quinta-feira, 3 de março de 2016

MUDAR PARA EVOLUIR



A psicóloga e escritora Lourdes Possatto afirma que nós estamos em constante movimento, assim como o universo. Isso significa que mudanças ocorrem e são necessárias a cada instante. Mas por que somos tão resistentes a elas? (Camilla Salmazi)

Na Doutrina Espírita, a evolução espiritual é uma lei e isso implica que a evolução não acontece por si própria, mas deve ser promovida conscientemente. “Mudar é desadaptar-se, é atualizar-se, é evoluir” explica a psicóloga e espiritualista Lourdes Possatto em seu livro É Tempo de Mudança.

O aperfeiçoamento do espírito é fruto de seu próprio trabalho e, em uma única existência no mundo material, não é possível que todas as qualidades morais e intelectuais sejam adquiridas e que, portanto, ele não necessite de mais mudanças.

Mas a tarefa de evoluir espiritualmente não é tão fácil. Como disse Jesus há mais de dois mil anos: “Estreita é a porta que conduz à verdadeira vida”. O Espiritismo prega que as coisas não estão prontas; o caminho a seguir nem sempre está indicado. Assim, é necessário esforço, trabalho e crescimento através do aprendizado e das mudanças; caso contrário, o espírito terá de aprender e evoluir de maneira dolorosa, pelas doenças, pelas desgraças; enfim, pela dor.

Em entrevista exclusiva a Espiritismo e Ciência, Lourdes Possatto fala sobre a importância das mudanças no processo de evolução espiritual e a dificuldade dos espíritos encarnados em aceitá-las, mostrando que reconhecer a necessidade de mudar é o primeiro passo para sua realização.


A mudança é imprescindível para se progredir? Ou seja, se a pessoa está bem consigo mesma ela precisa, necessariamente, sofrer mudanças para que esteja em processo de evolução?

Sim. A mudança acontece constantemente, em nosso corpo e no universo. É sempre um dia após o outro. E a cada dia, a cada momento, estamos mudando sem que tomemos consciência disso. Se a pessoa está bem consigo mesma, a vida não tem necessidade de dar-lhe sinais ou toques de sofrimento, porque se ela está bem, significa que está agindo de acordo com seu melhor, seguindo de acordo com sua natureza.


A mudança é natural do homem? É possível que algo seja realmente mudado na vida de um ser humano em um curto período de tempo? Como?

Com certeza, e isso eu tenho visto nos meus muitos anos como psicoterapeuta. Tudo que atraímos tem a ver com o padrão de energia em que estamos vibrando. Esta energia está relacionada às nossas atitudes para com nós mesmos. Ao mudá-las, tomando consciência de nossas crenças, por exemplo, mudaremos a nossa vibração, e tudo ao redor de nós muda também.



A dificuldade em mudar de algumas pessoas pode estar ligada com vidas passadas, com carmas?

Sim. A pessoa pode trazer suas crenças desde vidas passadas. Certa vez, trabalhando o perfeccionismo e rigidez em uma paciente, numa sessão de regressão, ela se lembrou de duas vidas em que sua maneira de ser também era rígida e perfeccionista, tanto quanto nesta vida. Até acessar uma vida anterior a estas, quando um episódio que gerou muita culpa nela explicou as crenças e decretos de sobrevivência através das suas cobranças de perfeccionismo e consequente rigidez. Ao tomar consciência desse padrão, ela teve condições de reverter essas atitudes, através da maior auto compreensão, aceitação e amor. Afinal, interna e emocionalmente, sempre se abandonou e tratou-se muito mal, para manter o padrão de perfeição. A aceitação, o amor e a flexibilidade consigo mesma, no sentido de compreender e respeitar sua natureza interna, foram as molas propulsoras para a sua mudança. Quanto ao carma, para mim significa a presença de um determinado índice de sofrimento, que tem a ver com a quantidade de desarmonia que a pessoa criou em sua própria natureza. O resgate é necessário mediante a tomada de consciência de que o sofrimento mostra o caminho errado em que a pessoa se encontra. Compreender como gera seu próprio sofrimento significa assumir a responsabilidade pelo seu próprio carma, a fim de cumprir o darma, que é o seu propósito de vida.


A necessidade de mudanças procurando a perfeição é normal ou prejudicial?

