quarta-feira, 31 de maio de 2017

Guardemos o ensino



“Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos.” – Jesus. (LUCAS, 9:44.)

Muitos escutam a palavra do Cristo, entretanto, muito poucos são os que colocam a lição nos ouvidos.

Não se trata de registrar meros vocábulos e sim fixar apontamentos que devem palpitar no livro do coração.

Não se reportava Jesus à letra morta, mas ao verbo criador.

Os círculos doutrinários do Cristianismo estão repletos de aprendizes que não sabem atender a esse apelo. Comparecem às atividades espirituais, sintonizando a mente com todas as inquietações inferiores, menos com o Espírito do Cristo.

Dobram joelhos, repetem fórmulas verbalistas, concentram-se em si mesmos, todavia, no fundo, atuam em esfera distante do serviço justo.

A maioria não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, qual se Jesus desempenhasse simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um.

São alunos que procuram subverter a ordem escolar.

Pronunciam longas orações, gritam protestos, alinhavam promessas que não podem cumprir.

Não estimam ensinamentos. Formulam imposições.

E, à maneira de loucos, buscam agir em nome do Cristo.

Os resultados não se fazem esperar. O fracasso e a desilusão, a esterilidade e a dor vão chegando devagarinho, acordando a alma dormente para as realidades eternas.

Não poucos se revoltam, desencantados …

Não se queixem, contudo, senão de si mesmos.

“Ponde minhas palavras em vossos ouvidos”, disse Jesus.

O próprio vento possui uma direção. Teria, pois, o Divino Mestre transmitido alguma lição, ao acaso?
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Emmanuel 
Chico Xavier 

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Loucura da Violência




Entre as expressões do primarismo, no mercado das paixões humanas, destaca-se com realce a violência, espalhando angústia e dor.

Remanescente dos instintos agressivos, ela estiola as mais formosas florações da vida, estabelecendo o caos.

Em onda volumosa arrasa, deixando destroços por onde passa, alucinada.

*

Na raiz da violência encontra-se a falta de desenvolvimento do senso moral, que o espírito aprimora através da educação, do exercício dos valores éticos, da amplitude de consciência.

Atavismo cruel, demora de ser transformada em ação edificante, face às suas vinculações com os reflexos instintivos do período animal, que se prolongam, perturbadores.

Não apenas gera aflição, quando desencadeada, como também provoca reações equivalentes em sucessão quase incontrolável, arrebentando tudo quanto se lhe opõe no percurso destrutivo.

Todo o empenho em favor da preservação dos valores morais deve ser colocado a serviço da paz, como antídoto à força devastadora da violência.

*

Pequenos exercícios de autocontrole terminam por criar hábitos de não-violência.

Disciplinas mentais e silêncios fortalecidos pela confiança em Deus geram a harmonia que impede a instalação desse desequilíbrio.

Atividades de amor, visando o bem e o progresso da criatura humana e da sociedade, constituem patamar de resistência às investidas dessa agressividade.

Reflexões em torno dos deveres morais produzem a conscientização do bem, gerando o clima que preserva os sentimentos da fraternidade.

A violência é adversária do processo de evolução, fomentadora da loucura. Quem lhe tomba nas garras exaure-se, e, sem forças, termina no abismo do auto-aniquilamento ou do assassínio...

*

A violência disfarça-se no lar, quando os cônjuges não respeitam os espaços, os direitos que lhes cabem reciprocamente;

quando os filhos se sentem preteridos por falsos valores do trabalho, do dinheiro, do poder...

Na sociedade, quando os preços escorcham os necessitados;

quando os interesses pessoais extrapolam os seus limites e perturbam os outros;

quando a comodidade e os prazeres de alguns agridem os compromissos e os comportamentos alheios;

quando as injustiças sociais estiolam os fracos a benefício dos fortes aparentes;

quando os sentimentos inferiores da maledicência, da calúnia, da inveja, da traição, do suborno de qualquer tipo, da hipocrisia, disseminam suas infelizes sementes;

quando os pendores asselvajados não encontram orientação;

quando as ilusões e fugas, os vícios e aliciamentos levam às drogas, ao sexo desvairado, às ambições absurdas, explodindo nas ruas do mundo e invadindo os lares;

quando os governantes perdem a dignidade e estimulam a prevalência da ignorância, provocando guerras nacionais e internacionais...

A violência, de qualquer natureza, é atraso moral, síndrome do primitivismo humano remanescente.

*

O homem e a mulher estão fadados à paz, à glória estelar.

Assim, liberta-te daqueles remanescentes agressivos que terminam insuflando-te reações infelizes.

Se te compraz ainda mantê-los, tem a coragem de te violentares, superando-os ou domando-os, e contribuirás para o apressar do progresso humano.

Como não te é lícito conivir com o erro, ensina pela retidão os mecanismos da felicidade, evitando a ira, a cólera, o ódio.

A ira é fagulha que ateia o fogo da violência. A cólera é combustível que a mantém, e o ódio é labareda que a amplia.

Pensa em Jesus, e, em qualquer circunstância, interroga-te como Ele agiria, se estivesse no teu lugar. Tentando-o, lograrás imitá-lO, fazendo como Ele, sem nenhuma violência.
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 Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.


domingo, 28 de maio de 2017

Nunca é demais





Nunca é demais afirmar que a paz começa em nós e por nós. 
Os pacificadores, porém, são aqueles que aceitam em si o fogo das dissensões, de modo a extingui-lo com os recursos da própria alma, doando tranquilidade a todos aqueles que lhes compartilham a marcha. 
Quanto puderes, distribui o alimento da concórdia, reconhecendo que a bênção da paz é desdobramento do pão de cada dia. 
Emissários do Bem, domiciliados na Vida Maior, desenvolvem empreendimentos de paz em todas as direções no mundo, mas precisam de cooperadores fiéis que lhes interpretem a obra benemérita, ao lado das criaturas. Se aderiste a essa campanha bendita, auxilia-os em bases de entendimento e serviço.

Onde a palavra seja convocada ao socorro fraterno, fala auxiliando e, se o mal aparece por desequilíbrio de forças, conturbando situações, corrige o mal com amor, limitando-lhe a influência ou curando-lhe as feridas. 
Se agressões repontam à frente, considera que as enfermidades ocultas atacam em todos os lugares e ampara a vítimas de semelhantes arrastamentos, na certeza de que a tolerância, agindo construtivamente, é a terapêutica que nos presume a todos contra os assaltos da violência.
 Se a injúria escarnece, capacita-te de que a crueldade é sinônimo de alienação mental e usa o perdão por exaustor das trevas que invadem o raciocínio daqueles que se perdem nos labirintos da delinquência.
 Faze silêncio onde o silêncio consiga apagar desavenças e acusações e, quanto possível, transforma-te no ponto terminal de qualquer processo de incompreensão, capaz de degenerar em perturbação ou loucura.

