segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Tempestades em copo d’água



Muitas vezes nos desgastamos por coisas que, examinadas em detalhe, não merecem tanta atenção.

Detemo-nos em pequenos problemas e questões que supervalorizamos.

Um estranho, por exemplo, pode nos dar uma fechada no trânsito.

Ao invés de esquecê-lo e continuarmos em frente, convencemo-nos de que esse motivo é mais do que suficiente para que passemos o dia todo sentindo raiva.

Ficamos repetindo em nossas mentes diversas vezes o ocorrido: remoendo a situação ou narrando para outras pessoas o incidente, em vez de simplesmente esquecê-lo.

Por que não deixar para lá?

Cabe-nos, em verdade, sentir compaixão pelo mau motorista.

Quem sabe o motivo que lhe impõe tanta pressa?

Ou o que justifica sua perturbação?

Podemos manter nosso próprio senso de bem-estar, sem incorporar o problema do outro.

Há muitas outras tempestades como essa.

São exemplos que ocorrem todos os dias em nossas vidas.

Quando precisamos esperar em uma fila, quando ouvimos críticas injustas, ou quando nos vemos obrigados a fazer a parte mais difícil de um trabalho.

Só temos a ganhar quando não nos deixamos levar por esses pequenos aborrecimentos.

Tantas pessoas gastam energia fazendo tempestades em copo d’água, desperdiçando o lado mágico e belo da existência.

Nada mais comum nas atividades terrenas do que o hábito enraizado dos aborrecimentos e das disputas sem sentido.

Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.

Assim como meninos, onde cada gesto se torna um bom motivo para mal-entendidos, com os adultos o mesmo fenômeno ocorre.

Muitos agem como crianças de pavio curto, permitindo que as situações mais banais e corriqueiras causem desequilíbrios descabidos.

Não estamos no mundo para nos submetermos a impulsos irracionais, mas sim para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.

Não devemos nos deixar levar pelo destempero e pela irritação desarticuladora do equilíbrio.

Temos o dever de nos educar porque, na pauta de nossas vidas, há o compromisso de cooperar com Deus, à medida que sejamos maduros o suficiente para isso.

Não há como considerar normal que os aborrecimentos diários nos afetem tanto, só porque algumas almas destemperadas se entreguem a esse costume infeliz.

São ruídos desconcertantes e indesejáveis para aqueles que buscam dar conta dos abençoados compromissos assumidos perante a vida.

São apenas tempestades em copos d’água que, logo adiante, serão facilmente percebidas dessa maneira.

Não há razão para despender tanta energia, tanto tempo com circunstâncias mesquinhas e sem importância.

Sigamos em frente, com lucidez e equilíbrio, sabendo dar valor ao que tem valor.

Observemo-nos mais.

Conheçamo-nos melhor.

Resistamos aos impulsos da fera que ainda habita nossa intimidade.

Mantenhamo-nos em paz, buscando o equilíbrio e a justiça, que tão bem nos exemplificou o Mestre Nazareno.

* * *

Para a superação serena e tranquila das perturbações diárias que nos atingem, sirvamo-nos sempre dos recursos abençoados e eficazes da oração e da vigilância.

Pensemos nisso!
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Redação do Momento Espírita, com base no cap. I, do livro Não faça tempestade
em copo d’água, de Richard Carlson, ed. Rocco e no cap. 13, do livro Para uso diário,
pelo Espírito Joanes, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 30.6.2016.
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MENSAGEM DO ESE:
O divórcio


O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrario a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor.
Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?” Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: “no princípio, não foi assim”, isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.
Vai mais longe: especifica o caso em que pode dar-se o repúdio, o de adultério. Ora, não existe adultério onde reina sincera afeição recíproca. É verdade que ele proíbe ao homem desposar a mulher repudiada; mas, cumpre se tenham em vista os costumes e o caráter dos homens daquela época. A lei mosaica, nesse caso, prescrevia a lapidação. Querendo abolir um uso bárbaro, precisou de uma penalidade que o substituísse e a encontrou no opróbrio que adviria da proibição de um segundo casamento. Era, de certo modo, uma lei civil substituída por outra lei civil, mas que, como todas as leis dessa natureza, tinha de passar pela prova do tempo.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXII, item 5.)


domingo, 26 de novembro de 2017

PREGUIÇA E CONVERSAS BAIXAS

 


(...)

Se queres entrar em preparo, começa hoje, agora, e permanece até o fim, sem esmorecer diante dos simples obstáculos que deverão aparecer para o teu próprio bem, servindo de testes às qualidades já afloradas.

