quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Filhos



Educa os teus filhos e orienta-os, mas não te esqueças de que cada espírito tem o seu próprio caminho.

Não conseguirás substituí-los nas experiências que devam vivenciar.

Cada qual deve aprender à custa do próprio esforço e interesse.

Não superprotejas os teus filhos, afastando-os do trabalho enobrecedor.

O trabalho, para a criança, é o complemento natural da educação.

Para os anseios evolutivos do espírito, as facilidades constituem um desastre.

Sem disciplina, a criança cresce à mercê das circunstâncias.

Conversa com os teus filhos e procura, desde cedo, iniciá-los na prática do bem.

Sem um ponto de referência espiritual, o teu filho se perderá no abismo da descrença.
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Irmão José





domingo, 19 de agosto de 2012

Cargas



Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada,  levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra.
Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas.
Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.

Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:
  "Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?"
  "É estranho", respondeu o viajante, "mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava."
Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.

Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou:
  "Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada ?"
  "Estou contente que me tenha feito essa pergunta", disse o viajante,
  "porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo."
Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.

Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias.
E ele foi abandonando uma a uma.
Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.
Qual era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora?
Não !
Era a falta de consciência da existência delas.
Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado.
Esse é o problema de muitas pessoas.
Elas estão carregando cargas sem perceber.
Não é de se estranhar que estejam tão cansadas!

O que são algumas dessas cargas que pesam na mente das pessoas e que roubam suas energias ?

  a) Pensamentos negativos.
  b) Culpar e acusar outras pessoas.
  c) Permitir que impressões tenebrosas ocupem sua mente.
  d) Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado.
  e) Autopiedade.
  f) Acreditar que não existe saída.
" Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia.
Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhores e caminharemos mais levemente."

Notas de começo



Orientação para o serviço da fé?
Cada dia, fazer um horário mesmo curto, para estudo e meditação. 
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Perdoa - mas perdoa com total esquecimento - qualquer ofensa recebida. 
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Não grites. 
Fala auxiliando para o bem. 
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Serve sem queixas.
 Não conserves ressentimentos e malquerenças. 
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Aprende a tolerar as pessoas que te pareçam difíceis para que os outros te tolerem nos instantes em que teus sentimentos talvez se façam amargos. 
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Reparte com o próximo, pelo menos, o mínimo do máximo de que estejas dispondo. 
*
Age para o bem tanto quanto puderes. 
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Em qualquer circunstância, dá o teu recado sem aspereza. 
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Lembra-te: o relógio não para e a fim de realizares o que tens a fazer, é sempre um pouco mais tarde do que pensas.
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Emmanuel
Chico Xavier





sábado, 18 de agosto de 2012

Sentenças da Vida



Cumpra os deveres desagradáveis.
Buscar apenas o nosso deleite é comodismo crônico.
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Vitalize os negócios com a fraternidade pura.
O comércio não foge à ação da Providência Divina.
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Coloque o bem de todos acima do interesse partidário.
A senda cristã nas atividades da vida será sempre “caridade”.
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Esqueça as narrativas que exaltem indiretamente o erro.
A moral da história mal contada é sempre a invigilância.
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Liberte-se das frases de efeito.
Apalavra postiça sufoca o pensamento.
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Evite o divertimento nocivo ou claramente desnecessário.
Os pés incautos encontram a queda imprevista.
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Resista à desonestidade.
O critério do amor não se modifica.
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Valorize os empréstimos de Deus.
Dar não significa abandonar.
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Prestigie a sabedoria da Lei, obedecendo-lhe.
O auxílio espiritual não surge sem preço. 
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André Luiz
Chico Xavier




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ensinar Dialogando


Se a falta de diálogo no lar é desastrosa, não o é menos na escola.

. E o que vemos tanto em colégios estaduais como em particulares é uma absoluta ausência de diálogo. 

A aula é uma simples exposição, fria e monótona. Conceitos gramaticais, datas e personagens históricas, fórmulas de química e matemática desfilam pelo quadro negro. O educando, calado, vai engolindo passivamente todo o conhecimento mastigado, apenas alguns mais desinibidos manifestam-se para perguntar. Apesar de todos os movimentos de renovação pedagógica propostos e buscados atualmente, o modelo da escola permanece assim cristalizado, pela resistência de professores e pais.

Não é à toa que quase todos os alunos detestam a escola. Permanecer 4, 5 ou 6 horas seguidas na mesma posição, na mesma sala, ouvindo uma pessoa falar é de entediar qualquer um. A inteligência do educando fica condicionada a receber passivamente e a devolver somente o recebido. Não é solicitada a pesquisar, indagar por si mesma. Não se desperta nela o desejo de descobrir e aprender.