Onde estiveres, abençoa. Naquilo que penses, mentaliza o melhor. No que digas, harmoniza os outros quanto possas. No que faças, constrói sempre para o bem geral.

Nunca nos esqueçamos de que o Príncipe da Paz, na Terra, nasceu em clima de decepções, viveu através de hostilidades permanentes, serviu entre adversários gratuitos e selou o próprio trabalho sob a vitória aparente dos perseguidores; mas, supostamente vencido, o Cristo de Deus, de século e século, cada vez mais intensamente, é o fiador da concórdia entre as nações, erguendo-se por doador de paz genuína ao mundo inteiro. 
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Emmanuel
  Chico Xavier
 

sábado, 27 de maio de 2017

TENTAÇÃO



Somos tentados pelas forças exteriores da vida, segundo as nossas necessidades de purificação interna.

Isso equivale a dizer que cada criatura sofre a tentação, conforme a natureza que lhe é própria.

Qual acontece nos domínios da natureza em que o fogo não se alimenta de água, mas sim de combustível que se lhe afina ao modo de ser, no reino do espírito, cada um de nós entra em combinação apenas com as energias que se assemelhem às nossas.

Assim é que renascemos, habitualmente, no plano físico, transportando conosco as deficiências individuais e os problemas domésticos que nos reclamam extinção ou ajustamento.

Espíritos; entregues à usura e à crueldade, em muitas circunstâncias, ressurgem no berço de ouro, experimentando, de novo, a tentação da sovinice e do orgulho de modo a superá-los e almas cristalizadas na revolta e na indisciplina nos lares empobrecidos, atravessando novamente a tentação do desespero e da delinquência para vencê-los suficientemente.

Reunimo-nos através da família consanguínea, muitas vezes, com as nossas aversões mais profundas, para transformá-las em amor puro, ao preço de perdão e serviço, devotamento e renúncia, e, em todos os quadros da luta humana, somos defrontados por rudes provas que nos falam de perto às próprias necessidades, a fim de que, na sublime vitória sobre nós mesmos, saibamos buscar os cimos da vida.

Não te creias simplesmente tentado pelos outros à descida ao despenhadeiro das trevas.

Somos nós mesmos que, estendendo o fio do desejo, atraímos em nosso prejuízo ou em nosso favor as companhias que nos acrescentarão as forças para a queda nas sombras ou para a ascensão à Divina Luz.
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Emmanuel 
Chico Xavier
Obra: Confia e segue 




sexta-feira, 26 de maio de 2017

Tristeza


Não permitamos que a tristeza nos envolva e nos mergulhe na depressão.

A apatia é abismo profundo do qual sairemos apenas à custa de muito esforço.

Não nos entreguemos, inermes, aos problemas que nos rodeiam, ensimesmados na tristeza.

Os que se rendem ao desânimo transformam-se em pacientes psiquiátricos, vitimados por estranha anemia de ordem moral.

Quando sentirmos que a tristeza insiste em se demorar conosco, ocupemos as nossas mãos e a nossa mente no serviço do bem. Deixemos a poltrona do comodismo e desintoxiquemo-nos no suor da caridade.

Se abatidos espiritualmente no reconhecimento das próprias imperfeições, sintamo-nos incentivados à luta, ao invés de admitirmos a derrota.

Reajamos contra a melancolia , sacudindo o seu jugo de nossos ombros.

Reparemos que em nossos caminhos, de fato "as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores". Observemos os exemplos de quantos se encontram lutando com limitações maiores que as nossas , sem que lhes escutemos uma reclamação sequer.

No livro dos Provérbios, cap. 17, v. 22, está escrito: "O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos".
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Irmão José
 Carlos A. Baccelli
Do livro "Lições da Vida"

quinta-feira, 25 de maio de 2017

CARTA FRATERNAL





- Na leitura da parábola dos cegos –

Meu amigo, o Espiritismo   É campo de vida e luz;
  Não conserves sem trabalho
  A ideia que te conduz.

   Nessa lavoura bendita
  De paz, harmonia e amor,
  Cada qual tem a tarefa
  Que lhe reserva o Senhor.

   És médium? Sê diligente
  No amoroso apostolado.
  Mediunidade é serviço
  Em nome do Mestre Amado.

   Investigas a verdade?
  Procura ver que ninguém
  Deve andar observando
  Sem propósitos no bem.

   És curioso somente?
  Não olvides, meu irmão,
  Que a boa curiosidade
  É nota de elevação.

   És companheiro de luta?
  Guarda a prece e a vigilância,
  Quem é irmão de verdade
  Nunca foge à tolerância.

    És simples necessitado
  Na sombra e no sofrimento?
  Pondera a lei generosa
  De esforço e merecimento.

   És pregador? Meu amigo,
  Foge à ilusão, foge à treva,
  Que as palavras sem os atos
  São folhas que o vento leva…

   Doutrinas desencarnados?
  Procura reconhecer
  Que se vives ensinando
  É necessário aprender.

    Vens pedir alguma coisa?
  Recorda, na dor terrestre,
  Que o tesouro mais sublime
  É a paz do Divino Mestre.

   Nas alegrias, nas dores,
  No mais simples dos misters,
  Poderás fazer o bem
  No lugar onde estiveres.

  Quem busque, de fato, a luz
  Da existência verdadeira.
  Não se apega à fantasia,
  Trabalha contra a cegueira.

   Não foste chamado à fé
  Para sonho ou distração,
  Mas à justa atividade
  De nossa renovação.

    O aprendiz do Espiritismo
  Não vive sem rumo, a esmo…
  Tem Jesus por Mestre Amado
  E a escola dentro em si mesmo.
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Casemiro Cunha
Chico Xavier
Obra: Coletânea do Além 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ante a Cólera



"Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos,
misericordiosos, humildes."- Pedro (I Pedro, 3:8).

Justo figuremos a cólera, titulando-a com algumas definições, como sejam:

Força descontrolada.

Precipitação em doença.

Acesso de loucura.

Queda em desequilíbrio.

Tomada para a obsessão.

Impulso à desencarnação prematura.

Perigo de criminalidade.

Introdução à culpa.

Descida ao remorso.

Explosão de orgulho.

Tempestade magnética.

Fogo mental.

Pancadaria vibratória

Desagregação de energias.

Perda de tempo.

