sábado, 11 de abril de 2020

A maior dor


Qual é a maior dor?

Você já pensou nisso?

Um jovem deixou um bilhete aos familiares, pouco antes de cometer suicídio, e expressou no papel o que estava sentindo.

Disse ele que a maior dor na vida não é morrer, mas ser ignorado.

É perder alguém que nos amava e que deixou de se importar conosco. É ser deixado de lado por quem tanto nos apoiava e constatar que esse é o resultado da nossa negligência.

A maior dor na vida não é morrer, mas ser esquecido. É ficar sem um cumprimento após uma grande conquista.

É não ter um amigo telefonando só para dizer Olá. É ver a indiferença num rosto quando abrimos nosso coração.

O que muito dói na vida é ver aqueles que foram nossos amigos, sempre muito ocupados quando precisamos de alguém para nos consolar e nos ajudar a reerguer o nosso ânimo.

É quando parece que nas aflições estamos sozinhos com as nossas tristezas. Muitas dores nos afetam, mas isso pode parecer mais leve quando alguém nos dá atenção.

* * *

É bem possível que esse jovem tenha tido seus motivos para escrever o que escreveu. Todavia, em nenhum momento deve ter pensado naqueles que o rodeavam.

Se pudesse sentir a dor de um coração de mãe dilacerado ante o corpo sem vida do filho amado...

Se pudesse experimentar o sofrimento de um pai que tenta, em vão, saber do filho morto o que o levou a tamanho desatino...

Se sentisse o desespero de um irmão que busca resposta nos lábios imóveis do ser que lhe compartilhou a infância...

Se pudesse suportar, ainda que por instantes, a dor de um amigo sincero a contemplar seus lábios emudecidos no caixão, certamente mudaria seu conceito sobre a maior dor.

* * *

Se você pensa que está passando pela maior dor que alguém pode experimentar, considere o seguinte:

Uma mãe que chora sobre o corpo do filho querido que foi alvo das bombas assassinas, em nome das guerras frias e cruéis.

Uma criança debruçada sobre o corpo inerte da mãe atingida por granadas mortíferas.

Um órfão de guerra que é obrigado a empunhar as mesmas armas que aniquilaram seus pais...

Um pai de família que assiste o assassinato dos seus, de mãos amarradas.

Enfim, pense um pouco nessas outras dores...

Pense um pouco nos tantos corações que sofrem dores mais amargas que as suas.

E se ainda assim você estiver certo de que a sua dor é maior, lembre-se daquela mãe que um dia assistiu a crucificação do Filho inocente, sem poder fazer nada.

Lembre-se também Daquele que suportou a cruz do martírio mas não perdeu a confiança no Pai, que tudo sabe.

E se ainda assim você achar que é o maior dos sofredores, considere que talvez o egoísmo esteja prejudicando a sua visão.

* * *

Pense nisso!

Descobrir qual é a maior dor, é muito difícil.

Mas a maior decepção é fácil de deduzir.

É a daqueles que se suicidam pensando que extinguirão a vida e com ela todos os problemas.

Esses saem do corpo, mas, indubitavelmente, não saem da vida e, muito menos, acabam com os problemas.

Portando, por mais difícil que esteja a situação, nunca vale a pena buscar essa porta falsa, chamada suicídio.

É importante lembrar sempre: por mais escura e longa que seja a noite, o sol sempre volta a brilhar.

E por mais que pensemos estar na solidão, temos sempre conosco um amigo fiel e dedicado que jamais nos abandona: o meigo Rabi da Galiléia.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, com base em
mensagem volante sem menção ao autor.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 6, ed. Fep.
Em 29.09.2009.
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MENSAGEM DO ESE:

Cuidar do corpo e do espírito

Consistirá na maceração do corpo a perfeição moral? Para resolver essa questão, apoiar-me-ei em princípios elementares e começarei por demonstrar a necessidade de cuidar-se do corpo que, segundo as alternativas de saúde e de enfermidade, influi de maneira muito importante sobre a alma, que cumpre se considere cativa da carne. Para que essa prisioneira viva, se expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar são, disposto, forte. Façamos uma comparação: Eis se acham ambos em perfeito estado; que devem fazer para manter o equilíbrio entre as suas aptidões e as suas necessidades tão diferentes? Inevitável parece a luta entre os dois e difícil achar-se o segredo de como chegarem a equilíbrio.
Dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma quanto a outra. Ao lado desses dois grandes partidos, formiga a numerosa tribo dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, são mornos no amar e econômicos no gozar. Onde, então, a sabedoria? Onde, então, a ciência de viver? Em parte alguma; e o grande problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa. Sereis, porventura, mais perfeitos se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso: está toda nas reformas por que fizerdes passar o vosso Espírito. Dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: esse o meio de o tornardes dócil à vontade de Deus e o único de alcançardes a perfeição. 

Jorge, Espírito Protetor. (Paris, 1863.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 11.)


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Lei de Retorno


"E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação." — Jesus. (João, Capítulo 5, Versículo 29.)

Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.

Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível?

As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.

Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.

É a volta à lição ou ao remédio.

Não lhes surge diferente alternativa.

A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.

Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas.

Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina é muito mais rica e magnânima que parece.

Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos.
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XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 127.






MENSAGEM DO ESE:

Candeia sob o alqueire. Porque fala Jesus por parábolas

Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa. (S. MATEUS, cap. V, v. 15.)

Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; — pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. (S. LUCAS, cap. VIII, vv. 16 e 17.)

Aproximando-se, disseram-lhe os discípulos: Por que lhes falas por parábolas? — Respondendo-lhes, disse ele: É porque, a vós outros, foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, a eles, isso não lhes foi dado (1) . Porque, àquele que já tem, mais se lhe dará e ele ficará na abundância; àquele, entretanto, que não tem, mesmo o que tem se lhe tirará. — Falo-lhes por parábolas, porque, vendo, não vêem e, ouvindo, não escutam e não compreendem. — E neles se cumprirá a profecia de Isaías, que diz: Ouvireis com os vossos ouvidos e não escutareis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque, o coração deste povo se tornou pesado, e seus ouvidos se tornaram surdos e fecharam os olhos para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda e para que, tendo-se convertido, eu não os cure. (S. MATEUS, cap. XIII, vv. 10 a 15.)

É de causar admiração diga Jesus que a luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, quando ele próprio constantemente oculta o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, dizendo a seus apóstolos: “Falo-lhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas. Eles vêem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios.” Procedia, portanto, com o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda se não desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver.” Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.

Dá-se com os homens, em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. E então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIV, itens 1 a 4.)



quinta-feira, 9 de abril de 2020

Vitória sobre a depressão




Vive a sociedade terrestre grave momento na área da saúde emocional e comportamental.

Apresentando-se em caráter pandêmico, a depressão avassala os mais variados segmentos sociais, arrastando verdadeiras multidões ao terrível distúrbio de conduta.

