quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Cânticos de Louvor


Quando a vida começava no mundo, os pássaros sofriam bastante.

Pousavam nas árvores e sabiam voar, mas como haviam de criar os filhotinhos? Isso era muito difícil.

Obrigados a deixar os ovos no chão, viam-se, quase sempre, perseguidos e humilhados.

A chuva resfriava-os e os grandes animais, pisando neles, quebravam-nos sem compaixão.

E as cobras? Essas rastejavam no solo, procurando-os para devorá-los, na presença dos próprios pais, aterrados e trêmulos.

Conta-se que, por isso, as aves se reuniram e rogaram ao Pai Celestial lhes desse o socorro necessário.

Deus ouviu-as e enviou-lhes um anjo que passou a orientá-las na construção do ninho.

Os pássaros não dispunham de mãos; entretanto, o mensageiro inspirou-os a usar os biquinhos e, mostrando-lhes os braços amigos das árvores, ensinou-os a transportar pequeninas migalhas da floresta, ajudando-os a tecer os ninhos no alto.

Os filhotinhos começaram a nascer sem aborrecimentos, e, quando as tempestades apareceram, houve segurança geral.

Reconhecendo que o Pai Celeste havia respondido às suas orações, as aves combinaram entre si cantar todos os dias, em louvor do Santo Nome de Deus.

Por essa razão, há passarinhos que se fazem ouvir pela manhã, outros durante o dia e outros, ainda, no transcurso da noite.

Quando encontrarmos uma ave cantando, lembremo-nos, pois, de que do seu coraçãozinho, coberto de penas, está saindo o eterno agradecimento que Deus está ouvindo nos céus.

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  Meimei
  Chico Xavier




terça-feira, 3 de novembro de 2015

A GRANDE INCOERÊNCIA


Quando o Mestre veio ao mundo, deixou-nos a mensagem e o exemplo de paz, amor e trabalho.

E os homens... passando ao largo, guerrearam, semearam a discórdia e a incompreensão.

Ao invés do amor, fizeram uso do ódio, acumulando rancores, semeando a desordem mental, o desequilíbrio.

Ao invés do trabalho que reergue, edifica e constrói, fizeram os irmãos de escravos ou se fizeram escravos do prazer e da luxúria.

E as bestas foram soltas; as feras atacaram os desprevenidos e os pseudopreocupados. O circo pegou fogo.

Os atropelos continuaram e estamos no mesmo barco.

Barco de náufragos, onde poucos sobrevivem ou sobreviverão.

E a mensagem transmitida há dois mil anos serviu para poucos.

Poucos a assimilaram, poucos a compreenderam e poucos a executaram.

O Senhor chegou e encontrou os servos despreparados...
E dois mil anos se passaram...
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Acervo Espiritual do CEFAK, em 20/06/1980





domingo, 1 de novembro de 2015

O ANJO SILENCIOSO



No cimo da cruz, reconhecia o Senhor que, em verdade, no mundo, não havia
lugar para Ele...

Sem asilo para nascer, fora constrangido a valer-se do ninho dos animais e, sem
pouso para morrer, içavam-no ao lenho dos malfeitores.
 
Agora, porém, que se isolara mentalmente na gritaria em torno, espraiava-se-lhe
a visão...

Fitava, em espírito, os grandes palácios da Terra, ocupados pelos poderosos que
se vestiam de púrpura e ouro, cercados de mulheres escravas e servos infelizes, e notou
que dominavam os quatro cantos do globo, prestigiando os verdugos do sangue humano
e os falsos profetas que lhes entorpeciam as consciências...

Mas, entre os altos muros que os apartavam, viu também o Senhor os que 
viviam desajustados quanto Ele mesmo...

Assinalou os mártires da justiça, encarcerados nas prisões; as vítimas da
calúnia, açoitadas em praça publica; os heróis da fraternidade, em postes de martírio; os
lidadores do bem, cedidos em pasto às feras; os amigos da educação popular, sob o
cutelo de carrascos inconscientes; os perseguidos, condenados a ferros em regiões
inóspitas; as mães desamparadas, cujo pranto caía como orvalho de fel sobre a terra
seca; os velhos sem esperança; os caravaneiros da nudez e da fome; os doentes sem
leito e as crianças sem lar...

Entre os homens igualmente não havia lugar para eles.

Como outrora, à frente de Lázaro morto, Jesus chorou...

Chorou e suplicou a Deus a vinda de alguém que o representasse ao pé dos
aflitos... Alguém que lenisse chagas sem recompensa, que enxugasse lágrimas sem
queixa e servisse sem perguntar...

