terça-feira, 17 de dezembro de 2019

PARTIR O PÃO



No ato de partir o pão é que revelas quem realmente és.

As tuas mãos em movimento são o teu retrato.

As mãos do egoísta não sabem dividir...

As do avaro estão sempre retraídas...

As do agressor cerram-se no punho...

Em contrapartida, as do homem benevolente estendem-se incondicionalmente...

Espalmam-se, dadivosas...

Não receiam os cravos da ingratidão...

Jamais se exaurem no esforço do auxílio.

Se queres saber quem és, observa como partes o teu pão.
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Irmão José - psic. Carlos Baccelli - do livro "Ao Alcance das Mãos"



MENSAGEM DO ESE:

Obediência e resignação

A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, se bem os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime não pode ser resignado, do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a encarnação dessas virtudes que a antigüidade material desprezava. Ele veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção. Veio fazer que, no seio da Humanidade deprimida, brilhassem os triunfos do sacrifico e da renúncia carnal.

Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vicio é a indiferença moral. Digo, apenas, atividade, porque o gênio se eleva de repente e descobre, por si só, horizontes que a multidão somente mais tarde verá, enquanto que a atividade é a reunião dos esforços de todos para atingir um fim menos brilhante, mas que prova a elevação intelectual de uma época. Submetei-vos à impulsão que vimos dar aos vossos espíritos; obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do espírito preguiçoso, ai daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! porquanto nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego e lhe submeteremos a vontade rebelde, por meio da dupla ação do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa terá de, cedo ou tarde, ser vencida. Bem-aventurados, no entanto, os que são brandos, pois prestarão dócil ouvido aos ensinos. 

— Lázaro. (Paris, 1863.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 8.)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Nas leis do destino



Há quem pense que o Criador, por vezes, sentencia Suas criaturas a sofrimentos eternos.

Contudo, tanto quanto se pode perceber, o Pai Celestial se manifesta através de leis que expressam ser Seu objetivo o bem supremo.

Essas leis podem ser observadas mesmo nos processos rudimentares do campo físico.

O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado.
Entretanto, se colocamos a mão no braseiro, é natural que venhamos a sofrer dolorosas consequências.

A máquina é parte acessória do progresso.
Mas em mãos que não a saibam manusear, pode se converter em instrumento de destruição.

Negligência, imperícia ou indisciplina na sua utilização causam resultados desastrosos.

Ocorre o mesmo nos planos da consciência.

Na matemática do Universo, o destino sempre dá para a criatura o que ela lhe der.

É inútil que autoridades de um ou outro princípio religioso pintem o Todo Poderoso com as tintas das paixões humanas.

Com frequência, ouvimos interpretações que assemelham Deus a um soberano rodeado de púrpura e riquezas.

A alguém que fica simplesmente governando Seus súditos à distância.

Segundo esses relatos, Ele se enraivece por falta de louvores ou pela desobediência dos Seus filhos.

Também se envaidece com adulações.

Os que assim apresentam a Divindade podem estar movidos de santos propósitos.

Talvez raciocinem sob o influxo de lendas e tradições respeitáveis do passado longínquo.

Mas se esquecem de que, mesmo perante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra.

Deus é amor.

Amor que se expande do átomo aos astros.

Mas é justiça também.

Justiça que atribui a cada Espírito segundo o que ele próprio escolheu.

Nosso Mestre Jesus disse que a cada um seria dado segundo as suas obras.

Sendo amor, Deus concede à consciência transviada tantas experiências quantas necessite, a fim de retificar o próprio caminho.

Sendo justiça, ignora privilégios de qualquer ordem. Para Ele, todos são iguais, filhos do Seu amor.

Jamais afirmemos, portanto, que Deus privilegia a uns e condena a outros.

Recordemos que não podemos raciocinar pelo cérebro alheio.

Também não podemos nos alimentar pela boca do próximo. Cada um é o responsável pelas suas próprias ações.

Deus nos criou a todos para que nos engrandeçamos, para que realizemos o progresso, de ordem intelectual e de ordem moral.

Em uma palavra, para que alcancemos a felicidade no mais amplo sentido.

Para isso, sendo amor, nos proporciona um caminho de bênçãos e de luzes.

Sendo justiça, determinou que cada Espírito possuísse vontade e razão.

Assim, nenhum de nós é vítima senão de si mesmo.

Cada qual nos adiantamos ou nos atrasamos, conforme queiramos, no decorrer de incontáveis existências.

O livre-arbítrio vigora amplamente no Universo.