Pode-se afirmar que a depressão é ocorrência que se manifesta como um distúrbio do todo orgânico e resulta de problemas do quimismo neuronal, com a falta de alguns neurocomunicadores responsáveis pela alegria, o bem estar, o afeto, tais como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina. Aprofundando-se, porém, a sonda investigadora a respeito desse cruel distúrbio comportamental da área da afetividade, a doença se exterioriza em razão do doente, que é sempre o Espírito reencarnado em processo de reequilíbrio dos delitos anteriormente praticados. A depressão é doença da alma que se sente culpada e, não poucas vezes, carrega esse sentimento no inconsciente, em decorrência de comportamentos infelizes praticados na esteira das reencarnações, devendo em consequência, ser tratada no cerne da sua origem. O Espírito é um viajor incansável da imensa estrada das reencarnações, avançando das trevas para a luz, do instinto para a inteligência, e dessa para a razão, logo mais para a intuição. O seu comportamento esteve adstrito aos impositivos do primarismo por onde jornadeou longamente.

Constatado essa psicogênese respeitável, que facilita o diagnóstico da problemática, o Espiritismo também oferece o grande contributo terapêutico para a solução, tendo base os ensinamentos de Jesus Cristo, o Médico por excelência, cuja vida é o mais belo poema de amor e sabedoria que a história conhece. De início, o esclarecimento do paciente, a fim de que adquira a consciência de responsabilidade, dispondo-se à recuperação a esforço pessoal, sem o mecanismo passadista de transferir para outrem o que ele deve realizar. Em seguida, o hábito saudável da oração, dos bons pensamentos através de leituras edificantes, dos diálogos que enriquecem o ser interior, da fluidoterapia, água fluidificada....

A saúde é portanto, o estado ideal do Espírito que se descobriu a si mesmo e se identifica com o Cosmo, nele inserido em clima de harmonia. O corpo humano é a mais grandiosa obra de engenharia que se conhece. Uma existência laboriosa, ativa, guiada pela mente edificada no amor e na solidariedade, transforma-se num arquipélago de saúde, mesmo quando ocorram alguns fenômenos de aflição, perfeitamente controláveis, não permitindo angústias desnecessárias, ansiedades injustificáveis, medos sem lógica, solidão egoísta. Podes, portanto, adquirir saúde e preservá-la, se te resolveres por ser feliz e te empenhares na execução do programa iluminativo que te diz respeito.

Cada Espírito é responsável por tudo quanto lhe acontece.
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FRANCO, Divaldo Pereira. Vitória sobre a depressão. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.






 


MENSAGEM DO ESE:

Os obreiros do Senhor

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: “Graça! graça!” O Senhor, porém, lhes dirá: “Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra.”

Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus.”

 — O Espírito de Verdade. (Paris, 1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5.)



quarta-feira, 8 de abril de 2020

Angústia e Paz



Previne-te contra a angústia.

Esta tristeza molesta, insidiosa, contínua, arrasta-te a estado perturbador.

Essa insatisfação injustificável, perseverante, penosa, conduz-te a desequilíbrio imprevisível.

Aquela mágoa que conservas, vitalizada pela revolta sem lógica, impele-te a desajuste insano.

Isso que te assoma em forma de melancolia, que aceitas, empurra-te a abismo sem fundo.

Isso que aflora com freqüência, instalando nas tuas paisagens mentais de pressão constante, representa o surgimento de problema grave.

Aquilo que remóis, propiciando-te dor e mal-estar, impele-te a estados infelizes, que te atormentam.

A angústia possui gêneses. Várias.

Procede de erros que se encontram fixados no ser desde a reencarnação anterior, como matriz que aceita motivos verdadeiros ou não, para dominar quem deveria envidar esforços por aplainar e vencer as imposições negativas e as compulsões torpes.

Realmente, não há motivos que justifiquem os estados de angústia.

A angústia entorpece os centros mentais do discernimentos e desarticula os mecanismos nervosos, transformando-se em fator positivo de alienações.

Afeta o psiquismo, o corpo e a vida, enfermando o espírito.

Rechaça a angústia, pondo sol nas tuas sombras-problemas.

Não passes recibo aos áulicos da melancolia e dispersa com a prece as mancomunações que produzem angústia.

Fomenta a paz, que á antídoto da angústia.

Exercita a mente nos pensamentos otimistas e cultiva a esperança.

Trabalha com desinteresse, fazendo pelo próximo o que dizes dele não receber.

A paz é fruto que surge em momento próprio, após a germinação e desenvolvimento do bem no coração.

Jamais duvides do amor de Deus.

Fixado no propósito de crescimento espiritual, transfere para depois o que não logres agora, agindo com segurança.

Toda angústia dilui-se na água corrente da paz.
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FRANCO, Divaldo Pereira. Alerta. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.





MENSAGEM DO ESE:

A indulgência (II)

Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros.
Sustentai os fortes: animai-os à perseverança. Fortalecei os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da penitência estendendo suas brancas asas sobre as faltas dos humanos e velando-as assim aos olhares daquele que não pode tolerar o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai e não esqueçais nunca de lhe dizer, pelos pensamentos, mas, sobretudo, pelos atos: “Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos hão ofendido.” Compreendei bem o valor destas sublimes palavras, nas quais não somente a letra é admirável, mas principalmente o ensino que ela veste.
Que é o que pedis ao Senhor, quando implorais para vós o seu perdão? Será unicamente o olvido das vossas ofensas? Olvido que vos deixaria no nada, porquanto, se Deus se limitasse a esquecer as vossas faltas, Ele não puniria, é exato, mas tampouco recompensaria. A recompensa não pode constituir prêmio do bem que não foi feito, nem, ainda menos, do mal que se haja praticado, embora esse mal fosse esquecido. Pedindo-lhe que perdoe os vossos desvios, o que lhe pedis é o favor de suas graças, para não reincidirdes neles, é a força de que necessitais para enveredar por outras sendas, as da submissão e do amor, nas quais podereis juntar ao arrependimento a reparação.
Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis com o estender o véu do esquecimento sobre suas faltas, porquanto, as mais das vezes, muito transparente é esse véu para os olhares vossos. Levai-lhes simultaneamente, com o perdão, o amor; fazei por eles o que pediríeis fizesse o vosso Pai celestial por vós. Substitui a cólera que conspurca, pelo amor que purifica. Pregai, exemplificando, essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou; pregai-a, como ele o fez durante todo o tempo em que esteve na Terra, visível aos olhos corporais e como ainda a prega incessantemente, desde que se tornou visível tão-somente aos olhos do Espírito. Segui esse modelo divino; caminhai em suas pegadas; elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o repouso após a luta. Como ele, carregai todos vós as vossas cruzes e subi penosamente, mas com coragem, o vosso calvário, em cujo cimo está a glorificação.

 — João, bispo de Bordéus. (1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 17.)

