quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Não esqueça o principal



"Aquele que não faz silêncio interior, que não consegue fazer o auto encontro, que não possui serenidade para admirar uma paisagem, não sabe orar e, por conseguinte, não encontra DEUS. 
Jesus estabeleceu: o Reino de DEUS está dentro de vós (Lucas, 17: 21). 
Daí a necessidade urgente do indivíduo se concentrar, manter o foco, meditar e refletir. 
Contudo, enquanto se mantiver preso como um viciado à tecnologia necessitando fugir de si mesmo a cada segundo, sem conseguir sequer manter uma conversa pessoal sem recorrer a aparelhos eletrônicos a cada passo, não passará de simples esboço do Homem Integral a caminho da felicidade."
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Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. 
Livro: Ilumina-te
MENSAGEM DO ESE:
Abandonar pai, mãe e filhos

Aquele que houver deixado, pelo meu nome, sua casa, os seus irmãos, ou suas irmãs, ou seu pai, ou sua mãe, ou sua mulher, ou seus filhos, ou suas terras, receberá o cêntuplo de tudo isso e terá por herança a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XIX, v. 29.)

Então, disse-lhe Pedro: Quanto a nós, vês que tudo deixamos e te seguimos. — Jesus lhe observou: Digo-vos, em verdade, que ninguém deixará, pelo reino de Deus, sua casa, ou seu pai, ou sua mãe, ou seus irmãos, ou sua mulher, ou seus filhos — que não receba, já neste mundo, muito mais, e no século vindouro a vida eterna. (S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 28 a 30.)

Disse-lhe outro: Senhor, eu te seguirei; mas, permite que, antes, disponha do que tenho em minha casa. — Jesus lhe respondeu: Quem quer que, tendo posto a mão na charrua, olhar para trás, não esta apto para o reino de Deus. (S. LUCAS, cap. IX, vv. 61 e 62.)

Sem discutir as palavras, deve-se aqui procurar o pensamento, que era, evidentemente, este: “Os interesses da vida futura prevalecem sobre todos os interesses e todas as considerações humanas”, porque esse pensamento está de acordo com a substância da doutrina de Jesus, ao passo que a idéia de uma renunciação à família seria a negação dessa doutrina.

Não temos, aliás, sob as vistas a aplicação dessas máximas no sacrifício dos interesses e das afeições de família aos da Pátria? Censura-se, porventura, aquele que deixa seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua mulher, seus filhos, para marchar em defesa do seu país? Não se lhe reconhece, ao contrário, grande mérito em arrancar-se às doçuras do lar doméstico, aos liames da amizade, para cumprir um dever? É que, então, há deveres que sobrelevam a outros deveres.

Não impõe a lei à filha a obrigação de deixar os pais, para acompanhar o esposo? Formigam no mundo os casos em que são necessárias as mais penosas separações. Nem por isso, entretanto, as afeições se rompem.

O afastamento não diminui o respeito, nem a solicitude do filho para com os pais, nem a ternura destes para com aquele. Vê-se, portanto, que, mesmo tomadas ao pé da letra, excetuado o termo odiar, aquelas palavras não seriam uma negação do mandamento que prescreve ao homem honrar a seu pai e a sua mãe, nem do afeto paternal; com mais forte razão, não o seriam, se tomadas segundo o espírito. Tinham elas por fim mostrar, mediante uma hipérbole, quão imperioso é para a criatura o dever de ocupar-se com a vida futura. Aliás, pouco chocantes haviam de ser para um povo e numa época em que, como conseqüência dos costumes, os laços de família eram menos fortes, do que no seio de uma civilização moral mais avançada. Esses laços, mais fracos nos povos primitivos, fortalecem-se com o desenvolvimento da sensibilidade e do senso moral. A própria separação é necessária ao progresso. Assim as famílias como as raças se abastardam, desde que se não entrecruzem, se não enxertem umas nas outras. É essa uma lei da Natureza, tanto no interesse do progresso moral, quanto no do progresso físico.

