar os outros por suas emoções e sensações, sob pena de nada aprender sobre si mesmo.

Aceitar a total responsabilidade por sua vida éa forma mais fácil de resolver dificulda­des íntimas, mas certamente é uma tarefa que não se realiza da noite para o dia.

A auto-responsabilidade e o significado verdadeiro das coisas submetem-se mutua­mente; são itens existenciais inseparáveis.
Obsessão é moléstia da alma. Quando você compreender a simultaneidade que existe entre as influências espirituais negativas e seus atos e pensamentos íntimos, mais rapidamente dissolverá o elo existente entre eles.
A lei da compensação se perpetua até que o homem tenha resolvido suas ações equivocadas e se engajado no legítimo fluxo das leis universais. Para cada conduta ou atitude errada a natureza solicita uma contra-ação que a equilibre.

Na vida estamos tecendo uma malha existencial. A cada nova situação se interligam os fios que começamos a utilizar nas experiências anteriores. Não podemos simplesmente anular o passado, mas podemos reformulá-lo e redirecioná-lo para a luz.

O percurso de um novo dia é, inevitavelmente, influenciado pelas experiências e ações dos dias precedentes.

A aflição para você tem sabor de eternidade, mas, em breve, ela poderá desaparecer. Basta procurar nos princípios espíritas os apontamentos lógicos e a exata orientação de que necessita para se libertar do desequilíbrio mental e emocional - causa principal de sua obsessão.

As reuniões mediúnicas auxiliarão em muito a higienizar e restaurar a atmosfera fluídica de sua aura, contaminada por energias deletérias ali armazenadas.

Provavelmente, serão afastadas as entidades que atuam em seu dia-a-dia; mas se você não modificar seu modo de pensar e agir, abandonando suas limitações, elas ou outras companhias desagradáveis poderão retornar.
Sua mente guarda, zelosamente, fatos, informações, ideias e conceitos.
Sua memória é o registro fiel de tudo quanto ocorreu com você através dos tempos, tanto no corpo físico como fora dele. Você cria a própria realidade com sua mente.

Na verdade, você “veste” as emoções e os pensamentos dos espíritos e coopera na assi­milação das sensações aflitivas lançadas sobre seu corpo astral. Você é um canal de ex­pressão, e em sua intimidade, estão todas as matrizes de seus desarranjos. Suas emoções são semelhantes às fases da lua: ora “crescente”, ora “minguante”.

Não se esqueça também de que você é o único responsável pelas forças negativas que sugam suas energias e tentam dominar sua casa mental. Não existe fatalidade em sua vida, apenas atração e repulsão, conforme sua afinidade.

Na esfera física como na espiritual só se percebe e age em um espaço delimitado, quer dizer, cada pessoa atua segundo seu grau de consciência ou em consonância à sua faixa vibratória.

Na esquina da vida, você é um pedinte que suplica a esmola da paz. Mas, lembre-se de que é igualmente uma usina de forças, recebendo, doando e assimilando o magnetismo de outros seres, encarnados ou não. Os espíritos desequilibrados que estão a seu redor apenas exploram suas fraquezas. Buscam pontos vulneráveis, envolvendo-o negativa­mente em seu baixo padrão vibracional. Portanto, ninguém tem o poder de transtornar sua mente, a não ser que você ceda diante da perturbação.

Quando você diz que é um ser humano bom, que nunca fez mal a ninguém, acredita estar vivendo um ato de injustiça. Porventura, já se perguntou: faço mal a mim mesmo? Será que respeito meus direitos pessoais? Considero minhas necessidades tão importantes quanto as dos outros?

Para você se livrar das agressões dessas entidades, procure encontrar a área de sua vida que está mais insegura e fragilizada. Reforce-a e inicie um trabalho interior.

Desfaça a necessidade de querer dos outros o que deve providenciar por si mesmo. Isso o aproximará da libertação. Pouco a pouco, a aflição que lhe atormenta os sentidos se esvairá, e experimentará uma força nova que brotará do seu interior, equilibrando seus sentimentos descompensados.