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No clima da prece


Acalme seu coração. 

Dificuldades são ensinamentos importantes.

Se você caiu, apóie-se no trabalho edificante para reerguer-se.

Se a doença o visita, encare-a sem revolta nem desânimo, recorrendo aos recursos necessários para a volta ao equilíbrio.

No mundo, a noção de saúde ainda se limita à visão parcial do corpo físico.

Há, porém, doentes saudáveis, do ponto de vista espiritual, assim como existem pessoas em plena posse das energias físicas, entretanto doentes do espírito. 

Lembre-se que a vida gera mais vida.

Lutas, dores, decepções e tristezas formam o quadro abençoado de experiências que nos ensinam a perseverar sempre. 

Em qualquer situação prossiga trabalhando no bem. 

Rejeite os pensamentos negativos no clima da prece, e você sentirá a presença do Mais Alto amparando-o.

No final, tudo passará e você se descobrirá feliz e capaz de muitas realizações.
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Scheilla


segunda-feira, 6 de abril de 2020

ENTENDAMOS


O objetivo da sua vida na Terra não constitui a autoridade, a beleza ou o conforto efêmero.

- É o aperfeiçoamento espiritual.
A finalidade da educação não se resume no respeito cego a tradicionalismo e preconceito.

- É disciplina aos impulsos próprios.

A evangelização da infância não consiste em seu acondicionamento às nossas ideias.

-É processo da emancipação infantil para compreensão da justiça e do bem.

O exercício profissional não consubstancia concorrência desonesta em louvor da ambição.

- É ensejo de auxílio a todos.

A caridade não exprime virtude conforme a nossa inclinação afetiva.

- É solução a qualquer problema.
A fé não significa só ideal para o futuro.

- É força construtiva para hoje.
O seu estudo não é padronização à vida alheia.

- É arma viva para a reforma de você mesmo.

A melhoria moral transparece de título honroso alcançado entre os homens.

- É luz manifesta em seu bom exemplo.
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André Luiz 
Chico Xavier 






MENSAGEM DO ESE
Advento do Espírito de Verdade (II)


Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.
Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)


(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 6.)




domingo, 5 de abril de 2020

Não Inventes Problemas


Muitas vezes somos derrotados porque não nos preparamos para vencer. É o despreparo que nos faz fracassar. A derrota, bem discernida, é o primeiro grande passo para a vitória definitiva.

Livro: O Clímax do Apocalipse
Raphael Rios
Ícone Editora







 

MENSAGEM DO ESE;

Benefícios pagos com a ingratidão

Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?
Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.
E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.
Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. — Guia protetor. (Sens, 1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 19.)


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Não Inventes Problemas

Inventar problemas é não querer partilhar da paz de Deus. 
Há criaturas que, mesmo sem os tais, começam a imaginar embaraços para a sua própria vida, a fim de atrair atenções de compaixão para a sua situação calamitosa, esquecendo-se de que compaixão sem ação não cura os males nascidos da ignorância.
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De certa forma, és criador do teu próprio destino. Se deres abertura à tua imaginação em sentido contrário ao das leis espirituais, sofrerás as consequências dos teus atos impensados, e o remédio para esses males está na tua decisão de modificar o teu modo de ser.
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Aquele que tem prazer de soltar a imaginação em busca de fantasias perigosas, verá que tais fantasias poderão materializar-se como inimigos terríveis, exigindo do seu criador promessas feitas pelos sentimentos.
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Procura limpar da tua mente a ideação negativa, estuda as tuas fraquezas em relação às tuas ideias e extirpa imediatamente esses tumores mentais, para que eles não passem para o físico, transmutando-se em enfermidades de difícil restauração.
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Tu és o que pensas ser e se já trabalhaste muitos anos criando situações perturbadoras para a tua casa mental, é necessário que passes a fazer o contrário. Certamente levarás algum tempo nesta operação-limpeza, mas se não esmoreceres conseguirás, mesmo que a rejeição for atuante em todos os teus caminhos.
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Sê perseverante, orando e vigiando em todos os momentos em que for preciso, no sentido de que tenhas em tuas mãos os frutos dos teus esforços.
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Quem não inventa problemas, deve se posicionar como livre das investidas dos mesmos. Entretanto, não basta somente deixar de imaginar coisas negativas. É indispensável criar dentro, e em torno de nós, condições de viver a positividade da vida.
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Se por força do passado, o carma te cobrar o que fizeste em outra encarnação, nas linhas da justiça, não te revoltes contra a Lei. Cede às evidências e respeita o programa evolutivo através de teu proceder, como aquele que ama até a própria dor, estudando e entendendo as lições, que o peso da cruz será aliviado, de modo a estranhares a melhora e sentires a bondade de Deus em teus caminhos.

A obediência é força imensa a nos ajudar em todos os nossos transes difíceis.

A tua imaginação deve ser aproveitada para a tua felicidade.

Os pensamentos se movem gastando energias divinas, existentes em abundância no grande suprimento.

Entrementes, responderás pela tua cota se gastares, em desacordo com as diretrizes da Lei.
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Se todas as manhãs, ao acordares, a melancolia estiver aflorada em tua mente, com tendência a passar para a tua palavra, luta com ela também, todos os dias, e expulsa-a do teu convívio, pois este estado negativo poderá transformar-se em variadas modalidades de sofrimentos, capazes de levar-te ao desespero.

És um soldado e a tua mente, um campo de batalha. Tu deves ser o vencedor!
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Não estranhes os contrários.
Eles sempre aparecem ante aqueles que desejam estabelecer harmonia no mundo interno e saúde nos corpos. Evita criar problemas e estarás edificando a tua própria felicidade.

Quando junto aos companheiros, não facilites ambiente propício ao surgimento de problemas, pois mãos invisíveis estarão te ajudando neste abençoado labor de espargir luzes, por onde os teus passos deixarem as marcas doBem.
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Lancellin
João Nunes Maia

sábado, 4 de abril de 2020

O Próximo e Nós


Esperas ansiosamente encontrar o Senhor e um dia chegarás à Divina Presença; entretanto, antes de tudo, a vida te encaminha à presença do próximo, porque o próximo é sempre o degrau da bendita aproximação.

Mas quem é o meu próximo? - perguntarás decerto, qual ocorreu ao Doutor da Lei nas luzes da parábola.

Todavia, convém saber que, além do próximo mais próximo a quem nomeias como sendo o coração materno, o pai querido, o filho de nossa bênção, o irmão estimável e o amigo íntimo, no clima doméstico, o próximo é igualmente o homem que nunca vista, tanto aquele que te fixa indiferente em qualquer canto da rua. É a criança que passa, o chefe que te exige trabalho, o subordinado que te obedece, o sócio de ideal, o mendigo que te fala a distância...

