segunda-feira, 8 de julho de 2013

Tempo para a beleza


Reserva um breve espaço de tempo entre os teus deveres para a beleza.

Desperta cedo, a fim de acompanhar o nascer do dia, embriagando-te com a pujança da luz.

Caminha por um bosque, silenciosamente, aspirando o ar da Natureza.

Movimenta-te numa praia deserta e reflexiona em torno da grandiosidade do mar.

Contempla uma noite estrelada e faze mudas interrogações.

Contempla uma rosa em pleno desabrochar...

Detém-te ao lado de uma criança inocente...

Conversa com um ancião tranquilo...

Abre-te à beleza que há em tudo e adorna-te com ela.
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Joanna de Ângelis
 





domingo, 7 de julho de 2013

Chico Xavier e O PERDÃO


A reunião do sábado, dia 26.03.83, trouxe-nos aos comentários o Cap. X, no seu item 14 — "Perdão das ofensas". Estávamos na semana que antecede o natalício do nosso querido Chico... 
No dia 2 de abril ele completaria, como o fez, 73 anos de abençoada existência.

Como de praxe, vários amigos falaram sobre o tema da tarde. 
Digno de nota o que ocorreu, enquanto estudávamos a questão do perdão: um cão de pelos negros passeava, despreocupadamente, por entre as pernas dos companheiros assentados nos bancos... Ele até cheirava mal. Por certo teria rolado nos restos orgânicos de algum outro animal morto, e trazia as patas sujas de lama... 
Incomodados, alguns batiam levemente com o pé no animal, tentando afastá-lo, até que alguém agarrou-o pelos pelos... Ele ganiu muito.

 Para nossa surpresa, porém, o Chico pediu que lhe pusessem o cachorro no colo... E, sem se importar com a roupa que sujava, ele permaneceu boa parte do culto acariciando aquele vira-lata, sussurando aos seus ouvidos palavras de carinho... A lição foi grandiosa, e, depois que a reunião se encerrou, muitos estavam alisando o animal... Bem, vamos reproduzir agora o comentário de Chico sobre o tema do perdão.

"Estou ouvindo o nosso Emmanuel que nos pede um minuto de consideração em torno dos recursos da nossa inteligência, porque, naturalmente, a Providência Divina nos permitiu a lucidez de que dispomos para podermos discernir tudo aquilo que seja o bem ou o mal.

"A Natureza em que vivemos, e da qual dependemos diariamente, é um reino em que o Senhor nos situou, para que desfrutássemos de todas as vantagens que Ele nos pudesse oferecer em benefício da nossa vivência e sobrevivência no Planeta. 

"Quantas vezes somos perdoados pelos animais?...

"Se as nossas vacas pudessem fazer um sindicato e levar à justiça um requerimento para que não sejam tão maltratadas, tão esgotadas... Se, por exemplo, as árvores frutíferas, não nos perdoassem a agressividade exagerada não teríamos a nossa mesa tão rica para a para a refeição de cada dia.

"A Natureza é também a face do perdão de Deus para conosco.

"Quando falamos em perdão, sempre nos colocamos na posição do benfeitor que está apto a perdoar; no entanto, somos tolerados diariamente pela Providência Divina...

"Nós, por exemplo, engordamos o suíno. Quem vê o cuidado de uma pessoa engordar um suíno, supõe, naturalmente, que a pessoa esta pensando no conforto do animal...

"Criamos as galinhas, e, quando queremos aproveitar da carne, as chamamos com muita ternura:

 — Vem cá, nega... E quando ela se aproxima passamos a faca no seu pescoço...

"Quando chega o Natal, tempo de honrarmos a Nosso Senhor Jesus Cristo, é o tempo — existem pesquisadores escutando a comunicação com as árvores, os animais — em que a matança é imensa; escolhemos a classe dos perus. Se eles pudessem, corriam de nós mil léguas, quando falássemos o nome de Jesus... 

"Somos perdoados diariamente...
"Ninguém vai deixar de se alimentar... A pecuária vai imperar ainda por muitos séculos. Referimo-nos ao excesso. Se dois frangos bastam por que matar vinte? Se já temos a carne dos perus, por que querer a do bovino, a do porco, a da perdiz? Referimo-nos ao excesso, porque o excesso nos vicia, criando problemas sérios para a saúde.

"Devíamos fazer uma certa poupança dos recursos com que a Mãe Natureza nos socorre — se lhe acabarmos com todos os recursos, ficamos desvalidos...

"Tantos cientistas se preocuparam com esse assunto, que criaram a ciência ecológica; é um nome bonito, mas podiam simplificar mais.