Se ainda alimentas o ódio a alguém que, por invigilância, te feriu;

conservas a maledicência destilando magnetismo inferior pela língua;

te esqueceste de perdoar os ofensores que te caluniaram;

gastas o teu maior tempo, doado por Deus, em baixas conversações;

desconheces o valor grandioso da caridade;

não acreditas no amor que nos salva a todos;

desconheces a terapia espiritual do trabalho honesto e abusas do tempo;

tens preguiça de estudar e não gostas de aprender;

não acreditas na oração e criticas os que a praticam;

és avesso à fraternidade e o egoísmo domina os teus atos, convém que nem penses em desdobramento consciente, nem na sua prática.

Fica, por enquanto, nos sonhos, até resolveres despertar e empreender esforços para granjear a tua melhoria.
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Livro: Iniciação – Viagem Astral
João Nunes Maia, pelo Espírito Lancellin
Editora Espírita Fonte Viva

MENSAGEM DO ESE:
Transmissão de riqueza


O princípio, segundo o qual ele é apenas depositário da fortuna de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira ao homem o direito de transmiti-la aos seus descendentes? 

O homem pode perfeitamente transmitir, por sua morte, aquilo de que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está subordinado sempre à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir que aqueles descendentes gozem do que lhes foi transmitido. Não é outra a razão por que desmoronam fortunas que parecem solidamente constituídas. É, pois, impotente a vontade do homem para conservar nas mãos da sua descendência a fortuna que possua. Isso, entretanto, não o priva do direito de transmitir o empréstimo que recebeu de Deus, uma vez que Deus pode retirá-lo, quando o julgue oportuno.
 — São Luís. (Paris, 1860.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 15.)


sábado, 25 de novembro de 2017

Falta de afinidade


" Deus permite estas encarnações de espíritos desagradáveis ou estranhos em famílias, para o duplo propósito de servir como evidência para alguns e um meio de progresso para os outros."-
" O Evangelho Segundo o Espiritismo " - Capítulo IV, item 19.


O homem é o melhor instrumento para aperfeiçoar o próprio homem; a convivência familiar é o cadinho sufocante em que as almas retemperam...

Ninguém evolui sem a presença daqueles que exigem esforços de auto-Aperfeiçoamento.

Neste sentido, além de renascer com quem ele se comprometeu em existências anteriores, o homem é chamado para compartilhar o ninho doméstico com espíritos que são estrangeiros para a forma de ser, mas algo que pode acrescentar a ele.

A Lei é a solidariedade - quem tem mais necessidade para quem tem menos, e quem anda é responsável por aquele que fica parado...

Se, em um bom synonym, existe no mundo uma coexistência de resgate, onde os credores e devedores estão envolvidos na necessária adaptação das contas, há também o que pode ser chamado de coexistência de progresso, em que, através de um intercâmbio indispensável de experiências , os espíritos avançam em bloco, para que não se distância longe do outro.

Não há erros na parte da lei que agrupa os espíritos nas linhas da reencarnação. Se a afinidade posterior atrai os espíritos para uma coexistência feliz, a falta de afinidade entre eles também os obriga a uma aproximação, para que as obrigações doente do passado sejam transformadas em laços de verdadeira simpatia.

Laços carinhoso não vêm ao acaso... presos pela paixão que, em primeiro lugar, esconde a sua própria realidade do outro, o casal, que por esta altura já terá filhos consideráveis, são obrigados a juntar-se a níveis mais profundos.
 - Sim.

As flores fugaz do sonho vão dar lugar aos espinhos da realidade, no jardim das emoções! - Sim.

No entanto, permitindo que a temporada de outono se estenda na relação afetiva com dois, vai adiar a chegada da primavera indefinidamente! 
- Sim.
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Irmão José  
Carlos Baccelli
MENSAGEM DO ESE:
 Há muitas moradas na casa de meu pai

Não se turbe o vosso coração. — Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. — Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.)

A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.

Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha. Enquanto uns não se podem afastar da esfera onde viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos; enquanto alguns Espíritos culpados erram nas trevas, os bem-aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do Infinito; finalmente, enquanto o mau, atormentado de remorsos e pesares, muitas vezes insulado, sem consolação, separado dos que constituíam objeto de suas afeições, pena sob o guante dos sofrimentos morais, o justo, em convívio com aqueles a quem ama, frui as delícias de uma felicidade indizível. Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, itens 1 e 2.)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O SOCORRO DO ALTO


Oras e chamas pelo socorro do Alto.
O socorro do Alto, porém, nem sempre te alcança da maneira que desejas.
Antes que obtenha deferimento, cada petição que o homem formula aos Céus é estudada minuciosamente nos tribunais da Divina Justiça.
O doente grave requer imediata intervenção em leito hospitalar ou mesmo inadiável intervenção cirúrgica...