É a pessoa que te impõe um problema, verificando-te a capacidade de auxílio; é quem te calunia, medindo-te a tolerância; quem te oferece alegria, anotando-te o equilíbrio; é a criatura que te induz à tentação, testando-te a resistência... É o companheiro que te solicita concurso fraterno, tanto quanto o inimigo que se sente incapaz de pedir-te o mais ligeiro favor.

Às vezes tem um nome familiar que te soa docemente aos ouvidos; de outras, é categorizado por ti à conta de adversário, que não te aprova o modo de ser. Em suma, o próximo é sempre o inspetor da vida que nos examina a posição da alma nos assuntos da Vida Eterna. Entre ele e nós se destacam sempre a necessidade e a oportunidade a que se referia Jesus na parábola inesquecível.

Isto porque o Bom Samaritano foi efetivamente o socorro para o irmão caído na estrada de Jerusalém para Jericó, mas o irmão tombado no caminho de Jerusalém para Jericó foi para o Bom Samaritano, o ponto de apoio para mais um degrau de avanço, no caminho para o encontro com Deus.

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Emmanuel - Do livro: Rumo Certo, Médium: Francisco Cândido Xavier


MENSAGEM DO ESE:

Piedade filial (II)

Alguns pais, é certo, descuram de seus deveres e não são para os filhos o que deviam ser; mas, a Deus é que compete puni-los e não a seus filhos. Não compete a estes censurá-los, porque talvez hajam merecido que aqueles fossem quais se mostram. Se a lei da caridade manda se pague o mal com o bem, se seja indulgente para as imperfeições de outrem, se não diga mal do próximo, se lhe esqueçam e perdoem os agravos, se ame até os inimigos, quão maiores não hão de ser essas obrigações, em se tratando de filhos para com os pais! Devem, pois, os filhos tomar como regra de conduta para com seus pais todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo e ter presente que todo procedimento censurável, com relação aos estranhos, ainda mais censurável se torna relativamente aos pais; e que o que talvez não passe de simples falta, no primeiro caso, pode ser considerado um crime, no segundo, porque, aqui, à falta de caridade se junta a ingratidão.

Deus disse: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.” Por que promete ele como recompensa a vida na Terra e não a vida celeste? A explicação se encontra nestas palavras: “que Deus vos dará” , as quais, suprimidas na moderna fórmula do Decálogo, lhe alteram o sentido. Para compreendermos aqueles dizeres, temos de nos reportar à situação e às idéias dos hebreus naquela época. Eles ainda nada sabiam da vida futura, não lhes indo a visão além da vida corpórea. Tinham, pois, de ser impressionados mais pelo que viam, do que pelo que não viam. Fala-lhes Deus então numa linguagem que lhes estava mais ao alcance e, como se se dirigisse a crianças, põe-lhes em perspectiva o que os pode satisfazer. Achavam-se eles ainda no deserto; a terra que Deus lhes dará é a Terra da Promissão, objetivo das suas aspirações. Nada mais desejavam do que isso; Deus lhes diz que viverão nela longo tempo, isto é, que a possuirão por longo tempo, se observarem seus mandamentos.
Mas, ao verificar-se o advento de Jesus, já eles tinham mais desenvolvidas suas idéias. Chegada a ocasião de receberem alimentação menos grosseira, o mesmo Jesus os inicia na vida espiritual, dizendo: “Meu reino não é deste mundo; lá, e não na Terra, é que recebereis a recompensa das vossas boas obras.” A estas palavras, a Terra Prometida deixa de ser material, transformando-se numa pátria celeste. Por isso, quando os chama à observância daquele mandamento:

 “Honrai a vosso pai e a vossa mãe”, já não é a Terra que lhes promete e sim o céu. (Caps. II e III.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, itens 3 e 4.)
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LEI DE RETORNO

“E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.” – Jesus. (João, 5:29.)


Em raras passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à ressurreição da condenação.


Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na existência de um inferno ardente e imperecível?


As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na luz.


Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.


É a volta à lição ou ao remédio.


Não lhes surge diferente alternativa.


A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese de Jesus.


Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se compadece com a teoria das penas eternas.


Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador. Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a Providência Divina é muito mais rica e magnânima que parece.


Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação, decorrente da criação reprovável deles mesmos.
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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

DESPREPARO, LENTIDÃO E FUGA


Não adianta. Nem todas as pessoas estão preparadas para o conhecimento espiritual. Mesmo que você tente estimular, conversar, indicar textos maravilhosos, profundos, científicos, didáticos, lógicos, claríssimos, elas não vão absorver. É como mostrar uma foto para um cachorro: ele não vai olhar. Não tem desenvolvimento psíquico para isso. Ele vai no máximo cheirar e... se dispersar. Não é que ele não entendeu: ele nem percebeu! Não registrou!

Por esta razão elas devem ser criticadas, discriminadas, rejeitadas? De jeito nenhum. Quem somos nós para fazer isso? Mesmo quando estudamos muito e pelo esforço próprio já conquistamos largo conhecimento a respeito das verdades universais, nossa ignorância ainda é astronomicamente mais vasta do que sequer podemos imaginar. Os espíritos realmente sábios e evoluídos olham para nosso orgulho com imensa piedade paternal...

Quer dizer que elas vão continuar assim para sempre? Também não. Vão ter que caminhar um dia, como nós mesmos. A estrada é bem longa, contudo a lerdeza da maioria é passageira. Na verdade, até certo ponto, ela é providencial.



(...) a morosidade dos processos evolutivos no campo do espírito é mais que natural, porquanto o progresso apressado pertence àquele que revela suficiente desassombro para acelerar o passo na subida dos montes do conhecimento e da virtude. Para a comunidade em geral, a lentidão é imprescindível.(1) (Neio Lúcio, por Chico Xavier)



Se a demora é um direito do livre-arbítrio, o atraso na conquista dos benefícios é a justiça correspondente. Só colhemos o que plantamos, lembra?

E sobre essa má vontade na pesquisa pelo raciocínio, não nos referimos apenas às pessoas aparentemente sem cultura – estas, aliás, podem se revelar, em muitas ocasiões, com uma inteligência emocional e uma postura moral bem superiores a determinados indivíduos cultos que transpiram soberba. Falamos também dos intelectuais fossilizados em erudição acadêmica que desprezam o conhecimento espiritual por pura ignorância e medo, pois..


Há um movimento inconsciente das criaturas rejeitando verdades que as tornam mais responsáveis.(2) (Odilon Fernandes, por Carlos Baccelli)



Não é que eles não acreditam: eles desconhecem e fogem de conhecer, já que essas informações causariam uma ruptura no dique da barragem que sustenta todas as teorias que acumularam até então, e uma mudança inclusive em seu estilo de vida. Não querem! Mais cômodo ficarem imóveis, fingindo desdém e superioridade – como se esse estado pudesse persistir para sempre. Pode se estender por muito, muito tempo, mas não para sempre. Aí está a reencarnação para surpreendê-los, mexendo e remanejando todas as circunstâncias em que estão inseridos. Terão arrancados de suas mãos aqueles mesmos livros que estão acostumados a ler e serão arremessados de suas cadeiras de balanço para condições existenciais bem diferentes, fazendo-os enxergar a vida por um outro ângulo.