Indubitavelmente, todos nós - as criaturas encarnadas e desencarnadas, em evolução na Terra - estamos ainda sujeitos a essa calamidade do mundo íntimo, razão pela qual toda vez em que nos sintamos ameaçados por irritação ou azedume, é prudente nos recolhamos a recanto pacífico, a fim de refletir nas necessidades do próximo e lavar os pensamentos nas fontes da oração.
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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Atenção 

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Uma mulher que trabalhava num banco havia muitos anos, caiu em desespero.
Estava depressiva, com esgotamento nervoso.
Seu médico, buscando um diagnóstico, lhe perguntou:
- Como se chama a jovem que trabalha ao seu lado no banco?
- Cíntia, respondeu ela, sem entender.
- Cíntia do quê?
- Eu não sei.
- Sabe onde ela mora?
- Não.
- O que ela faz?
- Também não sei.
O médico entendeu que o egoísmo estava roubando a alegria daquela pobre mulher.
- Posso ajudá-la, mas você tem que prometer que fará o que eu lhe pedir.
- Farei qualquer coisa! Afirmou ela.
- Em primeiro lugar, faça amizade com Cíntia.
Convide-a para jantar em sua casa.
Descubra o que ela está almejando na vida, e faça alguma coisa para ajudá-la.
- Em segundo lugar, faça amizade com seu jornaleiro e a família dele, e veja se pode fazer alguma coisa para ajudá-los.
- Em terceiro, faça amizade com o zelador de seu prédio e descubra qual é o sonho da vida dele.
- Em dois meses, volte para me ver.
Ao fim de dois meses, ela não voltou, mas escreveu uma carta sem sinal de melancolia ou tristeza.
Era só alegria!
Havia ajudado Cíntia a passar no vestibular.
Ajudou a cuidar de uma filha doente do jornaleiro.
Ensinou o zelador a ler e escrever, pois era analfabeto.
"Nunca imaginei que pudesse sentir alegria desta maneira!", escreveu ela.
Os que vivem apenas para si mesmos, nunca encontrarão a paz e a alegria, pois somos chamados por Deus para ser benção na vida dos outros.
Você já conhecia este segredo?
Pense nisso!!
"Muitas vezes nesta vida, nós somos o remédio da vida de outras pessoas!
Quantas vezes você já curou uma pessoa com o seu abraço, uma visita inesperada, um sorriso, uma palavra, um carinho ou até mesmo, um e-mail enviado? Sua presença alegra a vida das pessoas, é um poderoso remédio contra a tristeza, a depressão, a dor e os sofrimentos da alma. Estar presente, na vida das pessoas que amamos é milagre poderoso, que pode transformar-se em processos de cura absoluta."
🌸🍃Faça parte da caixinha de remédios de alguém! 🍃 
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Recebemos por WhatsApp, sem autoria.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A VIDA


A vida é uma oportunidade, aproveita-a.

A vida é beleza, admira-a.

A vida é beatificação, saboreia-a.

A vida é sonho, torna-o realidade.

A vida é um desafio, enfrenta-o.

A vida é um dever, cumpre-o.

A vida é um jogo, joga-o.

A vida é preciosa, cuida-a.

A vida é riqueza, conserva-a.

A vida é amor, goza-a.

A vida é um mistério, desvela-o.

A vida é promessa, cumpre-a.

A vida é tristeza, supera-a.

A vida é um hino, canta-o.

A vida é um combate, aceita-o.

A vida é tragédia, domina-a.

A vida é aventura, afronta-a.

A vida é felicidade, merece-a.

A vida é a VIDA, defende-a.
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 Madre Teresa de Calcutá 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

NUNCA É DEMAIS

“Sede, na oração, perseverantes.” (Paulo – Romanos – 12:12) 

Diretamente convidado a uma decisão, no tumulto dos conflitos complexos,
busque a inspiração superior através da prece.
Um momento de prece dirime problemas largamente cultivados.
*
Instado por dificuldade à rebeldia e ao desequilíbrio, faça uma pausa para a prece.
A prece não apenas aponta rumos quanto tranquiliza interiormente.*
*
Açodado pelas paixões inferiores e vencido na psicosfera negativa
do ambiente em que vive, erga-se à prece edificante.
A prece não somente sustenta o bom ânimo como também luariza os sentimentos.
*
Tombado por falta de apoio e aturdido nos melhores propósitos acalentados,
tente o convívio da prece antes de desertar.
A prece não é só uma ponte que o leva a Deus,
porém uma alavanca a impeli-lo para sair do desânimo que o prostra.
*
Atordoado por informações infelizes e vitupérios;
apedrejado por incompreensões indevidas, mergulhe a mente na prece antes do revide.
A prece não constitui um paliativo exclusivo,
sendo, também, inexaurível e abençoada fonte de renovação e entusiasmo.
*
Examinando o problema imenso que se avulta, aquietado pelas complexas engrenagens das decisões,
estugue o passo, faça uma prece.
*
A prece tem o poder de clarificar os horizontes e içar o homem do abismo às cumeadas libertadoras.
Concluída a tarefa em que recolheu bênçãos e júbilos, não se esqueça da prece.
A prece não lhe constitua um instrumento de rogativa e solicitação incessantes,
tornando-se, também, um telefônio para expressar o reconhecimento e a gratidão
com que você exporá os sentimentos renovados ao Pai Celestial.
*
Não se trata de beatice, nem tampouco de pieguismo emocional.
Se lhe é justo permitir-se o pessimismo e o desaire,
conservando a negação e o dissabor, a prece contituir-lhe-á bastão de apoio,
medicamento reconfortante, pão nutriente porquanto cada um sintoniza com aquilo em que pensa e vibra.
Orando, você, naturalmente, haurirá nas fontes inesgotáveis da Divina Providência
as energias necessárias para o êxito dos seus cometimentos.
Não se deixe vencer pelos que o abordam com ceticismo
e preferem a manifestação cínica diante do seu estado de prece e de confiança.
Uma prece a mais nunca é demais.
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Marco Prisco
  Divaldo P. Franco  


domingo, 21 de maio de 2017

Modelagens da Vida



Fatores limitantes: Oh! meu Deus! parece que sou tratado injustamente pela vida!
Estou amargurado e me encontro no limite de minha
resistência! Não mereço essa falta de sorte! Por que tudo tem que
acontecer logo comigo, enquanto os outros vivem tranquilamente? Qual a
razão disso tudo? Será que a vida na Terra é uma eterna reincidência de
abalos emocionais?

Expandindo nossos horizontes:

Juntos e ao mesmo tempo sozinhos, estamos viajando pela estrada da Eternidade. A existência para algumas pessoas assemelha-se a noites intermináveis, como se estivessem predestinadas a viver incessantes sofrimentos.