Nem sempre aquilo de que te crês mais necessitado é o de que mais te revelas carente no momento.
Raciocinando por semelhante postura, quantos já não tiveram as suas rogativas atendidas por Deus e nem se deram conta?

Pediste a solução de determinado problema que te angustiava... O problema, que não pôde ser equacionado de pronto, persistiu, mas logo aconteceu que te fez mudar radicalmente em teu modo de vivenciá-lo.

Solicitaste que te visses livre da presença de certa pessoa em tua vida... Muito embora ela continue vinculada a ti, outras pessoas apareceram e se interpuseram no relacionamento enfermiço entre ambos.

Reivindicaste apoio, por exemplo, contra a inclinação ao hábito de beber, que te degrada... No entanto, se não conseguiste ainda a completa isenção da vontade de alcoolizar-te, adoeceste, e a doença adquirida não mais te permite sequer tomar um trago.

A dor, do ponto de vista espiritual, substitui com vantagem certas preocupações que poderiam se fazer causa de dores maiores.

Frustrações e embaraços, desencantos e obstáculos podem ser, para a criatura humana, a incompreensível resposta das preces por ele encaminhadas ao Criador.

Às vezes, no aparente agravamento de uma situação diante da qual o homem se vê sem forças para reagir está a intercessão capaz de operar, sem violência, o prodígio de modificá-lo para melhor.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli)


Companhias Espirituais

Sabendo que a experiência humana é vasta colmeia de luta 
na qual enxameiam desencarnados de toda sorte,
urge saiba ajustar-se à companhia de ordem superior, 
buscando no convívio de Espíritos Benevolentes e Sábios 
o clima ideal para a missão que lhe compete cumprir, 
significando isso disciplina constante
 no estudo nobre e ação incansável 
na beneficência em favor dos outros.
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  Emmanuel
Chico Xavier 




MENSAGEM DO ESE:
Motivos de resignação (I)


Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.
Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.
O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela.” Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?
Tal o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida-se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 12.)


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Jovens Difíceis





Os filhos, antes de serem filhos dos pais terrenos, já eram filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela por todos nós. A carne procede da carne, mas o Espírito não procede do Espírito. Este vem ao plano físico para evoluir. O fato de o Espírito renascer nesta, ou naquela família, obedece a planejamento cuidadoso efetuado no plano espiritual. Ele pode renascer numa determinada família por questões de afinidade, para realização de tarefas em conjunto, mas pode ocorrer também que espíritos inimigos, que prejudicaram ou foram prejudicados no passado, e ainda conservando ódio, desejos de vingança, reencarnem no mesmo lar de suas vítimas, ou algozes do passado, exatamente para tentarem a reconciliação. Para desfazer a inimizade, para acabar com estas desavenças que impedem o progresso espiritual. Pode acontecer, ainda, de um determinado casal aceitar, ou mesmo pedir como tarefa, receber como filhos Espíritos menos evoluídos, portadores de dificuldades diversas, com a finalidade de auxiliá-los na evolução espiritual. Nesses casos, não só a convivência se torna difícil, como também o trabalho da educação, devido a bagagem que o Espírito traz do passado.

A maneira como a criança é recebida no lar, os exemplos, a educação que recebe são fatores importantes para o seu encaminhamento na vida, mas a bagagem que o Espírito traz, o seu grau evolutivo, muito influirá no seu comportamento e desempenho, na atual existência. 

Diz Emmanuel: 

“Compadece-te dos filhos que pareçam diferentes de ti. 
Aceita-os como são e auxilia a cada um deles na integração com o trabalho em que se façam dignos da vida que vieram viver. 
Ampara-os sem imposição e sem violência.
 Antes de te surgirem à frente por filhos de teu amor, são filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela em nós e por nós.
 Ainda mesmo quando evidenciem características inquietantes, abençoa-os e orienta-os, quanto possível, a fim de que se mantenham por esteios vivos de rendimento do bem no Bem Comum”. 