Apenas é necessário arcar com as consequências das próprias opções.

Dessa forma, nossa vida, aqui ou no Além, será sempre o que quisermos, ou seja, o que dela fizermos
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Redação do Momento Espírita, com base no cap. LI, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
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Formatação e pesquisa: MILTER -15-12-2019




MENSAGEM DO ESE:

A ingratidão dos filhos e os laços de família

A ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos. Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. É, em particular, desse ponto de vista que a vamos considerar, para lhe analisar as causas e os efeitos. Também nesse caso, como em todos os outros, o Espiritismo projeta luz sobre um dos grandes problemas do coração humano.
Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de insaciados desejos de vingança; a alguns dentre eles, porém, mais adiantados do que os outros, é dado entrevejam uma partícula da verdade; apreciam então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar resoluções boas. Compreendem que, para chegarem a Deus, lima só é a senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.
Então, mediante inaudito esforço, conseguem tais Espíritos observar os a quem eles odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade se lhes desperta no íntimo; revoltam-se à idéia de perdoar, e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, sobretudo à de amarem os que lhes destruíram, quiçá, os haveres, a honra, a família. Entretanto, abalado fica o coração desses infelizes. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes dêem forças, no momento mais decisivo da prova.
Por fim, após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens superiores permissão para ir preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O incessante contacto com seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual não raro sucumbe, se não tem ainda bastante forte a vontade. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É como se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam da parte de certas crianças e que parecem injustificáveis. Nada, com efeito, naquela existência há podido provocar semelhante antipatia; para se lhe apreender a causa, necessário se torna volver o olhar ao passado.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9.)

domingo, 15 de dezembro de 2019

LEI DA FÍSICA



Toda ação é semelhante a um elástico que alguém se põe a esticar com as próprias mãos.

O elástico, após distender-se quanto pode, encolhendo-se, volta ao seu ponto de origem.

Porém, ao voltar, traz consigo a consequência da força tensional em que se alongou.

Tanto o bem quanto o mal, por mais se distanciem de seus autores, sempre retornam a eles com o resultado de seus benefícios ou prejuízos.

Portanto, em essência, o bem ou o mal que fazes pertencem a ti e não aos outros.

O chamado "choque de retorno", regendo o mundo moral das criaturas, é uma lei da Física.

Foi por isto que Jesus, em sua sabedoria, nos recomendou que aos outros fizéssemos o que gostaríamos nos fosse feito.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Ajuda-te e o Céu te Ajudará")



MENSAGEM DO ESE:


Reconciliação com os adversários

Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. — Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil. (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.)


Na prática do perdão, como, em geral, na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material. A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; donde decorre a falsidade do provérbio que diz: “Morto o animal, morto o veneno”, quando aplicado ao homem. O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão.


O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder. Deus o permite, para os punir do mal que a seu turno praticaram, ou, se tal não ocorreu, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando. Importa, conseguintemente, do ponto de vista da tranqüilidade futura, que cada um repare, quanto antes, os agravos que haja causado ao seu próximo, que perdoe aos seus inimigos, a fim de que, antes que a morte lhe chegue, esteja apagado qualquer motivo de dissensão, toda causa fundada de ulterior animosidade. Por essa forma, de um inimigo encarniçado neste mundo se pode fazer um amigo no outro; pelo menos, o que assim procede põe de seu lado o bom direito e Deus não consente que aquele que perdoou sofra qualquer vingança. Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando apaziguar as discórdias no curso da nossa atual existência; é, principalmente, para que elas se não perpetuem nas existências futuras. Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a justiça de Deus.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, itens 5 e 6.)

sábado, 14 de dezembro de 2019

HUMILDADE CELESTIAL



Ninguém mais humilde que Ele, o Divino
Governador da Terra.

Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a
manjedoura simples.

Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção;
contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.

Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.

Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e excusos, descerrando-lhe aos pés  caminho melhor.

Podia  erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio
humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu
regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.

Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.

Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que,
quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.

FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL
Psicografia: Francisco Cândido Xavier



MENSAGEM DO ESE:

Observai os pássaros do céu (II)

A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência do outro; e cada um terá o necessário. O rico, então, considerar-se-á como um que possui grande quantidade de sementes; se as espalhar, elas produzirão pelo cêntuplo para si e para os outros; se, entretanto, comer sozinho as sementes, se as desperdiçar e deixar se perca o excedente do que haja comido, nada produzirão, e não haverá o bastante para todos.

