quinta-feira, 2 de março de 2017

DIVINO RECURSO



Trata-se de remédio real do espírito.

Sem ele:

- A paz carece de base;

- O amor não existiria;

- O trabalho cairia em frustração;

- A fé não desabrocha;

- A paciência não surge;

- A união se faria impraticável;

- A solidariedade não funciona;

- A esperança não encontraria razão de ser;

- O lar não subsistiria;

- A civilização se ergueria em bases de crueldade.

Desse recurso todos necessitamos; e de tão alta significação se nos faz no cotidiano que a Sabedoria da Vida não permite se efetue aquisição dele em mercados do mundo, a fim de que esteja ao alcance de todos, já que deve nascer em nós mesmos, no laboratório do coração.

Esse remédio é o perdão recíproco.

E semelhante medicamento se mostra de tal modo importante, nos assuntos de vivência e convivência, que Jesus - o Divino Médico da Alma - prescreve para cada infestação de ofensa que se lhe aplique a virtude não sete vezes, mas, setenta vezes sete vezes.
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  Albino Teixeira 
 Chico Xavier 


quarta-feira, 1 de março de 2017

Posturas Coerentes



“Por que pensais mal nos vossos corações?” - Jesus – Mateus, 9: 4

Uma das maiores dificuldades do homem, em todos os tempos, é a coerência entre o que pensa com o que realiza. Muitas são as criaturas que, observando apenas seus atos exteriores, acreditam-se boas e merecedoras dos apreços e cuidados divinos.

Paulo já falava sobre a angústia provocada por essa dualidade, em uma de suas epístolas, enfatizando a dor que o envolvia, diante dessa situação, quando afirmava: “o que quero, não faço e o que não quero, isso mesmo é o que eu faço”.

Santo Agostinho, em sua “Confissões”, reforçava sobre essas angústias, mostrando o homem que, conhecendo o certo, acaba agindo de maneira voluntariosa, de acordo com os seus instintos e não com a sua razão.

Grande parte da humanidade encontra-se ainda num patamar evolutivo no qual nem existe essa preocupação. Postulam para si o direito à felicidade, mas sem uma preocupação verdadeira com o que seja essa felicidade e com os meios para alcançá-la. Agem próximos aos instintos animalescos, onde os prazeres da mesa e do sexo sobrepõem-se a quaisquer outros, utilizando-se, muitas vezes, da violência, em suas mais diversas formas de expressão, para consegui-los.

Essa parcela dos homens, na realidade, ainda não vive essa dualidade. O grande incômodo com que vivem é o de se depararem com criaturas mais astutas, fortes e violentas, as quais levam os mais fracos a sofrerem o impacto da força e, nestes casos, da dor e da opressão.

Aqueles que já conhecem as verdades evangélicas e as assimilam no campo da razão, encontram-se em outro degrau evolutivo. Nesse grupo encontra-se a grande maioria dos religiosos, os quais convivem com a dualidade do bem e do mal, falando muito do primeiro, mas ainda quedando-se à ação do segundo.

Nesse estágio evolutivo, os qual enfrentamos as reais dores morais, o homem geralmente age em dois importantes pólos: num primeiro, pregam e acreditam na necessidade do bem, mas fragilizados em suas conquistas, caminham na realização de seus pendores inferiores, causando-lhes grande sofrimento, quando mergulham no remorso, vendo-se afogados em suas culpas. Do outro lado, os que inibem as expressões visíveis vinculadas aos seus sentimentos infelizes, mas quando têm a oportunidade de agirem às escondidas, fazem-no; ou vibram numa faixa mental inferior constante, que os mantém em padrões energéticos complicadores, apesar da aparência de superioridade. Estes carreiam também o sofrimento, mas buscam negá-lo, optando por viverem na ilusão. Negam as suas culpas e tomam, muitas vezes, para si, o direito de se julgarem e aos outros, presas de uma aparente grandeza moral. 

O primeiro grupo espelha o publicano que, reconhecendo o pecado e a necessidade do perdão, permanece no lugar da “minha culpa”, agindo da mesma forma anterior. O segundo foi definido por Jesus como “túmulos caiados de branco”, representados pelos sacerdotes e os fariseus, caracterizados pela falsidade dos seus valores e pela hipocrisia de seus atos.