E Herculano Pires, sobre o assunto, considera: 

“O amparo dos pais não pode ser dado por meio de imposição e autoritarismo, sob pena de deixar de ser amparo para se transformar em tirania.
 Se o “conflito de gerações” sempre existiu no mundo, agora se mostra mais violento porque o tempo da tirania está no fim e porque a era de transição em que vivemos acentua nos jovens os anseios do futuro.
 Os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los sem exigências.
 Esta é também uma hora de aprendizado para os pais.
 E só o amor verdadeiro pelos filhos pode socorrê-los”. 

Ouvimos, numa palestra, a narração do seguinte fato, contado como verídico: 

Um senhor adentra o consultório de um psiquiatra, invade sua sala de consultas, e muito nervoso diz ao médico:

-  Dr., estou para dar um fim em minha vida, mas resolvi, como último recurso, lhe pedir ajuda. Meu filho, jovem de 18 anos, se rebelou contra mim e a mãe dele; não nos obedece, não estuda e não trabalha, e, o pior, ultimamente se envolveu com drogas. Está vendendo utensílios de nossa casa para adquirir a droga. O que fazer?

 

 O médico, sem se alarmar, indagou-lhe: 
 
- Há quanto tempo você não conversa com seu filho? 

- Há muito tempo, pois ele não dá condições de diálogo, respondeu. 

O médico volta a indagar: 
 
- Qual a última vez que você abraçou seu filho?

-  Há muito tempo, pois se nem sequer conversamos. 

O médico sugeriu:

-  Vá para sua casa, abrace seu filho, diga-lhe que o ama, e quer ajudá-lo, apesar de tudo. Se você não conseguir abraçar o filho, vai treinando, abraçando árvores. Nós só gostamos de abraçar aqueles que correspondem ao nosso afeto.
 Como o relacionamento com o seu filho não está bom, ele pode não lhe corresponder ao abraço.
 Assim, vai treinando, abraçando árvores, que também não correspondem, e quando abraçar seu filho não se desapontará se ele não lhe retribuir. 

O consulente achou estranha a orientação, mas resolveu tentar. 

Algum tempo depois, encontrou seu filho, em sua casa, na companhia de outro jovem que lhe vendia a droga. 

Aquele homem, numa crise de desespero, esforçando-se para não tomar uma atitude violenta, foi ao encontro do filho e o abraçou; aproximou-se do companheiro do filho e o abraçou; sua esposa adentra a sala e ele também a abraça, de sorte que sua esposa, seu filho, e o companheiro deste, perceberam que algo importante estava ocorrendo ali. 

Era um esforço muito grande daquele homem, tentando a solução de um problema que parecia insolúvel. E começaram a chorar, emocionados. A situação criada acabou por sensibilizar o jovem, filho do casal, que, dali por diante, procurou mudar de vida.

Herculano Pires tem razão quando acentua que “os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los, sem exigências”.
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JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA  





MENSAGEM DO ESE:
 Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras
Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções; pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria.
Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência onde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que haveis de avaliar a justiça divina pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.
Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais. Freqüentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra.
É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar, abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar-se acima da matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não seria saturada de amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados?
Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus.
Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. — Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 21.)


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Agradeçamos



  Sabemos que a nossa mente, para evoluir, sofre processos de transformação por vezes violentos e rudes, qual acontece à terra necessitada de amanho para produzir.

  Nos círculos da natureza, observamos o arado, vergastando o solo e ferindo-o, e se a grande massa rochosa aparece, de improviso, impedindo o esforço do lavrador, notamos que a dinamite comparece, estilhaçando os obstáculos…

  Assim também nossa inteligência não se modifica sem a visitação da dificuldade.

  A lâmina dos problemas inquietantes como que nos tortura, dia a dia, constrangendo-nos à compreensão mais justa da vida e se o endurecimento espiritual é a nota de nossas reações, ante a passagem da máquina renovadora do sofrimento, surgem os impactos diretos da provação sobre a nossa experiência pessoal, desintegrando-nos antigas cristalizações no egoísmo e no orgulho.

 Ofereçamos o coração ao Divino Cultivador que é Jesus.

  Digne-se o Mestre Divino fazer de nossa existência o que lhe aprouver.

   Os golpes sublimes da Vontade Superior sobre os nossos desejos serão recursos do máximo proveito para o nosso próprio futuro.

