quarta-feira, 23 de abril de 2014

Quem Ama



Quem ama nada exige.


Perdoa sem traçar condições.


Sabe sacrificar-se pela felicidade alheia.


Renuncia com alegria ao que mais deseja.


Não espera reconhecimento.


Serve sem cansaço.


Apaga-se para que outros brilhem.


Silencia as aflições, ocultando as próprias lágrimas.


Retribui o mal com o bem.


É sempre o mesmo em qualquer situação.


Vive para ser útil aos semelhantes.


Agradece a cruz que leva sobre os ombros.


Fala esclarecendo e ouve compreendendo.


Crê na Verdade e procura ser justo.


Quem ama, qual o samaritano anônimo da parábola do Mestre, levanta os caídos da estrada, balsamiza-lhes as chagas, abraça-os fraternalmente e segue adiante...

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Alexandre de Jesus  
Carlos Baccelli  






terça-feira, 22 de abril de 2014

Não às Provocações


Reserva-te o direito de permanecer indiferente às provocações de qualquer natureza.


Numa época de insensatez como esta, o mal anda em liberdade, seduzindo os incautos.


Aqui, é a ira dos outros que te agride.


Ali, está o sexo sem freio que te sensibiliza.


Acolá, eis a ambição que te desperta o interesse.


Próximo se encontra o vício, enredando vítimas.


Em torno de ti, a diversão perturbadora campeia.


Por toda parte, a vitória do crime e da dissolução dos costumes multiplica os seus tentáculos qual polvo cruel e dominador.


Olha essas facilidades como sendo a estrada de espinhos venenosos que a grama verde e agradável esconde no chão, e não te permitas pôr-lhe os pés, evitando-te os acidentes de efeitos danosos.

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Joanna de Ângelis





segunda-feira, 21 de abril de 2014

QUITAÇÃO




Todas as contas a resgatar pedem relação direta entre credores e devedores.

É por isso que te vês, frequentemente, na Terra, diante daqueles a quem deves algo.

No lar ou nas linhas que o marginam, é fácil reconhecê-los, quando entregas desinteresse e dedicação, recolhendo aspereza e indiferença.

Muitas vezes, trazem nomes queridos no recinto doméstico, e assemelham-se a impassíveis verdugos, apresando-te o coração nas grades do sofrimento.

Em muitos lances da estrada, são amigos a quem te dás, sem reserva, e que te arrastam a dificuldades de longo curso.

Em várias ocasiões, são pessoas das quais enxugaste as lágrimas, situando-as na intimidade da própria vida, e que, de inesperado, te agridem a confiança com as pedras do desapreço.

Noutras circunstâncias, são companheiros de experiência que, de súbito, se transformam em adversários gratuitos de teu caminho, hostilizando-te, em toda parte.

Entretanto, se defrontado por semelhantes problemas, é indispensável te municies de amor e paciência, tolerância e serenidade, para fazeres a trama da incompreensão.

Guarda a consciência no dever lealmente cumprido e, haja o que houver, releva os golpes com que te firam, ofertando-lhes o melhor sentimento, a melhor ideia, a melhor palavra e a melhor atitude.

Água cristalina, pingando, gota a gota, converte o vaso de vinagre em vaso de água pura.

E, se depois de todos os teus gestos de fraternidade e benevolência, ainda te perseguem ou te injuriam, abençoa-os em prece e continua, adiante, fiel a ti mesmo, na certeza de que humildade, na hora da crise, é nota de quitação.
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 Emmanuel
Chico Xavier






sábado, 19 de abril de 2014

Deus está falando com você





Um homem sussurrou:

Deus fale comigo.

E um rouxinol começou a cantar mas o homem não ouviu.

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Então o homem repetiu:

Deus fale comigo!

E um trovão ecoou nos céus mas o homem foi incapaz de ouvir.

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O Homem olhou em volta e disse:

Deus deixe-me vê-lo!
 

E uma estrela brilhou no céu mas o homem não a notou.

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O homem começou a gritar:

Deus mostre-me um milagre!

E uma criança nasceu mas o homem não sentiu o pulsar da vida.

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Então o homem começou a chorar e a se desesperar:

Deus toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo...

E uma borboleta pousou suavemente em seu ombro.
O homem espantou a borboleta com a mão e, desiludido, continuou o seu caminho triste, sozinho e com medo.

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Até quando teremos que sofrer para compreendermos que Deus está sempre onde está a vida?

Até quando manteremos nossos olhos e nossos corações fechados para o milagre da vida que se apresenta diante de nós em todos os momentos?

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(Prece Indígena - Tradução e adaptação do Livro By San Etioy)
 




sexta-feira, 18 de abril de 2014

ALCOÓLATRA




Reunião da noite de 12 de janeiro de 1956.

