quinta-feira, 21 de março de 2019

DOR, JUSTIÇA, EVOLUÇÃO E REENCARNAÇÃO



(...) À Nova Revelação [o Espiritismo] estava reservado o preenchimento dessa lacuna, explicando-nos a causa das misérias terrenas da vida, das quais só a pluralidade de existências [a reencarnação] poderia mostrar-nos a justiça.

Essas misérias decorrem necessariamente das imperfeições da alma, pois se ela fosse perfeita não cometeria faltas nem teria de sofrer-lhes as consequências. O homem que na Terra fosse, de modo absoluto, sóbrio e moderado, por exemplo, não padeceria enfermidades oriundas de excessos.

O mais das vezes ele é desgraçado por culpa própria, porém, se é imperfeito, é porque já o era antes de vir à Terra, expiando não somente faltas do momento, mas faltas anteriores não resgatadas. Repara em uma vida de provações o que a outrem fez sofrer em anterior existência. As vicissitudes que experimenta são por sua vez uma correção temporária e uma advertência, relativamente às imperfeições que lhe cumpre eliminar, a fim de evitar males e progredir para o bem. São para a alma lições da experiência, rudes às vezes, mas tanto mais proveitosas para o futuro quanto profundas as impressões que deixam. Essas vicissitudes ocasionam incessantes lutas que lhe desenvolvem as forças e as faculdades intelectivas e morais. Através dessas lutas a alma se retempera no bem, triunfando sempre que tiver coragem de sustentá-las até o fim.

O prêmio da vitória está na vida espiritual, onde a alma entra radiante e triunfadora como soldado que sai da refrega para receber a palma gloriosa.

4. Em cada existência há ocasião à alma para dar um passo adiante; de sua vontade depende a maior ou menor extensão do passo: franquear muitos degraus ou ficar no mesmo ponto. No último caso, e porque cedo ou tarde se impõe sempre o pagamento das dívidas, terá de recomeçar existência nova, em condições ainda mais penosas, porque uma nódoa não apagada ajunta outra nódoa.

É, pois, em sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições, que se purga, em uma palavra, até que esteja bastante pura para deixar os mundos de expiação como a Terra, onde os homens, em proveito do futuro, expiam o passado e o presente. Contrariamente, porém, à ideia que deles se faz, depende de cada um prolongar ou abreviar a sua permanência, segundo o grau de adiantamento e pureza atingido, pelo próprio esforço. O livramento se dá, não por conclusão de tempo nem por alheios méritos, mas pelo próprio mérito de cada um, consoante as palavras de Cristo: A cada um segundo as suas obras, palavras que resumem inteiramente a justiça de Deus.

5. Aquele, pois, que sofre nesta vida pode dizer-se que é porque não se purificou suficientemente em sua existência precedente, devendo, se o não fizer nesta, sofrer ainda na seguinte. Isto é ao mesmo tempo equitativo e lógico. Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, tanto mais tempo se sofre quanto mais imperfeito se for, da mesma forma porque tanto mais tempo persistirá uma enfermidade quanto maior a demora em tratá-la. Assim é que, enquanto o homem for orgulhoso, sofrerá as consequências do orgulho, e, enquanto egoísta, as do egoísmo.

6. Por causa das imperfeições, o Espírito culpado sofre primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois facultada a vida corporal como meio de reparação. É por isso que ele se acha, em a nova existência, quer com as pessoas a quem ofendeu, quer em meio análogos àqueles em que praticou o mal, quer ainda em situações opostas à sua vida precedente, como por exemplo na miséria, se foi mau rico, ou humilhado, se orgulhoso.

A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não constitui duplo castigo para eles, porém um complemento, um desdobramento do trabalho efetivo a facilitar o progresso; do Espírito depende o aproveitamento. E não lhe será preferível voltar à Terra com probabilidades de alcançar o céu, a ser condenado sem remissão deixando-a definitivamente? A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem tudo deva aos seus esforços e seja o obreiro do seu futuro; que, infeliz por mais ou menos tempo, não se queixe senão de si próprio, uma vez que a rota do progresso lhe está sempre franqueada.

(...)

