sexta-feira, 30 de junho de 2017

Anotações da fé



Se queres elevar-te e engrandecer a vida,

Alma querida, escuta:

De tudo o que produz, serve, ampara e abençoa,

Nada existe sem luta.
*

  Árvore alguma, seja em qualquer parte,

Fornecendo socorro e espalhando alimento,

Cresceu e se formou para doar-se à gleba,

Sem chicotes do vento.

*
  Se talhada em madeira, a mesa que te apoia

O pão de cada dia

Foi nobre vegetal arrebatado à gleba

Para aguentar a serraria.

*
  Pedra que te suporta a residência,

Resguardando o equilíbrio que a domina,

Passou por marteladas muitas vezes,

A fim de se ajustar à disciplina.
*

 Quem sonhe paraíso de alegria

Sem sair de poltronas e almofadas,

Quem foge de ser útil, quem se omite,

Olhe as águas paradas.

*
  Quem reclama sucesso sem controle,

Menosprezando o sentimento alheio,

Assista a uma corrida em que se note

Algum carro sem freio.

*
  Sem participação, sem sacrifício,

A construção da paz jamais se apruma,

Sem canseira não há felicidade,

Nem se obtém conquista alguma.

*
  Alma querida, serve, ama e confia,

Ajuda para o bem seja a quem for,

Trabalho é luz de Deus a burilar-nos

Para o Reino do Amor.
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Maria Dolores 
Chico Xavier

 
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MENSAGEM DO ESE:
O que se deve entender por pobres de espírito
Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, v. 3.)
 
A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.
Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção. Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem.
Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à idéia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam. Daí o só terem sorrisos de mofa para tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério.
Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros, nesse mundo invisível de que escarnecem. É lá que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais.
Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem, para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e rico em qualidades morais.
 
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, itens 1 e 2.)

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