quinta-feira, 26 de março de 2020

DEUS VIGIA


Nas grandes provações, não te afastes da fé.

Nos pequenos contratempos, cultiva a paciência.

Agradece à Divina Bondade a bênção de cada dia.

Trabalhe sempre.

Serve, desinteressadamente, aos outros, quando puderes.

Esquece injúrias e ofensas.

Não lastimes o passado.

Não censures a ninguém.

Segue sempre para diante e não temas.

Deus Vigia.

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Livro Recados do Além - Psicografia de Chico - Emmanuel

 





MENSAGEM DO ESE:


Missão do homem inteligente na Terra


Não vos ensoberbeçais do que sabeis, porquanto esse saber tem limites muito estreitos no mundo em que habitais. Suponhamos sejais sumidades em inteligência neste planeta: nenhum direito tendes de envaidecer-vos. Se Deus, em seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, é que quer a utilizeis para o bem de todos; é uma missão que vos dá, pondo-vos nas mãos o instrumento com que podeis desenvolver, por vossa vez, as inteligências retardatárias e conduzi-las a ele. A natureza do instrumento não está a indicar a que utilização deve prestar-se? A enxada que o jardineiro entrega a seu ajudante não mostra a este último que lhe cumpre cavar a terra? Que diríeis, se esse ajudante, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu patrão? Diríeis que é horrível e que ele merece expulso.
Pois bem: não se dá o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir a idéia de Deus e da Providência entre seus irmãos? Não levanta ele contra o seu senhor a enxada que lhe foi confiada para arrotear o terreno? Tem ele direito ao salário prometido? Não merece, ao contrário, ser expulso do jardim? Sê-lo-á, não duvideis, e atravessará existências miseráveis e cheias de humilhações, até que se curve diante dAquele a quem tudo deve.
A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance. Infelizmente, muitos a tornam instrumento de orgulho e de perdição contra si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as suas outras faculdades e, no entanto, não lhe faltam ensinamentos que o advirtam de que uma poderosa mão pode retirar o que lhe concedeu. 

— Ferdinando, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, item 13.)

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Atenção Divina


Deus, nosso Pai, tem formas simples e eficazes para nos auxiliar. 


Em um momento, Se utiliza do vento para levar uma mensagem a quem necessite.


Acolá, utiliza uma mente disposta a servir, para ouvir o pedido de um enfermo, e atendê-lo.


Envia a chuva a espaços regulares, programa as tempestades para a melhoria da atmosfera, estabelece o ciclo das estações.


Serve-Se das asas dos pássaros e dos insetos, bem como da brisa mansa para a fecundação das diversas espécies vegetais.


Enquanto dormimos, Deus elabora mais extraordinárias maneiras de nos alcançar, afirmando-nos a Sua Providência Amorosa.


Por vezes, um descuido de alguém passa a se constituir no atendimento Divino. Por isso, importante estarmos atentos ao que nos sucede, a cada passo.


Conta-se que, certa vez, um viajante, por ser inexperiente, perdeu-se em imenso deserto.


Quase a morrer de fome e sede, avistou uma palmeira. À sua sombra encontrou uma fonte de água pura e fresca, com a qual aplacou a sede.


Mas a fome ainda o magoava. Descansando o corpo, recostando-se na árvore, encontrou um pequenino saco de couro.


Pensando que dentro dele encontraria algo para comer, talvez algumas ervilhas ou alguns pedaços de carne, o homem abriu o saquinho com rapidez.


Grande foi seu desapontamento ao lhe examinar o conteúdo: eram pérolas!


Que ironia, pensou o infeliz. Estou a sucumbir de fome e só o que encontro são pérolas que de nada me servem. Preciso muito de algo para comer. Preciso readquirir forças para continuar minha viagem e tentar chegar ao meu destino.


Por ser um homem de fé, o viajante não se desesperou e orou fervorosamente ao Criador, pedindo ajuda.


Mal haviam passado alguns minutos, quando ouviu o galope apressado de um cavalo.


Logo se viu frente a frente com um cavaleiro nervoso e inquieto. Era o dono das pérolas.


Percebendo que o outro encontrara o tesouro, tomou-se de alegria.


Como reconhecimento, deu-lhe de comer das provisões que trazia consigo. Na sequência, convidou-o a montar seu próprio animal e o conduziu até o termo da sua viagem, evitando que tornasse a se perder.


