quarta-feira, 30 de maio de 2018

O AMIGO JESUS




Não deixe que Jesus seja para você apenas uma figura histórica. Ele quer fazer parte da história da sua vida, por isso acompanha todos os passos da sua existência. Não pense que o Mestre se encontra apenas nas esferas resplandecentes, pois seu imenso amor está presente sempre que alguém derrama alguma lágrima de aflição ou arrependimento.

Seria bom se as luzes do Natal enfeitassem o nosso coração todos os dias do ano.

Não nos esqueçamos a promessa feita por Jesus de que ele estaria todos os dias conosco até o fim dos tempos. Você não acha que Jesus seria capaz de prometer e não cumprir, não é mesmo?

Mas não basta saber que Jesus estará conosco. Precisamos nos indagar se também queremos estar com Jesus.

De nada vale carregarmos o crucifixo no peito se não aceitamos a cruz dos testemunhos que nos compete carregar. De pouca valia são as lágrimas que derramamos diante da coroa de espinhos se ainda somos incapazes de aceitar algumas alfinetadas de irmãos ignorantes das verdades espirituais que já sabemos.

Não isole o Nazareno no templo de sua fé ou nas fileiras da sua religião. Ele com certeza não é católico, nem protestante, tampouco espírita. A única igreja que Jesus fundou foi a do amor ao próximo como a si mesmo, condição maior para a felicidade na Terra e no Além.

Por isso Jesus é o companheiro fiel de todos aqueles que andam pelas estradas do amor, independentemente se professam ou não alguma religião. Para o Mestre, mais importante do que a religião é a nossa religiosidade.

A humanidade está carente não de homens que falem de amor, mas de homens que vivam o amor. Jesus foi a máxima exemplificação do amor.

Ele não publicou livro algum, mas escreveu em nosso coração a mais linda história de amor e doação que a humanidade conheceu.

Não fundou escolas, porém se apresentou como o mais excelente Mestre do Espírito.

Não exerceu poder político algum, contudo lavou os pés de seus discípulos ensinando-nos que servir é mais importante do que ser servido.

Não foi médico, todavia curou a muitos despertando a fé em cada um dos enfermos.

Se você procura por Jesus, o meio mais fácil de encontrá-lo será amando o seu próximo, sobretudo aquele que não pode lhe retribuir com nem um centavo sequer. Talvez ele passe hoje mesmo em sua casa disfarçado de mendigo pedindo um prato de comida. Ou quem sabe ele estará num leito de hospital aguardando que você visite um desconhecido abandonado pelos familiares.

Ainda será possível encontrar Jesus escondido nos orfanatos junto aos berços de crianças esquálidas ou mesmo nos asilos aos pés da cama de idosos sujos e fedorentos.

Mas se ainda não ir tão longe, é provável que encontre Jesus em seu próprio lar, bem ao lado daquele familiar de difícil trato que você se recusa a aceitar.

Todavia, se estiver sem forças para ir a lugar algum, mergulhe fundo no seu coração e encontre Jesus de braços abertos para você, convidando-o a sair agora mesmo do martírio do egoísmo para a felicidade de amar e servir.
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José C. De Lucca





MENSAGEM DO ESE:
Indissolubilidade do casamento

Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? — Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.

Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? — Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. — Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério. (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.)

Imutável só há o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudança. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de tal modo humanas, que não há, no inundo inteiro, nem mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam absolutamente idênticas, e nenhum onde não hajam, com o tempo, sofrido mudanças. Daí resulta que, em face da lei civil, o que é legítimo num país e em dada época, é adultério noutro país e noutra época, isso pela razão de que a lei civil tem por fim regular os interesses das famílias, interesses que variam segundo os costumes e as necessidades locais. Assim é, por exemplo, que, em certos países, o casamento religioso é o único legítimo; noutros é necessário, além desse, o casamento civil; noutros, finalmente, este último casamento basta.

Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Quando tudo vai pelo melhor consoante esses interesses, diz-se que o casamento é de conveniência e, quando as bolsas estão bem aquinhoadas, diz-se que os esposos igualmente o são e muito felizes hão de ser.

Nem a lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente, separarem-se por si mesmos os que à força se uniram; torna-se um perjúrio, se pronunciado como fórmula banal, o juramento feito ao pé do altar. Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Ao dizer Deus: “Não sereis senão uma só carne”, e quando Jesus disse: “Não separeis o que Deus uniu”, essas palavras se devem entender com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.

Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina promanam dos prejuízos e não da lei civil. Esses prejuízos, se bem ainda vivazes, já perderam muito do seu predomínio no seio dos povos esclarecidos; desaparecerão com o progresso moral que, por fim, abrirá os olhos aos homens para os males sem conto, as faltas, mesmo os crimes que decorrem das uniões contraídas com vistas unicamente nos interesses materiais. Um dia perguntar-se-á o que é mais humano, mais caridoso, mais moral: se encadear um ao outro dois seres que não podem viver juntos, se restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número de uniões irregulares.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXII, itens 1 a 4.)


terça-feira, 29 de maio de 2018

PLENA ACEITAÇÃO


   
Se disseres, ante um problema que surge: “Isto não é nada”, de fato, o problema será nada. Pode até   que seja alguma coisa, mas, gradativamente, se reduzirá de tamanho e complexidade.

Se disseres, perante uma contrariedade inesperada: “Há de passar”, no exato momento em que repetires, convicto, tais palavras, o impacto da provação começará a diminuir sobre ti.

Se disseres, quando receberes um golpe que te magoe: “Superarei, com o amparo de Deus, superarei”, de imediato te sobreporás à dificuldade que, em outras circunstâncias, te arrasaria.

Se disseres, resignado, à face da notícia infeliz relativa à própria saúde: “Seja feita a vontade do Senhor”, crê que, assim, estarás dando início ao mais eficiente tratamento capaz de te restituir as forças.

Se, em tudo quanto sempre te ocorrer, te submeteres, sem reclamar, aos Desígnios Superiores, a tua atitude de plena aceitação te cumulará de forças para que continues a exaltar, em ti mesmo, a supremacia do bem sobre o mal!
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Irmão José (do livro “De ânimo firme”, Psic. Carlos Baccelli) 




MENSAGEM DO ESE:
Bem e mal sofrer


Quando o Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes pertence”, não se referia de modo geral aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta.
Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.
O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a vossa alma. Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral. Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa. Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: “Fui o mais forte.”
Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá o repouso.
 — Lacordaire. (Havre, 1863.)


(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 18.)
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🌾🌷🌾"Quem espera vida sã, sem autodisciplina, não se distancia muito do desequilíbrio ruinoso ou total. É necessário instalar o governo de nós mesmos em qualquer posição da vida. O problema fundamental é de vontade forte para conosco, e de boa-vontade para com os nossos irmãos." 
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Livro: Pão Nosso
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel 
FEB – Federação Espírita Brasileira
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👉"Do carvão brota o diamante; na escória de todos os vícios está incubada a virtude; do mais baixo nasce o que, pela sua excelsitude, um dia assombrará o mundo. Assim, também, da enfermidade pode sair a saúde e alcançar as mais elevadas condições." 
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Livro: Grandes e Pequenos Problemas
Angel Aguarod (obra mediúnica)
FEB – Federação Espírita Brasileira

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"O Espiritismo, é o disciplinador de nossa liberdade, não apenas para que tenhamos na Terra uma vida social dignificante, mas também para que mantenhamos, no campo do espírito, uma vida individual harmoniosa, devidamente ajustada aos impositivos da Vida Universal Perfeita, consoante as normas de eterna Justiça, elaboradas pelo supremo equilíbrio das Leis de Deus." 
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Emmanuel - Prefácio - Ação e Reação - André Luiz - FCX


segunda-feira, 28 de maio de 2018

CARIDADE PARA CONSIGO



Em todas as linhas do pensamento cristão, você freqüentemente ouvirá sobre a importância da caridade. De fato, como o amor é a meta a que todo cristão deve aspirar - pois sem ele não haverá felicidade em nível algum da nossa existência - a caridade surge como o próprio amor em ação.

Sem embargo da prática da caridade em favor do próximo, cujo valor é indiscutível, não se esqueça de ser também caridoso consigo mesmo. Afinal de contas, você é o próximo mais próximo de si mesmo. Se você não for capaz de algum gesto de amor por si mesmo, dificilmente será capaz de amar outra pessoa Para chegar ao próximo, o amor carece de passar primeiramente por você. Ninguém dá o que não tem.

Você tem alimentado o estômago de muitas pessoas, mas há quanto tempo sua alma está faminta de amor?

Você tem perdoado injúrias de toda parte, porém há, quanto tempo está preso nas grades da culpa por falta de perdão a si mesmo?

Você tem lavado feridas de enfermos, mas o que tem feito das feridas interiores que ainda sangram?