No campo religioso, em todos os tempos, continua a presença desses elementos, constituindo a grande maioria dos profitentes. Certamente, é para essas criaturas que Jesus dirige mais diretamente a pergunta: “Por que pensais mal em vossos corações?”.

A proposta do Evangelho é de reforma e transformação, mas como diz a expressão é de “reforma íntima”. O convite é para que haja uma mudança interior. A questão fundamental é de “essência” e não de “aparência”, mesmo porque as mudanças externas são maquilagens e não resistem às intempéries do tempo. As verdadeiras transformações são de base, de paradigmas, seguidas pela renovação de atitudes.

Se a grande maioria da humanidade, movida apenas pelos seus instintos, provoca enormes calamidades, assustando os demais e causando dores imensas a todos, essa parcela importante dos religiosos, que apregoa o que não faz ou finge atitudes, para as quais descrê dos seus valores, não atua diferentemente. Perturba os que querem modificar-se, que, ao verem as suas atitudes, fazem-se descrentes dos valores morais superiores; paralisa o crescimento da humanidade, como um todo, pela incoerência de suas posturas, além de dar forças ao grupo dos brutos, que se vêem referendados em suas atitudes, e de utilizar-se deles para realizarem aquilo que carrega na profundidade de seu ser, seus verdadeiros interesses e princípios. Sobre esse grupo, Jesus se referiu como os que se postam nas portas dos templos, não entram e nem deixam os demais entrarem.

O chamamento de Jesus é de completa transformação. No entanto, isso não significa uma mudança abrupta e total, mas de um encadeamento de ações coerentes, onde o homem poste-se de acordo com aquilo que já sedimentou em sua alma. Uma luta árdua, pelas tendências do passado milenar, quando nos prendemos aos prazeres imediatistas da vida, mas que, se vivida com a sinceridade necessária, será oportunidade inigualável para um crescimento, com a consequente conquista da Felicidade.
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Roberto Lúcio Vieira de Souza - Revista Delfos 







terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Flexibilidade


Existe em nós uma tendência a fazer as coisas ou fazer escolhas que nos parecem mais fáceis e/ou familiares. Mas, se fizermos sempre as coisas da mesma maneira ou fizermos as mesmas escolhas, limitaremos a nossa capacidade de crescimento e de percepção do mundo, e isso se chama inflexibilidade ou rigidez. Isso faz parte da tentativa equivocada do ego de tentar tornar a vida previsível.

O que não pensamos muitas vezes é: será que a vida precisa ser previsível? Até que ponto realmente controlamos os acontecimentos da vida? Temos esse controle?

Sempre que um imprevisto acontece somos testados na nossa capacidade de flexibilizar, ou seja, ter maleabilidade, saber contornar a situação em vez de endurecer diante do obstáculo. Sem flexibilidade não encontramos alternativas para solucionar as questões da vida, afinal de contas, a vida é feita de escolhas. Sem uma autoanálise sincera não confrontaremos com a sombra e nos tornaremos cada vez mais rígidos. Para aprendermos a ser flexíveis, podemos refletir nos seguintes aspectos:

1. Abra mão do controle: Nós não podemos controlar o fluxo natural da vida, pois toda vez que fazemos isso estamos nos tornando rígidos, abrindo mão da espontaneidade, da leveza e do prazer de viver.

2. Questione-se: Nessa situação estou sendo flexível ou inflexível? Se estivermos vivendo uma situação que “endurecemos”, é muito provável que algum complexo tenha sido ativado e imediatamente sentimos raiva ou medo. Como essas emoções são difíceis para o ego, a tendência natural é tentar tomar o controle da situação, e muitas vezes a rigidez é o recurso utilizado. Ser flexível não significa ter que dizer sempre sim. Questionar-se ajuda a olhar para as coisas por uma nova perspectiva, e perceber que temos escolhas.

3. Reconheça : uma vez que você se questiona o próximo passo é reconhecer. Qual parte em mim está sendo inflexível? A forma de pensar, de fazer as coisas ou essa pessoa em particular? Reconhecer é parte importante na nossa mudança. Se quisermos resultados diferentes precisamos agir diferente, então esse é o momento de perceber a nossa resistência e reconhecer que existem outras possibilidades.
4. Mude a lente : quando os nossos complexos constelam ficamos inflexíveis, e não conseguimos perceber novas possibilidades; nossas emoções e pensamentos muitas vezes prendem-se em uma monoideia, e com isso nossa visão fica afetada, nublada e precisamos mudar a lente dos nossos “óculos” mentais. A flexibilidade consiste em perceber que as coisas podem e provavelmente são diferentes do que acreditávamos ser o certo, ou da necessidade do ego de controlar. Se não nos dispusermos a olhar a situação como ela é de fato, nossa resposta será ineficaz, e será muito difícil nos adaptarmos às questões da vida.

