segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Estrela Oculta



Quando a tempestade da cólera explode no ambiente, despedindo granizos dilacerantes, vemo-la por antena de amor, isolando-lhes os raios, e se o temporal da revolta encharca os que tombam na estrada sob o visco da lama, ei-la que surge igualmente por força neutralizante, subtraindo o lodo e aclarando o caminho...

Remédio nas feridas profundas que se escondem na alma, ante os golpes da injúria, é bálsamo invisível, lenindo toda chaga.

Socorro nobre e justo, é a luz doce da ausência ajudando e servindo onde a leviandade arroja fogo e fel.

Filha da compaixão, auxilia sem paga impedindo a extensão da maldade infeliz...

Ante a sua presença, a queixa descabida interrompe-se e para, e o verbo contundente empalidece e morre.

Onde vibra, amparando, todo ódio contém-se, e o incêndio da impiedade apaga-se de chofre...

Acessível a todos, vemo-la em toda parte, onde o homem cultive a caridade simples, debruçando-se, pura, à maneira de aroma envolvente e sublime, anulando o veneno em que a treva se nutre...

Guardemo-la conosco, onde formos chamados, sempre que o mal responde, delinquente e sombrio, porque essa estrela oculta, ao alcance de todos, é a prece do silêncio em clima de perdão.
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Emmanuel
Chico Xavier





domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um bonito conto de Paulo Coelho


Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho.
Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados.
Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…)

O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos.

Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro.
O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele, o seguinte diálogo:
- Bons dias.
- Bons dias – Respondeu o guardião.
- Como se chama este lugar tão bonito?
- Aqui é o céu.
- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos!
- Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte.
- Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede…
- Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.

O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho.
Agradeceu ao guardião e seguiu adiante.
Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores…
À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente.

- Bons dias – disse o caminhante.
O homem respondeu com um aceno.
- Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu.
- Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar
 
.
- Podeis beber toda a água que quiserdes.
O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede.
O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem.
- Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este.
- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante.
- CÉU.
- O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!
- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião.
O caminhante ficou perplexo.
- Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! – advertiu o caminhante.
- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos…
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Paulo Coelho.
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Jamais abandones os teus verdadeiros Amigos, ainda que isso te traga inconvenientes pessoais.
Se eles vêm dar o seu amor e companhia, ficas em dívida para com eles:

Fazer um Amigo é uma Graça.
Ter um Amigo é um Dom.
Conservar um Amigo é uma Virtude. 
 

 
 

Emancipação Além Túmulo


Se aspiras a compreender o que seja a emancipação espiritual para os que esperam a morte, de mãos no arado das obrigações fielmente cumpridas, ouve os companheiros encarcerados nas provas supremas da retaguarda.

Pergunta aos cegos que passam a existência buscando debalde fitar o colorido das flores, como se comportariam, obtendo, de improviso o dom inefável da visão, diante da luz;

examina os mais íntimos anelos dos paralíticos, que atravessam longo tempo atarraxados no catre da aflição, suspirando por rastejarem;

reflete no martírio dos companheiros que amargam no hospital o transitório desequilíbrio da mente, sequiosos de retorno ao próprio domínio;

sonda a agonia silenciosa dos mudos que despenderiam alegremente todas as forças de que dispõem, a fim de pronunciarem breves palavras;

registra os soluços dos órfãos pequeninos, suplicando aconchego no coração materno;

medita na tortura constante dos que foram expulsos do lar, injustiçados e infelizes, sonhando o regresso aos braços que mais amam;

relaciona os suplícios dos que jazem nas penitenciárias dispostos a darem tudo de si mesmos, pelo perdão das próprias vítimas, de modo a aplacarem as chamas do remorso que lhes revolvem as consciências; 

conta as lágrimas das mães desditosas que anseiam acariciar os filhos domiciliados para lá do sepulcro e dos quais se separam, muitas vezes, nas horas mais belas da juventude;

cbserva o tormento da alma que ficou sozinha no mundo, tateando em desespero a lousa em que viu desaparecer os derradeiros sinais humanos da outra alma, cujo amor lhe resume a razão de ser;

inventaria os pesadelos ignorados de quantos se curvam para a terra, suportando os extremos achaques da velhice corpórea, à feição do viajante dentro da noite, indagando às estrelas da oração pela hora da alma...

Emancipação! 
Todos que estiverem, um dia, encadeados às trevas da provação conhecem a grandeza dessa palavra!

Emancipação espiritual é a mensagem da morte, no entanto, para que a morte seja alegria e clarão, liberdade e reencontro, preciso tenhamos sabido aceitar a escola da experiência terrestre, aprendendo a sofre e servir na veste física, a encharcar-se de suor no trabalho digno, a fim de recebermos as chaves de luz do lar eterno, na plenitude da Vida Maior.
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Emmanuel
Chico Xavier





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Antídotos Eficazes



1- Irritação?
Respire calma e profundamente e recolha-se em silêncio.
2- Aborrecimentos?
Mantenha a mente ocupada e cultive a esperança.
3- Dor?
Ampare-se na oração e procure cuidar das raízes de seus incômodos.
4- Desânimo?
Repouse o necessário para que depois possa trabalhar um tanto mais.
5- Enfermidade?
Aceite-a sem queixas, estabelecendo com ela um clima pacífico.