Quando se despediram, o cavaleiro falou ao viajante:


Percebe como a Divina Providência agiu? No primeiro momento, tive como uma grande desgraça a perda das minhas pérolas.


Contudo, nada mais oportuno. Retornando para procurá-las, cheguei a tempo de lhe prestar socorro.


“Por meios aparentemente singelos, Deus nos livra, às vezes, de grandes flagelos.”
* * *
Em tempo algum as coletividades humanas deixaram de receber a sublime colaboração dos Enviados de Deus, na solução dos grandes problemas do mundo.


Os Enviados à Terra, pela Providência Divina, agem nos campos das ciências, da filosofia, da literatura, das artes, das religiões, da política, isto é, em todos os campos.


Tudo para nos auxiliar em nossa trajetória de progresso, na face deste Planeta, que nos serve de Lar.
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Redação do Momento Espírita, com base no cap. A obra da Providência,
do livro Lendas do Céu e da Terra, de Júlio César de Melo e Sousa,
ed. Melhoramentos e na questão 280, do livro O Consolador,
pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier,
ed. FEB.
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FORMATAÇÃO E PESQUISA : MILTER – 24-03-2019

quarta-feira, 25 de março de 2020

SOLUÇÃO FELIZ



A reunião transcorria em clima de ordem.

Pobre senhora obsidiada, na assistência, tomou de delicada corneta plástica e começou a soprá-la, perturbando o ambiente.

Constrangida e inquieta, dedicada frequentadora da Casa, após orar, falou discretamente:

— Meu bem, você quer vender-me a linda corneta para a minha menina?

— Oh!, sim, obrigada!

E sorrindo, entregou-a

Ante a cédula expressiva, ofertou, ainda, duas laranjas que trazia como se fora o competente troco.

*

Não reajas ante os perturbados. Aje com discernimento, cristãmente.

Ora, e, inspirado, ajuda sem constranger, resolvendo o problema, sem criar outro.

Ajuda melhor aquele que compreende.

Quando nada possas fazer, ora e deixa que alguém mais capaz se encarregue do cometimento.
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Livro: Espelho Dalma
Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Ignotus
LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora






MENSAGEM DO ESE:

Moisés

Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: — porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto. (S. MATEUS, cap. V, vv. 17 e 18.)
Na lei mosaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo.

A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:

I. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. — Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano.

II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.

III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado.

IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.

V. Não mateis.

VI. Não cometais adultério.

VII. Não roubeis.

VIII. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.

IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo.

X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.

É de todos os tempos e de todos os países essa lei e tem, por isso mesmo, caráter divino. Todas as outras são leis que Moisés decretou, obrigado que se via a conter, pelo temor, um povo de seu natural turbulento e indisciplinado, no qual tinha ele de combater arraigados abusos e preconceitos, adquiridos durante a escravidão do Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem precisava apoiar-se na autoridade de Deus; mas, só a idéia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, em as quais ainda pouco desenvolvidos se encontravam o senso moral e o sentimento de uma justiça reta. É evidente que aquele que incluíra, entre os seus mandamentos, este: “Não matareis; não causareis dano ao vosso próximo”, não poderia contradizer-se, fazendo da exterminação um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, revestiam, pois, um caráter essencialmente transitório.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, itens 1 e 2.)

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MEDIUNIDADE E ESTUDO


O dinheiro em si não é bom, nem mau.

Instrumento neutro, é capaz de criar a abastança ou estimular a miséria, dependendo isso daqueles que o retém.
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A eletricidade em si não e boa, nem má.
Energia neutra, é capaz de engrandecer o trabalho ou precipitar o desastre, dependendo isso daqueles que a manejam.
*
O magnetismo em si não e bom, nem mau.

Agente neutro, é capaz de gerar o bom ou produzir o mal, dependendo isso daqueles que o dirigem.
*
Assim também é a mediunidade, que não é boa, nem má em si mesma.

Força neutra, é capaz de promover a educação ou acalentar a ignorância, dependendo isso daqueles que a usufruem.

Para emprego louvável do dinheiro, contamos com os preceitos morais que patrocinam o aperfeiçoamento da alma; 

para a utilização correta da eletricidade, possuímos os princípios da ciência que controlam na Natureza; 

para a sublimação do magnetismo, temos as leis da responsabilidade pessoal que honorificam a consciência; 

e, para a justa aplicação da mediunidade, dispomos dos ensinamentos do Espiritismo, consubstanciando a religião da justiça e do amor que ilumina todos os distritos do Universo.