Aqui, as coisas são consideradas apenas do ponto de vista terreno. O Espiritismo no-las faz ver de mais alto, mostrando serem os do Espírito e não os do corpo os verdadeiros laços de afeição; que aqueles laços não se quebram pela separação, nem mesmo pela morte do corpo; que se robustecem na vida espiritual, pela depuração do Espírito, verdade consoladora da qual grande força haurem as criaturas, para suportarem as vicissitudes da vida.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIII, itens 4 a 6.)

A marcha da criação ao “Reino Angélico”
 Arnaldo Grecco Muniz

O Espírito é o princípio inteligente do Universo. O Espírito é criado pela vontade de Deus; criado simples com potencial a serem desenvolvidos na sua futura existência infinita. No momento dessa criação, Deus coloca uma “partícula” da Sua Consciência no seu filho criado. Esta partícula individual de Deus é conhecida como “Centelha Divina”, ela está presente em todos os seres orgânicos e inorgânicos do Universo. Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima, eles nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.

A lei de atração é a mesma para todos os seres, ela une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos. A matéria é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos ela está animalizada (ela tem alma).

A causa da animalização da matéria é a sua união com o princípio vital. A vida é um efeito devido à ação de um agente sobre a matéria. A fonte do princípio vital é o fluido universal que contém o fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. O princípio vital dá a vida a todos os seres que o absorvem. O princípio vital sem a matéria, não se define como uma vida; do mesmo modo que a matéria não possui vida sem o princípio vital. A vitalidade não se desenvolve senão com o corpo. A união dos dois é necessária para produzir a vida. A vitalidade se acha em estado latente ou adormecida quando não está unido ao corpo.

O conjunto dos órgãos humano funciona sob o mecanismo impulsionado pelo princípio vital. O Esgotamento dos órgãos causa a morte dos seres orgânicos. Após a morte, as células materiais dos seres orgânicos se decompõem para formarem novos organismos e o princípio vital volta à massa donde saiu. 

A fonte da inteligência provém do Criador do Universo. Os espíritos estão definidos como os seres inteligentes da criação povoando o Universo, fora do mundo material.

Os Espíritos são os filhos de Deus, criados simples e sem conhecimento.  O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita. A missão dos Espíritos é o aprendizado e a prática dos ensinamentos de Deus resumidos no amor a si próprio, amor ao próximo e a Deus sobre todas as coisas.  

Deus criou e cria sempre segundo a Sua própria vontade. Aqueles que foram criados no inicio constituem os seres mais velhos, experientes e sábios que se encontram mais evoluídos moral e intelectualmente compondo as ordens Superiores dos Anjos, Arcanjos, Potestades, Principados de Deus.

Aqueles que ainda se esforçam para obtenção da sua iluminação continuam com as oportunidades e possibilidades de utilizarem-se do processo da reencarnação para conquistarem o direito do aperfeiçoamento moral e intelectual. Graças ao bloqueio do seu passado, o Espírito terá maiores oportunidades de viver reencarnado no entorno das pessoas comprometidas no pretérito e promoverem a reconciliação necessária. A evolução do Espírito também se processa quando se encontra desencarnado, as dificuldades serão maiores, eles estarão frente a frente com os seus adversários ou inimigos. A encarnação dos Espíritos para uns é uma expiação; para outros uma missão.

Assim como Deus coloca “Sua Centelha Divina” para colaborar e facilitar a evolução do Espírito encarnado ou desencarnado, em contra partida cada ser cria, por vontade própria, o seu “Ego” para administrar seu orgulho e egoísmo. Enquanto houver resistência do “Ego” em não ceder à “Centelha Divina” o auxílio que ele necessita para a sua evolução, o Espírito padecerá sofrimentos incontáveis. Jesus afirmava aos seus apóstolos que Deus está em cada um de nós, basta senti-Lo e respeitá-Lo. Para se livrarem da encarnação na matéria os Espíritos precisam alcançar a perfeição, depois de sofrerem todas as vicissitudes necessárias à remissão de suas faltas e conquistarem o direito da libertação da existência corporal e se promoverem à vida nos planos superiores. 