Emocionadamente, o nosso grupo recebeu a visita de Joaquim Dias, pobre espírito sofredor que nos trouxe o doloroso relato ,de sua experiência, da qual recolhemos amplo material para estudo e meditação.



Alcoólatra!

Que outra palavra existirá na Terra, encerrando consigo tantas potencialidades para o crime?

O alcoólatra não é somente o destruidor de si mesmo. É o perigoso instrumento das trevas, ponte viva para as forças arrasadoras da lama abismal.

O incêndio que provoca desolação aparece numa chispa.

O alcoolismo que carreia a miséria nasce num copinho.

De chispa em chispa, transforma-se  o incêndio em chamas devoradoras.

De copinho a copinho, o vício alcança a delinquência.

Hoje, farrapo de alma que foi homem, reconheço que, ontem, a minha tragédia começou assim...

Um aperitivo inocente...

Uma hora de recreio. . .

Uma noite festiva...

Era eu um homem feliz e trabalhador, vivendo em companhia de meus pais, de minha esposa e um filhinho.

Uma ocasião, porém, surgiu em que tive a infelicidade de sorver alguns goles do veneno terrível; disfarçado em bebida elegante, tentando afugentar pequeninos problemas da vida e, desde então, converti-me em zona pestilencial para os abutres da crueldade.

Velhos inimigos desencarnados de nossa equipe familiar fizeram de mim seu intérprete.

A breve tempo, abandonei o trabalho, fugi à higiene e apodreci meu caráter, trocando o lar venturoso pela taverna infeliz. .

Bebendo por mim e por todas as entidades viciosas que nos hostilizavam a casa, falsifiquei documentos, matando meu pai com medicação indevida, depois de arrojá-lo à extrema ruína. .

Mais tarde, tornando-me bestial e inconsciente, espanquei minha mãe, impondo-lhe a enfermidade que a transportou para a sepultura. .

Depois de algum tempo, constrangi minha esposa ao meretrício, para extorquir-lhe dinheiro, assassinando-a numa noite de horror e fazendo crer que a infeliz se envenenara usando as próprias mãos e, de meu filho, fiz um jovem salteador e beberrão, muito cedo eliminado pela polícia. . .

Réprobo social, colhia tão-somente as aversões que eu plantava.

Muitas vezes, em relâmpagos de lucidez, admoestava-me a consciência:

- Ainda é tempo! Recomeça! Recomeça!

Entretanto, fizera-me um homem vencido e cercado pelas sombras daqueles que, quanto eu, se haviam consagrado no corpo físico à criminalidade e à viciação, e essas sombras rodeavam-me apressadas, gritando-me, irresistíveis:

- Bebe e esquece! Bebe, Joaquim!

E eu me embriagava, sequioso de olvidar a mim mesmo, até que o delírio agudo me sitiou num catre de amargura e indigência.

A febre, a enfermidade e a loucura consumiram-me a carne, mas não percebi a visitação da morte, porque fui atraído, de roldão, para a turba de delinquentes a que antes me afeiçoara.

Sofri-lhes a pressão, assimilei-lhes os desvarios e, com eles, procurei novamente embebedar-me.

A taverna era o meu mundo, com a demência irresponsável por meu modo de ser...

Ai de mim, contudo! Chegou o instante em que não mais pude engodar minha sede!...

A insatisfação arrasava-me por dentro, sem que meus lábios conseguissem tocar, de leve, numa gota do liquido tentador.

Deplorando a inexplicável inibição que me agravava os padecimentos, afastei-me dos companheiros para ocultar a desdita de que me via objeto.

Caminhei sem destino, angustiado e semi-louco, até que me vi prostrado num leito espinhoso de terra seca. . .

Sede implacável dominava-me totalmente. . .

Clamei por socorro em vão, invejando os vermes do subsolo.

Palavra alguma conseguiria relatar a aflição com que implorei do Céu uma gota d’água que sustasse a alucinação de minhas células gustativas...

Meu suplício ultrapassava toda humana expressão. ..

Não passava de uma fogueira circunscrita a mim mesmo.

Começaram, então, para mim, as miragens expiatórias.

Via-me em noite fresca e tranquila, procurando o orvalho que caía do céu para dessedentar-me, enfim, mas, buscando as bagas do celeste elixir, elas não eram, aos meus olhos, senão lágrimas de minha mãe, cuja voz me atingia, pranteando em desconsolo:

- Não me batas, meu filho! Não me batas, meu filho! . . .

Devolvido à flagelação, via-me sob a chuva renovadora, mas, tentando sorver-lhe o jorro, nele reconhecia o pranto de meu pai, cujas palavras derradeiras me impunham desalento e vergonha:

- Filho meu, por que me arruinaste assim?' Arrojava-me ao chão, mergulhando meu ser na corrente poluída que o temporal engrossava sempre, na esperança de aliviar a sede terrível, mas, na própria lama do enxurro, encontrava somente as lágrimas de minha esposa, de mistura com, recriminações dolorosas, fustigando-me a consciência:

- _Por que me atiraste ao lodo? e por que me mataste, bandido?