Irmãos, estudemos a Doutrina Espírita, a fim de que possamos compreender médiuns, mediunidade e fenômenos mediúnicos.
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Albino Teixeira 
Chico Xavier

terça-feira, 24 de março de 2020

A lição das epidemias - O ESCOADOURO DAS DOENÇAS




Conavírus: A lição das epidemias


quando surgiram os primeiros casos na cidade chinesa de Wuhan, milhares de pessoas já foram infectadas e as mortes já passaram de 2 mil. Cidades são isoladas, aeroportos fiscalizados, mercado financeiro e turismo sofrem as consequências pelo medo do avanço da doença e o mundo, enfim, realmente se assusta, pois vários locais já foram atingidos 

A Organização Mundial da Saúde declarou estado de emergência global, advertindo também para a solidariedade entre os países.

Na Revista de julho de 1867, Kardec descreve a ‘terrível epidemia’ que devastava já há dois anos a Ilha Maurício (antiga Ilha de França).
Em outubro1868, assinada pelo Espírito Clélie Duplantier, Kardec publica a seguinte comunicação na Sociedade Espírita de Paris: “Sem dúvida é apavorante pensar em perigos dessa natureza, mas, pelo fato de serem necessários e não provocarem senão felizes consequências, é preferível, em vez de esperá-los tremendo, preparar-se para enfrentá-los sem medo, sejam quais forem os seus resultados.
Para o materialista, é a morte horrível e o nada por consequência; para o espiritualista, e em particular para o espírita, que importa o que acontecer! Se escapar do perigo, a prova o encontrará sempre inabalável; se morrer, o que conhece da outra vida fá-lo-á encarar a passagem sem empalidecer.
Preparai-vos, pois, para tudo, e sejam quais forem a hora e a natureza do perigo, compenetrai-vos desta verdade: A morte não é senão uma palavra vã e não há nenhum sofrimento que as forças humanas não possam dominar.”

O aspecto espiritual

Independentemente de medidas urgentes a serem adotadas, visando estancar a proliferação do vírus, vale refletir sobre alguns aspectos interessantes a serem observados: Por que nem todos são contaminados? Por que uns morrem (2% dos infectados, segundo a OMS) e outros não?

Inicialmente, o espiritismo explica que as doenças fazem parte das provas e das vicissitudes da vida terrena. “Nos mundos mais adiantados, o organismo humano, mais depurado e menos material, não está sujeito às mesmas enfermidades”.

As condições de vida são muito diferentes da Terra. Também, “nos mundos felizes, as relações entre os povos são sempre amigáveis e nunca são perturbadas pela ambição de escravizar o vizinho, nem pela guerra”. Ora, em resumo, o mal ali não se faz presente, não havendo expiações.

Isso significa que na Terra ainda vivemos uma infância espiritual de muitos contrários. “Tendes necessidade do mal para sentir o bem. Da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde”, nos ensinam os espíritos superiores.

Santo Agostinho, em 1862, em Paris, fez uma observação sobre as afinidades e desafios enfrentados pelos espíritos nos mundos expiatórios. A Terra lhes seria fornecida como um dos tipos desses mundos. “As variedades são infinitas, mas têm como caráter comum servir como local de exílio a Espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses espíritos aí têm que lutar, de uma só vez contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza. Trabalho duplamente penoso, que desenvolve ao mesmo tempo as qualidades do coração e as da inteligência”, explica em O evangelho segundo espiritismo.

Não há acasos

É claro que uma epidemia assusta, preocupa, mas é interessante que se tenha esses conceitos espirituais em evidência antes de se arriscar a fazer qualquer observação, pois Deus, em sua perfeição e misericórdia, atua através de leis também perfeitas e misericordiosas para que o progresso seja atingido em toda sua Criação. Por isso não há acasos.

O pensamento materialista nos leva a conclusões precipitadas, que incluem percepções errôneas referentes a castigos, desarmonia, confusão, desleixo e fatalidade. A visão espiritualista, porém, nos colocando acima dos males do corpo físico, convida-nos ao trabalho e à confiança no futuro para superarmos as dificuldades.

