quarta-feira, 26 de julho de 2017

Como seguirás



A tua escala de valores necessita de uma avaliação.
Depositas muita importância em moedas e gemas preciosas,
telas famosas e tapetes especiais, prataria e cristais...
E mesmo quando o alento da fé te bafeja o coração,
 buscas doutrinas exóticas e comportamentos alienantes,
empreendendo viagens que te levam à presença de personalidades estranhas
ou carismáticas.
Acalmas-te por um momento e já noutro retornam a incerteza
e a insatisfação. A ânsia de querer mais e o veemente desejo de
abarcar tudo exaurem-te os nervos, e o equilíbrio bate em retirada.
*
Os tesouros valem o preço que lhes atribuis.
Nenhum d’eles
preenche o espaço da saudade de um ser amado ou traz o amor
legítimo de alguém ao coração solitário.
No deserto ardente ou numa ilha solitária não te propiciam
uma gota de água ou um baga de pão.
O conhecimento sem disciplina mental, igualmente faz-se instrumento
de perturbação e instabilidade.
As várias teorias, díspares e conflitantes entre si, aturdem a
razão.
*
Toda busca da Verdade, para legitimar-se, deve ser fundamentada
na paz.
A pressa responde pela imperfeição de qualquer obra quanto
a indolência pela demora da realização.
Acalma-te, dá ritmo equilibrado aos teus interesses e encontrarás
o filão de ouro que te conduzirá à felicidade.
*
Jesus já veio ter contigo e deixou-te precioso legado, que ainda
não conheces.
Ao Mahatma Gandhi bastou o “sermão da montanha” para
completar-lhe a preciosa e missionária existência de homem de fé
e ação.
Já o leste, meditando e aplicando-lhe os conceitos no dia-a-dia?
Reavalia, pois, a tua existência, porque, talvez, sem aviso
prévio, a morte chegue à tua porta e, sem pedir licença, informe
que está ha hora do retorno.
Como seguirás?
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Joanna de Ângelis



MENSAGEM DO ESE:
Preces inteligíveis

Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro. — Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. — Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? — Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela. (S. PAULO, 1ª aos Coríntios, cap. XIV, vv. 11, 14, 16 e 17.)
A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer ao que se não compreende, porquanto o que não se compreende não pode tocar o coração. Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de amálgamas de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, preciso se torna que cada palavra desperte uma idéia e, desde que não seja entendida, nenhuma idéia poderá despertar. Será dita como simples fórmula, cuja virtude dependerá do maior ou menor número de vezes que a repitam. Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus vê o que se passa no fundo dos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo.
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII, itens 16 e 17.)



sábado, 22 de julho de 2017

AGUÇA OS SENTIDOS


Quando Deus necessita falar mais diretamente contigo,  Ele pode fazê-lo pela boca de quem, talvez, consideres menos habilitado a isso.

Portanto, sobre a Terra, em todos os idiomas, não faltam intérpretes à Palavra Divina, mas, sim, ouvidos dispostos a escutá-la e, sobretudo, a entendê-la.

Pelos lábios de uma simples criança, pode chegar-te o recado que, desde muito, anseias por receber do Mais Alto, traçando-te novos rumos.

No diálogo que travas com anônimo pedinte, na via pública, podes registrar a orientação que, de maneira inesperada, o Senhor te endereça através de quem mal sabe verbalizar o que pensa.

Não te tornes voluntariamente surdo à Voz que jamais se cala, mormente nos instantes em que ouvi-la se te faça mais necessário.

Aguça os sentidos, sê humilde e escutarás a Deus, inclusive, na despretensiosa nota de uma canção ou no verso de um poema que alguém declama, ao passares.
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Irmão José 
Carlos Baccelli 
 "Pai, Perdoa-lhes!"  


MENSAGEM DO ESE:
 O que se deve entender por pobres de espírito

Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, v. 3.)
A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.
Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção. Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem.
Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à idéia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam. Daí o só terem sorrisos de mofa para tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério.
Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros, nesse mundo invisível de que escarnecem. É lá que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais.
Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem, para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e rico em qualidades morais.
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VII, itens 1 e 2.)



sexta-feira, 21 de julho de 2017

QUEM NÃO PERDOA



Quem não perdoa:

- coloca-se na posição de quem sequer admite a possibilidade de errar;

- não se nivela aos outros pelas fragilidades humanas que revelam;

- jamais considera a hipótese de, um dia, vir a necessitar da compreensão de alguém;

- não entende o sentimento de amor por doação incondicional de si mesmo;

- como quem se crê na posse de toda a razão, arvora-se no direito de lavrar sentenças condenatórias definitivas...

Quem não perdoa, enfim, proclama, sem palavras, que Deus se equivocou, porque o seu lugar de viver seria entre os anjos, no Céu, e não entre os homens, na Terra.

Irmão José  
 Carlos Baccelli  
 "Pai, Perdoa-lhes!"
 

 MENSAGEM DO ESE:
Sacrifício da própria vida (II)

– Se um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida a um de seus semelhantes, sabendo de antemão que sucumbirá, pode o seu ato ser considerado suicídio?
Desde que no ato não entre a intenção de buscar a morte, não há suicídio e, sim, apenas, devotamento e abnegação, embora também haja a certeza de que morrera. Mas, quem pode ter essa certeza? Quem poderá dizer que a Providência não reserva um inesperado meio de salvação para o momento mais crítico? Não poderia ela salvar mesmo aquele que se achasse diante da boca de um canhão? Pode muitas vezes dar-se que ela queira levar ao extremo limite a prova da resignação e, nesse caso, uma circunstância inopinada desvia o golpe fatal. — São Luís. (Paris, 1860.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 30.)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

EM MEIO À ESCURIDÃO




Acende a tua luz em meio à escuridão.

Onde surge a descrença, persevera na fé.

Onde o mal predomina, insiste na bondade.

Onde explode o conflito, trabalha pela paz.

Onde espinhos despontam, cultiva as tuas flores.

Por menor seja o lume, a treva não resiste.
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Irmão José   
 Carlos Baccelli
  "A Face do Amor" 



MENSAGEM DO ESE:
Benefícios pagos com a ingratidão

Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?
Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.
Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.
E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é uma semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.
Ah! meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele. — Guia protetor. (Sens, 1862.)
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 19.)