Há ainda os experimentadores de sensações e costumes modernos, sempre à cata de novidades publicitárias classificadas como alto conhecimento de vanguarda. Felizes como crocodilos no pântano, não desejam sair dali. Para eles toda aquela água parada está ok, não precisa ser drenada. Consideram o limitadíssimo espaço onde se afundam como um vasto oceano, ou talvez a própria Via Láctea!



Nada é tão difícil de compreender quanto o que se ignora; nada é mais simples do que aquilo que se conhece.(3) (Camille Flammarion)



Da mesma forma, existem os apáticos e indiferentes. Acham que estão na Terra somente para comer, beber, dormir, ter relações sexuais e trabalhar mecanicamente (só porque precisam sobreviver; caso contrário, nem isso fariam). Estão assim por vontade – ou falta de vontade – própria, arrastando-se ao longo de inúmeras encarnações.



Há espíritos que, por muitas vezes, partem da carne através da morte e à carne voltam através do berço, quais estátuas inermes que, depois de enterradas durante séculos, volvem ao exame de outrem, sem qualquer aspecto novo que lhes altere os esgares fixos.(4) (André Luiz, por Waldo Vieira)



Todos esses foram abandonados pela Providência Divina? Não, absolutamente. O Amor de Deus envolve todas as criaturas sem distinção. Justamente por isso, há o respeito completo à liberdade de pensamento e de ação, embora essa liberdade seja cercada pelas balizas da Lei, para a nossa própria proteção. O que acontece é que eles mesmos preferem se largar na indolência, ainda que possuam dentro de si, lá no âmago, a chama inapagável da intuição espiritual.



As realidades da sobrevivência acompanham a alma humana desde o berço. Intuitivamente, sabe o homem que a vida não se encontra circunscrita às estreitas atividades da Terra.(5) (Emmanuel, por Chico Xavier)



Certa vez, no ano de 2004, quando já enviava pela Internet textos, na maior parte espíritas, para os contatos pessoais, recebi o seguinte recado de uma amiga muito querida: “Não se incomode em mandar essas coisas, porque eu leio, mas é como se não tivesse lido nada... Me desculpe. Acho que você já me conhece...” Respondi, com muito carinho (textualmente): “Como você também já sabe, respeito integralmente seu modo de pensar e não tenho a pretensão de mudar sua cabeça. Envio-lhe os textos e frases como envio a todos os amigos de minha lista de e-mails, para quem quiser refletir. Se não quiser receber nada é só dizer, que eu retiro o seu nome da lista e nada vai mudar em nossa amizade por isso. Mas, se me permite, continuarei enviando, porque você nunca sabe quando vai precisar das informações contidas neles, nem conhece o momento em que despertará para as questões espirituais mais profundas. Deus te proteja hoje e sempre”.



(...) Os Espíritos tratam de convencer; quando não o conseguem, é um inconveniente sem importância; é simplesmente porque o encarnado ainda não está pronto para ser convencido.(6) (Revista Espírita, de Allan Kardec)



Fiquei admirado pela maneira tão honesta e exata com que minha amiga conseguiu expressar, talvez inconscientemente, a condição em que ela e muitos se encontram por enquanto: “Eu leio, mas é como se não tivesse lido nada...” E lembrei das palavras de Thomas Edison:



5% das pessoas pensam. 10% das pessoas pensam que pensam. Os outros 85% preferem morrer a pensar.(7)



É por essas e outras que ainda vai demorar bastante para que a certeza a respeito das verdades espirituais se generalize em nosso planeta. Não a certeza como crença ingênua, mas sim aquela que é fruto da investigação escrupulosa e imparcial.

Estamos avançando, porém. A cada dia, cresce o número dos sinceramente dispostos a estudar e entender. E o trabalho de aprofundamento, ensino, intercâmbio e divulgação se expande prodigiosamente, na atualidade, pelas mãos luminosas dos obreiros do Bem.

Ninguém segura o tempo.



Fernando Peron

23 de março de 2017

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(1) – Obra Sementeira de Paz. Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio, organização de Wanda Amorim Joviano. Vinha de Luz Serviço Editorial. Belo Horizonte (MG), 2010. 1ª edição, pág. 263. Trecho psicografado em 3 de março de 1948.

(2) – Obra O Transe Mediúnico. Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Odilon Fernandes. LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo. Uberaba (MG), 2010. 2ª edição, pág. 194.

(3) – Obra Urânia. Camille Flammarion. FEB – Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro (RJ), 1987. 5ª edição, pág. 71.

(4) – Obra Ideal Espírita. Francisco Cândido Xavier, Waldo Vieira, por Espíritos Diversos. CEC – Comunhão Espírita Cristã. Uberaba (MG), 2007. 2ª edição de bolso, págs. 166 e 167. Trecho psicografado por Waldo Vieira, pelo Espírito André Luiz.

(5) – Obra Roteiro. Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel. FEB – Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro (RJ), 1986. 7ª edição, pág. 53.

(6) – Obra Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos – Ano VIII, 1865 (nº 2 - fevereiro de 1865). Allan Kardec. FEB – Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro (RJ), 2006. 3ª edição, pág. 76. Trecho do Espírito Erasto, pelo médium Sr. d’Ambel.

(7) – Thomas Edison (1847-1931), cientista e inventor americano.





MENSAGEM DO ESE:

Benefícios pagos com a ingratidão

Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?
Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.
E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.
Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. 

— Guia protetor. (Sens, 1862.)

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 19.)

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O ESPINHO



“E para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, mensageiro de Satanás.” – Paulo. (2ª Epístola aos Coríntios, 12:7.)

Atitude sumamente perigosa louvar o homem a si mesmo, presumindo desconhecer que se encontra em plano de serviço árduo, dentro do qual lhe compete emitir diariamente testemunhos difíceis. É posição mental não somente ameaçadora, quanto falsa, porque lá vem um momento inesperado em que o espinho do coração aparece.

O discípulo prudente alimentará a confiança sem bazófia, revelando-se corajoso sem ser metediço. Reconhece a extensão de suas dívidas para com o Mestre e não encontra glória em si mesmo, por verificar que toda a glória pertence a Ele mesmo, o Senhor.

Não são poucos os homens do mundo, invigilantes e inquietos, que, após receberem o incenso da multidão, passam a curtir as amarguras da soledade; muitos deles se comprazem nos galarins da fama, qual se estivessem convertidos em ídolos eternos, para chorarem, mais tarde, a sós, com o seu espinho ignorado nos recessos do ser.

Por que assumir posição de mestre infalível, quando não passamos de simples aprendizes?