5. Aprenda a ouvir : se não pararmos e entrarmos em contato com nossa voz interna, ficaremos a mercê dos nossos pensamentos viciosos e das crenças antigas, que tumultuam e fazem barulho mental. É preciso ouvir o que o Self tem a nos dizer, pois ele sempre nos oferece uma nova oportunidade e maneiras de aprender e crescer. Ser flexível exige de nós um ouvir atento, além das nossas corriqueiras queixas, o ouvir com o coração.

6. Use a criatividade : a criatividade está diretamente relacionada ao poder de criar uma vida nova, com novas perspectivas e possibilidades. Uma forma muito eficiente é a meditação, pois é no silenciar que podemos ouvir o Self e nesse processo conseguimos adquirir nova visão para antigos problemas. Criar uma vida nova não significa uma vida sem crises, mas uma vida com possibilidades e abertura constante para mudar, isso é ter flexibilidade.

E como afirma Joanna de Ângelis, “A flexibilidade é dileta filha do amor que se expande e enriquece a vida com esperança e paz”, abramos os braços para recebê-la em nossas vidas [1] .
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[1] Franco, Divaldo. Rejubila-te em Deus. Joanna de Ângelis, cap. 6. Ed. Leal. 2013.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Rebeldia

 Rebeldia? Rebeldia por quê?
Ousamos perguntar com respeito.

Nos processos da Natureza que se serve, em nome do Criador, não encontras a revolta em agente algum.

Podas a árvore, no intuito de colher benefícios e a árvore podada te responde com mais frutos.

Cortas a pedra para que ela te auxilie na construção e não lhe ouves queixa alguma.

Tosquias a ovelha para que se te acrescente o agasalho e a ovelha te obedece sem reclamações.

Aprendamos.

Se isso acontece nos domínios da Natureza, aos quais a razão ainda não enriqueceu, que se aguardará de nós outros, criaturas de Deus, com os melhores padrões de discernimento?

Se algo te aborrece, reflete no assunto e, possivelmente, reconhecerás que sofres algum desgosto contigo mesmo.

Se te sentes mal-remunerado em serviço, anota quanto gastas, equilibrando receita e despesa, à custa do próprio esforço, sem exigir, em teu favor, a posição daqueles amigos que te chefiam, para a qual não te preparaste.

Se algum companheiro te incita à discórdia, silencia e concluirás que semelhante desafio não se te fará um caminho de paz.

Em qualquer dificuldade, acalma-te, cultiva a paciência que trabalha sempre e espera sem aflição.

Rebeldia é uma das piores formas de violência e a violência não auxilia a ninguém.
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Emmanuel
 Chico Xavier 




domingo, 26 de fevereiro de 2017

AUXILIAR E SERVIR


"... E amarás o teu próximo como a ti mesmo". - Jesus (Lucas, 10:27)


Irmãos!

Quando estiverdes à beira do desânimo porque alfinetadas do mundo vos hajam ferido o coração;  quando o desespero vos ameace, à vista das provações que se vos abatem na senda, reflitamos naqueles companheiros outros que se agoniam, junto de nós, em meio dos espinheiros que nos marginam a estrada;

 nos que foram relegados à solidão sem voz de amigo que os reconforte;

 nos que tateiam, a pleno dia, ansiando por fio de luz que lhes atenue a cegueira; 

nos que perderam o lume da razão e se despencaram na vala da loucura;

nos que foram arrojados à orfandade quando a existência na Terra se lhes esboça em começo; 

naqueles que estão terminando a romagem no mundo atirados à ventania;

 nos que desistiram do refúgio na fé e se
encaminham, desorientados, para as trevas do suicídio; nos que se largaram à delinquência comprando arrependimentos e lágrimas na segregação em que expiam as próprias faltas; 

nos que choram escravizados à penúria, a definharem de inanição!...