Depende do referencial. O espírito, a natureza em si mesma é perfeita. Cada um é perfeito com relação à sua natureza, que é perfeita. O que não é perfeito é a ego-personalidade. A busca da perfeição, se realizada pelo ego, é extremamente prejudicial, uma vez que causa um estrago imenso dentro da pessoa, gerando resultados nada agradáveis, como por exemplo, desânimo, preguiça e, em longo prazo, depressão, pelo excesso de desrespeito à sua essência ou natureza interna. Imagine a vibração dessa pessoa, o que a fará atrair problemas, encrencas e doenças, tudo isto como “recados essenciais” para mostrar-lhe que o caminho correto não é esse. Quanto a buscar a perfeição do espírito, seria mais interessante acessar esta perfeição e não buscá-la, uma vez que ela já está lá e sempre esteve dentro da pessoa. Aliás, o nosso amadurecimento e a nossa evolução estão ligados justamente a essa constatação.


Como é possível facilitar mudanças?

No meu livro É Tempo de Mudança, há um capítulo “Facilitando a Mudança”. Basicamente, a pessoa precisa aprimorar a percepção de si mesma no aqui-e-agora, percebendo e respeitando o que sente; há também a necessidade de vigiar e reorganizar os pensamentos, uma vez que tudo que pensamos passa para o corpo, e o que sentimos está relacionado com o que pensamos e não necessariamente com o que ocorre ao nosso redor.

A pessoa precisa também se responsabilizar pelo que causa a si mesma. Como sou Gestalt-terapeuta, costumo dizer que somos nós mesmos que causamos os nossos sintomas. Por exemplo, uma pessoa se queixa de estar estressada. Pergunto-lhe: “como é que você está se estressando?” Justamente para que ela tome consciência do que é que está se exigindo, impondo, cobrando. Se não tomar a consciência do que faz consigo mesma e não assumir responsabilidade, como é que essa pessoa vai querer amadurecer, melhorar e mudar?


Para facilitar a mudança, é também muito importante perceber seu livre-arbítrio e rever as escolhas que tem feito, se boas ou más, positivas ou negativas; afinal, ninguém escolhe por você, e se você permite isso, está sendo irresponsável. Se sua vida está ruim demais, por que não usar sua frustração no ousar tentar, mudando o “como” você tem agido?

E, sobretudo, é de vital importância estar de posse do seu melhor, ou seja, é quando se percebe que um caminho é melhor do que o que se tem trilhado. Se não prestarmos atenção no nosso sentir e nas verdades interiores e essenciais, o resultado é sempre sofrimento. Assim, descobrir quais são as mensagens que a vida está lhe dando através das situações que acontecem em sua vida é a forma de crescer, amadurecer, e, é claro, ser mais feliz.




Em seu livro, É Tempo de Mudança, você fala sobre a transformação de um sentimento em seu sentimento oposto. Como isso é possível?

É possível através da percepção de como geramos um determinado resultado em nossa vida. Por exemplo, você faz um bolo de um determinado jeito e sempre sai ruim e feio. Enquanto não observar o “como” está fazendo, você não mudará o resultado, ou seja, o bolo sairá melhor se você revir o procedimento.

No livro, falo como transformar quadros emocionais específicos, explicando as raízes de cada um deles. À medida que uma pessoa compreende as raízes emocionais de sua depressão ou obesidade, por exemplo, ela tem condições de transformar suas atitudes e, com isso, mudar o quadro emocional. E como sempre digo: a mudança só ocorre quando você toma consciência de como procede, de onde isso tem origem e muda suas atitudes. Se só houver uma tomada de consciência, a mudança será facilitada. Porém, somente quando o indivíduo tiver para consigo mesmo atitudes diferentes que preencham as suas carências emocionais, é que haverá a modificação de seu padrão de vibração, e aí sim a mudança ocorrerá plenamente.

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(Extraído da revista Espiritismo e Ciência 13, páginas 22-25) 
Postado em Mythos Editora




quarta-feira, 2 de março de 2016

Observar o seu próximo




Quando observar o seu próximo, não se limite a avaliá-lo apenas pelo que vê.
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Leve em consideração aquilo que está no íntimo do outro, as suas dores,
os dramas que ele carrega, os medos inconfessáveis, as amarguras que já sofreu.
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Aquele que lhe parece frio nos sentimentos. . .
. . . pode ter sofrido uma grande decepção.
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Aquele que lhe parece indiferente. . .
. . . pode ter dificuldades no relacionamento.
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Aquele que lhe parece agressivo e mal-educado. . .
. . . pode estar atravessando grandes lutas íntimas. . .
. . . pode estar precisando de um amigo para ajudá-lo a carregar a cruz.
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Aquele que lhe parece uma pessoa má. . .
. . . pode ser que simplesmente ainda não descobriu quanto é bom amar.
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Aguce a sua visão, antes de dar sua opinião sobre esta ou aquela pessoa.
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Seja sensível o suficiente para "ver " o interior.
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José de Moraes


terça-feira, 1 de março de 2016

Socorro Íntimo


Padeces provavelmente grandes conflitos.