Amor à Natureza, amor a uma árvore, a um muar...

"A palavra ecologia é muito bela, mas é uma palavra pouco acessível para nós. Os cientistas nos poderiam ensinar o amor à Natureza. Nós não sentimos afinidade com a palavra, os cientistas nos poderiam ajudar... Amor à Natureza, aos animais, proteção para com outros reinos inferiores...

"Encontramos tantos exemplos de bondade, de compreensão, de auxílio no campo dos animais, das árvores, que esse termo — reinos inferiores — é pouco simpático... Não vemos inferioridade no cão que nos ajuda a exercer vigilância na nossa casa, nas vacas que nos fornecem leite como se fossem nossas empregadas... 
Às vezes, extraímos o leite da vaca, amarrando-lhe o filho à perna... Trabalhei 35 anos no Ministério da Agricultura; lidei com ovelhas, cabras, muares, cavalos, vacas, touros... Eu vi muita coisa. Não podemos classificar essas criaturas como sendo inferiores... Estão no estágio evolutivo que, lhes é próprio...

"É muito interessante que observemos tudo isso.

"Agora é uma observação minha, pessoal. Eu trabalhei numa repartição em que o chefe era um homem boníssimo; ele experimenta a boa vontade, a assiduidade, a disciplinada do funcionário, dando-lhe condução para a sua própria residência, depois que esse funcionário trabalhasse por doze anos... Para que eu tivesse acesso à uma charrete, trabalhei, portanto, doze anos... Era considerado um prêmio. Mas, na charrete que eu ia também o almoxarife da repartição. O almoxarife era uma pessoa preparada, um bom companheiro mais na charrete cabiam apenas duas pessoas. Eu não aprendi a guiar, não aprendi a guiar nem mesmo a mim próprio... Ele é quem guiava a charrete. O burro que nos auxiliava chamava-se Maquinista. O Maquinista andava devagar. Para que o Maquinista andasse depressa tinha que ser ferido no traseiro, e também para o chefe não ver, pois ele não gostava que se maltratasse os animais. O almoxarife construiu uma espécie de ferrão, para que o Maquinista andasse depressa. 

Meu chefe dizia:

 — Engraçado, com esse funcionário, o burro é sempre esperto, ativo...

"Se o animal não corresse, ele fazia uma ferroada debaixo da cauda, às vezes fazia até sair um pouquinho de sangue...

"Durante seis anos com a charrete eu vi isto sem poder dizer nada, pois ele era um chefe intermediário...
Às vezes, escondido, passava uma pomada no lugar.
 Se eu denunciasse... ele era pai de família... 
Depois, ele pediu transferência para os Correios, de Belo Horizonte. 

No dia da despedida, o Maquinista ainda nos levou. Quando voltamos, o burro, muito suado, cansado, trouxe o nosso chefe.

 Este, então, disse: 

— Maquinista, ficamos sem a companhia de fulano de tal, que pena, não é, Maquinista?... 
Mas, você trabalhou, está com a consciência tranquila, não é mesmo, Maquinista?

"Eu nunca havia visto um burro rir como um jumento.
E ele o fez: Ah! ah! ah! ah!... umas quarenta vezes"!

"Meu chefe me falou: 

— Aquela risada daquele burro me impressionou: você não acha alguma coisa?

"— Eu não posso saber, eu sou um servidor — respondi.

"Mas havia um companheiro que contou:

 — Levante a cauda do Maquinista que o senhor vai ver.

"Tinha aquelas cicatrizes enormes.

"Meu chefe, então, mandou aposentar o burro, dois anos no pasto sem trabalhar para ninguém... 

Ele nos perdoava, aguentava tudo aquilo, não podia denunciar... 

O negócio de aguentar calado não é só conosco, não ."

Cremos que qualquer comentário seja desnecessário. 
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Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro (Carlos A. Bacelli)

Alegria




A alegria real é aquela que nasce do dever cumprido com base na consciência tranquila.

A alegria, quando extrapola os seus limites, é fonte de muitas lágrimas.

Viver com alegria é viver com saúde e paz.

As vibrações alegres e otimistas têm o poder de regenerar as células enfermas, tanto quanto o de levantar as almas apáticas.

Quem compreende o sentido da vida sabe superar com alegria todas as provas com as quais se defronte.

Quem procura alegrar-se nos prazeres transitórios apenas encontra mágoa e desilusão ao fim de fugaz alegria.

O homem de fé, sobretudo, é um homem que traz a felicidade represada na alma, pela insuperável alegria de amar ao próximo como a si mesmo.

