quarta-feira, 9 de maio de 2018

A Reforma Íntima


Ninguém pode ter Deus como Pai se não tiver o outro como irmão.

Nosso caminho será de luz ou de treva, segundo a nossa capacidade de nos amar na hora de fazer a escolha entre o joio ou o trigo, do caminho de luta ou os braços enganadores da ilusão.

Quem se ama, cuida de si, oferecendo para si o melhor que puder, por meio do estudo e do serviço que presta aqueles que estão ao seu redor e passam pelo seu caminho.

Sem reforma íntima, sem lutas interiores, sem trabalho no bem, sem transformações de tendências interiores, sem serviço no Bem, sem tolerância, sem perseverança, sem solidariedade não poderemos
colher a felicidade que é a melhor parte do Bem e do Bom.

O segredo da vida é a caridade, não só a caridade material, mas, sobretudo, a caridade moral e espiritual de domar as nossas más inclinações e de demonstrarmos a nossa capacidade de perdoar, compreender, servir e passar anonimamente pelo mundo, sem deixar marcas, rastros ou sinais para que nos identifiquem.

É agir como na parábola do Cristo:  que a mão esquerda não saiba o que faz a direita, isto é, que o benfeitor nunca possa identificar o seu beneficiado e vice-versa, para que ninguém fica a dever ou se sinta humilhado.

Se assim fizermos, seremos realmente felizes. 
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(Nelson Pedro)




MENSAGEM DO ESE:
Mundos de expiações e provas

Que vos direi dos mundos de expiações que já não saibais, pois basta observeis o em que habitais? A superioridade da inteligência, em grande número dos seus habitantes, indica que a Terra não é um mundo primitivo, destinado à encarnação dos Espíritos que acabaram de sair das mãos do Criador. As qualidades inatas que eles trazem consigo constituem a prova de que já viveram e realizaram certo progresso. Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram propensos constituem o índice de grande imperfeição moral. Por isso os colocou Deus num mundo ingrato, para expiarem aí suas faltas, mediante penoso trabalho e misérias da vida, até que hajam merecido ascender a um planeta mais ditoso.
Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contacto com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semicivilizadas, constituídas desses mesmos os Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos.
Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos, na Terra; já tiveram noutros mundos, donde foram excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degredados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. Daí vem que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. Por isso mesmo, para essas raças é que de mais amargor se revestem os infortúnios da vida. É que há nelas mais sensibilidade, sendo, portanto, mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado.
A Terra, conseguintemente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, o servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses Espíritos tem aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde em proveito do progresso do Espírito. – Santo Agostinho. (Paris, 1862.)



(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, itens 13 a 15.)



terça-feira, 8 de maio de 2018

LUZ E SILÊNCIO




O Mestre que nos recomendou situar a lâmpada sobre o velador, também nos exortou, de modo incisivo: –

– “Brilhe a vossa luz diante dos homens!”     
*
Conhecimento evangélico é sol na alma.

Compreendendo a responsabilidade de que somos investidos, esposando a Boa Nova por
ninho de nossos sentimentos e pensamentos, busquemos exteriorizar a flama renovadora
que nos clareia por dentro, a fim de que a fé não seja uma palavra inoperante em nossas
manifestações.
*
Onde repontem espinheiros da incompreensão, sê a bênção do entendimento fraterno.
*
Onde esbraveje a ofensa, sê o perdão que asserena e edifica.
*
Onde a revolta incendeie corações, sê a humildade que restaura a serenidade e a alegria.
*
Onde a discórdia ensombre o caminho, sê a paz que se revela no auxílio eficiente e
oportuno.
*
Não olvidemos que a luz brilha dentro de nós.
*
Não lhe ocultemos os raios vivificantes sob o espesso velador do comodismo, nas teias
do interesse pessoal.