Livro: O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo
Allan Kardec
LAKE – Livraria Allan Kardec Editora 




MENSAGEM DO ESE:

Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará (II)

Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito.

Em virtude desse princípio é que os Espíritos não acorrem a poupar o homem ao trabalho das pesquisas, trazendo-lhe, já feitas e prontas a ser utilizadas, descobertas e invenções, de modo a não ter ele mais do que tomar o que lhe ponham nas mãos, sem o incômodo, sequer, de abaixar-se para apanhar, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia enriquecer-se e o mais ignorante tornar-se sábio à custa de nada e ambos se atribuírem o mérito do que não fizeram. Não, os Espíritos não vêm isentar o homem da lei do trabalho: vêm unicamente mostrar-lhe a meta que lhe cumpre atingir e o caminho que a ela conduz, dizendo-lhe: Anda e chegarás. Toparás com pedras; olha e afasta-as tu mesmo. Nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar.
 (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXVI, nº 291 e seguintes.)

Do ponto de vista moral, essas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho. Tal o sentido das palavras: buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á.



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, itens 3 a 5.)



quarta-feira, 20 de março de 2019

LIVRO ESPÍRITA E VIDA


O pão elimina a fome.

O livro espírita suprime a penúria moral.

O traje compõe o exterior.

O livro espírita harmoniza o íntimo.

O teto abriga da intempérie.

O livro espírita resguarda a criatura contra os perigos da obsessão.

O remédio exclui a enfermidade.

O livro espírita reanima o doente.

A cirurgia reajusta os tecidos celulares.

O livro espírita reequilibra os processos da consciência.

A devoção prepara e consola.

O livro espírita reconforta e explica.

A arte distrai e enternece.

O livro espírita purifica a emoção e impele ao raciocínio.

A conversação amiga e edificante exige ambiente e ocasião para socorrer os necessitados da alma.

O livro espírita faz isso em qualquer lugar e em qualquer tempo.

A força corrige.

O livro espírita renova.

O Alfabeto instrui.

O livro espírita ilumina o pensamento.

Certamente é dever nosso criar e desenvolver todos os recursos humanos que nos sustentem, e dignifiquem a vida na Terra de hoje; todavia, quanto nos seja possível, auxiliemos a manutenção e a difusão do livro espírita que nos sustenta e dignifica a vida imperecível, libertando-nos da sombra para a luz, no plano físico e na esfera espiritual, aqui e agora, depois e sempre.
***********************
Emmanuel
Chico Xavier




MENSAGEM DO ESE:

A paciência

A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.

A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.

Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu ele do que qualquer de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado e de vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume tudo. 

— Um Espírito amigo. (Havre, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 7.)



terça-feira, 19 de março de 2019

EXERCÍCIO DE COMPAIXÃO




Se fosses o pedinte agoniado que estende a mão à bondade pública...

Se fosses a mãezinha infeliz, atormentada pelo choro dos filhinhos que desfalecem de fome... 

Se fosses a criança que vagueia desprotegida à margem do lar... 

Se fosses o pai de família, atribulado, ante a doença e penúria que lhe devastam a casa...

Se fosses o enfermo desamparado, suplicando remédio...

Se fosses a criatura caída em desvalimento, implorando compreensão...

Se fosses o obsidiado, carregando inomináveis suplícios interiores, para desvencilhar-se das trevas...

Se fosses o velhinho atirado às incertezas da rua...

Se fosses o necessitado que te roga socorro, decerto perceberias com mais segurança a função da fraternidade para sustento da vida.

Se estivéssemos no lado da dificuldade maior que a nossa, compreenderíamos, de imediato, o imperativo da caridade incessante e do auxílio mútuo.

Reflitamos nisso.