A alegria que nos falta, não raro, é a alegria que negamos aos outros.

Um sorriso de simpatia atrai incontáveis bênçãos de carinho.

Aprendamos a sorrir para a Vida para que a Vida continue a sorrir para nós.

O homem que vive contrariado e de tudo reclama, vendo obstáculos em toda parte, está em profunda desarmonia com a Vida, que é a Suprema Alegria de Deus!
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Irmão José





sábado, 6 de julho de 2013

Todos Podemos


Nem todos revelamos grandezas, mas todos podemos cultivar humildade.

Nem todos demonstramos conhecimentos superiores, mas todos podemos estudar.

Nem todos conseguimos sustentar, economicamente, as boas obras, mas todos podemos efetuar essa ou aquela prestação de serviço.

Nem todos guardamos a competência ou o dom de curar, mas todos podemos, de um modo ou de outro, auxiliar aos nossos irmãos enfermos.

Nem todos estamos habilitados para mandar, mas todos podemos servir.

Nem todos somos heróis, mas todos podemos ser sinceros, justos e bons.

Nem todos nos achamos em condições de realizar muito no socorro aos que sofrem, mas todos podemos oferecer algo de nós, em favor deles.
Irmãos!
 Não alegueis indigências, pequenez, fraqueza, incapacidade ou ignorância para desertar do trabalho a que somos chamados.
 Comecemos, desde agora, a edificação do Reino de Deus, em nós e em torno de nós, através do serviço que já possamos fazer.
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Albino Teixeira 
Chico Xavier





sexta-feira, 5 de julho de 2013

Desce para Ajudar



Fácil é buscar os recursos da subida, embora muitos se desencantem ao primeiro contato com o pedregulho da montanha íngreme... É sempre doce planejar a ascensão e amealhar recursos para a acidentada viagem.

Promessas, abraços, carinhos são prazeres acessíveis a todos...

Entretanto, quão poucos se lembram de “descer para ajudar”! 
Quão raros os corações que aprendem a apagar temporariamente a colorida lanterna dos próprios sonhos, a fim de estenderem braços amigos aos que se debatem na sombra do vale ou no lodo escuro do pântano!

Todos sabem que há ignorância, dor e miséria, onde as trevas se aninham, mas dificilmente alguém se recorda de acender alguma claridade para os que, ainda, de muito longe, lhe seguem os passos.

.– Não posso! – dizem uns.

– É pecado! – clamam outros.

– Não devo – respondem muitos.

No entanto, Jesus desceu e amparou-nos; renunciou à sublimidade dos anjos e conviveu com os homens; obscureceu a própria refulgência divina e abraçou os pecadores e os transviados na senda terrestre.

Caridade! Caridade!
 Não estarás ao pé das chagas que agonizam, dos trapos que choram, dos gemidos que não têm voz? 
Não viverás pelos braços dos justos, amenizando os padecimentos dos que se projetaram no desfiladeiro da expiação ou no berço dos que renascem sob o temporal das lágrimas no abandono e na indigência?

É por isso que o Mestre, em nos buscando na Terra, fez-se o servidor de todos...

Se tens, pois, na realidade, um coração corajoso, saberás descer com Ele, ajudando e ensinando, levantando e servindo, à maneira do lírio puro que desabrocha no charco sem contaminar-se, convertendo o inferno das criaturas em paraíso do bem para a glorificação do Supremo Senhor.
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Agar
  Francisco Cândido Xavier







quinta-feira, 4 de julho de 2013

3 Mensagens de Ajuda


EPITÁFIO



Quando era jovem e livre, sonhava em mudar o mundo.

Na maturidade, descobri que o mundo não mudaria.

Então resolvi transformar meu país.

Depois de algum esforço, terminei por entender que isso também era impossível.

No final de meus anos, procurei mudar minha família, mas ela continuou a ser como era.

Agora, no leito de morte, descubro que minha missão teria sido mudar a mim mesmo.

Se tivesse feito isso, teria sido capaz de transformar minha família.

Então, com um pouco de sorte, esta mudança afetaria meu país e — quem sabe — o mundo inteiro.
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SERENIDADE
 

Esteja sempre em paz com Deus.

Evite os barulhentos e os agressivos. Eles constrangem o espírito.

Exercite a fortaleza de ânimo para se garantir nos desastres súbitos.

Não despreze sua carreira, por mais humilde que seja.

Proceda com cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de raposas.

Procure ser feliz, porque, afinal, não é tão difícil assim!

Sem sacrificar seus princípios, seja cordial com todos.

Transite com calma entre a bulha e a pressa e não se recuse à paz do silêncio.

