segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Proteção


Duas horas de fria madrugada num hotel pequeno de rodovia. O cavalheiro chegou apressado e pediu a chave do aposento em que se instalara durante o dia.

Inexplicavelmente, a chave desaparecera, e o interessado se confiou à exasperação. Gritou. Acusou empregados.

A gerência interferiu com gentileza.

Outro quarto lhe foi entregue. O homem, porém, declarou que deixara junto ao leito grande soma de dinheiro e exigiu fosse a porta arrombada.

Depois de muita crítica, em que ameaçava a casa com denúncia à polícia, concordou em ocupar um aposento vizinho.

Somente pela manhã, ao sol muito alto, a fechadura foi quebrada. E só então o inconformado hóspede, ao retirar o dinheiro, verificou que sob o travesseiro se ocultava enorme escorpião.
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XAVIER, Francisco Cândido 
Pelo Espírito André Luiz
MENSAGEM DO ESE:
Os trabalhadores da última hora

O reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu de madrugada, a fim de assalariar trabalhadores para a sua vinha.
 — Tendo convencionado com os trabalhadores que pagaria um denário a cada um por dia, mandou-os para a vinha. Saiu de novo à terceira hora do dia e, vendo outros que se conservavam na praça sem fazer coisa alguma, — disse-lhes: Ide também vós outros para a minha vinha e vos pagarei o que for razoável. Eles foram. — Saiu novamente à hora sexta e à hora nona do dia e fez o mesmo. — Saindo mais uma vez à hora undécima, encontrou ainda outros que estavam desocupados, aos quais disse: Por que permaneceis aí o dia inteiro sem trabalhar? — É, disseram eles, que ninguém nos assalariou. Ele então lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. — Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. — Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. — Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família, — dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor.
Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. — Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? 

Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos. (S. MATEUS, cap. XX, vv. 1 a 16. Ver também: “Parábola do festim das bodas”, cap. XVIII, nº 1.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 1.)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Vitória do Bem




“A vitória do bem é sempre o resultado final de qualquer cometimento. 

Mais vidas sempre são resgatadas pelo amor.

Prossigamos em nosso trabalho de libertação de consciências e de iluminação de vidas.”
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 Autor: Bezerra de Menezes
Psicografia de Divaldo Franco 



MENSAGEM DO ESE:
A ingratidão dos filhos e os laços de família (III)

Deus não dá prova superior às forças daquele que a pede; só permite as que podem ser cumpridas. Se tal não sucede, não é que falte possibilidade: falta a vontade. Com efeito, quantos há que, em vez de resistirem aos maus pendores, se comprazem neles. A esses ficam reservados o pranto e os gemidos em existências posteriores. Admirai, no entanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés. As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus. É um momento supremo, no qual, sobretudo, cumpre ao Espírito não falir murmurando, se não quiser perder o fruto de tais provas e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus o ensejo que vos proporciona de vencerdes, a fim de vos deferir o prêmio da vitória. Então, saindo do turbilhão do mundo terrestre, quando entrardes no mundo dos Espíritos, sereis aí aclamados como o soldado que sai triunfante da refrega.

De todas as provas, as mais duras são as que afetam o coração. Um, que suporta com coragem a miséria e as privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, pungido da ingratidão dos seus. Oh! que pungente angústia essa! Mas, em tais circunstâncias, que mais pode, eficazmente, restabelecer a coragem moral, do que o conhecimento das causas do mal e a certeza de que, se bem haja prolongados despedaçamentos dalma, não há desesperos eternos, porque não é possível seja da vontade de Deus que a sua criatura sofra indefinidamente? Que de mais reconfortante, de mais animador do que a idéia que de cada um dos seus esforços é que depende abreviar o sofrimento, mediante a destruição, em si, das causas do mal? Para isso, porém, preciso se faz que o homem não retenha na Terra o olhar e só veja uma existência; que se eleve, a pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a justiça infinita de Deus se vos patenteia, e esperais com paciência, porque explicável se vos torna o que na Terra vos parecia verdadeiras monstruosidades. As feridas que aí se vos abrem, passais a considerá-las simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família se vos apresentam sob seu aspecto real. Já não vedes, a ligar-lhes os membros, apenas os frágeis laços da matéria; vedes, sim, os laços duradouros do Espírito, que se perpetuam e consolidam com o depurarem-se, em vez de se quebrarem por efeito da reencarnação.

