sexta-feira, 3 de abril de 2015

Amai-vos



"Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade" - João (I João, 3:18)


Por norma de fraternidade pura e sincera, recomenda a Palavra Divina: "Amai-vos uns aos outros".

Não determina seleções.

Não exalta conveniências.

Não impõe condicionais.

Não desfavorece os infelizes.

Não menoscaba os fracos.

Não faz privilégios.

Não pede o afastamento dos maus.

Não desconsidera os filhos do lar alheio.

Não destaca a parentela consanguínea.

Não menospreza os adversários.

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E o apóstolo acrescenta: "Não amemos de palavra, mas através das obras, com todo o fervor do coração."

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O Universo é o nosso domicilio.

A Humanidade é a nossa família.

Aproximemo-nos dos piores, para ajudar.

Aproximemo-nos dos melhores, para aprender.

Amarmo-nos, servindo uns aos outros, não de boca, mas de coração, constitui para nós todos o glorioso caminho de ascensão.

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Emmanuel
Chico Xavier













quarta-feira, 1 de abril de 2015

Amando Sempre





Aproveite o dia e faze o melhor, amando sempre.

Plasma a obra que vieste realizar entre os homens, enquanto o apoio do tempo te favorece.

Suporta com paciência as vicissitudes da estrada e aceita, nas circunstâncias difíceis, a justiça da vida que volta a pedir-te contas.

Na tarefa mais obscura, apõe o selo da bondade, e, na conversação mais simples, modela a palavra luminosa do entendimento.

Abraça em cada pessoa que te cruze o caminho, alguém que te leve mais longe a mensagem de auxílio, e, em cada página, por mais pequenina, que te registre o pensamento, grava o amor puro que te verte do ser.

Observa o relógio impassível.

Minuto marcado é valor que não torna.

Terás, sim, outros minutos, mas em novo dia, em novo problema, em nova situação e em nova paisagem...

Toda criatura terrestre, embora não perceba, vive a despedir-se do mundo, pouco a pouco, despachando, cada dia, com os próprios atos a bagagem que encontrará na estação de destino.

Use, desse modo, as forças que Deus te empresta, na construção do bem, porque, amanhã, quando a morte chegar, compreenderás, por fim, que tudo quanto fizeste aos outros a ti mesmo fizeste.
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Meimei 
Chico Xavier







terça-feira, 31 de março de 2015

O Servo Feliz





Certo dia, chegaram ao Céu um Marechal, um Filósofo, um Político e um Lavrador.

Um Emissário Divino recebeu-os, em elevada esfera, a fim de ouvi-los.

O Marechal aproximou-se, reverente, e falou: - Mensageiro do Comando Supremo, venho da Terra distante.

Conquistei muitas medalhas de mérito, venci numerosos inimigos, recebi várias homenagens em monumentos que me honram o nome.

- Que deseja em troca de seus grandes serviços? - indagou o Enviado.

- Quero entrar no Céu.

O Anjo respondeu sem vacilar:

- Por enquanto, não pode receber a dádiva. Soldados e adversários, mulheres e crianças chamam-no insistentemente da Terra. Verifique o que alegam de sua passagem pelo mundo e volte mais tarde.

O Filósofo acercou-se do preposto divino e - Anjo do Criador Eterno, venho do acanhado círculo dos homens. Dei às criaturas muita matéria de pensamento. Fui laureado por academias diversas. Meu retrato figura na galeria dos dicionários terrestres.

- Que pretende pelo que fez? - perguntou o Emissário.

- Quero entrar no Céu.

- Por agora, porém - respondeu o mensageiro sem titubear -, não lhe cabe a concessão. Muitas mentes estão trabalhando com as idéias que você deixou no mundo e reclamam-lhe a presença, de modo a saberem separar-lhe os caprichos pessoais da inspiração sublime. Regresse ao velho posto, solucione seus problemas e torne oportuna-mente.

O Político tomou a palavra e acentuou:

- Ministro do Todo-Poderoso, fui administrador dos interesses públicos. Assinei várias leis que influenciaram meu tempo. Meu nome figura em muitos documentos oficiais.

- Que pede em compensação? - perguntou o Missionário do Alto.