6- Aflição?
Procure Deus na prece e suplique-Lhe, equilibradamente, o socorro de que precisa.
No reino da alma, semelhantes antídodos são forças revigorantes no resgate da própria paz.
São sementes que plantamos, cujo os frutos serão fontes de reabastecimento e estímulo para a caminhada diária.


O semeador semeia e a vida contribui com suas leis generosas devolvendo-lhe uma colheita justa e misericordiosa em favor da leira do progresso.
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                                                                              Ermance Dufaux




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Nossos filhinhos desencarnados


Nossos filhinhos desencarnados estão bem amparados . 
 
Não devemos supor
que tivessem partido antes da época própria .

Acima de nós está Deus, e o Pai sabe sempre o melhor.

Não nos inquietemos tanto assim. 
 
Lembremo-nos que eles voltaram para o verdadeiro lar, 
de onde foram concedidos às nossas experiências em família,
só por algum tempo. 
 
Aí no mundo, tudo se destina à transformação.

Pensemos nisso e estaremos restabelecidos, como se faz indispensável.

Tenhamos calma e procuremos fortalecer-nos em Deus que tudo pode.

Que Deus nos ajude a todos, são as rogativas de sempre.
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Margarida
Chico Xavier


A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS


Há os que tatuam cruzes no braço
Mas não conseguem tatuar
no coração.

Há os que colam o plástico de
Jesus no carro mas plastificam
seus corações.

Há os que leem bíblias em voz alta
mas a bondade do coração
está muda.

Há os que oram de joelhos
Mas o orgulho reina em pé em
seus corações.

Há os que frequentam templos
Mas não frequentam a prática
do amor.

Há os que louvam os anjos e
santos mas são surdos para
os seus conselhos.

Há os que professam lindas
doutrinas mas sequer as praticam
no próprio lar.

Há os que pregam a humildade
mas não se dobram diante do irmão
de outra ideologia.

Há irmãos que doam valores
materiais mas não doam a boa ação
que transportam.

No entanto,
Há irmãos que não doam nenhum
bem mas doam a si próprios.

Há irmãos que vivem no silêncio
Mas seus corações gritam amor.

Há irmãos que são discretos em
sua humildade mas são gigantes
fraternos.

Há irmãos sem cultura e ignorantes
Mas praticam a sabedoria da caridade

Há irmãos que nem conhecem
doutrinas religiosas mas já são sua
própria religião no dia a dia.

Há amores e paixões,
abrangências e limitações, vontade
e má fé, humildade e orgulho...

A cada um segundo suas obras.
Não importa o que a boca fala,
mas o que o coração pratica.
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Dalton
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Alma e Corpo

          
Disse a Alma, chorando, ao Corpo aflito:
_ Por que me prendes, triste barro escuro,
Se busco o Espaço imenso, se procuro
O império resplendente do infinito?

Por que me deste a dor por sambenito
No caminho terrestre áspero e duro?
Por que me algemas a sinistro muro,
O coração cansado, ermo e proscrito?

Mas o Corpo exclamou: _ Cala-te e ama!
Eu sou, na Terra, a cruz de cinza e lama
Que te serve de ninho, templo e grade...

Mas dos meus braços partirás, um dia,
Para a glória celeste da alegria,
Nos castelos de luz da eternidade!...
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Anthero de Quental


Fala Amparando

Quando estiveres a ponto de condenar alguém, lembra-te de ti mesmo.

Quantas vezes terás ferido, quando te propunhas auxiliar?

Muitos daqueles que povoam as penitenciárias, dariam a própria vida para que o tempo recuasse, propiciando-lhes ensejo de se fazerem vítimas ao invés de verdugos...

Prefeririam cegueira e mudez no instante de vazarem a acusação ou extrema paralisia na hora da violência.

E qual acontece aos irmãos segregados no cárcere, quantas criaturas carregam enfermidade e frustração nas grades mentais do arrependimento tardio?

Trajam-se em figurino recente e conservam a bolsa farta, mas, por dentro trazem desencanto e remorso por fogo e cinza no coração.

Supõem-se livres, no entanto, jazem presas, intimamente, na cela da angústia em que enjaularam a própria alma, por não haverem calado a frase cruel no momento oportuno...

Poderiam ter evitado o desastre moral que lhes dói na lembrança, contudo, por se acomodarem à impaciência, atearam o incêndio que resultou em loucura e destruição.

Não sirvas vinagre e fel à mesa da própria vida.

Onde surpreendas perturbação e sombra estende o socorro da paz e o benefício da luz.

Compadece-te dos ingratos e desertores, quanto te condóis dos que passam sob teus olhos, mutilados e infelizes.

Ninguém praticaria o mal se, antes, lhe conhecesse o fruto amargoso.

