quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Eles não precisam de passe, precisam de "pá"



Certa vez, Chico Xavier chegou ao Centro Espírita e viu uma multidão na porta. Ele perguntou:
- O que estas pessoas querem?
- Eles vieram buscar passe. - respondeu um trabalhador da casa.
Chico respondeu:
- Eles não precisam de passe, precisam de "pá".

Os ensinamentos de Jesus pedem "pá", ou seja, trabalho no campo do espírito: sacrifício, renúncia, esforço, força de vontade, transformação moral, atitude, etc.

Precisamos aprender a não olhar para Deus e Jesus somente com interesse de pedir-lhes algo. Deveríamos nos desvincular da ideia de que frequentando uma casa religiosa e realizando rituais, dogmas, rezas e pagando o dízimo já estamos agradando Deus. 

Por pensar assim, séculos de evolução foram perdidos. Pois, dentro da casa religiosa muitos seguem as exigências dos religiosos e fora dela transgridem as leis de Deus por acharem que já cumpriram sua obrigação dentro dela. 

Se cada vez que saíssemos de uma casa religiosa nos comprometêssemos, com nós mesmos, a praticar uma boa ação naquela semana, em nosso favor e/ou a favor do próximo, já estaríamos entendendo o propósito da vinda do Cristo à Terra. Em nosso favor é deixar de reclamar, cultivar bons pensamentos, boas palavras, boas atitudes, deixar de fazer comentários maldosos e humilhantes de alguém, é perdoar ou relevar uma ofensa, é diminuir, de preferência, eliminar o cigarro, a bebida alcoólica, é cuidar do corpo físico, é alimentar o espírito com boa leitura, bons programas de TV, boa música, etc. E em favor do próximo significa fazer o bem a alguém, se não for com nosso dinheiro que seja com nosso carinho, respeito, educação, visita, uma palavra de consolo, etc.. 

Mas, infelizmente, muitas pessoas só buscam o centro espírita para solucionar problemas, para pedir algo, sendo que o Espiritismo explica a causa dos problemas, a necessidade da transformação moral, da prática da caridade com o próximo e com nós mesmos, etc. Querem atacar os efeitos de suas dores e aflições ao invés de atacarem as causas.

É preciso agir na prevenção. Enfim, busquemos Jesus para aprender seus ensinamentos para colocá-los em prática onde estivermos. Porque Ele deixou bem claro que: “a fé sem obras é morta”, ou seja, acreditar Nele e não fazer o que Ele pediu é inútil. Fé é crer que Jesus pode e quer nos transformar em pessoas melhores. Mas para isso, precisamos estar dispostos a querer nos modificar. Ele nos estende a mão todos os dias, e nós estamos desviando de estender a nossa para Ele. 

Então perguntemos: "Como é a nossa fé?" "Com ou sem obras?" Pensemos nisso!
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Rudymara
Grupo de Estudo "Allan Kardec" 
https://mobile.mensagemespirita.com.br/chico-xavier/ad/eles-nao-precisam-de-passe-precisam-de-pa-chico-xavier 





MENSAGEM DO ESE: 
Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. 

 — São Luís. (Paris, 1860.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.)



terça-feira, 31 de julho de 2018

RENÚNCIA DIFÍCIL


A renúncia ao tempo de uso pessoal, em favor de alguém ou de uma causa de natureza nobre, é uma das virtudes mais difíceis de serem postas em prática pelo homem comum.


Em outras palavras, a ambição com os ponteiros do relógio é a ambição de crescente ganho material, ao qual, efetivamente, poucos são os que conseguem renunciar.


Muitos, talvez, venham a ceder aos necessitados pequena parcela de seus lucros cotidianos ou mesmo emprestar a sua esporádica colaboração a esta ou àquela iniciativa em favor da comunidade, mas servir, com regularidade, no voluntariado do Bem, abrindo mão de certa cota de tempo, do tempo de que disponha, nos sete dias da semana, não é para qualquer um.


Sacrificar-se, por exemplo, um dia por mês, a fim de velar rente à cabeceira de um enfermo querido ou de anônimo companheiro internado em hospital público é ato de solidariedade que, na grande maioria das vezes, quase ninguém chega a levar em consideração.