Não será mais justo servir ao Senhor, na mocidade ou na velhice, na abundância ou na escassez, na administração ou na subalternidade, com o espírito de ponderação, observando os nossos pontos vulneráveis, na insuficiência e imperfeição do que temos sido, até agora?

Lembremo-nos de que Paulo de Tarso esteve com Jesus pessoalmente; foi indicado para o serviço divino em Antioquia pelas próprias vozes do Céu; lutou, trabalhou e sofreu pelo Evangelho do Reino e, escrevendo aos coríntios, já envelhecido e cansado, ainda se referiu ao espinho que lhe foi dado para que se não exaltasse no sublime trabalho das revelações.
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EMMANUEL
(do livro “Pão Nosso” – psic. Chico Xavier)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Chico Xavier

*Pedro Leopoldo, 2 de abril de 1910 
+Uberaba, 30 de junho de 2002 

















 



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Mesmo sem quase nunca sair de Uberaba, o senhor vem acompanhando a situação do mundo atual e, particularmente, os muitos problemas brasileiros. 
Como analisaria tudo isso?

Chico Xavier:


- O mundo que hoje se nos apresenta parece totalmente desorientado. As pessoas perderam o interesse por tudo. Até pela própria existência!

Os jovens não sabem que caminho seguir. Além disso são perseguidos pelas drogas. Quanto ao Brasil, pode parecer estranho o que vou dizer, mas, à medida que nossa comunidade se enriqueceu materialmente, uma nuvem de incompreensão nos cobriu a todos. Quando o País era paupérrimo, principalmente na região que nasci, centro-sertão de Minas Gerais, nós éramos obrigados a trabalhar muito dos 10 anos em diante. A escola era algo de sacrifício, de privilégio. Estudávamos quando e se tivéssemos tempo, após colher feijão, socar arroz e milho, carpir a terra, alimentar os animais.

Dávamos um valor especial àquilo que conseguíamos através de nosso suor, de nosso esforço. A medida que fomos nos desenvolvendo, nos industrializando, e as coisas foram ficando mais fáceis, fomos também perdendo a noção do valor delas.

Nós enriquecemos materialmente e perdemos nossa riqueza espiritual. Mas acredito que isso seja uma coisa transitória, pois sei que ao final teremos todo o amparo da fé cristã que nos livrará das ameaças. Creio na vitória de Jesus Cristo.

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(Em entrevista publicada na revista Contigo/Superstar, São Paulo, SP, n. 443, 19/3/1984, transcrita no ANUÁRIO ESPÍRITA 1985)

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Já Publicadas: 
http://www.betemensagemdodia.blogspot.com.br/search/label/Chico%20Xavier

Chico Xavier

CORPO FÍSICO 



O corpo físico, sem dúvida, é uma bênção, mas o espírito terá que ensiná-lo a viver com menos ...

Hoje, infelizmente, impera a cultura do corpo - quase tudo que se faz tem o propósito de satisfazê-lo: vesti-lo, alimentá-lo, poupá-lo de certos esforços ...

O espírito nunca esteve tão submisso ao corpo quanto na atualidade.

Não se trata de ir ao extremo da maceração, qual procedem os ascetas.

Não!

O espírito necessita do corpo como instrumento de sua manifestação na Dimensão Material; sem ele, semelhante estágio de aprendizado lhe seria imposssível...

Portanto, o corpo carece de ser preservado, mas não cultuado.

Os excessos devem ser cortados ... O excesso de alimentação, por exemplo, reduz o tempo de vida na carne.

Os cuidados que extrapolam no campo da estética induzem à vaidade ...
Quanto mais se der ao corpo, menos se dará ao espírito. As muitas horas de sono resultam na indolência...

Até o prazer oriundo do sexo reclama por disciplina.

Enquanto o homem não entender que é um espírito habitando um corpo transitório, a matéria haverá de subjugá-lo, com o seu próprio consentimento.
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Chico Xavier

AMIGOS DA PRIMEIRA HORA



Tive companheiros extraordinários ...

Não posso me queixar.

Amigos que sempre souberam valorizar a obra dos Bons Espíritos por meu intermédio.

Eram professores, médicos, advogados, gente de admirável cultura acadêmica, em quase todos os setores da atividade humana.

Mas, quando precisava de forças para continuar, era nos exemplos dos irmãos mais simples que eu me inspirava.

Era pensando neles - irmãos e irmãs que mal sabiam escrever o nome - que eu encontrava conforto para o meu coração ...

Refletindo em seus anônimos testemunhos de fé, perante a família e a sociedade, que os ignorava, que eu pude me manter fiel, não traindo a confiança que em mim sempre depositaram.

Devo muito a eles, aos amigos e benfeitores da primeira hora, os quais, sem que soubessem, me ensinaram a perseverar e a não me afastar do caminho.

Ainda hoje, ao recordá-los, não há como evitar que a emoção me domine e que, espontaneamente, lágrimas me aflorem aos olhos.

Foram os protetores encarnados que Jesus colocou no meu caminho!

Como esquecê-los?... Que a bênção de Deus os alcance, onde estiverem! 
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Chico Xavier

Animais



Um amigo perguntou ao Chico qual o animal mais evoluído espiritualmente e dele anotou a resposta:
– É o cão. O cão desperta muito amor e é modelo de fidelidade. As pessoas que amam e cultivam a convivência com os animais, especialmente os cães, se observarem com atenção, verificarão que os vários espécimes são portadores de qualidades que consideramos quase humanas, raiando pela prudência, paciência, disciplina, obediência, sensibilidade, inteligência, improvisação, espírito de serviço, vigilância e sede de carinho, infundindo-nos a ideia de que, quanto mais perto se encontram das criaturas humanas, mais se lhes assemelham, preparando-se para o estágio mais próximo da hierarquia espiritual.

Segundo o iluminado Espírito Emmanuel os animais são nossos parentes próximos, com sua linguagem, seus afetos e sua inteligência rudimentar.

Chico Xavier respondendo a uma pergunta sobre os animais, disse:

- Nossos benfeitores espirituais nos esclarecem que é preciso que todos nós consideremos que os animais diversos, a nos rodearem a existência de seres humanos em evolução no planeta Terra, são nossos irmãos menores, desenvolvendo em si mesmos o próprio princípio inteligente.

Se nós, seres humanos já alcançamos os domínios da inteligência desenvolvendo agora as potências intuitivas, eles, os animais, estão aperfeiçoando paulatinamente seus instintos na busca da inteligência da mesma maneira que nós humanos aspiramos alcançar algum dia a angelitude na Vida Maior, personificada em nosso mestre o Senhor Jesus, eles, os animais aspiram ser num futuro distante homens e mulheres inteligentes e livres. Assim sendo, nós podemos nos considerar como irmãos mais velhos e mais experimentados dos animais.

Deus outorgou aos homens a condição e proteção de nossos irmãos mais novos, os animais.

E o que é que esta humanidade tem agido em relação aos animais nos inúmeros séculos de nossa história?