Entretanto, não nos esqueçamos igualmente de que o sol alimenta e equilibra o mundo
inteiro sem ruído, amparando o verme e a flor, o delinqüente e o santo, o idiota e o sábio
em sublime silêncio.
*
Não suponhas que a lâmpada do Evangelho possa fulgurar através de acusações ou
amarguras.
Enquanto a ventania compele o homem a ocultar-se, a claridade matinal, tépida e muda, o
encoraja ao trabalho renovador.
*
Inflamando o coração no luzeiro do Cristo, saibamos entender e servir com Ele, sem
azedume e sem crítica, sem reprovação e sem queixa, na certeza de que o amor é a
garantia invulnerável da vitória imperecível.
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Emmanuel 
Chico Xavier 



  

MENSAGEM DO ESE:
Ressurreição e reencarnação (III)


Ora, desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela violência e são os violentos que o arrebatam; — pois que assim o profetizaram todos os profetas até João, e também a lei. — Se quiserdes compreender o que vos digo, ele mesmo é o Elias que há de vir. — Ouça-o aquele que tiver ouvidos de ouvir. (S. MATEUS, cap. XI, vv. 12 a 15.)
Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta passagem de S. Mateus, que não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. — “Desde o tempo de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência.” Que significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele momento? Jesus as explica, dizendo: “Se quiserdes compreender o que digo, ele mesmo é o Elias que há de vir.” Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à época em que João vivia com o nome de Elias. “Até ao presente o reino dos céus é tomado pela violência”: outra alusão à violência da lei mosaica, que ordenava o extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a Terra Prometida, Paraíso dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela brandura. 

E acrescentou: Ouça aquele que tiver ouvidos de ouvir. Essas palavras, que Jesus tanto repetiu, claramente dizem que nem todos estavam em condições de compreender certas verdades.
Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo; aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão. Despertai do vosso sono e entoai louvores a Deus, vós que habitais no pó; porque o orvalho que cai sobre vós é um orvalho de luz e porque arruinareis a Terra e o reino dos gigantes. (ISAÍAS, cap. XXVI, v. 19.) 

É também muito explícita esta passagem de Isaías: “Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo. ” Se o profeta houvera querido falar da vida espiritual, se houvera pretendido dizer que aqueles que tinham sido executados não estavam mortos em Espírito, teria dito: ainda vivem, e não: viverão de novo. No sentido espiritual, essas palavras seriam um contra-senso, pois que implicariam uma interrupção na vida da alma. No sentido de regeneração moral, seriam a negação das penas eternas, pois que estabelecem, em princípio, que todos os que estão mortos reviverão.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV, itens 10 a 13.)


segunda-feira, 7 de maio de 2018

QUEM É VOCÊ?

Dificilmente você será uma pessoa feliz sem que antes se conheça na palma da mão. Se ainda não sabe quem é, como você poderá saber para onde vai e o que quer de fato da vida? Se não aprendeu a lidar consigo mesmo, como pretende lidar com o próximo? Se ainda não consegue identificar seus pontos fortes e fracos, como almejar a vitória sobre qualquer coisa?

Muitas pessoas andam por caminhos equivocados exatamente por não se conhecerem; não sabem as reais necessidades do seu espírito. Para quem está perdido, qualquer caminho serve.

Cada espírito é uma individualidade própria, portanto diferente dos demais, nem melhor, nem pior, simplesmente diferente.

E você precisa descobrir quem de fato é. Não tenha medo dessa viagem interior, nenhum monstro o aguarda nas profundezas da sua alma. Há um tesouro escondido no universo do seu mundo íntimo, é a centelha divina que habita em você esperando ser descoberta, trabalhada e amada como toda criatura de Deus merece ser.

Seja tão curioso por si mesmo quanto tem sido em relação à vida alheia. De preferência, a cada dia gaste mais tempo investigando a si mesmo e deixando de lado aquilo que somente diz respeito ao outro.

Reserve espaços no seu dia para o autoconhecimento. Faça perguntas para si mesmo, dialogue consigo e responda para si mesmo: quem você é, do que você gosta, o que não aprecia, o que lhe faz bem e o que lhe desagrada. Jamais porém, faça esse mergulho interior para se condenar. Você jamais será amigo de si mesmo se não tiver humildade suficiente para aceitar-se como é.

Autoconhecimento deve ser algo prazeroso, não um jogo de tortura. Isso não quer dizer que você deixará de ver aspectos sombrios da sua personalidade. No entanto, jamais estará de pedras na mão para se agredir. Só o amor é capaz de iluminar a sombra interior e transformar nossos ponto escuros em pontos de luz.

Qualquer tentativa de reforma íntima que leve o indivíduo a cair em culpa e aniquilar a auto-estima não passa de um processo perverso, pois só o amor é capaz de gerar transformações verdadeiras em nosso modo de agir. O mal produz medo, insegurança, revolta, enfim, gera mal-estar.