 E nós, que nos afeiçoamos a estudos diversos, com vistas à edificação da felicidade e ao aperfeiçoamento do mundo, façamos quanto possível, semelhante exercício de compaixão.
*********************************
Albino Teixeira
Chico Xavier



MENSAGEM DO ESE:

Mercadores expulsos do templo

Eles vieram em seguida a Jerusalém, e Jesus, entrando no templo, começou por expulsar dali os que vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos que vendiam pombos: — e não permitiu que alguém transportasse qualquer utensílio pelo templo. — Ao mesmo tempo os instruía, dizendo: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração por todas as nações? Entretanto, fizestes dela um covil de ladrões! — Os príncipes dos sacerdotes, ouvindo isso, procuravam meio de o prenderem, pois o temiam, visto que todo o povo era tomado de admiração pela sua doutrina. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 15 a 18; — S. MATEUS, cap. XXI, vv. 12 e 13.)
Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVI, itens 5 e 6.)



segunda-feira, 18 de março de 2019

CONTRA - SENSO




Quando a gota se viu semelhante a uma gema valiosa, na folhagem da primavera, insultou o rio em que se formara: Sai da frente, monstro do chão.

Quando o tronco se agigantou diante do firmamento, blasfemou conta a própria raiz: Não me sujes os pés.

Quando o vaso passou pela cerâmica em que nascera, gritou, revoltado: Não suporto essa lama. 

Quando o ouro se ajustou ao palácio, indagou da terra que o produzira: Que fazes aí, barro escuro? 

Quando a seda brilhou, na pompa da festa, disse à lagarta que lhe dera a existência: Não te conheço, larva mesquinha.

Quando a pérola fulgiu, soberana, exigiu da ostra em que se criara: Não te abeires de mim.

Quando o arco-íris se reconheceu admirado pelo pintor, acusou o Sol de que se fizera: Não me roubes a luz.

Copiando esses contra-sensos figurados da Natureza, o homem insensato, quando erguido ao pedestal do orgulho pelos abusos da inteligência, costuma escarnecer de si próprio, afirmando jactancioso: “A vida é poesia e nada, e Deus é ilusão”. 
************************
Emmanuel
Chico Xavier






MENSAGEM DO ESE: 

Coletânea de preces espíritas

Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale, o pensamento é tudo. Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.” 
Os Espíritos jamais prescreveram qualquer fórmula absoluta de preces. Quando dão alguma, é apenas para fixar as idéias e, sobretudo, para chamar a atenção sobre certos princípios da Doutrina Espírita. Fazem-no também com o fim de auxiliar os que sentem embaraço para externar suas idéias, pois alguns há que não acreditariam ter orado realmente, desde que não formulassem seus pensamentos.
A coletânea de preces, que este capítulo encerra, representa uma escolha feita entre muitas que os Espíritos ditaram em várias circunstâncias. Eles, sem dúvida, podem ter ditado outras e em termos diversos, apropriadas a certas idéias ou a casos especiais; mas, pouco importa a forma, se o pensamento é essencialmente o mesmo. O objetivo da prece consiste em elevar nossa alma a Deus; a diversidade das fórmulas nenhuma diferença deve criar entre os que nele crêem, nem, ainda menos, entre os adeptos do Espiritismo, porquanto Deus as aceita todas quando sinceras.
Não há, pois, considerar esta coletânea como um formulário absoluto e único, mas, apenas, uma variedade no conjunto das instruções que os Espíritos ministram. É uma aplicação dos princípios da moral evangélica desenvolvidos neste livro, um complemento aos ditados deles, relativos aos deveres para com Deus e o próximo, complemento em que são lembrados todos os princípios da Doutrina.
O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não de lábios somente. Nenhuma impõe, nem reprova nenhuma. Deus, segundo ele, é sumamente grande para repelir a voz que lhe suplica ou lhe entoa louvores, porque o faz de um modo e não de outro. Quem quer que lance anátema às preces que não estejam no seu formulário provará que desconhece a grandeza de Deus. Crer que Deus se atenha a uma fórmula é emprestar-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade.
Condição essencial à prece, segundo S. Paulo (cap. XXVII, nº 16), é que seja inteligível, a fim de que nos possa falar ao espírito. Para isso, não basta seja dita numa língua que aquele que ora compreenda. Há preces em língua vulgar que não dizem ao pensamento muito mais do que se fossem proferidas em língua estrangeira, e que, por isso mesmo, não chegam ao coração. As raras idéias que elas contêm ficam, as mais das vezes, abafadas pela superabundância das palavras e pelo misticismo da linguagem.
A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que são meros adornos de lentejoulas. Cada palavra deve ter alcance próprio, despertar uma idéia, pôr em vibração uma fibra da alma. Numa palavra: deve fazer refletir. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo; de outro modo, não passa de ruído. Entretanto, notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas na maioria dos casos. Vêem-se lábios a mover-se; mas, pela expressão da fisionomia, pelo som mesmo da voz, verifica-se que ali apenas há um ato maquinal, puramente exterior, ao qual se conserva indiferente a alma.
************************

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 1.)




domingo, 17 de março de 2019

ORAÇÃO DO SERVO IMPERFEITO


Senhor!...