Façamos isso e aprenderemos a agradecer a Bondade de Deus que a todos nos reúne em sua bênção de amor, de vez que a melancolia se nos transformará, no ser, em clarão de piedade, ensinando-nos a observar que por mais necessitados ou sofredores estejamos dispomos ainda do privilégio de colaborar com Jesus na edificação do Mundo Melhor, pela felicidade de auxiliar e pelo dom de servir.
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 Emmanuel
Chico Xavier  
Obra: Segue-me
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O CAPACETE

 


“Tomai também o capacete da salvação” – Paulo. (Efésios, 6:17.)

Se é justa a salvaguarda de membros importantes do corpo, com muito mais propriedade é imprescindível defender a cabeça, nos momentos de luta.

Aliás, é razoável considerar que os braços e as pernas nem sempre são requisitados a maiores dispêndios de energia.

A cabeça, porém, não descansa.

A sede do pensamento é um viveiro de trabalho incessante.

Necessário se faz resguardá-la, defendê-la.

Nos movimentos bélicos, o soldado preserva-a, através de recursos especiais.

Na luta diária mantida pelo discípulo de Jesus, igualmente não podemos esquecer o conselho do apóstolo aos gentios.

É indispensável que todo aprendiz do Evangelho tome o capacete da salvação, simbolizado na cobertura mental de ideias sólidas e atitudes cristãs, estruturadas nas concepções do bem, da confiança e do otimismo sincero.

Teçamos, pois, o nosso capacete espiritual com os fios da coragem inquebrantável, da fé pura e do espírito de serviço. De posse dele enfrentaremos qualquer combate moral de grandes proporções.

Nenhum discípulo da Boa Nova olvide a sua condição de lutador.

As forças contrárias ao bem, meu amigo, alvejar-te-ão o mundo íntimo, através de todos os flancos. Defende a tua moradia interior. Examina o revestimento defensivo que vens usando, em matéria de desejos e crenças, de propósitos e ideias, para que os projéteis da maldade não te alcancem por dentro.
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EMMANUEL
(do livro “Vinha de Luz” – psic. Chico Xavier)





sábado, 25 de fevereiro de 2017

A frivolidade


A frivolidade e a futilidade são formas de pensar e agir das criaturas que não levam a nada ou quase nada de útil e sério.

 Por esses sentimentos as pessoas procuram dar expansão ao vácuo mental, à sua estreiteza de espírito, desperdiçando o seu precioso tempo e empatando o de seu semelhante com ninharias de todo tipo. 

Embora haja certa semelhança entre o significado dessas duas palavras, a futilidade tem mais abrangência que a frivolidade. 

Trataremos aqui do desenvolvimento de ambos os temas.

Frívolo é o indivíduo dispersivo que não se fixa em nada, que passa a vida em conversas fiadas, sem conteúdo, improdutivas e até mesmo nocivas, que só se importa com ninharias e picuinhas.

 Tem por principal preocupação satisfazer seus desejos medíocres. 

Gosta de exibir-se.

 Vive arquitetando, matutando alguma coisa vã, sem importância, para fazer.

 Preocupa-se com a aparência física: o penteado de seu cabelo, o polimento das unhas, os trajes extravagantes, alguma particularidade do corpo, mais como um todo, que chame a atenção de forma ridícula ou acintosa. 

Gasta horas pensando em devaneios e fantasias ou em levianas palestras, conversas ou consultas sem significado. 

Joga conversa fora, como se diz vulgarmente. 

Basta observar, no seu convívio diário, que se encontrará esse tipo de criatura com mais frequência do que se espera. 

Ele se denuncia com facilidade ao bom observador, pela sua maneira de ser, de se apresentar e até mesmo pelo tom de sua voz.

O frívolo detesta leituras instrutivas, conferências e palestras sérias sobre temas morais, filosóficos ou instrutivos e, se tiver que comparecer, sente-se impaciente, irrequieto e entediado o tempo todo que durarem tais eventos. 

No entanto, gosta de modas, bailes, festas em geral, corridas de cavalo, jogos em geral, como futebol, voleibol, basquete e outros. 

É uma consequência da lei da atração que, nesses ambientes, os frívolos se encontram com outros que lhes são afins, predominando sua presença. 

Sua atenção está sempre dirigida para eventos banais: descreve um acidente qualquer, por mais insignificante que seja, com minúcias; observa com atenção desmesurada os penteados e os trajes que os convidados usam em uma festa ou em um casamento; adora espiar e escutar conversa de outras pessoas. 