Formam famílias os Espíritos que a analogia dos gostos, a identidade do progresso moral e a afeição induzem a reunir-se. Esses mesmos Espíritos, em suas migrações terrenas, se buscam, para se gruparem, como o fazem no espaço, originando-se daí as famílias unidas e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, acontece ficarem temporariamente separados, mais tarde tornam a encontrar-se, venturosos pelos novos progressos que realizaram. Mas, como não lhes cumpre trabalhar apenas para si, permite Deus que Espíritos menos adiantados encarnem entre eles, a fim de receberem conselhos e bons exemplos, a bem de seu progresso. Esses Espíritos se tornam, por vezes, causa de perturbação no meio daqueles outros, o que constitui para estes a prova e a tarefa a desempenhar.

Acolhei-os, portanto, como irmãos; auxiliai-os, e depois, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo alguns náufragos que, a seu turno, poderão salvar outros. — Santo Agostinho. (Paris, 1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9.)




sábado, 3 de fevereiro de 2018

AMAR A SI OU AO PRÓXIMO



“Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento!” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XI – Amar o próximo como a si mesmo.)

O Cristo veio à Terra para exortar o homem a dar um passo além de sua própria humanidade.

Nas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, escreveu o espírito Lázaro: “A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais”.

Este, sem dúvida, é o maior desafio para que o espírito consiga se realizar em plenitude, derrotando, em si mesmo, as forças antagônicas do egocentrismo.

Neste sentido, observamos que o encerrar do espírito em um corpo, através da encarnação, não importando que este corpo seja mais ou menos material, conspira contra a “fusão dos seres”, que, evidentemente, sem que percam consciência de sua individualidade, por mais nada se sintam separados uns dos outros.

Para Deus, que nos ama, todos somos iguais, e não filhos que Ele possa ter gerado com código genético diferente.

Por isso, à medida que o espírito avança na senda do aperfeiçoamento espiritual, ele vai perdendo os sinais indicadores externos de sua personalidade, ultrapassando todos os limites humanos em que cada pessoa é capaz de se reconhecer e ser identificada.

O seu corpo vai se tornando tão diáfano que, de repente, desaparece, e, então, o espírito passa a existir em sua mais pura essência, e, a exemplo de Jesus, tornando-se “Um” com o Pai.

Não há diferença alguma entre as águas de um rio que se derrama nas águas de outro rio, aumentando-lhe o volume, para, irmanados, formarem o oceano.

O ar que se respira em qualquer parte do Planeta, a rigor, sempre possui as mesmas características básicas, não se distinguindo pela sua cor nem pela sua densidade.

Enquanto não nos sentirmos parte de um todo, não compreenderemos que não nos preocuparmos com o todo significa não nos preocuparmos com a parte.

A recomendação do Cristo que, infelizmente, muitos vêm invertendo, não é a de amar a si mesmo para amar o próximo, mas sim a de amar o próximo para amar a si mesmo.

Pensando desta maneira equivocada, a grande maioria imagina que, ao se amar de maneira concreta, pode continuar amando o próximo de maneira abstrata.

E por enquanto, sobre a Terra, há muito mais gente precisando de mão compassiva que de olhar piedoso.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)

 

MENSAGEM DO ESE:
A nova era


Deus é único e Moisés é o Espírito que Ele enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade.
Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, praticada em toda a sua pureza, não na teriam então compreendido. Mas, nem por isso os dez mandamentos de Deus deixavam de ser um como frontispício brilhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a Humanidade tinha de percorrer.
A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar, e esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus de outro modo que não por meio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a um inimigo.
Notável do ponto de vista da matéria e mesmo do das artes e das ciências, a inteligência deles muito atrasada se achava em moralidade e não se houvera convertido sob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semimaterial, qual a que apresentava então a religião hebraica. Os holocaustos lhes falavam aos sentidos, do mesmo passo que a idéia de Deus lhes falava ao espírito.
Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de
renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a Natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a Humanidade avance.
São chegados os tempos em que se hão de desenvolver as idéias, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as idéias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém, que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas idéias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá. — Um Espírito israelita. (Mulhouse, 1861.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 9.)



sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Tempo para a vida





Examina quanto tempo diariamente dedicas à tua vida espiritual.

Trabalhas, veste-te, distrai-te, alimenta-te, dormes e reservas breves minutos à tua vida espiritual, mediante rápida oração, uma pequena leitura, ou ouves uma palestra, às vezes nenhuma destas concessões lhe facultas.

O homem não é somente o corpo-mente. Antes de tudo é o ser espiritual, que conduz os implementos corpo-mente e exige atendimento espiritual para bem executar as tarefas que lhe dizem respeito.

O corpo necessita de cuidados para viver, mas a alma, também.
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Joanna de Ângelis









MENSAGEM DO ESE:
A indulgência (II)

Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros.