Porventura nós, os homens, não temos nos transformado em algozes dos animais ao invés de seus protetores fiéis? Quem ignora que a vaca sofre imensamente a caminho do matadouro? Quem duvida que minutos antes do golpe fatal os bovinos derramam lágrimas de angústia? Não temos treinado determinadas raças de cães exaustivamente para o morticínio e os ataques? Que dizermos das caçadas impiedosas de aves e animais silvestres unicamente por prazer esportivo? Que dizermos das devastações inconseqüentes do meio ambiente?

Tudo isto se resume em graves responsabilidades para os seres humanos. A angústia, o medo e o ódio que provocamos nos animais lhes alteram o equilíbrio natural de seus princípios espirituais.

A responsabilidade maior recairá sempre nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais no caminho do Amor e do Progresso, seguindo a Verdade de Deus.
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Chico Xavier

  

NO MUNDO DOS LIVROS



É muito fácil enredar-se alguém no mundo dos livros ...

Sempre que eu me sentia como uma pessoa que tem por cela uma biblioteca - sempre que eu experimentava a sensação de muito contato com as ideias, pedia licença aos Espíritos Amigos, fazendo uma pausa na psicografia, e ia procurar a periferia da cidade.

Eu precisava de contato humano ...

Não queria me isolar, a ponto de me esquecer das carências imediatas das pessoas, que eram as minhas também.

Tomava, então, a iniciativa de visitar determinada família necessitada, nos bairros mais afastados ...

O médium que não respire no clima da caridade, perde o parâmetro aferidor da própria humanidade.

O trabalho com os Bons Espíritos me proporcionava muitas alegrias, mas Deus me livre de ficar apenas com elas...

É extremamente perigoso excursionar no mundo das ideias sem o concurso do coração.

A teoria sem a vivência nos dota de uma inteligência esquizofrênica.

Escalar alturas, através do pensamento, sem alicerce no chão, é preparar-se para cair espetacularmente.

Jesus fazia as duas coisas: ensinava o espírito e matava a fome do corpo !
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Chico Xavier

O QUE FALTA



Às vezes, o que falta para que os companheiros se entendam melhor é a iniciativa de algum deles, no sentido de promover maior aproximação.

É o orgulho que nos impede de caminhar na direção do outro.

Ficamos na expectativa de que o outro venha e não vamos. Assim, ninguém sai do lugar ...
O que nos custa dar um telefonema, escrever um bilhete, efetuar uma visita?

Um elogio sincero à obra do suposto concorrente quebra muitas resistências.

Precisamos esmerar-nos na arte de fazer amigos, colecionando boas vibrações.

Não se trata de não ser sincero ... Quem não possui um aspecto positivo a ser colocado em evidência?

Ninguém há destituído de valor. Se me dispuser a destacar o lado bom das pessoas, não estarei mentindo.

Por vezes, os nossos olhos são mais omissos que os nossos lábios ...

A palavra fraterna faz ruir qualquer fortaleza, que alguém tenha erguido em relação a nós - a palavra de simpatia.

Agora, não pode ser uma palavra dúbia e nem soar com falsidade.

Tem que partir do coração, endereçada ao coração do outro. Muitas inimizades são por falta de conversar...
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Chico Xavier

O CERTO E O ERRADO 



Com excessão dos insanos, ninguém pode alegar desconhecimento do que seja certo ou errado.

Quando alguém procura cometer uma ação ilícita, cobre o rosto com uma máscara, oculta a sua identidade, foge, após ter perpetrado a ação ...

Tudo isto nos mostra o grau de consciência com que agimos, isto é, erramos sabendo que estamos errando.

A culpabilidade é maior.

De Jesus Cristo para cá, o homem vem tomando, cada vez mais, consciência de si.

Não há, sobre a Terra, quem possa alegar, em seu favor, completa ignorância ou desconhecimento da Lei.

O mal é mal, porque gera consequências que pedem reparação.

O Bem não pune: o Bem recompensa ...

Quem pratica uma ação positiva não se esconde - aliás, costuma ser o contrário.

Foi preciso que Jesus nos recomendasse:

"Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita ... "

O mal se oculta nas sombras; o Bem se revela à luz do dia... Agora, ninguém ludibria a consciência.

O processo pode ficar arquivado por muito tempo, mas virá o julgamento, com a respectiva sentença.
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Chico Xavier



O DIÁLOGO EM CASA





É por falta de diálogo que as famílias se desestruturam, quando os cônjuges perdem o gosto de conversar entre si.

O diálogo amistoso dentro de casa é de vital importância, evitando-se possíveis desgastes no relacionamento.

Não se pode permitir, por exemplo, que a televisão e a Internet tomem o tempo que as pessoas sob o mesmo teto têm para conversar...

Não basta dizer "amo você" e ficar só nisto.

Não estou me referindo à vida sexual ativa, que é apenas complemento do amor.

Há necessidade de que o casal, o marido e a mulher sejam companheiros - não apenas irmãos, mas amigos que confiem um no outro e não somente parceiros no tálamo conjugal.

O ambiente de companheirismo entre os pais repercute na formação do caráter dos filhos.

É preciso que o casal tenha vontade de ficar em casa, rodeado pelos filhos, permutando atenção e carinho.

Não adianta um ficar trancado num cômodo e o outro noutro ...

Há gente dentro da própria casa se comunicando por celular!

A solidão excessiva enseja espaço ao surgimento de ideias que, aos poucos, podem ir crescendo ...

O diálogo e a alegria sadia são aliados seguros da união familiar.
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Chico Xavier

ORIENTAÇÕES BÁSICAS




As orientações básicas de que necessitamos estão, todas, consubstanciadas no Evangelho.

O que nos falta é segui-las !

Há quase 2.000 anos, esperamos por novidades... Que novidades queremos? Que novas revelações?

O que os Espíritos poderão nos dizer, além do que já nos disseram? O essencial está aí: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei"!

O resto são detalhes e mera informação. Há muitos com mais curiosidade do que real interesse pelo conhecimento da verdade.

Temos um mundo de informações à nossa disposição, acerca do Mundo Espiritual esperando por tradução no cotidiano ...

O que temos é mais do que suficiente para que não erremos o caminho!

O Evangelho, já vertido para quase todos os idiomas, espera agora ser traduzido pela nossa vivência - esta, sem dúvida, será a sua mais preciosa versão.

Os Espíritos Superiores estão cientes de que os homens não estão preparados para saber mais, antes que aprendam a amar mais.

Tudo a seu tempo. Não se constrói uma casa sobre a areia...

O acesso a determinados conhecimentos não é de ordem geral. Existem passos individuais e coletivos.

Quem pretende avançar não pode esperar por quem se acomoda na retaguarda.
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Chico Xavier

HOJE E AGORA



Há quem permaneça na expectativa da Vida Espiritual para promover, em si, as mudanças de que necessita.

