quarta-feira, 7 de março de 2018

Perdoados, mas não limpos



Em nossas faltas, na maioria das vezes, somos imediatamente perdoados, mas não limpos.  

Fomos perdoados pelo fel da maledicência, mas a sombra que tencionávamos esparzir, na estrada alheia, permanece dentro de nós por agoniado constrangimento. 

Fomos perdoados pela brasa da calúnia, mas o fogo que arremessamos à cabeça do próximo passa a incendiar-nos o coração. 

Fomos perdoados pelo corte da ofensa, mas a perda atirada aos irmãos do caminho volta incontinenti, a lanhar-nos o próprio ser. 

Fomos perdoados pela manifestação de fraqueza, mas o desastre que provocamos é dor moral que nos segue os dias. 

Fomos perdoados por todos aqueles a quem ferimos, no delírio da violência mas, onde estivermos, é preciso extinguir os monstros do remorso que os nossos pensamentos articulam, desarvorados. 

Chaga que abrimos na alma de alguém pode ser luz e renovação nesse mesmo alguém, mas será sempre chaga de aflição a pesar-nos na vida. 

Injúria aos semelhantes é azorrague mental que nos chicoteia. 

A serpente leva consigo a peçonha que veicula. 

O escorpião carrega em si próprio a carga venenosa que ele mesmo segrega. 

Ridicularizados, atacados, perseguidos ou dilacerados, evitemos o mal, mesmo quando o mal assuma a feição de dessa, porque todo mal que fizermos aos outros é mal a nós mesmos. 

Quase sempre aqueles que passaram pelos golpes de nossa irreflexão já nos perdoaram incondicionalmente, fulgindo nos planos superiores; no entanto, pela lei de correspondência, ruminamos, por tempo indeterminado, os quadros sinistros que nós mesmos criamos. 

Cada consciência vive e envolve entre os seus próprios reflexos. 

É por isso que Allan Kardec afirmou, convincente, que, depois da morte, até que se redima no campo individual, “para o criminoso a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é suplício cruel”. 
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Emmanuel 
Chico Xavier  
Obra: Justiça Divina 



MENSAGEM DO ESE:
A realeza de Jesus


Que não é deste mundo o reino de Jesus todos compreendem, mas, também na Terra não terá ele uma realeza? Nem sempre o título de rei implica o exercício do poder temporal. 

Dá-se esse título, por unânime consenso, a todo aquele que, pelo seu gênio, ascende à primeira plana numa ordem de idéias quaisquer, a todo aquele que domina o seu século e influi sobre o progresso da Humanidade. É nesse sentido que se costuma dizer: o rei ou príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, oriunda do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não revela, muitas vezes, preponderância bem maior do que a que cinge a coroa real? Imperecível é a primeira, enquanto esta outra é joguete das vicissitudes; as gerações que se sucedem à primeira sempre a bendizem, ao passo que, por vezes, amaldiçoam a outra. Esta, a terrestre, acaba com a vida; a realeza moral se prolonga e mantém o seu poder, governa, sobretudo, após a morte. Sob esse aspecto não é Jesus mais poderoso rei do que os potentados da Terra? Razão, pois, lhe assistia para dizer a Pilatos, conforme disse:
“Sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.”

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. II, item 4.)




segunda-feira, 5 de março de 2018

A DOR DA PARTIDA


Se você se encontra triste pela perda de uma pessoa querida, procure não deixar que a saudade se converta em desespero.

Na verdade, você não perdeu ninguém, pois a morte é simples mudança de domicílio. Jesus esclareceu que havia muitas moradas na casa de nosso Pai. Isso quer dizer que nossos entes amados apenas partiram para essas outras paragens espirituais, onde continuam vivos pensando em nós, vibrando por nós e amando-nos com a mesma intensidade de outrora.