O aprendizado é lento e mas contínuo. “Temos, assim, de nos resignar às consequências do meio onde nos coloca a nossa inferioridade, até que mereçamos passar a outro. Isso, no entanto, não é de molde a impedir que, esperando que tal se dê, façamos o que de nós depende para melhorar as nossas condições atuais. Se, porém, malgrado aos nossos esforços, não o conseguirmos, o espiritismo nos ensina a suportar com resignação os nossos passageiros males”, esclarece o espiritismo.

Outro ponto importante a ser observado é a mudança de estado dos Espíritos em evolução, ora encarnados, ora desencarnados. Uns chegam e outros se vão todos os dias por motivos diversos. Alguns regressam ao mundo espiritual em desencarnes coletivos, como no caso das guerras, tragédias e epidemias. (Veja quadro sobre as epidemias).

Emigração e imigração dos espíritos

Explica a doutrina espírita que, no intervalo de suas existências corporais, os Espíritos se encontram no estado de erraticidade e formam a população espiritual ambiente da Terra. Pelas mortes e pelos nascimentos, as duas populações, terrestre e espiritual, deságuam incessantemente uma na outra. Há, pois, diariamente, emigrações do mundo corpóreo para o mundo espiritual e imigrações deste para aquele: é o estado normal.

Em certas épocas, determinadas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações se operam por massas mais ou menos consideráveis, em virtude das grandes revoluções que lhes ocasionam a partida simultânea em quantidades enormes, logo substituídas por equivalentes quantidades de encarnações. (...) Chegadas e partidas coletivas são meios providenciais de renovar a população corporal do globo. Na destruição de grande número de corpos nada mais há do que rompimento de vestiduras; nenhum Espírito perece; eles apenas mudam de ambiente; em vez de partirem isoladamente, partem em grupos, essa a única diferença, visto que, ou por uma causa ou por outra, fatalmente têm que partir, cedo ou tarde.

As renovações rápidas apressam o progresso social. Sem as emigrações e imigrações que de tempos a tempos lhe vêm dar violento impulso, só com extrema lentidão esse progresso se realizaria.

É de notar-se que todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso de ordem física, intelectual, ou moral e, por conseguinte, no estado social das nações que as experimentam.

A invasão microbiana

No livro Evolução em dois mundos, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, no capítulo 40, “Invasão microbiana”, pergunta-se a invasão microbiana está vinculada a causas espirituais? A resposta: “Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão determinados campos de rutura na harmonia celular”.

Isso quer dizer que nossos desajustamentos nos tornam passíveis de invasão microbiana, e dificultam a regeneração natural das células, instalando-se assim a doença, pela desarmonia causada por nossas escolhas – conscientes ou não, de agora ou de ontem.

E continua a resposta: “Geralmente, quase todos os processos de doenças surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem ruturas ou soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que sejamos mais particularmente inclinados”.

E aqui entra também, ainda conforme a resposta, a importância da transformação moral para uma vida realmente saudável. “Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo por que os princípios de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça, crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos o poder da mente na autodefensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus.”
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Eliana Haddad
https://correio.news/especial/coronavirus-a-licao-das-epidemias 





MENSAGEM DO ESE:

Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.
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 — São Luís. (Paris, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.)


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O ESCOADOURO DAS DOENÇAS

Às vezes penso que a doença é necessária, não só na condição das provas de que carecemos, mas também na posição de canais para escoadouro de impurezas do corpo, de que somos inquilinos temporários.

Isso acontece com o próprio mar que não conserva detritos e sim atira-os nas praias.

Não serão as doenças, principalmente as de periferia, que o corpo recusa acalentar consigo, à maneira dos detritos que o mar não tolera em si mesmo?

São reflexões que faço, depois que as doenças me tomaram o território orgânico.

Penso assim porque sempre imaginei como são grandes as nossas afinidades com o mundo marinho.

As águas do oceano são salgadas, salgado é o nosso suor em trabalho, nossas lágrimas são salgadas e salgados são diversos elementos do nosso mundo corpóreo.
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Chico Xavier
22 de março de 1989
Livro: Chico Xavier – Mediunidade e Ação
Carlos A. Baccelli
IDEAL – Instituto de Divulgação Editora André Luiz


segunda-feira, 23 de março de 2020

OS DOIS PIORES ADVERSÁRIOS



Se pretendes vencer em qualquer empreendimento de ordem espiritual, começa não te concedendo tempo para conversas inúteis.