Dura é a pedra, entretanto, com a tua sabedoria, temos-la empregada em obras de segurança.

Violento é o fogo, todavia, sob a tua inspiração, foi ele posto em disciplina, em auxílio da inteligência.

Agressiva é a lâmina, no entanto, ao influxo de teu amparo, vemos-la piedosa, na caridade da cirurgia.

Enfermiço é o pântano, contudo, sob tua benevolência, encontramos-lo convertido em celeiro de flores.

Eu também trago comigo a dureza da pedra, a violência do fogo, a agressividade da lâmina e enfermidade do charco, mas com a tua bênção de amor, posso desfrutar o privilégio de cooperar na construção do teu reino!... 

Para isso, porém, Senhor, concede-me, por acréscimo de misericórdia, a felicidade de trabalhar e ensinar-me a receber o dom de servir.
*****************
Albino Teixeira
Chico Xavier




MENSAGEM DO ESE:

Caracteres do verdadeiro profeta

Desconfiai dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo, nos momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e messias. É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar. Perguntareis, sem dúvida, como reconhecê-los. Aqui tendes o que os assinala:
Somente a um hábil general, capaz de o dirigir, se confia o comando de um exército. Julgais que Deus seja menos prudente do que os homens? Ficai certos de que só confia missões importantes aos que ele sabe capazes de as cumprir, porquanto as grandes missões são fardos pesados que esmagariam o homem carente de forças para carregá-los. Em todas as coisas, o mestre há de sempre saber mais do que o discípulo; para fazer que a Humanidade avance moralmente e intelectualmente, são precisos homens superiores em inteligência e em moralidade. Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm da atuar, nula lhes resultaria a ação.

Isto posto, haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador. Tirai também esta outra conseqüência: se, pelo seu caráter, pelas suas virtudes, pela sua inteligência, ele se mostra abaixo do papel com que se apresente, ou da personagem sob cujo nome se coloca, mais não é do que um histrião de baixo estofo, que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu.

Outra consideração: os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe dêem crédito.

Alguns desses impostores têm havido, pretendendo passar por apóstolos do Cristo, outros pelo próprio Cristo, e, para vergonha da Humanidade, hão encontrado pessoas assaz crédulas que lhes crêem nas torpezas. Entretanto, uma ponderação bem simples seria bastante a abrir os olhos do mais cego, a de que se o Cristo reencarnasse na Terra, viria com todo o seu poder e todas as suas virtudes, a menos se admitisse, o que fora absurdo, que houvesse degenerado. Ora, do mesmo modo que, se tirardes a Deus um só de seus atributos, já não tereis Deus, se tirardes uma só de suas virtudes ao Cristo, já não mais o tereis. Possuem todas as suas virtudes os que se dão como sendo o Cristo? Essa a questão. Observai-os, perscrutai-lhes as idéias e os atos e reconhecereis que, acima de tudo, lhes faltam as qualidades distintivas do Cristo; a humildade e a caridade, sobejando-lhes as que o Cristo não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai, ao demais, que neste momento há, em vários países, muitos pretensos Cristos, como há muitos pretensos Elias, muitos S. João ou S. Pedro e que não é absolutamente possível sejam verdadeiros todos. Tende como certo que são apenas criaturas que exploram a credulidade dos outros e acham cômodo viver à custa dos que lhes prestam ouvidos.

Desconfiai, pois, dos falsos profetas, máxime numa época de renovação, qual a presente, porque muitos impostores se dirão enviados de Deus. Eles procuram satisfazer na Terra à sua vaidade; mas uma terrível justiça os espera, podeis estar certos.