E o Pai Misericordioso enviou-lhe toda uma coorte de anjos que o louvavam,
felizes, transformando o madeiro numa apoteose de luz, com exceção de um deles que,
ao invés de adorá-lo, procurou-lhe respeitoso, os lábios trementes, como quem lhe
buscava as derradeiras ordenações.

Não percebeu a multidão desvairada o que se passou entre o Cristo agonizante
e o mensageiro sublime; no entanto, de imediato, o nume celeste, sereno e compassivo,
desceu do monte para os vales humanos, nos quais, desde então, até hoje, converte o
ódio em amor, a expiação em ensinamento, a dor em alegria, o desespero em consolo e o
gemido em oração...

Esse anjo silencioso é o Anjo da Caridade.


Por isso, toda vez que lhe ouvis a inspiração divina, abraçando os sofredores ou
amparando os necessitados, ainda mesmo através da mais leve migalha de pão ou de
entendimento, é a Jesus que o fazeis.

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Euripedes Barsanulfo
Chico  Xavier
 



 

sábado, 31 de outubro de 2015

JESUS E FAMÍLIA



Faz-se urgente o retorno de Jesus à família .

Somente a Sua presença no lar pode oferecer segurança e equilíbrio para todos quantos se encontram a mercê dos instrumentos de comunicação, preocupados com o consumidor e desinteressados totalmente da criatura .

Humanizar esses veículos, estabelecer programas de educação, de valorização humana, ao invés da exaltação das aberrações , é dever de todos aqueles que já travaram contato com o Evangelho.

Iniciando-se na intimidade da família, pelo menos uma vez por semana, em encontro fraternal com todos os seus membros, no qual sejam debatidos os problemas existentes e apresentadas as soluções que já estão delineadas na lei de amor, a reunião terá por finalidade essencial construir a paz no íntimo de cada um, para que se volte a experimentar a alegria pelas coisas simples e edificantes, sem as convulsões e apelos dos instintos primitivos .

A análise da palavra de Jesus em reunião familiar, ao invés de se manifestar como uma questão religiosa, repetitiva e automática, deve ser rica de encantamento, de fraternidade, em debate franco, filosófico e de renovação social, de maneira que expresse um cometimento para desenvolver o pensamento, a capacidade de entender a vida e a permuta de ideias .

Quando Jesus se adentra no lar, a família se reconstrói e os seus membros descobrem objetivos da consaguinidade, estabelecendo metas de dignificação, que são alcançadas a pouco e pouco .

Ninguém foge de si mesmo. As espetaculares buscas do grosseiro, de forma alguma anulam a presença de Deus na consciência que, adormecida temporariamente, despertará em momento próprio gerando aflições sem nome .

Desse modo, torna-se urgente a necessidade de introduzir Jesus como membro da família, participando da convivência doméstica e tornando-se um ser sempre presente em todos os momentos .

De princípio, uma vez por semana a sua sábia convivência mimetizará a todos, dulcificando os sentimentos e os trabalhando, de forma que a paz e a plenitude se farão naturais no íntimo de todos.

Não postergues o encontro de tua família com Jesus. Faze-o quanto antes, porque mais tarde, provavelmente será tarde demais .

De começo, apresenta-O àqueles a quem amas, de forma sutil, agradável, convidando-os à reflexão, e lentamente deixa-O tomar conta dos corações, verificando que somente através da Sua proposta a vida no lar se pode tornar realmente feliz .

Nunca te arrependerás por trazê-Lo ao convívio familiar . O oposto, porém, será diferente, e quando o lamentares, somente padecerás desnecessários remorsos .

Jesus é Vida, e Vida em abundância !

Tua família é tua vida, sem dúvida. Por isso mesmo, aproxima-se de Jesus e faculta-lhe haurir a Sua sabedoria e a Sua paz .
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JOANNA DE ÂNGELIS


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tribulações?



Tribulações?

Não te prendas indefinidamente às teias afogueadas com que as tribulações da experiência humana te possam, talvez, barrar os passos;

se decorrem de conflitos em família, desaparecerão com o tempo;

se estão configuradas em prejuízos de ordem material, o trabalho te recomporá o equilíbrio econômico;

se vieram de provas, com as quais não contavas, lembra-te de que serão irresistivelmente dissipadas, na pressa das horas;

se resultam das incompreensões de certos amigos, console-te a certeza de que semelhantes incompreensões não partem de ti;

e se procedem de sofrimento demorado, recebe-as com paciência, trabalhando e servindo sempre, nas atividades em benefício do próximo, porque, a fim de te abençoar e auxiliar, a Providência Divina, com mais facilidade, te encontrará o endereço.
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Emmanuel
Chico Xavier