sábado, 10 de novembro de 2012

O luto e as tintas



O que foi dito, foi dito e ponto final.
O que foi feito, está feito e não tem jeito.
O que passou, passou e não volta mais.
Tudo tão simples não é?
Não! Não é.

Para quem vive uma situação de arrependimento,
para quem está passando por uma dor profunda causada por uma perda,
nada é simples, nada é claro.

Por isso, quando quiser ajudar,
ou sair de uma fase assim, viva o seu luto.

Ou seja, chore, arranque os cabelos, xingue,
grite, proteste, fique sem comer, desabafe,
mas faça tudo com emoção verdadeira,
com lágrimas de sangue, sem dó de ninguém,
nem de você.

O único cuidado que você deverá tomar é com o tempo.
O seu luto não deve passar de 7 dias.
Não estou falando de esquecimento.
Certas pessoas e fatos não devemos esquecer.
Estou falando da intensidade da dor.

Eu te garanto que tem gente de luto a mais de 10 anos.
Tem gente que já nasceu de luto.
Tem gente que você olha para a cara e vê o luto.
Outras que só se aproximam para deixar você de luto.

Não se prenda ao passado que não volta!
No arrependimento que não conserta,
na esperança vazia do que não vai acontecer.

Pegue a sua malinha de dores e jogue no rio
(com uma pedra pesada dentro).

O que resta para nós todos os dias,
é apenas o dia de hoje.

Pegue o seu dia e construa o seu futuro agora.
Ele vai ter a cor, o sabor
e as alegrias que você desejar já.

Qual será a cor da sua vida amanhã?
É só olhar para as cores que você está pintando hoje.
Espero que seja com aquarela amarela, cheia de cores lindas.
Porque cinza já basta a minha meia antiga…
Viva o seu dia!
Viva você!
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Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Quando vier me visitar...

Traga flores, muitas delas...
Porém, não me traga apenas flores,
Não se esqueça de juntar à elas:

A beleza do seu sorriso,
a ternura do seu olhar, a força do seu abraço,
o calor dos seus beijos.

Quando vier me visitar...
Traga flores, muitas delas...
Mas não esqueça de tirar-lhes: os espinhos que machucam,
as folhas envelhecidas, os galhos secos,
as dores embutidas.

Quando vier me visitar...
Traga flores, muitas delas...
Perfumadas, coloridas, alegres: todas parecidas com você!

Quando vier me visitar...
Traga você por inteiro...
As flores? Nem sei se vai precisar! 
 

Confia e Caminha



A existência na Terra é comparável a uma viagem de aperfeiçoamento, na qual necessitas seguir adiante, ao lado de nossos companheiros da jornada evolutiva.

Muitos te desconhecem, no entanto, Deus sabe quem és.

Muitos te menosprezam, contudo, Deus não te abandona.

Muitos te hostilizam, mas Deus te apoia.

Muitos te reprovam, em circunstâncias difíceis, no entanto, Deus te abençoa.

Muitos se te afastam da presença, todavia, Deus permanece contigo.

À vista de semelhante realidade, sempre que tropeços e provações te apareçam, não te acomodes, à beira da estrada, em algum recanto da inércia.

Confia em Deus e caminha.
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Emmanuel  
Chico Xavier





quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Despertar Tardio



 Dia a dia, enfrentamos um mundo cada vez mais materialista.
Muitas famílias levam a vida longe da espiritualidade, nada querendo saber sobre a “morte”.
Deus é um ser tão distante delas que, às vezes, pronunciam o Seu nome apenas por pronunciar, sem o mínimo respeito. É comum ouvirmos dizer: Oh! Meu Deus!, quando quebram um copo, ou quando algo não dá certo, como o bolo que queima, a doméstica que falta. Mas Ele é muito mais, por isso no Decálogo nos lembramos do segundo mandamento:

Não tomar seu santo nome em vão.

Se a família se preocupasse mais em educar o filho na fé, não veríamos o que estamos assistindo hoje: crianças fantasiadas de adultos, com roupas de senhoras ou de mulheres fúteis, e as mães achando lindo: os filhos, em tenra idade, varando as madrugadas e tudo isso porque a família não possui uma base religiosa. Quando os avós pedem aos seus filhos que levem seus netos para serem evangelizados, os pais se revoltam, dizendo: 
não queremos nossos filhos apegados ao fanatismo.

A religião torna os homens fracos.