Cordialmente, desembaraça-te de quem te reclame os ouvidos com assuntos urdidos pela maledicência.

Dispensa, com habilidade, aquele que te venha com confidências, envolvendo o teu nome na trama com que as trevas intentem prejudicar a tua capacidade de ação.

Não permaneças na expectativa de que os teus desafetos saibam reconhecer o teu esforço e, de público, admitam as tuas possíveis qualidades.

Interpreta todo elogio que recebas como sendo mais perigoso que toda crítica que te façam.

Vacina-te, sistematicamente, contra o melindre e o personalismo, que, em verdade, são os teus dois piores adversários no que te propões realizar sob a égide do Cristo.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Ajuda-te e o Céu te Ajudará 


 



MENSAGEM DO ESE:

A felicidade não é deste mundo

Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

Diante de tal fato, é incontestável que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arqui-secular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão.

Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração.

Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade. 

- François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot. (Paris, 1863.)
Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 20.)
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NA HORA DA CRÍTICA

Salientamos a necessidade de moderação e equilíbrio, ante os momentos menos felizes dos outros; entretanto, há ocasiões em que as baterias da crítica estão assestadas contra nós.

Junto de amigos, quanto de opositores, ouvimos objurgatórias e reprimendas e, não raro, tombamos mentalmente em revolta ou depressão.

Azedume e abatimento, porém, nada efetuam de construtivo. Em qualquer dificuldade, irritação ou desânimo apenas obscurecem situações, ou complicam problemas.

Atingidos por acusação e censura, convém estabelecer minucioso auto-exame. Articulemos o intervalo preciso, em nossas atividades, a fim de orar e refletir, vasculhando o imo da própria alma.

Analisemos, sem a mínima compaixão por nós mesmos, todos os acontecimentos que nos ditam a orientação e a conduta, sopesando, fatos e desígnios que motivaram as advertências em lide, com rigorosa sinceridade. 

Se o foro íntimo nos apontas falhas de nosso lado, tenhamos desculpas aos ofendidos ou diligenciando meios de sanar os prejuízos de que sejamos causadores. 

Entanto, se nos identificarmos atentos ao dever que a vida nos atribui, se intenção e comportamento nos deixam seguros, quanto ao caminho exato que estamos trilhando em proveito geral e não em exclusivo proveito próprio, saibamos acomodar-nos à paz e à conformidade. 

E, embora, reclamação e tumulto nos cerquem, prossigamos adiante, na execução do trabalho que nos compete, sem desespero e sem mágoa, convencidos de que, acima do conforto de sermos imediatamente compreendidos, vige a tranqüilidade da consciência, no cumprimento de nossas obrigações. 
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Emmanuel
Chico Xavier

domingo, 22 de março de 2020

FILHOS


Educa os teus filhos e orienta-os, mas não te esqueças de que cada espírito tem seu próprio caminho.

Não conseguirás substituí-los nas experiências que devam vivenciar.

Cada qual deve aprender à custa do próprio esforço e interesse.

Não superprotejas os teus filhos, afastando-os do trabalho enobrecedor.

O trabalho, para a criança, é o complemento natural da educação.

Para os anseios evolutivos do espírito na reencarnação, as facilidades constituem um desastre.

Sem disciplina, a criança cresce à mercê das circunstâncias.

Conversa com os teus filhos e procura, desde cedo, iniciá-los na prática do bem.

Sem um ponto de referência espiritual, o teu filho se perderá no abismo da descrença.
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(De Vigiai e orai, de Carlos A. Baccelli, pelo Irmão José





MENSAGEM DO ESE

Proveito dos sofrimentos para outrem


– Os que aceitam resignados os sofrimentos, por submissão à vontade de Deus e tendo em vista a felicidade futura, não trabalham somente em seu próprio benefício? Poderão tornar seus sofrimentos proveitosos a outrem?
Podem esses sofrimentos ser de proveito para outrem, material e moralmente: materialmente se, pelo trabalho, pelas privações e pelos sacrifícios que tais criaturas se imponham, contribuem para o bem-estar material de seus semelhantes; moralmente, pelo exemplo que elas oferecem de sua submissão à vontade de Deus. Esse exemplo do poder da fé espírita pode induzir os desgraçados à resignação e salvá-los do desespero e de suas conseqüências funestas para o futuro.
— São Luís. (Paris, 1860.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 31.)