Sustentai os fortes: animai-os à perseverança. Fortalecei os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da penitência estendendo suas brancas asas sobre as faltas dos humanos e velando-as assim aos olhares daquele que não pode tolerar o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai e não esqueçais nunca de lhe dizer, pelos pensamentos, mas, sobretudo, pelos atos: “Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos hão ofendido.” Compreendei bem o valor destas sublimes palavras, nas quais não somente a letra é admirável, mas principalmente o ensino que ela veste. 

Que é o que pedis ao Senhor, quando implorais para vós o seu perdão? Será unicamente o olvido das vossas ofensas? Olvido que vos deixaria no nada, porquanto, se Deus se limitasse a esquecer as vossas faltas, Ele não puniria, é exato, mas tampouco recompensaria. A recompensa não pode constituir prêmio do bem que não foi feito, nem, ainda menos, do mal que se haja praticado, embora esse mal fosse esquecido. Pedindo-lhe que perdoe os vossos desvios, o que lhe pedis é o favor de suas graças, para não reincidirdes neles, é a força de que necessitais para enveredar por outras sendas, as da submissão e do amor, nas quais podereis juntar ao arrependimento a reparação. 

Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis com o estender o véu do esquecimento sobre suas faltas, porquanto, as mais das vezes, muito transparente é esse véu para os olhares vossos. Levai-lhes simultaneamente, com o perdão, o amor; fazei por eles o que pediríeis fizesse o vosso Pai celestial por vós. Substitui a cólera que conspurca, pelo amor que purifica. Pregai, exemplificando, essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou; pregai-a, como ele o fez durante todo o tempo em que esteve na Terra, visível aos olhos corporais e como ainda a prega incessantemente, desde que se tornou visível tão-somente aos olhos do Espírito. Segui esse modelo divino; caminhai em suas pegadas; elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o repouso após a luta. Como ele, carregai todos vós as vossas cruzes e subi penosamente, mas com coragem, o vosso calvário, em cujo cimo está a glorificação. — João, bispo de Bordéus. (1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 17.)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

DIFICULDADES DO PERDÃO




“Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que cada um perdoe ao seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.)

Faze de tudo para não te deixares magoar, porque a mágoa é uma nódoa muito difícil de ser lavada do coração.

Muito mais fácil, pois, que interpretes o ofensor por um amigo doente que, quando te ofendeu, agiu completamente sem lucidez, e, portanto, mais do que seu perdão, tornou-se digno de sua complacência.

Ao nos recomendar o perdão setenta vezes sete, Jesus sabia o quanto se nos faria extremamente penoso esquecer o mal que nos fosse feito, e que, a fim de que chegássemos a realmente esquecê-lo de todo, necessitaríamos, em uma única falta, de ofertar perdão sobre perdão ao agressor, infinito número de vezes.

Ele, o Cristo, jamais teve que perdoar, porque, em nenhuma oportunidade, se permitiu ser ofendido.

Com base nesses raciocínios, imaginemos, por nossa vez, o quanto nos será demasiado complexo obter o verdadeiro perdão da parte daquele que prejudicamos.

Sendo assim, o melhor, igualmente, é que redobremos vigilância para que, em benefício de nossa paz íntima, não venhamos a carecer do perdão de alguém.

Existem espíritos que choram por séculos, não propriamente no esforço de perdoar, mas no esforço de serem perdoados, com o intuito de que, em se sentindo livres de toda e qualquer culpa, consigam caminhar adiante sem sombra alguma a lhes tisnar o céu da felicidade que almejam.

Neste sentido, nunca será demais repetir que, sem o concurso do bem, o mal não se anulará.

Se, quando na condição de ofendidos, Jesus nos conclama a perdoar setenta vezes sete, quantas vezes, na condição de ofensores, Ele não nos conclamaria a pedir perdão a quem ofendemos?!

Perdoar ou pedir perdão setenta vezes sete será, pois, como trabalhar para se erradicar uma tumoração maligna do organismo, em todas as suas possibilidades de recidiva e de sequela, de modo que o tumor seja curado como se nunca sequer tivesse existido.

Ante tais dificuldades, oremos ao Senhor para que nunca nos encontremos na posição de vítima e, muito menos, de algoz, porque, perante as Leis Equânimes da Vida, nenhuma das duas condições é favorável à nossa paz.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”) 


MENSAGEM DO ESE:
Necessidade da encarnação


É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la?
A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo. — São Luís. (Paris, 1859.)