Enquanto isso, um forte vício pode estar aprisionando seu filho que você deseja livre. Antigamente, o homem temia a Deus. É verdade, mas O respeitava. Hoje, o homem só teme a falta de dinheiro, como se isso fosse a única razão da vida. Alguns, ao lerem o nosso livro, irão dizer: como levar as crianças para serem evangelizadas? Essas aulas de evangelização são geralmente aos sábados e nesse dia torna-se impossível acordar cedo, deixar de ir ao clube ou ao shopping. 
E assim as pobres crianças têm por companhia a pior babá que alguém possa ter: a televisão. É nela que a criança aprende a trair, a mentir, torna-se violenta, enfim, ao ver os seus ídolos diante da tela, procura imitá-los, com um cigarro na mão, na outra um copo de bebida. Não é só isso, a virgindade, que é o símbolo da pureza feminina, é tratada de maneira bastante vulgar, passando para a menina-moça a imagem de que ser virgem é um estigma e que os homens modernos não respeitam uma mulher pura. E os pais, onde se encontram? Trabalhando, jogando, indo ao chá das cinco, ou saindo de um emprego e indo para o outro, acumulando afazeres, que no fim do mês aumentem seu rendimento. E os filhos, por onde andam? Aprendendo com o mundo o que o mundo depois vai-lhes cobrar com altos juros.
 É fácil tornar-se um jovem moderno, o difícil é passar pelo lamaçal do modernismo e não contrair doenças incuráveis, como por exemplo, as que estão maltratando demais: as doenças neurológicas, como a depressão e outras mais. 
Se as famílias não levantarem a bandeira em prol da moralidade, logo teremos uma sociedade doente e desesperada.

Hoje, não só a droga toma conta da população, mas também a falta de moral, onde as crianças
são as maiores vítimas. 
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Trecho extraído do livro “Na Hora do Adeus”
Luiz Sérgio



Seguindo à frente



Dificuldades, fracassos, conflitos e frustações...
Possivelmente, faceaste tudo isso restando-te unicamente largo rescaldo de pessimismo.
*
Apesar de tudo, a vida te busca a novas empresas de trabalho e renovação.
*
O sol brilha, o mar de oxigênio te refaz energias, o progresso trabalha, o chão produz e parece que a noite se te abriga no ser.
*
Ergue-te em espírito e empreende a jornada nova.
*
Uma estrada se continua em outra estrada, uma fonte associa-se à outra.
*
Tens contigo a riqueza do tempo a esperar-te na aplicação dela própria, a fim de que a felicidade te favoreça.
*
Varre os escaninhos da alma, expurgando-te lembranças amargas e deixa que a luz do presente consiga alcançar-te por dentro das próprias forças.
*
Renova-te e segue adiante, trabalhando e servindo.
*
E à medida que avances, caminho a fora, entre a bênção de compreender e o contentamento de ser útil, perceberás que todos os obstáculos e sombras de ontem se fizeram lições e experiências, enriquecendo-te o coração de segurança e de alegria para que sigas em paz, no rumo de conquistas imperecíveis, ante o novo amanhecer.
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Emmanuel
Chico Xavier






quarta-feira, 7 de novembro de 2012

No dia-a-dia



Adestre a mente com a vigilância necessária ao policiamento das ideias pestilenciais. 
O pensamento é fio de segurança por onde transitam a felicidade e a desdita.
 Substitua da linguagem usual as três palavras: 
"não posso mais" por três outras: "tentarei outra vez". 
O verbo a escorrer pelos lábios reflete o estado d'alma e cria condicionamento vigoroso para a mente. 
Não há experiência nem sabedoria sem a aprendizagem mediante as disciplinas dos livros da dor. 
Considere o insucesso em suas experimentações humanas como fenômeno natural.
 Cada erro é lição valiosa que nos ensina o que devemos fazer outra vez. 
Habitue-se a uma leitura otimista, diariamente, qual homeopatia salutar para o seu espírito.
 O livro superior ainda é o mais precioso e discreto amigo para as necessidades do dia-a-dia.