Por que será que não mudamos, assim que tomamos consciência disto?

Não será a Terra uma dimensão espiritual como as demais?

As oportunidades de que a criatura precisa a fim de se melhorar estão disponíveis onde ela mesma se encontra.

Aliás, os homens vivem a ignorá-las ...

Não temos que esperar um tempo mais favorável para darmos início à nossa renovação Íntima.

Quando reencarnamos, nós o fazemos, imbuídos das melhores esperanças; chegando ao corpo, porém, quando os compromissos aparecem, queremos transferi-los para outra ocasião ...

Assim, para servir-me de expressão popular, vamos "empurrando a dívida", acrescentando a ela, como é natural, os juros de mora.

Há muita gente que, quando pode, não quer e, quando quer, não pode.

As circunstâncias modificam-se, as oportunidades passam - passam e, não raro, demoram a voltar.

Há gente que está suspirando pela chance que desperdiçou há 250, 300 anos atrás! ...

Hoje é dia de procurarmos fazer o melhor.

E o momento é agora!
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Chico Xavier

A CONSCIÊNCIA



A consciência é o que há de restar de tudo o que somos.

Em sua longa trajetória, o espírito busca a sua integração com ela, que, em suma, é a integração plena da criatura com o Criador.

A consciência há de livrar-se dos últimos resquícios do ego ...

A rigor, todos os corpos que nos envolvem são instrumentos de perfeição - teremos que nos despojar de todos eles.

Quando a vontade do Pai for a nossa, alcançaremos a Luz!

As nossas mazelas e imperfeições são excrescências, "corpos estranhos" em nós mesmos.

A consciência não nos cobra aquilo que não lhe devemos ...

Quanto mais o homem se omite espiritualmente mais difícil vai lhe ficando ouvir as advertências e apelos dessa "voz" interior, que nunca se engana em seus alvitres.

Toda orientação de que necessitamos para acertar sempre jaz em nosso mundo íntimo.

Ninguém pode alegar desconhecimento ...
Por conflitarem-se com a consciência é que muitos caem na insanidade - fazem tanto "barulho" para abafar-lhe a voz, que se desnorteiam, adoecem ...

A loucura é fruto de nossa oposição sistemática a ela!

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Chico Xavier

AMOR E INTELIGÊNCIA




Todos aqueles que realizaram prodígios espirituais sobre a Terra, os realizaram pela sua capacidade de amar e não de simplesmente conhecer.

Em face do Amor, todo conhecimento é limitado.

É através do coração que o homem pode alçar-se às estrelas; pelo conhecimento, ele ainda não conseguiu sair do chão ...

Envia naves espaciais para outros orbes, em experiências científicas sem precedentes, mas, convenhamos, ainda muito limitadas; no máximo, o que conseguiu, foi ensaiar alguns passos sobre a superfície da Lua ...

O Amor transcende todos os poderes da inteligência.

Os grandes luminares da Humanidade fizeram-se através do coração.

Não estamos nos posicionando contra o intelecto - absolutamente, mas a inteligência, até agora, não conseguiu anular a periculosidade humana.

As nações estão armadas até aos dentes, umas contra as outras ...

As menores leis são corrompidas.

A injustiça social pouco se alterou na marcha dos séculos.

Somente pela sua infinita capacidade de amar, o homem conseguirá transcender, sem, do ponto de vista físico, necessitar sair do lugar.

Jesus, aparentemente imobilizado na Cruz, triunfou sobre todas as forças da inteligência perversa que conspiraram contra Ele!
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Chico Xavier


DINHEIRO EM EXCESSO



Sei que, vivendo na Terra, principalmente quando temos pessoas que dependam de nós, família e amigos, não é fácil exercitar o desapego, mas, tanto quanto possível, precisamos ir desprendendo-nos do supérfluo, Também não é fácil a identificação do supérfluo em nossa vida...

Feliz daquele que já sabe viver com o necessário, não almejando mais do que lhe seja indispensável à subsistência, de modo que não venha, voluntariamente, devido à indolência, por exemplo, ser um peso para as pessoas de seu relacionamento.

É claro que, quando estamos doentes, às vezes, precisamos, é natural.

Urge exercitar-nos na solidariedade. Se necessitamos da mão que se estende, igualmente necessitamos de alguém em cuja direção ela seja estendida.

A mão da caridade não se estende no vácuo ...

Mas saber identificar o supérfluo, dentro dos recursos que provisoriamente detenha, é alijar-se de um peso desnecessário.

As posses materiais além da conta, que seja a mínima sobra, podem criar inúmeros embaraços ao espírito na administração de si mesmo.

O dinheiro em excesso é obstáculo quase inamovível no caminho de quem procura ascender !
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Chico Xavier


É DIFERENTE





Não seria correto fazer apologia do sofrimento, embora o Evangelho nos diga que "A dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos".

É claro que o sofrimento precisa ser evitado - não estamos numa Doutrina que nos induza ao masoquismo.

Ninguém gosta e nem deve gostar de sofrer.

Precisamos entender, contudo, que a nossa precariedade espiritual nos acarreta inevitáveis provações.
Não me refiro apenas às consequências de atitudes relacionadas com o passado ...

As nossas arestas espirituais reclamam a ação do cinzel. É natural.

O barro, a fim de fixar a forma em que é modelado, é cozido em fornos de alta temperatura ...

Sem o concurso da disciplina e do obstáculo a vencer, o espírito se amolentaria indefinidamente.

Ninguém se supera, sem algum tipo de esforço. A evolução exige a paga de tributo ...

Mas, o sofrimento voluntário é contra ela! O sofrimento voluntário é antinatural.

Impor-se, egoisticamente, privações, em nada resulta.

A maceração deliberada do corpo é carma para o futuro.

O Espiritismo nos conclama à aceitação e ao aproveitamento da prova.

É diferente.
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Chico Xavier





























 

MENSAGEM DO ESE:
O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do bom samaritano.
Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; — reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, — e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; — porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; — estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.
Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? — Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? — E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? — O Rei lhes responderá:
Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.
Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; — porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.
Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? — Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo. E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)
Então, levantando-se, disse-lhe um doutor da lei, para o tentar: Mestre, que preciso fazer para possuir a vida eterna? — Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Que é o que lês nela? — Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo. — Disse-lhe Jesus: Respondeste muito bem; faze isso e viverás. Mas, o homem, querendo parecer que era um justo, diz a Jesus: Quem é o meu próximo?
Jesus, tomando a palavra, lhe diz: Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. — Aconteceu em seguida que um sacerdote, descendo pelo mesmo caminho, o viu e passou adiante. — Um levita, que também veio àquele lugar, tendo-o observado, passou igualmente adiante. — Mas, um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. — Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. — No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar.
Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caíra em poder dos ladrões? — O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. — Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo. (S. LUCAS, cap. X, vv. 25 a 37.)
Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade:
Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.
No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau.
Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.
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 (Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, itens 1 a 3.)