quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Uso e Abuso

 
O uso é o bom-senso da vida e o metro da caridade.
Vida sem abuso, consciência tranquila.
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Uso é moderação em tudo.
Abuso é desequilíbrio.
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O uso exprime alegria.
Do abuso nasce a dor.
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Existem abusos de tempo, conhecimento e emoção.
Por isso, muitas vezes, o uso chama-se “abstenção”
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O uso proporciona a reminiscência confortadora.
O abuso forja a lembrança infeliz.
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Saber fazer significa saber usar.
Todos os objetos ou aparelhos, atitudes ou circunstâncias exigem uso adequado, sem o que surge o erro.
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Doença – abuso da saúde.
Vício – abuso do hábito.
Supérfluo – abuso do necessário
Egoísmo – abuso do direito
Todos os aspectos menos bons da existência constituem abusos.
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O uso é a lei que constrói.
O abuso é a exorbitância que desgasta.
Eis por que progredir é usar bem os empréstimos de Deus.
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André Luiz
Chico Xavier 
Obra: Estude e viva







quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Em Todos os Lugares


Onde todos gritam, silencia.
Onde muitos condenam, compreende.

Onde vige o desespero, pacifica.
Onde lavre o ódio, ama.

Onde houver sombra, ilumina.
Onde domine o mal, ora.

Onde chora a penúria, socorre.
Onde tropeça alguém, auxilia.

Onde existe ressentimento, perdoa.
Onde nasce a tentação, resiste.

Em todos os lugares,
Persevera no Bem e espera por Deus.
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Irmão José



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

NAS HORAS MAIS DIFÍCEIS


Ainda quando te encontres caído sob o peso de grandes provações, levanta-te e caminha para a frente, cumprindo os teus deveres com fidelidade.
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Ainda mesmo te sintas sozinho nas lutas de cada dia, não desertes do campo de batalha em que a vida te situa, atendendo às tuas necessidades evolutivas.
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Ainda quando te percebas à beira do fracasso, semelhante a abismo que se escancare aos teus pés, não te creias sem forças para continuar, porquanto a Misericórdia Divina a ninguém desampara.
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Ainda mesmo te vejas mergulhado em tristeza, qual se a própria existência carecesse de sentido aos teus olhos, deixa que a esperança prossiga te embalando os sonhos de felicidade.
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Ainda quando te observes incompreendido pelos afetos mais queridos da alma, silencia e espera, aprendendo a renunciar agora para conquistar depois.
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Ainda mesmo te consideres perdido no estranho labirinto dos problemas engendrados pela tua invigilância, não te entregues ao desespero, pedindo aos Céus que te auxiliem a solucioná-los com dignidade.
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Haja o que houver e estejas como estiveres, não te precipites em tuas decisões, de vez que é nas horas mais difíceis que tens oportunidade de provar a ti mesmo o valor da própria fé.
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Irmão José






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ACENDE A LUZ


Ao longo do caminho em que jornadeias para diante, encontrarás a treva a cercar-te em todos os flancos.
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Trevas da ignorância em forma de incompreensão, nevoeiros de ódio em forma de desespero, neblinas de impaciência em forma de lágrimas e sombras de loucura em forma de tentações sinistras.
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Acende, porém, a luz da oração e caminha.
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A prece é claridade que te auxiliará a ver a amargura das vítimas do mal, as feridas dos que te ofendem sem perceber, as mágoas dos que te perseguem e a infelicidade dos que te caluniam.
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Ora e segue, adiante.
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O horizonte é sempre mais nobre e a estrada sempre mais sublime,
desde que a oração permaneça em tua alma em forma de confiança e de luz.
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André Luiz
Chico Xavier 
Obra: Servidores no Além 





sábado, 12 de dezembro de 2015

SEMPRE MAIS

 

Observai a natureza e compreendereis a lição evangélica do “sempre mais”

Quanto mais se humilha a fonte nas profundezas do solo, mais recebe os fios d’água, transformando-se em grande rio.

Quanto mais se ajusta o combustível, mais se alastra o fogo devastador.

Quanto mais se demora o lodo no chão, mais se estende ao derredor.

Assim também, no campo de nossa vida moral, teremos sempre daquilo que produzimos.

Comfiemo-nos à leve sombra de tristeza e, a breve tempo, padeceremos infinito desânimo.

Fujamos à fraternidade e a solidão viverá conosco.

Rendamo-nos às tentações de rebeldia e a cólera explodirá, por dinamite invisível da morte, em nosso veículo de manifestação.