  Se a dor nos procura, em forma de incompreensão do meio ou na máscara de tristes desilusões terrestres, abençoemo-la, acentuando a nossa fé viva em Nosso Senhor e continuemos servindo ao próximo, na medida de nossas possibilidades, porque a dor é realmente a Sábia Instrutora, capaz de elevar-nos da Terra para os Céus.
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Meimei
Chico Xavier 



MENSAGEM DO ESE:
A indulgência


Espíritas, queremos falar-vos hoje da indulgência, sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. Quando criticais, que conseqüência se há de tirar das vossas palavras? A de que não tereis feito o que reprovais, visto que estais a censurar; que valeis mais do que o culpado. Ó homens! quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?
Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes: anátema! tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. — José, Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 16.)



terça-feira, 21 de novembro de 2017

Examina a própria aflição



Examina a própria aflição para que não se converta a tua Inquietude em arrasadora tempestade emotiva.

Todas as aflições se caracterizam por tipos e nomes especiais.

A aflição do egoísmo chama-se egolatria.

A aflição do vício chama-se delinquência.

A aflição da agressividade chama-se cólera.

A aflição do crime chama-se remorso.

A aflição do fanatismo chama-se intolerância.

A aflição da fuga chama-se covardia.

A aflição da inveja chama-se despeito.

A aflição da leviandade chama-se insensatez.

A aflição da indisciplina chama-se desordem.

A aflição da brutalidade chama-se violência.

A aflição da preguiça chama-se rebeldia.

A aflição da vaidade chama-se loucura.

A aflição do relaxamento chama-se evasiva.

A aflição da indiferença chama-se desânimo.

A aflição da inutilidade chama-se queixa.

A aflição do crime chama-se desespero.

A aflição da impaciência chama-se intemperança.

A aflição da sovinice chama-se miséria.

A aflição da injustiça chama-se crueldade.

Cada criatura tem a aflição que lhe é própria.

A aflição do reino doméstico e da esfera profissional, do raciocínio e do sentimento...

Os corações unidos ao Sumo Bem, contudo, sabem que suportar as aflições menores da estrada é evitar as aflições maiores da vida e, por isso, apenas eles, anônimos heróis da luta cotidiana, conseguem receber e acumular em si mesmos os talentos de amor e paz reservados por Jesus aos sofredores da Terra, quando pronunciou ao monte a divina promessa:
 – “Bem-aventurados os aflitos!”

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Emmanuel
Chico Xavier
Obra: Religião dos espíritos 

























 



MENSAGEM DO ESE:
Aquele que se eleva será rebaixado


Por essa ocasião, os discípulos se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram: “Quem é o maior no reino dos céus?” — Jesus, chamando a si um menino, o colocou no meio deles e respondeu: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos converterdes e tornardes quais crianças, não entrareis no reino dos céus. — Aquele, portanto, que se humilhar e se tornar pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus — e aquele que recebe em meu nome a uma criança, tal como acabo de dizer, é a mim mesmo que recebe.” (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 1 a 5.)
Estas máximas decorrem do princípio de humildade que Jesus não cessa de apresentar como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor e que ele formulou assim: “Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que o reino dos céus lhes pertence.” Ele toma uma criança como tipo da simplicidade de coração e diz: “Será o maior no reino dos céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.
A mesma idéia fundamental se nos depara nesta outra máxima: Seja vosso servidor aquele que quiser tornar-se o maior, e nesta outra: Aquele que se humilhar será exalçado e aquele que se elevar será rebaixado.
Espiritismo sanciona pelo exemplo a teoria, mostrando-nos na posição de grandes no mundo dos Espíritos os que eram pequenos na Terra; e bem pequenos, muitas vezes, os que na Terra eram os maiores e os mais poderosos. E que os primeiros, ao morrerem, levaram consigo aquilo que faz a verdadeira grandeza no céu e que não se perde nunca: as virtudes, ao passo que os outros tiveram de deixar aqui o que lhes constituía a grandeza terrena e que se não leva para a outra vida: a riqueza, os títulos, a glória, a nobreza do nascimento. Nada mais possuindo senão isso, chegam ao outro mundo privados de tudo, como náufragos que tudo perderam, até as próprias roupas. Conservaram apenas o orgulho que mais humilhante lhes torna a nova posição, porquanto vêem colocados acima de si e resplandecentes de glória os que eles na Terra espezinharam.
O Espiritismo aponta-nos outra aplicação do mesmo princípio nas encarnações sucessivas, mediante as quais os que, numa existência, ocuparam as mais elevadas posições, descem, em existência seguinte, às mais ínfimas condições, desde que os tenham dominado o orgulho e a ambição. Não procureis, pois, na Terra, os primeiros lugares, nem vos colocar acima dos outros, se não quiserdes ser obrigados a descer. Buscai, ao contrário, o lugar mais humilde e mais modesto, porquanto Deus saberá dar-vos um mais elevado no céu, se o merecerdes.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, itens 3 e 6.)