NOTA. — Uma comparação vulgar fará se compreenda melhor essa diferença. O escolar não chega aos estudos superiores da Ciência, senão depois de haver percorrido a série das classes que até lá o conduzirão. Essas classes, qualquer que seja o trabalho que exijam, são um meio de o estudante alcançar o fim e não um castigo que se lhe inflige. Se ele é esforçado, abrevia o caminho, no qual, então, menos espinhos encontra. Outro tanto não sucede àquele a quem a negligência e a preguiça obrigam a passar duplamente por certas classes. Não é o trabalho da classe que constitui a punição; esta se acha na obrigação de recomeçar o mesmo trabalho.

Assim acontece com o homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que está apenas no início da vida espiritual, a encarnação é um meio de ele desenvolver a sua inteligência; contudo, para o homem esclarecido, em quem o senso moral se acha largamente desenvolvido e que é obrigado a percorrer de novo as etapas de uma vida corpórea cheia de angústias, quando já poderia ter chegado ao fim, é um castigo, pela necessidade em que se vê de prolongar sua permanência em mundos inferiores e desgraçados. Aquele que, ao contrário, trabalha ativamente pelo seu progresso moral, além de abreviar o tempo da encarnação material, pode também transpor de uma só vez os degraus intermédios que o separam dos mundos superiores.

Não poderiam os Espíritos encarnar uma única vez em determinado globo e preencher em esferas diferentes suas diferentes existências? Semelhante modo de ver só seria admissível se, na Terra, todos os homens estivessem exatamente no mesmo nível intelectual e moral. As diferenças que há entre eles, desde o selvagem ao homem civilizado, mostram quais os degraus que têm de subir. 
A encarnação, aliás, precisa ter um fim útil. Ora, qual seria o das encarnações efêmeras das crianças que morrem em tenra idade? Teriam sofrido sem proveito para si, nem para outrem. Deus, cujas leis todas são soberanamente sábias, nada faz de inútil. Pela reencarnação no mesmo globo, quis ele que os mesmos Espíritos, pondo-se novamente em contacto, tivessem ensejo de reparar seus danos recíprocos. Por meio das suas relações anteriores, quis, além disso, estabelecer sobre base espiritual os laços de família e apoiar numa lei natural os princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade. – Allan Kardec.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV, itens 25 e 26.)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

INSENSATEZ



“Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem, antes de vermos o mal que está em nós.” – (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. X – Bem-aventurados os que são misericordiosos.)

Embora sem consciência disso, torna-se extremamente ridículo quem se põe a apreciar a conduta alheia, com o intuito de efetuar julgamentos descaridosos.

Nem mesmo quem a isso se sentisse constrangido, inclusive por deveres profissionais, deveria se esmerar em colocar o mal de outrem a descoberto sem que tal atitude lhe aumentasse o constrangimento.

Podemos considerar cada criatura encarnada como célula integrante do corpo social, e não é possível que uma só dessas células se enferme sem comprometer a saúde de todo o organismo, que, então, em sua complexidade, carece de ser tratado por inteiro, porque ninguém envia um braço ao hospital para ser tratado, deixando o seu corpo em casa.

O delinquente que vive em confronto com a lei dos homens fala, sem palavras, da delinquência de toda a Humanidade que vive à margem da Lei Divina, mormente quando não envida esforços para impedir que a criminalidade continue a se propagar.

Um único gesto de desonestidade em alguém é reflexo das inclinações infelizes que, na condição de forças vivas, apoderam-se de quem se revela mais frágil, a fim de se concretizarem naquele que não teve condições de repeli-las.

Cada pessoa, em seus pensamentos, palavras e atitudes, é médium não apenas dos desencarnados, mas dos encarnados também, que incorporam em suas tendências.

Deus consente que, entre nós, vivam irmãos afeitos ao mal para que, neles, nós consigamos enxergar a pior parte existente em nós mesmos, e nos empenhemos em erradicá-la.

Por mais distante esteja, não há como alguém se isentar de responsabilidade por uma criança que morre de fome em qualquer parte do planeta.

Não nos esqueçamos de que em um edifício, que não se levanta, a partir da base até ao teto, de forma harmoniosa e segura, a fragilidade de um único pilar em que ele se alicerça pode colocar em risco toda a edificação que, com o tempo, tende a desabar.