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NA HORA DA CRÍTICA


Salientamos a necessidade de moderação e equilíbrio, ante os momentos menos felizes dos outros; entretanto, há ocasiões em que as baterias da crítica estão assestadas contra nós.

Junto de amigos, quanto de opositores, ouvimos objurgatórias e reprimendas e, não raro, tombamos mentalmente em revolta ou depressão.

Azedume e abatimento, porém, nada efetuam de construtivo. Em qualquer dificuldade, irritação ou desânimo apenas obscurecem situações, ou complicam problemas.

Atingidos por acusação e censura, convém estabelecer minucioso auto-exame. Articulemos o intervalo preciso, em nossas atividades, a fim de orar e refletir, vasculhando o imo da própria alma.

Analisemos, sem a mínima compaixão por nós mesmos, todos os acontecimentos que nos ditam a orientação e a conduta, sopesando, fatos e desígnios que motivaram as advertências em lide, com rigorosa sinceridade. 

Se o foro íntimo nos apontas falhas de nosso lado, tenhamos desculpas aos ofendidos ou diligenciando meios de sanar os prejuízos de que sejamos causadores. 

Entanto, se nos identificarmos atentos ao dever que a vida nos atribui, se intenção e comportamento nos deixam seguros, quanto ao caminho exato que estamos trilhando em proveito geral e não em exclusivo proveito próprio, saibamos acomodar-nos à paz e à conformidade. 

E, embora, reclamação e tumulto nos cerquem, prossigamos adiante, na execução do trabalho que nos compete, sem desespero e sem mágoa, convencidos de que, acima do conforto de sermos imediatamente compreendidos, vige a tranqüilidade da consciência, no cumprimento de nossas obrigações. 
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Emmanuel
Chico Xavier

sábado, 21 de março de 2020

APRENDIZADO DA CARIDADE

 
A prática da caridade sempre te ensejará as melhores lições.

Fornecerá material para as tuas reflexões em torno das bênçãos que normalmente ignoras em tua vida.

Possibilitar-te-ás enxergar o que não vês nos privilégios que desfrutas.

Abrandar-te-á o espírito de insatisfação, mostrando que em tua carência ainda existe excesso.

Que dispões em ti mesmo de infinitos recursos que simplesmente desconsideras.

Que a tua capacidade de ser útil é tão ampla quanto te parece ser a necessidade dos semelhantes.

A vivência na caridade te propiciará o amadurecimento espiritual de que só ela é capaz.

Colocará silêncio nos teus lábios, discernimento em teus ouvidos e alegria em tuas mãos.
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Livro: Vigiai e Orai
Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José
Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier 





MNESAGEM DO ESE: O jugo leve

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.)
Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei.”
Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por ele ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas, esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, itens 1 e 2.)

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DOR, JUSTIÇA, EVOLUÇÃO E REENCARNAÇÃO

(...) À Nova Revelação [o Espiritismo] estava reservado o preenchimento dessa lacuna, explicando-nos a causa das misérias terrenas da vida, das quais só a pluralidade de existências [a reencarnação] poderia mostrar-nos a justiça.

Essas misérias decorrem necessariamente das imperfeições da alma, pois se ela fosse perfeita não cometeria faltas nem teria de sofrer-lhes as consequências. O homem que na Terra fosse, de modo absoluto, sóbrio e moderado, por exemplo, não padeceria enfermidades oriundas de excessos.

O mais das vezes ele é desgraçado por culpa própria, porém, se é imperfeito, é porque já o era antes de vir à Terra, expiando não somente faltas do momento, mas faltas anteriores não resgatadas. Repara em uma vida de provações o que a outrem fez sofrer em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são por sua vez uma correção temporária e uma advertência, relativamente às imperfeições que lhe cumpre eliminar, a fim de evitar males e progredir para o bem. São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o futuro quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes ocasionam incessantes lutas que lhe desenvolvem as forças e as faculdades intelectivas e morais. Através dessas lutas a alma se retempera no bem, triunfando sempre que tiver coragem de sustentá-las até o fim.

O prêmio da vitória está na vida espiritual, onde a alma entra radiante e triunfadora como soldado que sai da refrega para receber a palma gloriosa.

4. Em cada existência há ocasião à alma para dar um passo adiante; de sua vontade depende a maior ou menor extensão do passo: franquear muitos degraus ou ficar no mesmo ponto. No último caso, e porque cedo ou tarde se impõe sempre o pagamento das dívidas, terá de recomeçar existência nova, em condições ainda mais penosas, porque uma nódoa não apagada ajunta outra nódoa.