Se as amontoar no seu celeiro, os vermes as devorarão. Daí o haver Jesus dito: “Não acumuleis tesouros na Terra, pois que são perecíveis; acumulai-os no céu, onde são eternos.” Em outros termos: não ligueis aos bens materiais mais importância do que aos espirituais e sabei sacrificar os primeiros aos segundos. (Cap. XVI, nº 7 e seguintes.)

A caridade e a fraternidade não se decretam em leis. Se uma e outra não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, item 8.)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O investimento na infelicidade



Quanto mais você se torna confinado em seu eu, mais a vida se torna sem sentido. Então você fica infeliz. Então a infelicidade tem algumas outras compensações.

Quando você está feliz você se torna comum, porque ser feliz é simplesmente ser natural. Ser infeliz é se tornar extraordinário. Não há nada especial em ser feliz – as árvores são felizes, os pássaros são felizes, os animais são felizes, as crianças são felizes. 

O que há de especial nisso? É apenas a coisa usual na existência. A existência é feita de uma coisa chamada felicidade. Olhe só essas árvores! ...tão felizes! Veja os pássaros cantando ...de um jeito tão feliz! A felicidade não tem em si nada de especial. Felicidade é uma coisa muito comum.

Estar jubiloso é ser absolutamente comum. 

O eu, o ego, não permite isso.

 Por isso as pessoas falam muito sobre suas infelicidades. Elas se tornam especiais só pelo fato de falarem sobre suas infelicidades. As pessoas continuam falando sobre suas doenças, suas dores de cabeça, seus estômagos, seus issos e aquilos. Todas as pessoas são de uma maneira ou de outra hipocondríacas. E se alguém não acredita na sua infelicidade, você fica magoado. 

Se alguém se solidariza com você e acredita na sua infelicidade – até mesmo em sua exagerada versão dela – você se sente muito feliz. Isto é uma coisa estúpida, mas tem de ser entendida.

A infelicidade torna você especial. A infelicidade torna você mais egoísta. Um homem infeliz pode ter um ego mais concentrado do que um homem feliz. Um homem feliz na verdade não pode ter o ego, porque uma pessoa só se torna feliz quando não existe ego. Quanto mais desprovido de ego, mais feliz; quanto mais feliz, mais desprovido de ego. Você se dissolve na felicidade.

- Osho, em "A jornada de ser humano" -




MENSAGEM DO ESE:

Destino da Terra e causas das misérias humanas 

6. Admira-se de encontrar sobre a Terra tanta maldade e más paixões, tantas misérias e enfermidades de toda a sorte, concluindo-se quão deplorável é a espécie humana. Esse julgamento provém de um ponto de vista limitado, e que dá uma falsa ideia do conjunto. É preciso considerar 
que, na Terra, não se encontra toda a Humanidade, mas apenas uma 
pequena fração dela. Na verdade, a espécie humana compreende todos os 
seres dotados de razão que povoam os inumeráveis mundos do Universo. 

Ora, o que é a população da Terra diante da população total desses mundos? 
Bem menos que a de um vilarejo em relação à de um grande império. A condição material e moral da Humanidade terrena nada tem de espantosa, se pensarmos nos destinos da Terra e na natureza de sua população.

7. Faríamos uma ideia bem falsa dos habitantes de uma grande cidade, se a julgássemos pela população dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados. Numa prisão, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, 
a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Do mesmo modo, se considerarmos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal – pois ela é, muitas vezes, tudo isso a um só tempo – compreenderemos porque as aflições sobrepujam os prazeres, pois não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção aqueles que não cometeram crimes, porque nem os hospitais nem as casas de correção são lugares prazerosos. Assim como, numa 
cidade, toda a população não está nos hospitais ou nas prisões, assim toda a Humanidade não se encontra na Terra. Da mesma forma como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando a pena é cumprida, o homem deixa a Terra para mundos mais felizes, quando se cura de suas enfermidades morais.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Resguarda-te na prece


Quando a tristeza chegar, deixando os teus dias mais escuros e o teu coração pesado, resguarda-te na prece.

Quando as dificuldades te parecerem grandes demais e te sentires a ponto de sucumbir, resguarda-te na prece.
Quando a saudade apertar o teu coração, fazendo-o sangrar de dor, resguarda-te na prece.

Quando o dia te parecer difícil de vencer, quando as horas demorarem a passar, resguarda-te na prece.

Quando tudo te parecer contrário à time o pensamento de que Deus te esqueceu vier, resguarda-te na prece.

Quando tudo for luz, a alegria tomar conta do teu coração e te achares o mais venturoso dos Homens, busca a prece.

Resguarda-te na prece em todos os momentos de tua vida.