Você tem consolado os aflitos, todavia por que não tem dado a si mesmo o remédio que distribui aos outros?

Você tem socorrido a infância desvalida, nada obstante o que tem feito por sua criança interior que se encontra muito tempo abandonada?

Você tem doado roupas a mendigos e maltrapilhos, mas por que ainda não se vestiu de afeto e carinho?

Por que somente os outros devem ser amados? Por que somente os outros devem ser perdoados? Por que somente os outros carecem de ajuda? Você não é um ser à parte da criação, por isso é tão digno, merecedor e necessitado do mesmo amor que dá aos semelhantes.

Que a partir de agora você aprenda a ser também caridoso com você, promovendo seu auto-aperfeiçoamento, pois quem se ama:

• vive longe dos vícios para não dar trabalhos aos outros amanhã;

• aprimora-se intelectualmente para não depender da inteligência alheia;

• nutre-se de afeto e ternura para não se tornar carente do amor do outro;

• é seu próprio amigo para jamais se sentir solitário e pegajoso;

• desempenha seu trabalho com esmero para não se tornar um pária social.

Que você não interprete essas palavras como um protesto contra a caridade para com o próximo, porque a generosidade é uma condição das pessoas amorosas. No entanto, sem o burilamento de cada um na esfera das próprias obrigações perante a vida, jamais deixaremos a posição de mendigos espirituais a reclamarem dos outros a caridade que não fizemos a nós mesmos.
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JOSÉ CARLOS DE LUCCA  

MENSAGEM DO ESE:
Dom de curar


Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido. (S. MATEUS, cap. X, v. 8.)
“Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”, diz Jesus a seus discípulos. Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar daquilo por que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.

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 (Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVI, itens 1 e 2.)


domingo, 27 de maio de 2018

DECEPÇÃO


A decepção com alguém é fruto da incompreensão de nossa parte.

Todos somos falíveis, enquanto não atingimos a perfeição absoluta.

A decepção pode perturbar-nos a marcha ascensional, quando nos permitimos esmorecer pelo desapontamento que alguém nos causa.

Por isto, devemos escorar-nos única e tão somente em Jesus Cristo que nunca nos decepcionará!

Aprendamos a não exigir dos outros aquilo que nós mesmos não lhes damos.

Prossigamos, imperturbáveis, na tarefa do bem, conscientes de que todas as experiências são importantes para o espírito em aprendizado.

Não nos deixemos contagiar pelo desânimo.

Os nossos companheiros de jornada são espíritos tão necessitados quanto nós mesmos, com limitações, que lutam, anonimamente, para superá-las.

Porque se decepcionam com os outros e se retraem, muitos perdem valiosas oportunidades na encarnação.

Esforcemo-nos, pois, para não nos decepcionarmos com ninguém, mas nos esforcemos de forma redobrada para não decepcionarmos a quem quer que seja.

Não permitamos que as pessoas alimentem ilusões a nosso respeito, no entanto não idolatremos criaturas tão falíveis quanto nós mesmos, colocando-lhes nos ombros uma carga superior às suas próprias forças.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)




MENSAGEM DO ESE:
O que se deve entender por pobres de espírito

Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, v. 3.)
A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.
Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção. Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem.
Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à idéia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam. Daí o só terem sorrisos de mofa para tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério.
Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros, nesse mundo invisível de que escarnecem. É lá que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais.
Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem, para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e rico em qualidades morais.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, itens 1 e 2.)

sábado, 26 de maio de 2018

CAMINHO

  

Mostremos o caminho, ensinemos a caminhar, mas não obriguemos ninguém a seguir sobre os nossos passos.

Cada espírito tem a sua própria trajetória na conquista das experiências que lhe dizem respeito.

Não nos aflijamos porque observemos aqueles que mais amamos se distanciando de nós, ao enveredarem por perigosos atalhos.

Em essência, esteja onde estiver, cada qual estará buscando a sua realização pessoal.

O anseio da descoberta é apanágio de todos os espíritos.

As palavras, por mais fiéis, nunca transmitem as lições que somente a experiência conseguirá, na linguagem inarticulada da dor.

Para seguirmos juntos não teremos necessariamente que caminhar lado a lado; os caminhos paralelos acabam por se convergirem adiante…

Palmilhemos a senda que nos diz respeito, estendendo, além de seus limites, as nossas mãos em auxílio aos que avançam pelas veredas que elegeram para si.

Afirmando ser o Caminho, Jesus não exigiu que ninguém o seguisse!