É, pois, em sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições, que se purga, em uma palavra, até que esteja bastante pura para deixar os mundos de expiação como a Terra, onde os homens, em proveito do futuro, expiam o passado e o presente. Contrariamente, porém, à ideia que deles se faz, depende de cada um prolongar ou abreviar a sua permanência, segundo o grau de adiantamento e pureza atingido, pelo próprio esforço. O livramento se dá, não por conclusão de tempo nem por alheios méritos, mas pelo próprio mérito de cada um, consoante as palavras de Cristo: A cada um segundo as suas obras, palavras que resumem inteiramente a justiça de Deus.

5. Aquele, pois, que sofre nesta vida pode dizer-se que é porque não se purificou suficientemente em sua existência precedente, devendo, se o não fizer nesta, sofrer ainda na seguinte. Isto é ao mesmo tempo equitativo e lógico. Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, tanto mais tempo se sofre quanto mais imperfeito se for, da mesma forma porque tanto mais tempo persistirá uma enfermidade quanto maior a demora em tratá-la. Assim é que, enquanto o homem for orgulhoso, sofrerá as consequências do orgulho, e, enquanto egoísta, as do egoísmo.

6. Por causa das imperfeições, o Espírito culpado sofre primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois facultada a vida corporal como meio de reparação. É por isso que ele se acha, em a nova existência, quer com as pessoas a quem ofendeu, quer em meio análogos àqueles em que praticou o mal, quer ainda em situações opostas à sua vida precedente, como por exemplo na miséria, se foi mau rico, ou humilhado, se orgulhoso.

A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não constitui duplo castigo para eles, porém um complemento, um desdobramento do trabalho efetivo a facilitar o progresso; do Espírito depende o aproveitamento. E não lhe será preferível voltar à Terra com probabilidades de alcançar o céu, a ser condenado sem remissão deixando-a definitivamente? A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem tudo deva aos seus esforços e seja o obreiro do seu futuro; que, infeliz por mais ou menos tempo, não se queixe senão de si próprio, uma vez que a rota do progresso lhe está sempre franqueada.

(...)

Livro: O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo
Allan Kardec
LAKE – Livraria Allan Kardec Editora


sexta-feira, 20 de março de 2020

O Passe Individual




As modalidades de passes são diversas, como diversas são as ondulações de fluidos transmitidas pelos médiuns aos diversos enfermos. O médium adestrado no exercício do amor e disciplinado pela Doutrina Espírita, recebe a intuição adequada para o tratamento do doente que requer a sua presença,
sem nunca se esquecer de que o que se recebe de graça, de graça deverá ser doado.

As escolas de médiuns existentes em toda parte, proliferando em muitos países são, pois, bênçãos de Deus para os iniciantes e mesmo para a doutrina a que pertence o aprendiz. Porém, quando pronto para o trabalho de doação, liberta-te da mecanização que pode escravizar os teus dons, e entrega-te à
intuição divina com a divina força do amor e percebe a harmonia da natureza, disseminando vida em todos os rumos e paz em todas as dimensões.

Cada pessoa é um mundo diferente com necessidades diversas. A nossa mente, trabalhando aberta, como mãos que pedem aos céus direção, possibilita-nos atender a todos na sua faixa de vida, oferecendo ambiente para os benfeitores espirituais operarem com proveito entre o médium e o doente.



Os Espíritos doadores capazes de atrair fluidos e transformar energias de vários cambiantes, ao encontrarem uma mediunidade educada nos altos
preceitos evangélicos, traçam planos e executam trabalhos com grande facilidade, produzindo frutos visíveis na área da cura para aqueles que sofrem,
seja frente a frente ou a distâncias inacreditáveis. Prova disso se encontra no próprio Evangelho, onde Jesus curava com um simples "levanta-te e anda". Há médiuns que são capacitados para trabalhar somente com o seu fluido magnético, desde que não venham, por isso, a se encherem de vaidade. Eles podem buscar os fluidos no suprimento universal e transformá-los no amor, doando-os aos que padecem. Todavia, os olhos espirituais nunca se esquecem da presença de alguém para vigiar e manter à distância os perturbadores da ordem.