 — Erasto. (Paris, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXI, item 9.)



sábado, 16 de março de 2019

Seja feliz




Pense num lugar onde sua paz, sua felicidade, sua saúde e seu equilíbrio possam ser satisfeitos independente de condições externas.
Pense que isso é possível, sem que tenha que sair de onde está.
Isso é um sonho.
Mas um sonho possível e realizável.
Sua realização depende de como você pensa, sente e percebe as coisas a sua volta.
A realidade que sua vida é hoje, foi por você criada.
Você se impôs a aceitar a vida desta forma que vive.
Você mesmo acredita que o mundo seja assim.
É verdade que você possui limites e dificuldades.
Mas uma mudança é possível e você poderá fazê-la.
Alguns passos são necessários.
Pense que isso poderá levar algum tempo e dependerá de uma certa disciplina, isto é, de determinação e persistência para alcançar seus objetivos.

Os passos a que me refiro você encontrará nos capítulos adiante.
 Não há receita padrão nem tampouco um modelo infalível.
 Talvez, no decorrer da leitura, você descubra o seu próprio.
 Persista.
 Não perca a oportunidade de levar adiante seu projeto pessoal de ser feliz.
É claro que você já pensou que tem direito à felicidade e que ela lhe faria muito bem.

Às vezes você mesmo se pergunta por que ela não chega à sua vida, já que outras pessoas, as quais você considera que tem muito, recebem mais ainda.
Algumas delas você acha que não merecem.

Sua lógica tem feito com que você não entenda bem quais os critérios da Vida para com você.
 Talvez o problema seja de enfoque e de limites que você mesmo tem se imposto.

 É lógico que você tem direito.
 Você apenas não tem sabido como conseguir fazer prevalecer esse direito.
Todos sabem que a felicidade é um estado de espírito, porém como instalá-lo internamente é que tem sido o grande problema.

As receitas para isso são muitas e certamente que eficazes.
Porém cada pessoa merece uma receita própria, uma estratégia e um percurso próprios. A sua, talvez ninguém, nem você mesmo, tenha descoberto.
A receita para você é sua e esse é seu desafio.

 Descobrir, dentre aquelas que mais lhe agradam qual a que, depois de adaptada, lhe servirá como guia, é com o que você deve se preocupar.
É importante, e nunca esqueça isto: você não deve se culpar.
Não deixe que o complexo de culpa se instale em você.

É claro que, embora não deva se sentir culpado, você arcará com as consequências de seus atos.
 Considere que seu grande equívoco tem sido a própria ignorância, isto é, você não é feliz porque ainda não sabe ao certo como as coisas funcionam na Vida.

 As regras que você tem seguido não lhe têm garantido o sucesso desejado.
É preciso conhecer as ‘regras da Vida’ e como elas funcionam no seu caso, pois, embora sejam as mesmas para todos, elas funcionam de acordo com o nível de evolução de cada um.

A Vida não possui regras nem normas rígidas, muito embora o Universo tenha suas próprias leis. Nós criamos regras a fim de educar a liberdade a nós outorgada por Deus. Somos seres naturalmente livres, porém gradativamente nos condicionamos a determinados limites a fim de entendermos a nós mesmos. Com a evolução espiritual, os poucos retiramos os grilhões que adotamos ao longo da Vida.

Portanto, não se sinta culpado, mas tão somente alguém ignorante que busca aprender o que antes não sabia.
A culpa mancha sua felicidade e a consciência de sua própria ignorância é o começo de sua ventura. Saber ‘ler’ os sinais que a vida tem lhe dado é fundamental.
Busque sempre interpretar o simbolismo contido em cada ocorrência que lhe afeta.

Procure se perguntar o que a vida quer lhe ensinar quando ocorre algo com você que foge ao seu controle e àquilo que você considera plenamente explicável.

 Uma explicação plausível, que revele o sentido da ocasião vivida, pode ser o remédio para nossa angústia.

Lembre-se também que felicidade não é apenas doar-se, mas também ensinar a fazer, a realizar, a conhecer, a ajudar que o outro acredite em si mesmo.
Além disso você deve:
fazer-se, realizar-se, conhecer-se, investir em você mesmo e acreditar em si próprio.
Definitivamente não se sinta culpado pelo que você fez ou acha que tenha feito.
Não se culpe nem sofra por antecipação.