Não seria, portanto, exagero concluirmos que o mal – de qualquer natureza – que enxergamos no próximo denuncia o grau de indiferença social e espiritual, que ainda persiste em nós; não obstante, em nossa insensatez, insistimos em achar que não nos diz respeito.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Vinde a Mim”)
MENSAGEM DO ESE:

A beneficência

A beneficência, meus amigos, dar-vos-á nesse mundo os mais puros e suaves deleites, as alegrias do coração, que nem o remorso, nem a indiferença perturbam. Oh! pudésseis compreender tudo o que de grande e de agradável encerra a generosidade das almas belas, sentimento que faz olhe a criatura as outras como olha a si mesma, e se dispa, jubilosa, para vestir o seu irmão! Pudésseis, meus amigos, ter por única ocupação tornar felizes os outros! Quais as festas mundanas que podereis comparar às que celebrais quando, como representantes da Divindade, levais a alegria a essas famílias que da vida apenas conhecem as vicissitudes e as amarguras, quando vedes nelas os semblantes macerados refulgirem subitamente de esperança, porque, faltos de pão, os desgraçados ouviam seus filhinhos, ignorantes de que viver é sofrer, gritando repetidamente, a chorar, estas palavras, que, como agudo punhal, se lhes enterravam nos corações maternos: “Estou com fome!...” Oh! compreendei quão deliciosas são as impressões que recebe aquele que vê renascer a alegria onde, um momento antes, só havia desespero! Compreendei as obrigações que tendes para com os vossos irmãos! Ide, ide ao encontro do infortúnio; ide em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas! Ide, meus bem-amados, e tende em mente estas palavras do Salvador: “Quando vestirdes a um destes pequeninos, lembrai-vos de que é a mim que o fazeis!”
Caridade! sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás de conduzir os povos à felicidade. Praticando-te, criarão eles para si infinitos gozos no futuro e, enquanto se acharem exilados na Terra, tu lhes serás a consolação, o prelibar das alegrias de que fruirão mais tarde, quando se encontrarem reunidos no seio do Deus de amor. Foste tu, virtude divina, que me proporcionaste os únicos momentos de satisfação de que gozei na Terra. 

Que os meus irmãos encarnados creiam na palavra do amigo que lhes fala, dizendo-lhes: É na caridade que deveis procurar a paz do coração, o contentamento da alma, o remédio para as aflições da vida. Oh! quando estiverdes a ponto de acusar a Deus, lançai um olhar para baixo de vós; vede que de misérias a aliviar, que de pobres crianças sem família, que de velhos sem qualquer mão amiga que os ampare e lhes feche os olhos quando a morte os reclame! Quanto bem a fazer! Oh! não vos queixeis; ao contrário, agradecei a Deus e prodigalizai a mancheias a vossa simpatia, o vosso amor, o vosso dinheiro por todos os que, deserdados dos bens desse mundo, enlanguescem na dor e no insulamento! Colhereis nesse mundo bem doces alegrias e, mais tarde... só Deus o sabe!... – Adolfo, bispo de Argel. (Bordéus, 1861.)

 

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 11.)

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

DENTRO DE NÓS



De nós mesmos flui o manancial da vida.

Vitória ou derrota, alegria ou tristeza, felicidade ou infortúnio, são produtos do nosso próprio coração. Deus concede recursos iguais para todos, e nós facilitamos ou complicamos os processos de execução dos Propósitos Divinos a nosso respeito.

As leis do trabalho não se modificam.

Não existe privilégio.

Ninguém foge ao cumprimento da Lei.

Realizaremos quanto nos cabe no tempo, ou voltaremos à lide com o tempo, a fim de criar, refazer ou reaprender.

À custa do calor na forja, converte-se o ferro bruto em utilidade. Sofrendo a chuva e o vento, entreabre-se a flor numa festa de cor e de perfume. Consumindo-se, o óleo na candeia se transforma em luz. O brilhante é o coração da pedra que se deixou lapidar.

Cada criatura observa a Criação de acordo com as experiências que já acumulou.

“Conquista-te! aprende! cresce! ilumina-te!” — eis as sugestões da Natureza, em toda parte.

Quando o homem adquirir “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, perceberá a beleza da espiritualidade vitoriosa e distinguirá a sinfonia da Eternidade.

Tudo depende de nós.

A sombra e a claridade, a cegueira ou a visão, a fraqueza e o fortalecimento surgem em nosso caminho, segundo a direção que impusermos às sagradas correntes da vida.

Deus é Amor, é Criação, é Vida, é Movimento, é Alegria, é Triunfo. Dirijamos nosso sentimento para a Vontade do Senhor e o Senhor naturalmente nos responderá, santificando-nos os desejos.
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Bartolomeu dos Mártires
Livro: Falando à Terra
Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos
FEB – Federação Espírita Brasileira




MENSAGEM DO ESE:
Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. — São Luís. (Paris, 1860.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.