Lourdes Catherine 

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

O REFLEXO DE SI MESMO



Uma mãe e um filho adolescente moravam juntos, mas não se davam bem. Viviam brigando pelos menores motivos. A mãe dizia que o filho era preguiçoso, não queria estudar, e não fazia nada direito. O filho acusava a mãe de ser ausente e de várias outras coisas. Com o tempo as brigas foram se intensificando cada vez mais, até que estava se tornando quase insuportável a convivência de ambos. O filho ofendia a mãe, e a mãe, nervosa, acabava também por ofende-lo, e ambos chegavam a ficar dias sem se falar.
A mãe começou a sentir-se cada vez pior. Sentia uma angústia imensa tomando conta de si. Cogitou enviar o filho para ser criado com a irmã, mas sentiu que isso não daria certo. Após uma semana de longas e profundas brigas, a mãe fez uma fervorosa oração pedindo a Deus que lhe desse uma explicação sobre a razão de tantas brigas. “Senhor, me diga, por que não consigo conviver bem com meu filho?” falou em oração.
Era noite, a mãe resolveu deitar-se, pois teria um dia de trabalho bastante árduo assim que acordasse. Quando o sol estava começando a nascer, meia hora antes de acordar para ir ao trabalho, sentiu-se leve e começou a sonhar. Estava no meio de um campo de trigo imenso, e subitamente apareceu um anjo luminoso que se aproximava dela.
- Por favor, venha comigo. Quero mostrar-lhe algo relacionado ao seu filho, disse o anjo.
A mãe, entendendo que Deus havia captado suas súplicas, não pensou duas vezes e foi junto com o anjo.
Chegaram num local meio escuro e pesado. Havia um espelho bem bonito e grande no centro.
- Veja sua imagem neste espelho, disse o anjo.
A mulher aproximou-se do espelho, esperando ver sua própria imagem refletida, mas viu a imagem de seu filho no lugar. Tomou um grande susto e derramou muitas lágrimas. Então perguntou ao anjo:
- Mas o que isso significa? Por que estou vendo a imagem do meu filho refletida neste espelho, ao invés de minha própria imagem? Perguntou.
O anjo respondeu:
- Essa é a resposta para as brigas e confusões entre você e seu filho. Vocês são muito parecidos em tendências e comportamentos, e seus defeitos são quase os mesmos. Quando você briga com seu filho, está vendo nele o próprio reflexo de todos os defeitos que você procura ocultar de si mesma. O mesmo ocorre com ele. Um é o reflexo do outro, vocês compartilham de quase os mesmos defeitos e os dois atacam-se pelo defeito que ambos possuem. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, colocou duas pessoas tão semelhantes juntas, para que pudessem, em parceira, ver a si mesmas uma na outra, e dessa forma, reconhecerem seus defeitos e ajudarem-se mutuamente a resolver suas principais imperfeições. Não brigue com seu filho pelas mesmas deficiências e falhas que guardas em teu interior. Resolva tuas más inclinações, as brigas cessarão e vocês poderão voltar a viver em paz.

Autor: Hugo Lapa
Postado por Dete Gusson em 10 julho 2013 às 0:00
Em PLANETA AZUL

Vacinas


Eis algumas das vacinas, de indicação mais eficaz, contra a doença quase letal do personalismo:

- Não és melhor do que ninguém.

- Podes saber muito, mas não sabes tudo.

- A tua opinião, quase sempre, não passa de ser apenas a tua opinião.

- Tens mais a caminhar do que já caminhaste até agora.

- É provável que estejas equivocado na maioria de tuas concepções.

- Aqueles a quem consideras por últimos, podem estar à tua frente.

- Os teus possíveis méritos não cobrem o montante de teus débitos.