Tens a ideia de que os familiares não te compreendem.

Acreditas que os melhores companheiros te abandonaram.

Admites que estás vivendo entre aposentos fechados.

Sofres na solidão e perguntas como abrir tantas portas trancadas.

Entretanto, basta que te recolhas por dentro de ti mesmo e procures pelo apoio da humildade.

Com ela, encontrarás o segredo para que todas as portas se abram alegres, diante de ti.
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Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: Monte acima 




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Conta com Deus



Não te queixes. Trabalha.
Não te desculpes. Aceita.
Não te lastimes. Age.
Não provoques. Silencia.
Não acuses. Ampara.
Não te irrites. Desculpa.
Não grites. Pondera e explica.
Não reclames. Coopera.
Não condenes. Socorre.
Não te perturbes. Espera.
Nada exijas dos outros.
Conta sempre com Deus.
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Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: Algo mais 



domingo, 28 de fevereiro de 2016

O real valor da vida



Procura dimensionar o real valor da vida em que caminhas para observares com mais cuidado o teu modo de agir.
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Enquanto é tempo analisa os fatos que te cercam a existência a fim de estabeleceres as prioridades.
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Enquanto é tempo, respeita os teus pais, nem que seja simplesmente pelo dom incontestável da vida que te concederam, às vezes ao custo de sacrifícios que ignoras.
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Enquanto é tempo, ama o cônjuge que te divide a estrada, tendo nele um companheiro capaz de te amar o suficiente para te perdoar as fraquezas e nunca te transformes num déspota do Lar, para não seres aquele, no futuro, a amargar a solidão dos orfanatos.
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Enquanto é tempo, busca Jesus, antes que Ele precise resgatar-te dos antros da loucura, dos precipícios do suicídio ou da solidão das trevas de tua própria alma, erguendo-te para a Luz, quando finalmente lhe experimentarás o hálito de Amor Sublime.
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Eulália Bueno






sábado, 27 de fevereiro de 2016

Em seu benefício


Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.
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Evite aborrecimentos com as pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como qualquer prisioneiro.
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Não se perturbe com o malcriado; o irmão intratável tem, na maioria das vezes, o fígado estragado e os nervos doentes.
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Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.
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Não se zangue com o ingrato; provavelmente, é desorientado ou inexperiente.
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Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e, se você tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar.
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Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição.
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Auxilie o doente; agradeça ao Divino Poder o equilíbrio que você está conservando.
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Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.
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Perdoe ao mau; a vida se encarregará dele.
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André Luiz
Chico Xavier
Obra: Agenda cristã







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Dever


Dever é a série de lições a que fomos chamados pela Eterna Sabedoria no livro da vida, de cujo aprendizado dependerá sempre o nosso avanço para a Infinita Luz.

Superficialmente, por vezes, é uma coleção de serviços menos agradáveis, induzindo-nos a pequeninas renúncias, contudo, esses serviços são vínculos espirituais que nos sustentam a ligação com a Paternidade de Deus – de Deus, que através da Lei que nos rege – no-los traça como obrigações beneméritas e providenciais ao nosso próprio aperfeiçoamento.

- o -

Medita e aceita-os com amor para que não te lastimes, mais tarde.

- o -

Aqui, é o lar convertido em ninho de inquietação...

Ali, é a casa de trabalho, onde ordenações determinadas nos aguardam cada dia...

Além, é o esposo difícil, à maneira do diamante no cascalho agressivo, confiado pelo Céu aos nossos cuidados...

Acolá, é a companheira incompreensiva, qual fonte poluída por reclamações sistemáticas, que a Bondade do Senhor nos concede para as tarefas da nossa própria sublimação...

Mais além, é o filho que nos esquece as melhores esperanças...

Mais adiante, é o amigo que nos complica o trabalho, valendo por negação de nossos sonhos e ideais...

Hoje, é a humilhação que nos compete suportar com denodo e paciência, amanhã é o fel da incompreensão alheia que nos cabe sorver...

- o -

E, com Jesus, o dever de auxiliar e perdoar, de servir e aprender é sempre nosso.

- o -

O cristão é uma consciência na luminosa cruz dos deveres de cada dia, entretanto, é por esse madeiro disciplinar que desferirá o voo de elevação para a alegria imperecível.

- o -

Amemos as obrigações edificantes que o mundo nos designa, por mais contundentes que sejam, porque, por trás delas, vive a mão amorosa do Senhor a guiar-nos das sombras do mundo para os domínio da Luz Espiritual.
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Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: Tocando o barco