Por mais desafortunado que você esteja, vivendo em obscuridade aparentemente irreparável, recorde o fato de que a luz e a noite fazem parte da vida e que existimos interdependentemente. Todos somos unos com a Natureza.

A noite diluir-se-á com o aparecimento do sol, a não ser que você prefira prender-se eternamente a ela. Muito além do céu encoberto de tristeza está o astro-rei radiante de alegria.

Nem as tempestades nem a escuridão são más. Como apreciar as estrelas se não houver noites escuras? Depois de uma tarde turva e chuvosa, pode-se desfrutar a brandura de um entardecer resplandecente.

A existência é um jogo de luzes e sombras, e para a criatura desperta tudo é utilidade e contribuição, cooperando com seu aprendizado evolutivo.
A luz se torna para todos os que vêem a principal fonte de informação acerca do ambiente onde vivem. Ela é de tal modo importante que mesmo os peixes que habitam os enormes abismos oceânicos, de difícil acesso para os raios solares, fazem uso de seu campo visual, permutando elementos com microrganismos capazes de emitir luz.

A germinação das sementes e o florescimento de certas plantas são desencadeadas quando os dias são mais longos, certamente por receberem luminosidade por mais tempo. As flores silvestres cobrem os bosques como tapetes coloridos, ano após ano, por causa das carícias da luz solar.

Em épocas de penumbra e de muito frio, alguns animais reduzem suas atividades ao mínimo, permanecendo numa espécie de sono profundo (hibernação). Por meio desse fenômeno, tais seres conseguem suportar as condições adversas do inverno. Nesses períodos, as sementes e plantas
passam a viver à custa de certas substâncias armazenadas em seu próprio organismo.

No verão surgem novas relvas em abundância, brotam suas irmãs do mesmo verde-claro perto das nascentes de águas cristalinas, circundando as raízes de velhas árvores.

No concerto universal, do qual partilhamos, a parceria é muito maior do que pensamos, e cada criatura precisa tomar ciência dessa integração.
Quando atravessamos momentos de escuridão vivencial e de decaimento, aceitemo-los como instrumentos de ajuda e como sinal de que algo de bom estão nos ensinando. Todas as situações têm sua razão de ser, são verdadeiras modelagens pelas quais a Vida Providencial aprimora a todos. Existem soluções para o inverno e para as noites escuras. Desfechos naturais para resistirmos ao frio e ao calor.

Se a Natureza protege todos os seres irracionais, criando para eles meios de defesa e diversos sistemas de adaptação, a fim de compensá-los das variações de temperatura e de outras tantas intempéries do cotidiano, quanto mais ainda fará em favor dos seres racionais!...

Compartilhe do Universo, apesar dos problemas que você estiver enfrentando, pois eles representam mecanismos criados para sustentá-lo. Você está sendo amparado pela Providência, não só nos momentos de luz/alegria, mas também nas variadas circunstâncias de noite/tristeza.

Existem vários pontos nocivos ou crenças adversas que estão particularmente impedindo seu progresso e bem-estar. Procure-os em sua intimidade e os transforme, eliminando, assim, o desconforto que o aflige.
Pense nisso. Talvez você precise ficar sozinho por algum tempo para  melhor compreender as experiências pelas quais está passando.
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Lourdes Catherine

sábado, 20 de maio de 2017

Autoconhecimento


Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida é resistir ao arrastamento do mal?
- Um sábio da antiguidade vos disse: Conheça-te a ti mesmo.
(“O Livro dos Espíritos” questão 919)

Sem dúvida, autoconhecer-se é constatar a sua essência espiritual e a sua origem Divina; em outras palavras, autoconhecer-se é tomar consciência do seu Deus, interno, vivendo em perfeita integração consigo mesmo...

Quem procura autoconhecer-se despreza o que é transitório, porquanto verifica que a matéria está sujeita a ininterruptas transformações; quem se esforça pelo autoconhecimento exercita o desapego, não valorizando aquilo que se constitui em elemento gerador de karma negativo.

O espiritismo, revivendo o evangelho, ensina o homem a autoconhecer-se através do próximo; o próximo é o seu laboratório na tarefa de mergulhar mais profundamente na própria intimidade.
..
Os que se isolam, fugindo ao contato social, aspirando a uma ascese solitária, não logram o seu intento, por quanto o próximo é o estimulo externo que lhe põe à mostra o interior, lhes possibilitando o aperfeiçoamento das qualidades e o combate sistemático às deficiências.

Quem vive disperso de si mesmo não se descobre, e consequentemente, não reverencia a vida; quem não se ama, com certeza, não amará aquele com os quais foi chamado a viver...
Sócrates, a quem se atribuiu a frase em questão – “Conhece-te a ti mesmo”

Através da chamada maiêutica, induzia a todos a tomarem consciência da verdade que existe no âmago de cada ser; quando questionado, questionava e, das abordagens mais simples, chegava
às verdades mais complexas. E, porque libertava pensamento foi condenado à cicuta.

Jesus afirmava que o reino de Deus se encontrava dentro de cada um e concitava os homens a que
fizessem resplandecer a própria luz; “sede perfeitos como perfeito é o pai celestial”  – exortava-nos a todo instante. E porque ensinou o caminho, foi morto na cruz A introspecção para o autoconhecimento só é válida quando o homem se dispõe, após, a descentrar-se, ou seja, projetar-se para fora no anseio de elevar-se...

Deus, Senhor do conhecimento perfeito, exteriorizou-se na criação – não quis bastar-se a si mesmo, não desejou ficar sozinho...

O autoconhecimento que gera o egoísmo é perturbação; os que sobem a montanha e não descem para contatar os que permanecem no vale, ignorando a própria realidade, não se posiciona na altura
em que se creem.

Os grandes luminares da espiritualidade, com o propósito de mais ascender, tomam a iniciativa de se corporificarem no Planeta – é da lei:
Mais possui quem mais abre mão do que tem; mais é quem mais aspira ao não ser...
Constatando a sua essência espiritual, o homem avança vertiginosamente na escala de valores em que a vida se estrutura, porque não valoriza o desejo – segundo Buda, o móvel de todo sofrimento humano.

Neste sentido, uma vez mais apontaríamos a solidariedade, ou seja, a vivência do amor na pratica da caridade , como sendo para a criatura o melhor exercício de autoconhecimento, porquanto na ação infatigável do Bem, o homem estará sempre em contato consigo mesmo, com o próximo e, consequentemente, com Deus lhe intermediando os atributos e as atitudes.

A reflexão, originária da leitura edificante e da prece, é, sem dúvida, importante, todavia não passa de experiência teórica não sancionada pelo exemplo. Ninguém se autoconhece sem o concurso das próprias mãos mergulhadas na ação transformadora do mundo!
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Irmão José
Carlos A Baccelli

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Função da Dor



*Deus ama a todos os Seus filhos igualmente, mas, é justamente por amar,
que Ele permite a dor para que a evolução se realize.