O passista deve ser confiante nos poderes de Deus e na assistência dos guias espirituais, acrescentando seus valores da forma como os requisitos da doutrina pedem e induzem ao procedimento. Nunca deves pensar que és o melhor, pelas curas que são feitas com a tua ajuda. São muitas as mãos que trabalham em tudo o que realizas. Cultiva a humildade no que pensas e falas.

As energias que te circundam são sensíveis aos teus sentimentos. O médium de cura começa a curar pela fala, que predispõe o enfermo à ação benéfica dos fluidos. Se os médicos descobrissem esta verdade, curariam muitas pessoas mesmo antes de administrarem os remédios. A palavra bem ordenada faz milagres.

O médium curador deve obedecer à lei natural em sua alimentação do dia-a-dia. Comer para viver e nunca viver somente para se alimentar. A seleção dos alimentos fica por conta da consciência que vibra no Bem.

O passe individual é uma doação direta de um para o outro e concreta na sua estrutura bioquímica. Quando estamos em plena harmonia com a vida universal, todas as nossas células vibram uníssonas na doação comum de vida para vida. Isso é Deus nos ensinando a amar! Isso é Cristo nos mostrando
como amar!

Quando fores chamado ao trabalho de cura, não te esqueças do preparo pela oração. A prece é feita de fios que nos ligam aos poderes maiores com segurança, e o que passa por eles, na forma de energia, é impulsionado pela fé. Isso mostra o quanto pode a confiança no Soberano Senhor e o quanto podemos realizar com Deus no coração.

A regra geral que requer o curador é o ambiente sereno, onde predomina o silêncio. É bom que te abstenhas de formulários humanos, de apetrechos difíceis e de palavras especiais. A melhor fórmula é o coração em ritmo com o coração de Deus e os apetrechos podem ser músicas elevadas, caso seja
possível, enquanto as palavras iniciais devem ser ditas como súplica ao Criador, para que entres em sintonia com a força divina que existe fora e dentro do teu coração. Nunca faças um passe sem que a alegria seja a flor do teu rosto. Analisa o enfermo, conversando com ele antes do tratamento, para que
possas sentir do que ele carece e doar o que a fome do companheiro exigir. 




Se souberes preparar o enfermo psicologicamente antes do tratamento, na verdade te dizemos que a cura poderá ser imediata, quando não um grande
alívio. A mente instintiva daquele que padece tem os mesmos poderes da de um santo, nas curas que opera. Só que a ele, o doente, falta estímulo para gerar o que se gera espontaneamente no místico cheio de amor no coração. A natureza nos cede muitos meios de fazer o bem. Nós, os Espíritos encarnados e desencarnados, é que não compreendemos e nos desviamos, por ignorância, das correntes de luz que nos tocam, trazendo, em sua estrutura, a mensagem da saúde com o brilho da harmonia, a nos falar baixinho aos ouvidos: "Amai, que a felicidade é gerada pelo amor".

Estuda a fisiologia do corpo, pois se fizeres isso com interesse de aprender, Deus te inspirará quanto a fisiologia da alma. A própria alma te induzirá ao conhecimento de vários corpos que ela usa e a vida presente em tudo, dar-te-á a sabedoria para usar os teus dons na perfeita cura de todo o
agregado psicofísico.

Muitos pedem, em orações continuadas e repetidas, o desenvolvimento da terceira visão para o tratamento de enfermos. As inteligências superiores estão te ouvindo, mas tens, primeiramente, de saber fazer uso desse dom, que depois será despertado no centro da tua vida. É caridade de Deus não haver o despertar de certos dons em determinadas criaturas. O Senhor espera o poço ficar pronto para a água aparecer, ou o aprendiz se instruir e se educar para ver a aparição do Mestre.

Trabalha com o que tens, que Ele multiplicará, no campo das tuas intenções. Avança, que Deus sabe o que deve te pertencer. Não exijas do grande Soberano, pois nem sempre sabes que pedes.

Se tens o dom de curar e te dispões a trabalhar com Ele, não olvides a renúncia, vigia a sensualidade e disciplina todos os teus impulsos inferiores, para que a luz de Deus possa fluir sem interrupção pelos canais da tua mente, para os corações que sofrem nos caminhos do mundo.
Sê feliz, com a felicidade do Cristo.
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SEGURANÇA MEDIÚNICA
Miramez



MENSAGEM DO ESE: 

Desigualdade das riquezas

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, alias, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.

Admitido isso, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas? E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 8.)