Sobre cap. XVII, ítem 4
de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec
“Quem não é comigo é contra mim.”
Jesus (Lucas, 11:23)
Entre o bem e o mal não existe neutralidade.
De igual modo, não há miscibilidade ou transição entre a verdade e a mentira.
Escondemo-nos na sombra ou revelamo-nos na luz.
Quem não edifica o bem, só por essa omissão já está forjando o mal, em forma de negligência.
Quem foge à realidade cairá inevitavelmente no engano de consequências imprevisíveis.
Importa considerar, entretanto, a relatividade das posições individuais, nos quadros da vida coletiva, para não encarcerarmos a própria conduta em opiniões inamovíveis.
Desse modo, busquemos sempre, acima de tudo, a verdade fundamental que dimana do Criador, e o bem maior, relativo ao interesse espiritual de todas as criaturas.
Partindo desse princípio basilar, sentiremos a realidade do esclarecimento justo do Senhor:
- “Quem não é comigo é contra mim.”
A necessidade mais imperiosa de nossas almas é sempre aquela do culto incessante à caridade pura, sem condições de qualquer natureza. Quem estiver fora dessa orientação, respira à distância do apostolado com Jesus.
Para assegurar-nos a firme atitude na senda reta, trazemos dentro de nós a consciência, à feição de porta-voz do roteiro exato.
Nos mínimos sucessos de cada dia, define-te, pois, com clareza, para que te não abandones à neblina dos vales de indecisão.
Estacionamento no mal, ou ascensão para o bem.
Com Jesus ou distante dele.
Isto significa que estarás ao lado do Cristo, desprezando agora as supostas facilidades que gerarão depois as dificuldades reais, ou abraçando, hoje, a cruz do caminho que, amanhã, conferir-te-á o galardão do imarcescível triunfo.
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Emmanuel
por Waldo Vieira
Livro: O Espírito da Verdade – Estudos e Dissertações em Torno
de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec
Francisco Cândido Xavier, Waldo Vieira, por Espíritos Diversos
FEB – Federação Espírita Brasileira
MENSAGEM DO ESE:
Os últimos serão os primeiros
O obreiro da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a sua boa-vontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má-vontade. Tem ele direito ao salário, porque desde a alvorada esperava com impaciência aquele que por fim o chamaria para o trabalho. Laborioso, apenas lhe faltava o labor.
Se, porém, se houvesse negado ao trabalho a qualquer hora do dia; se houvesse dito: “tenhamos paciência, o repouso me é agradável; quando soar a última hora é que será tempo de pensar no salário do dia; que necessidade tenho de me incomodar por um patrão a quem não conheço e não estimo! quanto mais tarde, melhor”; esse tal, meus amigos, não teria tido o salário do obreiro, mas o da preguiça.
Que dizer, então, daquele que, em vez de apenas se conservar inativo, haja empregado as horas destinadas ao labor do dia em praticar atos culposos; que haja blasfemado de Deus, derramado o sangue de seus irmãos, lançado a perturbação nas famílias, arruinado os que nele confiaram, abusado da inocência, que, enfim, se haja cevado em todas as ignominias da Humanidade? Que será desse?
Bastar-lhe-á dizer à última hora: Senhor, empreguei mal o meu tempo; toma-me até ao fim do dia, para que eu execute um pouco, embora bem pouco, da minha tarefa, e dá-me o salário do trabalhador de boa vontade? Não, não; o Senhor lhe dirá: “Não tenho presentemente trabalho para te dar; malbarataste o teu tempo; esqueceste o que havias aprendido; já não sabes trabalhar na minha vinha.
Recomeça, portanto, a aprender e, quando te achares mais bem disposto, vem ter comigo e eu te franquearei o meu vasto campo, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia.
Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.
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— Constantino, Espírito Protetor. (Bordéus, 1863.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 2.)