A dor traz despertamento interior, levando o ser, em qualquer estágio
evolutivo em que se encontre, a buscar corrigir em si próprio aquilo que
precisa ser melhorado.

Ninguém veio a este mundo para sofrer. Contudo, se passas por momentos
dolorosos, se tens uma existência repleta de dificuldades ou aflições,
naturalmente é por resultado da tua própria imperfeição.

Deus, na Sua Onipotência e Onisciência, jamais condenaria um filho Seu ao
sofrimento, apenas com o intuito de puni-lo. Ninguém, em sã consciência,
castigaria uma criança por ainda não saber agir como um adulto. Cada um a
seu tempo e do modo que puder, conseguirá, aos poucos, renovar-se para
melhor e vencer as próprias fraquezas, inseguranças e outras imperfeições.

A dor é o santo remédio que o Pai, por Sua Misericórdia, a todos nós
oferece para que tenhamos "olhos de ver" e "ouvidos de ouvir", diante das
situações da vida que nos impulsionem a uma renovação de atitudes e,
consequentemente, a um crescimento interior.

A evolução do espírito se faz por meio de lutas, de esforço constante, de
superação das dificuldades, mas também da aquisição de virtudes, a fim de
que se consiga transformar em bem, o que estaria sendo um mal dentro de nós
mesmos.

Não te atormentes, pois, filho querido, se a vida, hoje, para ti se faz tão
difícil! Seca as tuas lágrimas, apazigua o teu coração, reveste-te de
paciência e de coragem. Buscando dentro de ti mesmo uma vontade imensa de
crescer, encontrarás a humildade suficiente para tudo aceitar e suportar
sem revolta, confiante de que tudo são nuvens passageiras. Reconhecerás,
com certeza, que a dor que possas estar atravessando, são ensinamentos
preciosos que te proporcionarão uma vida futura melhor.

Algo, certamente, ainda precisas aprender. Analisa a ti mesmo e perceberás
o que em ti precisa ser modificado. E, acima de tudo, reconhecerás que a
função da dor, é a de ensinar-nos a amar.

*"Mas se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus
nesta parte."*

*(I Pedro, 4:16)*
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*(Do livro **"Na Educação da Alma"** - Espírito Irmã Maria do Rosário /
Médium Lúcia Cominatto).*





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Filhos


Se o direito é campo de elevação, aberto a todos os espíritos, o dever é zona de serviço peculiar a todos os seres da Criação.
-
Não somente os pais humanos estão cercados de obrigações, mas igualmente os filhos, que necessitam vigiar a si mesmos, com singular atenção.
-
Quase sempre a mocidade sofre de estranhável esquecimento.
-
Estima criar rumos caprichosos, desdenhando sagradas experiências de quem a precedeu, no desdobramento das realizações terrestres, para voltar, mais tarde, em desânimo, ao ponto de partida, quando o sofrimento ou a madureza dos anos lhe restauram a compreensão.
-
Os filhos estão marcados por divinos deveres, junto daqueles aos quais foram confiados pelo Supremo Senhor, na senda humana.
-
É indispensável prestar obediência aos progenitores, dentro do espírito do Cristo, porque semelhante atitude é justa.
Se muitas vezes os pais se furtam à claridade do progresso espiritual, escolhendo o estacionamento em zonas inferiores, nem mesmo nas circunstâncias dessa ordem seria razoável relegá-los ao próprio infortúnio.
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Claro está que os filhos não devem descer ao sorvedouro da insensatez ou do crime por atender-lhes aos venenosos caprichos, mas encontrarão sempre o recurso adequado para retribuírem aos benfeitores os inestimáveis dons que lhes devem.
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Não nos esqueçamos de que o filho descuidado, ocioso ou perverso é o pai inconsciente de amanhã e o homem inferior que não fruirá a felicidade doméstica. 
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Emmanuel
Chico Xavier


quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Escolha do representante


Thomas Forster, o médium principal da instituição espírita em Washington, era um veterano exigente.

Desejava enviar um representante do grupo a certo movimento de estudos doutrinários a realizar-se em Chicago, mas não queria fazê-lo sem minuciosa seleção.

– Quero um elemento puro, absolutamente puro, um cristão perfeito, se pudermos classificá-lo assim – dizia, agitando o dedo em riste, lembrando batuta em mãos de maestro nervoso.
– Mas você – falava Boland, o companheiro mais íntimo – não pode pedir o impossível. Os espíritas são homens e mulheres fazendo força na própria melhoria moral. Procuraremos um companheiro de hábitos simples, mas sem a preocupação de santidade.
Forster ria amarelo, mas não dava braços a torcer.
– Pode ser exigência minha, mas não mandaremos companheiro algum dos que eu conheça.

E num rasgo de rigorismo:

– Nem mesmo eu me considero apto. Lido com muitos negócios materiais e quero que a nossa casa se represente em Chicago por um espírita-cristão completo. Humilde, alfabetizado, amante dos sofredores e absolutamente arredado de todas as ilusões da Terra…
– Muito difícil – observava Boland, sorrindo -, onde encontrar essa ave rara, se estamos longe do Céu?

Forster lembrou que, durante quatro domingos consecutivos, enquanto pregava o Evangelho vira na última fila um homem de aspecto simpático, que não conhecia. Trajava-se com simplicidade, sem ser relaxado, mostrava olhar sereno, tipo evidentemente ponderado e esquivo a qualquer conversação ociosa.

Após ligeiro comentário, concluiu:

– Parece-me o homem ideal; se for um espírita de convicção, pelos modos que demonstra, será o representante adequado…

Combinaram, assim, ouvi-lo na próxima sessão domingueira.
No dia aprazado, lá estava o assistente desconhecido.
Enquanto Forster falava, Boland aproximou-se dele e pediu-lhe alguns minutos de atenção para depois.
E, finda a preleção, os dois amigos abeiraram-se dele.
À primeira indagação que lhe foi atirada, respondeu, calmo:

– Sim, estou fazendo o que posso para ser espírita.

Forster continuou perguntando e ele prosseguiu respondendo:

– O irmão tem vida mundana ativa?
– Quem sou eu, meu amigo? Ando em luta contínua…
– Mas dedica-se aos sofredores?
– Tenho a vida entre os que choram.
– Escolheu, assim, o caminho da caridade cristã?
– Como não, meu amigo? Ouvir aflições e estar com os necessitados de conforto é meu simples dever…
– E ajuda a todos, em sua noção de serviço social?
– Devo servir a todos… ricos e pobres, justos e injustos, moços e velhos. Não posso fazer distinção.
Encantado, o velho Thomas inquiriu, ainda:
– E o irmão procede assim espontaneamente?