No vasto campo da Caridade, o que se pode fazer, pagando a outros para que façam, embora seja atitude que envolva certo nível de desprendimento, não possui a mesma qualidade daquilo que se deve fazer, fazendo por si mesmo.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Amai-vos uns aos outros")




MENSAGEM DO ESE:
O orgulho e a humildade (II)

Ó rico! Enquanto dormes sob dourados tetos, ao abrigo do frio, ignoras que jazem sobre a palha milhares de irmãos teus, que valem tanto quanto tu? Não é teu igual o infeliz que passa fome? Ao ouvires isso, bem o sei, revolta-se o teu orgulho. Concordarás em dar-lhe uma esmola, mas em lhe apertar fraternalmente a mão, nunca. “Pois quê! dirás, eu, de sangue nobre, grande da Terra, igual a este miserável coberto de andrajos! Vã utopia de pseudofilósofos! Se fôssemos iguais, por que o teria Deus colocado tão baixo e a mim tão alto?” É exato que as vossas vestes não se assemelham; mas, despi-vos ambos: que diferença haverá entre vós? A nobreza do sangue, dirás; a química, porém, ainda nenhuma diferença descobriu entre o sangue de um grão-senhor e o de um plebeu; entre o do senhor e o do escravo. Quem te garante que também tu já não tenhas sido miserável e desgraçado como ele? Que também não hajas pedido esmola? Que não a pedirás um dia a esse mesmo a quem hoje desprezas? São eternas as riquezas? Não desaparecem quando se extingue o corpo, envoltório perecível do teu Espírito? Ah! lança sobre ti um pouco de humildade! Põe os olhos, afinal, na realidade das coisas deste mundo, sobre o que dá lugar ao engrandecimento e ao rebaixamento no outro; lembra-te de que a morte não te poupará, como a nenhum homem; que os teus títulos não te preservarão do seu golpe; que ela te poderá ferir amanhã, hoje, a qualquer hora. Se te enterras no teu orgulho, oh! quanto então te lamento, pois bem digno de compaixão serás.

Orgulhosos! Que éreis antes de serdes nobres e poderosos? Talvez estivésseis abaixo do último dos vossos criados. Curvai, portanto, as vossas frontes altaneiras, que Deus pode fazer se abaixem, justo no momento em que mais as elevardes. Na balança divina, são iguais todos os homens; só as virtudes os distinguem aos olhos de Deus. São da mesma essência todos os Espíritos e formados de igual massa todos os corpos. Em nada os modificam os vossos títulos e os vossos nomes. Eles permanecerão no túmulo e de modo nenhum contribuirão para que gozeis da ventura dos eleitos. Estes, na caridade e na humildade é que tem seus títulos de nobreza.

 – Lacordaire. (Constantina, 1863.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, item 11.)

domingo, 29 de julho de 2018

QUANDO TODAS AS ESTAÇÕES ESTIVEREM COMPLETAS



Um homem tinha quatro filhos. Ele queria que eles aprendessem a não julgar a vida, as pessoas e as coisas de modo apressado.

Por isso, mandou cada um viajar para observar uma pereira, que estava plantada em um local distante.

O primeiro filho foi no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verão e o quarto e mais jovem, no outono.

Quando eles retornaram, o pai os reuniu e pediu que cada um descrevesse o que tinha visto.

O primeiro filho disse que a árvore era feia, torta e retorcida.

O segundo disse que ela era coberta de botões verdes e cheia de promessas.

O terceiro discordou dos dois. Disse que ela estava coberta de flores, que tinham um odor tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que era a coisa mais graciosa que havia visto.

Por fim, o último filho não concordou com os irmãos. Ele disse que a árvore estava carregada e arqueada, cheia de frutas, vida e promessas.

O pai, então, explicou que todos estavam certos, porque cada um tinha visto apenas uma estação da vida da árvore.

Falou que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, ou qualquer coisa, por apenas uma estação.

Disse que a essência de uma pessoa, e o prazer, a alegria e o amor que vêm daquela vida, podem apenas ser medidos no final, quando todas as estações estiverem completas.

Se desistirmos quando for inverno, perderemos a promessa da primavera, a beleza do verão e a expectativa do outono.

Podemos estar vivendo um inverno intenso neste instante. Parece não haver previsão de término. Por vivê-lo por tão longo tempo, quem sabe tenhamos esquecido de como é uma outra estação diferente dessa.

Importante, no entanto, lembrar que se trata de uma estação.

Não julguemos a vida ou a nós mesmos apenas por esse instante mais gelado e difícil. Lembremos que o inverno nos faz mais fortes, mais resistentes. A estação do frio é convite ao recolhimento e à reflexão.

