segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Tolerância






Emaranhas-te, algumas vezes, no cipoal da incompreensão de seres queridos.

Aqui, é um filho que se te afigura inacessível às diretrizes de renovação; mais além, é um coração amado que parece não mais te suportar os convites ao bom senso.

Não insistas com intimações palavrosas.
Ameaças e desafios assemelham-se a marteladas sobre pregos de fixação.

Oferece-lhes bondade e simpatia, quando te não consigam entender, mas não os encarceres nas linhas de teus pensamentos.

Se pessoas queridas fogem de ti, inconformadas com a vida em tua casa mental, abençoa-as com serenidade e continua agindo e servido na execução dos ideais superiores que abraças.

E se, um dia, te retornarem à convivência, buscando trabalhar perto de ti, quanto se te faça possível, abre-lhes os braços; e se te solicitam a intercessão para que venham a servir noutros caminhos, não vaciles ajudá-las, afim de que retomem o esforço de elevação do qual se afastaram transitoriamente.

Perdão não é apenas uma joia na boca e sim a aceitação dos outros, na condição em que ainda se encontrem, com a sincera disposição de colocar-nos em lugar deles, não somente para avaliar-lhes a situação, mas também para sabermos quanto estimaríamos recolher, na situação dos que erram, a tolerância da generosidade alheia.

Sigamos o próprio caminho, sem impedir que os semelhantes escolham estradas diferentes das nossas.

Certa feita, recomendou Jesus ao Apóstolo:

- “Perdoarás não apenas uma vez, mas setenta vezes sete”. Isso quer dizer também que à frente dos nossos irmãos que nos firam ou nos ofendam, cabe-nos abençoá-los e auxiliá-los, tantas vezes quantas se fizerem necessárias.
 *****************
Meimei

Chico Xavier 




domingo, 1 de dezembro de 2013

Dever e Prazer



Transforme o dever num prazer e realize o trabalho que lhe cabe executar com renovada satisfação.

Compreensão da tarefa é serviço em desenvolvimento.

Quando afligido pelo cansaço de qualquer procedência, mude de atitude mental e sentir-se-á reconfortado.

Alegria na ação constitui motivação estimulante.

Ante o insucesso que o surpreenda não cesse de rentear com novas experiências.

Quem desiste de tentar, sucumbe sem perceber.

Atormentado pela ansiedade de concluir o serviço a que se vincula, pare e reflita a fim de prosseguir.

Terminar uma atividade apressadamente pode convertê-la em insucesso imprevisível.

Diante dos múltiplos labores a desenvolver, relacione mentalmente suas possibilidades e dê preferência aos mais complexos, que assim o encontrarão com melhores recursos de otimismo e lucidez.

As tarefas agradáveis realizadas no começo, tornam as finais, quando difíceis, mais complicadas, por força do cansaço.

O trabalho de qualquer natureza é sempre uma bênção para o homem.

O parasita pode parecer tranquilo, no entanto, além de pernicioso é infeliz em si mesmo.

A verdadeira alegria do trabalho decorre inicialmente da atitude mental em relação ao seu desdobramento.

Encontrar em tudo motivo de satisfação, é, sem dúvida, predispor-se à felicidade.

Trabalho – dever impostergável.

Dever – prazer superior.

Prazer – coroamento do dever de trabalhar em prol da paz e da harmonia de todos.
*********************
Marco Prisco






sábado, 30 de novembro de 2013

Ironia



Muitas as formas de destruir.

Fácil a tarefa de desagregar.

Rápida a aplicação dos métodos anárquicos e demolidores.

O cristão, todavia, está convocado para o ministério enobrecido de edificar o bem em toda parte, consolidando as possibilidades de serviço relevante, como passo inicial para a elaboração de melhores dias.

* * *

Se este ajuda, mas se equivoca - desculpa e encoraja-o.

Se esse serve, porém perturba - compreende e estimula-o.

Se aquele ama, no entanto se agasta - tolera e anima-o.

Nem todos dispõem de possibilidade para produzir com esmero ou acertar com segurança.

Em qualquer situação, cabe-te o dever de ser leal e sincero, gentil e sereno, capaz de orientar sem desacreditar e erguer sem humilhar.

* * *

Ironizar é técnica infeliz de destruir.

Se não te convém arrostar as consequências do gesto de censura, reproche ou advertência, silencia a ironia que fere e envenena.

Diante das coisas elevadas resguarda-te do sarcasmo, da zombaria, da hábil e torpe ironia. Ela te conduzirá ao descrédito, enquanto supões desacreditar quem ou o que ridicularizas.

Há tempo e situação para tudo.

Reserva, portanto, às questões do espírito, as melhores horas e situações, evitando avinagrar, denegrir este ou aquele companheiro, já infeliz em si mesmo, que se não fará melhor face ao azedume que destiles.

Constrói o amor e o amor te dirá que, enquanto zombas, de ti zombam, mas se amas, a ti também amam os irmãos necessitados e ignorantes que encontrarão amparo e segurança em ti.
***************

Joanna de Ângelis
 






sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Lesões na Alma






Diante dos acontecimentos infelizes que te surpreendam na senda por onde segues buscando a renovação, resguarda-te na fé iluminada que te impulsiona ao trabalho nobilitante.