O desconhecido sorriu e acentuou:

– Ah! Até certo ponto… Se eu pudesse cultivaria minhas festas e me afastaria, pelo menos um pouco, de tantos sofrimentos e tantas lágrimas!…

Foi então que Forster veio a saber que o homem trabalhava no antigo Fort Lincoln e desempenhava as funções de coveiro.
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Hilário Silva 
Waldo Vieira   

terça-feira, 16 de maio de 2017

Procuremos o Bem

 
Procura o Bem, acima de tudo, para que te não falte luz ao caminho.

  Todo mal é sombra e toda sombra obscurece.

  A roseira espinhosa produz essências raras.

  A pedra contundente garante a base firme.

  Os detritos do solo são adubos que se fazem ingredientes do pão.

  O remédio amargo, muitas vezes, é o grande fator da cura.

  Caminha buscando o melhor para que o melhor te favoreça.

  Por enquanto não existem na Terra santos e heróis sem defeitos, como não existem pecadores e réus sem virtudes.

  Basta que invoques a bondade dos outros, usando a bondade que te é própria, para que a bondade se faça sentir onde estiveres.

  Não te detenhas na censura ou na dissensão.

  O vinagre da crítica conserva os pomos envenenados da discórdia e o atrito inútil é perda irreparável do tempo.

  Vale-te do companheiro de ideal e trabalho, no nível de compreensão em que te possa ajudar.

  Não exijas flores do pedregulho, nem reclames uvas do espinheiro, mas ajuda-os, quanto possas, com os recursos que a vida te oferta para que os teus dias não se façam poeira e desilusão.

  Segue auxiliando e auxilia amando sempre.

  O amor é a chave milagrosa que, talhada no ouro da humildade e da renúncia, pode abrir, em teu benefício, todas as portas, pela conjugação do verbo servir.

 E, servindo com Jesus, compreender-lhe-ás os excelsos objetivos.

  “Eu não vim destruir a lei” — disse-nos o Senhor. (Mt)

  E, ouvindo-lhe a advertência, não precisaremos arrasar ou ferir, mas cooperar, incessantemente, para que a vida possa reconstruir a si mesma, em perene ressurreição.
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Emmanuel 
Chico Xavier 




segunda-feira, 15 de maio de 2017

Cuide do que é seu!




Picolino andava triste. Sua cantina, que servia as melhores cenouras da cidade, não andava nada bem.

E aquele coelho, que sempre fora tão esperto, agora reclamava:

- Não consigo entender. A minha cantina vivia lotada, e agora... nada!

Preocupado, Picolino foi procurar um conselheiro.

Seu Sabichão, pato danado de inteligente, depois de ouvir Picolino com atenção, pegou um pedaço de papel, escreveu algumas palavras, dobrou-o bem dobradinho, colocou-o em um saquinho e entregou-o a Picolino, dizendo-lhe:

- Percorra a sua cantina três vezes ao dia, durante um mês, segurando esse saquinho.

Cheio de esperança, Picolino traçou uma rotina: de manhã iria à horta, de tarde visitaria a cozinha e de noite iria ao salão. E assim fez.

Na horta, encontrou a plantação descuidada, enquanto o coelho contratado para cuidar dela tirava uma soneca. Picolino acordou o dorminhoco e pediu-lhe que cuidasse das cenouras.

Na cozinha, viu que a cozinheira desperdiçava alimentos. Com jeitinho, pediu-lhe que arrumasse tudo e, depois, ensinou-lhe a melhor forma de preparar os pratos da cantina.

No salão, viu os fregueses sendo mal atendidos e reclamando da demora... Atencioso, Picolino foi atendê-los pessoalmente para ensinar aos garçons como é que se fazia.

Todo santo dia fazia essa rotina com o saquinho na mão. Depois de um mês, que sucesso! A cantina parecia outra.

Feliz, Picolino foi encontrar-se com Seu Sabichão e perguntou-lhe se podia ficar com o saquinho, pois sua cantina estava indo tão bem que ele tinha medo de separar-se do amuleto.

Seu Sabichão, divertido, abriu o saquinho, pegou o papel e entregou-o a Picolino, dizendo-lhe:

- Se você não se esquecer do que está escrito nesse papel, esse amuleto será sempre seu.

Curioso, Picolino abriu o papel e leu: "Se quiser que as coisas melhorem, acompanhe-as constantemente."

Meio sem jeito, Picolino dobrou o papel, colocou-o no bolso, agradeceu a Seu Sabichão e nunca mais deixou de acompanhar pessoalmente os trabalhos na sua cantina.
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Parábolas do Mundo Inteiro
Para Jovens e Crianças
Dr. Lair Ribeiro - Editora Leitura 


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Na Senda Escabrosa



“Nunca te deixarei, nem te desampararei.” Paulo (Hebreus, 13:5)
A palavra do Senhor não se reporta somente à sustentação da vida física, na subida pedregosa da ascensão.

Muito mais que de pão do corpo, necessitamos de pão do espírito.

Se as células do campo fisiológico sofrem fome e reclamam a sopa comum, as necessidades e desejos, impulsos e emoções da alma provocam, por vezes, aflições desmedidas, exigindo mais ampla alimentação espiritual.

Há momentos de profunda exaustão, em nossas reservas mais íntimas.

As energias parecem esgotadas e as esperanças se retraem apáticas.

Instala­-se a sombra, dentro de nós, como se espessa noite nos envolvesse.

E qual acontece à Natureza, sob o manto noturno, embora guardemos fontes de entendimento e flores de boa ­vontade, na vasta extensão do nosso país interior, tudo permanece velado pelo nevoeiro de nossas inquietações.

O Todo­-Misericordioso, contudo, ainda aí, não nos deixa completamente relegados à treva de nossas indecisões e desapontamentos. Assim como faz brilhar as estrelas fulgurantes no alto, desvelando os caminhos constelados do firmamento ao viajor perdido no mundo, acende, no céu de nossos ideais, convicções novas e aspirações mais elevadas, a fim de que nosso espírito não se perca na viagem para a vida superior.

"Nunca te deixarei, nem te desampararei" – promete a Divina Bondade.

Nem solidão, nem abandono.

A Providência Celestial prossegue velando.