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Marco Prisco 




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Agradecimentos Esquecidos


 Sempre ágeis e satisfeitos para manifestar a nossa gratidão pelas alegrias com que somos favorecidos, saibamos cultivar os agradecimentos, habitualmente esquecidos, ante os contratempos que nos esclarecem, tais quais sejam:

o parente irritadiço que nos impele a praticar tolerância e paciência;
*
o constrangimento orgânico, induzindo-nos a preservar os valores da saúde possível;
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o prejuízo que nos amplia o discernimento;
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o amigo que nos abandona, obrigando-nos a intensificar a confiança em nós mesmos;
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 desengano em assuntos afetivos que nos leva a compreender os erros dos outros e a desculpá-los;
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a petição sonegada, impulsionando-nos ao exercício da humildade e da persistência;
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o problema que nos desafia, ensinando-nos a arte de pensar com decisão e segurança.
*
Decididos a agradecer todas as ocorrências do cotidiano que se expressam na base do “a favor,” lembremo-nos dos benefícios que a vida nos oferta nos acontecimentos considerados do “contra.”
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O motor realmente assegura a movimentação do carro, nessa ou naquela direção, mas o freio é que nos evita o desastre.

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André Luiz
Chico Xavier








 

domingo, 4 de novembro de 2012

Eu tenho a Ti




Jesus!

Meus dias, a partir de hoje, raiarão floridos, porque eu tenho a Ti!

Não mais as lágrimas, não mais a dor, não mais as queixas, não mais as manhãs cinzentas, porque eu tenho a Ti!

Hoje, eu prometo ser diferente, mais confiante, valente, guerreiro de minha própria causa, destemido, ardente, como Tu mesmo o fostes; assim serei!...

Hoje, para começar, quero olhar para vida sem medo de receber chacotas, críticas, desprezo, ironias, maus tratos e palavras frias, vou olhar a face da hipocrisia sem me abalar, sem sofrer, pois que me importam as decepções da estrada, as pedradas, as desilusões, se eu tenho a Ti?

Junto ao Teu peito nunca mais serei pequeno!

Serei grande, forte, arrojado, dono e senhor de mim mesmo, capacitado a me impor com nobreza, a participar, a seguir em frente, a fazer brilhar minha própria luz, a criar, porque eu tenho a Ti!

Se me amam menos, que importância tem?

Se o que faço não conta, que importância tem?

Importa é que sigo contigo, seguro, e aprendo em teus olhos que o que importa é que Tu me amas e que eu tenho a Ti!

Quando chegar a noite, Jesus, e ao deitar-me, quero te agradecer, feliz, por ter estado contigo, ter me resguardado, ter amado, perdoado e ganho assim o meu dia, ao teu lado!

Quero adormecer em paz qual criança pequena que nada teme quando em colo amigo, assim serei contigo, hoje e sempre, porque tenho a Ti!

Assim seja!
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André Luiz 
Chico Xavier





sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Prece por Luz




Senhor!...
No final desse dia , estamos em oração, rogando-te mais luz por acréscimo de misericórdia.

Clareia-nos o entendimento, a fim de que conheçamos em suas consequências os caminhos já trilhados por nós; entretanto, faze-nos essa concessão mais particularmente para descobrirmos, sem enganos, onde as estradas mais retas que nos conduzem à integração com os teus depósitos.

Alteia-nos o pensamento, não somente para identificarmos a essência de nossos próprios desejos, mas sobretudo para que aprendamos a saber quais os planos que traçaste a nosso respeito.

Ilumina-nos a memória, não só de modo a recordarmos com segurança as lições de ontem, e sim, mais especialmente, a fim de que nos detenhamos no dia de hoje, aproveitando-lhe as bênçãos em trabalho e renovação.

Auxilia-nos a reconhecer as nossas disponibilidades; todavia, concede-nos semelhante amparo, a fim de que saibamos realizar com ele o melhor ao nosso alcance.

Inspira-nos, ensinando-nos a valorizar os amigos que nos enviaste; no entanto, mais notadamente, ajuda-nos a aceitá-los como são, sem exigir-lhes espetáculos de grandeza ou impostos de reconhecimento.

Amplia-nos a visão para que vejamos em nossos entes queridos não apenas pessoas capazes de auxiliar-nos, fornecendo-nos apoio e companhia, mas, acima de tudo, na condição de criaturas que nos confiaste ao amor, para que venhamos a encaminhá-los na direção do bem.

Ensina-nos a encontrar a paz na luta construtiva, o repouso no trabalho edificante, o socorro na dificuldade e o bem nos supostos males da vida.

Senhor!...

Abençoa-nos e estende-nos as mãos compassivas, em tua infinita bondade, para que te possamos perceber em espírito na realidade das nossas tarefas e experiências de cada dia, hoje e sempre.