Sejam quais forem suas lutas e seus ideais, viva em paz com sua alma, mesmo no fragor das batalhas.
 Malgrado as imposturas, as durezas e as decepções, o mundo ainda é belo. 
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COMO VIVER BEM
 

Aceite com simpatia as sugestões que lhe são dadas.

Afaste-se de fatos e pessoas negativas.

Aja prontamente, sem vacilar, quando for necessário.

Ande bem vestido, limpo e perfumado. Goste de sua própria imagem.

Cuidado com as notícias ruins: fique longe delas!

Cultive a alegria, o riso, o bom humor.

Encare a realidade com os pés no chão.

Faça tudo com sentimento de perfeição, prestando atenção aos mínimos detalhes.

Ilumine mais seu ambiente de trabalho e sua casa. A escuridão traz depressão.

Não reclame e não fale mal dos outros.

Não se drogue por não ser capaz de suportar a própria dor.

Seja alguém sempre pronto a colaborar.

Surpreenda as pessoas com momentos mágicos. 
 

10 sugestões para meditar, antes da crítica:




I — Colocar-nos no lugar da pessoa acusada, pesquisando no íntimo quais seriam as nossas reações nas mesmas circunstâncias.

II — Perguntar a nós mesmos o que já fizemos, em favor da criatura em dificuldade para que ela não descesse de nível.

III — Reconhecer o grau de responsabilidade que nos compete no assunto em pauta.

IV — Observar o lado bom do irmão ou da irmã em lide, a fim de concluir se não temos mais razões para agradecer e louvar do que para aborrecer ou reprovar.

V — Recorrer à memória e lembrar, com sinceridade, se já conseguimos vencer qualquer grande crise moral da existência, sem o auxílio de alguém.

VI — Verificar, em sã consciência, se temos efetivamente certeza da falta pela qual são apontados o companheiro ou a companheira, em torno de quem somos convidados a emitir opinião.

VII — Deduzir, pelo estudo de nós próprios, se possuímos suficientes recursos para corrigir sem ofender.

VIII — Examinar até que ponto a criatura acusada terá agido exclusivamente por si ou sob controle e domínio de obsessores, sejam eles encarnados ou desencarnados, com interesse na perturbação do ambiente em que vivemos.

IX — Refletir na maneira pela qual estimamos ser tratados por nossos amigos quando entramos em erro.

X — Orar pelos nossos irmãos menos felizes e por nós mesmos, antes de criticar-lhes quaisquer manifestações.
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André Luiz
 Francisco Cândido Xavier
 



quarta-feira, 3 de julho de 2013

Distâncias



Amigo,

Você é daqueles que antes de iniciarem qualquer empresa se inquietam com as distâncias e desanimam ao considerar o esforço a despender?

Se o é, siga-me nestas rápidas empresas e responda-me se já se preocupou em examinar alguma delas.

Entre a mentira e a infâmia, a distância é de um conceito.

Do aperitivo à embriaguez contumaz, a distância é o próximo cálice.

Do ódio à loucura, a distância é um grito.

Do ciúme ao crime, a distância é a circunstância.

Da cobiça ao roubo, a distância é a ocasião.

Da fraude à traição, a distância é o medo!

Da mágoa conservada à inimizade aviltante, a distância é a revolta surda.

Do receio cultivado ao pavor atormentante, a distância é o susto.

Da autodefesa injustificável à represália sanguinária, a distância é a própria exacerbação de ânimos.

Da maledicência discreta à difamação ultrajante, a distância é de poucas palavras.
 Mas do ódio ao amor a distância é, às vezes, constituída de penoso renascimento na carne, ao jugo de incoercível afeição.

E as distâncias dos vícios às virtudes são de algumas experiências no cadinho purificador através das reencarnações redentoras.

Diga-me agora em que situação você se encontra, e, considerando o programa que imprime à vida, pense com cuidado nessas distâncias a vencer, medite, vigie, ore e avance com Jesus.
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 Marco Prisco







terça-feira, 2 de julho de 2013

Problemas




Em qualquer problema no caminha da vida, a resposta cristã será sempre desfazer a força do mal pela força do Bem.

O coração aberto às sugestões do Bem aclara a consciência, dilatando-lhe a grandeza.

A consciência sem mancha ilumina a mente, renovando-lhes as manifestações.

A verdadeira renúncia não é desistência da luta e, sim, o trabalho silencioso no auxílio àqueles que nos propomos auxiliar ou salvar.

Aprendamos a viver para o Bem dos outros, a fim de encontrarmos o nosso verdadeiro Bem.
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Emmanuel
Chico Xavier