Mantenhamos, pois, a confortadora certeza de que toda tempestade é seguida pela atmosfera tranquila e de que não existe noite sem alvorecer.
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  Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: Fonte Viva 


 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sonhos



O Espiritismo não podia deixar de interessar-se pelo problema dos sonhos, dando também, sobre eles, a sua interpretação. Não podia o Espiritismo fugir a esse imperativo, eis que as manifestações oníricas têm acentuada importância em nossa vida de relação, uma vez que os chamados «sonhos espíritas» resultam, via de regra, das nossas próprias disposições, exercidas e cultivadas no estado de vigília.

A Doutrina Espírita não pode estar ausente de qualquer movimento superior, de fundo espiritual, que vise a amparar o Espírito humano na sua rota evolutiva. Não é a Doutrina um movimento literário, circunscrito a gabinetes. É um programa para ajudar o homem a crescer para Deus, a fim de que, elevando-se, corresponda ao imenso sacrifício daquele que, sendo o Cristo de Deus, se fez Homem para que os homens se tornassem Cristos.

Os sonhos, em sua generalidade, não representam, como muitos pensam, uma fantasia das nossas almas, enquanto há o repouso do corpo físico. Todos eles revelam, em sua estrutura, como fundamento principal, a emancipação da alma, assinalando a sua atividade extracorpórea, quando então se lhe associam, à consciência livre, variadas impressões e sensações de ordem fisiológica e psicológica.

Estudemos o assunto, que se reveste de singular encanto, à luz do seguinte gráfico:

CLASSIFICAÇÃO DOS SONHOS =

{Comuns. = {Repercussão de nossas disposições, Físicas ou psicológicas.

{Reflexivos. = {Exteriorização de impulsos e imagens arquivadas no cérebro.

{Espíritas. = {Atividade real e efetiva do Espírito durante o sono.

Feita a classificação no seu tríplice aspecto, façamos, agora, a devida especificação:

1- Comuns: O Espírito é envolvido na onda de pensamentos que lhe são próprios, bem assim dos outros.

2- Reflexivos: A modificação vibratória, resultante do desprendimento pelo sono, faz o Espírito entrar em relação com fatos, imagens, paisagens e acontecimentos remotos, desta e de outras vidas.

3- Espíritas: Por «sonhos espíritas», situamos aqueles em que o Espírito se encontra, fora do corpo, com:
a) — parentes
b) — amigos
c) — instrutores
d) — inimigos, etc.

Outras denominações poderão, sem dúvida, ser-lhes dadas, o que, supomos, não alterará a essência do fenômeno em si mesmo. Estamos ainda no plano muito relativo das coisas. Assim sendo, tendo cada palavra o seu lugar e a sua propriedade, cabia-nos o imperativo da nomenclatura.

Geralmente temos sonhos imprecisos, desconexos, frequentemente interrompidos por cenas e paisagens inteiramente estranhas, sem o mais elementar sentido de ordem e sequência. Serão esses os sonhos comuns.

Aqueles em que o nosso Espírito, desligando-se parcialmente do corpo, se vê envolvido e dominado pela onda de imagens e pensamentos, seus e do mundo exterior, uma vez que vivemos num misterioso turbilhão das mais desencontradas ideias.

O mundo psíquico que nos cerca reflete as vibrações de bilhões de pessoas encarnadas e desencarnadas. Deixando o corpo em repouso, o Espírito ingressa no plano espiritual com apurada sensibilidade, facultando ao campo sensório o recolhimento, embarafustado, de desencontradas imagens antes não percebidas, em face das limitações impostas pelo cérebro físico.

Ao despertarmos, guardaremos imprecisa recordação de tudo, especialmente da ausência de conexão nos acontecimentos que, em forma de incompreensível sonho, povoaram a nossa vida mental. A esses sonhos chamaríamos sonhos comuns, por serem eles os mais frequentes.

Por reflexivos, categorizamos os sonhos em que a alma, abandonando o corpo físico, registra as impressões e imagens arquivadas no subconsciente e plasmadas na organização perispiritual.

Tal registro é possível de ser feito em virtude da modificação vibratória, que põe o Espírito em relação com fatos e paisagens remotos, desta e de outras existências. Ocorrências de séculos e milênios gravam-se indelevelmente em nossa memória, estratificando-se em camadas superpostas.

A modificação vibratória, determinada pela liberdade de que passa a gozar o Espírito, no sono, fá-lo entrar em relação com acontecimentos e cenas de eras distantes, vindos à tona em forma de sonho. A esses sonhos, na esquematização de nosso singelo estudo, daremos a denominação de «reflexivos», por refletirem eles, evidentemente, situações anteriormente vividas.

Cataloguemos, por último, os sonhos espíritas. Esses se revestem de maior interesse para nós, por atenderem com mais exatidão e justeza à finalidade deste livro, qual seja a de, sem fugir à feição evangélica, fazer com que todos os capítulos nos sejam um convite à reforma interior, como base para a nossa felicidade e meio para, em nome da fraternidade cristã, melhor servirmos ao próximo.

Nos sonhos espíritas a alma, desprendida do corpo, exerce atividade real e afetiva, facultando meios de encontrarmo-nos com parentes, amigos, instrutores e, também, com os nossos inimigos, desta e de outras vidas.

Quando os olhos se fecham, com a visitação do sono, o nosso Espírito parte em disparada, por influxo magnético, para os locais de sua preferência. O viciado procurará os outros. O religioso buscará um templo. O sacerdote do Bem irá ao encontro do sofrimento e da lágrima, para assisti-los fraternalmente.

Enquanto despertos, os imperativos da vida contingente nos conservam no trabalho, na execução dos deveres que nos são peculiares. Adormecendo, a coisa muda de figura. Desaparecem, como por encanto, as conveniências. A atividade extracorpórea passará a refletir, sem dissimulações ou constrangimentos, as nossas reais e efetivas inclinações, superiores ou inferiores.

Buscamos sempre, durante o sono, companheiros que se afinam conosco e com os ideais que nos são peculiares. Para quem cultive a irresponsabilidade e a invigilância, quase sempre os sonhos revelarão convívio pouco lisonjeiro, cabendo, todavia, aqui a ressalva doutrinária, exposta na caracterização dos sonhos reflexivos, de que, embora tendo no presente uma vida mais ou menos equilibrada, poderemos, logicamente, reviver cenas desagradáveis, que permanecem virtualmente gravadas em nosso molde perispiritual.

Quem exercite, abnegadamente, o gosto pelos problemas superiores, buscará durante o sono a companhia dos que lhe podem ajudar, proporcionando-lhe esclarecimento e instrução.

O tipo de vida que levarmos, durante o dia, determinará invariavelmente o tipo de sonhos que a noite nos ofertará, em resposta às nossas tendências.

As companhias diurnas serão, quase sempre, as companhias noturnas, fora do vaso físico. O esforço de evangelização das nossas vidas e a luta incessante pela modificação dos nossos costumes, objetivando a purificação dos nossos sentimentos, dar-nos-ão, sem dúvida, o prêmio de sonhos edificantes e maravilhosos, expressando trabalho e realização.