- Quero entrar no Céu.

O Enviado, no entanto, respondeu, firme: - Por enquanto, não pode ser atendido. O povo mantém opiniões divergentes a seu respeito. Inúmeras pessoas pronunciam-lhe o nome com amargura e esses clamores chegam até aqui. Retorne ao seu gabinete, atenda às questões que lhe interessam a paz Íntima e volte depois.

Aproximou-se, então, o Lavrador e falou, humilde: - Mensageiro de Nosso Pai, fui cultivador da terra... plantei o milho, o arroz, a batata e o feijão. Ninguém me conhece, mas eu tive a glória de conhecer as bênçãos de Deus e recebê-las, nos raios do Sol, na chuva benfeitora, no chão abençoado, nas sementes, nas flores, nos frutos, no amor e na ternura de meus filhinhos...

O Anjo sorriu e disse:

- Que prêmio deseja?

O Lavrador pediu, chorando de emoção:

- Se Nosso Pai permitir, desejaria voltar ao campo e continuar trabalhando. Tenho saudades da contemplação dos milagres de cada dia...

A luz surgindo no firmamento em horas certas, a flor desabrochando por si mesma, o pão a multiplicar-se!... Se puder, plantarei o solo novamente para ver a grandeza divina a revelar-se no grão, transformado em dadivosa espiga... Não aspiro a outra felicidade senão a de prosseguir aprendendo, semeando, louvando e servindo!...

O Mensageiro Espiritual abraçou-o e exclamou, chorando igualmente, de júbilo: - Venha comigo! O Senhor deseja vê-lo e ouvi-lo, porque diante do Trono Celestial apenas comparece quem procura trabalhar e servir sem recompensa.
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Neio Lúcio
Chico Xavier



segunda-feira, 30 de março de 2015

IDEIAS, IDEAIS



Assim como a melodia te encanta os tímpanos, o perfume te delicia o olfato, a paisagem te felicita as retinas, a iguaria te deleita o paladar, a ideia te ilustra e alimenta o cérebro, dirige teus passos e conduze-os com segurança, seja no espinheiral dos dias tempestuosos ou no remanso das horas azuis.

O Espírito não vive sem ideias e nem as perde com o fenômeno da morte; mesmo contra a vontade, vê-se obrigado a pensar. Imanizada a esse ditame do próprio existir, a alma sofre ou sente prazer até dormindo, através de pesadelos e sonhos.

Todos fazemos estocagem de ideias; por isso, de quando em quando, urge empreender escrupuloso balanço em nosso armazém mental para atirar fora as que se mostrem deterioradas ou inúteis. Quem odeia retém ideias parasitas e tóxicas; quem nada faz de produtivo guarda ideias estéreis e superadas.

A ideia, atualmente na Terra, embora sendo o artigo mais barato, acessível a qualquer criatura, é, sob o aspecto da qualidade, o mais raro e o mais difícil. Examinando o assunto, por esse prisma, somos compelidos a verificar que um pensamento expresso em frase renovadora constitui patrimônio inapreciável, pois uma ideia nova consegue reabilitar a direção da própria Humanidade.

Quando pensas: — Eu posso! Tenho força e devo perseverar! — essa ideia tem mais importância do que toda riqueza, autoridade ou prestígio humanos que te possam favorecer.

Quando imaginas: — Estou vencido! Desisto de esforçar-me! — essa ideia tem maior poder deletério que qualquer argumento, conselho ou ponto de vista alheios que te apoiem, inclinando-te a vencer a ti mesmo.

Toda luz de alegria e todo braseiro de provação surgem de um toque do pensamento.

Toda ideia, tanto no bem, quanto no mal, lembra a gota ou a chispa. Nasce o manancial, depois a fonte e, em seguida, o rio caudaloso. Nasce a fagulha, depois a chama e, em seguida, o incêndio arrasador.

Surge a ideia, logo após é ideal e todo ideal é destino, na forma que lhe queiramos dar.

Aperfeiçoa ideias, aperfeiçoando ideais.

A boa ideia, no momento da necessidade, é solução que não tem preço.

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Lourenço Prado
Waldo Vieira