A primavera parece distante ou mesmo improvável, mas ela é lei da natureza. Virá de qualquer forma.

Por isso, não desistamos de nós, não desistamos de prosseguir, olhando apenas a chuva fria e o dia cinza. Estamos vendo apenas parte e não o todo.

Mais tarde, quando todas as estações estiverem completas, perceberemos o quão importantes foram aqueles dias congelantes e o quão foram prazerosos os primeiros instantes da primavera que os seguiu.

Vivemos no mundo das estações e dos ciclos. Os invernos ainda vão e voltam, assim com os dias quentes de verão.

Saibamos viver as estações com maturidade, extraindo de cada uma seu valor, suas lições e suas belezas.

Haverá dia em que iremos encontrar beleza até na mais vigorosa estação invernal, pois enxergaremos além das temperaturas baixas e dos incômodos que ela traz.

Encontraremos a vida a pulsar debaixo da neve, debaixo da dor, debaixo das expiações que nos libertam das amarras da consciência culpada.

Não permitamos, assim, que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras. Não julguemos a vida apenas por uma estação difícil.
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Redação do Momento Espírita


MENSAGEM DO ESE:
Não são os que gozam saúde que precisam de médico

Estando Jesus à mesa em casa desse homem (Mateus), vieram aí ter muitos publicanos e gente de má vida, que se puseram à mesa com Jesus e seus discípulos; — o que fez que os fariseus, notando-o, disseram aos discípulos: Como é que o vosso Mestre come com publicanos e pessoas de má vida? — Tendo-os ouvido, disse-lhes Jesus: Não são os que gozam saúde que precisam de médico. 
(S. MATEUS, cap. IX, vv. 10 a 12.)

Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa fé, porque pedem se lhes dê a vista, e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar. (Veja-se: “Introdução”, artigo: Publicanos, Portageiros.) 

Essas palavras, como tantas outras, encontram no Espiritismo a aplicação que lhes cabe. Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade devera ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.
Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. Deus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o que delas abusa. 

Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos, ouvido com seus próprios ouvidos, e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram. 

A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, itens 11 e 12.)

sábado, 28 de julho de 2018

NA HORA DA DOR



Quando os ventos das dificuldades soprarem mais fortes, permaneça firme no chão da esperança.

O desespero é porta aberta a maiores tempestades.

Não sofremos tanto pelos problemas que nos atingem, mas sim pela inconformação diante deles.

Nas inevitáveis tempestades que atingem indistintamente a todos, aprendamos quanto antes a praticar a resignação, pois sem ela haveremos de cair no abismo de desequilíbrio emocionais de difícil tratamento.

A irresignação dificulta qualquer ensejo de ajuda espiritual. Suporte a dor do momento, ela é passageira e portadora de luz para o seu amanhã desde que você esteja disposto a aprender com as pedras do caminho.

Sem a plena aceitação da realidade, você jamais mudará coisa alguma em sua vida. Aprenda a lidar com as dificuldades em vez de ficar brigando com elas. Encontre soluções para os problemas e não discursos filosóficos de que a vida deveria ser diferente do que tem sido.

Se você quer uma vida diferente, comece agora mesmo a fazer coisas diferentes do que tem feito. O homem não é apenas o que pensa, mas sobretudo o que faz.

Deus, que nos ama, sempre está fazendo o melhor por nós, ainda que nossa visão não consiga enxergar isso à primeira vista.

Ore com mais confiança e intensidade; a prece é um poderoso guarda-chuva espiritual. Você por certo não deixará de se molhar com a chuva das dificuldades, mas com certeza jamais naufragará diante das lições inevitáveis de progresso que a vida lhe apresentou.

Creia, sem hesitar, que, fazendo o melhor ao seu alcance, Deus também fará o melhor por você. Se as coisas caminham mal, entre logo na sintonia do bem.

A oração e o trabalho, sobretudo o trabalho voluntário em favor do próximo, são os mais eficientes recursos para nos tirarem de qualquer crise. Seja qual for o problema que o aflige, lembre-se de que Deus permanece com você, sustentando-o no momento, mas é imperioso que você também se entregue confiante aos processos de renovação espiritual que os obstáculos convidam a todos incessantemente.
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José C. De Lucca



MENSAGEM DO ESE: 
Observai os pássaros do céu

Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; — acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; — porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração. 

Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?

Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? — e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura? 

Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; — entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. — Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé! 

Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? — como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.

Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. — Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (S. MATEUS, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.)

Interpretadas à letra, essas palavras seriam a negação de toda previdência, de todo trabalho e, conseguintemente, de todo progresso. Com semelhante princípio, o homem limitar-se-ia a esperar passivamente. Suas forças físicas e intelectuais conservar-se-iam inativas. Se tal fora a sua condição normal na Terra, jamais houvera ele saído do estado primitivo e, se dessa condição fizesse ele a sua lei para a atualidade, só lhe caberia viver sem fazer coisa alguma. Não pode ter sido esse o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse de outras vezes, com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los.

Não se deve, portanto, ver, nessas palavras, mais do que uma poética alegoria da Providência, que nunca deixa ao abandono os que nela confiam, querendo, todavia, que esses, por seu lado, trabalhem. Se ela nem sempre acode com um auxílio material, inspira as idéias com que se encontram os meios de sair da dificuldade. 

Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário. O homem, porém, insaciável nos seus desejos, nem sempre sabe contentar-se com o que tem: o necessário não lhe basta; reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Freqüentemente, ele se torna infeliz por culpa sua e por haver desatendido à voz que por intermédio da consciência o advertia. Nesses casos, Deus fá-lo sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro.

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 6 e 7.)



quinta-feira, 26 de julho de 2018

RECONCILIAÇÃO



Você jamais encontrará paz em sua vida se não souber perdoar a si mesmo.

Desça do pedestal do orgulho e reconheça que você ainda é um espírito em aprendizado e, portanto, sujeito a erros e acertos.

A culpa só serve como sinal de alarme para identificar que nos equivocamos em algum ponto do caminho.

Reconheça o erro, aprenda com ele, repare algum prejuízo causado e modifique prontamente suas atitudes.

A vida não deseja que você sofra com suas quedas, apenas que você aprenda onde e porquê caiu.

Mas se você quiser aliviar a consciência de culpa por meio do sofrimento, esteja certo de que acidentes e doenças surgirão em seu caminho, não porque Deus assim deseja, mas porque você ainda prefere a dor em prejuízo do aprendizado e da responsabilidade.

Lembre-se de que é o amor que cobre a multidão dos pecados.

Se o seu erro prejudicou alguém, procure repará-lo quanto antes, pois esteja certo de que, cedo ou tarde, haveremos de ser chamados a equilibrar o que outrora desequilibramos como nossos atos, pensamentos e palavras.

Se não for mais possível fazê-lo com a pessoa a quem prejudicamos, promovamos o bem a quem quer que seja pois o bem que espalharmos será nosso advogado em qualquer parte.

A caridade espontânea é uma das melhores terapias para dissolver nossa consciência de culpa sem a necessidade do bisturi do sofrimento. Um prato de comida sacia não apenas a fome do mendigo, mas também a nossa fome de paz interior.

Mas se formos analisar com toda a sinceridade, reconhecendo que somos seres ainda imperfeitos, verificaremos que, com grande probabilidade, já trazemos de existências anteriores culpas que ainda não foram sanadas e que se disfarçam em depressões, pânicos, obsessões e desarmonias várias, a nos recomendarem o autoperdão e a vivência da caridade quase que a todo instante.
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José C.De Lucca 



MENSAGEM DO ESE: 
A realeza de Jesus

Que não é deste mundo o reino de Jesus todos compreendem, mas, também na Terra não terá ele uma realeza? Nem sempre o título de rei implica o exercício do poder temporal.
Dá-se esse título, por unânime consenso, a todo aquele que, pelo seu gênio, ascende à primeira plana numa ordem de idéias quaisquer, a todo aquele que domina o seu século e influi sobre o progresso da Humanidade. É nesse sentido que se costuma dizer: o rei ou príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, oriunda do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não revela, muitas vezes, preponderância bem maior do que a que cinge a coroa real? Imperecível é a primeira, enquanto esta outra é joguete das vicissitudes; as gerações que se sucedem à primeira sempre a bendizem, ao passo que, por vezes, amaldiçoam a outra. Esta, a terrestre, acaba com a vida; a realeza moral se prolonga e mantém o seu poder, governa, sobretudo, após a morte. Sob esse aspecto não é Jesus mais poderoso rei do que os potentados da Terra? Razão, pois, lhe assistia para dizer a Pilatos, conforme disse: 
“Sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.”




(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. II, item 4.)