Compreendamos, assim, os companheiros que se afastam de nós e oremos a Deus pela sua felicidade, renunciando à alegria de tê-los conosco na jornada que empreendemos.

Quanto a nós, perseveremos no cumprimento do dever que abraçamos, longe do qual estaremos sempre desnorteados em nós mesmos, em completo desencontro com a Vida.
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Irmão José (psic. Carlos Baccelli – do livro “Lições da Vida”)


MENSAGEM DO ESE:
Mundos regeneradores


Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.
Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.
Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.
Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.
Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. — Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, itens 16 a 18.)
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“Nos momentos difíceis da vida, na hora das provações, quando perderdes um ente amado, ou quando esperanças de há muito acariciadas vierem a desfazer-se, quando ficardes sem saúde e sentirdes que a vida se vai enfraquecendo aos poucos e aproximando-se o derradeiro minuto, aquele em que tereis de deixar a Terra; se, nesses instantes, a incerteza ou a angústia vos constrangerem o coração, lembrai-vos da voz que hoje vos clama: Sim, há um Além! sim, há outras vidas! Dos nossos sofrimentos, trabalhos e lágrimas nada se perde. Nenhuma provação é inútil, nenhum labor sem proveito, nenhuma dor sem compensação... Tende confiança em vós mesmos, confiança nas forças interiores que possuís, confiança no futuro sem-fim que vos está reservado. Tende a certeza de que há no Universo uma Potência soberana e paternal, que tudo dispôs com ordem, justiça, sabedoria e amor. Essas ideias vos inspirarão mais segurança na vida, mais coragem na prova, mais fé em vossos destinos. E avançareis como passo firme pela estrada infinita que se abre diante de vós.”
LÉON DENIS
(O Além e a Sobrevivência do Ser)



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Os ingratos


Não te preocupes com os ingratos dos teus caminhos de amor.

Prossegue, ofertando luz, sem te inquietares com a teimosia da treva.

Onde acendas uma lâmpada, a claridade aí derramará dádivas.

Recordarão das tuas atitudes e buscarão passar adiante o que de ti receberam.

Não é, portanto, importante, o tratamento que te deem em retribuição, mas sim, o
que prossigas fazendo por eles.
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Joanna de Ângelis








MENSAGEM DO ESE:

Desprendimento dos bens terrenos


Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos o meu óbolo, a fim de vos ajudar a avançar, desassombradamente, pela senda do aperfeiçoamento em que entrastes. Nós nos devemos uns aos outros; somente pela união sincera e fraternal entre os Espíritos e os encarnados será possível a regeneração.
O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios os cofres, não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de flores não há sempre oculto um réptil? Compreendo a satisfação, bem justa, aliás, que experimenta o homem que, por meio de trabalho honrado e assíduo, ganhou uma fortuna; mas, dessa satisfação, muito natural e que Deus aprova, a um apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração vai grande distância, tão grande quanto a que separa da prodigalidade exagerada a sórdida avareza, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, santa e salutar virtude que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem baixeza.
Quer a fortuna vos tenha vindo da vossa família, quer a tenhais ganho com o vosso trabalho, há uma coisa que não deveis esquecer nunca: é que tudo promana de Deus, tudo retorna a Deus. Nada vos pertence na Terra, nem sequer o vosso pobre corpo: a morte vos despoja dele, como de todos os bens materiais. Sois depositários e não proprietários, não vos iludais. Deus vo-los emprestou, tendes de lhos restituir; e ele empresta sob a condição de que o supérfluo, pelo menos, caiba aos que carecem do necessário.
Um dos vossos amigos vos empresta certa quantia. Por pouco honesto que sejais, fazeis questão de lha restituirdes escrupulosamente e lhe ficais agradecido. Pois bem: essa a posição de todo homem rico. Deus é o amigo celestial, que lhe emprestou a riqueza, não querendo para si mais do que o amor e o reconhecimento do rico. Exige deste, porém, que a seu turno dê aos pobres, que são, tanto quanto ele, seus filhos.
Ardente e desvairada cobiça despertam nos vossos corações os bens que Deus vos confiou. Já pensastes, quando vos deixais apegar imoderadamente a uma riqueza perecível e passageira como vós mesmos, que um dia tereis de prestar contas ao Senhor daquilo que vos veio dEle? Olvidais que, pela riqueza, vos revestistes do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes? Portanto, quando somente em vosso proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao Amigo que vos favorecera e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz. – Lacordaire. (Constantina, 1863.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVI, item 14.)