Se já não te vacinaste contra a enfermidade mencionada, convém fazê-lo o mais rápido possível, por que os seus agentes nocivos, uma vez instalados nos tecidos sutis da alma, são altamente destruidores.

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Irmão José






sábado, 26 de abril de 2014

O Teu Interior



A rigor, sombra ou luz são estados de tua própria alma.

Alegria ou tristeza emergem do teu interior.

Toda criatura encerra consigo um poder transformador.

O teu sorriso é luz que acendes na face, iluminando a Vida.

Alivia o teu coração do peso de toda mágoa.

Experimenta sentir contigo a leveza do perdão.

Não vibres negativamente contra os teus semelhantes.

Nem te regozijes com o fracasso de teus desafetos.

O coração mais endurecido não resiste a um gesto de ternura.

Aproxima-te dos que se distanciam de ti, sem colaborares para que a distância se faça ainda maior.

Se da parte dos outros pode haver descaso, da tua pode existir indiferença.

Muitos têm inimigos, porque fazem questão de tê-los.

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Irmão José
 Carlos A.Baccelli




sexta-feira, 25 de abril de 2014

Diretriz




Observa, cada manhã é um novo dia.

Renasceste.

Saíste, mais uma vez, da nebulosa.

Deus te renovou o pensamento no cérebro aceso.

Retomaste a presença da luz.

O tempo te pertence.

Podes idear, criar, analisar.

Despertaste junto dos outros.

Tens o dom de servir.

Aceita a bênção de entender e a felicidade de trabalhar.

Reinicia a tarefa, estampando um sorriso em tuas páginas de bondade.

Coloca otimismo e paz, esperança e alegria em tua lista de doações para hoje.

Age agora para o Bem.

Se mágoas te ontem ainda te pesam na alma, procura esquecê-las.

Se ofendeste a alguém, dispõe-te a sanar a falta cometida.

Se alguém te feriu, perdoa sem condições.

Olha os quadros em torno...

A vida te busca.

A oficina da oportunidade te abre as portas.

Escolhe fazer o melhor que puderes.

Sai de ti mesmo.

E segue adiante para amar, auxiliar, construir e compreender, porque Deus espera por ti.

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Meimei
Francisco Cândido Xavier





quinta-feira, 24 de abril de 2014

VERDUGOS DA ALMA!



A Terra é uma grande e abençoada escola, em cujas classes e cursos, nos matriculamos, solicitando – quando já possuímos a graça do conhecimento – as lições necessárias à nossa sublimação.

Todas as matérias que constituem o patrimônio do educandário, se aproveitadas por nossa alma, podem conduzir-nos aos resultados que nos propomos atingir.

Não existe, porém, ensinamento gratuito para a comunidade dos aprendizes.

Cada aquisição tem o preço que lhe corresponde.

A provação da riqueza é sedutora, mas repleta de perigos cruéis.

A passagem na pobreza é simples e enternecedora, contudo oferece tentação permanente ao extremo desespero.

O estágio na beleza física é fascinante, entretanto, mostra escuros abismos ao coração desavisado.

A demora no poder é expressiva, todavia, atrai dificuldades que podem comprometer o nosso próprio futuro.

O ingresso na cultura da inteligência favorece a posse de verdadeiros tesouros; no entanto, nesse setor, o orgulho e a vaidade representam impertinentes verdugos da alma.

A estação de calmaria na vida familiar é tempo doce e agradável ao espírito, mas aí, dentro, no oásis do carinho, a sombra do egoísmo pode enganar-nos o coração.

Em qualquer parte onde estiverdes, acordai para o bem! ...

Recordai que o ouro e a intelectualidade, os títulos e as honras, as aflições e os sofrimentos, as posses e os privilégios são meros acidentes no longo e abençoado caminho evolutivo.

Lembrai-vos de que a vida é a eternidade em ascensão e não vos esqueçais de que, em qualquer condição, só no cultivo do amor puro, conseguireis edificar para a luz da imortalidade.
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Emmanuel
Francisco Cândido Xavier