terça-feira, 21 de junho de 2016

No campo do Espírito


Afirmas a sincera disposição de buscar a esfera Superior, entretanto...

Surpreende lutas enormes, no próprio lar, onde os mais amados te sonegam entendimento;
observaste a queda dos melhores companheiros que te exercitavam na elevação;
recebeste a lama da calúnia sobre as mãos limpas;
viste amigos queridos dependurarem-te o nome no varal da suspeita;
notaste que as tuas mais belas palavras rolaram no gelo da indiferença;
recolheste escárnio em troca de amor...

Todos esses problemas, no entanto, são desafios da vida a te pedirem trabalho.

Seja qual seja a dificuldade, não acuses, nem desanimes.

No campo do espírito, a injúria é lodo verbal.
Queixa é semente morta.
Reclamação é fuga estudada.
Censura é ponta de espinho.
Melindre praga destruidora.
Irritação é tempo perdido.
Ideal inoperante é água parada.
Desalento é ramo seco.
Ninguém avança sem movimento.
Não há evolução, nem resgate, sem ação.
Evolução é suor indispensável.
Resgate é suor necessário com o pranto da consciência.

Nossas dores respondem, assim, pelas falhas que demonstremos ou pelas culpas que contraímos.

A Lei estabelece, porém, que as provas e as penas se reduzam, ou se extingam, sempre que o aprendiz do progresso ou o devedor da justiça se consagre às tarefas do bem, aceitando, espontaneamente, o favor de servir e o privilégio de trabalhar.
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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Justiça divina 



segunda-feira, 20 de junho de 2016

NA ROTA EVOLUTIVA



O espírito jamais retrocede na viagem da evolução.

No entanto, muitas vezes, embora não perca na essência os tesouros adquiridos no campo da inteligência, o viajor da imortalidade é compelido à paradas necessárias ao justo refazimento, sempre que moralmente se envolva em compromissos escusos perante a Justiça da Vida.

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Semelhante imperativo da regeneração, na senda do progresso, determina dificuldades e inibições no plano da forma em que somos habitualmente internados, para essa ou aquela reparação no Plano Físico.

É assim que o malfeitor genial, não obstante trazer consigo o acervo da própria cultura devidamente arquivado, volta a corpo enfermiço, quase sempre para sanar na idiotia os desequilíbrios com que se fez o empreiteiro da delinquência.

E é ainda aí que todos nós, apesar de conservarmos intactos, adentro do cérebro e do coração, os nossos valores íntimos sem quebra de qualquer dos recursos que possuímos, padecemos, na Terra, a incursão de moléstia difíceis tanto quanto o domínio de circunstância constrangedoras a nos asfixiarem as melhores aspirações, pagando, através do vaso físico atormentado, os erros conscientemente cometidos no pretérito próximo ou remoto, perante a Lei de Amor que nos governa os caminhos.

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Lembremo-nos de que o presidiário, por trás da grade que lhe desfigura o semblante, não perde a riqueza da instrução ou do ideal, da sensibilidade ou da memória, não obstante indicado à sentença que o segrega no resgate preciso.

E, sabendo que cada um de nós é o arquiteto do próprio destino, saibamos afeiçoar-nos ao serviço incessante do bem porque todo bem é degrau de ascensão para o Alto, arrebatando-nos do império da sombra para a bênção da luz.
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  Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Linha duzentos 




domingo, 19 de junho de 2016

Reclamações



 Aprendamos a evitar reclamações para não agravar dificuldades.

Perante situações em que a corregenda se faça realmente necessária, entregue as circunstâncias aos responsáveis pela orientação delas, que sabem quando e como intervir.

Se você achou o ponto nevrálgico de alguma crise, terá encontrado o lugar onde o proveito geral lhe pede auxílio.

Procurando retificar algum erro, vale mais o seu conhecimento do Bem que o seu conhecimento do mal.

Resguardando a harmonia de todos, imagine-se na condição da pessoa em que você pretende colocar o seu problema.

Reflita nas tribulações que provavelmente estará atravessando a criatura a quem você deseja apresentar a sua crítica.

A sua reclamação não lhe trará vantagem alguma.