Diante de algum fato significativo, reflita sobre os motivos pelos quais você agiu dessa ou daquela forma. Freqüentemente nos comportamos sob o impulso de melindres, raivas, medos, culpas e mágoas, cujos sentimentos estão arquivados nas camadas mais profundas do nosso ser. Sem que se conheça a fundo, você não se libertará desses espinhos da alma e jamais terá domínio sobre si mesmo, permanecendo refém da própria sombra.

Afirmou Jesus: "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João, 8:32). Essa verdade também está no âmago do nosso ser, pois as Leis Divinas estão gravadas em nossa consciência. Consultar a consciência é ouvir a voz de Deus falando dentro de nós.
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José Carlos de Lucca



MENSAGEM DO ESE:
A cólera (II)

Segundo a idéia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. É assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma conseqüência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.
Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.
O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. Hahnemann. (Paris, 1863.)

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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IX, item 10.)



domingo, 6 de maio de 2018

Doença e Cura




Se estás doente, não menosprezes a oportunidade de meditação que a doença de oferece. 

Aparta o espírito do corpo e reflete na transitoriedade de tudo o que te rodeia. 

Conserva, sim, a esperança de cura, mas não te enganes quanto à fatalidade do teu desenlace que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerá. 

Prepara-te para o inevitável confronto com a Verdade. 

Desapega-te do que te retém o espírito no cativeiro da ilusão. 

Desperta da profunda letargia em que viveste até hoje e valoriza o tempo que te resta no corpo perecível. 

Se readquirires o equilíbrio orgânico, não olvides que, mais tarde voltarás a enfermar. 

A desencarnação é lei natural. 

Não te ocupes de ti mesmo, apenas quando te vejas na iminência de morrer. 

Pior que a doença física é a do espírito, que sobrevive à morte do corpo. 

Cura-te, em profundidade. 

Quase sempre, em quem nada sofre, seja no corpo ou na alma, o processo de cura sequer começou.  
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Carlos A. Baccelli / Irmão José

MENSAGEM DO ESE:
Coletânea de preces espíritas
Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale, o pensamento é tudo. Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.”
Os Espíritos jamais prescreveram qualquer fórmula absoluta de preces. Quando dão alguma, é apenas para fixar as idéias e, sobretudo, para chamar a atenção sobre certos princípios da Doutrina Espírita. Fazem-no também com o fim de auxiliar os que sentem embaraço para externar suas idéias, pois alguns há que não acreditariam ter orado realmente, desde que não formulassem seus pensamentos.
A coletânea de preces, que este capítulo encerra, representa uma escolha feita entre muitas que os Espíritos ditaram em várias circunstâncias. Eles, sem dúvida, podem ter ditado outras e em termos diversos, apropriadas a certas idéias ou a casos especiais; mas, pouco importa a forma, se o pensamento é essencialmente o mesmo. O objetivo da prece consiste em elevar nossa alma a Deus; a diversidade das fórmulas nenhuma diferença deve criar entre os que nele crêem, nem, ainda menos, entre os adeptos do Espiritismo, porquanto Deus as aceita todas quando sinceras.
Não há, pois, considerar esta coletânea como um formulário absoluto e único, mas, apenas, uma variedade no conjunto das instruções que os Espíritos ministram. É uma aplicação dos princípios da moral evangélica desenvolvidos neste livro, um complemento aos ditados deles, relativos aos deveres para com Deus e o próximo, complemento em que são lembrados todos os princípios da Doutrina.
O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não de lábios somente. Nenhuma impõe, nem reprova nenhuma. Deus, segundo ele, é sumamente grande para repelir a voz que lhe suplica ou lhe entoa louvores, porque o faz de um modo e não de outro. Quem quer que lance anátema às preces que não estejam no seu formulário provará que desconhece a grandeza de Deus. Crer que Deus se atenha a uma fórmula é emprestar-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade.
Condição essencial à prece, segundo S. Paulo (cap. XXVII, nº 16), é que seja inteligível, a fim de que nos possa falar ao espírito. Para isso, não basta seja dita numa língua que aquele que ora compreenda. Há preces em língua vulgar que não dizem ao pensamento muito mais do que se fossem proferidas em língua estrangeira, e que, por isso mesmo, não chegam ao coração. As raras idéias que elas contêm ficam, as mais das vezes, abafadas pela superabundância das palavras e pelo misticismo da linguagem.