Se agasalhas azedumes, cultivando mágoas e mantendo ódios, estás em perigo.

Se te deténs na maledicência, ou na ociosidade, ou te conduzes sob chuvas de impropérios que partem da tua revolta, estás à borda de terrível despenhadeiro.

Se sustentas rivalidades e aceitas o desafio das ofensas ou te interessas pela preservação das inimizades, encontras-te na fronteira do desequilíbrio.

Preserva-te na calma ante qualquer provação ou sob torrentes de ameaças, sem te dares a oportunidade de sintonizar na faixa da agressão.

Esses inimigos que agasalhas e vitalizas com assiduidade produzem-te graves lesões na alma, desarticulando as engrenagens sutis encarregadas do equilíbrio fisiopsíquico que se te faz necessário.

Da alma procedem as realizações edificantes e os processos degenerativos que se exteriorizam no corpo.

Ulcerações do estômago e do duodeno, problemas hepáticos e disfunções intestinais, manifestações cancerígenas e distúrbios da emotividade, propiciadores da ansiedade, da neurose, da psicose e de outras alienações têm as suas nascentes nos fulcros em desalinho da alma encarnada.

Enfermidades perfeitamente evitáveis no campo da mente e nos painéis físicos derivam do descontrole da vontade e da má usança dos valores que a vida proporciona para o progresso.

Desse modo, se anelas pela saúde, desejando o equilíbrio psicofísico, aprende a dirigir a conduta mental e moral, não dando guarida às farpas do mal, nem aos raios da perversidade que ainda grassam na Terra.

Entrega-te à ação do trabalho constante, sem tempo para a queixa ou o azedume, para a averiguação do erro alheio e da ingratidão, amando e esperando sob a dádiva luminosa da fé que te apresenta o porvir feliz à tua espera, se perseverares fiel até o fim.
*******************
 Joanna de Ângelis 






quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Discernimento e Amor



Natural examines no mundo os problemas de comportamento. 
Discernir o certo do errado. 
Entender o que auxilia e o que prejudica. 
E, quanto puderes, é justo procures erradicar com amor o mal que desfigure as peças do Bem, com o zelo do lavrador quando retira a erva invasora do corpo da árvore.

Entretanto, em qualquer processo de corrigenda, deixa que a compaixão te ilumine o pensamento para que o ideal de justiça não se te faça um deserto no coração.

Recorda os esforços que desenvolves para que a bondade e a tolerância não se te afastem da vida e dispõe-te a entender e auxiliar, em louvor do Bem.

Encontraste irmãos considerados delinquentes.

Imagina os processos obsessivos em que se viram atormentados, por tempo vasto, até que se envolvessem nas sombras do desequilíbrio.

Surpreendeste companheiros atracados à rebeldia.

Pensas nas longas áreas de penúria e sofrimento que atravessaram, até que as forças se lhes esgotaram, impelindo-os para a discórdia.

Acompanhaste a indesejável transformação de amigos que desertaram de nobres tarefas que lhes diziam respeito.

Detém-te a meditar nos conflitos que sofreram, até que se lhes verificou a queda de toda a resistência.

Sabes de criaturas queridas que se mergulharam na escravidão aos tóxicos que lhes devastam as energias.

Refletes nas tentações que lhes povoaram as horas, até que se inclinassem para a dependência dos agentes químicos de misericórdia, no abuso dos quais se fazem omissos.

Enumera os padecimentos dos desesperados, dos tristes, dos doentes sem esperança, dos quase suicidas, dos irmãos sanatorizados em vista de indefiníveis angústias, e compreenderás que a Infinita Bondade de Deus determina se nomeiem juízes para que se cominem penas destinadas ao resgate de nossas culpas, assim como suscita a formação de médicos que nos sanem os males, a fim de que a delinquência e a enfermidade não nos destruam a vida, mas nos impele incessantemente à fraternidade que nos oriente os atos na edificação do futuro melhor, sob a regência do amor.
*************
Emmanuel
Chico Xavier
 






terça-feira, 26 de novembro de 2013

Acima


...“Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o Reino de Deus.”.
Jesus (Lucas, 9:62).

A fim de que nos promovamos à condição de obreiros mais eficientes, na Seara do Cristo, é forçoso observar a vida acima de nossas impressões superficiais.
Para isso, ser-nos-á necessário:

mais do que ver – refletir;
mais do que escutar – compreender;
mais do que estudar – aprender;
mais do que trabalhar –servir;
mais do que obedecer – cooperar espontaneamente em apoio aos semelhantes;
mais do que administrar – harmonizar;
mais do que crer – raciocinar;
mais do que esclarecer – discernir;
mais do que escrever – elevar;
mais do que falar – construir;
mais do que comentar – melhorar;
mais do que saber – transmitir para o bem;
mais do que informar – educar;
mais do que desculpar – esquecer o mal;
mais do que desincumbir-se – auxiliar para a felicidade geral.

Todos temos ideias e possibilidades, escolhas e relações, crenças e luzes. 
E se é muito importante guardar equilíbrio para desfrutar semelhantes bênçãos, em nosso progresso de espíritos imortais, ante as Leis de Causa e Efeito, é muito mais importante ainda saber o que estamos fazendo por elas e com elas.
***********
Emmanuel
Chico Xavier