A marcha do “princípio inteligente” para o “reino humano” e sua trajetória da “consciência humana” para o “Reino Angélico” simbolizam a expansão e evolução em milênios de séculos de vida para o Espírito (alma), a criatura de Deus que, por força da Lei Divina, merecerá, com o próprio esforço e trabalho, a auréola da imortalidade em pleno Céu.
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Fonte: livro: “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec
Arnaldo Grecco Muniz – escreve às 5ª feiras na coluna “Dia a Dia” do Jornal “Folha da Manhã” - pesquisador e editor dos jornais informativos: “Educação e Evolução da Alma” do CEEEU e “Renovação” da AESA



 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Examinemos a nós mesmos


O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor.

  Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima.

  Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário.

 Testa a paciência própria:

— Estás mais calmo, afável e compreensivo?

  Inquire as tuas relações na experiência doméstica:

— Conquistaste mais alto clima de paz dentro de casa?


  Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário:

— Colaboras com mais euforia na seara do Senhor?

  Observa-te nas manifestações perante os amigos:

— Trazes o Evangelho mais vivo nas atitudes?

  Reflete em tua capacidade de sacrifício:

Notas em ti mesmo mais ampla disposição de servir voluntariamente?


  Pesquisa o próprio desapego:

— Andas um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestres?


  Usas mais intensamente os pronomes “nós”, “nosso” e “nossa” e menos os determinativos “eu”, “meu” e “minha”?
  Teus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por ti, estão presentemente mais raros?

  Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma?

  Dissipaste antigos desafetos e aversões?

  Superaste os lapsos crônicos de desatenção e negligência?

  Estudas mais profundamente a Doutrina que professas?

  Entendes melhor a função da dor?

  Ainda cultivas alguma discreta desavença?

  Auxilias aos necessitados com mais abnegação?

  Tens orado realmente?

  Teus ideais evoluíram?

  Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança?

  Tens o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras?


  Evangelho é alegria no coração: — Estás, de fato, mais alegre e feliz intimamente, nestes três últimos anos?


 Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos o nosso rendimento individual com o Cristo!

  Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que te não vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da dor.

  Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma oportunidade valorizada ou perdida.

  Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária.

  Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já será mais difícil…
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André Luiz
(Psicografia de Waldo Vieira) 


MENSAGEM DO ESE:
Transmissão de riqueza


O princípio, segundo o qual ele é apenas depositário da fortuna de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira ao homem o direito de transmiti-la aos seus descendentes? 

O homem pode perfeitamente transmitir, por sua morte, aquilo de que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está subordinado sempre à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir que aqueles descendentes gozem do que lhes foi transmitido.
 Não é outra a razão por que desmoronam fortunas que parecem solidamente constituídas. 
É, pois, impotente a vontade do homem para conservar nas mãos da sua descendência a fortuna que possua. Isso, entretanto, não o priva do direito de transmitir o empréstimo que recebeu de Deus, uma vez que Deus pode retirá-lo, quando o julgue oportuno. — São Luís. (Paris, 1860.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 15.)

domingo, 31 de dezembro de 2017

Decisão




Somos tangidos por fatos e problemas a exigirem a manifestação de nossa vontade em todas as circunstâncias.

Muito embora disponhamos de recursos infinitos de escolha para assumir gesto determinado ou desenvolver certa ação, invariavelmente, estamos constrangidos a optar por um só caminho, de cada vez, para expressar os desígnios pessoais na construção do destino.

Conquanto possamos caminhar mil léguas, somente progredimos em substância avançando passo a passo.

Daí, a importância da existência terrena, temporária e limitada em muitos ângulos porém rica e promissora quanto aos ensejos que nos faculta para automatizar o bem, no campo de nós mesmos, mediante a possibilidade de sermos bons para os outros.

Decisão é necessidade permanente.

Nossa vontade não pode ser multipartida.

Ideia, verbo e atitude exprimem resoluções de nossas almas, a frutificarem bênçãos de alegria ou lições de reajuste no próprio íntimo.