Faz dela uma companheira diária e fiel.

Lembra-te da conexão com Deus, com a Divindade, que se inicia dentro de cada um.

Não se pode prescrever fé. Não se pode doar a outrem uma conquista
que é intransferível, pessoal e única.

Cada um, no seu momento, passará pelo despertamento. Geralmente através da dor. Não porque o Pai seja punitivo. Mas porque ainda estamos na infância espiritual, onde precisamos, necessitamos mesmo das ferramentas dolorosas para avançarmos e não estagnarmos na nossa própria prepotência de supor saber o que é melhor para nós mesmos.

O que hoje te parece um desafio difícil, mais tarde servirá de escudo valoroso a te livrar de dores maiores ou até proteger da tempestade que por ventura chegará.

Quando todos te virarem as costas e não acreditarem em ti, resguarda-te na prece.

Quando os teus familiares, os teus mais caros amores te incompreenderem na escolha da fé, resguarda-te na prece.

Através da prece sentirás a doce presença do teu espírito-guia a te emanar consolações, inspirações, ânimo.

Através da prece alcançarás o caminho seguro que te levará ao mundo venturoso que Deus promete aos seus escolhidos.

E os escolhidos são aqueles que perseveram na fé, apesar de todas as contrariedades, apesar do mundo te parecer duro e ingrato, apesar de toda dor e desamor que faceias todos os dias, se persistires na fé terás forças para renovar a tua morada. Para conhecer um mundo novo, venturoso, cheio de esperanças, de fraternidade e de harmonia.

Por isso, resguarda-te na prece seja qual for a situação que te encontres.

Se conseguires alcançar esse hábito salutar, te perceberás mais forte, poupado de dissabores inúteis, de inimigos oportunistas e com uma força interior que nada poderá abalar.

Lembra-te, resguarda-te na prece.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe os teus propósitos de renovação e de evolução.
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Irmã Scheilla
  



MENSAGEM DO ESE:
Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. — São Luís. (Paris, 1860.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.)


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019



Martim Gouveia, moço ainda, afeiçoara-se a pilhar residências incautas, subtraindo o que pudesse, sem nunca ter caído nas mãos das autoridades.

Naquela noite namorara atentamente uma casa fechada qual se ninguém residisse ali.

Pé-ante-pé galgou o muro do quintal e forçou a porta dos fundos.

Abriu-a com habilidade, penetrando na moradia.

Passou pela cozinha e ganhou o interior.

Procurou um dos quartos onde esperava encontrar valores maiores e empurrou de leve a porta.

Nisso, contudo, ouviu respiração estertorosa.

Julgando ser alguém que dormia ressonando, avançou mais ainda.

Admirado, vê então um vulto que se esparrama num leito.

O intruso leva a mão ao punhal. Mas ouve a voz fraca e entrecortada de um homem deitado que o vislumbra no lusco-fusco.

O desconhecido alonga os braços e fala sob forte emoção.

- Oh! Graças a Deus! Você escutou os meus gemidos, meu filho? Foram os Espíritos! Você é um enviado dos Mensageiros Divinos!...

Martim Gouveia, surpreso, abandona a ideia da arma.

Adianta-se para o velhinho que pode agora distinguir sob a luz mortiça do luar através da vidraça.

O ancião repete maravilhado:

- Oh! Graças a Deus! Meu filho, preciso muito de você... Sou paralítico e sem ninguém... Não tenho forças para gritar... Há muito tempo não recebo visitas. Você me ouviu!...

Depois de pequena pausa continuou...

- Busque um remédio... Sinto muita falta de ar... Leia algo que me conforte... Para não morrer sozinho... Você é um enviado dos Espíritos...

E porque o enfermo lhe estendesse um livro, Martim Gouveia, condoído, acendeu a luz e dispôs-se a ler, emocionado...

Era um exemplar de O Evangelho segundo o Espiritismo, ensebado de suor e de lágrimas.

O hóspede imprevisto leu e releu, até alta madrugada e, desde aquele instante, desistiu de assaltos e de furtos, cuidando do velhinho, administrando-lhe remédios, prestando-lhe assistência e lendo com ele os Livros Espíritas da sua predileção.

Após cinco meses, o doente desencarnou em clima de paz, deixando-lhe como herança a casa e os bens e sua alma renovada pelo exemplo de fé nos Bons Espíritos.
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Hilário Silva
Do livro Ideal Espírita, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



MENSAGEM DO ESE:

Mundos regeneradores

Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.
Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.
Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.
Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.
Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. 

— Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, itens 16 a 18.)