Compreendamos para que sejamos compreendidos.

Agora, talvez, poderás censurar os erros dos semelhantes.

Amanhã, porém, mendigarás o perdão dos outros pelos teus desatinos.

Entrega a aflição de cada dia ao silêncio de cada noite.

Lembra-te de que, por maiores tenham sido os desregramentos da Humanidade na Terra, o Céu nunca fez coleções de nuvens para amaldiçoar ou punir, mas sim, cada manhã, acende o brilho solar por mensagem bendita de tolerância e de amor, endereçando aos homens a esperança infatigável de Deus.

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Meimei
Chico Xavier




 



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Conhecermo-nos




Allan Kardec, nosso emérito codificador, perguntou aos espíritos:

 “Qual o meio mais prático eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida, e resistir ao arrebatamento do mal?”.

Os benfeitores da humanidade responderam:

— "Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo".

O caminho, portanto, para nossa harmonização é conhecermo-nos. A verdade é que somos ilustres desconhecidos de nós mesmos. Não fazemos ideia de quem somos e qual será nosso comportamento diante de determinada situação.

Pelo desconhecimento de nossos sentimentos, tomamos, algumas vezes, atitudes equivocadas que nos fazem sofrer muito. Não temos o costume de nos avaliar, de analisarmos profundamente nossa intimidade e nossos atos.

Um bom roteiro para uma auto-análise, seria tentarmos responder as seguintes indagações:



Afirmam nossos mentores espirituais, que reconhecer a própria situação interior, já é sinal favorável de adiantamento, visto que nos conduz ao aperfeiçoamento moral.

Estamos sempre num grande conflito moral diante do que somos e o que gostaríamos de ser. Se persistirmos, iremos notar que é difícil, mas não é impossível avançar muitos passos.

Quando entendermos que vitoriosos seremos não por vencermos nossos adversários e sim a nós mesmos, compreenderemos o estado de guerra intensivo a que se referiu Jesus quando disse: “Não penseis que vim trazer paz a terra, não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10:34)

A guerra deve ser contra nossos vícios e paixões, contra os velhos hábitos e sentimentos inferiores.
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SERGITO S. CAVALCANTI

Agastamento



Inquietas-te ante as perturbações que se generalizam.

Irritas-te diante de pessoas impertinentes ou acontecimentos desgastantes.

Afliges-te, considerando problemas que te chegam, solicitando serenidade.

Perturbas-te, quando não aceitam as tuas propostas, embora trabalhadas com boa intenção.

Desequilibras-te, quando os fatos não sucedem de acordo com os teus critérios.

Experimentas mal-estar, enfrentando situações imprevisíveis, desagradáveis.

Outras manifestações de distonia emocional se expressam amiúde, na tua luta cotidiana, ferindo-te os sentimentos e fazendo-te agasalhar desnecessários agastamentos.

O agastamento é um estado doentio que conduz à cólera, terminando por engendrar patologias de ódio, que produzem enfermidades de alto porte com perspectivas de difícil recuperação.

***

Cuida-te em preservar a tua paz íntima.

Não te deixes intoxicar pelos vapores mórbidos do melindre, que é o iniciador dos estados de perturbação.

Se te não sentes compreendido, mesmo que estejas com a razão, aproveita para ensinar, pelo exemplo, a tolerância e a fraternidade.

Se defrontas óbices e abismos morais ou físicos no teu pelejar, na busca do progresso, medita e valoriza a oportunidade, aceitando o desafio mediante cujo esforço adquirirás experiência e sabedoria para futuros cometimentos libertadores.

Se reina a má vontade em volta dos teus passos, seja este o teu momento de doar simpatia e estabelecer linhas de bondade.

Se ocorrem insucessos nos teus tentames de realização, não te arrebentes sob a virose da cólera; antes repete o expediente aprimorado pela lição que não pôde resultar positiva.

Sempre poderá resguardar-te do agastamento, que ceifa ideais, desarmoniza corações e mentes que abraçam os nobres serviços da humanidade.

Agasta-se o homem na família, por motivos nenhuns; no trabalho, vitimado pela insatisfação; na rua, em face da perturbação geral; no momento do recreio, que não logra fruir até a exaustão, e, lentamente, faz-se pessimista, irritadiço, aprimorando uma óptica negativa, mediante a qual tudo vê sob as torpes angulações do próprio desequilíbrio.

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Podes superar essas injunções propiciadoras do agastamento.

Exercita-te na bondade e cultiva a esperança no convívio fraternal, dando mais do que recebendo.

Com essa atitude positiva ante a vida, estarás realizando uma contínua psicoterapia preventiva que te imunizará contra muitos males de ordem íntima, geradores de tormentos e enfermidades ainda não diagnosticadas.

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Jesus, que nunca se agastava, até hoje nos espera paciente e confiante, propiciando-nos as experiências da luta, mediante as quais nos identificaremos com Ele em clima de amor para com todas as criaturas e de paz para com nós mesmos.
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Joanna de Ângelis