Por força dos sentimentos existentes entre você e o ser amado que partiu, laços espirituais se formaram ao longo do tempo e a morte não é capaz de destruí-los. Essa ligação permitirá que o ente querido sinta a nossa saudade, o nosso amor, o nosso carinho, como também possibilitará que ele perceba o nosso desespero e revolta, causando-lhe inquietação e amargura.

Quem ama deseja ver o ser amado alegre e feliz.

Não vá logo doando ou vendendo objetos pessoais do recém-falecido. Espere por alguns meses. Na verdade, a desencarnação é um processo lento, e o espírito, logo após a morte, ainda conserva, em maior ou menor grau, certo nível de apego a tudo aquilo que lhe disse respeito na experiência terrena.

A saudade é natural, humana, por isso nem tente combatê-la. Mas evite a revolta, pois isso dificultará não apena a adaptação da pessoa querida à sua nova condição de espírito liberto do corpo, como também as tarefas que agora ela será chamada a realizar no mundo espiritual.

Onde quer que se encontre, o progresso está sempre chamando o espírito a novos aprendizados. Não pense que os chamados "mortos" vivem desocupados. Tão logo se sintam adaptados à nova condição, os espíritos estão ávidos por estudo e trabalho, pois reconhecem que a vida palpita grandiosa em todas as dimensões.

Procure não atrapalhar o progresso da alma que voltou ao mundo espiritual com apelos dramáticos e intempestivos. Pelos fios do pensamento, enderece-lhe palavras de encorajamento e paz, a fim de que também você possa cumprir com os objetivos para os quais ainda está nas dimensões da matéria.

Não queira antecipar sua volta às dimensões do mundo espiritual para ficar ao lado do ser amado, pois qualquer precipitação de sua parte, consciente ou inconscientemente, somente retardará esse provável reencontro.

Ajudará muito se você não tratar o ente amigo como alguém que morreu e desapareceu para sempre. Isso é insuportável. Considere que ele apenas viajou mais cedo para um país distante em tarefas de engrandecimento e felicidade, e que um dia você também viajará para o grande reencontro nas dimensões do infinito.
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JOSÉ CARLOS DE LUCCA  



MENSAGEM DO ESE :
Advento do Espírito de Verdade (IV)


Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece continua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o espírito. — O Espírito de Verdade. (Havre, 1863.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 8.)

domingo, 4 de março de 2018

Diante de tudo



Diante de tudo, estabelece Jesus para nós todos uma conduta básica, de que todas as providências exatas se derivam para a solução dos problemas no caminho da vida. 

Sombra – Caridade da luz.
Ignorância – Caridade do ensino.
Penúria – Caridade do socorro.
Doença – Caridade do remédio.
Injúria – Caridade do silêncio.
Tristeza – Caridade do consolo.
Azedume – Caridade do sorriso.
Cólera – Caridade da brandura.
Ofensa – Caridade da tolerância.
Insulto – Caridade da prece.
Desequilíbrio – Caridade do reajuste.
Ingratidão – Caridade do esquecimento. 

Diante de cada criatura, exerçamos a caridade do serviço e da bênção.
Todos somos viajores na direção da Vida Maior.
Doemos amor a Deus, na pessoa do próximo, e Deus, através do próximo, dar-nos-á mais amor. 
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Bezerra de Menezes 
Chico Xavier 
Obra: Caminho espírita 


MENSAGEM DO ESE:
Não vades ter com os gentios


Jesus enviou seus doze apóstolos, depois de lhes haver dado as instruções seguintes: Não procureis os gentios e não entreis nas cidades dos samaritanos. — Ide, antes, em busca das ovelhas perdidas da casa de Israel; — e, nos lugares onde fordes, pregai, dizendo que o reino dos céus está próximo. (S. MATEUS, cap. X, vv. 5 a 7.)