Vacilação é sintoma de fraqueza moral, tanto quanto desânimo é sinal de doença.

Certeza no bem denuncia felicidade real e confiança de hoje indica serenidade futura.

Progresso é fruto de escolha.

Não há nobre desincumbência com flexibilidade de intenção.

Afora tu mesmo, ninguém te decide o destino...

Se a eventualidade da sementeira é infinita, a fatalidade da colheita é inalienável.

Guardas contigo tesouros de experiências acumulados em milênios de luta que podem crescer, aqui e agora, a critério do teu alvitre.

Recorda que o berço de teu espírito fulge longe da existência terrestre.

O objetivo da perfeição é inevitável bênção de Deus e a perenidade da vida constitui o prazo de nosso burilamento, entretanto, o minuto que vives é o veículo da oportunidade para a seleção de valores, obedecendo a horário certo e revelando condições próprias, no ilimitado caminho da evolução.
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XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Opinião Espírita. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. CEC. Capítulo 27.  



MENSAGEM DO ESE:
Simplicidade e pureza de coração


Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus. (S. Mateus, cap. V, v. 8.)
Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse:
“Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. — Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” — E, depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos. (S. MARCOS, cap. X, vv. 13 a 16.)

A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.

Poderia parecer menos justa essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito antigo e que traz, renascendo para a vida corporal, as imperfeições de que se não tenha despojado em suas precedentes existências. Só um Espírito que houvesse chegado à perfeição nos poderia oferecer o tipo da verdadeira pureza. É exata a comparação, porém, do ponto de vista da vida presente, porquanto a criancinha, não havendo podido ainda manifestar nenhuma tendência perversa, nos apresenta a imagem da inocência e da candura. Daí o não dizer Jesus, de modo absoluto, que o reino dos céus é para elas, mas para os que se lhes assemelhem. 

Pois que o Espírito da criança já viveu, por que não se mostra, desde o nascimento, tal qual é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de cuidados especiais, que somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da ingenuidade da criança. Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamento, se, em vez da graça ingênua, deparasse nele, sob os traços infantis, um caráter viril e as idéias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado. 

Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces. Essa a razão por que, ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas faculdades permanecem em estado latente. É necessário esse estado de transição para que o Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. Renasce para a vida maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida.

A partir do nascimento, suas idéias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as idéias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.

O Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VIII, itens 1 a 4.)

sábado, 30 de dezembro de 2017

O caminho da paz




Dos grandes flagelos do mundo antigo, salientavam-se dez que rebaixavam a vida humana:   A barbárie, que perpetuava os desregramentos do instinto.
    A fome, que atormentava o grupo tribal.
   A peste, que dizimava populações.
  O primitivismo, que irmanava o engenho do homem e a habilidade do castor.
  A ignorância, que alentava as trevas do espírito.
 O insulamento, que favorecia as ilusões do feudalismo.
   A ociosidade, que categorizava o trabalho, à conta de humilhação e penitência.
 O cativeiro, que vendia homens livres nos mercados da escravidão.
  A imundície, que relegava a residência terrestre ao nível dos brutos.
  A guerra, que suprime a paz e justifica a crueldade e o crime entre as criaturas.

  Veio a política e, instituindo vários sistemas de governo, anulou a barbárie.
  Apareceu o comércio e, multiplicando as vias de transporte, dissipou a fome.
Surgiu a ciência, e exterminou a peste.
  Eclodiu a indústria, e desfez o primitivismo.
  Brilhou a imprensa, e proscreveu-se a ignorância.
Criaram-se o telégrafo sem fio e a navegação aérea, e acabou-se o insulamento.
  Progrediram os princípios morais, e o trabalho fulgiu como estrela na dignidade humana, desacreditando a ociosidade.
  Cresceu a educação espiritual, e aboliu-se o cativeiro.
  Agigantou-se a higiene, e removeu-se a imundície.
  Mas nem a política, nem o comércio, nem a ciência, nem a indústria, nem a imprensa, nem a aproximação entre os povos, nem a exaltação do trabalho, nem a evolução do direito individual e nem a higiene conseguem resolver o problema da paz, porquanto a guerra — monstro de mil faces que começa no egoísmo de cada um, que se corporifica na discórdia do lar, e se prolonga na intolerância da fé, na vaidade da inteligência e no orgulho das raças, alimentando-se de sangue e lágrimas, violência e desespero, ódio e rapina, tão cruel entre as nações supercivilizadas do século XX, quanto já o era na corte obscurantista de Ramsés II — somente desaparecerá quando o Evangelho de Jesus iluminar o coração humano, fazendo que os habitantes da Terra se amem como irmãos.