Enfim, atua de maneira banal, leviana. 

Pensa e fala coisas de pouca importância e seus cuidados se dirigem a coisas de pouco valor.

O fútil, que também é um tipo vulgar, como o frívolo, tem outras características, embora algumas sejam comuns ou quase. 

Ele se denuncia de várias maneiras, principalmente pela conversa. 

Detesta tratar as ideias e pensamentos mais profundos, doutrinários e filosóficos.

 Tem aversão, é contrário a qualquer esforço intelectual, ao estudo de coisas sérias e à análise e reflexão. 

Contudo, é palrador, gosta de falar com fluência, às vezes com muita eloquência. 

Fala de tudo e julga entender de tudo, pretendendo ter competência quando dá sua opinião sobre questões que desconhece.

Sobretudo, detesta ouvir. 

É comum ver a criatura fútil se entusiasmar pelos acontecimentos do dia-a-dia, tomando partido pró ou contra, de forma apaixonada, fazendo questão de deixar claro seu ponto de vista.

 A atitude da criatura fútil é sempre baixar o nível de qualquer conversa ou palestra, banalizando as questões e levando as conversações ao sabor de suas conveniências vulgares ou de ordem pessoal.

 Fala muito de si e de seus parentes, chamando a atenção para a importância que não tem.

Algumas características são comuns aos frívolos e fúteis.

 Uma delas é a afoiteza e a ligeireza ou pressa com que julgam os problemas. 

Desprezam a opinião alheia e preferem sua própria para tudo, até mesmo para o que não sabem.

 Têm estreiteza de espírito, isto é, são vazios, nada é profundo em seus conceitos e ideias. 

A teimosia é uma constante em sua atitude.

 Adoram as discussões e as polêmicas infindáveis que não levam a nada, sem resultado. 

Não se rendem às evidências, isto é, jamais dão o braço a torcer nas discussões, não se deixando esclarecer, convencer ou apaziguar.

 Detestam se alguém lhes aponta contradições, irritando-se ou desviando-se para longas e
intermináveis querelas.

Ainda, outras características comuns podem ser lembradas. 

Não gostam e até têm acentuada antipatia pelos livros, pela boa leitura: é o caso dos que só aprendem por intuição ou ouvindo informações, notícias e histórias. 

São palradores, falam muito e pensam pouco. 

São intolerantes em suas crenças.

 Enfim, são vulgares e adoram manter longas conversas fiadas, sobre os mais banais assuntos.

 Ao observador atento, é fácil identificar estas criaturas em toda parte, nos ônibus, trens, nos escritórios, onde são considerados indesejáveis, pois estão sempre procurando quem os ouça, fazendo “rodinhas” de piadas ou para conversar banalidades. 

Procuram distrair a sua e a atenção dos colegas e, por isso, são constantemente advertidos para melhor cuidarem do que lhes compete.

 Dessa forma, acabam sendo despedidos e perdem o emprego.

É óbvio que nem todos os frequentadores de clubes esportivos são fúteis ou frívolos.

 É até recomendável que cada um escolha e pratique o seu lazer de fim de semana para descarregar as tensões acumuladas no trabalho, que nem sempre é ameno.

A vida poderia tornar-se intolerável sem o trabalho, que é uma alavanca de progresso e evolução espiritual da criatura.

 Por isso mesmo, as distrações e o lazer, gozados e praticados em momentos próprios são uma necessidade.

 Assim, ler um romance, ir ao cinema ou assistir em casa a um vídeo, decifrar palavras cruzadas ou se dedicar a um jogo no computador, tudo feito com moderação, sem se viciar, constituem práticas normais que servem para aliviar as tensões e diminuir o estresse mental.

Finalmente, observando que se costuma dividir o dia de 24 horas em três partes de 8 horas cada, cabendo uma ao trabalho, outra ao repouso, a terceira aos demais afazeres, nesta devemos incluir, diariamente, algum tipo de recreação ou lazer ou atividade leve, de preferência que nos ajude a relaxar, a retemperar as forças para melhorar nossa disposição corporal e mental. 

A escolha dependerá do gosto de cada um. 

O importante é habituar-se a essas práticas, estabelecendo-as como rotina ou uma segunda natureza benéfica e salutar.
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CARUSO SAMEL