Azedume para com as pessoas das quais você espera cooperação e serviço é o modo mais seguro de preveni-las contra o seu próprio interesse.

Qualquer pessoa, quando cultive a paz, pode retirar-se em paz do lugar onde se julgue em desarmonia ou desapreço.

Experimente desculpar sempre, porquanto aquilo que nos parece falha nos outros, pode surgir por falha igualmente em nós e, em se tratando em desculpar, se hoje podemos dar, chegará sempre para cada um de nós o dia de receber.
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André Luiz 
Chico Xavier 
Obra: Respostas da vida 

 





sábado, 18 de junho de 2016

Petição do servidor


Senhor Jesus,

Quando me chames a doar algo do que tenha ou do que eu seja, se não puder oferecer o muito que devo, auxilia-me a entregar o pouco do que disponha.

Se eu não tiver essa ou aquela migalha de recursos materiais em favor dos companheiros em penúria, concede-me forças para dedicar-lhes algum momento de trabalho, sem qualquer ideia de recompensa.

Entretanto, Senhor, se o tempo vier a faltar-me para isso, ajuda-me a falar, no apoio aos irmãos que sofrem, a boa palavra que indique a senda do Bem.

Se isso, ainda, não me for possível, guarda-me o silêncio na prece endereçada ao teu Infinito Amor, a rogar-te intercessão e socorro, porque, através da prece, enviar-nos-ás alguém que me substitua e que fará pelos outros muito mais e melhor. 
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André Luiz
Chico Xavier
Obra: Tempo de luz 



sexta-feira, 17 de junho de 2016

O QUE FAZES




A vida passa e passam as oportunidades de trabalho, fora e dentro de nós.

Se nos faltar a observação do que fazemos e deixamos de fazer, praticamos irregularidades constantemente, sem percepção das falhas. Isso é falta grave porque, se não vigiamos a nós mesmos, que contas poderemos dar ao Senhor das nossas obrigações?

Regularizemos os nossos passos; que eles sejam conscientes, porque é na consciência que disciplinamos os nossos atos e consertamos a nossa conduta.

Se os outros nos perguntam o que fazemos, como responder, se não participamos conscientemente dos nossos atos? Sempre, nessa resposta, entramos com um pouco

de mentira. Quando nos referimos aos outros, temos o prazer de dizer a verdade ? Isso, quando não exaltamos os erros dos companheiros. Isso não é auto-defesa, é querer iludirnos a nós mesmos, sem medir as consequências advindas desse jogo de irresponsabilidades.

É dever da criatura participar positivamente de todas as manifestações dos seus desejos, de tudo que faz, pois se responde pelo que faz, é de lei que deve saber o que fazer.

Nós, por natureza, somos frios no tocante à nossa própria conduta. Não há interesse em reparar com urgência as nossas faltas. No entanto, a língua coça ante os desequilíbrios alheios. Propagamos os erros de nossos companheiros com ênfase que chega a impressionar até a nós mesmos. Onde arranjamos tanta energia, tanta disposição para tal evento negativo? Mas, diante dos nossos feitos, não necessitamos ter cursos em nenhuma escola para arranjarmos os mais requintados argumentos que falseiam a verdade e nos colocam como vítimas, culpando os outros.

A tomada de luz, da nossa parte, está sempre ligada, mas a dos nossos irmãos, cortamo-la até os fios. É por isso que a Doutrina Espírita, interpretando Jesus, trouxe a missão de revelar aos homens, que tudo o que fizermos aos outros , estaremos fazendo a nós mesmos. O que damos, recebemos. O que negamos, ser-nos-á negado. Haveremos de

bater nesta tecla até que saia a nota, ou, melhor ainda, a música. A criatura que começa a analisar a si mesma, fazendo-se juiz dos próprios feitos, começa a despertar para a luz de Deus. O homem, sabendo que, dentro de si, existe um celeiro de talentos a serem usados, mudará o roteiro que antes percorria inconscientemente.

Não tenhas medo de pesquisar a tua própria vida. É nesta análise profunda que terás a intuição das mudanças necessárias para que se estabeleça a paz no teu coração.