Com instrutores devotados nos encontraremos e deles ouviremos conselhos e reconforto. Dessas sombras amigas, que acompanham a migalha da nossa boa vontade, receberemos estímulo para as nossas sublimes esperanças.
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(EXTRAÍDO DO LIVRO “ESTUDANDO A MEDIUNIDADE” CAPÍTULO 17, DE MARTINS PERALVA.)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Respeite seu Filho



Seu filho é abençoado aprendiz da vida. Não lhe dificulte a colheita das lições, fazendo-lhe as tarefas.

Seu filho é flor em botão nos verdes ramos da existência. Não lhe precipite o desabrochar, estiolando-lhe a vitalidade espontânea.

Seu filho é discípulo da existência. Não lhe cerceie a produtividade, tomando sobre os seus ombros os misteres que lhe competem.

Seu filho é lâmpada em crescimento de luz. Não lhe coloque o óleo viscoso da bajulação para que não afogue o pavio onde crepita a chama da esperança.

Seu filho é fruto em formação para o futuro. Não procure colher, antes do tempo, o benefício que não lhe pertence.

Lembre-se, mãe devotada que você é, que o seu filho também é filho de Deus.

Você poderá caminhar ao seu lado na estrada apertada, mas ele só terá honra quando conseguir chegar ao objetivo conduzido pelos próprios pés.

Você tem o dever de lhe apontar os abismos à frente, mas a ele compete contornar os obstáculos e descer às baixadas da existência para testar a fortaleza do próprio caráter.

Você deve ministrar-lhe o pábulo do Evangelho, mas a ele compete o murmúrio das orações, na prece continuada das ações nobres.

Seu filho é discípulo amado que Deus pôs ao alcance do seu coração enternecido, no entanto, a sua tarefa não pode ir além daquele amor que o Pai propicia a todos, ensinando no tempo próprio, corrigindo na luta e educando através da disciplina para a felicidade.

Mostre-lhe a vida, mas deixe-o viver.

Fala-lhe das trevas, mas dê-lhe a luz do conhecimento.

Mande-o à escola, mas faça-se mestra dele no lar.

Apresente-lhe o mundo, mas deixe-o construir o próprio mundo.

Tome-lhe as mãos e ponha-as no trabalho, ensinando com o seu exemplo, mas não lhe desenvolva a inutilidade, realizando as tarefas que lhe competem.

Seu filho é vida da sua vida que vai viver na vida da Humanidade inteira.

Cumpra o seu dever amando-o, mas exercite o seu amor ensinando-o a amar e fazendo que, no serviço superior, ele se faça um homem para que o possa bendizer, mais tarde.

Ame, em seu filho, o filho de todas as mães, e ame nos filhos das outras o seu próprio filho, para que ele, honrado pelo amor de outras mães, possa enobrecer o mundo, amando outros filhos.

Seu filho é semente divina; não lhe negue, por falta de carinho, a cova escura da fertilidade, pretextando devotamento, porque a semente que não morrer jamais será fonte de vida.

Mãe! Seu filho é a esperança do mundo; não o asfixie no egoísmo dos seus anelos, esquecendo-se de que você veio à Terra sem ele e retornará igualmente a sós, entregando-o a Deus consoante as leis sábias e justas da Criação.
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Amélia Rodrigues
(Crestomatia da Imortalidade. Divaldo Franco –
Diversos Espíritos, cap. 37, ed. LEAL) 

terça-feira, 9 de maio de 2017

PRECE PARA TI MESMO



Deus!... Sou eu que Te falo! Eu me proponho a ler este livro, já sabendo que ele trata de assuntos altamente incômodos à minha personalidade. Pelo sumário e pelo título, nota-se o quanto temos de nos esforçar como médicos de nós mesmos, fazendo diariamente a nossa cirurgia mental, de modo que ela restabeleça o equilíbrio espiritual em nosso coração, juntamente com os sentimentos.

Conheço as minhas falhas, sei que os meus pés têm pisado em terreno que não é próprio aos pés de um verdadeiro discípulo de Jesus. No entanto, estou disposto a mudar de direção, para fazer a Tua vontade e não a minha, em todos os objetivos de servir que começam a nascer em meu íntimo.

Quero confiar em Teu amor... 
Ajuda-me!

Quero sentir a Tua presença na minha vida...

Ajuda-me!

Quero facilitar o livre trânsito do amor no meu mundo interno...
 Ajuda-me!

Divino Senhor! Não deixes que eu ocupe o tempo precioso vendo os defeitos alheios. Não permitas que a minha boca sirva de escândalos para alimentar a vingança, o orgulho e a vaidade. Livra-me do ambiente de discórdia e de maledicência.

Deus de eterna bondade! O Teu amor conforta-me o coração! Eu Te peço que me ajudes a melhorar, porque somente Tu sabes das minhas enfermidades morais. Estou disposto a operar-me no mesmo hospital em que vivo diariamente, onde o maior enfermo sou eu. Mas quero que me ajudes em tal disposição, para fechar os olhos aos erros de quem anda comigo no mesmo caminho, para ver com clareza o que tenho de pior, para que o bisturi da boa vontade trabalhe em mim sem o impedimento da vaidade e do amor próprio. 

Ajuda-me a ajudar!

Senhor, eu Te peço para me lembrares, ao ler páginas de auto educação, do que tem de ser corrigido em meus caminhos, agradecendo aos outros pelos  exemplos que me ofertam no silêncio da própria vida.

Lembra-me, meu Deus, para que eu não imponha as minhas ideias
nos corações dos que me cercam e vivem comigo.
Lembra-me, Senhor, para que eu adquira a obediência e a autoeducação.
E quando eu tiver cultivado alguma virtude, não critique quem ainda não teve tal oportunidade.

Sei que o amor não ofende, não maltrata, não enxovalha, não fere e não exige. Porém, na hora em que o bem-estar invade o meu coração, pela Tua misericórdia, eu faço tudo isso, pelo prazer de diminuir o próximo, exaltando-me naquilo que não possuo. Quero Te pedir para me ajudar a combater o egoísmo que veste, dentro de mim, variadas roupas, disfarçando-se em modalidades diversas para que eu me engane a mim mesmo, deixando imperar o orgulho.

Ajuda-me, Senhor, a ajudar a mim mesmo, na escala em que permaneço, sem ofender os outros e sem diminuir a quem quer que seja.
Abençoa-me, e a todos, mostrando-me o que devo fazer, sem desculpas, dentro de mim mesmo
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Lancellin
João Nunes Maia