Um dos maiores filósofos de todos os tempos – Sócrates – ensinava aos seus discípulos por meio do
diálogo. Induzia-os pela conversação a chegarem ao conhecimento, de tal maneira que sentiam Ter achado o caminho por si mesmos, sem que ninguém lhes impusesse nada.

 Recorde-se também de Jesus, ao pregar para a mulher ao pé da fonte de Jacó, ao contar a parábola do bom samaritano ao doutor da lei. O Mestre indagava, dialogava: “Qual destes três te parece o que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” (Lucas, X:36) O Livro dos Espíritos, a viga-mestra da nova Revelação, é todo em forma de diálogo.

 Pela primeira vez, o ser humano se debruça sobre o Além e, com alto sentido de pesquisa e racionalismo, conversa face a face com a Imortalidade.

O monólogo é autoritário, entediante e pobre. O diálogo enriquece, desperta, produz.
O Professor deve descer do seu pedestal de dono da porta do conhecimento para deixar que o aluno
possua a chave. A escola tem de proporcionar ao educando a faculdade de questionar, pesquisar e chegar ao conhecimento e não meia dúzia de fórmulas e conceitos que, depois de algum tempo, a memória não consegue mais reter.

Ensinar dialogando requer humildade, paciência, criatividade.

 Humildade para se colocar ao lado e não acima do aluno, paciência para ouvi-lo e criatividade para inventar sempre novas e diferentes maneiras de buscar o fio condutor do diálogo. Em uma palavra, é preciso idealismo e amor, o que infelizmente não é muito encontrável em professores frustrados e sem vocação.

Para se dar uma aula de verdade, não bastam uma boa dicção, uma lousa e um giz. É necessário despertar primeiro a curiosidade e o interesse dos alunos para o que se vai aprender. É indispensável fazê-los sentir a utilidade e a fascinação do assunto em pauta. Passear com eles, pelo mundo do saber, com entusiasmo e paixão. E, acima de tudo, fazer com que saibam o quê e por quê estão aprendendo.

Proporcionar-lhes uma visão de conjunto e não fragmentos feitos de fórmulas esparsas e conceitos no espaço.

Jamais poderei me esquecer da minha primeira aula de Química. A professora entrou na classe e colocou no quadro negro os símbolos de quase todos os elementos químicos e recomendou:
 “Decorem isso!” Nunca mais consegui gostar de Química.

O professor possui o poder mágico de acender ou apagar para sempre no aluno, o amor ao estudo. E
esse amor não pode ser imposto por sermões, ameaças e advertências. Mas deve ser estimulado através de uma didática eficaz, temperada de diálogo e paixão.
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Do livro: A Educação da Nova Era.

Acidentados da Alma



Compadeces-te dos caídos em moléstia ou desastre, e que apresentam no corpo comovedoras mutilações.
 Inclina-te, porém, com igual compaixão para aqueles outros que comparecem, diante de ti, por acidentados da alma, cujas lesões dolorosas não aparecem.
 Além da posição de necessitados, pelas chagas ocultas de que são portadores, quase sempre se mostram na feição de companheiros menos atrativos e desejáveis.
***
Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando exigências ou formulando complicações, no entanto, bastas vezes trazem o coração sob provas difíceis; 
espancam-te a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários lances da experiência, são feixes de nervos destrambelhados que a doença consome; 
revelam-se na condição de amigos, supostos ingratos, que nos deixam em abandono, nas horas de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito, que se enviscam, inconscientes, nas tramas da obsessão; 
acolhem-te o carinho com manifestações de aspereza, todavia, estarão provavelmente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores benfeitoras quando a praga as dizima; 
são delinquentes e constrangem-te a profundo desgosto, pelo comportamento incorreto;
 no entanto, em múltiplas circunstâncias, são almas nobres tombadas em tentação, para as quais já existe bastante angústia na cabeça atormentada que o remorso atenaza e a dor suplicia...
***
Não te digo que aproves o mal sob a alegação de resguardar a bondade.
 A retificação permanece na ordem e na segurança da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação da saúde.
 Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência e a piedade do enfermo que socorre a contusão, sem alargar a ferida.
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Restaurar sem destruir.
 Emendar sem proscrever. 
Não ignorar que os irmãos transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra, sendo necessário garantir-lhes uma saída adequada.
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Em qualquer processo de reajuste, recordemos Jesus que, a ensinar servindo e corrigir amando, declarou não ter vindo à Terra para curar os sãos. 
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Emmanuel
Chico Xavier