Nunca deves temer, quando te perguntarem o que fazes no caminho. A tua boca será instrumento da tua consciência e a tua consciência liberará o que o espírito verdadeiramente é, com o prazer de dizer a verdade.

Nos primeiros dias da tua reforma de ideias, senão de palavras, por vezes atentados inúmeros aparecerão pela rejeição dos órgãos, quanto mais da mente viciada a hábitos que não condizem com a moral evangélica.

Mas, se te dispuseres a lutar, a subir o próprio calvário para a glória da vida rumo à libertação, não deves esmorecer, e seguirás até o fim, que o Sol sairá em teu coração com todo o esplendor, depois que fizeres a tua parte, dentro da grande parte feita por Deus.
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Lancellin 
João Nunes Maia 
Obra: Cirurgia Moral



quinta-feira, 16 de junho de 2016

Benfeitores desencarnados


Perceberás, sem dificuldade, a presença deles.

  Onde as vozes habituadas a escarnecer se mostram a ponto de condenar, eles falam a palavra da compaixão e do entendimento.

  Onde as cruzes se destacam, massacrando ombros doridos, eles surgem, de inesperado, por cireneus silenciosos, amparando os que caíram em desagrado e abandono.

 Onde os problemas repontam, graves, prenunciando falência, eles semeiam a fé, cunhando valores novos de trabalho e esperança. 

 Onde as chagas se aprofundam, dilacerando corpo e alma, eles se convertem no remédio que sustenta a força e restaura a vida.

  Onde o enxurro da ignorância cria a erosão do sofrimento, no solo do espírito, eles plantam a semente renovadora da elevação, regenerando o destino.

  Onde os homens desistem de auxiliar, eles encontram vias diferentes de ação para a vitória do Amor Infinito.

  Anseias pela convivência dos benfeitores desencarnados, com residência nos Planos Superiores, e tê-los-ás contigo, se quiseres.

9 Guarda, porém, a convicção de que todos eles são agentes do Bem para todos e com todos, buscando agir através de todos em favor de todos.

  Disse Jesus: “Quem me segue não anda em trevas.” (Jo) Se acompanhas os Bons Espíritos que, em tudo e por tudo, se revelam companheiros fiéis do Cristo, deixarás para sempre as sombras da retaguarda e avançarás para Deus, sob a glória da luz.
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 Emmanuel
Chico Xavier 
Obra: Seara dos médiuns 



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dificuldades



É possível hajas despertado para a nova fé, sob enormes dificuldades.

Guardas, talvez, a impressão de quem se vê defrontado por asfixia num cipoal...

A primeira atitude, em favor da própria libertação – não te fixares nas crises e nos entraves e sim sair deles honrosamente pela aplicação ao trabalho nobilitante.

A Divina sabedoria nos confere o benefício da prova, para que venhamos a superá-la e assimilá-la, em forma de experiência, nunca no objetivo de confundir-nos ou arrojar-nos ao desalento.

Se te encontras doente, reflete na lição que te é concedida, valendo-te dela para edificar espiritualmente nos irmãos que te assistem e, sob a desculpa de que sofres mais que os outros ou de que tens pouco tempo de vida, não te demandes em excessos ou irritações.

Se te observas em pauperismo, não incrimines a ninguém pelo estado de carência que atravessas, nem te revoltes contra as vantagens que favorecem os outros, mas sim, ergue-te, em espírito, e, quanto possível, esforça-te para que a diligência no desempenho das próprias obrigações te faculte novas perspectivas de reabilitação e progresso.

Aceita o concurso alheio, que todos nós precisamos do entendimento e do amparo uns dos outros, no entanto, desenvolve os teus próprios recursos.

Não creias que possas desfrutar, em caráter permanente, de benefícios que não plantaste.

A luz de um amigo clarear-te-á o caminho, por algum tempo, entretanto, se queres sobrepor-te definitivamente ao domínio da sombra, é forçoso possuas a tua própria lâmpada.

Obstáculos são desafios renovadores.

Ouvi-los e aproveitá-los é obrigação que a vida nos atribui.
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Emmanuel 
Chico Xavier 
Obra: No portal da luz