O ocorrido certamente tem consequências, mas não pense que serão como você imagina.
Não pense em punição, sofrimento ou dor.
Calma.
Pense em responsabilidade e possibilidade de atravessar a resultante de suas ações com tranquilidade.
O Universo não funciona como você imagina.
Ele costuma se colocar a serviço do nosso propósito de crescimento.
 Aja com esse espírito e ele conspirará a seu favor.
 Você acredita que será punido e isso é o começo de seu sofrimento.
Pense que você será ensinado pelo Universo a resolver as situações geradas pela sua ignorância quanto ao funcionamento do mesmo.

Nem você nem ninguém é feliz o bastante.
 A felicidade é um estado impermanente.
É a busca de algo, de um encontro, de um sentido maior.

Por isso que sua insatisfação com a vida ou com coisas menores deve ser entendida como algo inerente à existência de qualquer ser humano e não como infelicidade.

Há coisas que só ocorrem com um certo tempo e com a necessária experiência.
 Não tente antecipar tudo, pois isso gera ansiedade, a qual traz infelicidade.
 Viva cada momento como se fosse o último e, simultaneamente, o primeiro.

É preciso que você crie outro conceito de felicidade.
Aquele que você construiu da infância até a adolescência não lhe serve mais.
Os mitos infantis de felicidade são utopias.
A cultura, o meio familiar e a educação escolar nos ensinam certo modelo de felicidade o qual está impregnado em nós.

Eles são de tal forma equivocados que não nos permitem alcançá-la.
A felicidade não é ter, tampouco é ser.

São opostos e precisam de conciliação.
O ter e o ser, quando se integram, geram a sabedoria de saber ter e de saber não ter.

Quando se tem, deve-se aprender a ter com sabedoria sem ser possuído pelo que se tem. Mesmo tendo algo, se pode buscar mais, com a firme convicção da importância de se gerar prosperidade pessoal e coletiva com aquilo que se obtém.
Quando não se tem, deve-se não só buscar ter para aprender a ter, como também aprender a viver sem ter.

Outra questão importante é sua escala de valores.
 Ela pode ser um instrumento para sua felicidade. Suas qualidades inferiores decorrem muitas vezes da dificuldade em se enquadrar a um sistema de valores muito exigente.

Exija de você o que você pode dar.
Quando você não se sentir bem com você mesmo, atribuindo-se uma qualidade inferior, considerando-se alguém de índole ruim, certamente você
estará se comparando a um sistema de valores superior.
É possível que nesses momentos você não se sinta bem.
Procure elevar-se ao nível dos valores que você considere superior.

Caso você não o consiga, reveja seu sistema de valores e troque ideias com alguém para que você se adapte ao que é possível alcançar em sua vida.
 Nunca desista de alcançar um nível melhor que o atual.
Seus valores e crenças, embora lhe permitam segurança e equilíbrio, podem ser suas algemas.

É preciso revê-los a cada ciclo de sua vida, para que se transformem em guias.
Pense que eles devem ser instrumentos para que você se sinta bem com você mesmo e com o próximo.

Sua felicidade pode ser prejudicada pela imensa necessidade que você sente em falar, em expressar algo, em fazer coisas, em resumo, em estar sempre colocando para fora ideias e emoções que lhe incomodam.

É importante que você o faça, mas é preciso ter em mente que há um limite para isso, pois esse hábito pode se tornar um padrão psíquico de difícil mudança.

Quando isso ocorrer, é preciso aprender a fazer silêncio; mas silêncio produtivo, isto é: aquele que vai lhe permitir não pensar nos conflitos, estabelecer metas que a eles não estejam relacionadas e redirecionar a necessidade de expressão.
Faça silêncio e não pense em tudo de uma só vez.
Escute o que a Vida quer ensinar em cada momento de sua existência.

A felicidade combina uma certa satisfação material com o equilíbrio emocional, aliados ao encontro com a própria espiritualidade.
 Quando esses fatores se encontram, a pessoa consegue se iluminar interiormente.
A satisfação material nem sempre ocorre na proporção que se deseja nem na
intensidade que se quer.
 Muitas vezes ela é apenas um detalhe.