Neguemos entrada ao amor em nossa alma e o ódio cristalizar-se-á, violento, em nosso mundo íntimo.

Adiemos o nosso aprendizado para o futuro e, amanhã, nossa ignorância se fará mais pesada.

Fixemos os defeitos do próximo e acordaremos no espinheiro da maledicência.

Um gesto de simpatia convocará a solidariedade em nosso favor.

Estendamos a luz da boa vontade a alguém e o auxílio de minutos virá em nosso encontro.

Tudo é sintonia no Universo.

Tudo se encadeia na vida, segundo as origens dos nossos sentimentos, ideias, palavras e ações.

Não te esqueças de que a Lei te conferirá, em dobro e “sempre mais”, de acordo com aquilo que desejas e produzes.
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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Mãos marcadas





 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Os três votos de Francisco


POBREZA - CASTIDADE – OBEDIÊNCIA

Eis os três votos de Francisco.

Será mesmo possível alguém viver em absoluta fidelidade a esses princípios? Não será isso utopia?

Em nome da própria verdade, poder-se-ia argumentar da seguinte maneira:

Pobreza é o oposto de riqueza, e se riqueza é progresso, logo pobreza pode ser decadência; pobreza é o contrário de conforto, e se conforto é bem-estar e bonança, logo, pobreza pode ser sofrimento e miséria.

Castidade é oposto de prazer, e se prazer é alegria, logo castidade pode ser tristeza; castidade é o contrário de fertilidade, e se fertilidade é crescimento e renovação, logo castidade pode ser atrofiamento e distorção.

Obediência é o oposto de comando, e se comando é determinação, logo obediência pode ser debilidade; obediência é o contrário de liderança e se liderança é coordenação e autoridade, logo obediência pode ser descontrole e fraqueza.

Este argumento é respeitável, porém, tendencioso e falho.

A razão mais alta, bafejada pelo amor, interpreta os três votos de outra forma:

Pobreza é riqueza, porque a alma vazia de preocupações materiais é invadida de valores espirituais; pobreza é evolução, porquanto o ser, livre do complexo de posse, passa a viver a sua realidade intrínseca, consciente da sua natural função no Universo.

A pobreza consciente não representa dor nem miséria. A riqueza dos homens que não sabem ser pobres é que produz fome e revolta. Quando os ricos do mundo decidirem ser pobres, isto é, desapegados, os bens da vida serão melhor distribuídos e haverá mais alegria em todos os corações.

Castidade é alegria, porque o espírito comedido e educado nas suas expansões, harmoniza-se com a Lei Natural e passa a desfrutar de prazeres em outra dimensão; castidade é fecundidade, porquanto a pessoa devidamente amadurecida, pode transferir seu potencial de energias para grandes realizações no campo da espiritualidade.

A castidade consciente não representa atrofiamento, nem degradação. O homem casto por maturação espiritual, de livre vontade, integrado com amor em tarefas de benemerência, é alguém capaz de contribuir largamente para a evolução do mundo.

Obediência é comando, porque não se trata de subordinação cega, servilismo. Obediência consciente é auto determinarão diante da Vontade de Deus.

Obediência, segundo o Evangelho, não significa desajuste ou fragilidade; é a virtude harmonia que favorece o perfeito funcionamento do Todo Universal. Quem obedece revitaliza suas forças internas, conquistando a simpatia dos semelhantes e a proteção do Pai.

Numa sociedade em que todos saibam obedecer, as frentes de liderança aos mais obedientes.

Estes inspiram mais confiança e estão mais afinados com a ordem da vida.

Alguém já disse que a razão é bule de duas asas: pode ser usado com a mão esquerda ou com a direita.

A civilização do futuro terá esta tônica: os cargos e as funções serão ocupados de acordo com as qualidades internas do homem.

O movimento franciscano, portanto, significou um clarão de valores incontestáveis.

Os três votos de Francisco de Assis foram os instrumentos de sua auto-realização.

"Ocultei em terreno infértil a semente de meu desejo para que nunca viesse a germinar. Ao lado construí minha cabana. Aguardei alguns dias, e vi que minha semente havia morrido, porque a terra não apresentou qualquer sinal. Mais tarde, porém, quando eu me achava distante, entregue às divagações de uma vida inoperante, a semente brotou, transformando-se em árvore, cujas raízes demoliram minha morada. Aprendi, desse modo, que as energias da alma não morrem, nem devem ser estioladas, e sim desenvolvidas na atmosfera do Bem."
 Francisco de Assis
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O MUNDO DE FRANCISCO DE ASSIS
Ariston S. Teles
Tagore