  É por isso que a Doutrina Espírita no-lo revela, atualmente, sob a luz da verdade, fiel ao próprio Cristo que nos advertiu, convincente: — “Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres.” (Jo)
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 Emmanuel 
Chico Xavier



MENSAGEM DO ESE:
O consolador prometido


Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: — O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. — Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)

Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.

O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” 
O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.
Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.
Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, itens 3 e 4.)



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Oração e provação



 A oração não suprime, de imediato, os quadros da provação, mas renova-nos o espírito, a fim de que venhamos a sublimá-los ou removê-los. 

  Repara o caminho que a névoa amortalha, quando a noite escura te distancia do Sol.
  Em cima, nuvens extensas furtam-te aos olhos o painel das estrelas e, em baixo, espinheiros e precipícios ameaçam-te os pés.

  Debalde, consultarás a bússola que a treva densa embacia.

  Se avanças, é possível te arrojes na lama de covas escancaradas; se paras, é provável padeças o assalto de traiçoeiros animais…

  Faze, porém, pequenina luz, é tudo se modifica.

  O charco não perde a feição de pântano e a pedra mantém-se por desafio que te adverte na estrada; entretanto, podendo ver, surgirás, transformado e seguro, para seguir à frente, vencendo as armadilhas da sombra e as aperturas da marcha.

  Assim, também, é a oração nos trilhos da experiência.

  Quando a dor te entenebrece os horizontes da alma, subtraindo-te a serenidade e a alegria, tudo parece escuridão envolvente e derrota irremediável, induzindo-te ao desânimo e insuflando-te o desespero; todavia, se acendes no coração leve flama da prece, fios imponderáveis de confiança ligam-te o ser à Providência Divina.

  Exteriormente, em torno, o sofrimento não se desfaz da catadura sombria; a morte, ainda e sempre, é o véu de dolorosa separação; a prova é o mesmo teste inquietante e o golpe da expiação continua sendo a luta difícil e inevitável, mas estarás, em ti próprio, plenamente refeito, no imo das próprias forças, com a visão espiritual iluminada por dentro, a fim de que compreendas, acima das tuas dores, o plano sábio da vida, que te ergue dos labirintos do mundo à bênção do amor de Deus.
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 Emmanuel 
Chico Xavier



Mensagem do ESE:
Ódio


Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tomai sobretudo a peito amar os que vos inspiram indiferença, ódio, ou desprezo. O Cristo, que deveis considerar modelo, deu-vos o exemplo desse devotamento. Missionário do amor, ele amou até dar o sangue e a vida por amor. Penoso vos é o sacrifício de amardes os que vos ultrajam e perseguem; mas, precisamente, esse sacrifício é que vos torna superiores a eles. Se os odiásseis, como vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. Amá-los é a hóstia imácula que ofereceis a Deus na ara dos vossos corações, hóstia de agradável aroma e cujo perfume lhe sobe até o seio. Se bem a lei de amor mande que cada um ame indistintamente a todos os seus irmãos, ela não couraça o coração contra os maus procederes; esta é, ao contrário, a prova mais angustiosa, e eu o sei bem, porquanto, durante a minha última existência terrena, experimentei essa tortura. Mas Deus lá está e pune nesta vida e na outra os que violam a lei de amor. Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele. — Fénelon, (Bordéus, 1861.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, item 10.)

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