O equilíbrio emocional é fundamental.
Sem ele não se consegue jamais a felicidade.
A espiritualidade é uma ferramenta importante, pois permite ao ser humano transcender a sua condição material, permitindo que ele se perceba um espírito em evolução.
A iluminação interior ocorre na medida que você identifica nos outros pessoas como você, dignas de respeito, de amor e semelhantes a você mesmo.

A felicidade é uma arte que você precisa desenvolver.
O exercício se dará através de lições diárias e, às vezes, difíceis, porém suportáveis a todos.

Não pense que você está sozinho ou que goza de alguma exclusividade.
 Todos estão no mesmo rumo.
 Alguns perdidos, outros iludidos, mas existem aqueles que já encontraram a rota certa. Coloque-se entre esses últimos ao afirmar seu desejo sincero de viver em paz, proporcionando a paz.

Por outro lado é preciso aprender a estar conectado ao próprio coração.
Essa conexão possibilita não apenas estar atento às próprias emoções, mas principalmente às sutis vibrações do amor que pulsa interiormente em você.

Perceba-as nos grandes momentos em que você se sentiu muito feliz.
Nada pode ser melhor que a felicidade sem culpa e sem medo.

Esse estado de espírito que todos desejam alcançar é possível se você estiver conectado ao seu coração.
 Essa conexão deverá ser favorecida com o uso da razão, pois permitirá à consciência a atenção necessária aos valores contidos em seus sentimentos.
 Procure vibrar com a vida e com seu ritmo.

A luz da sua alma não pode ser ofuscada pela consciência culpada.
Por detrás da máscara que o mundo lhe ajudou a forjar existe a face luminosa do seu ser, ofertada por Deus.
 Saia da sombra escura em que você se coloca diariamente e se exponha à luz, para que vejam a claridade interior do diamante que existe em seu mundo interno.

A sua deve ser a estrada de luz, pois suas pegadas possuem a energia do amor de Deus.
Culpar-se é adiar a possibilidade de ser feliz, é não aprender com os próprios equívocos.

Ninguém é pior ou melhor que outra pessoa, pois todos temos a mesma paternidade divina.


Não chore a lágrima da culpa pelo equívoco que você cometeu.
Derrame-a quando perceber a misericórdia divina a conceder a ventura de realizar os meios para reparar seus equívocos e alcançar a felicidade.

 Quando descobrir que a culpa não levará a resolver seus conflitos, será o início do seu processo de libertação a caminho da felicidade.

Ao iniciar, coloque-se no lugar mais alto de sua consciência e compartilhe sua vida com os outros.

Mostre-se sem culpa e perdoe aqueles aos quais você atribuiu pelos seus sofrimentos.
 Em algum momento de sua vida torne possível poder contá-la, de tal forma que se possa perceber a existência de um marco o qual determinou sua mudança.

 A partir de tal marco você renasceu, sendo uma nova pessoa, sem culpas e confiante em seu futuro.

Após esse marco você descobriu que sua vida lhe pertence e a Deus.

Caminhe sem medo, sem amarras, sem vaidades e sem culpa.
Dê lugar ao coração, principalmente se a razão se encontrar confusa.
Continue sua busca pessoal por uma personalidade mais agradável e equilibrada.

Nada pode ser maior que você, nem tampouco inferior a sua vida.
 Você é muito mais do que imagina e tem uma destinação iluminada.

Cultive o pensamento flexível, que admite sempre a possibilidade de as coisas serem diferentes do que você acha.