- De novo regressava ao deserto que me acolhia, para logo após me entregar à visão de fontes cristalinas...

-Enlouquecido de sede, colava a boca ao manancial, que se convertia em taça de fel candente, da qual transbordavam as lágrimas de meu filho, a bradar-me, em desespero:

- Meu pai, meu pai, que fizeste de mim?

Em toda parte, não surpreendia senão lágrimas... Arrastei-me pelos medonhos caminhos de minha peregrinação dolorosa, como um Espírito amaldiçoado que o vício metamorfoseara em peçonhento réptil...

Suspirava por água que me aliviasse o tormento, mas só encontrava pranto...

Pranto de meu pai, de minha mãe, de minha esposa e de meu filho a perseguir-me implacável...

Alma acicatada por remorsos intraduzíveis, amarguei provações espantosas, até que mãos fraternas me trouxeram à bênção da oração...

Piedosos enfermeiros da Vida Espiritual e mensageiros da Bondade Divina, pelos talentos da prece, aplacaram-me a sede, ofertando-me água pura...

Atenuou-se-me o estranho martírio, embora a consciência me acuse...

Ainda assim, amparado por aqueles que vos inspiram, ofereço-vos o triste exemplo de meu caso particular par escarmento daqueles que começam de copinho a copinho, no aperitivo inocente, na hora de recreio ou na noite festiva, descendo desprevenidos para o desequilíbrio e para a morte. . .

E, em vos falando, com o meu sofrimento transformado em palavras, rogo-vos a esmola dos pensamentos amigos para que eu regresse a mim mesmo, na escabrosa jornada da própria restauração.

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Joaquim Dias

Do livro Vozes do Grande Além. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

O AMOR DE CHICO XAVIER POR JESUS





Depoimento de Chico Xavier

"(...) Deus nos permita a satisfação de continuar sempre trabalhando na Grande Causa d'Ele, Nosso Senhor e Mestre.

Desde criança, a figura do Cristo me impressiona.

Ao perder minha mãe, aos cinco janeiros de idade, conforme os próprios ensinamentos dela, acreditei n'Ele, na certeza de que Ele me sustentaria.

Conduzido a uma casa estranha, na qual conheceria muitas dificuldades para continuar vivendo, lembrava-me d'Ele, na convicção de que Ele era um amigo poderoso e compassivo que me enviaria recursos de resistência e ao ver minha mãe desencarnada pela primeira vez, com o cérebro infantil sem qualquer conhecimento dos conflitos religiosos que dividem a Humanidade, pedi a ela me abençoasse segundo o nosso hábito em família e lembro-me perfeitamente de que perguntei a ela:

 - Mamãe, foi Jesus que mandou a senhora nos buscar?

Ela sorriu e respondeu:

 - Foi sim, mas Jesus deseja que vocês, os meus filhos espalhados, ainda fiquem me esperando...

Aceitei o que ela dizia, embora chorasse, porque a referência a Jesus me tranquilizava.

Quando meu pai se casou pela segunda vez e a minha segunda mãe mandou me buscar para junto dela, notando-lhe a bondade natural, indaguei

:- Foi Jesus quem enviou a senhora para nos reunir?

Ela me disse:

- Chico, isso não sei...

Mas minha fé era tamanha que respondi:

- Foi Ele sim...

Minha mãe, quando me aparece, sempre me fala que Ele mandaria alguém nos buscar para a nossa casa.

 E Jesus sempre esteve e está em minhas lembranças como um Protetor Poderoso e Bom, não desaparecido, não longe mas sempre perto, não indiferente aos nossos obstáculos humanos, e sim cada vez mais atuante e mais vivo."

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Fonte: Traços Biográficos de Chico Xavier




quinta-feira, 17 de abril de 2014

Amor


Quem verdadeiramente ama nunca se preocupa em ser amado.

O amor não faz exigência de nenhuma espécie, não impõe condições, não traça normas, não cobra retorno.

Aquele que reclama de sacrifício e renúncia desconhece o que é amor.

O amor é devotamento extremo, entrega absoluta, abnegação completa, doação desinteressada.

Por enquanto, amamos muito mais a nós mesmos do que amamos a Deus e ao próximo. Isto é egoísmo.

A distância que existe entre nós e o próximo, em essência, é a mesma que existe entre nós e Deus.

Aprendamos a ceder de nós mesmos renunciando aos nossos interesses pessoais.

Exercitemos o desprendimento.

Busquemos dar alegria, invés de nos colocarmos na expectativa de recebê-la.

Não esperemos que os outros girem na órbita de nossos caprichos, à feição de satélites em torno do Sol.

Não nos esqueçamos de que o amor não é uma algema que escraviza, mas sim um laço consentido parte a parte.
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Irmão José