A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que são meros adornos de lentejoulas. Cada palavra deve ter alcance próprio, despertar uma idéia, pôr em vibração uma fibra da alma. Numa palavra: deve fazer refletir. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo; de outro modo, não passa de ruído. Entretanto, notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas na maioria dos casos. Vêem-se lábios a mover-se; mas, pela expressão da fisionomia, pelo som mesmo da voz, verifica-se que ali apenas há um ato maquinal, puramente exterior, ao qual se conserva indiferente a alma.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 1.)




sábado, 5 de maio de 2018

SEMENTEIRA E COLHEITA


Certo homem, enredado no vício da embriaguez, era frequentemente visitado por generoso amigo espiritual que lhe amparava a existência.

- Arrepende-te e recorre à Bondade Divina! – rogava o benfeitor  quando o alcoólatra se desprendia parcialmente do campo físico, nas asas do sono. – Vale-te do tempo e não adies a própria renovação! Um corpo terrestre é ferramenta preciosa com que a alma deve servir na oficina do progresso. Não menosprezes as próprias forças!...

O infeliz acordava, impressionado. Rememorava as palavras ouvidas, tentava mentalizar a formosura do enviado sublime e, intimamente, formulava o propósito de regenerar-se.

Todavia, sobrevindo a noite, sucumbia de novo à tentação.

Embebedando-se, arrojava-se a longo período de inconsciência, tornando ao relaxamento e à preguiça.

Borracho, empenhava-se tão-somente em afogar as melhores oportunidades da vida em copinho sobre copinho.

Entretanto, logo surgia alguma faixa de consciência naquela cabeça conturbada, o mensageiro requisitava-o, solícito, recomendando:

- Atende! Não fujas à responsabilidade. A passagem pela Terra é valioso recurso para a ascensão de espírito... O tempo é um crédito de que daremos conta! Apela para a compaixão do senhor! Modifica-te! modifica-te!...

O mísero despertava na carne, lembrava a confortadora entrevista e dispunha-se ao reajustamento preciso: no entanto, depois de algumas horas, engodado pelos próprios desejos, caía novamente na zona escura.

Ébrio, demorava-se meses e meses na volúpia do auto-esquecimento.

Contudo, sempre aparecia um instante de lucidez em que o companheiro vigilante interferia.

Novo socorro do Céu, novas promessas de transformação e nova queda espetacular.

Anos e anos foram desfiados no milagroso novelo do tempo, quando o infortunado, de corpo gasto, se reconheceu enfermo e abatido.

A moléstia instalara-se, desapiedada, na fortaleza orgânica, inclinando-lhe os passo para o desfiladeiro da morte.

Incapaz de soerguer-se, o doente orou, modificado.

Queria viver no mundo e, para isso, faria tudo por recuperar-se.

Em breves segundos de afastamento do estragado veículo, encontrou o divino mensageiro e, ajoelhando-se, comunicou:

- Anjo abnegado, transformei-me! sou outro homem... Estou arrependido! Reconheço meus erros e tudo farei para redimir-me... Recorro à piedade de nosso Pai Todo-Compassivo, de vez que pretendo alcançar o futuro na feição do servidor desperto para as elevadas obrigações que a vida nos conferiu...

O protetor abraçou-o, comovidamente, e, enxugando-lhe as lágrimas, rejubilou-se, exclamando:

- Bem-aventurado sejas! Doravante, estarás liberto da perniciosa influência que até agora te obscureceu a visão. Abençoado porvir sorrirá ao teu destino. Rendamos graças a Deus!

O doente retomou o corpo, de coração aliviado, com a luz da esperança a clarear-lhe a alma.

Mas os padecimentos orgânicos recrudesciam.

A assistência médica, aliada aos melhores recursos de enfermagem, revelava insuficiência para subtrair-lhe o mal-estar.

Findos vários dias de angustiosa dor, entregou-se à prece com sentida compunção e, amparado pelo benfeitor invisível, achou-se fora da carne, em ligeiro momento de alívio.

- Anjo amigo – implorou -, acaso o Todo-Bondoso não se compadece de mim? estou renovado!... alterei meus rumos! porque tamanhas provas?