A rigidez mental promove as doenças e impede o encontro com o si mesmo.
Ser feliz é ser maleável aos convites que a vida nos faz ao amor.
 O segredo para a felicidade é a tolerância para consigo mesmo e a consciência das próprias limitações.
*******************
Adenáuer Novaes 





MENSAGEM DO ESE:

Maneira de orar

O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida ativa de cada dia, é a prece. Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar! Que importam ao Senhor as frases que maquinalmente articulais umas às outras, fazendo disso um hábito, um dever que cumpris e que vos pesa como qualquer dever? 
A prece do cristão, do espírita, seja qual for o seu culto, deve ele dizê-la logo que o Espírito haja retomado o jugo da carne; deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, com profundeza, num ímpeto de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até àquele dia; pela noite transcorrida e durante a qual lhe foi permitido, ainda que sem consciência disso, ir ter com os seus amigos, com os seus guias, para haurir, no contacto com eles, mais força e perseverança. Deve ela subir humilde aos pés do Senhor, para lhe recomendar a vossa fraqueza, para lhe suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Deve ser profunda, porquanto é a vossa alma que tem de elevar-se para o Criador, de transfigurar-se, como Jesus no Tabor, a fim de lá chegar nívea e radiosa de esperança e de amor.
A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como o fazem muitos: “Não vale a pena orar, porquanto Deus não me atende.” Que é o que, na maioria dos casos, pedis a Deus? Já vos tendes lembrado de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh! não; bem poucas vezes o tendes feito. O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos e haveis com freqüência exclamado: “Deus não se ocupa conosco; se se ocupasse, não se verificariam tantas injustiças.” Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, quase sempre depararíeis, em vós mesmos, com o ponto de partida dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, que vos possais melhorar e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós. 
Deveis orar incessantemente, sem que, para isso, se faça mister vos recolhais ao vosso oratório, ou vos lanceis de joelhos nas praças públicas. A prece do dia é o cumprimento dos vossos deveres, sem exceção de nenhum, qualquer que seja a natureza deles. Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos roça a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito, meu Pai?! Não é ato de contrição o vos humilhardes diante do supremo Juiz, quando sentis que falistes, ainda que somente por um pensamento fugaz, para lhe dizerdes: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei (por orgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade); dai-me forças para não falir de novo e coragem para a reparação da minha falta?!
Isso independe das preces regulares da manhã e da noite e dos dias consagrados. Como o vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção acarretar aos vossos trabalhos. Dita assim, ela, ao contrário, os santifica. Tende como certo que um só desses pensamentos, se partir do coração, é mais ouvido pelo vosso Pai celestial do que as longas orações ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinante e às quais apenas maquinalmente vos chama a hora convencional. — Monod. (Bordéus, 1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, item 22.)

sexta-feira, 15 de março de 2019

NÓS E CÉSAR


“E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
 – (Marcos, 12:17.)

Em todo lugar do mundo, o homem encontrará sempre, de acordo com os seus próprios merecimentos, a figura de César, simbolizada no governo estatal.

Maus homens, sem dúvida, produzirão maus estadistas.

Coletividades ociosas e indiferentes receberão administrações desorganizadas.

De qualquer modo, a influência de César cercará a criatura, reclamando-lhe a execução dos compromissos materiais.

É imprescindível dar-lhe o que lhe pertence.

O aprendiz do Evangelho não deve invocar princípios religiosos ou idealismo individual para eximir-se dessas obrigações.

Se há erros nas leis, lembremos a extensão de nossos débitos para com a Providência Divina e colaboremos com a governança humana, oferecendo-lhe o nosso concurso em trabalho e boa-vontade, conscientes de que desatenção ou revolta não nos resolvem os problemas.

Preferível é que o discípulo se sacrifique e sofra a demorar-se em atraso, ante as leis respeitáveis que o regem, transitoriamente, no plano físico, seja por indisciplina diante dos princípios estabelecidos ou por doentio entusiasmo que o tente a avançar demasiadamente na sua época.

Há decretos iníquos?

Recorda se já cooperaste com aqueles que te governam a paisagem material.

Vive em harmonia com os teus superiores e não te esqueças de que a melhor posição é a do equilíbrio.

Se pretendes viver retamente, não dês a César o vinagre da crítica acerba. Ajuda-o com o teu trabalho eficiente, no sadio desejo de acertar, convicto de que ele e nós somos filhos do mesmo Deus.
************************************
EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

 


MENSAGEM DO ESE:

A cólera

O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? — Entregais-vos à cólera.

Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga à sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.

Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade.

Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida! 

Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs.

 — Um Espírito protetor. (Bordéus, 1863.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 9.)