Em muitas circunstâncias, prova Jesus que suas vistas não se circunscrevem ao povo judeu, mas que abrangem a Humanidade toda. Se, portanto, diz a seus apóstolos que não vão ter com os pagãos, não é que desdenhe da conversão deles, o que nada teria de caridoso; é que os judeus, que já acreditavam no Deus uno e esperavam o Messias, estavam preparados, pela lei de Moisés e pelos profetas, a lhes acolherem a palavra. Com os pagãos, onde até mesmo a base faltava, estava tudo por fazer e os apóstolos não se achavam ainda bastante esclarecidos para tão pesada tarefa. Foi por isso que lhes disse: “Ide em busca das ovelhas transviadas de Israel”, isto é, ide semear em terreno já arroteado. Sabia que a conversão dos gentios se daria a seu tempo. Mais tarde, com efeito, os apóstolos foram plantar a cruz no centro mesmo do Paganismo.

Essas palavras podem também aplicar-se aos adeptos e aos disseminados do Espiritismo. Os incrédulos sistemáticos, os zombadores obstinados, os adversários interessados são para eles o que eram os gentios para os apóstolos. Que, pois, a exemplo destes, procurem, primeiramente, fazer prosélitos entre os de boa vontade, entre os que desejam luz, nos quais um gérmen fecundo se encontra e cujo número é grande, sem perderem tempo com os que não querem ver, nem ouvir e tanto mais resistem, por orgulho, quanto maior for a importância que se pareça ligar à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claro, do que a um só que se compraza na treva, porque, assim procedendo, em maior proporção se aumentará o número dos sustentadores da causa. Deixar tranqüilos os outros não é dar mostra de indiferença, mas de boa política. Chegar-lhes-á a vez, quando estiverem dominados pela opinião geral e ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu derredor. Aí, julgarão que aceitam voluntariamente, por impulso próprio, a idéia, e não por pressão de outrem. Depois, há idéias que são como as sementes: não podem germinar fora da estação apropriada, nem em terreno que não tenha sido de antemão preparado, pelo que melhor é se espere o tempo propício e se cultivem primeiro as que germinem, para não acontecer que abortem as outras, em virtude de um cultivo demasiado intenso. 

Na época de Jesus e em conseqüência das idéias acanhadas e materiais então em curso, tudo se circunscrevia e localizava. A casa de Israel era um pequeno povo; os gentios eram outros pequenos povos circunvizinhos. Hoje, as idéias se universalizam e espiritualizam. A luz nova não constitui privilégio de nenhuma nação; para ela não existem barreiras, tem o seu foco em toda a parte e todos os homens são irmãos. Mas, também, os gentios já não são um povo, são apenas uma opinião com que se topa em toda parte e da qual a verdade triunfa pouco a pouco, como do Paganismo triunfou o Cristianismo. Já não são combatidos com armas de guerra, mas com a força da idéia.

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 (Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, itens 8 a 10.)


sábado, 3 de março de 2018

Nosso dever



Por mais humilde, quando confrontando com as atividades que nos pareçam superiores, amemos o dever que a vida nos reservou. 

No Plano do Universo, todo encargo é digno de apreço. 

O firmamento agasalha o mundo sob imensa abóbada de estrelas; no entanto, não desempenha as atribuições do telhado doméstico. 

O Sol é um espetáculo permanente de luz, mas não realiza o serviço da lâmpada. 

O grande rio é um gigante de água movente; contudo, não executa em casa a função da bica. 

O celeiro guarda os ingredientes do pão, mas não consegue amassa-lo. 

O transatlântico transporta o salva-vidas, sem tomar-lhe a prerrogativa. 

Cultivemos o nosso dever por mandato da Providência Divina. 

O esforço anônimo do verme, na fecundação da terra, jaz revestido de extrema significação para ela e para ele. 

Assim também, a nossa  tarefa particular pode não aparecer aos olhos dos outros, no desdobramento da vida, entretanto, ela é sumamente importante para a vida e para nós.
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Albino Teixeira 
Chico Xavier
Obra: Caminho espírita 


MENSAGEM DO ESE:
A melancolia


Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? É que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes. 

Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantêm cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. 

Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra. — François de Genève. (Bordéus.)

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 (Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 25.)