O guardião afagou-o, benevolente, e esclareceu:

- Acalma-te! o sincero reconhecimento de nossas faltas é força de limitação do mal em nós e fora de nós, qual medida que circunscreve o raio de um incêndio, para extinguí-lo pouco a pouco, mas não opera reviravoltas na Lei. O amor infinito de Deus nos descerra fulgurantes caminhos à própria elevação; todavia, a justiça d’Ele determina venhamos a receber, invariavelmente, segundo as nossas obras. Vale-te do perdão divino que, por resposta do Senhor às tuas rogativas, é agora em tua alma anseio de reajuste e com renovador, mas não olvides o dever de destruir os espinhos que ajuntaste. O arrependimento não cura as afecções do fígado, assim como o remorso edificante do homicida não remedeia a chaga aberta pelo golpe da lâmina insensata!... Aproveita a enfermidade que te purifica o sentimento e usa a tolerância do Céu como novo compromisso de trabalho em favor de ti mesmo!...

O doente desejou continuar ouvindo a palavra balsamizante do amigo celeste... A carne enfermiça, porém, exigiu-lhe a volta.

Contudo, recompondo-se mentalmente no corpo fatigado, embora gemesse sob a flagelação regeneradora, chorava e ria, feliz.
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pelo Espírito Irmão X - Do livro: Estante da Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier.




MENSAGEM DO ESE:
Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. — São Luís. (Paris, 1860.)
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, item 21.)


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Deus Te Escutará Deus


Ora cotidianamente, haurindo energias no Sublime Reservatório da Natureza. 

Sempre que te sentires fraquejar, renova-te pela prece. 

Onde estiveres, através da palavra articulada ou não, suplica a Intercessão do Alto. 

Nenhuma oração sincera ecoa sem resposta. 

Um dos benefícios imediatos da prece é o de asserenar-te o espírito, para que saibas agir com acerto. 

Para quem ora com a alma nos lábios, coisa alguma é impossível. 

Todo aquele que pede com humildade o que deseja, no mínimo, sempre obtém a compreensão daquilo que não pode ter. 

Depois da caridade, a prece é a única força capaz de transcender o habitual e operar prodígios. 

Ora com persistência, devota-te aos teus semelhantes e espera pela Graça Divina, que te alcançará. 

Os Pressupostos do Senhor jamais te deixarão clamar em vão. 

A prece é um íntimo colóquio da criatura com o Criador. 

Ora, e Deus te escutará. 
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Irmão José
Carlos Baccelli




MENSAGEM DO ESE:
Fora da Igreja não há salvação. Fora da verdade não há salvação


Enquanto a máxima — Fora da caridade não há salvação — assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade, o dogma — Fora da Igreja, não há salvação — se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários. Desprezando a grande lei de igualdade perante o túmulo, ele os afasta uns dos outros, até no campo do repouso. A máxima — Fora da caridade não há salvação consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma — Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e se perseguem reciprocamente, vivem como inimigos; o pai não pede pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que mutuamente se consideram condenados sem remissão. É, pois, um dogma essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

Fora da verdade não há salvação equivaleria ao Fora da Igreja não há salvação e seria igualmente exclusivo, porquanto nenhuma seita existe que não pretenda ter o privilégio da verdade. Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as idéias? A verdade absoluta é patrimônio unicamente de Espíritos da categoria mais elevada e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, porque não lhe é dado saber tudo. Ela somente pode aspirara uma verdade relativa e proporcionada ao seu adiantamento. Se Deus houvera feito da posse da verdade absoluta condição expressa da felicidade futura, teria proferido uma sentença de proscrição geral, ao passo que a caridade, mesmo na sua mais ampla acepção, podem todos praticá-la. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo a salvação para todos, independente de qualquer crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e, como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, pois que esta máxima separaria em lugar de unir e perpetuaria os antagonismos.
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(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, itens 8 e 9.)

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Um outro caminho

 

Não há outro caminho.

Quando teu sono for interrompido por preocupações e pesadelos e não conseguires retomar a tranquilidade, fica um pouco desperto e entrega o que estiveres sentindo ao ser tranquilo e iluminado que habita teu ser.

Encontra-o e deixa que ele possa dissipar teu mal estar, dando-te em troca a segurança e a amorosidade que lhe são próprios.

Quando tua mente insistir em pensamentos ou lembranças que te trazem desconforto, quando não conseguires aquietar teu ser e sentir que tudo apresenta-se confuso, deixa que o teu coração resgate para ti a necessidade profunda de estar bem.

E, nada mais será preciso.