Assim seja.
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Emmanuel
Chico Xavier



A Morte



A morte é uma grande reveladora. 
Nas horas de provação, quando as sombras nos rodeiam, perguntamos algumas vezes: 
Por que nasci eu ? 
Por que não fiquei mergulhado lá na profunda noite, onde não se sente, onde não se sofre, onde só se dorme o eterno sono ? 
E, nessas horas de dúvida e de angústia, uma voz vem até nós e diz-nos: 
Sofre para te engrandeceres, para te depurares! 
Fica sabendo que teu destino é grande.
*
Esta terra fria não é teu sepulcro. 
Os mundos que brilham no âmbito dos céus são tuas moradas futuras, a herança que Deus te reserva. 
Tu és para sempre cidadão do Universo; pertences aos séculos passados como aos futuros, e, na hora atual, preparas a tua elevação. 
Suporta, pois, com calma, os males por ti mesmo escolhidos.

*

Semeia na dor e nas lágrimas o grão que reverdecerá em tuas próximas vidas. 
Semeia também para os outros assim como semearam para ti! 
Ser imortal, caminha com passo firme sobre a vereda escarpada até às alturas de onde o futuro te aparecerá sem véu!
*
A ascensão é rude, e o suor inundará muitas vezes o teu rosto, mas, no cimo, verás brilhar a grande luz, verás despontar no horizonte o Sol da Verdade e da Justiça!

*

A voz que assim nos fala é a voz dos mortos, é a voz das almas queridas que nos precederam no país da verdadeira vida. 
Bem longe de dormirem nos túmulos elas velam por nós. 
Do pórtico do invisível veem-nos e sorriem para nós. 
Adorável e divino mistério! 

Comunicam-se conosco e dizem: 
Basta de dúvidas estéreis; trabalhai e amai.
Um dia, preenchida a vossa tarefa, a morte reunir-nos-á.
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Léon Denis


 






quinta-feira, 1 de novembro de 2012

No Lar




Não olvides que teu filho, sendo a materialização de teu sonho, é também tua obra na Terra.

Às vezes é um lírio que plantaste no tempo; contudo, na maioria das ocasiões, é um fragmento de mármore que deixaste à distância.

Flor que te pode encorajar ou pedra que te pode ferir.

Recebe-o, pois, como quem encontra a oportunidade mais santa de trabalho no mundo.

Não lhe abandones o espírito à liberdade absoluta, para que se não perca ao longo da estrada, e nem cometas a loucura de encarcerá-lo em teus pontos de vista, para que o teu exclusivismo não lhe desfigure as qualidades inatas para o infinito bem.

Ajuda-o, acima de tudo, a crescer para o ideal superior, assim como auxilias a árvore nascente, em ímpeto ascensional para a luz.

Livra-o das deformidades mentais, tanto quanto proteges o vegetal proveitoso contra a invasão da erva sufocante.

Ser pai é ser colaborador efetivo de Deus, na Criação.

Receber um filho é deter entre os homens o mais sagrado depósito.

Não desertes, assim, da abnegação em que deves empenhar todas as forças peculiares à própria vida, a fim de que o rebento de tuas aspirações humanas se faça legítimo sucessor dos teus mais íntimos anseios de elevação.

O lar, na Terra, ainda é o ponto de convergência do passado. 
Dentro dele, entre as quatro paredes que lhe constituem a expressão no espaço, recebemos todos os serviços que o tempo nos impõe, habilitando-nos ao título de cidadãos do mundo.

Exercitemos, desse modo, o amor e o serviço, a humildade e o devotamento, no templo familiar, à frente de nossos amigos ou adversários do pretérito transformados hoje em nossos parentes ou em nossos filhos, e estaremos alcançando nos problemas da eternidade a mais alta e a mais sublime equação.
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Emmanuel
Chico Xavier




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Joias Devolvidas


Narra antiga lenda que um rabi, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos queridos.

Certa vez, por imperativos da religião, o rabi empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias.

No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.

A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura.

Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia?

Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção.

Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.

Alguns dias depois, num final de tarde, o rabi retornou ao lar.

Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos…

Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.

Alguns minutos depois estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.

A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido: deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave.

O marido, já um pouco preocupado perguntou: o que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.

- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas joias de valor incalculável, para que as guardasse. São joias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo!

- O problema é esse! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz?

- Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!… Por que isso agora?

- É que nunca havia visto joias assim! São maravilhosas!

- Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.

- Mas eu não consigo aceitar a ideia de perdê-las!

E o rabi respondeu com firmeza: ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo!

- Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.

- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito.

- As joias preciosas eram nossos filhos.

- Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram.

O rabi compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram grossas lágrimas. Sem revolta nem desespero.

………………………

Os filhos são joias preciosas que o Criador nos confia a fim de que as ajudemos a burilar-se.

Não percamos a oportunidade de enfeitá-las de virtudes. Assim, quando tivermos que devolvê-las a Deus, que possam estar ainda mais belas e mais valiosas.

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Richard Simoneti.

A Melhora da Morte




Diante do agonizante o sentimento mais forte naqueles que se ligam a ele afetivamente é o de perda pessoal.

"Meu marido não pode morrer! Ele é o meu apoio, minha segurança!"
"Minha esposa querida! Não me deixei Não poderei viver sem você!"

"Meu filho, meu filho! Não se vá! Você é muito jovem!
Que será de minha velhice sem o seu amparo?"

Curiosamente, ninguém pensa no moribundo.
Mesmo os que aceitam a vida além‐túmulo multiplicam‐se em vigílias e orações, recusando admitir a
separação. Esse comportamento ultrapassa os limites da afetividade, desembocando no velho egoísmo humano, algo parecido com o presidiário que se recusa a aceitar a ideia de que seu companheiro de prisão vai ser libertado.

O exacerbamento da mágoa, em gestos de inconformação e desespero, gera fios fluídicos que tecem uma espécie de teia de retenção, a promover a sustentação artificial da vida física. Semelhantes vibrações não evitarão a morte.

Apenas a retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maior de sofrimentos.

É natural que, diante de sério problema físico a se abater sobre alguém muito caro ao nosso coração, experimentemos apreensão e angústia. Imperioso, porém, que não resvalemos para a revolta e o desespero, que sempre complicam os problemas humanos, principalmente os relacionados com a morte.

Quando os familiares não aceitam a perspectiva da separação, formando a indesejável teia vibratória, os técnicos da Espiritualidade promovem, com recursos magnéticos, uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá", surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a
lucidez e ensaiando algumas palavras...

Geralmente tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os "retentores" vão
repousar, proclamando:
"Graças a Deus! O Senhor ouviu nossas preces!"

Aproveitando a trégua na vigília de retenção os benfeitores espirituais aceleram o processo desencarnatório e iniciam o desligamento. A morte vem colher mais um
passageiro para o Além.

Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição. Por isso é frequente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham. Existe até um ditado popular a respeito do assunto:

"Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!”
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QUEM TEM MEDO DA MORTE?
Richard Simonetti

Sempre à procura



O homem evita o confronto consigo mesmo.

Evita porque se desaprova.

Não se aceita como é, mas não consegue mudar.

Mudar é penoso; a renovação exige sacrifício.

Habituado ao imediatismo, não se anima a investir no futuro.

Aspira a resultados agora...

Semeia e, depressa, anseia pelos frutos.

Tão jungido se encontra ao corpo, que confunde-se com ele.

Não tem consciência plena de que é espírito.

É prisioneiro voluntário das próprias sensações.

Não se incomoda de pagar, com a dor, o preço do desejo.

Mas também não consegue satisfazer-se...

Está sempre à procura.

Ele não sabe, mas, no fundo, procura por Deus!

Busca exteriormente o que encontrará apenas dentro de si...
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Irmão José


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Amparo Desconhecido

 
Talvez nada saibas, por agora, com respeito aos obstáculos do cotidiano, no entanto, é justo reflitas neles:

a afeição que perdeste;

a enfermidade que te absorveu longo tempo;

a colocação profissional que não conseguiste;

o negócio que supunhas vantajoso e cuja realização não pudeste ver;

o prejuízo em que entraste;

o encontro frustrado;

a joia que te escapou das mãos;

a festa, de cuja beleza deploras ter estado ausente;

de perda alguma te lastimes.

As tuas contrariedades foram registradas nos arquivos das horas e surgirá um dia em que o tempo te fará sorrir de felicidade e de gratidão, porque o entendimento te fará reconhecer que todas essas provações imaginárias foram bênçãos de Deus.
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Emmanuel
Chico Xavier 



domingo, 28 de outubro de 2012

Suportar nossa Cruz

Obra: Rumo Certo
Emmanuel
Chico Xavier