Ficarás bem porque assim desejas e aquilo que desejas verdadeiramente, não te poderá ser negado.

Quando a fruta estiver verde, permite que a paciência trabalhe em ti e espera o fruto amadurecer.

Quando adoeceres, não te esqueças da saúde, do amor e vê que a doença simboliza apenas a tua decisão em não quereres a paz.

Conhece a ti mesmo, descobre tua luz, tua força.

Não há outro caminho para que te sintas completo, íntegro em tua realidade.

Permite que a tua cura seja realizada, permite que o amor esteja presente.

Não há segredos, não há mágicas.

A única coisa que existe é a tua vontade e esta é capaz de dar realidade ao que desejares.

Sê consciente em tuas escolhas, pois elas refletem o que habita em ti.
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Estação da Paz

MENSAGEM DO ESE:
Retribuir o mal com o bem


Aprendestes que foi dito: “Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos.” Eu, porém, vos digo: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos. — Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?” (S. MATEUS, cap. V, vv. 43 a 47.)


— “Digo-vos que, se a vossa justiça não for mais abundante que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus.”(S. MATEUS, cap. V, v. 20.)


“Se somente amardes os que vos amam, que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que os amam? — Se o bem somente o fizerdes aos que vo-lo fazem, que mérito se vos reconhecerá, dado que o mesmo faz a gente de má vida? — Se só emprestardes àqueles de quem possais esperar o mesmo favor, que mérito se vos reconhecerá, quando as pessoas de má vida se entreajudam dessa maneira, para auferir a mesma vantagem? Pelo que vos toca, amai os vossos inimigos, fazei bem a todos e auxiliai sem esperar coisa alguma. Então, muito grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e até para os maus. — Sede, pois, cheios de misericórdia, como cheio de misericórdia é o vosso Deus.” (S. LUCAS, cap. VI, vv. 32 a 36.)


Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas idéias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo.


A diversidade na maneira de sentir, nessas duas circunstâncias diferentes, resulta mesmo de uma lei física: a da assimilação e da repulsão dos fluidos. O pensamento malévolo determina uma corrente fluídica que impressiona penosamente. O pensamento benévolo nos envolve num agradável eflúvio. Daí a diferença das sensações que se experimenta à aproximação de um amigo ou de um inimigo. Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deva estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de difícil prática, impossível mesmo, é apenas por entender-se falsamente que ele manda se dê no coração, assim ao amigo, como ao inimigo, o mesmo lugar. Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento, à razão cabe estabelecer as diferenças, conforme aos casos.


Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contacto de um amigo. Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo a reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos.


Amar os inimigos é, para o incrédulo, um contra-senso. Aquele para quem a vida presente é tudo, vê no seu inimigo um ser nocivo, que lhe perturba o repouso e do qual unicamente a morte, pensa ele, o pode livrar. Daí, o desejo de vingar-se. Nenhum interesse tem em perdoar, senão para satisfazer o seu orgulho perante o mundo. Em certos casos, perdoar-lhe parece mesmo uma fraqueza indigna de si. Se não se vingar, nem por isso deixará de conservar rancor e secreto desejo de mal para o outro.


Para o crente e, sobretudo, para o espírita, muito diversa é a maneira de ver, porque suas vistas se lançam sobre o passado e sobre o futuro, entre os quais a vida atual não passa de um simples ponto. Sabe ele que, pela mesma destinação da Terra, deve esperar topar aí com homens maus e perversos; que as maldades com que se defronta fazem parte das provas que lhe cumpre suportar e o elevado ponto de vista em que se coloca lhe torna menos amargas as vicissitudes, quer advenham dos homens, quer das coisas. Se não se queixa das provas, tampouco deve queixar-se dos que lhe servem de instrumento.
Se, em vez de se queixar, agradece a Deus o experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe dá ensejo de demonstrar a sua paciência e a sua resignação. Esta idéia o dispõe naturalmente ao perdão. Sente, além disso, que quanto mais generoso for, tanto mais se engrandece aos seus próprios olhos e se põe fora do alcance dos dardos do seu inimigo.
O homem que no mundo ocupa elevada posição não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da humanidade material. Este compreende que o ódio e o rancor o aviltariam e rebaixariam. Ora, para ser superior ao seu adversário, preciso é que tenha a alma maior, mais nobre, mais generosa do que a desse último.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, itens 1 a 4.)